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Este é o Diário do Mundial. A partir de hoje acompanhamos diariamente o que se passa na grande competição que decorre nos Estados Unidos da América, no México e no Canadá. O jornalista Miguel Cordeiro é o enviado especial d'O Observador ao Mundial de Futebol e já está na Flórida, em Palm Beach, onde a seleção portuguesa vai estar nas próximas semanas. Miguel Cordeiro, bem-vindo. Já se sente a febre do Mundial nos Estados Unidos da América?
Olá, Maria João. Nos Estados Unidos da América, tenho que dizer que se sente pouco. Aqui a bola ainda não começou a rolar nos Estados Unidos. Posso dizer que o primeiro jantar que tive, já em solo norte-americano, foi precisamente num sports bar, aqueles locais com muitos ecrãs, em que dá para ver diferentes competições, diferentes desportos. Tentei perceber se já existia esse interesse ou não pelo Mundial e este exemplo que tenho não é favorável para o Mundial. Das quase duas dezenas de ecrãs que estavam neste sports bar, nenhum estava a dar jogos do Mundial. Os olhares estavam quase todos para a final do campeonato de hóquei no gelo. Eu também já estive num estádio, no Hard Rock Stadium, onde Portugal até vai ter o terceiro jogo frente à Colômbia. Percebe-se que já está tudo preparado, mas há pouca agitação em torno do estádio. Há sim forte controle policial, é natural. Muitas zonas relacionadas com a logística a apontar os caminhos que os adeptos devem seguir. Portanto, o futebol, ou o soccer, como se diz aqui, nós sabemos que não é o desporto favorito dos norte-americanos, mas só vamos perceber ao certo se há febre ou não depois da competição nos Estados Unidos da América começar e muito provavelmente também só depois dos Estados Unidos entrarem em campo.
Portugal chega esta sexta-feira. O que é que está planeado, Miguel?
A agenda, na verdade, até começa em Portugal. Vai haver uma conferência de imprensa, um treino na Cidade do Futebol, vai haver uma cerimônia de despedida oficial e depois a seleção portuguesa vai sair da Cidade do Futebol, vai partir para o Aeroporto Humberto Delgado e daí começar a viagem para Palm Beach. A viagem são quase nove horas, mas fazendo já a conversão ao horário de Miami, vai chegar por volta das 19h, na hora de Miami. Isto estamos a falar já perto da meia-noite, na hora de Portugal continental. E nessa chegada vai ter basicamente um momento de recepção no hotel. Esperam-se muitos adeptos. Vai chegar a seleção ao aeroporto e depois partir diretamente para o hotel e é aí que se esperam adeptos, espera-se o primeiro banho de multidão. A seleção vai encontrar muito calor, cerca de 30 °C e um ar muito abafado, um clima tropical. Portugal vai também encontrar esses muitos fãs porque Miami e toda esta zona tem muitos imigrantes latinos. Os latinos gostam tanto ou mais de futebol como os portugueses e há muitos fãs, principalmente de Cristiano Ronaldo.
Miguel Cordeiro, a seleção, como disseste, vai ficar onde tu já estás, em Palm Beach. É uma zona que é conhecida por ser o local de férias dos milionários e Portugal vai até ficar muito perto da residência de Donald Trump.
Sim, é verdade, vai ficar pertíssimo. Eu estive aqui a fazer as contas, auxiliei-me do Google Maps, e é uma viagem de 10 minutos de carro. São cerca de quatro milhas, já estou a falar nas distâncias norte-americanas. Mas fazendo a conversão, são sete quilômetros. Portugal vai ficar num resort, mesmo em frente à praia, o Four Seasons Palm Beach. O centro de treinos é noutro local, é no The Gardens, fica a cerca de meia hora do hotel da seleção, mas esse hotel, de facto, é em linha reta até Mar-a-Lago, até à residência de Donald Trump, a tão famosa residência de Donald Trump. Portanto, não estamos errados se começarmos a dizer que Cristiano Ronaldo e a seleção portuguesa vão ser vizinhos de Donald Trump.
Sobre a competição, os jogos já começaram. Grande cerimônia de abertura. O México, a jogar em casa, venceu o primeiro jogo por 2 x 0 e no segundo jogo, a Coreia do Sul bateu a República Checa. Miguel, são os primeiros dois jogos de 104 e o México consegue aqui um simbólico arranque da festa.
Sim, muito importante este arranque de festa também no México, até porque aconteceu no mítico Estádio Azteca. Tornou-se o primeiro estádio a receber três campeonatos do mundo. Foi em 1970, em 1986, como temos vindo a recordar também no podcast o escândalo que destruiu a seleção, que fala desse caso Saltillo, tudo isso passou-se no México. E agora esta parte da organização deste Mundial 2026 começa precisamente no México e neste mítico Estádio Azteca. Começou logo com a equipe da casa a vencer. A equipe do México vence por 2 x 0 no jogo inaugural. Foi a primeira vez que se repetia um jogo de abertura. Em 2010 foi um África do Sul-México, na África do Sul, agora um México-África do Sul, mas a jogar-se no México. Um bocadinho depois, tivemos o Coreia do Sul-República Checa. Venceu a Coreia do Sul por 2 x 1. É o arranque da competição que, como dizias, vai ter imensos jogos. São 104 jogos, agora faltam 102.
Miguel Cordeiro, em direto de Palm Beach. Muito obrigada, Miguel. Bons jogos.
Até amanhã.
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