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Olá, seja bem-vindo a mais um episódio do "Conversas no Tee", o podcast que cruza a paixão pelo golfe com o universo pessoal e profissional de quem o joga. Um projeto em parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e com o apoio da DS Automóbil, a acompanhar esta viagem pelo universo do golfe, onde cada detalhe conta. Durante muito tempo, olhou-se para o golfe como um desporto distante, mas a verdade é que está cada vez mais aberto a novas gerações e a diferentes públicos. Eu sou a Maria João Simões e neste episódio vamos falar de como tornar o golfe um desporto genuinamente democrático e de que forma podemos atrair os mais novos para a modalidade. Para isso, tenho comigo Sofia Barroso Sá e Pedro Figueiredo, dois talentos jovens do golfe nacional. Olá, bem-vindos. Obrigada por terem aceitado o nosso convite.
Obrigada.
Muito obrigado por nos terem aqui.
Pedro, com que idade te iniciaste no golfe e o que é que te fez começar?
Eu comecei o golfe aos seis anos.
Aos seis?
Aos seis, muito jovem, uma criança ainda. E eu comecei porque o meu pai era gerente do restaurante no Clube de Golfe da Quinta do Pru. Eu ia às aulas, meu pai ia me buscar, ia trabalhar. Portanto, eu estava ali no restaurante, até que me convenceram a bater as primeiras bolas. E foi assim que eu comecei. Nunca mais parei. 30 anos depois, ou 29 anos depois, continuo a fazer do golfe o meu trabalho. Mas foi assim que comecei.
E tu, Sofia?
Eu comecei com sete anos.
Portanto, ao taca taca.
É verdade. Eu comecei de uma maneira um bocadinho diferente. O meu pai começou a jogar primeiro. Passado cerca de seis meses dele começar a jogar, eu praticava muitos desportos: caratê, futebol, voleibol, e ele decidiu: "Olha, bora, vamos ao golfe".
Falta o golfe.
Exatamente. Então apaixonei-me logo porque percebi de imediato que é um desporto individual e foi algo que me fascinou.
Sofia, tu representas a nova vaga de jovens atletas que tem dado cartas no golfe. Quando olhas para os teus amigos ou colegas que não jogam, qual é o maior obstáculo ou até preconceito que sentes que ainda existe em relação ao golfe?
Eu cresci sem ter um campo de 18 buracos perto de mim. O campo mais perto é Monte Belo, a cerca de uma hora e 45 minutos e portanto, sempre fui aquela aluna, colega, amiga que jogava golfe. Penso que muita gente nunca me levou muito a sério em termos de golfe, até ao secundário, acredito. E portanto, só depois no 12º, quando eu mudei para uma escola um bocadinho maior, os professores gostavam imenso de ouvir as minhas histórias, de saber os meus resultados, porque até lá era um bocadinho ridicularizada, digamos assim.
Isso também motivou depois outras pessoas, outros colegas, amigos a praticarem a modalidade, ou ainda não?
Alguns, a maior parte deles, seguem muito os meus resultados e fico muito contente por isso, mas outros não ligam absolutamente nenhum e não querem muito saber.
Mas isso de seres uma inspiração também é um fator de pressão, não? Ou gostas dessa pressão?
Sim, eu gosto. Eu sinto-me bastante motivada, mesmo, como eu disse, a crescer sem um campo de golfe ao pé. Sempre foi algo extra de motivação e nunca foi algo que eu disse: "Por não ter um campo perto, não vou jogar golfe."
Pedro, fala-se muito em democratizar o golfe. O que precisa de mudar para que um jovem olhe para um campo de golfe com a mesma naturalidade com que olha para um campo de ténis, para um campo de futebol?
Acho que um Cristiano Ronaldo no golfe ajudaria. Um profissional para que as crianças olhem como um exemplo. Acho que isso aconteceu em alguns países, como Espanha, de repente tiveram, por exemplo, o Ballesteros, que foi o número um do mundo, isso ajudou a fomentar muito e a crescer muito o golfe em Espanha. Portanto, eu acho que termos uma figura para a qual as pessoas olhem com admiração, um grande jogador, digamos assim, isso ajudaria a fazer crescer o golfe em Portugal.
