Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Foram 56 jogos, 38 vitórias, oito empates, 10 derrotas, 135 gols marcados, 52 sofridos, um segundo lugar, uma medalha de prata na Taça de Portugal, uma Taça da Liga conquistada e uma caminhada europeia que terminou nos oitavos de final da nova Liga dos Campeões. Vários altos, muitos baixos, também grande contestação dos adeptos em alguns momentos. Ainda falta a novidade do Mundial de Clubes, mas agora na Rádio Observador fazemos o balanço da época desportiva do futebol do Benfica até agora, ainda mais numa altura tão ativa em termos de movimentações políticas no clube. Aproveitando essas mesmas movimentações, juntamos à mesa alguns apoiantes de várias vozes que mais se têm ouvido neste momento do Benfica. Aqui em estúdio, juntam-se a nós Mauro Xavier, comentador, sócio do Benfica, gestor, autor do livro "A Nossa Camisola". Também Henrique Nogueira Nunes, advogado, apoiante de João Diogo Mantegas, sócio do Benfica também e, à distância, temos Guilherme Fontes, também sócio do Benfica, apoiante da candidatura de João Noronha Lopes, é empresário. Temos também esta nota que devemos sublinhar: a Rádio Observador convidou todas as candidaturas até agora oficialmente anunciadas para estarem presentes neste balanço de época. Daí ter sido feito também o convite à lista de Cristóvão Carvalho, o advogado não tinha agenda disponível para estar presente hoje, mas dado o interesse em estar conosco, enviou também um áudio que vamos ouvir, uma breve intervenção para ouvir mais à frente neste programa. Também uma última breve nota antes de começarmos. Sabemos que foi nossa escolha juntar estas várias vozes apoiantes das várias listas. O objetivo é que este espaço não seja um espaço para debate das eleições do Benfica, mas sim aproveitar estas várias visões diferentes para analisar a época que está agora a chegar ao fim. Meus caros, Henrique Nogueira Nunes, Guilherme Fontes, Mauro Xavier, bem-vindos, obrigado por terem aceitado o nosso convite para estar aqui. Vou começar pela mesma pergunta para todos, começando por quem está aqui conosco presencialmente. Henrique Nogueira Nunes, bem-vindo, começo por si. Segundo lugar na liga, finalista vencido na Taça de Portugal, vencedor da Taça da Liga, oitavos de final na Liga dos Campeões. Não sabemos ainda o que é que o Benfica fará no Mundial de Clubes. Podemos, daquilo que já aconteceu, considerar esta época do Benfica um fracasso em termos desportivos?

Boa tarde a todos, obrigado pelo convite, é um gosto estar aqui.

Obrigado nós.

Sim, podemos considerar que até agora a época do Benfica é um fracasso para aquilo que são as legítimas expectativas dos sócios e adeptos do Benfica, que é de estar presente nas competições para ganhar. O Benfica até agora ganhou apenas uma Taça da Liga, falhou o campeonato, falhou a Taça de Portugal. É verdade que fizemos uma boa presença na Liga dos Campeões, chegámos até aos oitavos de final, mas objetivamente não se pode considerar uma época positiva. Foi uma época falhada, desde logo, porque não fomos campeões e já não somos campeões há algum tempo. Portanto, eu considero que a época é um fracasso.

Mauro Xavier, concorda com Henrique Nogueira Nunes? Podemos dizer que foi um fracasso esta época do Benfica?

