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Chegou, entrou e convenceu. Palhinha estreou-se ontem no Estádio da Luz, na vitória do Benfica frente ao Estoril, por 2-1. No Minho, o derby sorriu à Braga, 1-0 frente ao Vitória, no fecho da quarta jornada da Liga. E adios, Messi. O astro argentino anunciou o fim da carreira na seleção albiceleste. Para comentar os temas da atualidade, tenho hoje comigo Augusto Inácio, Gabriel Alves, Bruno Roseiro e Pedro Henriques. Eu sou o Nelson Ferreira. Muito bem-vindos. Boa tarde, campeões. Bruno Roseiro, começaria por ti. O azar de Enzo Barrenechea, com problemas físicos aos 30, 31 minutos, motivou a entrada em campo de Palhinha para a sua estreia no Estádio da Luz. Foi a tempo de ser o melhor desta partida?

Parece-me que foi o melhor, não considero que seja o MVP. Mais uma vez, é o tipo de jogo onde, além do golo, Pavlídis consegue dar à equipa muito mais do que os números possam mostrar.

Marcou um, o outro é de Lenglet.

O outro é de Lenglet, um grande jogo. A questão é que o Pavlídis, eu heitei sempre esta ideia, é o tipo de avançado que quando se vê no estádio, se consegue perceber uma dimensão que vendo os jogos na televisão, não se consegue muitas vezes perceber. E é, de facto, um dos principais trunfos do Benfica. A questão de João Palhinha, claramente é um menino querido já do Estádio da Luz. Tem uma recuperação de bola onde corre 30, 40 metros, consegue cortar a bola pela linha lateral. E depois celebra quase como os jogadores de futsal fazem muitas vezes. E isso acabou por ser um boost nessa empatia mais do que evidente que existe. Há também aqui um ponto, que parece-me que jogadores como Sudakov foram melhores depois da entrada de João Palhinha, que ocupa espaços que Enzo Barrenechea, apesar de estar a ter um bom início de época, não consegue ocupar. Agora, globalmente, aquilo que se percebeu foi um Benfica que não teve tanto gás como, por exemplo, tínhamos visto na Dinamarca. O facto de Prestianni e Rafa não terem dado nas vistas também contribuiu para isso, e que, sobretudo, tira uma grande lição, além dos três pontos, que não se coloca em causa, apesar desse golo no Estoril, nos últimos minutos, de um jogador que me parece que é demasiado grande, com todo o respeito, para andar no Estoril, que é o Begraoui.

Pode estar a caminho da Lazio, segundo algumas notícias nas últimas horas.

Faz muita confusão não estar já num patamar mais alto por tudo aquilo que ele fez na última época.

Foi ele que marcou o golo. E agora nas últimas horas há uma notícia de que poderá ser a maior venda de sempre do Estoril.

É muito provável. Tem é de ser agora, porque os mercados a sério acabam todos hoje e, portanto, tem de dar corda ao sapato. Mas globalmente uma vitória justa. E a grande lição que o Benfica tira é: é necessário começar a pensar em planos B, C e D para equipas que joguem com blocos um pouco mais baixos, como aconteceu com o Estoril. E isso nota-se em termos estatísticos, em dois pormenores que jogam muito entre eles, que é, por um lado, o Benfica teve um dos jogos onde tocou mais vezes a bola na área, mas, por outro, foi o jogo onde foi obrigado a arrematar mais vezes de fora da área. E isto mostra que, apesar desse Benfica que voa, como João Palhinha descrevia, é necessário esta equipa começar a encontrar alternativas para blocos que estejam mais baixos, que joguem mais fechados e que coloquem mais dificuldades às finalizações na área.

Augusto Inácio, a entrada de Palhinha é com a saída, por problemas físicos, de Barrenechea. Isto quer dizer que neste Benfica será ou Enzo, ou Palhinha, ou os dois? Foi uma das questões muito faladas aquando da vinda do português para o clube de Marco Silva.

