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Depois do Sporting, é a vez do Benfica dizer adeus à Taça da Liga. Vamos ter uma final com derby minhoto, Vitória Sport Clube e Sporting Clube Braga, e não num duelo de espadas. Os dois eliminaram os grandes da Segunda Circular e, no sábado, a final minhota joga-se em Leiria. No Benfica, uma noite complicada, contestação, uma tarja no Estádio da Luz e muitas críticas dos adeptos à exibição da equipe encarnada na Taça da Liga. Vamos analisar tudo isto neste "E o Campeão É..." hoje com o João Pinto, Luís Pinto Coelho e também o Pedro Henriques. Sejam todos muito bem-vindos. Começo por ti, João Pinto. Uma derrota esclarecedora do Benfica por 3x1 frente ao Braga. Um jogo que já se esperava difícil, mas o Benfica entrou muito desligado e pagou a fatura por isso. Só se pode queixar de si próprio por este resultado?
Olá, boa tarde. Também se pode queixar de um grande Braga. O Braga realmente faz um jogo extraordinário, mas concordo com o José Mourinho quando ele diz que mais do que aquilo que o Braga mereceu ganhar, foi aquilo que o Benfica mereceu perder. É um jogo em que tudo corre mal, em que os jogadores entram mal, não se entendem, há equívocos, há desposicionamentos táticos, especialmente na primeira parte, que levam àquele descalabro. O Benfica vai ao intervalo perder 2x0 e depois nunca mais se levantou.
Mas Mourinho foi muito crítico em conferência de imprensa após o jogo. Referiu isso que tu disseste, que não conseguia dizer que o Braga merecia ganhar, tem de dizer que o Benfica mereceu perder e fez críticas muito fortes aos jogadores, citando palavras: "horrível, inaceitável". Justifica-se este tratamento aos jogadores tendo em conta a exibição que já foi por si só muito fraca?
De certeza que da bancada disseram coisas piores. Acho que o problema não é tanto esse, não é saber se os jogadores têm uma capacidade emocional de ouvir isto e aguentar. O problema é mesmo aquilo que eles fizeram em campo, quer o treinador, quer os jogadores. E foi realmente muito fraquito. O Benfica, se tem 20 minutos bons no jogo, é muito. E nada fazia esperar. Que o Benfica já tinha dificuldades a atacar, que tinha dificuldades em explorar as faixas, que tinha dificuldades em jogar em futebol aéreo, em cruzar e ter alguém dentro da área que marcasse gols, isso já se sabia. Que o Benfica defendesse mal, essa foi a grande novidade. O Benfica defendeu mal coletivamente. Não foram só os defesas que tiveram mal, até o coitado do Trubin escorregou no lance do Salazar. Ninguém se salvou nisto, o Mourinho também não. E realmente, quase que nos esquecemos de dar muito mérito ao treinador do Braga, à maneira como ele estudou e colocou as peças em campo e repetiu aquilo que aconteceu para o campeonato, em que o Braga também tinha sido superior na primeira parte, e em que o José Mourinho, antes pelo contrário, não aprendeu nada com essa primeira parte, não conseguiu passar nada aos jogadores sobre aquilo que tinham feito mal nessa primeira parte e eles repetiram a dose, desta vez com consequências piores. Pronto, já não há virgens, já toda a gente perdeu e portanto agora o Benfica tem que se focar naquilo em que ainda está e tentar com que este janeiro não signifique o fim do ano.
Exatamente, até porque ainda há a Taça de Portugal, joga frente ao Futebol Clube do Porto e ainda o campeonato, ainda que tenha 10 pontos de desvantagem. Luís Pinto Coelho, Salazar do Braga a provar que tem tarimba para outros voos, é um dos talismãs dos guerreiros do Minho. Mérito também pra equipe bracarense, que conseguiu desde o início desmontar este jogo do Benfica ou a falta dele também, neste caso.
Olá, boa tarde.
Boa tarde.
