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Adiós Mundial 2026, adiós Roberto Martínez. Portugal perdeu ontem com a Espanha, fica pelos oitavos de final deste Campeonato do Mundo. Mikel Merino, aos 91 minutos, deu a estocada final na seleção das Quinas. Martínez anunciou logo depois que este foi o último jogo como selecionador. Cristiano Ronaldo saiu em lágrimas, mas terá também para ele sido um adiós a Portugal. Augusto Inácio, Gabriel Alves e Luís Pinto Coelho comigo na edição desta tarde, e o Campeão é. Eu sou o Nelson Ferreira. Muito boa tarde, campeões. Augusto Inácio, Portugal esteve sempre mais perto de perder do que de ganhar no jogo de ontem?
Boa pergunta, boa tarde a todos. Eu diria que Portugal esteve sempre mais perto de sair da competição, devido não só ao jogo de ontem, mas por todo o percurso que teve durante este mundial. Portugal nunca deu a ideia de que realmente tinha capacidade para ganhar este mundial, embora tivesse e tem grandes jogadores, mas o jogo ganha-se dentro do terreno coletivamente e não só com esse ou com aquele jogador, que são grandes jogadores. E nesse aspecto, Portugal falhou e de que maneira. Aquilo que mais agradou, pelo menos a mí, de ver Portugal, foi aquela primeira parte do jogo com a Croácia. O jogo dos de Baquistão foi o que foi, mas tudo o resto foi tudo muito pobre, foi tudo muito cinzento, foi tudo muito pouco carente naquilo que era as ambições, que a falar é uma coisa e fazer é outra. E nesse sentido, ontem, eu vi que na primeira parte em que o Diogo Costa foi o melhor jogador em campo, isso quer dizer tudo. A Espanha foi mais perigosa do que Portugal, embora Portugal tivesse feito um remate à trave de um remate do Nuno Mendes, que foi outro dos destaques deste mundial da seleção, juntamente com o Diogo Costa, foram para mim os dois melhores jogadores da nossa seleção, embora Renato Veiga também tivesse feito um bom mundial, mas diria que esse foi o remate mais perigoso que Portugal teve. E depois na segunda parte, o jogo foi muito mais calculista, poucos riscos de parte a parte, até que há uma desatenção da defesa portuguesa e a Espanha acaba por fazer um a zero. Mas no conjunto de tudo isto, eu acho que a Espanha mereceu ganhar. Mereceu ganhar o jogo, merece estar nos quartos-final. Portugal sai, mas sai de uma forma inglória, no sentido, até pode perder com a Espanha em grande forma. Portugal em grande forma pode perder. O que não pode dar é a ideia do trajeto que teve até aqui, de um futebol pobre, pouco imaginativo, pouco arrogante e acima de tudo, pouco confiante.
Gabriel Alves, e o que dizer desta Espanha? Ganhou um pouco à italiana, um golo tardio. Ontem também falou-se de azar. Portugal tem essa bola no ferro que mudava tudo, mas Espanha é assim tão melhor que esta seleção portuguesa?
Boa tarde. Naquilo que é um jogo de talentos, grandes talentos que estiveram em Doha, a verdade é que a situação é simplesmente esta: foi um jogo pobre para os talentos.
De parte a parte? Ou não?
