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Bem-vindos às Conversas de Fim de Tarde. Estamos no espaço WOW, em Vila Nova de Gaia, e é literalmente "uau"! É a sensação que temos quando aqui chegamos. É uma varanda que olha a cidade do Porto. Daqui facilmente vemos a Torre dos Clérigos, vemos a Ribeira do Porto, vemos o Paço Episcopal, vemos a ponte também à nossa direita. É um sítio com uma vista magnífica para o Porto e é também um espaço de cultura, lazer, gastronomia, vinho. Enfim, há muito para fazer neste espaço WOW. E é nosso convidado nestas Conversas de Fim de Tarde Adrian Bridges. É o diretor-geral do WOW, é o mentor deste projeto, tem 58 anos, é um inglês rendido ao Douro. É isso, Adrian Bridges, é um inglês rendido ao Porto e ao Douro?
É verdade. Eu estou aqui em Portugal desde 94. Mas obviamente nossa empresa é uma empresa familiar que são os investidores em Portugal por último 330 anos. A realidade é que a nossa presença aqui na zona histórica em Vila Nova de Gaia, onde nasceram todos os nossos vinhos do Porto, temos ligação forte com o Douro.
E a família está anda por aqui há 330 anos, é isso?
Sim, foi. O fundador da empresa veio cá em 1692. E esta ligação com o mercado britânico, que ainda é um mercado muito importante pro vinho do Porto. Mas lembro que este ano vamos celebrar, daqui a pouco, a aliança entre Portugal e Reino Unido, que completa 650 anos.
E foi o Adrian que teve a ideia de fazer este sítio aqui, este WOW? A ideia foi sua?
Sim, e por quê?
Sentiu isso quando aqui esteve pela primeira vez ou não?
Eu acho que a possibilidade que nós temos para uma transformação da nossa cidade foi uma oportunidade imensa, porque na realidade o setor de vinho do Porto, que nasceu dentro desta zona histórica de Vila Nova de Gaia, hoje em dia não necessita o envelhecimento do vinho do Porto na zona central, porque hoje em dia a exportação é feita em contêineres que podem sair de muitos outros locais.
Exato.
E também nós podemos replicar as condições climáticas que nós temos em armazéns no Douro. Então a lógica é que aproveitamos estes armazéns por outros bens e uma lógica é o tipo de museu, experiências, onde nós podemos fazer uma transformação e criamos conteúdo pra nossa cidade, pros turistas, mas também pro mercado nacional, pro povo. Mas ao mesmo tempo, fazemos desta maneira muito simpática que não altere substancialmente a passagem, que é uma passagem histórica e uma passagem ex-libris desta zona.
E o Adrian Bridges também teve uma outra boa ideia, deixe-me dizer-lhe, que é o Yeatman. Também é uma ideia sua, que é um hotel, pra quem não conhece, é um hotel de topo, é um hotel de luxo que fica por cima de nós, literalmente onde nós estamos agora.
Literalmente está em cima, sim. E a história desta é que a abertura do Yeatman em julho de 2010 foi principalmente o primeiro hotel dedicado a lazer. E não esquecemos que até o Yeatman, o mercado por hotéis em nossa cidade, nossa zona, é mais focado para a área de negócio. As suas mesas pra melhor ocupação e taxas do preço médio por dia, a melhor época é fevereiro, março, onde as pessoas visitam as suas fábricas e fazem as suas conversas com os auditores ou advogados ou qualquer coisa. E os piores meses foram julho e agosto. E basicamente, isto não é verdade hoje em dia, as épocas mais altas é julho e agosto. Por quê? Porque a cidade está cheia de turistas. Há muita gente que pensa que temos turistas a mais, mas a realidade é que quando nós temos uma joia que existe com esta cidade, e quando eu falo cidade, eu penso desde a marginal do Atlântico até a inteira norte e sul do rio Douro. Mas isto é uma coisa espetacular, não existe em outra parte do mundo esta paisagem, esta qualidade, esta história. É tão rico que é óbvio que vai atrair pessoas de todo o mundo. Do nosso ponto de vista, o Yeatman serve para começar esta bola de neve e hoje em dia há muitos investidores.