Boa tarde a todos. Diria que é o Palhinha e o Barrenechea vai ter que esperar. Os dois jogarem não dá fluidez depois àquilo que são as ideias ofensivas do Marco Silva. Agora, claramente com os jogadores ontem que não apareceram, por mérito do Estoril, que soube, nas entrelinhas e nos jogos interiores do Benfica, colmatar muito bem, até porque tinha uma defesa muito bem organizada e cerrada. Não teve capacidade depois para poder ferir a baliza do Benfica, mas enquanto se defendeu, enquanto não sofreu gol, foi uma equipa sempre competente no nível defensivo e naturalmente houve unidades que não apareceram. Mas depois aparece o Palhinha. O Palhinha, para já, era uma novidade na equipa do Benfica. E segundo, o seu estilo de jogo e a sua forma de jogar é de uma entrega tal, que levanta a bancada do Benfica, como levanta a bancada de um outro clube qualquer onde ele jogasse, porque é assim o seu estilo. É um jogador fogoso, é um jogador de corte, é um jogador que parece que tem três ou quatro pernas, não tem só duas, porque ele corre quilómetros e espaços que se calhar outros não conseguem alcançar e ele vai lá alcançar. E é um jogador que vibra com o jogo. Enfim, tudo isso fez com que realmente a noite para o Palhinha fosse uma noite boa, uma noite mágica, diria eu, porque entrou num momento bom. E diria que o Benfica ganha bem. Mas concordo com o Bruno Roseiro, quando se olha para este jogo e vê-se o Begraoui a jogar no Estoril, eu diria, não é que o Estoril não mereça o maior respeito, mas o que é que andam os clubes grandes a ver, que não veem naquele jogador uma peça que pode ser importante para o ataque? Sinceramente. Por exemplo, vou dar só um exemplo, o Porto. O Porto estava à procura de um ponta-lança, foi para este mexicano de um empréstimo Sim, de um empréstimo do Milan. Se calhar, estava ali um ponta de lança que no futebol do Porto iria desenvolver o seu jogo e marcar muitos gols. Mas isso é só um exemplo que eu estou a dar. Mas diria que sim. Boa noite para o Palhinha, boa vitória para o Benfica e grande gol do Langlet.

Gabriel Alves, o Bruno Roseira fez referência também a esta espécie de comunhão que parece já existir entre adeptos e o Palhinha, e também a equipe do Benfica, que tem vindo a subir de rendimento. Este é também um fator a valorizar num balneário e se calhar há algum tempo que o Benfica não tinha uma figura com este estatuto e que granjeasse também da forma como entrou no clube, logo a simpatia dos adeptos, agora também valorizada ainda mais com esta primeira exibição no Estádio da Luz.

Por acaso, cada caso é um caso. A verdade é que os adeptos, isto é a generalidade dos diversos clubes, quando chega um jogador novo, há sempre uma expectativa enorme e há sempre uma entrega, um abraço muito especial, mãos fantásticas. Às vezes, depois as coisas não evoluem, portanto aquilo que é o maior passa a pequeno. Mas vamos ao caso do Palhinha, portanto, eu disse cada caso é um caso, cada clube também é seu clube, embora haja uma transversalidade nesta situação. Palhinha é, de facto, uma figura do futebol português altamente respeitada a nível nacional, por aquilo que tem feito ao longo de toda a sua carreira e por aquilo que projetou, inclusivamente, depois quando sai para o futebol internacional, onde foi ganhar cultura tática, cultura técnica, cultura sociodesportiva, e obviamente que vai expondo. Basta ouvir a entrevista dele no final do jogo ontem, para se perceber que está ali alguém que sabe que terrenos pisa, o que é que de fato pretende e acima de tudo, sempre muito mais importante, aquilo que não quer. Portanto, Palhinha, neste momento, tem um casamento com os seus adeptos, mas acima de tudo com aquilo que ele pode fornecer à formação, que é a capacidade, independentemente dos aspetos de fatores táticos, que são importantes e fundamentais, a sua qualidade técnica, a capacidade de liderança dentro das quatro linhas. Portanto, o homem que pauta e que fala com os companheiros e que naturalmente marca espaço. Quero deixar aqui em relação à exibição de ontem do Benfica, continua um déficit de jogo aéreo, o Benfica não tem jogo aéreo, e a outro, tendo beneficiado de sete pontapés de canto, acho eu exato. Verificou-se que nesses pontapés de canto, o Sporting Lisboa Benfica, em termos de bolas paradas, também está muito distante daquilo que se pretende numa grande equipa. Portanto, são fatores a ter em conta, principalmente quando se joga face a formações que perceberam o que é a estratégia, o que é o desenvolvimento do futebol do Benfica e lhe cortaram as asas nas triangulações à esquerda e à direita, aliás, muito bem equacionadas pelo próprio Marco Silva na conferência de imprensa.

Pedro Henriques, deste nota seis ao árbitro Hélder Carvalho. Está disponível já o podcast "Sem Falta" no site do Observador e também nas plataformas de podcast. Como é que olhas para esta exibição do Benfica, a imprensa muito focada nesta estreia de Palhinha, mas já aqui abordamos também algum daqueles que podem ser os handicaps deste Benfica de Marco Silva e que o Estoril aqui e ali conseguiu anular.