Sim, muito mérito do Braga. Concordo com o João, acho que este Braga é um Braga talhado para jogar com os grandes, dá muitos problemas às equipes grandes, assume o jogo, tem qualidade pra isso, tem jogadores pra isso, está muito bem treinado. Sou fã deste Braga, é daquelas equipes que eu pago bilhete pra ver jogar. E às vezes é bom vir treinadores estrangeiros que também acrescentam outras coisas ao nosso futebol. Obviamente que o Benfica faz uma exibição pobre, o que também concordo, acho que teve 15 minutos interessantes no início da segunda parte, mas foi muito débil. E o Benfica não pode ter os jogadores a falhar passes constantemente na primeira fase de construção e jogadores que custaram pra cima de 20 milhões, com erros básicos constantemente. E não é uma, nem duas vezes, repetem muito esses erros. O Richard Rio, o Sudakov, são erros muito infantis e o Braga aproveitou muito bem, tem jogadores de muita qualidade e é uma vitória inteiramente justa. Acho que o Benfica, eu sempre disse, parece-me um plantel mal construído e curto, mas isso não justifica uma exibição tão apagada, porque o 11 que entrou é um 11 forte, é um 11 com qualidade, tem que render muito mais, quer os jogadores, quer o próprio treinador, que também tem que treinar melhor, tirar melhor partido dos jogadores, tem que rentabilizar mais o que tem e não só desculpar-se um bocadinho e deitar as culpas para cima dos jogadores.
Pedro Henriques, boa tarde. Um jogo difícil em termos de arbitragem. Deste uma nota muito baixa a João Pinheiro. Aliás, podem ouvir essa análise, esses lances, os mais importantes, no "Sem Falta", podcast do nosso áudioárbitro Pedro Henriques. Mas Pedro, além da arbitragem, o que tens a dizer deste jogo? Um Benfica com praticamente poucos argumentos para um Braga que estudou bem a lição, ao contrário de José Mourinho.
Exato. Em primeiro lugar, dizer que dormiram todos no Seixal.
É verdade.
E a partir daqui-
E que não foi um castigo, já estava planeado, supostamente, disse Rui Costa e José Mourinho.
Só perguntando às esposas e às namoradas se consideram um castigo ou um alívio. Brincando aqui um bocadinho com a situação, mas falando mais a sério. Eu, ao contrário do José Mourinho, vou começar por destacar o Braga, porque eu acho que nós temos vindo a falar isso sistematicamente. A tendência é quando um grande, Benfica, Porto e Sporting, esquecem-se que o Braga também já está nesse patamar. Mas quando o Benfica, Porto e Sporting não ganham, ou perdem, ou empatam, ou quando não fazem o tal bom resultado, nós temos tendência para achar que há o demérito da equipa grande e não tanto o mérito da outra equipa.
Exato. Perguntar o que correu mal de um lado e não dar mérito à equipa que ganhou.
E neste caso, o que nós tivemos? Tivemos vários apontamentos do Braga no geral, a começar pelo seu treinador, na maneira como tirou as tais lições de aprendizagens do jogo que empatou com o Benfica recentemente. Mas há aqui coisas que temos que destacar, a começar pelo Zalazar, que acho claramente que foi o melhor em campo. O médio uruguaio foi realmente o destaque maior. Mas depois, por exemplo, o Horný Švec foi segurança completa e total. O Lagerbielke, que não tem sido titular, voltou à titularidade e num Braga, que muitas vezes é acusado de atacar do meio-campo pra frente, ter bons jogadores e atacar bem, mas depois defender mal e muitas críticas nos últimos anos aos centrais. Há aqui um central que merece claramente a aposta que teve. E depois, aquela questão de que, neste caso, é vinho do Porto, mas é vinho do Porto-Braga, que é o João Moutinho. Portanto, quanto mais velho parece que melhor, pelo menos para o nosso futebol, para este tipo de jogos, que realmente parece que passa despercebido, mas é um pêndulo completamente. E depois o Pão Vitor, que é goleador e é muito mais do que isso. Eu acho que realmente há um Braga em que nós, claro, ganharam e é normal que individualmente tenham se sobressaído uma série de jogadores. Do Benfica, eu acho que aquilo que é o jogador que se sobressai e que também não joga mal e não consegue jogar mal é o Pavlídis. Acho que é um jogador que está num momento de forma interessantíssimo.
E que pediu desculpa aos adeptos no final do jogo.