Sim, pobre. O jogo, na globalidade, é um jogo pobre. Estamos a falar daquilo que é a concessão dos 90 minutos da partida. Dados os talentos todos que estiveram em campo, naturalmente, grandes jogadores de um lado e do outro. Mas dentro dessa pobreza, a Espanha foi a menos má. E obviamente tirou partido de algumas situações, aliás, ditas e previstas, o caso das movimentações do Dani Olmo, as substituições que foram sempre previstas da entrada do Ferran e os movimentos que ele iria fazer, inclusivamente a entrada de Merino também, que é um jogador que começou a seis, passou a oito e hoje no Arsenal até joga a nove quando é necessário. E ontem mostrou ser nove, portanto, esteve lá para fazer o gol. Portanto, aquilo que é num jogo pobre, eu acho que o De la Fuente acabou por tirar partido das unidades que tinha no banco para construir a passagem. Portugal foi realmente uma equipe pobre, mas não foi só ontem. O problema é este, o Diogo Costa vem sendo, não foi só ontem que ele, na primeira parte, esteve em quatro situações que segurou o zero na baliza, como inclusivamente em jogos anteriores. Não nos podemos esquecer do jogo com a Croácia, onde ele foi também uma nota altamente positiva. Portanto, há que ter em atenção esta seleção. Grandes jogadores, mas não conseguiu fazer uma equipa. E é preciso pensarmos nisso com alguma serenidade. Eu sei, a utopia, os grandes jogadores que são campeões europeus, jogam aqui, ali, acolá. É preciso saber que esses jogadores, que são grandes jogadores, estão inseridos em projetos e processos diversos daquilo que é a seleção. Portanto, eles quando vêm para a seleção, têm que ser ajustados a um processo e a um projeto. E isso não aconteceu, não foi concretizado. Portanto, temos que pensar sempre, refletir, sim, com a utopia, com a emoção, mas temos que pôr sempre o racional também ali um bocadinho em cima da mesa para o utilizarmos.
Luís Pinto Coelho, o que no teu entender falhou na estratégia de Martínez, não diria só neste Portugal-Espanha, mas se calhar neste mundial, e já agora, Nuno Mendes e Diogo Costa são os melhores desta seleção neste mundial?
Olá, boa tarde. Começando por aí, parece-me que sim, Nuno Mendes, Diogo Costa, também gostei bastante do Renato Veiga, fez um mundial muito consistente, mas diria, sim, esses três, talvez os maiores destaques de Portugal. Eu acho que logo à partida, nós começamos a perder, porque o projeto da Federação Portuguesa de Futebol é um projeto principalmente financeiro. E enquanto continuarmos agarrados a estas questões financeiras e não à questão desportiva em si, obviamente que vamos pagar um preço caro e a este nível paga-se sempre um preço caro
Nós tivemos uma boa primeira parte com a Croácia, caímos na segunda. Ontem também tivemos uma primeira parte relativamente interessante, caímos na segunda. E isto tem uma explicação tática. Tem uma explicação tática, porque Portugal tem um jogador de 41 anos que não acrescenta minimamente sem bola, com bola também acrescenta muito pouco e os outros jogadores são obrigados a correr muito mais e a fazer compensações constantes para compensar isso. Isto é a mesma coisa que chegar à Inglaterra e tirar o Kane e meter lá o Cristiano Ronaldo. A equipa teria que correr muito mais para compensar, tirar o Haaland, tirar o Messi. O problema é esse. E continuamos numa questão de gratidão, de querer reconhecer essa gratidão e tudo bem, continuaremos por aí. Vamos mudar de selecionador, mas se o cenário for o mesmo, eu acho que o resultado vai ser igual outra vez. Podemos perder contra a Espanha, é um resultado normal perder por 1 x 0 com a Espanha, uma seleção teoricamente até mais forte do que nós. Já foi campeã do mundo, quatro vezes campeã da Europa, tem mais currículo. Agora, podemos perder, eu acho que a deixar tudo em campo e a poder ferir o adversário de forma diferente. Continuar com um jogador de 41 anos a fazer 90 minutos e a deixar Gonçalo Ramos no banco, custa-me a acreditar que Roberto Martínez ache que isto é a melhor solução. Às vezes, parece-me que é obrigado a fazer isto. É a questão que eu deixo.
Agostinho Inácio, queria também a tua opinião sobre o futuro desta seleção e do cargo do selecionador. Roberto Martínez anuncia a saída. Há naquela conferência de imprensa também algumas indicações do que poderá ser a relação com o próprio Pedro Proença, que agora poderá escolher pela primeira vez um treinador seu. Roberto Martínez faz alusão também a esse facto, o nome mais falado é Jorge Jesus. Como é que será o futuro desta seleção e com ou sem Ronaldo?
