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E o Campeão é na Rádio Observador a partir de agora. Hoje é 17 de junho, às 18h, hora de Lisboa, Portugal estreia-se no Mundial de 2026. Em Houston, a Seleção Nacional vai defrontar a República Democrática do Congo e com uma ausência já confirmada do defesa central Ruben Dias. Eu sou o Nelson Ferreira, comigo estão hoje os campeões Pedro Henriques, João Castro e João Pinto. Vamos fazer a análise desta partida frente à equipe africana, mas vamos também abordar daqui a pouco o adversário conhecido para o Benfica na Liga Europa, segunda pré-eliminatória, o St. Gallen, da Suíça, é o adversário do Benfica nesta competição europeia. Pedro Henriques, começo por ti, muito bem-vindo. Nas últimas horas também tivemos vitórias da Argentina, de França, também da Noruega, com os seus goleadores a faturarem e muito. Isto quer dizer que Cristiano Ronaldo estará com mais ganas que nunca para esta partida de mais logo.
Muito boa tarde a todos, que seja uma boa tarde e uma boa noite para todos nós. É sinal que Portugal vai fazer aquilo que ainda não foi feito e para fazer-se aquilo que ainda não foi feito, é entrar com o pé direito, sem facilitar. Até porque temos aqui duas caras de metade, se assim podemos dizer, das equipes europeias, do tipo Espanhas e Bélgicas, que entraram um pouco tímidas, mas depois também temos as Suécias, as Noruegas, as Franças, a própria Alemanha, que entraram com tudo. Portanto, Portugal, que para este jogo, no meu ponto de vista, tem que ser favorito, para o jogo específico, favorito e candidato e tem que ganhar. É relevante e importante que se comece a criar exatamente esse sentimento de vitória para que o tão desejado caneco, que não vai ser fácil, porque já vimos que a Argentina está muito bem. A França, eu acho que está acima de todas as outras seleções, continuo a ter essa opinião, mas é preciso começar hoje. Quanto aos resultados que vimos: a tal França com Mbappé a tornar-se o melhor marcador da seleção francesa de todos os tempos e a aparecer nos momentos, depois de uma primeira parte muito apagada. Uma Argentina com esta dupla questão, como eu já pus hoje no meu Instagram, por um lado, um hat-trick do Messi, e o Messi faz parte também do imaginário de todos nós e de uma realidade que é realmente ser um jogador extraterrestre extraordinário, juntamente com o Cristiano Ronaldo. Ainda bem que coexistiram os dois durante esta vintena de anos, que é um bocadinho mais, e com o tal hat-trick, mas também com um lance que, pra mim, a gente diz que é polêmico, também não é polêmico.
É expulsão?
É sim, é cartão vermelho direto. Claramente, à luz daquilo que é a nova interpretação das leis, por muitos comentadores que eu tenho visto, alguns deles até ex-árbitros, e estou a falar de internacionais, estrangeiros, a tentar pôr paninhos na fervura, não há como dar a volta. É cartão vermelho direto e o VAR tinha que intervir neste lance. De qualquer maneira, estão os motores a aquecer. Nós estamos, neste momento, obviamente a olhar para os outros, mas estamos, sobretudo, a olhar para aquilo que diz respeito a nós e daqui a bocadinho, se calhar, vais me perguntar o 11.
Queres avançar com ele?