Eu acho que nenhum benfiquista quando não ganha acha que é uma época positiva e, para mim, digo sempre que a prova rainha portuguesa é o campeonato e quando nós não somos campeões, nunca poderá ter uma época desportiva positiva. Mas para dizer duas ou três coisas sobre esse assunto. A primeira é relembrar que por 5 cm não fomos campeões com o remate de Pavlidis ao poste e por um minuto com uma péssima arbitragem, não estivemos perto do triplete. Portanto, nem quando se ganha está tudo mal, nem quando se perde está tudo bem e o contrário é válido. Essa era a minha primeira nota, mas acho que o Benfica, sobretudo, não ganha este ano e não ganha essa época por responsabilidade própria, ou seja, nós mudamos de treinador muito cedo, embora todos os clubes tenham mudado de treinador, nós mudamos de treinador muito cedo na época, quando estava muito óbvio que Roger Schmidt não iria terminar a época. Portanto, quando os erros são também nossos internos, eu acho que é momento para refletir sobre essa época e sobre o planeamento da época, porque eu acho que essa é a principal questão. Desde que Bruno Lage entra, é o treinador que faz mais pontos no campeonato. Podemos dizer que o Bruno Lage podia dizer que se sentiria campeão este ano em todos os jogos que participou. Temos aqui quatro jornadas anteriores que fazem essa mudança. Foi um campeonato nivelado por baixo, é um dos campeões com menos pontos de sempre nos últimos anos na liga portuguesa. Todos os três grandes mudaram de treinador e alguns deles duas vezes. Desse ponto de vista, o Benfica só tem que olhar para si, porque quando se muda o treinador, quer dizer que alguma coisa também não correu bem. Quando se faz o mercado de janeiro mais forte, também quer dizer que não se planeou a época tão bem como previsto. E esses, para mim, são os pontos essenciais, porque depois a bola quando bate no poste, nesta ciência do futebol, é muito difícil entre a bola bater e a bola não bater naquele poste. Portanto, claro que custa aos benfiquistas chegarem aqui onde estão, mas aquilo que eu gosto de sempre tentar resolver são os processos, são garantir as metodologias que nos levam a um resultado diferente, porque continuar com a mesma situação momento após momento, só para lhe dizer, acabamos de fechar mais uma janela de transferências e vamos pelo terceiro ano que se calhar vamos arrancar com o 11 inicial, com o nosso melhor médio, a defesa direito. Portanto, há aqui alguma coisa que o Benfica tem que ser mais e que tem que ser melhor do que tem sido planeado.

Guilherme Fontes, conosco à distância, bem-vindo também. Faço-lhe a mesma questão. Podemos considerar esta época do Benfica também um fracasso?

É, porque é um fracasso total. Acho que não há outra forma de olhar para isto. Conforme já o Henrique e o próprio Mauro fizeram referência, acho que um clube com a grandeza do Benfica, se o Benfica não jogar por ser campeão e ganhar todos os troféus internos, é um fracasso. Agora, eu achei curioso os motivos que o Mauro elencou, com toda a razão. Achei curioso ter começado pela conversa dos 5 cm e de um minuto Eu percebo o que ele quer dizer, mas acho que quando colocamos isso como uma tônica naquilo que foi a época, acho que é um erro. A verdade é que o Benfica tem um vírus alijado de algumas épocas para cá, e eu temo que quando falamos da bola no poste-

Quer explicitar esse vírus que só o Benfica?

Este vírus que é só do Benfica é cairmos no erro de tentarmos encontrar justificações para uma ausência de liderança noutros lugares. Como é lógico, a bola que bate ao poste é azar e que ressalta para fora e não para dentro, claro que é algo que pode acontecer, é do jogo. Agora, o que eu temo é quando nós falamos entre benfiquistas, quando benficamos, que haja essa tendência para tentarmos, de alguma forma, atribuir uma responsabilidade maior do que aquela que é devida a estas questões da sorte e do azar. A verdade é que nós, nos últimos quatro anos, que foi dito pelo presidente Rui Costa que era o mandato desportivo, o Benfica pouco ou nada ganha. Portanto, em 16 troféus internos, ganha três. Se recuarmos a fita ainda um pouco mais atrás, não quero puxar muito para trás, mas se olharmos para o reinado de Luís Filipe Vieira, continuamos na mesma vitola. Ou seja, o Benfica ganha pouco, e este vírus que se vai alijando é do Benfica ganhar pouco e dos sócios estarem um pouco letárgicos e aceitarem que participa, tenta, chega às fases de decisão e depois, por um motivo ou por outro, não ganha, porque um árbitro apitou de uma forma errada, porque a bola bateu no poste e ressaltou para fora. Concordo muito mais com aquilo que o Pedro Moura disse na segunda parte, que acho que é aquela que tem que ser evidenciada e acho que é aquela que todos os benfiquistas sentem neste momento, que é tempo de mudança. Não podemos continuar a viver uma realidade onde o Benfica ganha três troféus em 16 possíveis. É impossível, isso não é o Sport Lisboa e Benfica, não é aceitável para o Benfica.

Deixe-me perguntar aqui ao Mauro Xavier, não sei se rever nas palavras do Guilherme Fontes. Há essa letargia neste momento entre não só os adeptos, mas também a direção do Benfica, a organização do Benfica, de tentar encontrar explicações fora do que dentro?