E para atrair um tipo de turista com mais dinheiro, com outro tipo de exigência.
Acho que esta é a oportunidade que nós temos, porque quando nós temos uma joia, temos que polir a joia, não é? Mas também não vender a joia barato. E a realidade é que com este investimento, temos muito mais restaurantes, temos muito mais hotéis, muitas lojas, temos muito emprego de qualidade, taxistas, tudo, é emprego pra tudo. Esta é uma parte muito positiva. E esta zona histórica onde está o WOW foi quase metade abandonada até recentemente.
Porque deixou de ser necessário, não é?
Não é necessário e o custo deste tipo de armazéns é alto, porque precisa muita manutenção quando tens edifícios tão próximos do mar E a realidade é que esta é uma oportunidade presque única na Europa para nós transformarmos o centro da cidade por mais trabalhos com uma escala que nós fazemos no Douro.
E quanto é que investiram aqui?
Investimos, sem contar com o terreno, porque este é um bem da empresa, histórico, mas investimos por volta de 107 milhões de euros.
107?
Sim. E depois, obviamente, lançamos no meio da pandemia, que obviamente continuamos a suportar uma equipa excelente, mas com um negócio que abre e fecha durante a pandemia. Mas hoje em dia, a notícia muito positiva é que há muito mais turistas, mas também há muito mais visitantes daqui, dos nossos colegas, das nossas famílias, da nossa zona, que também entendem que este oferece não só restaurants, não só lojas, escola de vinho, mas também com os seus museus e experiências, uma possibilidade de, por exemplo, aprender tudo ligado ao chocolate.
Exatamente, já ficamos a saber que há aqui uma bela escola de chocolate, também uma escola de vinho, não é?
Temos escola de vinho, temos escola de chocolate, temos uma fábrica de chocolate. Temos esta semana um Dia Internacional do Chocolate.
Dia sete.
Dia sete. É uma celebração, um copo de vinho do Porto, um pedaço de chocolate.
E nós vamos cá estar em dia sete, portanto temos que confessar.
Mas tens que fazer a formação para saber qual é o chocolate que casa bem com o seu vinho do Porto. Mas de qualquer maneira, também temos, por exemplo, a história da nossa cidade, chama-se Prata, porque falamos do Rio de Ouro. Prata, obviamente, em português funciona, para os internacionais, prata é prata. Mas é Porto Region Across the Ages. A ideia é que nós recontamos a história da nossa região e dá às pessoas uma sensação da riqueza que existe, porque esta cidade tem muitos patamares de história, muitas coisas que nós podemos observar diariamente, mas sem a contextualização, nós não percebemos se é um muro romano, ou a muralha de Ferreiros, ou mais recente. A construção é quase a mesma, não é? Mas de qualquer maneira, é importante para nós interpretarmos isto.
Pedras com história aqui não faltam, felizmente. Vamos ter que interromper a nossa conversa, mas antes dessa interrupção, já estão a recuperar o investimento, ou não?
Um projeto deste tamanho é para o médio e longo prazo.
Adrian Bridge, como é que um cadete do exército de Sua Majestade, da cavalaria ligeira, julgo saber, vem parar a Vila Nova de Gaia?
É uma viagem. Todos nós temos várias experiências. Para mim foram seis anos no exercício do Reino Unido, depois seis anos na área do investment banking. E depois vim cá com a minha mulher e o nosso filho mais jovem, na altura ele só teve três meses, para viver em Portugal, para um estilo de vida, um tipo de negócio, desafios, oportunidades. E não há qualquer dúvida que Portugal está cheio de oportunidades.
E quando era miúdo, era isto que sonhava? Ser assim um profissional da área do vinho do Porto e aqui em Gaia. Alguma vez lhe passou pela cabeça isto, ou não?
