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Tudo pronto para o "Dê-se de Desculpas". Junta-se a nós o personal trainer Eduardo Schultz, à distância. Eduardo, bem-vindo. Uma boa noite.

Olá, Ana. Boa noite.

Olá, boa noite, Eduardo.

Eduardo, hoje vamos falar de exercício físico nas circunstâncias atuais. Já na semana passada tínhamos dito também, num episódio que está disponível lá em podcast, que é muito importante continuar a fazer exercício físico, mesmo em isolamento social, também para manter a nossa saúde mental.

É muito importante mesmo a todos os níveis. Aliás, o exercício físico assume aqui um papel não só na condição física, como tu disseste agora e muito bem, mas também na questão mental, dita emocional, nesta fase que psicologicamente tem sido tão exigente pra nós, com este isolamento e até períodos de quarentena.

E por onde devemos começar? Sim, exatamente, Eduardo.

Falando nisso, hoje em particular, antes de mais, aos nossos ouvintes, desejo que estejam todos bem e de saúde e vocês aí no estúdio também, claro.

Estamos bem, estamos bem.

Só assim, com uma atitude consciente e responsável, é que nós podemos todos juntos ultrapassar esta fase. Espero que sigam, e bem, as recomendações que têm sido dadas pela Direção-Geral de Saúde, que tanto tem feito para que nós nos mantenhamos seguros. Agora, em relação ao exercício físico nesta fase, eu deixo aqui hoje algumas reflexões. Aliás, havia tanto pra dizer, mas há outros assuntos na ordem do dia, vamos ter que abreviar. Mas é claro que o exercício físico, não só do ponto de vista dos profissionais desta área, como também dos praticantes, está a sofrer adaptações e mudanças várias. Não somos, de facto, indiferentes a esta situação toda, mas há aqui algumas reflexões e sugestões que eu gostava de deixar hoje. A primeira reflexão é, confesso, uma coisa que me preocupa um pouco, sabendo que Portugal tem só 8% de população ativa e que neste momento tem espaços como as piscinas, os clubes, os ginásios estão fechados de acesso, preocupa-me que as pessoas caiam num sedentarismo que depois se pode tornar difícil de recuperar. E portanto, a minha recomendação é sempre que, mesmo numa fase de algum isolamento, é sempre possível, mesmo que em casa, fazer algum exercício físico, mexer um pouquinho o corpo de uma forma que se mantenham, como temos vindo a dizer, física e mentalmente bem. Agora, em contraponto, o que eu tenho visto? Tenho visto que, de facto, algumas pessoas que não praticavam tanto exercício, apesar de tudo, nesta fase, porque acredito eu que, tal como todos nós que nos vemos em quarentena durante um período de tempo, ao fim de uns dias querem se mexer por favor, senão estão quase a entrar em louco.

Uma espécie de quebra de rotina, não é?

Sim, absolutamente, quebra de rotina e mais uma vez, bem-estar mental, porque se está fechado em casa às tantas já arrumaram as prateleiras, as gavetas, já pintaram as estantes, enfim, já fizeram tudo e mais alguma coisa e apetece fazer algum exercício físico, digo eu. Então tenho visto algumas pessoas que, tal e qual como eu também, que nesta altura o recurso é muito nas redes sociais, procuram soluções para de facto se poderem exercitar. E então aqui fica uma segunda reflexão, que é a fonte dessa informação. Isto porque eu tenho visto que profissionais do exercício físico, que agora veem a sua função profissional limitada, como calculam, acabam por, nas redes sociais, tentar chegar às pessoas que os rodeiam com algumas informações, mesmo que generalistas, mas que possam permitir que as pessoas se mexam e com algum critério. Portanto, são pessoas da área do exercício físico que, com conhecimento de base, conseguem ajudar as pessoas a mexer-se e, como eu disse, com algum critério, com alguma base por trás, para que, não estando na presença do praticante, possam minimizar os riscos de uma eventual lesão qualquer. E portanto, assim sendo, se os nossos ouvintes conseguirem procurar com este critério, que é alguém que seja profissional, que me ajude nesta fase, eu julgo que mesmo à distância, é possível ter algum exercício que seja de qualidade. A segunda reflexão é que eu tenho visto também que algumas pessoas que não sendo da área, têm tido a tentação de divulgar exercícios como forma de aconselhamento. E aqui é que está o risco, é o aconselhamento. Isto por quê? Eu não vejo mal nenhum, antes pelo contrário, que pessoas que têm um universo de seguidores muito grande possam partilhar as suas rotinas de treino, possam partilhar os seus exercícios como forma a motivar e incentivar. Acho uma ótima ideia para que as pessoas se sintam inspiradas a fazer o seu exercício físico. Mas, uma coisa é partilhar aquilo que é a sua rotina e a sua experiência, outra coisa é aconselhar. E aqui uma diferenciação para que os nossos ouvintes tenham o cuidado de procurar alguém especializado. Isto porque eu quando tenho uma questão de saúde, também procuro o médico especialista. Quando tenho que procurar alguma questão, por exemplo, de um problema com o meu carro, procuro um mecânico e não procuro um carpinteiro. Portanto, como se costuma dizer, e permitam-me a expressão, cada macaco no seu galho. Portanto, partilha sim, aconselhamento, de facto, com profissionais da área. É aquilo que eu recomendo.

