Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E para a conversa de fim de tarde de hoje temos na Rádio Observador o Guilherme Fonseca e a Rita da Nova. De resto, podem acompanhar esta conversa também nas redes sociais da Rádio Observador, em vídeo. Eles estão a dizer olá às pessoas lá em casa. O Guilherme Fonseca e a Rita da Nova têm um livro, chama-se "Terapia de Casal: coisinhas insignificantes que dividem um casal no dia a dia". Estão aqui os dois a provar que são um casal porque têm sapatilhas iguais.

Exatamente.

Acho que é um dos fatores.

Foi obrigatório. A Rita disse assim: "Só casamos se tu tiveres os sapatos iguais aos meus, senão como é que eu te encontro?"

Na realidade, foi se tu usares uns sapatos decentes.

Larga essa porcaria que tu usas, eu quero uns sapatos como deve ser.

Não sei se vocês estão prontos, isto vai aquecer.

Nós vamos dar aqui uma ajuda. A Rita e o Guilherme são um casal, resolveram também pôr em livro tudo aquilo que um dia os pode levar a um divórcio, assim sem medos, tudo aquilo que os separa, tudo aquilo que os irrita no dia a dia. Dizer ainda que este livro nasce de um podcast com o mesmo nome, o "Terapia de Casal", e onde também é fácil que nos relacionemos com muitas destas histórias contadas no livro. O Guilherme Fonseca é humorista, a Rita da Nova é blogger e consta que o jeito para a escrita vem de longe, porque os seus apontamentos na universidade eram altamente desejados e disputados. Muita gente terminou várias cadeiras do curso de Ciências da Comunicação por causa dos apontamentos da Rita da Nova.

Não sabia disso.

Não sabias?

Não sabia.

Ainda por cima era a escapa, isto é espetacular.

Tu tens uma fonte.

Havia uma pessoa nos anos anteriores a mim, já não me lembro quem era, mas também era a pessoa dos apontamentos.

O cromo? Desculpa.

Exato. Fico feliz por saber que desde que cheguei que era eu.

Isso aconteceu. Muito bem, Guilherme, Rita, bem-vindos. Obrigado por estarem aqui connosco.

Obrigado pelo convite. Eu até me sinto meio desconfortável nesta mesa, porque sempre que vejo convidados aqui sentados, são sempre políticos muito importantes. De repente, estou eu aqui.

Tu és uma pessoa importante no humor, em Portugal.

É mesmo no humor, duvido. Mas obrigado pelo elogio.

Vamos lá então perceber um bocadinho melhor este livro. Está organizado por capítulos, diria, por irritações, por episódios. Cada um deles tem a versão do Guilherme, a versão da Rita e no final até temos de escolher se somos team Guilherme ou team Rita. Primeiro capítulo: o problema de ir sozinho ao supermercado. Guilherme, começa tu.

Ok. Primeiro de tudo, queríamos só dizer que o nosso objetivo com o podcast e com o livro nunca foi falar das coisas mais sérias que podem levar um casal a discutir. Isso não nos interessa absolutamente nada. Nisso eu e a Rita até temos tendência a concordar. Nas pequeninas coisas, como por exemplo, sempre que a Rita precisa que eu comunique com ela à distância quando ela está nas compras pra tirar uma dúvida, eu estou sempre com o telefone. Quando sou eu e sozinho e preciso tirar uma dúvida do gênero: é este produto ou é este, e mando fotografias, a Rita desaparece da face da Terra e eu fico parado num corredor ao lado de um carrinho com velhotas a passar pra frente e pra trás, à espera que ela me diga sequer o produto A ou o produto B.

Já estamos com inverdades, não é?

Não é bem.

Eu às vezes demoro um bocadinho, mas eu tenho outras coisas pra fazer.

Como é que tu refutas isto, Rita, nesta particular história de ir ao supermercado?

É que há aqui dois fatores. O primeiro é: o Guilherme mora na mesma casa que eu. Já moramos juntos há cinco anos, mais ou menos.

É pá, não pergunto sempre.

E portanto, ele já deveria estar habituado a saber o que normalmente nós compramos. Nós não compramos coisas muito diferentes de ida de supermercado pra ida de supermercado.

É que se nós formos juntos, eu sei bem o meu papel nas compras. Quando nós vamos juntos às compras, eu sei.

É empurrar o carrinho.