Eu diria sempre um ponto prévio. Primeiro dizer ao Guilherme que discordo desse ponto de vista dele, e discordo não por ser apoiante de nenhuma candidatura, e deixá-lo claro, desse ponto de vista que vim analisar a época enquanto a época e não os projetos dos candidatos que se apresentaram até hoje. Portanto, quero fazer esse disclaimer que não falarei e que não estou aqui nem como apoiante da candidatura A, B ou C, para deixar aos ouvintes isso bastante claro. Mas a mim o que me preocupa é o que se passa dentro de campo e o que se passa fora de campo e o que se passa dentro do clube. Para dizer o quê? Que o Benfica há muitos anos, há mais de 40 anos, que há muito tempo que não ganhava a maioria dos campeonatos numa década. E eu relembro sempre, só para nós termos aqui uma ideia, na década de 50 o Sporting é dominador, o Benfica em 60, 70 e 80, e o Porto a seguir ganha a maioria dos campeonatos em 90, em 2000. Mas o Benfica, pela primeira vez ao fim de 20 anos de entrégno, na década de 2010, ganha a maioria dos campeonatos com seis em 10. Não é assim há tanto tempo. O problema é que nesta década, atualmente, o Benfica tem um em cinco, nesta década, e o Sporting tem o três. Parece que estamos a entrar numa década que o dominador é o Sporting, porque aquilo que tem acontecido sempre no historial do futebol português, e nós podemos querer brincar em ter o mesmo peso das Supertaças, que foi um troféu criado no Porto para tentar dizer que estava a recuperar o palmarés do Benfica, e entrar nesta ladainha dos 16 e dizer que jogos de um jogo só valem tanto como campeonatos de uma época inteira, porque parece que o Guilherme ficaria contente se nós tivéssemos ganho quatro Supertaças e que tivéssemos ganho outras quatro Taças da Liga e já aparecia 50% dos troféus. Eu não ficaria de maneira nenhuma contente com isso. Para dizer que não gosto desta brincadeira de estarmos a querer brincar com as estatísticas e a querer iludir que parece que foi um desastre do outro mundo. O desastre acontece quando se ganham um em quatro, mas já tivemos vários períodos da nossa história em que se ganharam zero em quatro. E eu gosto mais de ganhar quatro em quatro, que só se ganhou uma vez, ou três em quatro, que foram noutros períodos áureos da nossa história nos anos 60. Portanto, não é uma coisa tão comum assim acontecer esse ponto. Nem há coisas que não se resolvem nem com exigência, nem com liderança, mas com saber e capacidade. Às vezes, há aqui uma determinada demagogia que eu gosto sempre de alertar as pessoas para o que estamos a falar.

Vamos avançar para o Henrique, até para equilibrarmos um pouco o tempo. Já se falou aqui de puxar a fita atrás. Henrique Nunes Garranos, olhando para este mercado de verão do Benfica, não este que vai começar agora, mas o da época anterior, o Benfica faz vendas na ordem dos 140 milhões de euros. João Neves vendeu por 60, Marcos Leonardo 40, David Neres 28. Aqui alguns nomes à cabeça. Gasta 55 milhões, destaques Pavlídis 18 milhões, Akturkoglu 12 milhões, Bastos oito milhões. Há também alguns passes que foram adquiridos de jogadores que já cá estavam, como Carreras seis milhões e Rolaaser nove milhões e meio. Sem grandes valores envolvidos, também podemos falar aqui de Renato Sanches, Amdouni e Kabore que chegaram por empréstimo, Barreiro custo zero. Saem também custo zero Rafa Silva, empréstimo de João Mari e Tengstedt. Resumindo aqui valores por alto, 90 milhões de euros de lucro, saíram dois, três, quatro titulares, entraram outros tantos, venda de mais um prodígio da formação. O que lhe pergunto é se o mercado de verão foi logo o primeiro grande erro do Benfica na preparação desta época, ou um dos grandes erros.

Foi um dos. Isto tem que ser visto numa perspectiva conjunta. Eu vi pelas intervenções dos meus colegas de painel que já estamos a falar um bocadinho do que se passou nos mandatos e analisar os mandatos, mas eu vou me cingir à pergunta que me fez, que é a análise da época desportiva em curso. Na minha opinião, os mercados de verão do Benfica são sempre marcados pela mesma realidade, que é vendas, imensas vendas, imensas compras. No fundo, é uma lógica de trading

