Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Margarida, comprar em segunda mão era daquelas coisas que se contava baixinho, com alguma vergonha.

As pessoas tinham vergonha. Se compravas usado era porque não tinhas dinheiro para comprar novo.

Sim. E depois, de repente, não sei bem como, tornou-se um fator de status. Hoje até lhe chamamos preloved. Algumas marcas usam a expressão. Como é que nós chegamos até aqui? Do Avesso, um podcast sobre moda com Margarida Brito Pais e Maria Ramos Silva.

Na verdade, Portugal chegou um pouco mais tarde. Londres e Paris sempre foram famosas pelas lojas de segunda mão, com uma curadoria incrível. Aliás, tinhas aqueles bairros típicos que tinham as lojas especiais. Era um roteiro turístico. Hoje em dia, até marcas como a Zara ou a portuguesa Marques Almeida têm no seu próprio site já um departamento para coisas em segunda mão.

Sim. É engraçado, porque eu me recordo de um tempo em que se começava a viajar, até talvez um pouco pré as low budget, mas tu ias a algumas capitais europeias e fazias isso quase como um destino turístico. Nem era preciso ser em zonas muito sofisticadas. Eu ainda me lembro de algumas primeiras compras em Camden Town ou em Portobello. Aquilo fazia parte da viagem.

Sim, era quase que fazer os achados. E depois descobrir onde é que estavam. Havia pessoas que nunca te diziam exatamente a localização.

Mas era um bocado exceção. Era uma excentricidade. Era uma coisa que se fazia, fazia parte, mas também não era propriamente uma coisa massificada.

Não, o que não acontece hoje em dia. Hoje em dia o fenômeno tornou-se completamente transversal. As pessoas já fazem as suas viagens a pensar também em incluir essas lojas de segunda mão.

Algumas até só visitam lojas de segunda mão.

No departamento de compras que têm ali reservado na viagem. Se calhar antes iam para os grandes armazéns e hoje em dia preferem ir para uma loja de esquina descobrir alguns tesouros. E eu acho que um dos grandes fatores para esta mudança, sobretudo para a geração mais nova, foi esta preocupação com o excesso de produção. E quando começas a pensar nisso, faz com que a segunda mão se torne uma opção mais falada e, conforme as pessoas falam mais, e menos tabu é o tema.

Há menos estigma.

Sim, também acaba por se tornar uma tendência. E depois, nos últimos anos, começaste a ter muita facilidade de acesso com as plataformas online, que facilitam muito a procura de peças em segunda mão, os preços baixos. E tens outro fator que eu acho que é super importante, que tu antes só compravas em segunda mão. Hoje em dia, com estas novas plataformas, tu também vendes.

Pois.

Portanto, muitas vezes tu começas por vender a tua própria roupa e não estares até propriamente interessada em comprar nada, mas já entras nesse mercado e depois dás por ti a pesquisar e acabas por te tornar também consumidora.

Às vezes até podes estar a comprar já em terceira ou quarta mão, sabemos lá nós. Com tanta circularidade. Eu fico com a ideia que se bateram todas as linhas vermelhas. Porque havia algum pudor, pelo menos com algumas peças. Eu penso com o calçado. E nós hoje temos compras de sapatos também, há pessoas que não se importam nada de usar sapatos que já foram usados.

Sim, eu acho que aí o fator do valor tem imensa influência, porque o que poupas às vezes é tanto que tu acabas por passar essa barreira do pudor. E também sejamos sinceros, depois do Covid, já toda a gente sabe desinfetar todas as peças de roupa, portanto, não é propriamente um problema. Tu costumas comprar em segunda mão?

Sim, eu acho que se forem bons achados do ponto de vista de algum critério de moda, sim. Mas eu sou sincera, eu não perco horas nos sites, não tenho nada essa militância. Uso muita coisa em segunda mão, mas são sobretudo peças herdadas, que eu acho que apesar de tudo aqui é um outro campeonato. Porque as peças têm essa dimensão afetiva, às vezes familiar, além de tu conhecer à partida um pouco mais a história da peça, quem a vestiu. E portanto, acho que apesar de tudo é um subcampeonato. De qualquer forma, era aquilo que tu dizias, e lembrando-me ainda dos sapatos, este novo mercado, em termos de luxo, em segunda mão, permite aceder a peças que de outra forma tu se calhar não irias chegar com a etiqueta a preço inteiro. Tu também tens peças especiais que costumas guardar?