Estamos muito longe de ter um nome, um CR7 no golfe?
Ainda estamos um bocadinho longe, porque ter um CR7 não é nada fácil.
É preciso trabalho também.
É preciso muito trabalho e eu acho que para chegarmos lá, é preciso que algumas coisas mudem no golfe em Portugal. No fundo, torná-lo mais acessível, torná-lo um desporto.
Porque ainda há o estigma de que é um desporto caro, não é?
Sim, é um estigma e de certa forma não é só um estigma, acaba por ter alguma verdade por trás. É verdade que isso está a mudar, mas eu acho que precisamos de mais Jamores em Portugal. E Jamore é um campo gerido pela federação, onde o objetivo, mais do que lucrar com esse campo de golfe, é trazer praticantes.
Jovens talentos.
Jovens talentos, novos praticantes das mais diversas idades. Eu acho que é isso que nós precisamos espalhado pelo país inteiro. Acho que é com esse tipo de-
Investir em mais Jamor
...em mais Jamor, sim, porque é um sítio acessível, que uma pessoa pode ir lá sem nunca ter jogado. Chega lá, tem uns tacos que lhe emprestam. É relativamente barato para bater umas bolas, também depois para jogar no campo, não é nada dispendioso. E isso é diferente do golfe Mais tradicional, onde uma pessoa tem de ser sócia de um clube ou para pagar uma volta de golfe é bastante mais caro. Portanto, eu acho que esse tipo de campos são essenciais para que nós possamos ter mais jogadores e depois quiçá daí mais possibilidade de termos um Cristiano Ronaldo no golfe.
Sofia, tu fizeste o teu percurso universitário e desportivo nos Estados Unidos, onde a cultura do golfe jovem é fortíssima. O que nós aqui em Portugal podemos importar dessa realidade para inspirar mais crianças, mais jovens a pegarem num taco pela primeira vez?
Realmente é uma diferença muito grande. Eu sempre quis ir para os Estados Unidos. Defini isso quando tinha cerca de 15, 16 anos, por ter a possibilidade de estudar e jogar ao mesmo tempo. E acho que essa é uma das razões, não só no golfe, mas em outros desportos, de os jovens estarem a sair de Portugal para irem para os Estados Unidos para conseguirem uma licenciatura em qualquer que seja a área. Porque neste caso eu fui com bolsa a 100% e eu escolhi Economia, mas podia ter escolhido uma engenharia ou algo desse tipo. E depois também existe toda a equipa de fisioterapeuta, ou seja, quando passamos agora a profissionais, nós próprios criamos essa equipa. Fisioterapeuta, mental coach, technical coach, etc. E quando chegamos aos Estados Unidos, temos essa equipa. Portanto, foi algo que me abriu muito os olhos para: "Ok, para ser profissional, eu preciso ter e fazer as mesmas coisas que eu já estou aqui a fazer, mas passá-las para Portugal quando acabar o meu percurso nos Estados Unidos."
Pedro, estamos praticamente a chegar ao fim do nosso tempo. O que dirias a alguém que diz: "O golfe não é para mim"?
Primeiro que experimente o golfe. Acho que não é justo julgar.
O que será que assusta antes de experimentar?
Sim, exatamente. Para convencer alguém a experimentar golfe e para não julgar algo antes de experimentar, eu diria que o golfe é um passeio na natureza. É um desporto bastante social, onde podemos conviver com outras pessoas, sejam família, amigos, mesmo pessoas desconhecidas. É um grande desafio, onde nós estamos em constante tentativa de melhorar o nosso jogo. É também um desporto onde é muito desafiante a nível do controle das emoções. Eu acho que aprendemos a ser melhores pessoas jogando golfe. Portanto, eu acho que isto é todo um conjunto de fatores que eu acho que é relativamente convincente.
Sem dúvida.
Mas sim, eu acho que uma pessoa devia experimentar antes de julgar o golfe e eu acho que estas são boas razões para isso.
E quanto mais cedo melhor, ou não existe uma idade ideal para se começar a jogar golfe? No vosso caso foi muito cedo.