Que o Benfica neste preciso momento tem. Vendas, compras, e na minha opinião, ano após ano, com déficit evidente de qualidade. O Benfica vende o João Neves, que obviamente tinha tudo para ser o capitão do Benfica. Era uma referência naquele balneário, por tudo aquilo que fez. Lembro-me bem da intervenção dele no final do jogo em que o Benfica infelizmente perdeu 5 a 0 no Dragão na época passada, em que num contexto pessoal muito difícil, ele apareceu a dar a cara, são coisas que os benfiquistas não se esquecem. O João Neves, de facto, tinha tudo para ser uma referência do Benfica, foi vendido nas circunstâncias que todos conhecem. E de facto, o balanço entre as entradas e as saídas não é um balanço, na minha opinião, positivo, porque os jogadores que entraram não tinham a mesma qualidade dos jogadores que saíram. Já para não falar no absurdo que é a contratação de jogadores cronicamente lesionados. Esta época foi o Renato Sanches, um jogador por quem todos nós temos carinho, mas que objetivamente já não reúne condições físicas para ser jogador de alta competição. E nas épocas anteriores eram os crónicos lesionados do Paris Saint-Germain. O Benfica tem vindo a ser vítima destas opções, independentemente da bola ir ao poste ou não ir ao poste, porque isso são contingências do futebol. O futebol é um setor da economia muito difícil de fazer previsões, precisamente porque a bola pode bater no poste, o jogador pode estar um centímetro fora do jogo e perde-se um objetivo assim. Isso é verdade, mas também é verdade que nós temos de criar condições para não estarmos dependentes dessa bola ao poste ou desse um centímetro de fora do jogo. Isso significa acertarmos nas contratações, isto é, acabamos por um lado com a lógica de trading que se vive no Benfica e que não é de agora. Este constante rodopio de entradas e de saídas, que obviamente não faz um balneário forte. Os jogadores entram sem referências do que é o Benfica, muitos deles são estrangeiros, nem sequer falam português, nem percebem. Muitos entram já com a venda projetada para saírem no final da época desportiva. Essa dinâmica tem que ser interrompida. E, por outro lado, o Benfica precisa de uma política desportiva muito mais transparente. Eu não estou a dizer que o Benfica não tenha que fazer vendas de jogadores, todos os clubes em Portugal precisam de fazer vendas de jogadores, mas evidentemente o Benfica, e isso passa por uma discussão muito mais complexa, da qual não temos tempo agora, passa por uma reestruturação econômico-financeira que faça com que o Benfica não esteja tão dependente da venda dos jogadores, isto é, de receita extraordinária para equilibrar o seu balanço. E neste preciso momento, o que se passa é que o Benfica está de tal forma dependente da venda dos jogadores, portanto, de receitas extraordinárias da venda dos jogadores, que todos os anos tem que os vender. Há uma pressão brutal para vender e tem que vender e esta época será exatamente a mesma coisa. Embora tenhamos as receitas do Mundial de Clubes.

Espera isso novamente?

Espero isso, exatamente. Espero novamente que o Benfica faça pelo menos uma venda, se não for duas. É claro que ano após ano vamos ter mais dificuldades, porque a nossa formação vai sendo vendida. E vamos tendo menos qualidade para vender. Mas eu espero, não tenho dúvidas que o Benfica fará essa operação no mercado. Agora, o que se passa é que enquanto o Benfica não perceber que esta lógica de trading, esta lógica de constantes compras e vendas, não conduz rigorosamente a lado nenhum, só conduz ao fracasso desportivo, como nós temos vindo a verificar naquilo que é o mandato em curso do atual presidente e da sua direção, mas também nos anos anteriores. Enquanto nós não conseguirmos interromper essa dinâmica, nós não vamos passar daqui.

Henrique Nogueira Nunes, vou interrompê-lo porque vamos ficar sem tempo nesta primeira parte, mas obviamente vamos retomar na segunda, ainda com esta questão do mercado de transferências. Vou querer ouvir também, obviamente, o Mauro Xavier e o Guilherme Fontes quanto a esta política de contratação do Benfica. Na segunda parte, vamos também olhar para aquilo que aconteceu em termos de treinadores, porque tivemos um técnico até à quarta jornada e depois a chegada de Bruno Lage. Falamos da troca de Roger Schmidt e Bruno Lage. E vamos também olhar ainda para a formação e tentar dar um salto ao Mundial de Clubes, que vai começar muito brevemente para a equipa do Benfica. É para ouvir na segunda parte deste balanço de época neste "E o Campeão É" especial. Até já. Estamos numa edição especial de "E o Campeão É" aqui na Rádio Observador. Segunda parte, estamos a analisar e a fazer o balanço desta época desportiva do Benfica no futebol. Comigo está o Henrique Nogueira Nunes, também Mauro Xavier, Guilherme Fontes. E há pouco estávamos a olhar para a política desportiva do Benfica em termos de contratações no mercado de verão, que antecedeu esta época que agora está a terminar. Volto a essa questão e começo agora pelo Guilherme Fontes. Ainda falta ouvir também o Mauro Xavier quanto a este tema. Guilherme Fontes, eu recordo-me que na época 17/18, em que o Benfica falha o pentacampeonato, uma das grandes críticas que foi feita na altura foi que o Benfica não tinha sido novamente campeão, porque a direção deu prioridade às vendas. Saíram Ederson, Nelson Semedo, Mitroglou, Lindelof, outros jogadores que foram importantes. Esta época temos, por exemplo, o caso do Sporting, que manteve os principais eixos da equipa, principalmente Viktor Gyökeres, e conseguiu ser bicampeão. A minha pergunta é: por que o Benfica parece que não consegue reter estes talentos e estes eixos importantes em cada época para ganhar tração na época seguinte?