Empurrar o carrinho, e depois no fim pagar. É muito simples, é fácil, são só dois passos e eu esses sei cumprir. Quando eu vou sozinho, de repente é todo um mundo novo que se abre, porque eu devia ter dado atenção às coisas que ela estava a comprar das outras vezes.

E não deu nenhuma.

E de repente ela diz assim: "Traz chá." E eu chego ao corredor do chá e há 56 pacotes diferentes e eu não sei qual é o que ela quer.

Claro. E também ouvi dizer que tens a mania de comprar coisas já perto do final do prazo. É outro problema.

Sim, porque eu agarro o que está à frente. Eu sou caçador-coletor, eu agarro no que está à minha frente e levo pra casa pra minha gruta.

Cuidado contigo, Guilherme.

Exatamente. E a Rita não, a Rita fica durante 47 minutos a analisar todos os números e os E's.

Eu sou planeadora. Eu planeio a nossa despensa e o nosso frigorífico.

Compras é pra ser depressa, rápido, que é pra depois voltar pra casa, pro conforto do meu lar.

E depois pra no dia seguinte estares a ir lá outra vez, porque compraste um rolo de carne fora do prazo.

Exatamente.

Se falta o desconforto por esse papel, não há a possibilidade de ser a Rita a fazer as compras e o Guilherme ficar dispensado essa tarefa?

A Rita tem um emprego a sério, das 9 às 17, às vezes das 9 às 21. E eu tenho um emprego mais ou menos a brincar, porque eu sou humorista, guionista de televisão, portanto, eu não tenho bem horários. E sempre que é preciso fazer uma coisa deste género, é: "Podes ir aos CTT, podes ir às compras, podes ir buscar aquilo?" E eu, como é que eu digo que não? Não consigo dizer que não.

No lançamento deste livro, vocês espalharam vários exemplares por várias cidades. Como é que correu essa iniciativa e qual era o objetivo?

Queríamos, primeiro de tudo, pedir desculpa ao PAN pela poluição que andámos a causar.

Eu ia perguntar isso.

Porque deixámos livros no meio da rua, com papel de embrulho, etc. Mas foi uma ideia da editora, de uma rapariga que trabalha no departamento de marketing da editora, que é a Marisa. Ela teve esta ideia. E nós achámos muito engraçado.

Uma ideia antiga, aquela de estar a passar o livro.

Sim, de deixar os livrinhos.

Completamente, e aquilo vinha embrulhado, era mesmo como se fosse uma prenda de Natal.

Se calhar foram entregar à polícia.

Sim, nós andámos mesmo a distribuir alguns dos livros e tínhamos estado no Porto e eu fui deixar alguns no meio da rua. Ele parava o carro e eu deixava os livros. Eu àquela altura estava a polícia e disse: "Eu não quero ir, que a polícia vai achar que eu estou a deixar uma bomba ou uma coisa do género."

Eu agora ia pisar aqui uma mina perigosa e ia dizer: "Na Campanhã, mas em Campanhã, tu deixaste?" Não. Eu corrigi a tempo dentro da minha cabeça, mas depois disse as duas maneiras à mesma.

Primeiro, não era Campanhã, era São Bento.

São Bento, exatamente. Em São Bento, a Rita deixou um pacote E fugiu.

Eu fugi a correr. Eu deixei o pacote em cima de um banco ao pé das linhas e fugi sem olhar.

Eu deixei-o no Parque Eduardo VII e estavam uns turistas a tirar fotografias e é meio desconfortável eu ir, pousar o livro, tirar uma fotografia e depois afastar-me. Eu estava sempre à espera que os turistas dissessem: "Isto é uma bomba! Ao pé de uma estátua do Cutileiro, ele vai explodir isto." Mas não.

Eu devia estar à espreita: "Olha, esqueceu-se do seu livro."

Sim.

E sob a vista de marketing do vosso livro, resultou esta iniciativa?

Vamos ver agora nas próximas vendas.

Sim.

Vamos ver nas próximas vendas.

Não, e acho que foi muito engraçado, porque às tantas tínhamos muitas mensagens de pessoas a dizer: "Vem deixar um em Aveiro, vem deixar um no Algarve." Eu gostava, mas eu tenho que ir lá deixá-los.

Sim, convençam-me a ir aí.

Exato.

Com doces ou assim.

Mas depois há aquele capítulo das viagens, dos mecânicos e dos carros, não é?