Não. Sinceramente, não, mas eu acho que qualquer um de nós temos nossa viagem própria e temos as oportunidades e algumas vezes tens de apanhar o comboio e vamos lá. Mas com a sensação de que a nossa empresa tem mais de 300 anos, um pouco mais de 300 anos quando eu cheguei aqui em Portugal. E a realidade é que uma empresa com esta idade é muito raro. E vale a pena que as próximas gerações tentem reforçar e continuar o vivo desta história. E obviamente pela marca Taylor's, pelo nosso vinho do Porto, que é parte da família da minha esposa, é que uma história tão rica tem que se continuar e independente de qualquer outra coisa, é uma viagem de 28 anos, cheia de obras, estamos aqui dentro de uma, mas cheia de obras, mas também com grande oportunidades.
E foi muito difícil aprender a falar português, ou não?
Eu espero que eu esteja a falar português agora.
Eu acho que está. Está a falar muito bem.
Só quero verificar.
Eu compreendo muito bem, acho que está a falar muito bem.
Não é uma língua fácil e acho que este é um pato importante para nós lembrarmos também. Porque a língua não é tão fácil, muitos portugueses falam francês ou hoje em dia muito mais inglês. E por uma oportunidade que nós temos na área de turismo, a capacidade dos portugueses falarem inglês é uma vantagem enorme quando nós concorremos com Espanha, ou Itália, ou França, onde as pessoas não falam. E especificamente, fora das cidades centrais, ninguém fala em Espanha. Mas aqui em Portugal, todos temos esta capacidade de comunicar. E por que isto é importante? Porque hoje em dia, o nosso visitante não é só turista, não vem cá só para ficar na praia ou fazer um jogo de golfe. Fazemos isto, é muito positivo, mas eles querem descobrir a nossa cultura, nosso país, nossas pessoas E nossa cultura. E a capacidade de comunicar diretamente com gente é fundamental.
Torna mais fácil essa tarefa. É muito difícil quando não nos fazemos compreender numa conversa.
Exatamente. E esta intenção de pessoas que querem apanhar uma experiência da nossa cidade, mas também em WOW nós fazemos várias experiências. Experiência dedicada à história da cortiça, por exemplo, porque Portugal produz mais de 50% das cortiças do mundo, os rolhas e tudo. É uma indústria muito importante pro nosso país, mas também até o WOW não existe qualquer maneira para entender esta história muito positiva. E nós construímos uma experiência, um museu dedicado à cortiça. Por que é positivo? E este é o objetivo do WOW. O WOW, que basicamente é uma catalisadora de um novo quarteirão cultural. E note-se que à volta temos várias gruas, temos mais investimento. E eu acredito que daqui a pouco esta zona é o coração do conteúdo pra nossa cidade.
E para um inglês, quão complicado foi fazer o WOW em Portugal? Burocracia, licenças, como é que foi? Espantou-o?
Qualquer projeto deste tamanho tem desafios. É óbvio que uma transformação de quase quatro hectares de uma cidade não é fácil e tem muitos observadores, não só o Rádio Observador, mas outros.
Outros observadores.
Outros observadores que querem que obviamente nós tenhamos cuidado com a cidade. E isto é lógico. Mas de qualquer maneira, quando nós montamos uma equipe com muitas empresas portuguesas, mas também com colegas com muita experiência, acho que gente com experiência de resolver estas dificuldades, não digo que é fácil, mas tudo é possível. E pra mim, a maneira de olhar pro frente é sempre não focar muito nos problemas. Há problemas, tudo tem problemas.
Mas podia ser mais fácil?
Não sei, porque parece que a parte mais complicada era a pandemia. O lançamento dentro de uma pandemia global que fecha tudo.
Mas aí afeta toda a gente.