André, a resposta curta é porque não quer. E agora vou explicar o porquê de não querer. Mas antes de mais, falou-me aqui de 17/18, que é um ano penoso para qualquer benfiquista, o ano em que o Benfica falha o penta. E por acaso fez-me aqui lembrar, pegando aqui nas palavras que o Mauro usou há pouco, da ladainha das estatísticas e da demagogia, fez-me lembrar um bocadinho a conversa do Luís Filipe Vieira. Uma conversa quase a papel químico de 17/18. Ninguém disse que ganhar uma Supertaça, para efeitos estatísticos, é tão ou mais importante do que um campeonato. Não é esse o tema. O tema é o Benfica tem que ganhar os campeonatos todos, ponto. Todos quantos forem possíveis, tem de ganhar a Taça de Portugal e tem de ganhar a Supertaça. Agora, o campeonato é, sem dúvida, o troféu mais importante no futebol do Benfica. Portanto, essa conversa da ladainha da estatística, da demagogia, fez-me muito lembrar Vieira que nesse ano dizia a mesma coisa, que não se pode ganhar sempre, que não foi por falta de investimentos, e a verdade é que não foi verdade. A verdade é que foi mentira. Se nós olharmos para esses nomes que referiu, todos esses jogadores saíram, jogadores que eram jogadores de ponta, tendidos por meia Europa, e o Benfica substituiu-os com jogadores de qualidade duvidosa, jogadores que não estão à altura dos programas do Benfica, jogadores que chegaram demasiado cedo ao plantel principal do Benfica e que depois são engolidos e que acabam por passar ao lado de uma carreira. Isso depois também prende-se muito com esta necessidade e este vírus que eu falei há pouco, que fica só no Benfica, que já vem de trás. O vírus não é de agora, isso são tudo práticas reiteradas no tempo em que infelizmente o Benfica virou, como dizia o Henrique, mas de uma outra forma, mas a verdade é que o Benfica virou um entreposto de jogadores. Portanto, entram 10, saem oito, no ano seguinte entram 20, saem 12, uns com o Benfica a assumir ainda a sustentabilidade dos salários em empréstimos completamente ruinosos, outros a custo zero que depois vão brilhar para outras equipes. O Benfica mantém 50% do passe, mas perde-se tudo isto que o Henrique falou e que todos os benfiquistas concordam, que é perder identidade, perde-se cada vez mais esta crença que o Benfica consegue resolver os seus próprios problemas. E a verdade é que ano após ano, e este verão seguimos na mesma lógica do que infelizmente tivemos no penta, saem jogadores de qualidade indubitável, como é o caso de João Neves, que depois fazem falta à equipe, como é lógico, depois a equipe ressente-se disso. O plantel parece-me que é construído um pouco, como se diz recorrentemente, às três pancadas, faltam jogadores. Nós conseguimos a proeza de chegar ao mundial sem um defesa direito de raiz. Kabore chega já a queimar numa clara solução de recurso, claramente ou não houve planeamento, ou os alvos identificados não foram contratados por diversas razões, mas a verdade é que chegar ao fim e Kabore ser apresentado como a grande alternativa deixa bastante a desejar. Mas também uma questão que eu acho que todos os benfiquistas focam neste momento.

Sim, para concluir, por favor.

