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Agora sim, vamos ouvir "Menina", dos Meninos da Sacristia.
Aí vem ela tão apressada. Ai, ai, desculpe, estou atrasada. Cheguei agora da depilação e o movimento estava uma aflição. Foi chamada ao gabinete pro diretor lhe dar um ralhete, mas ela é sobrinha de primo do tio e o ralhete ficou pelo caminho. Menina já tem emprego. E lá em casa não atrapalha. Agora é o sossego. Recebe à massa e nem sequer trabalha. Calva o teclado com o indicador. Parte uma unha, meu Deus, ai que horror! Cai a caneta, sua perna é comprida, não passa despercebida. A menina trabalha imenso e depois fica cansada. Qualquer dia tem um esgotamento. E ai que isso é uma maçada. A menina já tem emprego. E lá em casa não atrapalha. Agora é o sossego. Recebe à massa e nem sequer trabalha. Podia ser pior. Eu sei que não te vejo. Podia ser com o meu melhor. Podia ser diferente. Podia ir na cor. A menina já tem emprego. E lá em casa não atrapalha. Agora é o sossego. Recebe à massa e nem sequer trabalha. A menina já tem emprego. E lá em casa não atrapalha. Agora é o sossego. Recebe à massa e nem sequer trabalha.
Vamos já seguir à conversa com o Pedro Soares sobre esta menina, mas também sobre vinho da Bairrada. Bem-vindo, Pedro Soares.
Olá, boa tarde.
É o presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada. É também músico. Toca com José Cid. Tem uma banda, os Meninos da Sacristia. Pedro, estas duas realidades costumam tocar-se frequentemente ou não? O de ser músico e também representante de vinho da Bairrada.
Não muito. Eu acho que se tocam de alguma forma, porque, na verdade, o vinho é uma arte e a música é também uma arte. E por aí, sim, existe essa ligação. Agora, na verdade, eu na música sou conhecido pelo apelido pelo qual o meu pai era conhecido, Pepe. E nos vinhos sou conhecido por Pedro Soares. Portanto, até nisso há uma certa separação. Não são diferentes, é a mesma figura.
Esta canção que ouvimos há pouco, a Menina, tem um videoclipe com uma participação muito especial.
Na verdade, a aldeia de onde nós somos originários é uma aldeia muito especial.
A aldeia é vossa, não é?
Sim, mas apesar de ser uma aldeia com 1000 habitantes, nós podemos cruzar-nos no mesmo dia com o Nobel da Paz, com o Grammy Latino, com um treinador de destaque daquele que eu acho que é o melhor clube nacional ou com a Pumba Nafufinha.
Isso é incrível. São todos da mesma aldeia?
Não, a Pumba Nafufinha não é da mesma aldeia, mas tem família na aldeia de Moqufoz. E portanto, é uma aldeia onde o Bruno Nogueira também viveu uns tempos. É uma aldeia que tem um certo carisma.
E aproveitaram ainda por cima para escolher um hotel de carisma também.
Sim, aproveitámos para mostrar um bocadinho do melhor que a região da Bairrada tem para oferecer. O Palace Hotel da Curia é sem dúvida um dos ícones das termas em Portugal.
Está remodelado, está todo recuperado, ainda por cima.
Sim. E a própria Curia está também ela-
Toda ela reabilitada.
Estão reabilitando.
Vale a pena ver esse videoclipe. Não sei se ainda se diz videoclipe.
Eu digo videoclipe.
Mas vale a pena, porque é muito giro. Pedro, vamos falar um bocadinho de vinho e do vinho da Bairrada. Como é que se explica? Não é um vinho muito conhecido, mesmo em Portugal. Algumas pessoas não conhecem assim tão bem. Como é que descreve este tipo de vinho?