Tenho imensas coisas herdadas. Aliás, tenho roupa da minha mãe que eu ajustei, porque a minha mãe tem os ombros mais largos do que eu, portanto houve peças que eu tive que pôr na costureira, aqueles blazers dos anos 80 com ombros super esvaços.

Eu também tenho umas coisas dessas.

Porque de facto são peças que são especiais e eram muito bem feitas.

Pois, é sobretudo isso, porque a qualidade era de facto notória.

Aliás, tem de ser boa, porque são peças com 40 anos e ainda duram. Ainda estão impecáveis. Depois tenho umas coisas mais especiais, por exemplo, como o vestido de noiva da minha avó, que acabei por transformar.

É um belo exemplo de recycling.

Basicamente, a minha avó tinha um vestido de seda devoré, que parecia renda, mas não era, e eu transformei o vestido e depois utilizei o tecido no meu vestido de noiva. Acho que é a peça mais especial e tinha 50 anos quando foi reutilizado. Tem um lado emocional, de facto, muito importante.

Mas tu também tiveste a tua fase vintage, que eu sei. Como é que tu foste vivendo esse fenômeno? E já tem alguns anos, mas é preciso investir algum tempo naquilo.

Olha, não só tive a fase vintage, como estou numa nova fase.

Uma nova etapa vintage.

No meu caso.

E não é uma moda passageira. Eu pensei que as pessoas iam para lá, depois saíam, mas não, ficam mesmo agarradas. Aquilo é para a vida.

Não sei se é para a vida, porque é o que tu dizias, de facto dá muito trabalho, porque tens que fotografar tudo, depois as pessoas fazem muitas perguntas. Portanto, o melhor, um truque para quem se quer iniciar é quando tiram as fotografias, tirarem logo as medidas certinhas, até tirarem fotografias com a fita métrica ao lado, se for caso disso, porque há pessoas que perguntam mesmo os centímetros que tem a cintura, a altura.

Meu Deus! Portanto convém fazer logo o BI da peça para não ter de se necessário.

Quanto mais completa for a informação, depois menos trabalho tens. No meu caso, eu acho que se calhar há várias pessoas que se relacionam com isto, estas duas fases têm aqui três anos de diferença e têm a ver com mudanças.

A tua fase de vida também, pois, também é relevante.

A primeira fase foi quando mudei de casa e precisava de destralhar e também porque arrumei roupa, vi o meu armário inteiro e portanto percebi que se calhar havia coisas que já não faziam sentido. E foi numa altura em que a plataforma se começou a popularizar um bocadinho e eu achei que podia ser uma boa oportunidade para fazer também algum dinheiro extra. Portanto, a minha entrada foi como vendedora.

Foi mais por isso. Ok.

Depois acabei por começar a procurar e comprei ainda algumas coisas, mas também assim nada de especial. E agora estou outra vez numa fase de limpar roupeiro, porque isto depois do primeiro filho, parece que o espaço nos armários diminui.

Encolhe.

E que a roupa também diminui, se chamos assim quer.

É preciso olhar de novo outra vez para o armário todo e ver o que é que faz sentido.

Exatamente. Portanto, agora estou a tentar, mas noto aqui algumas diferenças.

Notas diferenças, sobretudo em quê? Na experiência de consumo, nas pessoas que estão lá?

Eu acho que a plataforma deve ter crescido tanto, que eu noto que na primeira fase eu conseguia vender roupa a um preço justo. Imagina, tinha coisas boas a um preço relativamente justo. Hoje em dia para as coisas saírem, tem que ser mesmo um preço muito barato. E estamos a falar de tetos máximos de € 15. A não ser, claro, que tenhas uma peça muito especial de uma marca e tal, e aí consegues pôr mais caro. Mas existe muito essa tendência, neste momento, nesta plataforma em concreto, para ser um consumo de coisas muito baratas, que eu acho que no início não acontecia tanto.

As pessoas iam se calhar à procura de uma coisa mais upscale. E agora, apesar de tudo, desceu o valor de mercado. Uma coisa que eu acho muito interessante nestas plataformas, e não só na Vinted, é que claramente a oferta vai continuar a subir. Pelo menos é o que nos dizem os números. Os números preveem que o mercado da segunda mão atinja 350.000 milhões até 2028. Portanto, há toda uma geração Z, creio eu, que já se afasta muito das coisas novas. Ou pelo menos tem muita atenção a este segmento.

Está muito disponível para procurar.

Está, mas tu não achas, será que também não encontraram apenas mais um marketplace? É que eu às vezes também penso nisso, nesta dúvida existencial.

