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Este é o Diário do Mundial da Rádio Observador. Terminou o sonho português em Dallas, no Texas. Portugal diz adeus ao Campeonato do Mundo depois de uma derrota por 1 x 0 frente à Espanha. Último jogo de Ronaldo na competição, adeus de Roberto Martínez, desilusão entre os adeptos que depositaram muita esperança nesta equipa. Vamos falar com o Miguel Cordeiro, que foi enviado especial do Observador. Olá, Miguel.

Olá, Marijó.

Acabou a participação portuguesa e vamos perceber o que aconteceu. Estiveste no estádio. O que nos podes contar daquilo que aconteceu no relvado, Miguel?

Foi um jogo equilibrado. Nesta altura ainda estamos um pouco a quente também. É normal falar dos 1001 cenários que podiam ter ditado um rumo diferente para Portugal, mas a verdade é que no cenário que existe, o cenário da realidade, encontramos este equilíbrio. Portugal esteve melhor na primeira parte, a Espanha esteve melhor na segunda, principalmente depois da saída forçada de Nuno Mendes. O que aconteceu é que a segunda parte de Espanha foi melhor que a primeira parte de Portugal e o gol representa isso mesmo. Durante o jogo vimos o esforço dos jogadores portugueses em chegar ao gol, em ferir os espanhóis, mas há que ter em conta também a qualidade do adversário e deste adversário. Se Portugal podia ter feito melhor? Certamente que sim. Se os jogadores fizeram tudo o que conseguiram? Também me pareceu. Apesar de tudo o que se possa dizer, das críticas que agora se possam fazer às escolhas, ao sistema, às prestações individuais e também à prestação coletiva, que reconheço que possam ter ficado aquém, no estádio o que se viu foi entrega. Isto viu-se no estádio. Depois de tudo isso, vimos também desilusão, muita desilusão da equipa, mas sobretudo de Cristiano Ronaldo. As câmaras foi o que mostraram, principalmente. No estádio conseguimos ver outros rostos desiludidos, mas Cristiano Ronaldo, nesse momento final, esteve durante quase todo o tempo sozinho entre as lágrimas que foi tentando conter.

Miguel, podemos ler o teu texto sobre esta última dança de Ronaldo no nosso site em observador.pt. Estiveste com uma lupa sobre o capitão português.

Sim, vi o corpo de uma cabeça que pensa numa coisa, o corpo já não faz o que quer. Vi um corpo que já não faz o que a cabeça quer, basicamente. Durante o jogo, foi isso que vimos. Ronaldo apareceu, Ronaldo correu, Cristiano Ronaldo tentou driblar, tabelou, protestou e no final chorou. No início apareceu ainda a imagem do que foi dito ontem, sorridente. Ontem, antes do jogo, na verdade. Sorridente, a desfrutar, a deixar indicações de que tinha confiança, mas o andamento do jogo acabou por transformar os sentimentos de Ronaldo e o feeling de CR7 nunca se concretizou. Depois do apito final, Ronaldo tentou conter as lágrimas, mas no momento em que foi agradecer aos adeptos, já não teve força para segurar as emoções. Deixou o relvado a morder o lábio e com os olhos já húmidos, podemos dizer assim. À saída do estádio falou à imprensa, disse que estava triste, foi a primeira palavra que disse. Assumiu que faz parte da vida de um futebolista perder. Garantiu que não falou à equipa no fim, que foi apenas Martínez a falar, mas Nelson Semedo, que falou antes de Ronaldo, disse uma coisa diferente, disse que Ronaldo falou. Cristiano Ronaldo também agradeceu a Martínez pela boa pessoa que é e por ter conquistado um título com Portugal e deixou o estádio acompanhado pela equipa de comunicação da FPF.

Falaste de Roberto Martínez, o selecionador nacional que anunciou o adeus.

Na conferência de imprensa, sim, foi perante os jornalistas. Disse que não faz sentido continuar uma vez que não ganhou o Mundial e assumiu que Pedro Proença deve ter a oportunidade de escolher o selecionador que quer. Martínez foi alvo de muitas críticas depois do jogo, também durante a competição. Agora sai da seleção nacional sem cumprir, podemos dizer isto, as expectativas que foram impostas para este Mundial.

Então Miguel, qual é o plano da seleção agora?

Este dia é dia de regressar a Portugal. 18h no horário português, 13h em Dallas, partida para o aeroporto. 20h55 no horário de Portugal, 14h55 em Dallas, partida para Lisboa. A seleção chega a território português já amanhã, dia 8. Chegam às 06h10 a Lisboa.

E vamos estar aqui a acompanhar. Miguel, olhemos também para os restantes jogos, porque há mais uma equipa da casa que está fora do mundial.

Sim, foi apenas mais um jogo e desta vez temos dúvidas se podemos utilizar aqui a palavra expulsos, porque depois de toda a polémica devido à reversão do cartão vermelho a Balogun, o avançado americano, que tinha sido expulso no jogo frente à Bósnia na eliminatória anterior, desta vez foram os belgas a mostrar um cartão vermelho, desta vez irreversível, a toda a equipa dos Estados Unidos. 4 x 1, um atropelo autêntico que dita o afastamento da última equipa da casa neste mundial. Caíram todas as equipas da casa, Canadá, Estados Unidos da América e México, nesta ronda, nos oitavos.

Então fechamos com os quartos de final que começam hoje.

Com dois jogos. Vai ser às 17h, o Argentina x Egito, e depois temos às 21h, o Suíça x Colômbia. São os dois duelos que dão início a esta nova ronda, os quartos de final do mundial.

E termina assim o Diário do Mundial com o jornalista o enviado especial do Observador aos Estados Unidos, o Miguel Cordeiro. Voltamos amanhã, Miguel. Até amanhã.

Até amanhã.