É um vinho que tem uma forte influência do Atlântico e também da composição dos solos. Nós temos uma região que se separa da região vizinha do Dão pelos maciços do Caramulo e do Buçaco, essencialmente, e que retém um bocadinho estes ventos mais frescos, que são muito importantes para que a maturação das uvas seja uma maturação prolongada e possa dar origem a vinhos também bastante frescos e que têm a capacidade de harmonizar com muitos dos pratos da gastronomia portuguesa. São frescos, são vinhos que perduram no tempo Que passam com distinção naquilo que é a prova do tempo que qualquer grande vinho deve passar. São vinhos que não são propriamente vinhos considerados para todos aqueles que entram no mundo do vinho, mas cada vez existe uma paleta de cores, eu diria, maior naquilo que são os vinhos da Bairrada, que é uma região conhecida não só pelos vinhos tintos de Baga, mas também pelo fato de ser a maior região produtora de espumantes em Portugal. E já consegue sair mais desta região o vinho da Bairrada? O espumante, como dizia, é conhecido, mas e os outros vinhos? O vinho da Bairrada circula muito no canal HORECA: hotelaria, restauração, cafetaria, muito mais do que na moderna distribuição. E os sommeliers em Portugal têm muito a capacidade de introduzir estes produtos, nomeadamente ao consumidor estrangeiro, quando querem apresentar algo de verdadeiramente diferente. Num mundo cada vez mais globalizado, é importante termos produtos diferentes, mesmo que eles possam não agradar a todos. E prova disso é que o vinho da Bairrada tem um dos índices de valorização que, nos últimos 10 anos, tem estado sempre no top três dos vinhos nacionais em termos de valor de venda ao público. Isso pra nós é muito mais importante do que ter um volume pronunciado e depois não ter um rendimento disponível para as pessoas que produzem uvas.
Uma parte importante do vinho da Bairrada, deste vinho que é espumoso. Espumante.
Espumante, frisante.
E que é muito bom com leitão.
Sim, há essa capacidade de harmonizar com o leitão, mas não só com o leitão, porque nós estamos aqui, por exemplo, tão juntos à ria de Aveiro, onde existem algumas das melhores ostras do país, e nada melhor do que uma harmonização de ostras com espumante, por exemplo.
Bom saber.
Na verdade, eu acho que os vinhos da Bairrada refletem muito aquilo que é esta junção da gastronomia do mar, da ria, com a gastronomia da terra, porque na Bairrada, além do leitão, que é obviamente o ícone, existe também, por exemplo, a chanfana, que é muito típica da região. E depois temos aqui toda esta gastronomia de tacho à volta de Aveiro, nomeadamente os arrozes de robalo, que permitem uma harmonização com vinhos exatamente que se batam com esse tipo de comida e que possam ajudar-nos a limpar muitas vezes o palato para estar preparados para a próxima garfada.
Pedro, vamos mandar entrar o Pepe.
Pode ser.
Porque o Pedro trouxe a sua viola. E o que nos vai tocar?
Eu vou tocar a única música. Este disco que nós fizemos foi um disco gravado aproveitando o período de pandemia.
Os meses a sacudir.
Sim, em que não podíamos entrar em palco e, portanto, resolvemos gravar uma série de coisas que tínhamos elaborado ao longo dos anos e que são, de alguma forma, autobiográficas. Esta é a única música que foi gravada durante o período de pandemia e que, como foi gravada já em cima do tempo de estúdio, acabei por ficar eu a cantar, que normalmente canto acompanhado ao piano, e vamos ver como é que sai aqui acompanhado à guitarra.
Vamos ouvi-lo aqui ao vivo em Aveiro.
Podia ser diferente, podia ser pior. Só sei que me entreguei e que dei sempre o meu melhor. Podia ser diferente, podia nem ter cor. Ser apenas saudade, tela em branco por pintar. Mas quis a noite e a lua, o teu e o meu coração. E lado a lado vamos escrevendo esta canção. Que podem não passar na rádio, podem fazer vista grossa. Ninguém pode apagar esta chama que é só nossa. Mas no fim, ao olhar para trás. Eu bem sei que mesmo feio, sou o copo meio cheio. Que sacia e satisfaz. Quis a noite e a lua, o teu e o meu coração. E lado a lado vamos escrevendo esta canção. Que podem não passar na rádio, podem fazer vista grossa. Mas ninguém pode apagar esta chama que é só nossa. Mas no fim, ao olhar para trás. Eu bem sei que mesmo feio, sou o copo meio cheio. Que sacia e satisfaz. Podia ser diferente.
Obrigado, Pedro. Pedro Soares, músico e presidente da Comissão Vitivinícola da Bairrada, que aqui esteve a tocar ao vivo nesta emissão especial da Rádio Observador em Aveiro.