Sim, o golfe tem essa vantagem que até aos 60 anos, uma pessoa, aos 70, o que seja, uma pessoa pode começar a jogar golfe porque não é um desporto extremamente físico. No fundo, é um passeio de cinco, 10 quilómetros, depende do número de buracos que jogarmos, e onde simplesmente temos de fazer contacto com a bola. Portanto, eu acho que qualquer idade é boa para começar, sabendo que, como em qualquer desporto, se nós começamos jovens, depois aquilo torna-se muito mais natural. Eu noto isso nas pessoas que jogam golfe não a nível profissional, aquelas que começaram mais cedo, têm toda uma maior facilidade mesmo no movimento, em acertar bem na bola. Portanto, eu diria que assim que puderem, que comecem a jogar golfe, porque depois fica mais difícil, mas ainda assim, qualquer idade é boa.
Vai-se sempre a tempo.
Exatamente, vai-se sempre a tempo.
Sofia, que lições é que tens tirado das tuas partidas de golfe?
O golfe mostra-nos muitas coisas sobre a vida também. Precisamos de ser disciplinados, resilientes, e o golfe vai nos mostrar muitas vezes um caminho fácil, que é desistir, mas se continuarmos, vai nos surpreender sempre.
Portanto, persistência.
Persistência também, sim.
Mesmo a fechar, Pedro, não sei se sabias, mas o teu pai teve um papel decisivo no percurso da Sofia.
Sim, a Sofia já me tinha falado nisso, mas eu não sei exatamente de que maneira. Portanto, perguntaria à Sofia como é que isso aconteceu.
Sofia, como é que isto aconteceu?
O campo onde eu comecei a jogar era a Quinta da Bica, que era a cerca de cinco minutos da minha casa, um campo de nove buracos, pitch and putt, e quando eu tinha 11 anos fechou. E foi aí que fiquei com o único campo perto, uma hora e 45, em Viseu. Eu lembro-me quando tinha 13 anos de ir aos torneios do Drive Tour e muitos treinadores de outros clubes queriam que eu fosse para o clube deles para fazer parte da equipa e representar o clube. E eu lembro-me do pai do Pedro, conhecido por Ginja. Ele, na altura, estava em Santo Estêvão, no Ribagolfe, e o meu pai teve uma conversa com ele. Ele disponibilizou-se logo: "A Sofia sempre que quiser, pode vir aqui treinar". O Ribagolfe tinha excelentes condições de jogo curto e, portanto, antes de ir aos torneios, que era sábado e domingo, eu faltava às aulas na sexta-feira, ia com o meu pai para Santo Estêvão, Ribagolfe, treinava, o Ginja fornecia-me fichas, disponibilidade para jogar no campo, putting green, jogo curto. E depois jogava os torneios.
E entretanto perdeste o contacto com o pai do Pedro.
Sim, entretanto eu depois passei para a Quinta do Pru para fazer parte da equipa que tinha mais adolescentes e depois o pai do Pedro deixou de-
O pai reformou-se.
Exatamente.
Mas eu fico orgulhoso que o meu pai tenha tido um-
Completamente, um papel tão importante e tão decisivo.
Sim, acho que é esse tipo de ações que é preciso em Portugal e no golfe em concreto, as pessoas facilitarem jovens como a Sofia de treinarem e incentivarem a virem ao campo onde trabalham para que a Sofia, neste caso, se sinta à vontade e que desenvolva o seu golfe.
E ainda mais motivada.
Exatamente.
Muito gira esta história.
Estou orgulhoso do Ginja.
Pedro Figueiredo e Sofia Barros Santo, obrigada por esta conversa tão leve e por ajudarem a desmistificar este desporto que é o golfe. Obrigada.
Obrigada.
Obrigada.
Foi mais um episódio de Conversas no Tee, uma parceria com a Federação Portuguesa de Golfe e que tem o apoio da DS Automobiles, onde a elegância, a precisão e a paixão pelo detalhe nos conduzem a novas conversas. Eu sou a Maria João Simões, regresso na próxima semana com um novo episódio. Até lá, bons swings.