Talvez seja mais um, mas eu acho que aqui o que diferencia, se calhar, da nossa geração, que é a geração acima, é que nós se calhar procuramos na loja tradicional primeiro. E eu acho que a geração Z já é muito natural esta procura primeiro numa plataforma ou loja em segunda mão. E aqui, de facto, o fator económico também é importante. Tu tens vestidos a € 3 que foram usados poucas vezes. Portanto, é fácil veres este mercado.

Como apelativo.

Apelativo e até preferencial.

Sim. Mas eu ao mesmo tempo, isso deixa-me com aqueles sentimentos mistos quando falamos de consumir mais ou, neste caso, um certo imperativo de consumir menos. Porque quando tu olhas para estas plataformas, e claro que, por exemplo, um Vestiaire Collective é muito diferente de um OLX ou de uma Humana, mas eu também sinto que entra aqui em campo uma coisa que é o falso vintage.

Sei lá, vintage e segunda mão são coisas diferentes.

São coisas totalmente diferentes. Mas sobretudo também aquele quase falso segunda mão, se quiseres. Porque depois também tens muito um fenômeno que eu vejo, que é: vais a uma fast fashion, compras uma coisa já de si barata e de qualidade talvez inferior, sei lá, um vestido para um casamento. Usas uma vez, depois no dia a seguir pões à venda na plataforma, ainda podes ganhar uns trocos com isso, mas quer dizer, na verdade, que vida é que aquele vestido teve de primeira mão? Isto, de certa forma, não acaba por ser um pouco perverso. Nós pensamos que estamos a fazer uma coisa, a ajudar, mas na verdade estamos só a produzir mais e a consumir mais.

Sim, até acontece. Há muita coisa que é vendida com etiqueta.

Também é extraordinário.

Porque tens, de facto, um consumidor que compra tanto no mass market, que acaba por não usar as coisas logo, e depois quando se calhar veste, não gosta e já não vai a tempo de trocar, ou acha que lhe dá muito trabalho trocar. E, portanto, tens de facto imensa coisa com a etiqueta, e aí o argumento da sustentabilidade cai completamente por terra. A verdade é que se tu não compras de forma consciente, seja em que marketplace for, seja o que for, seja luxo, seja mass market, seja segunda mão, não seja, nada é sustentável.

Sim, a verdade é essa.

A única forma de ser sustentável é ter consciência do que estás a comprar. Mas claro que existem também vários tipos de consumo nestas plataformas.

Sim, eu acho que tens aqui o que é muito apelativo, é aquele efeito scroll infinito quando nós falamos de aplicações, que na verdade é o que acaba por acontecer também com lojas tradicionais, mas neste caso, encontras coisas tão baratas, compras muito por impulso. Vai totalmente contra aquela máxima atual, que de resto não é nova, mas que tem sido um pouco resgatada, que é voltar a apostar em coisas boas e duráveis, de forma a quê? A comprarmos menos.

Isso é fundamental.

Que é fundamental, na verdade. Mas depois é muito difícil conseguir respeitar isso no meio desta oferta toda. Mas eu sei que também há quem seja mais criterioso e tente procurar coisas específicas, de facto.

Tens quem procure tesouros, como tu própria dizias que é a tua forma de consumir. Fazendo muitas vezes pesquisas logo por marcas que já sabem que são boas, por peças que sabem que têm um bom corte. E normalmente este tipo de consumidor é um consumidor que conhece moda e que sabe muito bem aquilo que está a comprar. No fundo, procura um artigo de luxo a um preço que possa pagar.

Sim.

Que é também um fator aqui importante que a segunda mão vai oferecer. Mas depois também tens casos de pessoas que procuram Peças concretas. Às vezes até coisas que elas próprias tinham no armário e que por alguma razão ou se estragou ou perderam.

Ou perderam. Sim.

E depois andam loucas por todo lado à procura de encontrarem uma coisa igual. E o incrível é que a oferta é tanta.

Que encontram.

Muitas vezes são bem-sucedidas.

Sim.

Mas tem que ter muita paciência.

Sim, é verdade, mas encontram. O mais incrível é que conseguem muitas vezes resolver isso. Eu lembro-me sempre de uma amiga que tinha perdido ou estragado, não me recordo, um comando de televisão e conseguiu encontrar um comando exatamente igual numa destas plataformas. Não é de moda, mas para mostrar como é possível encontrar as coisas mais inesperadas. Eu lembro-me também, por exemplo, dos amantes de ténis, que muitas vezes andam à procura de modelos descontinuados.