Afeta toda a gente, mas pra um negócio dedicado ao turismo, no seu lançamento, abre e fecha, que é duro muito pros nossos colegas, que vão com muito entusiasmo trabalhar por dois meses, depois fecham, ficam em casa. Obviamente, afeta tudo, mas foi um nascimento difícil.
Vamos falar um pouquinho de vinho, porque o Adrian Bridges representa a Taylor's, Fonseca, Borges, estas casas. Já não?
Não, Borges, não.
Não, Borges, não. Foi aqui um erro meu.
Não, nós temos Taylor's, Fonseca, Croft, temos Wiese & Krohn, temos outras marcas, Woodhouse, Goring, tem várias marcas, mas este é o fruto de uma consolidação dentro do setor de Vinho do Porto, que tem uma lógica, porque mundialmente, e nós vendemos Vinho do Porto Taylor's em 105 países do mundo. É uma fatia, mas em muitos países. A realidade é que o desafio nos mercados é a consolidação da distribuição. Hoje em dia, muita gente faz as suas compras no supermercado.
E é muito difícil pôr os produtos worldwide.
Cada mercado tem sua oportunidade diferente, mas do ponto de vista de um negócio que é o Vinho do Porto, que obviamente é uma bandeira muito forte para Portugal e funciona bem para atrair gente a visitar nosso país. Por outro lado, os desafios da consolidação da distribuição implicam que as empresas tenham, do nosso ponto de vista, que atingir uma economia de escala. E por isso, na primeira década deste século, fizemos o processo de consolidação pra nós e outras empresas fazendo a mesma coisa. E depois, o próximo passo com esta consolidação é uma reorganização, onde nós colocamos mais vinhos para seu envelhecimento em novos armazéns, novos investimentos feitos no Douro, linhas de engarrafamento fora da zona histórica. E depois, quando isto está feito, implica a reutilização desta zona histórica pra outros bancos, que é o nascimento do WOW.
Por exemplo, para o turismo. Mas falou aí do Vinho do Porto como bandeira do país, eu queria pegar um pouquinho essa ideia. Ficamos, às vezes, aqui com a sensação de que lá fora só se conhece o Vinho do Porto e o Madeira, nomeadamente no mercado do Reino Unido, Estados Unidos, são os grandes vinhos portugueses. Até há aquela história de que para comemorar a assinatura da independência dos Estados Unidos, houve um brinde com vinho Madeira. Mas nós temos muito mais vinhos em Portugal. Nós temos capacidade e qualidade para competir com vinhos franceses, italianos, Califórnia, Austrália, Argentina. Temos essa capacidade.
É verdade. Por exemplo, quem visitar o WOW e vai para o Wine Experience, entende que, em nosso país, temos quase todos os exemplares do tipo de solo que encontramos em todo o mundo, mas está concentrado em um país de 800 km por 200. Temos muitos climas diferentes, seja do Douro ou do Minho, próximo daqui, mas na Alentejo é diferente. E mais do que isto, o foco do nosso setor vinícola hoje em dia é dedicado em qualidade, não em quantidade. E cada vez encontrar pessoas que querem descobrir o fato de que nós temos castros em Portugal que não existem em outras partes do mundo. As pessoas estão com muita curiosidade de provar estes novos tipos de vinhos. E a realidade é que estamos no início, eu acho, de uma fase muito positiva para os vinhos portugueses.
No início.
No início. Acreditar no início, sim. Porque basicamente esta transformação, começamos esta transformação em meados de 90. E nos últimos 20 anos, com esta transformação da rede de distribuição, no mesmo tempo que o nosso consumidor tem mais informação. Aprendeu muito sobre vinhos, tem um nível de curiosidade e hoje em dia é fácil encontrar informação. Não só por ouvir o rádio ou pelo jornal.
Ou com o telemóvel.