Para concluir, e termino já, que Benfica é esse que não ganha e que mantém o diretor desportivo? Que Benfica é esse que ano após ano continua a falhar nas contratações, continua a comprar caro e mal, continua a vender demasiado, continua a não conseguir gerar o mesmo número de talentos na formação que depois substituem estes que vão saindo, porque é impossível. O Benfica tem um déficit muito grande, o Benfica vende muito mais do que aquilo que consegue produzir e depois substitui por jogadores de qualidade um pouco duvidosa. E ainda assim, pouco ou nada se fala do papel de Pedro Bruno. Ou seja, que responsabilidade tem este homem? Como é que é possível continuarmos a justificar ano após ano plantéis mais fracos, e o Mauro referiu inicialmente este foi um dos campeonatos mais fracos e ainda assim- Deixe-me só terminar 10 segundos. Portanto, o investimento que o Benfica faz, a sensação que fica é que o Benfica gasta mal, não consegue num campeonato fraco, ainda assim vencê-lo, mesmo com o campeão a trocar duas vezes de treinador. E, portanto, isso tem que estar claramente aqui num plantel altamente deficitário, com soluções que não são suficientes para o Benfica.

Mauro Xavier, em setembro de 2024, já depois do fecho do mercado de verão, Rui Costa dizia em entrevista à BTV que as finanças do Benfica estavam estáveis. Pergunto se, perante isso, o clube não poderia ter cedido à tentação de vender algumas das joias da coroa da época anterior, como é o caso que já todos mencionaram, de João Neves.

Eu queria só relembrar que Frederico Varandas hoje acabou de dizer que até à data nunca entrou uma proposta no Sporting por Viktor Gyökeres. Não foi uma proposta baixa, não chegou nenhuma. E essa é a razão pela qual o Viktor Gyökeres está no Sporting. Não teve nada a ver com política desportiva, não teve nada a ver com o seu presidente, não teve nada a ver com a sua direção, não teve a ver com nada. Simplesmente, não chegaram propostas. E essa é a realidade do modelo que hoje existe em Portugal, que é o modelo deficitário. O que é o modelo deficitário? Aquilo que são as receitas dos clubes sem a venda dos jogadores é inferior às despesas dos clubes. E, portanto, enquanto não se trabalhar no aumento das receitas, porque muita gente gosta de só discutir a redução das despesas. A redução das despesas, de todas as despesas, mesmo que se inclua os salários dos jogadores do Benfica e todos os fornecimentos e serviços externos, nunca vai ser superior a 10 ou 15 milhões. E isso não resolve as finanças do Benfica, porque elas estão deficitárias neste momento em 70 a 80 milhões por época. Portanto, o que o Benfica precisa ter é estratégia e modelos de crescimento. O Real Madrid versus as receitas do Benfica há seis anos eram três vezes e meia, hoje são seis. Os outros estão a crescer mais rápido que o Benfica. E o que falta é a estratégia desse ponto de vista. Esta história do Totoloto à segunda-feira é sempre muito mais fácil. A gente depois de abrir o melão consegue perceber se o jogador é bom ou é mau. Eu sei bem o que disseram os adeptos do Benfica sobre o Álvaro Carreras. Eu sei bem esses primeiros seis meses que ele estava no Benfica. E, portanto, o futebol é momento, a qualidade dos jogadores é muito diferente com o treinador A, B ou C e ninguém no Benfica está a comprar para o insucesso e ninguém no Benfica quer o insucesso dos jogadores. E achar que alguém consegue contratar melhor do que todos os outros, isso era uma fórmula milionária que existiu e essas pessoas já estavam todas contratadas para trabalhar só no Real Madrid e no Manchester United. E como não foram contratadas pelo Real Madrid nem pelo Manchester United, esses fantásticos diretores desportivos estão todos para chegar e não têm experiência nessas ligas, se calhar vamos estar aqui com modelos que eu chamo novamente o que disse há pouco do Guilherme, que era do populismo. Ele quer fazer aqui uma ligação a Vieira e eu acho que ele deve ficar sempre grato a Luís Filipe Vieira, porque nestes 121 anos de história, embora o penta tenha custado a todos, a mim inclusive, e a todos que estiveram nesse dia no Estádio do Dragão, fomos a única vez que foi tetra, também foi com ele. E portanto, desse ponto de vista desportivo, tivemos essa falha, mas tivemos pela primeira vez, como eu disse há pouco, o recuperar de mais campeonatos numa década. Nós queremos ganhar todos os campeonatos e aí estamos todos de acordo que nós todos o que junta qualquer benfiquista é que sempre que entramos em campo, acreditamos de uma forma inequívoca que vamos ganhar. Eu estou a arrancar amanhã para o Mundial de Clubes e acredito que o Benfica vai ser campeão mundial de clubes. É aquilo que eu acredito em todos os jogos até ao último minuto, no apito final.

Vamos tentar ainda chegar a esse tema.

É isso que eu pretendo.