Sim, posso avançar. Eu tenho nove certezas e duas posições que podem ser equacionadas. Em relação ao Diogo Costa na baliza, isso não deixa dúvidas. Eu também não tenho dúvidas nos centrais. Eu acho que quem vai acompanhar o Renato vai ser o Gonçalo Inácio e à esquerda o Nuno Mendes. A primeira questão, se calhar, muita gente está a apontar o Cancelo à direita, até porque faz uma ponta final extraordinária, é um jogador de bola aérea também, mas eu, curiosamente, vou apostar no Diogo Dalot. Depois, o João Neves, o Vitinha, o Bruno Fernandes, o Bernardo Silva e o Cristiano Ronaldo, acho que são titularíssimos. E depois a outra dúvida é quem que pode fazer o corredor esquerdo, porque sabemos que o João Félix casa muito bem com o Ronaldo, sabemos que o Pedro Neto apareceu muito bem nesses jogos, mas eu acho que dentro de uma certa postura, não é conservadorismo, mas de alguma aposta naquilo que é a normalidade do nosso selecionador, que acho que não joga assim muito fora com coisas muito estranhas, eu acho que ele vai mesmo apontar o Alonso e o Rafael Leão. Mas sendo que esta é a segunda posição, juntamente com a do Cancelo ou Dalot e do Rafael Leão, que não me admirava que pudesse aparecer um Pedro Neto ou até mesmo um João Félix, mas eu acho que vai ser o Rafael Leão.
João Castro, Ruben Dias é a grande certeza, está de fora por lesão. Como é que acha que se vai organizar a defesa portuguesa e Ruben Dias é a nossa melhor unidade naquela zona do terreno?
Sim, boa tarde a todos. É o central mais consagrado de Portugal e claramente o que tem mais qualidade, que está num nível mais acima dos demais. E, portanto, eu acho que vai jogar o Tomás Araújo. Eu acho que não é altura pra inventar nada. Acho que tem muita importância a maneira como vai selecionar a defesa face àquilo que nós demonstramos no último jogo, ou seja, se formos pressionar da forma que pressionarmos e deixarmos cá atrás três pra três, homem a homem, e perante uma equipe tão física, se calhar, o Renato Veiga seria a melhor escolha, se mantivermos essa linha de pensamento do que o Inácio, se formos defender dessa forma e fazendo a pressão conforme me referi. E é o setor mais complicado. Eu acho que ainda pra mais esta seleção defende muito bem e depois tem jogadores muito fortes fisicamente. E, portanto, eu acho que Portugal tem que ter muito cuidado. Acho que não vai ser um jogo fácil. Temos que tornar o jogo mais fácil, mas não vai ser nada fácil pela fisicalidade da equipe, pela organização deles, eles sofrem poucos gols. E, portanto, eu acho que vamos ter que ter o máximo de cuidado e a máxima entrega pra logo. Claro que muita gente olha pro nome e acha que vai ser favas contadas. Eu acho que não, acho que vai ser um jogo extremamente difícil. Vamos ver, obviamente, se o nosso setor, sobretudo do meio-campo, consegue produzir o suficiente para nós depois termos a qualidade que os homens da frente têm para depois decidir a partida. Mas eu acho que vai ser um jogo difícil, conforme muitas seleções também europeias já apanharam, ainda por mais com calor e as dificuldades de umidade e tudo. Portanto, eu acho que Portugal vai ter que entrar forte e concordo com o Pedro Henriques. Sendo o primeiro jogo, uma vitória garante não só essa capacidade moral para os futuros jogos, que é entrar com motivação, mas sobretudo põe-nos a salvo de alguma surpresa.
João Pinto, ia questionar-te precisamente sobre o nosso meio-campo. Achas que é a zona onde estamos mais bem servidos e quais seriam as tuas opções para titulares?
Eu acho que é a zona onde estamos mais bem servidos, mas à medida que vou vendo o mundial, cada vez acho mais que devíamos ter levado mais roupa. Se calhar Palhinha fazia falta aqui. Precisamos desse tal reforço muscular que Rúben Neves, João Neves, Vitinha não trazem. Portanto, a bola vai ter que estar no chão, vai ter que estar muito junto ao chão, é o nosso melhor setor. Toda a gente queria ter João Neves, Vitinha e Bruno Fernandes, especialmente na forma como Bruno Fernandes acabou o ano. Outra coisa a dizer é que se a bola não estiver no chão e se o adversário decidir fazer um curto-circuito ao meio-campo e meter a bola sempre por cima, nós não vamos ter dificuldades, justamente a apanhar o adversário na velocidade. E, portanto, sim, este meio-campo serve. Sim, este meio-campo é fabuloso, mas temos que nos impor e a maneira de nos impormos tem que ser com a bola no chão, a jogar à portuguesa, a jogar com a bola pé para pé, com a equipa muito unida, muito estreita, muito curta, à procura dos espaços. Eles defendem bem, como o João Castro disse, mas nós também temos a berlatas suficientes para poder dar a volta a isso e por isso acho que era importante que a equipa conseguisse ter a bola, jogar no meio-campo adversário, até para que o Ronaldo possa jogar dentro da área do Congo, onde pode fazer a maior diferença. Meter o Cristiano Ronaldo a correr desde o meio-campo não é propriamente o forte dele neste momento. Portanto, jogo de cabeça sim, mas tem que ser lá no meio da frigideira.