Ou com o telemóvel, ou no internet, ou de qualquer maneira, qualquer pessoa interessada pode aprender. Mas isto também está ligado com a nossa grande oportunidade em Portugal, que é o enoturismo, onde as pessoas também podem visitar não só o Porto, mas podem visitar o Douro, vai por uma quinta, encontrar os donos, fala com vinhos, com um queijo, com pastéis de nata ou qualquer coisa que case bem com o seu vinho ou a sua vinha do Porto. E isto estimula consumo. E este é um ciclo muito positivo.
Mas para o Adrian Bridge, nós conseguimos competir no mercado da qualidade e obviamente não na quantidade. Não conseguimos competir ou conseguimos?
Eu acredito que hoje em dia há consumidores com os vinhos como valor, que dá margem para suportar o lavrador, têm que ser vinhos com qualidade. As regiões que nós temos onde pode concorrer com preços baixos, não é fácil, porque há La Mancha, em Espanha. Eles têm capacidade de fazer muitas coisas mecânicas e o custo de produção é muito mais baixo. A realidade, margens pequenas por cada garrafa não suporta o tipo de negócio de vinhos, porque este negócio é um negócio que precisa muito capital, precisa uma visão intergeracional e também, hoje em dia, é um negócio que tem capacidade de liderar a sustentabilidade. É um negócio que se adapta bem, e tem que se adaptar bem com estas alterações climáticas, mas pode dar também uma liderança.
Esse é um ponto muito importante e é uma ameaça gigante para o setor do vinho. Vi há uns tempos uma informação que me perturbou, de uma quinta na região de Champagne que não conseguiu aproveitar uma uva, porque chuvas, geadas. Isso é algo de muito preocupante. Até ouvi dizer que já se produz champagne no Reino Unido, que há boas condições para isso. Nós aqui em Portugal, como é que estamos a lidar com essa situação?
Eu acho que porque nós entendemos a dificuldade, obviamente, cada região. Claramente este ano temos uma seca, que é uma seca forte, mas temos estas tradições em várias áreas e temos capacidade de reagir de maneiras diferentes. Mais do que isto, com o nível das energias renováveis que nós temos. Temos no nosso mindset o entendimento deste fio. Lançamos aqui em Porto em 2018 com o President Obama, o Porto Protocol, que hoje em dia está presente em 20 países, em cinco continentes, com mais de 400 empresas ligadas com vinho. Por quê? Porque entre eles, eles partilham soluções. E por um negócio que é baseado na parte agrícola. Nós temos que reagir, mas temos maneiras para reagir e temos necessidade de reagir. E mais do que esta, temos consumidores preocupados com isso. E por isso, o setor vinícola tem capacidade de fazer liderança.
Mas isso a nível das grandes empresas. O pequeno produtor, como é que lida com isso? Não consegue.
Todo consegue. Lembre-se que todos nós somos parte do problema das alterações do clima e também todos nós somos parte das soluções. Ou seja, em minha casa, se eu desligo a luz em quadros que não estão presentes, no fim do mês eu tenho uma Um fator por menos eletricidade. Por quê? Porque utilizamos menos. Esta é uma contribuição de poupança. Isto é possível a nível individual, empresas grandes ou pequenas, familiares, comunidades e tudo. A realidade é que se nós pensamos que a solução deste problema só vem do governo ou só vem das empresas grandes, nós não resolvemos o problema. Quando nós invertemos isto e dizemos: "Eu tenho uma capacidade de contribuir". Seja de uma maneira pequena, mas todas estas contribuições pequenas contam.
Contam. Como é que o Adrian Bridges, sendo inglês e vivendo em Portugal há muitos anos, viveu o fenômeno do Brexit? E até que ponto é que isso o afetou?