Vamos passar a outro dos temas, que é treinadores. Roger Schmidt, Bruno Lage, Henrique Nogueira Nunes, começo por si. Agosto, Roger Schmidt já era contestado no final da época anterior. Rui Costa preferiu mantê-lo para esta época, que está quase a terminar agora. Ficou quatro jogos, foi demitido na quarta jornada Fez sentido o Benfica começar a época com Roger Schmidt para em tão pouco tempo o demitir, tendo em conta que, acredito eu, terá sido o treinador alemão a preparar ou planear a equipa para esta época?

Pois, acreditamos todos que tenha sido isso. Não faz sentido nenhum. Quer dizer, Roger Schmidt deu-nos um título e estamos gratos por isso. Deu-nos bom futebol, mas claramente na parte final a qualidade futebolística do Benfica caiu muito. Caiu muito também porque perdeu um jogador muito importante no mercado de inverno, o Enzo, mas a verdade é que do ponto de vista da qualidade do jogo e do futebol da equipa, ela caiu muito. E, portanto, no final dessa época, apesar de já se perceber que ele não reunia as condições para ser treinador do Benfica. Depois houve também vários episódios com os próprios sócios e adeptos do Benfica, não vou estar agora aqui a enumerar, mas é um facto público e do conhecimento tutório de toda a gente. E, portanto, o Roger Schmidt devia ter acabado a época e devia ter saído. O que é que aconteceu? Não saiu, continuou, preparou essa época e passado quatro jornadas, acabou por ser despedido, com tudo o que isso implica. Teremos que lhe pagar, estamos lhe a pagar e tivemos que ir a correr, porque nessa altura já não havia nenhum treinador no mercado que nós pudéssemos realisticamente abordar. Portanto, tivemos que ir a correr contratar o que estava disponível, que era o Bruno Lage. Não sei, não conheço os critérios que estiveram por trás da contratação do Bruno Lage, não vou especular sobre isso, mas foi ele que acabou por vir. E a partir daí, obviamente, o Bruno Lage faz o trabalho que está aí à vista de toda a gente. Na minha opinião, é um trabalho meritório, mas não isento de críticas, como é evidente. Agora, o que se passou com a manutenção de Roger Schmidt é um ato de má gestão, no fundo. É mais um a somar a vários desta direção, porque se percebia que ele não tinha o mínimo de condições para continuar. E, portanto, ao permitir que ele continuasse, era quase um ato de fé. Toda a gente percebia que aquilo não ia correr bem e não correu bem. E o que aconteceu foi que despedimos Roger Schmidt, continuamos a pagar a Roger Schmidt, muito, porque Roger Schmidt e a sua equipa técnica eram caras e fomos mais uma vez em prejuízo, como acontece muito no Benfica, sem o mínimo planeamento, a correr, contratar o treinador que estava disponível. E, portanto, é preciso também perceber que esta época é uma época que se nós quisermos analisá-la, tem muitos episódios. É preciso perceber que, por exemplo, o Sporting, que acabou por se sagrar campeão nacional, perdeu o seu treinador. Se não tivesse perdido o seu treinador, isto podia ter sido diferente. Não quero estar a especular sobre isso. Se nós tivéssemos começado com outro treinador, também podia ter sido diferente. Mas a verdade é que, mais uma vez, a direção do Benfica andou a correr atrás do prejuízo e tomou decisões sem o mínimo de nexo e que obviamente penalizaram o clube. E o resultado é mais uma época de fracasso.

Guilherme Fontes, olhando aqui ainda para Bruno Lage, saiu Roger Schmidt, entra Bruno Lage, um regresso que acontece em 2024, que é o ano até onde iria o contrato do treinador português se não tivesse sido despedido em 2020. Por toda essa história, tendo em conta que também que Bruno Lage ainda é visto por alguns adeptos como um treinador, de certa forma, de recurso, fez sentido a aposta do Rui Costa no técnico sadino na altura?

