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O Campeão é edição especial até às 20h. Olhamos para a primeira vitória de Portugal no Mundial frente à Uzbequistão por 5 x 0. Eu sou a Maria João Simões, comigo e com o Bruno Vieira Amaral estão o Pedro Henriques e o João Pinto. Bom dia, bem-vindos aos dois.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Debaixo de grande pressão e de críticas, a seleção voltou ao estádio de Houston, mas desta vez não teve dificuldades em somar os primeiros três pontos. A figura da partida foi Cristiano Ronaldo, marcou dois gols, ultrapassou Eusébio como o jogador português com mais gols em fases finais de um Campeonato do Mundo. Pedro, começo por ti. Depois de uma chuva de críticas, uma chuva de gols, o que é que mudou na equipa? As críticas abanaram a seleção e perceberam que tinham de ter outra atitude em campo?

Bom dia, uma vez mais. Começo por aí, porque o selecionador acabou por dizer que foi uma boa resposta às críticas da última semana. E eu acho que é mais um erro de comunicação do nosso selecionador, dos muitos que ele comete. Porque se jogam para dar respostas às críticas, eles estão equivocados. Eles devem jogar e ganhar.

Para evitar críticas.

Devem jogar para dar respostas às expectativas, à qualidade que os jogadores têm, ao dever e obrigação que têm de ganhar por Portugal e por vestirem a camisola de Portugal e, sobretudo, pela qualidade que os jogadores têm intrinsecamente e supostamente quando chegam a estas fases, têm que dar boas respostas. Não estou a dizer que têm que ser campeões do mundo, são coisas distintas. Estou a dizer é que não podem jogar em função das críticas e se porventura têm que dar respostas a algumas coisas, é dar respostas às namoradas, às irmãs e a tantas outras pessoas que criaram ruído e barulho desnecessário e que estão intimamente ligadas aos próprios jogadores. Essas é que deviam ser as respostas, no sentido de: "Desliguem lá as internets e não andem aqui a gerar mais granel e mais barulho." Posto isto. Exatamente, porque isso é que não faz sentido. E as críticas que foram feitas, é lógico que há exageros, é lógico que há muitas críticas que foram negativas e destrutivas e que vai inclusivamente à parte pessoal dos jogadores e de pessoas, mas a própria seleção tinha que ter feito uma gestão totalmente diferente. E digo só isto: a questão da praia, que se calhar fez todo sentido eles irem à praia, do que estarem fechados. A questão ao calor, temperatura, uma série de coisas, do que ficarem fechados a jogar PlayStation. Agora, a gestão que tem que ser feita por parte da própria seleção em relação às percepções, e hoje comunicar e gerir percepções são dois processos fundamentais, até na tua gestão pessoal, do teu posicionamento na sociedade, quanto mais de uma seleção, devia ter sido feita supremamente. Se querem fazer uma coisa bem feita, em vez de pôr um diretor de comunicação a dizer ao João Félix, quando chegou ao hotel: "Não pode ir falar lá com o Move Mind, porque é da comunicação social", que é o único papel que o diretor de comunicação tem, era o diretor de comunicação sentar-se ao lado com o seu médico ou fisiologista da seleção e dizer logo no primeiro dia: "Atenção, que se o médico ou fisiologista fala, quem é que vai contradizê-lo? Porque ele é que é o especialista. Nós precisamos ter aqui uma hora de adaptação à praia." Explicava os motivos e as razões, que são todas explicadas. E com isto evitavam, eram proativos. Mas de qualquer maneira, e termino com isto, saiu daqui duas coisas boas: o resultado, portanto, se ganharmos agora à Colômbia, somos primeiros, se empatarmos, somos segundos, se perdermos, pelas contas que eu tenho estado a fazer, o segundo ou terceiro lugar também estará sempre garantido, até porque neste momento temos equipas dentro dos oito primeiros com apenas um ponto e isso vai garantir praticamente o segundo ou terceiro lugar, mesmo que haja uma derrota, porque a Colômbia nesta madrugada ganhou 1 x 0 e ficou em primeiro lugar. E depois, aquilo que eu vou deixar para o fim, que é a minha nota ao Cristiano Ronaldo.

Já lá vamos, então. João Pinto, Roberto Martínez disse também que a equipa jogou com raiva perante o desfecho da primeira jornada. Foi o que sentiste em campo, raiva ou foi foco?

Eu acho que foi mais foco que raiva, mas ele é que estava lá. Eu acho que as coisas correram bem. Acho que se as críticas foram justas no jogo anterior, também há que elogiar desta vez. Acho que os miúdos estiveram melhor. Apanharam, mas também souberam se levantar e portanto acho que o adversário era fraquito.

Pois, nós não podemos esquecer disso também.