Essa é outra.

Há um capítulo.

Eu sou um péssimo protótipo de macho. Ou seja, eu não percebo nada de bricolage, eu não percebo nada do carro. Eu preciso de ganhar dinheiro suficiente para chegar ao pé de uma pessoa que perceba de carros, entregar a chave e dizer assim: "Diz-me o que é que se passa com este artigo que está aqui à minha frente, corrige." E depois ele leva o carro e devolve e diz quanto é que é. Eu não faço ideia.

Sim, é terrível.

Penderá um quadro, não sei.

Não, é porque ele é terrível a conduzir, portanto estraga o carro, e depois é terrível no mecânico.

Eu estava a ver um ponto de embraiagem do Guilherme Fonseca, numa subida.

Eu não gosto de conduzir.

De ver e de cheirar.

Meia embraiagem ali naquela manobra.

Sim.

Estou a imaginar. Não sei se já vos aconteceu de chegarem ao fim de um capítulo do livro ou de um episódio do podcast, se calhar é mais provável, e ficarem mesmo chateados um com o outro. Nunca aconteceu?

Por acaso não, eu acho que nunca levámos para o podcast. Aconteceu mais ou menos uma vez.

Sim.

Queres contar essa história?

Qual é que vais contar? Se calhar eu acho que é a mais exata.

Há várias? Então não sei.

Eu ia contar aquela em que eu estava genuinamente irritada contigo.

Durante a quarentena.

Sim, durante a quarentena. É o meu episódio favorito.

Primeira quarentena, atenção.

Primeira quarentena e nós na altura fizemos dois episódios semanais. À quinta-feira fazíamos um especial de quarentena, como se isso fosse muito interessante na altura, mas pronto, foi a nossa maneira também de lidar um bocadinho com a situação. E eu já estava muito farta dele. E eu começo a irritar-me muito no episódio e ele começa: "Mas estás mesmo irritada comigo." E eu desato a chorar e a rir ao mesmo tempo e dizer que eu já não te consigo ver nem ouvir. Por favor, sai daqui, eu já não te consigo ver. E nesse eu estava mesmo farta.

E sobre o que é que estavam a falar para provocar esse sentimento em ti?

Sobre a vida em casa durante a quarentena.

Eu acho que nessa fase o volume a que eu respirava já dava para ter filhos. Acho que esse já era o problema, mas foi da convivência, mas depois entretanto resolvemos os nossos problemas. Continuas a odiar-me, mas de uma maneira em que conseguimos conviver. Eu acho que nós nunca levámos nada, nenhuma discussão a sério. Houve uma vez um e-mail. Eu não tenho o hábito de responder a haters ou pessoas que mandem bocas ou que não gostem do meu trabalho, etc. Ignoro. E a Rita adora responder a todas as pessoas que odeiam o nosso podcast ou que têm coisas negativas para dizer. Ela vai e responde e não sei o quê, está ali a discutir. Eu não tenho paciência.

É a minha versão do tu é que és. Eu adoro.

E houve uma vez, nós recebemos um e-mail no nosso podcast de uma pessoa a criticar, já nem me lembro bem o quê, e eu disse: "Rita, vamos ignorar este, não vale a pena estarmos a responder a isto." E ela: "Vais ver." E a meio do podcast ela resolve responder ao e-mail. E eu no fim disse: "Paquete, foste responder a isso? Se as pessoas não gostam, também não vão ouvir a resposta, portanto deixa estar."

Olha, estou-me a lembrar que recentemente houve outra em que comecei a irritar-me mesmo contigo e ainda hoje não resolvemos essa situação.

Então aproveitamos aqui.

É o sítio ideal.

Eu digo, e bem, que um filho, biologicamente é mais da mãe. Biologicamente, uma criança é mais da mãe. Ou seja, tem mais recursos da mãe, apesar de ter 50% de cada.

Acho que sim.

E vai buscar muito da mãe.

Vai buscar muito da mãe?

Recursos, a mãe alimenta-se através da mãe.

O que ela quer dizer é quando o bebê nasce, quando sai da vagina e chora pela primeira vez depois de uma palmada, nesse momento, ela diz que biologicamente o bebê é mais da mãe do que do pai. E eu discordo disto. Eu acho que é 50/50, a ciência prova.

A ciência não prova porque há umas células específicas que só vêm da mãe.