A realidade é que o mercado do Reino Unido é volta de 30% do nosso negócio, obviamente, qualquer alteração tem um impacto no nosso negócio. Eu não concordei com a ideia do Brexit inicialmente, mas esta não é a dificuldade que nós encontramos hoje. A dificuldade é que o Brexit se torna mais uma filosofia do que uma coisa prática. E ainda estamos a esperar pelo processo de planilamento do Brexit de uma maneira mais fácil para nós encontrarmos. Vou dar um exemplo: as alterações de regras. Nós sabemos que virão algumas alterações de regras, nós não sabemos quais, quando, e esta é a parte complicada. E obviamente com o que nós vemos nas notícias hoje em dia, é que com o nível de confusão que existe no governo do Boris Johnson, acho que as suas prioridades não é resolver as regras para o Porto.
Está com problemas em casa. Eu também queria fazer uma coisa sobre isso, mas queria que nos ajudasse também um pouquinho a perceber como é que o Brexit ganhou, qual é a sua opinião? Porque conhece bem as duas realidades, não é? E para nós portugueses, causou algum espanto, eu diria, como é que o Brexit consegue vencer naquele referendo.
Eu acho que nós precisamos lembrar que em 2014, 2015, 2016, quando este projeto do Brexit nasceu, há um sentimento na Europa um pouco negativo sobre o controle central e há muitos países um pouco desafectados com a situação. Ok, é normal. A solução do Brexit mostra à toda gente que só sair do clube não é uma solução e temos que trabalhar juntos para resolvermos os desafios. E basicamente, acreditar que hoje a Europa está trabalhando bem junto e obviamente respostas à Ucrânia e outros desafios que nós temos. Mas de qualquer maneira, a nível da Europa, hoje em dia, acho que todas as pessoas, e nós em Portugal, entendemos que dentro deste clube seja o melhor sítio para nós.
Falou de política, queria também conversar um pouquinho sobre a política. Já temos pouco tempo, porque temos o Partygate nas mãos com o Boris Johnson. Tivemos a demissão agora de dois ministros sobre um outro caso. Na semana passada, tivemos aqui uma polêmica grande com o governo português. Encontra formas diferentes dos protagonistas políticos de lidarem com os cargos políticos? Parece mais fácil a um ministro inglês demitir-se do que a um português, ou estou errado?
Sinceramente, eu não sei. Mas eu acho que por que nós estamos cá? Esta é a pergunta. Porque realisticamente, a liderança, e a sua pergunta, Ricardo, é se este projeto UAU é para curto prazo, mas eu disse: "Não, é médio, longo prazo, um investimento, uma estratégia para os próximos 10 ou 20 anos". E se nós olharmos para os nossos políticos para nos darem soluções, liderança, médio e longo prazo, e não com tanta preocupação do próximo tweet, eu acho que eles têm as suas cabeças mais limpas, pensam mais antes de falar ou antes de fazer pequenas coisas. E se fazemos isto, parece que nós, o povo, temos uma liderança que justifica os nossos impostos e a nossa confiança.
Vou aproveitar essa deixa para lhe fazer uma outra pergunta, e a última, porque já estamos mesmo aqui a queimar o tempo. E falando nessas referências, vou lhe falar da Rainha Isabel II e fazer-lhe uma pergunta: a monarquia britânica depois de Rainha Isabel II nunca mais será igual, ela é a última da sua espécie?
Eu acho que a formação feita dentro daquela família com um entendimento do pensamento a longo prazo e a sua dedicação, eu acho que há membros da família que têm muita capacidade de continuar a liderar da maneira que a Isabel II. Obviamente, não é fácil para nós hoje em dia entender exatamente, porque tecnicamente não é possível discutir a morte de uma rainha, porque é o fim de nós, não é? Mas, de qualquer maneira, eu acho que estas são pessoas que sobreviveram a muitos crises e acho que sem ela e com o novo membro da família, eu acho que tudo é possível.
Adrian Bridges, muito obrigado por esta ótima conversa de final de tarde aqui na UAU, o diretor-geral da UAU, que nos recebeu aqui nesta fantástica esplanada com vista para o Porto e para o Rio Douro. Vamos continuar cá amanhã e depois em emissões especiais da Rádio Observador, emissões especiais a partir de Vila Nova de Gaia.