Sim, a verdade é que os nossos sabem mais e mostraram. Acho que o Rúben Dias estabilizou muito a defesa. Foi importante o regresso do Rúben Dias. O Nuno Mendes, a subir de forma física, vai ser fundamental. Foi ele que nos levou a ganhar a Liga das Nações. O Pedro Neto à direita rende mais, o Bernardo realmente está fora dela e é melhor ficar fora quando não se está em forma.

E o gol nos primeiros minutos, não é? O gol nos primeiros minutos e sempre o Ronaldo.

Aos seis minutos, agora estamos sempre à espera de um gol. Era o que faltava. Agora aos seis minutos.

Se passar dos seis, já começamos a correr asma.

Exatamente. Mas depois também ainda há coisas a melhorar. Aquele desligar a seguir à pausa de hidratação, a forma como a equipa salta na pressão, meio desconjuntada, a atitude dos avançados na transição defensiva. O Félix está a ver o adversário a um metro com a bola e vai a passo. Há muitas coisas que ainda têm que se melhorar.

Acho que quando ganhas 5 a 0, está tudo bonito, é São João, vamos aos brasas.

Exato. E aos martelinhos na cabeça.

E aos martelinhos, exatamente.

Bruno, Portugal venceu então por 5 a 0, mas outras seleções com ambição de conquistar o título também tiveram resultados assinaláveis na fase de grupos: Alemanha, França, Espanha, Argentina. Depois deste triunfo, onde é que Portugal se pode posicionar na lista de favoritos?

Eu acho que este triunfo não altera nada da posição de Portugal em relação às suas aspirações, às aspirações com que entrou para este mundial. Não é um triunfo por 5 a 0 contra o Uzbequistão que vai dizer: "Bem, agora Portugal é mais favorito". Da mesma forma que não foi o empate também com o Congo que vai dizer: "Bem, já não podemos fazer nada no mundial". Acho que é muito cedo. Nenhuma equipa entra no mundial e ganha todos os jogos por goleada até ser campeã do mundo. Portanto, há dificuldades e nesse aspecto, eu acho que Roberto Martínez teve razão, e os jogadores também sublinharam isso. Nestes mundiais, nestas competições, as equipas enfrentam sempre dificuldades e a questão é saber quando é que essas dificuldades aparecem e como é que a equipa responde a elas. Agora, não é por ganhar 5 a 0 com uma boa exibição contra o Uzbequistão que Portugal agora passa a ser sóbrio no seu estatuto de favorito. Eu acho que está atrás de algumas seleções, está à frente de muitas outras. Tenho gostado muito da Argentina, acho que é uma equipa bastante sólida. A França também, para mim, a principal favorita a vencer este mundial, mas depois há sempre equipas que podem surpreender. Marrocos acho que é das equipas que pratica melhor futebol, já mostrou no último mundial que pode ir longe. A Croácia, não jogando muito, não estando a jogar muito e tendo perdido contra a Inglaterra, é uma equipa que parece talhada para as grandes competições e para os mundiais e às vezes em pezinhos de lã vai melhorando e se chegar à fase a eliminar, consegue sempre causar alguns problemas. A Inglaterra, apesar do empate ontem, também me parece uma equipa bastante boa. Portanto, ainda é muito cedo para nós olharmos para estes resultados e tirarmos do cenário umas equipas e pôr outras. Eu acho que Portugal, apesar do excelente resultado de ontem e da boa exibição que fez, continua no segundo lote de candidatos possíveis a vencer o campeonato.

Bruno, para passarmos em primeiro do grupo, temos de vencer a Colômbia. Quão importante é passarmos em primeiro? Apanhamos equipas mais acessíveis?

Isso vai depender muito depois dos resultados dos outros grupos e de quem é que passa em terceiro, por exemplo, quem são os melhores terceiros.

Ainda está tudo em aberto para saber as escolhas.

Ainda está tudo em aberto. Eu acho que Portugal tem de partir para este jogo para ganhar e para conseguir o primeiro lugar. E acho que a Colômbia está em primeiro, mas é uma seleção ao alcance de Portugal, ao alcance da melhor versão da seleção portuguesa.

Vamos então às vossas notas. Quem é o vosso campeão de Portugal 5, Uzbequistão 0. Na semana passada, só por curiosidade, depois do empate com o Congo, o Pedro deu oito à seleção, o João Pinto também deu oito à seleção e tu, Bruno, deste dois a Roberto Martínez. Então e hoje, Pedro?

Sim, hoje a minha nota vai obviamente para a seleção de uma maneira geral pelo resultado e pela resposta. Não a resposta em termos das críticas, não a resposta em termos de jogar com raiva. Eu deduzo que seja só uma questão de linguística e não por sentimento.

A semana passada falavas que a seleção precisava de um banho de humildade.