Olha, deixa-me dizer, e já que terminaste a pergunta com ou sem Ronaldo, mas afinal foi só o Cristiano Ronaldo? E o Bruno Fernandes, o que fez durante o Mundial? E o Vitinha, o que fez durante o Mundial? E o João Neves, o que fez durante o Mundial? E o Bernardo Silva, o que fez durante o Mundial? É preciso ter atenção que a seleção não é só um jogador, são muitos jogadores e muitos jogadores tiveram abaixo do seu nível, daquilo que podem e sabem. Em relação ao futuro da Seleção Nacional, aliás, eu ontem disse no Observador que o Roberto Martínez, quer ganhasse o Mundial, quer não ganhasse o Mundial, iria sair e que o Jorge Jesus iria ser o novo selecionador. Antes da Liga das Nações, provavelmente, a pessoa que estava mais bem colocada para substituir o Roberto Martínez era o José Mourinho. Mas entretanto, ganhou-se a Liga dos Campeões e Pedro Proença manteve o selecionador, porque o selecionador ganhou a Liga das Nações. Agora as coisas já estão de uma tal forma que me parece a mim que as relações não eram assim tão boas quanto isso, em relação àquilo que era a posição de um e de outro, neste caso, presidente e selecionador. Roberto Martínez acabou por dizer que foi o último jogo, saiu, era o esperado e agora toda a gente espera que seja o Jorge Jesus o novo selecionador, porque parece-me que é um treinador capaz para isso.
É boa opção, Gabriel Alves, Jorge Jesus selecionador?
Eu acho que sim, acho que é uma boa opção, um conhecedor daquilo que é várias coisas, daquilo que acima de tudo é o futebol português.
E o jogador português.
E do jogador português, e acima de tudo o que é o país em relação à Seleção Nacional. Como é que o país vive a Seleção Nacional. Portanto, com a experiência que tem ao nível de clubes nacionais, dois grandes clubes que ele treinou, o Sporting de Lisboa e o Sporting Clube de Portugal. Também treinou clubes menores, é verdade, de outra dimensão. Conhece, portanto, bem o espectro futebolístico português, também com experiência internacional, quer no Brasil, quer na Turquia, quer no Médio Oriente. Portanto, é um treinador que além de treinador, é pessoa, é para aí que a gente tem que começar a olhar. É uma pessoa com um currículo extremamente interessante, mas acima de tudo, para além daquilo que são os planos de ordem técnica e tática que obviamente tem, é saber em que país ele vai ser selecionador e em que quadro, em que enquadramento vai ser. E ele, obviamente, que conhece bem o país, certamente não deixará de pôr imensas, mas mesmo imensas condições para ser selecionador nesse país àquilo que é a estrutura do futebol português, na circunstância, a Federação Portuguesa de Futebol. Porque ele certamente, com a idade que tem, o saber que tem, a experiência que tem, o conhecimento que tem, não vai embarcar em nenhum barco que ele não seja de fato o verdadeiro capitão.
Luís Pinto de Coelho, é, no entanto, uma mudança de paradigma ou regresso a um treinador midiático, mas português, com uma relação até com os campeonatos portugueses bem maior do que os anteriores selecionadores. Poderá ser por aqui que vamos ver melhorias nesta seleção?
Eu acho o Jorge Jesus um bom treinador, acho até mais treinador globalmente do que Roberto Martínez, mas eu não acho Roberto Martínez um mau treinador, como não achava Paulo Bento um mau treinador ou o Carlos Queiroz um mau treinador. Acho que há outras coisas importantes na Federação também a rever. Parece-me muitas vezes uma feira de vaidades, logo à partida, a começar pela direção da Federação. E eu acho que não é só a questão do selecionador que tem que ser repensada. Olhando exclusivamente para Jorge Jesus, acho que é um treinador competente, de qualidade, até superior em algumas nuances a Roberto Martínez. Também é um agitador de águas. Se eu acho que as coisas não mudarem um bocadinho na Federação, acho que o Jorge Jesus também vai partir alguma louça. Esperemos que seja positiva a mudança, mas eu acho que devemos refletir mais profundamente os problemas da Federação Do que propriamente olhar só para a espuma dos dias e falar só dos selecionadores. Eu vou dar um exemplo só do Roberto Martínez.