Está bem, e há outras que só vêm do pai.

Não, não há.

Há um fator que é quando o bebê nasce, normalmente tenta-se que ele tenha logo contato com a mãe. O pai é um bocado ignorado juridicamente. A questão da amamentação.

Normalmente, só se dá o bebê depois de nascer à mãe, porque o pai está a ser acordado do desmaio de ter visto a mãe a dar à luz, só por causa disso.

Sim, de ter visto sangue.

Eu não batalhava muito nessa questão.

Não. Pronto, e depois como ele não tem argumentos, vai dizer que juridicamente é dos dois, mas quer dizer, a discussão não é essa.

Já passamos do biológico para o jurídico.

É, mas a discussão nunca foi essa.

Nós na altura recebemos e-mails tanto de juristas como de pessoas que lêem a Wikipédia, não sei.

Não, e de pessoas que estudaram Biologia também.

E pronto, e tivemos várias respostas diferentes e eu continuo a achar que um bebê quando nasce é 50/50 e a Rita acha que não. Mas achas o quê? 60/40? 70/30?

É difícil, não é?

Depende.

Depende do bebê?

Se for muito parecido com a mãe, por exemplo, se não for parecido com a mãe, já é um 80/20.

Ok.

Vocês não têm filhos, pois não?

Não.

Senão essa questão já havia resposta para essa vossa dúvida.

Sim, na verdade, nem queremos. Por causa disto, eles não querem. Sim, nós já parimos um podcast e já dá trabalho. Não, estou a brincar. Mas é uma das coisas que nós nos grandes temas, eu e a Rita não discutimos propriamente nem política, nem religião, nem em ter filhos.

É só em coisinhas insignificantes.

Em coisinhas insignificantes é que nós condensamos toda a nossa energia e é muito mais giro.

Eu tinha aqui uma pergunta, porque vocês fazem muitas coisas juntos, viajam juntos, mesmo profissionalmente fazem. Há até aquela hashtag em comum que têm quando viajam.

Sim.

Vocês não estão a começar a ser conhecidos como o casal irritantemente fofinho de Portugal?

Quer dizer, as pessoas ouvem o nosso podcast e nós somos tudo menos fofinhos um com o outro.

Exato, sim.

Portanto, eu acredito que não, mas eu queria pedir desculpa desde já aos meus amigos e também à minha família, que eu sei que eles estão a ouvir, se naquele período inicial da relação eu fui demasiado irritante e dengoso.

Não foste.

Mas no início de uma relação.

Não és a melhor pessoa para avaliar isso. Os amigos e a família, pela vista dela, é do género: "Foi pouco."

É benchmark com relações antigas. Estou só a analisar.

Não tem culpa que os outros não tenham aproveitado bem os primeiros seis meses.

Exato.

Mas eu acho que depois disso nós não temos nem muita personalidade, nem maneira de ser para sermos muito dengosos e muito irritantes. Aqueles casais que estão sempre de mãozinha dada e a tirar foto e a ser fofinhos.

Não, de todo.

Não temos nada a ver com isso.

Aliás, temos pouquíssimas fotos juntos.

Mas é que eu sou feio, tenho mais fotos tuas.

Também é isso.

Mas é mais por aí. Nós não somos muito dos casais irritantes.

Ótimo, não correm esse risco. E este livro pode funcionar como autoajuda para casais desavindos? Apontam soluções neste livro ou não é de todo esse o objetivo?

Espero que não.

Eu também espero que não. A Joana Marques há uns tempos lançou um livro que se chama "Vai Tudo Correr Mal", que é um livro de antiajuda. Ela diz que é o primeiro e único. Eu acho que somos mais perto do antiajuda do que da autoajuda.

Ela assinou o prefácio, não é?

Exatamente, a Joana Marques assinou o nosso prefácio, foi a nossa primeira convidada do podcast e também a primeira convidada do nosso primeiro espetáculo ao vivo no Maria Matos, quando nós andámos a vender livros. Fizemos uma espécie de feira ao vivo, cinco datas, e vendemos livros no Maria Matos.

Foi giro.