Eduardo, só uma pergunta também, já agora. Nós estamos em casa, não temos aqueles materiais que normalmente se usam nos ginásios. O que é que podemos usar? Há alguns truques, algumas ideias, para além desse acompanhamento que possa ser feito por um personal trainer, que tipo de coisas é que podemos usar em casa que nos possam ajudar a exercitar-nos?

Olha, temos de facto muita coisa. E eu quando falei há pouco do personal trainer, eu referia-me, no fundo, a um conjunto de profissionais do exercício físico que não estando, neste caso, possibilitados de dar efetivamente um treino personalizado, porque a questão presencial está muito limitada, como é evidente Acabamos por ter indicações, como eu disse há pouco, mais generalistas. Mas respondendo à pergunta, nós podemos ter muita coisa em casa com que fazer. É um pouquinho de ser criativos também. Para já, só o peso corporal já fará um belíssimo exercício e há imensas opções. Falámos numa rubrica anterior, aliás, numa intervenção da Ana, que agachamentos é um belíssimo exercício. Trabalhamos com o peso corporal. Flexões de braços é um belíssimo exercício e também o peso corporal para a grande maioria das pessoas chegará a ser, de facto, muito intenso. Há várias opções nesse sentido. O que nós podemos fazer é, de alguma forma, manipular algumas variáveis, por exemplo, encurtar os tempos de descanso para ser mais intenso, aumentar o número de repetições para ser um pouquinho mais intenso, aumentar o tempo de cada exercício para ser também um pouquinho mais intenso. Há formas de criar até vários patamares de dificuldade. Isto com o peso corporal. Depois, sendo que a pessoa pode ser mais criativa, imagina, se pegar, por hipótese, uma garrafa d'água. Tem aqui algumas opções para trabalhar, por exemplo, os ombros ou os braços. Enfim, um pacote de arroz. Dir-me-ás que é muito leve. Sim, mas se calhar com algumas boas repetições, acaba por fazer aqui o seu papel. E estamos a falar de pessoas que nunca fizeram exercício físico e que passam a ter um estímulo, seja ele qual for, e que por si só já é diferente para o seu corpo.

Uma coisa é certa, não há desculpas, não é? Isso é garantido.

De todo. E sei até que houve aqui uma situação de recurso, mas que parece que funcionou muito bem, é que houve praticantes que encomendaram via online alguns materiais, algumas bandas elásticas de resistência, que fazem o seu trabalho, alguns pequenos halteres também, enfim, materiais que às vezes se vendem em lojas online e que neste caso em particular, fazem também o seu papel, porque como não há hipótese de ir a um ginásio, sempre acrescentam alguma resistência e têm aqui mais variedade de exercícios.

O importante é continuar a fazer exercício físico. Nós por aqui semanalmente vamos continuar a conversa com o personal trainer Eduardo Schultz, mesmo à distância.

Se me permites, vou só dar aqui uma nota também de reflexão sobre um outro tema e muito rapidamente. Falamos agora de estímulos para pessoas que estão a começar ou não, e há aqui algumas semelhanças num ponto em particular entre quem está a começar e quem já está um pouquinho mais à frente. E digo isto neste sentido: para todos os efeitos, mesmo para quem está a começar é um estímulo novo, mas para quem já é praticante regular e costuma frequentar, por exemplo, um ginásio, normalmente tem acesso a outro tipo de materiais, sejam eles, por exemplo, máquinas de resistências, halteres, barras, materiais que não tem em casa à partida e portanto tem que adaptar o seu treino. O que eu quero dizer com isto? Para ambos, há aqui um período de adaptação, que claro está, para quem está mais à frente, terá mais facilidade nalguns movimentos, está mecanicamente mais preparado, enfim, se calhar aguenta um esforço um pouquinho superior. Mas no fundo é um estímulo novo. E como estímulo novo que é, seja iniciante ou seja praticante regular, tem que ter aqui um tempo de adaptação. Onde eu quero chegar com isto? Que não se passe de "eu nunca fiz nada para agora tenho que fazer tudo, porque não tenho nada para fazer", e que também não se caia no excesso de "agora vou intensificar o meu treino, mesmo não estando preparado para isso". Há que ter um tempo de adaptação, respeitem o vosso corpo, para que este período seja um período benéfico de construção de algum hábito e que não possam ter aqui alguma lesão no caminho que impossibilitava de todo essa continuidade. Esse cuidado só com a adaptação e com o respeito por alguma progressão de exercícios, sempre do mais simples para o mais complexo, do menos intenso para o mais intenso, para que possam continuar a praticar com segurança e com regularidade, que é o que se pretende.

É isso mesmo. O personal trainer Eduardo Schultz está sempre conosco a esta hora. Não, na verdade, é na hora anterior, um pouquinho mais cedo. É sempre depois das notícias das 19:00. É isso mesmo. Hoje a atualidade obrigou que o "Deixe-se desculpas" fosse a esta hora, mas esta edição vai ficar disponível em podcast também, já a seguir em observador.pt. Eduardo, muito obrigada, até para a semana.

Muito obrigado também. Não há desculpas para começar a praticar. Fiquem bem, cuidem-se e com saúde. Obrigado e até para a semana.

Obrigada. Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.