Exatamente, e de perceber que o facto, mesmo sendo contra o Uzbequistão, porque somos claramente superiores, é mais fácil em teoria do que o próprio jogo que nos deu o empate na semana passada, mas de qualquer maneira, era preciso essa humildade para descer à Terra e para dizer que é preciso jogar, ter atitude, etc. E quando digo ter atitude, volto ao mesmo, não é ter em termos mentais, porque isso eles têm, é pôr no campo, que é a diferença. E nós temos visto jogos com muita intensidade, jogos de grande empenhamento e com as equipas a darem tudo e a acabarem atirados, porque deram tudo independentemente do resultado. Portanto, para a seleção nacional, um 18, pela maneira como, lá está, regressou, no fundo, à competição, mas na pessoa do Cristiano Ronaldo, por todos os motivos e mais alguns, já foi falado aqui, o único a marcar em seis mundiais, o Messi teve aquela questão de na África do Sul não ter marcado e, portanto, é um recorde que neste momento vai perdurar durante mais alguns tempos para o Cristiano Ronaldo. Por aquela questão do top marcadores em Portugal, obviamente que não gosto nada de fazer comparações com o Eusébio, são tempos diferentes, mas de qualquer maneira são os números e ele, naturalmente, ao fazer o seu décimo golo, passou o Eusébio que tem nove, depois está o Pauleta com quatro, o Gonçalo Ramos e o José Torres com três. A questão de ele próprio entrar naquele top dos que estão no ativo, o Messi com 18, o Mabí com 16, o Kane, se não estou em erro, com 10 e o Cristiano Ronaldo também com 10. Isto é, num top dos melhores marcadores em mundiais, que estão no ativo, obviamente, porque depois há equipa da Roménia, mais uns jogadores que têm gols. E também por ter sido o man of the match ontem, porque com esses dois gols, o Cristiano Ronaldo. E isto faz com que haja aqui uma recuperação, que eu acho que é muito importante, de um jogador que independentemente de jogar os 90 minutos ou não, isso é outra discussão, aos 41 anos, é sobretudo por ser o capitão, o grande líder, o homem que quando a malta entra no autocarro, a malta quando vê os jogadores, faz um bruá, quando passa o Cristiano Ronaldo, é a loucura total. Perceber que há pessoas que nem sequer falam português, que vestem a camisola, vão aos estádios por causa do Cristiano Ronaldo. E se percebermos a importância que ele tem e tirar o lado positivo disso, esta recuperação do Cristiano Ronaldo para a seleção pode ser determinante para aquilo que pode ser o resultado final desta competição e donde Portugal vai. E por isso, 18 para a seleção pelo resultado que obteve ontem, 20 para aquilo que representa o Cristiano Ronaldo e o seu regresso, vamos dizer assim, em bom, depois da exibição de ontem.

João Pinto, quem é o teu "E o campeão é"?

Primeiro, deixa-me dizer que não estava nada a contar com esta coisa de se lembrarem do que eu disse na semana passada. Se a coerência começa a ser critério, eu não vou ter nenhum.

Devias ter dito ao Pedro Henriques que tinha meditado durante a noite.

Exato. A minha nota de campeão: 16 para Carlos Queiroz. Dois meses de trabalho, quatro pontos. Já está na segunda fase, portanto, uma grande nota de campeão para ele. E depois nota 16 para Portugal pela goleada. Uma goleada no Mundial é sempre um momento marcante e, por isso, nada como isto.

Bruno.

Eu dei 2 a Roberto Martínez e agora vou dar um 12, apesar daquela conversa do psicológico.

Da raiva.

É tudo à base do psicológico, que não é. E as escolhas que ele fez para este jogo mostram isso. Por exemplo, a escolha de Bernardo Silva no primeiro jogo a jogar naquela posição foi uma escolha errada e o Roberto Martínez acabou por reconhecer ao não pôr Bernardo Silva como titular. E mostrou também coragem, que eu acho que deve ser uma coragem extensível a todos os jogadores da equipa. Quando não rendem, seja por uma questão posicional, seja por uma questão psicológica, podem e devem sair.

Estás a falar de quem para nós?

Estou a falar de todos, não deve haver exceções. Todos os jogadores acho que disseram isso. Estamos aqui todos no mesmo barco.

Devem ser tratados de igual forma.

De igual. Se um não rende e afeta o rendimento da equipa, sai. Bernardo Silva saiu, a equipa melhorou. Não foi só pela saída de Bernardo Silva, mas Roberto Martínez não teve problemas e mostrou coragem. Mas eu acho que nem tudo se reduz à questão psicológica. Também é importante, nem tudo se reduz a isso. A equipa mostrou outros movimentos, mostrou também outra atitude, e isso foi importante e foi determinante para o resultado. E Roberto Martínez também tem algum mérito, por isso um 12 para ele.

E o "Campeão Especial" fica por aqui. Obrigada ao João Pinto e ao Pedro Henriques por estarem conosco neste rescaldo da primeira vitória de Portugal no Mundial. Esperamos que a primeira de muitas.