Não, foi muito giro. A melhor maneira de descrever o livro e o podcast, acho eu, é: sabem quando vão jantar fora e na mesa ao lado está um casal que está a discutir? Está com aquela tensão em que eles estão a discutir entre os dentes, que eles não querem bem discutir porque estão num sítio público, mas estão com aquela tensão de que há coisas por resolver e no carro eles vão gritar um com o outro. É muito mais interessante ficar a ouvir a discussão da mesa do lado do que estar a conversar com a pessoa que nós temos à frente. O nosso podcast é a discussão da mesa do lado, ou seja, é a hipótese de ouvir um casal a discutir durante meia hora semanal.

É isso, e levanta depois questões para as pessoas que estão a ouvir, não é?

Sim.

Que percebem que discordam ou que afinal há ali aquela tensão também naquele casal.

Sim, há casais que ouvem o nosso podcast, ouvem-nos a discutir sobre temas, param o podcast e olham um para o outro e dizem assim: "Tu concordas com qual?" E depois ficam eles a discutir. Portanto, é muito giro.

É uma reflexão.

Exatamente, nós andamos a espalhar uma espécie de Omicron de divórcios. Era o nosso objetivo e estamos a conseguir.

Olha, chegou-nos aqui uma pergunta de uma ouvinte chamada Rita Camarneiro, não sei se conhecem.

Não conheço.

Não.

Não é fácil esta pergunta, estão preparados?

Vamos lá.

Rita, eu não assumo aqui qualquer responsabilidade.

Não há problema.

A Rita pergunta: se um de vocês for desta para melhor, deixando o outro viúvo, quem é que apontam para sucessor na vossa relação?

Nós já falámos sobre isso.

Houve um episódio.

Ela diz que é um exercício muito interessante para os casais fazerem.

Claro, eu acho isso giro e é uma pena a Rita Cabarneiro não ouvir o podcast. É um conselho que eu deixo para essa ouvinte. Ela pode passar a ouvir o nosso podcast, não lhe custa nada, mas houve um episódio em que nós ponderamos que outros casais podiam ficar com o nosso podcast se nós eventualmente...

Não, mas acho que nem é essa a pergunta.

O sentido da pergunta não é esse.

Certo.

Não fujas, Guilherme.

Ele quer...

A Rita Camarneiro e o seu querido namorado.

Foram um dos casais que nós dissemos.

O futuro marido, foram um dos casais que nós dissemos que poderiam ficar com o nosso podcast se quisessem. Agora, a pergunta era ficar mesmo.

Imagina que eu morro. Pobre tio.

Todos os dias imagino. Sim. Estou a brincar.

Quem deveria suceder?

Quem é que ficaria contigo? Quem é que eu aceitaria que ficasse contigo?

Ah, que tu aceitarias.

Esta questão é fácil, porque não pode ser alguém muito fixe. Melhor que nós.

Exato.

Pois, tem que ser alguém que tu toleres, mas não podes nem adorar nem odiar.

E que eu sei que vai controlar.

E a questão é: a menos que tu me fiques a assombrar para o resto da vida.

Aí fico.

Não vais conseguir dizer que sim ou que não, porque tu morreste.

Mas eu já disse, até já tenho uma opção, uma mulher e um homem, caso ele queira, eventualmente, experimentar outras coisas.

Por que não?

São dois amigos nossos, a Rita e o Jorge.

Ok. Rita e Jorge estão convocados.

Caso, pronto, eu quero continuar com o Guilherme.

Uma espécie de padrinhos. Isto é que devia ser o padrinho, como o padrinho da criança. Que tem sempre aquela ideia. Se acontecer alguma coisa aos pais, o padrinho fica responsável pela criança.

Isso é uma pena ser só quando ela morresse. Imagina um coma de seis meses, já estava a valer. Eu preciso só de saber janelas temporais.

Depende.

Ok.

Há probabilidade de eu acordar? O que é que os médicos dizem?

Temos que ver. Os médicos estão ocupados com a Omicron, não conseguem dar a responder.

Então vai-te entretendo, sim, é melhor.

Então vamos lá perceber desta vossa relação, já com algum tempo, Rita, qual é a tua maior irritação com o Guilherme?

Epa, tem tempo.

Então, há uma que eu não consigo mesmo que ele pare, e já consegui passar essa minha irritação a amigos e familiares, que é a mania dele de roer as unhas.

Ah, ok.

Irrita-me solenemente.

É bastante irritante. Guilherme.

É um problema.

Pelo barulhinho. É isso, depois os dedos ficam assim pequeninhos, meio errados.

Fico com os dedos todos estragados, não pode ser.

E depois às vezes faz sangue.