Sim, exatamente. E que pediu desculpa aos adeptos e sobressai claramente depois de um resto de uma série de jogadores que o próprio Richard Rios está sempre à espera de mais, o Otamendi que teve muitas falhas, a começar por aquele livre penálti, que depois é livre direto. Antes já tinha feito uma falta três minutos antes, por acaso foi fora da área, que o árbitro não marcou, e portanto um Otamendi que realmente teve uma noite desastrosa. Do meu ponto de vista, devia ter sido expulso por anular uma clara oportunidade de gol ao minuto nove, mas depois, independentemente do árbitro ter que ter um bocadinho ou mais de bom senso ao compreender a frustração, o próprio Otamendi, independentemente disso, do árbitro, se calhar, em situações como aquelas e com o jogo praticamente resolvido, se calhar outros árbitros poderiam eventualmente não ter mostrado o segundo cartão amarelo. Mas independentemente disso, é um jogador com a experiência como o Otamendi tem, campeão do mundo, etc., sabendo que aquele jogo podia estar perdido, mas os que se seguem são muito importantes e acaba por ser uma baixa pro Dragão sem necessidade nenhuma. Claro que a maior parte das pessoas apontam as baterias ao árbitro, que foi prepotente ou que foi exagerado, mas esquecem-se de apontar a bateria ao Otamendi, que perante a circunstância e com a experiência que tem, já não é propriamente uma criança, tem que saber que há mais jogo pra além daquilo, que inclusivamente estava, entre aspas, perdido 3x1 e no último minuto, claro, depois houve mais seis, devia ter tido outro tipo de atitude e comportamento, prejudicando claramente, acima de tudo, o Benfica, que o Otamendi tem a sua carreira feita, é um jogador de excelência, mas o Benfica vai precisar dele no próximo jogo, e o próximo jogo não é um jogo menor. Mas foi um jogo em que correu tudo bem ao Braga, se calhar não correu tudo bem ao Benfica, mas o Mister Mourinho tem que perceber que também há culpas e responsabilidades nele próprio, e alguma coisa ele tem que fazer, por isso é que ele é pago pra fazer alguma coisa diferente, porque senão avizinha-se um janeiro muito complicado, não só pro Benfica, mas pro Benfica, até porque foram dois jogos Liga dos Campeões de altíssimo risco, uma Taça de Portugal em que a probabilidade de continuar existe, mas é no Dragão, e portanto perder no Dragão não é nada de normal, seja pro Benfica, pro Sporting, como seria o Porto a ir à Luz ou Alvalade, e o Benfica corre o risco de, de repente, ficar aqui com muitos objetivos reduzidos e ser o segundo lugar do campeonato o principal objetivo, o que pra um clube como o Benfica é muito pouco.
E vamos ter essa final com derby minhoto entre Vitória Sport Club e Sporting Clube Braga este sábado às 20h em Leiria. Pra já, queria também olhar aqui pra questão do mercado e pra o novo reforço do Futebol Clube do Porto com o Luís Pinto Coelho, Óscar Pietrujeski. Oito milhões, mais dois por objetivos, assina até 2029, é um extremo de 17 anos que vem do Campeonato Polaco. No fundo, Luís, vemos aqui a continuidade do projeto do Porto, tendo em conta também a aposta em Frold, ou seja, captar aqui talento jovem noutros campeonatos e potenciá-los no Dragão. Imaginas que este reforço possa ser titular a curto prazo ou pra já vai rodar mais na equipe B?
Ainda é um menino, 17 anos.
Não digas isso que tens o Rodrigo Mora no plantel.
Sim, eu acho que ele vai crescer um bocadinho na sombra de Borja Sánchez, de Pepe, do próprio Willem Gomes, que também já teve o seu período de adaptação. Mas o Porto tem esta política, e muito bem, na minha opinião, de identificar os jovens talentos, contratar, mas depois serem enquadrados numa equipa com outros jogadores experientes
Agora contratou o Tiago Silva, por exemplo, para que o crescimento deles e a forma como se adaptam seja a mais rápida possível e enquadrada num grupo forte. Acho que é uma política correta, dentro de valores aceitáveis, oito ou 10 milhões, acho que é interessante. E era agarrar agora ou depois. Os gigantes europeus chegavam e agarravam, tinha que ser já. Por isso, mais uma prova que a estrutura do Porto está a trabalhar bem.
E é mais um placo no plantel, depois de Bednarek e também Kiwior no setor defensivo. Queria ainda olhar para a Premier League, com o João Pinto e também o Pedro Henriques. Tivemos ontem o empate do Man United, na pós-saída de Rúben Amorim. O Newcastle venceu o Leeds por 4 x 3, dois gols nos descontos, foi um jogo de loucos. O City continua sem vencer em 2026, terceiro empate consecutivo. E hoje há também esse grande jogo em perspectiva entre o líder Arsenal e o atual campeão Liverpool. O Arsenal que, em caso de vitória, pode abrir uma vantagem de oito pontos para o Manchester City. João Pinto, vai realmente acontecer? O Arsenal vai se posicionar cada vez mais na frente da Premier League?