Pedro Henriques, abordamos aqui um bocadinho ao de leve as questões da arbitragem, muito por causa desse lance com o Lionel Messi ontem na Argentina, mas globalmente tens feito uma apreciação positiva do que têm sido as arbitragens neste mundial, mais logo será o qatari Abdulrahman Al Jassim que vai estar como homem do apito neste Portugal-Congo. Têm-te parecido bem também as alterações, algumas que têm surgido neste campeonato mundial no âmbito da arbitragem?
Sim, eu acho que a arbitragem está globalmente positiva. Há de haver sempre situações e casos que até posso não ter razão quando estou a fazer a análise, ou seja, a decisão até pode ser correta, embora eu possa estar a fazer a crítica, mas isso também é aquilo que faz parte do meu trabalho, que é fazer as análises em relação a isso. Tivemos este caso do Messi. Temos tido poucas coisas. E referente a essa tua pergunta das alterações às leis do jogo.
Mbappé também teve uma situação no jogo da França que poderia ter sido penálti.
Esse também, mas é um lance mais discutível, porque ali fica a ideia que entre a possível falta e o arrastamento do pé do Mbappé ir ao contacto do adversário, pode ser mais duvidoso. Aliás, por isso é que nós vemos e revemos. E quando tu tens um lance em que vês e revês e não consegues dizer de forma clara que não é penálti ou é penalti, é sinal que o grau de dificuldade e interpretação vão entrar sempre. Depois, em relação às alterações, o jogo está mais acelerado, no sentido que, ou dito de outra maneira, não se está a perder tempo naquilo que era muito normal perder.
A não ser na pausa de hidratação, não é? Mas que nalguns casos poderá ser necessária, até outros nem tanto.
Não, e não é só isso. E a pausa de hidratação depois é compensada. Os três minutos que normalmente a pausa tem, essa é compensada. Eu estou a dizer é sobretudo nos 15, 20 pontapés de baliza, que normalmente há por jogo, às vezes até mais, e nos 30, 40 lançamentos de lateral, há uma certeza que nós temos, e já houve aqui reversões. Depois no "Sem Falta Especial" sexta-feira vou até falar sobre isso. Já houve reversões, ou seja, da questão do lançamento em lateral passar de uma equipa para a outra, porque realmente já houve essa circunstância. E os pontapés de baliza, eles estão muito mais atentos, porque uma coisa é trocar lançamento, que era meu, passa para ti, outra coisa é eu, de repente, trocar o meu pontapé de baliza para tu ires marcar um canto, que é uma ação de finalização. E aí eu acho que os guarda-redes e os que estão a repor a bola estão muito mais atentos. E parece-me que realmente foram duas medidas muito boas. E depois tivemos ali um caso, havemos de falar a seu tempo sobre isso, que é a questão da troca de identidade, que gerou ali algumas dúvidas, mas a alteração foi bem interpretada sob o ponto de vista disciplinar. Tirar um cartão amarelo a um jogador numa ação para dar a outro que no fundo tinha feito uma simulação. O recomeço técnico é que o árbitro se baralhou. Ele começou com livre direto e devia ter começado com bola ao solo. Mas de resto, eu gosto destas alterações sobre a pausa para hidratação. Noutras ocasiões, para não estar aqui a monopolizar, podemos falar sobre isso, mas deixa-me dizer que sou completamente a favor e inclusivamente para a crítica que fazem que isto é dinheiro, é assuntos comerciais. Eu não posso dizer aqui na rádio em direto, mas há uma expressão que, se for num programa de humor dali do João Pinto, eu posso dizer, só vou dizer metade, que é quando se diz quem é o autor célebre que diz que o dinheiro não dá felicidade e o tamanho não importa. Eu aqui não posso dizer quem é o autor, mas no programa de humor do João Pinto eu diria quem é. Portanto, isso significa que as pessoas têm visão muito curta em relação àquilo que estamos a falar.