Isso é uma loucura.

Coisas mesmo de colecionador, muito específicas, ou até desejos nostálgicos, como a febre das camisolas desportivas clássicas, que nós já falámos um bocadinho no episódio anterior.

Sim, que existem imensas. De crianças também, um montão. Muita gente procura roupa para criança.

Isso eu acho que é muito importante, falar dessa parte.

Porque de facto é assim, os miúdos usam a roupa muito pouco tempo. E portanto, muitas vezes nestas plataformas tu encontras roupa ótima que foi usada, aí sim, duas vezes, mas não por uma questão de capricho.

Ainda é mesmo o quê, deixa de servir.

E acaba por ser uma ótima forma de tu conseguires ter um armário para os teus filhos, que seja de forma mais económica também. E também a roupa dos teus filhos depois conseguires vender, porque nós dantes, pelo menos as nossas mães, tinham muito aquela coisa de guardar a roupa.

Pois é, guardavam tudo.

Para os primos e não sei quê.

As famílias são diferentes.

As famílias são diferentes, a roupa não é feita para durar tanto.

Não é tão prática também. Tu hoje já tens os próprios sistemas da roupa que facilitam a vida.

Os próprios miúdos usam roupa diferente. Para a escola, se calhar ao fim de semana andam com os folhinhos e os vestidinhos, mas para a escola são leggings, T-shirts e sweatshirts.

Tem que ser muito mais prático.

Não são propriamente uma peça que tu aches que vai ser super importante para os teus filhos.

Senão vais guardar uma legging. Acho que sim.

Acaba por ser uma boa reciclagem.

Mas olha uma coisa, tudo isto claramente, pelo menos ao me parecer, implica horas de pesquisa exaustiva. Porque realmente aquilo é um saco sem fundo e a oferta é cada vez maior. Como é que uma pessoa se pode organizar de uma forma prática? Ou seja, tu concretamente, se vais procurar uma coisa para bebé, como é que tu te organizas, por exemplo, num site destes?

Olha, há alguns truques. Primeiro, tem os filtros que te ajudam imenso. Tu podes procurar a marca que queres, o tipo de roupa que queres, a idade que queres. Depois, como há muita oferta, eu acho que o ideal é depois de já teres andado ali algum tempo, é identificares alguns utilizadores, isto serve para crianças ou para adultos, que tenham o mesmo gosto do que tu, que estejam a vender os números que tu precisas. No caso dos miúdos, hão de ser pessoas que têm filhos, que são um ano mais velhos do que os teus. E segues essas pessoas e portanto acabas por ser logo direcionada para ver o que tem. Aliás, eu conheço pessoas que conseguem encontrar roupa igual para os quatro filhos.

Isso é extraordinário.

Tudo em segunda mão.

Tudo em segunda mão. Já seguem muito bem, sabem quem seguir.

Exatamente. Muitas vezes veem a coleção anterior da Zara, por exemplo, já sabem quais são as peças que querem e já fazem essa pesquisa por aquelas peças concretas.

De facto, é toda uma outra forma de comprar. Há aqui depois ainda um outro degrau acima, porque imagina, os bebés ainda não fazem compras sozinhos. São as mães ou os pais que fazem por eles. Mas imagina, quando tu pensas num adolescente que já tem, se calhar algum pocket money. E também já tem poder de decisão e de escolha. Eu penso que com esta oferta toda, e sobretudo tão acessível, como é que se trava, por exemplo, a pulsão de uma miúda ou de um miúdo que quer mais um top ou mais umas calças que só custa € 3 ou € 5. E depois há outra questão aqui também. Na verdade, como é que as marcas contrariam esta corrente para tentar continuar a escoar as novidades. Porque continuam a pôr novidades no mercado.

Olha, de facto são questões difíceis de responder.

Grandes dilemas.

Grandes dilemas. Eu acho que em relação aos adolescentes, passa muito por ensinar a consumir roupa de forma consciente.

Como qualquer outra coisa. Nós ensinamos coisas muito fundamentais em termos de educação aos miúdos, também podemos ensinar esta parte do consumo.

