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Viva! A WWF Portugal e o Lidl Portugal deram as mãos com o objetivo de restaurar a natureza em Portugal. A iniciativa dá pelo nome de Restore Portugal e qualquer um pode ajudar. Como? Através da aquisição de um saco solidário nas lojas Lidl a €1, em que metade do valor da venda reverte para apoiar esta iniciativa, e também através de uma plataforma digital onde pessoas e empresas podem contribuir. Para nos explicar esta união de esforços, temos aqui conosco a Vanessa Romeu, diretora de Corporate Affairs do Lidl Portugal. Viva, Vanessa, bem-vinda. E também Catarina Grilo, diretora de conservação e políticas da WWF Portugal. Viva, Catarina.

Olá.

Catarina, vou começar talvez por si. Que ações podem ser desenvolvidas no âmbito desta iniciativa que conta com o apoio do Lidl Portugal?

Esta iniciativa tem nove projetos de restauro que estão planeados para Portugal continental e o nosso plano é começar com três numa primeira fase, que vão ser no Parque Nacional da Peneda-Gerês, na Serra do Caldeirão e no estuário do Tejo. Como estas três áreas têm todas ecossistemas bastante distintos, aquilo que vamos fazer pretende responder às necessidades de restauro que existam nestas áreas. Aquilo que vamos fazer, por exemplo, na Peneda Gerês, obviamente, não vai ser igual ao que vamos fazer dentro do estuário do Tejo, nem igual àquilo que vamos fazer na Serra do Caldeirão, mas o nosso grande objetivo é contribuir para recuperar a natureza que já foi perdida. Portanto, já não basta conservar aquilo que ainda temos, precisamos também de recuperar o que já foi perdido.

E pode dar-nos alguns exemplos do que vai ser feito do ponto de vista material, em concreto?

Na Peneda Gerês, aquilo que nós estamos a planear fazer inclui, por exemplo, remover plantas exóticas invasoras, que ocupam o espaço da vegetação autóctone, da vegetação nativa do país, e plantar, criar espaço para as autóctones. Também pretendemos gerir a quantidade de matos que temos, que muitas vezes proporciona o maior risco de incêndio, e pretendemos ter, por exemplo, pastoreio nalgumas áreas exatamente para reduzir a quantidade de matos, sem ser simplesmente arrancar as plantas todas, que isso também não é desejável. No estuário do Tejo, aquilo que pretendemos fazer é um levantamento, mas também a instalação de estruturas metálicas no fundo do estuário, nalguns pontos ao longo da frente estuarina de Almada, para proteção e abrigo das comunidades de cavalos-marinhos que existem ali. Sim, temos cavalos-marinhos no estuário do Tejo.

Quem diria!

E depois na Serra do Caldeirão, algumas intervenções para plantar algumas plantas autóctones e também para recuperar a vegetação ao longo de algumas linhas d'água, mas também fazer alguma gestão de matos, também com pastoreio.

Muito bem. Vanessa, por que o Lidl Portugal se associou a uma iniciativa desta natureza? E já agora, qual é o papel do Lidl enquanto impulsionador da mesma?

Olhe, por um motivo muito simples, porque acreditamos em criar valor. No Lidl, nós temos por premissa que queremos que os nossos clientes possam aceder a produtos sustentáveis, de elevada qualidade, a um preço justo. Ao mesmo tempo, queremos garantir que protegemos e cuidamos do nosso planeta para as gerações vindouras. Sabendo que nós vendemos alimentos, na sua essência, é muito importante garantir que vamos conseguir ter acesso a esses alimentos de qualidade no futuro próximo. Há uma outra dimensão integrada nisto, que é a nossa estratégia de sustentabilidade, onde temos cinco eixos, sendo um deles a promoção da biodiversidade. E se nós pensarmos que aquilo que nós comemos hoje em dia, aliás, foi um estudo feito pela WWF em 2022, que três quartos da dieta global está assente em apenas 12 culturas e cinco espécies animais, não estamos a falar de muita biodiversidade. Portanto, é urgente endereçarmos este tema. Concretamente, o que nós estamos a fazer? Com a WWF, nós financiamos um estudo para fazer o levantamento de quais deviam ser as áreas prioritárias, daqui saíram as nove áreas que a Catarina referiu. E financiamos este estudo porque é muito importante termos uma base sólida, científica, para conseguir definir prioridades e assegurar que conseguimos ser mais eficientes. Depois, surge a necessidade de criarmos uma plataforma para podermos incentivar a participação da sociedade civil e das empresas. E por último, uma contribuição direta nossa, em conjunto com os nossos clientes, para contribuir para o restauro daquilo que nós definimos como prioritário no Lidl Portugal, que era o Parque Nacional da Peneda-Gerês, onde vamos contribuir para o restauro de 30 hectares, já que fazemos 30 anos em Portugal este ano.

Catarina Grilo, esta iniciativa está inserida num objetivo maior, o restauro de pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas até 2030. O diagnóstico em Portugal está feito. Vamos conseguir cumprir este objetivo? E quando digo vamos, é todos.

Exatamente, vamos todos, não só a WWF, obviamente, é um compromisso e é uma obrigação do Estado português. Sim, temos que recuperar 20% das áreas degradadas até 2030. Portugal está a desenvolver um plano nacional de restauro, exatamente com esse objetivo, focado não só em Portugal continental, mas também nas regiões autónomas, obviamente, que fazem parte do território nacional, e vai também, nesse trabalho, nesse plano, identificar essas áreas que vai precisar investir para recuperar até 2030. Obviamente que um plano nacional, tal como a nossa iniciativa Restore, só pode acontecer se houver financiamento, e é importante que esse plano seja dotado dos recursos financeiros e de um ICNF forte para assegurar a sua implementação. Nós aqui, com o Lidl, e com quem mais se quiser juntar, outras empresas e as pessoas a título individual, vamos dar este nosso contributo com estas nove áreas, começando pelas três que eu já referi.

Vanessa, este tipo de iniciativas é bem aceito pelos consumidores? E já agora, como é que um saco disponível nas vossas lojas se transforma em restauro da natureza?

Nós gostamos de tentar democratizar a sustentabilidade e convidamos os nossos clientes a contribuírem. A história do saco é muito engraçada, porque, na prática, fomos retirar plástico das orlas costeiras, portanto, plástico seria poluição, e demos-lhe aqui uma nova vida num saco que depois vai rumo à serra.

É um saco especial.

É um saco especial, que vai rumo à serra para contribuir para o restauro do Gerês. Importa vincar aqui por que o Gerês. Porque estamos a falar do primeiro e único parque nacional em Portugal. É um refúgio imenso de biodiversidade e tem várias espécies que estão ameaçadas e urge contribuir para que se perdure por muito e muito tempo.

Quem sabe um dia tenhamos lá muitos ursos. Quem sabe? É uma possibilidade.

Sim, Montezinho. De vez em quando há um urso espanhol que entra em Montezinho.

Vanessa Romeu e Catarina Grilo, agradeço a ambas estes minutos e a explicação deste projeto que une o Lidl Portugal e a WWF Portugal, o Restore Portugal. De facto, a natureza é de todos e restaurá-la deve ser um propósito comum. Muito obrigado.

Obrigada.

Obrigada.