João Pinto, muito rapidamente. St. Gallen, da Suíça, ficou em segundo lugar no campeonato da época passada na Suíça, que foi vencido pelo Thun. Que equipa é esta e que obriga o Benfica, de facto, a entrar bastante cedo nesta época?
A obrigação de entrar cedo foi culpa nossa e apenas culpa nossa, mas é uma equipa acessível. A parte boa é que o Benfica vai jogar dois jogos em casa. Ir jogar à Suíça tem sempre essa parte boa. Ainda por cima o pessoal já está de malas feitas, portanto nem precisa de esperar muito para ver o Benfica. Pode ver o Benfica lá e depois ainda vir ver o Benfica à luz. E, portanto, obviamente, o Benfica teve um dos adversários que podia calhar em sorte, que eram todos acessíveis, olhando para aquilo que é o Benfica e aquilo que eram os adversários. Não é tão bom como outro qualquer.
E estava aqui a confirmar que o Željezničar Pankevo, da Sérvia, é o adversário do Braga na Conference League, num sorteio que está a decorrer precisamente a esta hora. João Pinto, muito rapidamente, o teu campeão de hoje.
Só pode ser um, não é? Só pode ser um. É Portugal. Vamos a eles, vamos com tudo e é para entrar com o pé direito. Nota 20.
Nota 20. João Castro, qual é a tua nota e para quem?
Olha, deixa-me dizer que o St. Gallen, da Suíça, foi o vencedor da Taça Helvética. Ganhou 3x0 na final ao Lausanne e por isso também a Liga Europa. Neste caso, o campeão aqui vai para Portugal, obviamente, para entrar em campo. Vai igualmente para aquelas grandes figuras que estão a aparecer. Mbappé, Haaland, Messi. Mas deixa-me dizer que o que eu gostei mais de ver foi o Olise, da França.
Muito bem. Pedro Henriques, começamos com o teu campeão e a tua nota.
Sim, vai para a seleção nacional. Não há como fugir. O Cristiano Ronaldo disse agora numa referência, penso que é a nível do Instagram ou das suas contas, que acreditem tanto em nós como nós acreditamos. Se não foi isso, foi uma coisa muito parecida. E eu acho que é um bocadinho este sentimento. Esperemos que não andemos entre o oito e 80, que é muito típico dos portugueses. Acreditar que temos qualidade e acreditar que podemos fazer coisas boas neste mundial. Claro que para todos nós estar na final e ganhar seria o ideal, mas há que também perceber que os adversários e que existem, e alguns deles, como o caso da Argentina e o caso da França, são muito fortes. De qualquer maneira, seleção nacional, aconteça o que acontecer, aproveitando a frase da Rádio Observador, nós vamos estar cá, em direto, a trabalhar. Vocês estão a perguntar aos observadores onde é que vocês vão estar a ver. Nós vamos estar em estúdio e vamos estar comprometidos também com o nosso auditório na perspetiva de levar a melhor informação possível através das vozes e que vá dar Portugal e que dê Portugal e que seja mesmo o momento e que comece hoje.
É o desejo de todos nós para a estreia de Portugal frente ao Congo. Mais logo a emissão especial da Rádio Observador conduzida pelo Vicente Figueira começa às 17h. Fica por aqui e o "Campeão é" de hoje com João Pinto, João Castro e Pedro Henriques.