Sim, acho que é inevitável. Se calhar, ganhar o Liverpool ficam com oito pontos e depois o mesmo calendário do Arsenal. O Arsenal só tem duas saídas difíceis até o final do campeonato. Tem é muitas competições, mas também tem um plantel fabuloso e, portanto, acho que sim, acho que este ano vai dar Arsenal. O meu destaque da noite de ontem: Marco Silva.
Também tinha aqui.
O Fulham é qualquer coisa de extraordinário.
E sem reforços. Eu lembro-me bem.
Fala-se em omelete, sem ovos. Ele depois vai tendo um reforçozito ou outro.
Mas lembro-me bem no início do ano, em setembro, do Marco Silva se queixar e até pensei na altura: o Marco Silva não vai durar muito tempo no Fulham, porque já está a ter uma posição muito forte quanto aos reforços e realmente não os teve. E está a um ponto da zona europeia da Liga Europa.
Sim, é uma prova brilhante de um treinador que já está no topo dos treinadores com mais jogos seguidos, daqueles que estão no mesmo clube há mais tempo. Nono lugar neste momento, já leva nove vitórias. É qualquer coisa de extraordinário para um clube como o Fulham, que como tu dizes, teve muito poucos reforços e onde o Marco tem que fazer sempre muito com pouco. E portanto, é o tipo de performance que eu gosto de sublinhar.
Eu disse um ponto e está a dois. Está a dois do quinto lugar.
Mas ninguém te leva a mal. Um, dois.
Um, dois é quase a mesma coisa.
É janeiro. Foi agora a passagem de ano.
Pedro Henriques, os teus destaques da Premier League e se puderes também já encaminhar-te para as notas, não sei se é uma delas.
Realmente a Premier League, o Marco Silva, que acaba por travar o Chelsea, 2 x 1. É o dérbi londrino, é bom não esquecer. É um jogo que tem esse picante adicional de ser um dérbi. E em contraponto aos treinadores portugueses na Liga Inglesa que estão menos bem, o Marco Silva é esse contraponto. E depois do jogo do Burnley com o Manchester United, relembrar que Bruno Fernandes, Dalot e o Florentino foram titulares, o que também é importante a nível dos jogadores. E depois um facto muito interessante é que se vocês forem ver bem, o Burnley rematou uma vez à baliza e marcou duas vezes. Não é normal que isto aconteça. É que rematou uma vez à baliza. Mas de qualquer maneira, é um Manchester United que se calhar com outra estabilidade emocional, teria ganho este jogo e não teria empatado, mas isso reflete muito aquilo que é o Manchester United atualmente. Nota de campeão. Obviamente, eu tenho uma costela minhota, o meu falecido pai nasceu em Vila Verde, Braga, e portanto a minha costela minhota, embora não seja muito adepto de clubes, até pela missão específica que fui tendo ao longo da minha carreira, o facto é que acabo por ficar feliz por de repente ver uma final completamente inédita, fora dos padrões e de um dos maiores dérbis que existe em Portugal. Quando pergunto aos jogos, obviamente, que arbitrei e que em Portugal são difíceis, naturalmente que um Sporting e Benfica é sempre um Sporting e Benfica, mas depois falo muitas vezes de Marítimo e Nacional ou Nacional e Marítimo e obviamente o Vitória Sport Clube Braga ou Braga Vitória Sport Clube, jogos realmente extraordinários e com uma dinâmica fora do comum por causa dessa grande rivalidade que as próprias cidades e os próprios adeptos acabam por ter. E acaba por ser, neste caso, para mal do Sporting e do Benfica, uma final inédita, e eu vou destacar, naturalmente, tanto o Vitória Sport Clube, que já o tínhamos feito, como o Sporting Clube de Braga, exatamente por estarem nesta final.
A nota, Pedro, por favor.
Que é inédita e que se espera um grande espetáculo. Nota 17 para o Braga e para o Vitória Sport Clube, pelo fato de estarem na final, que é completamente merecida para ambos.
Uma final inédita. João Pinto, temos pouco tempo, vamos às tuas notas.
Eu abrevio. Nota cinco para o Benfica. Corram mais, rapazes. Não interessa onde dormem, interessa onde estão acordados.
Luís Pinto Coelho.
Nota 20 para o João Moutinho. Que craque! Apesar da idade, joga muito, não falha praticamente um passe, gere os ritmos de jogo como ninguém. Acho que ele era titular no meio-campo do Benfica.
Ficamos por aqui nesta edição de quinta-feira do "E o Campeão É". Amanhã estamos de regresso, depois da 01h10.