Rapidamente.
Nenhum treinador que não tenha qualidade faz uma carreira de sete, oito anos na Premier League e se mantém na Premier League. Nenhum treinador faz um quinto lugar com o Everton na Premier League, não ganha uma Taça de Inglaterra com o Wigan. Isto não existe. E podia dar o exemplo do Paulo Bento ou do Carlos Queiroz. Se olharmos só para isso, vamos esquecer os outros problemas, e os problemas vão continuar a existir dentro da federação.
Luís Pinto Coelho, fico já contigo para o teu campeão de hoje, por favor.
Vou dar aqui ao Diogo Costa, obviamente, que ontem foi, na minha opinião, mais uma vez, o melhor em campo. E também um 20 para o Diogo Costa, que faz um mundial incrível, e um 20 também para a seleção da Bélgica, que eu acho que ontem nos deixou todos felizes, porque acho que estávamos todos a torcer para que os Estados Unidos fossem eliminadas pelas questões políticas que a gente conhece.
E fizeram uma dança a Donald Trump, não foi? No final, uma espécie de dançar na cara do inimigo. Gabriel Alves, vamos ao teu campeão de hoje, rapidamente, por favor.
Deixar aqui uma nota alta para o Diogo Costa, o melhor jogador da seleção. De um guarda-redes ao melhor jogador da seleção, fica o espelho daquilo que foi a seleção, mas Diogo Costa não deixar os seus grandes créditos por Monsalheias. 20 para o Diogo Costa e deixo também um 18 para o Nuno Mendes. Se calhar não tem mais, porque no conjunto, no coletivo, precisava de mais coletivo, mas aquilo que ele fez foi de facto extremamente agradável. E vou deixar para aquilo que tem sido, e bem, o Balogun, naturalmente. A Bélgica ontem pôs a nu toda uma série de situações e pôs os Estados Unidos naturalmente naquilo que é o seu lugar. Mas eu queria deixar aqui um 20 para a imprensa italiana e vou explicar porquê. Vou começar pela Gazzetta dello Sport, que tem um artigo: "Abraço fatal que liquida o futebol. Está em curso um processo de submissão que mina os fundamentos do futebol." E também para o Corriere dello Sport, tem uma entrevista com o Tardelli, campeão do mundo e capitão da equipe em 1982. E eu estou a citar Tardelli: "Foi contundente. Só Maradona se levantou contra a FIFA e nós fomos todos cobardes. E até hoje não acreditamos no Diego e agora estamos a pagar pelos nossos erros. Ultrapassamos os limites. Se você fez o que quer." E segundo Tardelli, o grave é que os jogadores não se manifestam. E sobre Maradona e a sua atitude, e para terminar, e autocriticas: "Fomos cobardes, pois não estivemos ao seu lado. Eu sou parte disso", estou a citar Tardelli, "não acreditei nele, não fizemos nada e agora pagamos pelo que não fizemos." 20 para Tardelli.
Avançamos com Augusto Inácio. Pedia-te brevidade nessa nota de campeão de hoje, Augusto.
Também nota 20 para o Diogo Costa, foi o melhor. Também daria nota 20 para o Nuno Mendes, embora o Diogo Costa se destacasse mais porque jogou mais tempo. E queria dar nota zero para a FIFA e para o Infantino, precisamente porque introduziram a batota no futebol, e no futebol não deve haver batota. Por isso, nota zero.
Augusto Inácio, Gabriel Alves, Luís Pinto Coelho. Está feita a edição de hoje de "E O Campeão É...".