Mas há aqui uma questão: ele rói as unhas ou ele corta as unhas com os dentes?

As duas coisas.

Faz as duas coisas, por isso é que fica mais rente, ok. Está bem. E usa uma lima no final ou não?

Não.

Pior, aí camisolas.

Pois, fica preso e depois tem ali uma pontinha.

No mínimo uma lima.

Por ser honesto, não estava à espera de falar dos meus paneleirices aqui no "Diário Observador", mas é verdade, roo as unhas e é um hábito que eu estou a tentar deixar.

Não, não estás.

Não consigo.

Isso é muito bom sinal para a vossa relação, porque quando a maior irritação é alguém roer as unhas, portanto as coisas estão a correr verdadeiramente bem. Com um universo de problemas que podem ocorrer.

Espera aí, mas eu não posso dizer qual é a irritação da Rita? Isto está muito equilibrado. Atenção, isto está muito equilibrado. Estes terapeutas são péssimos, estão a dar mais tempo a uma pessoa do casal. A minha é o hábito absolutamente irritante que a Rita tem de me chamar ao longo do dia, é o: "Podes chegar aqui?"

Estou a diminuir muito.

Estás a diminuir como eu cozinho.

Dirija-se ao meu escritório, por favor.

Mas é inacreditável. Nós moramos num T3, nós não moramos no Palácio de Queluz, ou seja, não tem um milhão de divisões, mas mesmo num T3, a Rita Uma média de quatro vezes por dia diz-me: "Podes só chegar aqui ao meu escritório?" E ela nunca se levanta e eu tenho que ir ter com a Rita e às vezes são só coisas do gênero. Ando muito. Então eu levantei-me, parei o que eu estava a fazer. Às vezes estou a jogar, tenho que pôr no pause.

Mas isso é fogo.

A jogar. Esse capítulo será íntimo, Rita, peço desculpa.

Porque...?

Não gosto muito de jogar. Mas tu gostas, não é?

Eu gosto muito. Eu tive uma fase de Call of Duty, jogar online, mas eu gosto de jogar no geral, é uma coisa que me acompanha desde muito pequeno, videogames, e então acho que gosto muito.

Queres contar na rádio que partiste um sofá?

É verdade. Irrita-me. Eu jogo online e apanho muitos espanhóis e marroquinos, não sei se me estão a ouvir, mas joguem melhor, se faz favor. Joguem melhor, porque jogam tão mal que eu estou sempre a perder e irrita-me deles serem incompetentes. Pronto, e digo alguns palavrões e insulto também nacionalidades, não me orgulho. Mas eu acho que digo coisas sobre espanhóis e marroquinos, que se tivesse alguém do CHEGA na minha sala, diria: "Ei, então."

Calma.

"São pessoas também, estar a insultar só porque são de outros países." Mas eu parti um sofá porque me irritei lá a certa altura e dei assim uma pancada de lado, do gênero: "Porra!"

Não foi uma. Tiveram que ser repetidas pancadas.

Pronto, e o sofá depois ficou um bocado marcado.

Eu queria cortar aqui, há aqui uma irritação, um capítulo que eu me identifico mais ou menos, que é o fato da Rita depois das 19h adormecer a qualquer momento. E inviabiliza aquele serão a ver aquela série de casal.

Não, é impossível. Eu faço uma coisa, eu não sei.

É sempre que tu jogas, não é?

Sim, ou jogo ou vejo séries que consigo que a Rita não saiba que são giras ou que eu a convenço que não vão ser tão giras.

Ele esconde de mim.

"Succession, não vais gostar muito, não é assim tão giro. Aquilo é sobre uma família de ricos, não vais gostar."

E relaciono, é uma das coisas com que eu estou-

E eu digo: "Não, mas eu quero ver." E ele: "Pronto".

Olha, e há uma que eu fiquei curioso também com a dificuldade de ir jantar fora, até porque eu conheci a Rita do Zomato, conheci a Rita dos restaurantes. Depois perdi-lhe o rasto. Ela seguiu a sua carreira e eu não soube mais nada dela. Mas que dificuldade é esta de ir jantar fora na vossa dinâmica?

Há várias coisas que acontecem. Eu já não tiro as fotografias que tirava à comida, que ele tanto se queixa no livro, portanto, está um bocadinho desatualizado. Eu escolho sempre o que quero comer antes de chegar ao restaurante. Eu vou investigar.