Olha, em primeiro lugar, dar os parabéns ao Benfica por ter colocado o cartão de sócio do Palhinha a dizer que era sócio desde 2005. Já tínhamos falado nisso há uns tempos atrás, a importância que tinha no ganhar da recepção na Luz, porque uma coisa era alguém que vem sempre de outro clube e a malta desconfia sempre, de repente, ele é sócio desde sempre do Benfica e, portanto, isso criou logo ali um handicap bastante positivo. Já tínhamos falado, acho que isso foi intencional, foi propositado e é de valorizar esse aspecto, vamos dizer, mental e psicológico. Depois, acho que é a primeira vez que o Benfica apanha um autocarro pela frente. Aquilo que nós chamamos de autocarro. Portanto, foi a primeira vez que apanhou uma equipa tão postada na sua frente. Os nove cantos a zero e os 25 remates contra quatro e os 66% de posse de bola dizem muito daquilo que foi muito bem organizado o Estoril a fazer o seu jogo, isto não é nenhuma crítica. E se juntarmos uma exibição menos conseguida por parte do Benfica, eu acho que quase que o Estoril podia ter tido aqui a sorte grande, porque depois faz o 2-1 e como diz muitas vezes o Augusto Inácio, de quando está nos 2-0, está tudo controlado, dominado, mas depois de repente faz o 2-1 e de repente as equipas pequenas acordam.

Aos 82, não é? Ainda havia tempo.

Exatamente. E isso pode acontecer. Aliás, o Sporting foi, no bom sentido, bom, neste caso, mau. Vítima dessa circunstância, depois de 70 minutos arrebentar a custa do Amadora e depois o Amadora até podia ter ganho o jogo. Em relação ao Palhinha, para terminar. Eu penso que estes 63 mil adeptos numa segunda-feira, que é de realmente trabalhar, acaba por exatamente-

Com muitos adeptos que vieram de fora da cidade, reparei nisso ontem, para ver este Benfica na real.

Certo. E realmente é uma assistência fantástica e é bom para o futebol português, obviamente. Pena que não haja mais situações destas. Só dizer que em relação ao Palhinha, aquele corte que o Palhinha faz, que já foi aqui enaltecido bem, ao estilo de futsal, etc, mostra muito a atitude da postura que o Palhinha quer em relação a esta reentrada no Benfica e esta envolvência com os adeptos, porque ele sabe que é fundamental ter também os adeptos com a tal força motriz. Agora, o Palhinha acrescenta coisas diferentes, já falámos aqui várias vezes. Temos todos a ideia que o Palhinha e o Walace podem vir a ser a dupla do meio-campo. Vamos ver esta lesão do Enzo, vamos ver que Benfica é que vai vender ainda Richard Rios ou Leandro Barreiro, quer que seja. Portanto, os mercados vão fechar, porque isso também vai ser relevante e importante, mas ficamos com a ideia que o Palhinha, subindo forma, é Palhinha para o Benfica, é Palhinha para a seleção.

O mercado, de facto, fecha. Aliás, fecham os mercados, diria eu, mais interessantes. Hoje, às 23h59, a Liga Portugal decidiu que o mercado português está aberto até sexta-feira, às 23h59. Alguns ainda até domingo, como é o caso da Arábia Saudita, começa também a apertar o tempo e as possibilidades de colocação de muitos dos jogadores. Era um tema para abordar hoje no Campeão, mas temos pouco tempo. Pedro Henriques, pedia-te daqui a pouco uma nota, mas também um comentário a esta carreira de Messi, este astro argentino que anunciou então o fim da carreira no que toca à seleção pela qual conquistou tudo.

Precisávamos todos de um programa de duas horas para destacar tudo aquilo que foi o Messi.

Um minuto a cada.

Não, é muito rápido. Vou já dar a nota, inclusivamente, até porque hoje, claro que parabéns ao Benfica pela vitória, o regresso do Palhinha ao futebol português acho que também merece uma nota bastante positiva e portanto vou dar esse 15. Agora, claramente, porque o tema Messi está em cima da mesa, eu não vou falar sobre propriamente e da carreira que todos nós conhecemos. É só dizer que como alguém disse que o Messi vai sair e já estamos todos com saudades dele. Claro que ainda vai jogar mais vezes, mas é a questão da seleção e esta paixão, ser o número 10 e, portanto, uma carreira de um futbolista extraordinário. Foi um privilégio para todos nós assistirmos estes últimos 20 anos de Messi e obviamente Cristiano Ronaldo. Eu acho que tanto um como outro cresceram em função da grandeza que um e outro tinham e têm. E portanto, parabéns ao Messi por aquilo que fez, por aquilo que se calhar ainda vai fazer, mas não ao nível da seleção. E temos de dar uma nota 20, porque realmente muito se vai escrever, muitos filmes vão ser feitos, mas foi um privilégio assistir a tanta magia dos pés deste 10 como o Messi. Vejam a entrevista que ele dá quando é pequenino e que diz que o maior sonho dele, em criança, era ser da seleção argentina.