Claro, e aproveitando que eles já estão tão despertos aqui para a sustentabilidade, é explicar-lhes que consumir de forma consciente é um elemento fundamental para ser sustentável. Ou seja, tu saberes distinguir uma peça que vai durar de uma peça que não vai durar. E isso implica ter noção dos materiais, dos acabamentos da própria peça, da própria intemporalidade do design. Por exemplo, uma coisa muito prática: camisolas de malha. Tens que saber ler a etiqueta. Se fores, se vires que tem só fibras naturais, se for só fibras naturais, sabes que te vai aquecer mais, que é uma peça que por ser fibra natural não agarra tantos cheiros, portanto tens que a lavar menos, tens só que ter um daqueles tira-borbotos, porque normalmente as fibras naturais fazem mais borbotos. Mas às avantages é uma camisola melhor. Se for só material sintético, já sabes que vai durar menos, que vais ter que estar sempre a lavar.

É mais usar e descartar.

Portanto, é importante aqui saber ler. Ou seja, é possível comprar de forma mais consciente também em segunda mão e isso vai fazer a diferença.

Há algumas peças que eu me lembro, por exemplo, em termos de investimento, além das carteiras. Há um ótimo exemplo também de histórias e de peças para investir de forma consciente, para mim, que são os sobretudos. Os casacos de alguma forma, os casacos mais estruturados, mas os sobretudos. De facto, se calhar faz mais sentido comprar um Max Mara ou um Barbour. São peças clássicas, de marcas clássicas reconhecidas também pela qualidade e, portanto, a pessoa sabe que mesmo em segunda mão, está a comprar uma coisa que à partida, dá-lhe alguma Não há alguma garantia de que a coisa vai correr bem.

E nesse caso, faz sentido, se calhar, comprar em segunda mão assumidamente, porque são peças muito caras e que não estão ao acesso de toda a gente. Agora, esta geração mais nova quer ser sustentável, mas às vezes é tudo muito pela rama. Há fatores que contribuem para isso de formas muito diferentes. Mas também há aquele lado de estas plataformas e as outras marcas muito baratas da vida serem só para corresponder a caprichos de tendência. É um consumo super descartável.

Sim, e também entram as gigantes chinesas em jogo, como a Temu e a Shein, que até vai ter loja física em Paris. Tu fazes ideia, em média, quantos quilos cada pessoa consome de têxteis na União Europeia?

Não sei, mas tu sabes de certeza.

Em 2022 eram 19 quilos. Está a preencher uma mala gigante de viagem. E depois cada um de nós deita fora o equivalente a 12 quilos. Percebe-se facilmente que as novas regras europeias vão apertando o cerco. Vou dar um exemplo: a partir de 2026, a destruição de roupa, calçado e acessórios que não tenham sido vendidos vai ser proibida na União Europeia.

E o que é que vamos fazer a tanto lixo?

Pois é. E depois há outra coisa, também temos que estar muito atentos ao ecobranqueamento, que é aquele falso sustentável. Tudo parece ser super sustentável, muitas vezes não é.

Passa tudo por ensinar a ler etiquetas e a perceber como é que as coisas são feitas, como já falámos. E de facto, a única forma de defender as marcas, e até a produção na Europa, é apertar o cerco, porque estas marcas que produzem na Ásia são muito competitivas, é impossível tu chegares lá com os mesmos preços.

Olha, Margarida, nós temos aqui o exemplo das figuras da realeza. Elas próprias já estão a reutilizar looks, muitas vezes vão trocando roupa entre si. Eu penso que foi a Amália de Holanda que apareceu publicamente há muito pouco tempo com um vestido que era da irmã. Acho que dá um bom exemplo e que será um pretexto para todo um outro podcast.

Sim, também usam sempre peças super clássicas e que duram imenso no tempo. São um ótimo exemplo.

É verdade, é um ótimo exemplo.

Sabes que agora até maquiagem, há pessoas que compram nestas plataformas.

Tipo vintage, a sério?

Vintage, porque há muita coisa que ainda vem fechadinha e acabam por comprar. Eu isso já não sei se me arriscava.

Mas pode ser, de facto, um bom investimento. Quando nós pensamos em perfumes, por exemplo, que ainda por cima são cada vez mais caros.

Há um tipo de artigos que será possível, mas a maquiagem é um mundo.

É um mundo. Margarida, por falar em maquiagem, nós temos a LOLA aí na porta. E se nós quisermos fazer uma coisa tão elaborada em nós próprios como a Heidi Klum costuma fazer, temos que começar já.

Temos de começar já, senão não vamos a tempo, aquilo é caracterização de cinema, portanto, temos muito que trabalhar. Por isso, até para a semana e vamos começar a trabalhar nisso.

Vamos nisso. Até para a semana.