Quanto tempo é que tu demoras a escolher o restaurante?

Depende. Se for um que eu quero muito conhecer.

Aquele suspiro é muito.

Normalmente é rápido, mas se tivermos que escolher dentro de, por exemplo, vamos jantar a um italiano. Ui, nunca mais.

Ok.

Nós antes de viajarmos, a Rita investiga sempre livrarias e restaurantes. E então ela tem folhas de Excel gigantes e tabs abertas no computador que nunca mais acabam.

São as duas coisas que-

Aconteceu uma vez, nós íamos passar três dias a um sítio e ela viu 40 restaurantes.

Pois foi.

Eu disse: "Rita, mesmo que fôssemos de restaurante em restaurante sempre a comer, era impossível comermos em 40 restaurantes", mas ela vê os restaurantes todos.

Não, vejo todos, porque imagina que chegamos lá e afinal não é assim tão interessante.

Acaba nando um deles a meio.

A mim o que me irrita mais, se eu pudesse destacar uma coisa que me irrita da Rita em restaurantes, é o hábito que ela tem de fazer pressão e lobby pra eu escolher um prato que ela também quer provar.

Sei.

E então é do gênero, o prato que eu escolhi, tem que ser um que ela também goste, que ela também quer provar. Mas eu quero comer a minha refeição.

A minha pergunta pra ti é, e encerramos já aqui este capítulo: de todas as vezes que eu escolhi, eu não escolhia melhor do que tu?

Por acaso é verdade, escolhes melhor do que eu, mas tu gostas de coisas que a mim não me apetecem e eu quero comer um prato, eu quero comer o meu prato. Eu quero comer um prato, não quero comer o resto do prato que tu, depois de provares, sobrou.

E depois nunca divide sobremesa comigo, nunca quer.

Porque eu não gosto de sobremesas, aí ela sofre.

Eu também não, mas normalmente a outra pessoa, a minha mulher, por exemplo, adora sobremesas, eu não. Eu tenho sorte, porque eu nunca gosto.

Mas é que a Rita queria provar duas, ou seja, precisava que eu escolhesse uma pra comer a dela e depois ainda pôr uma colher na minha, mas já que eu não escolhi nenhuma, ela irrita-se e fica chateada.

Fico muito chateada.

A partir destas irritações, ajuda-vos de alguma forma a fortalecer a vossa relação ou não tem qualquer impacto na relação que têm?

Eu acho que ajuda, são coisas pequeninas, a menos que nós estivéssemos casados há 50 anos e já nos não conseguíssemos ver, qualquer coisinha pequenina era uma granada que explodia a relação. Mas neste caso eu acho que como são coisinhas pequeninas, nós conseguimos no podcast brincar com elas e elas perdem um bocadinho de força.

É isso. Acho que é isso. E acho que também nos apercebemos de coisas que fazemos que irritam mesmo o outro, apesar de aquilo ser tudo uma brincadeira, esta ideia de eu estar sempre a chamar o Guilherme e tudo mais. Tenho-me tentado refrear um bocadinho.

Sim. Eu, as minhas, não, está igual.

Algumas serão para sempre.

Ou faz um esforço e o outro não e nota-se claramente quem é quem.

Bem, estamos mesmo no final, sem tempo. Terapia de casal, coisinhas insignificantes que dividem os casais no dia a dia, do Guilherme Fonseca e da Rita Da Nova, nossos convidados hoje para esta conversa de fim de tarde. Bom, Ana, foi um prazer.

Obrigada.

Obrigadíssimo, gostámos muito.

Igualmente.

E parabéns pelo livro. Fica aí uma hipótese para prendas de Réveillon. Existe? Não sei.

Passa a existir. Se derem o livro é ótimo.

É possível.

Voltam aqui nas bodas de ouro, quando fizerem 50 anos.

Exato. Está combinado.

E depois há as diamante. Depois teria que ter toda uma conversa sobre o tipo de bodas que se fazem. Obrigado, Rita. Obrigado, Guilherme. Parabéns.

Obrigada.

Olá, eu sou a Ana Filipa Rosa. Obrigada por ouvir este podcast. Se gostou, pode sempre partilhá-lo com alguém e ouvir a Rádio Observador. Estamos online, mas também no FM. Na Grande Lisboa em 98.7 e no Grande Porto em 98.4. Obrigada