E conseguiu fazê-lo e conseguiu ser campeão do mundo. Despede-se também depois de uma final no Mundial, perdida, mas numa competição que também já tinha vencido. Gabriel Alves, o que é que recordas desta carreira de muitos jogos, 207, 125 gols?

Messi é um marco daquilo que é, em termos de espaço e tempo, no âmbito daquilo que é o futebol. Portanto, desde o seu nascimento, Messi é de facto uma figura que vai ficar lenda das lendas. E nós todos tivemos o privilégio, depois o prazer, de poder observar esta evolução de Messi e acompanhar a sua carreira em termos futebolísticos, tudo aquilo que ele obviamente implementou dentro do futebol. O futebol é diferente depois de ele ter aparecido, esta que é uma grande verdade, como um jogador só mexe nos coletivos e isso é fundamental, diz eu. Pois bem, eu conheço Messi praticamente desde o primeiro jogo para a Argentina, foi uma Argentina-Angola em Nápoles. Era ele um menino franzino, lá estava. Ainda me lembro do aquecimento. Sim, muito apagado. E de facto, Messi é, na realidade, uma figura que eu prezo por tudo aquilo que ele me presenteou.

Muito bem. Tens nota para ele hoje?

Tenho, 20.

Vinte. Muito bem. Agostinho Nácio, também tens uma nota para Messi, esse miúdo franzino que ganhou tudo e é uma das imagens também do futebol mundial nos últimos anos.

Só se pode dar a nota 20, não é? Pois, é o máximo que tem que se dar a uma figura destas, em que como já foi dito aqui pelo Pedro, pelo Gabriel e provavelmente o Bruno também vai dizer a mesma coisa, tivemos o privilégio ou temos o privilégio de sermos vivos e vermos este grande monstro a dar magia e a criar magia nos palcos onde jogou. Claro, quando for a altura do Cristiano Ronaldo, vou dizer praticamente a quase o mesmo, mas realmente é uma figura que dá pena que essas figuras acabem, mas o tempo é igual para todos. Passa, fica a recordação, mas fica aqui um grande legado do Messi. Fantástico, nota 20, claro.

Bruno Roseira, já há algumas declarações que podem indicar que esta também será a sua última época de futebol profissional, na MLS. Será? 39 anos.

É possível, porque particularmente este ano, Messi percebeu que há mais vida além do futebol, sobretudo desde a perda do pai. Percebe-se que há algo que muda em Messi. Em relação a Messi, dizer só um, foi a primeira vez que se falou num sucessor de Diego sem ser um disparate, e só isso mostra o quão grande foi Messi. E dois, recomendo vivamente às pessoas que vejam o documentário da conquista do Mundial 2022 pela Argentina para perceberem.

Isto está em que plataforma?

Eu pergunto. Acho que é Netflix.

Vamos fazer um Google.

Acho que é Netflix. É que eu ando muito na Disney por causa do Rexon, mas eu acho que é Netflix.

Muito bem.

Porque me parece que é o exemplo paradigmático de como uma figura carismática consegue com que todos os seus companheiros morram em campo por si.

E por fora não é muito carismático.

Não, nada. Eu entrevistei-o em 2007 e posso dizer que foi das coisas, em Barcelona, na altura que ele estava no Barcelona, foi das coisas mais aborrecidas que eu tive nesse dia, porque nesse dia entrevistei Xavi Ol e David Villa também e foram muito mais interessantes, e o Viena também que estava no Valência. E o Messi foi 10 minutos a falar para baixo, levantou duas vezes a cabeça e ele é um bocadinho assim fora dos ralvados. Deixa-me só dar uma nota 20 muito rapidinha para Yvonne Silva, que provavelmente ninguém conhece, mas que ganhou o Campeonato Mundial Júnior de Parapente na Macedónia do Norte. Acho que convém também de vez em quando passarmos a extra futebol, a extra aquelas modalidades que nos dizem mais também, seja na estrada, seja nos pavilhões. Portugal consegue ter outros campeões do mundo até em modalidades menos conhecidas.

Uma boa nota para fechar a edição de hoje de "O Campeão Está". Regressa amanhã depois da uma.