Bom, eu acho que o Rui Costa cometeu um pecado capital em 2023, quando decidiu renovar com Roger Schmidt, numa altura em que poucos discordaram dessa renovação. Portanto, isto não é uma questão de se falar à segunda-feira. Poucas foram as vozes que disseram que Roger Schmidt era um treinador que estava a fazer o seu caminho e que essa renovação completamente extemporânea acabou por condenar o Benfica a ficar preso a um treinador sem que naquele momento nada o tivesse feito para justificar. Depois, em relação a Bruno Lage, Roger Schmidt acaba a época isolado. Parece-me óbvio para qualquer pessoa que tenha assistido o Benfica e que tenha percebido que Roger Schmidt era um homem isolado. A direção não o protegia. Da parte da comunicação social havia uma pressão muito grande, os próprios adeptos cada vez mais descontentes, algumas atitudes, como o Henrique referiu, não vale a pena estarmos aqui a passar em revista, mas a gente se lembra que criaram essa crispação com os adeptos. E depois, o Rui Costa comete aqui o seu segundo caso capital, que foi insistir no erro. Portanto, não teve capacidade para assumir o erro e escolher um outro caminho. O Benfica arranca com Roger Schmidt, com a época preparada por Roger Schmidt para um plantel preparado à imagem de um estilo de jogo, à imagem de uma visão, e de repente dá por si a ter que ir ao mercado. Agora, parece-me que para qualquer benfiquista, a opção por Bruno Lage é no mínimo curiosa. Um homem que, como disse, esteve no Benfica, ganhou no Benfica, devolveu algum desse ânimo aos benfiquistas, que depois acaba por sair de uma forma que todos se recordam, mesmo enquanto a pessoa, a figura Bruno Lage, sai muito queimada, mas isso também infelizmente é uma prática corrente das várias direções que foram passando nos últimos anos. O treinador é sempre o alvo mais fácil a abater numa lógica de sobrevivência. E, portanto, de forma estranha, quando Bruno Lage volta a ser equacionado para regressar ao Benfica, parece-me que existiu aqui esse sentimento um pouco agrid doce nos benfiquistas, porque todos se lembraram. Lembram do Bruno Lage que nos deu o título e a quem estamos gratos, mas não se lembram da forma como saiu. E depois, no final do dia, um treinador que entra nessas condições, obviamente, já vem mais fragilizado. Faz um trabalho meritório dentro daquilo que também era possível em virtude do plantel que recebeu e depois dos reforços que recebeu

Em janeiro, mas muito honestamente, se tivermos que puxar a fita atrás, o problema ainda é anterior a Bruno Lage. E agora, olhando para aquilo que vai ser a próxima época, temos agora um mundial de clubes, continuamos com o Bruno Lage. Para todos nós, seria muito mau sinal chegarmos ao início da época e voltarmos a ter um momento Roger Schmidt V2, onde Rui Costa, perante uma opção de ter eleições em outubro, os resultados que não aparecem, a equipe que não mostra uma dinâmica renovada, depois tomar a decisão fácil que é despedir o treinador. Seria muito mau por vários motivos, porque primeiro significaria que o Benfica não estava a ganhar e que não é de todo aquilo que nós queremos, e que infelizmente saía mal pelo segundo motivo, que era, mais uma vez, entrávamos num ciclo onde entraria um treinador escolhido de uma pool de poucos treinadores que aceitam chegar aqui a meio da época, ainda por cima em ano eleitoral, e portanto, tudo aquilo que não queremos, e parece-me perigoso caminharmos para esse caminho.

Era precisamente isso que eu queria perguntar ao Mauro Xavier. Mauro Xavier, tendo em conta que o Benfica vai ter eleições no próximo mês de outubro, pode ser arriscado ter eleições tão tarde, tendo em conta que Bruno Lage pode não ser a escolha do próximo presidente do Benfica? E pergunto também se deve começar a próxima época, Bruno Lage.

Eu diria duas coisas. Eu acho que qualquer pessoa que se candidate a presidente do Benfica é porque tem um treinador diferente do Bruno Lage e que esse não é o seu projeto desportivo. Diria eu, porque se o projeto desportivo é ter o mesmo diretor desportivo, é ter o mesmo treinador, o mesmo administrador financeiro e ter os mesmos membros da direção, isso é o projeto desportivo atual. Portanto, sendo o Benfica futebol, eu acho que é normal que qualquer candidato que se candidate, que apresente aos sócios de forma clara e inequívoca aquilo que vai trazer. O que nós conhecemos do Rui Costa é que em quatro anos teve quatro treinadores. E, portanto, esse projeto desportivo não foi estável. E isso é que eu acho que é errado. Ou seja, quando o treinador não consegue sobreviver aos maus momentos da equipe, porque eles existirão sempre. Portanto, a minha expectativa é que o Bruno Lage complete este ciclo do Rui Costa e se o Rui Costa continuar, que continue, se outro candidato vencer, que seja normal que se encontre um momento de transição. Isso é que me parece a mim normal nos projetos desportivos de um clube. Acho muito estranho que os candidatos não tenham projeto desportivo alternativo e daquilo que tenho ouvido já das várias apresentações, estranhei muito este silêncio e este apoio à continuidade de Bruno Lage.

Meus caros, estamos a chegar ao fim do nosso tempo, infelizmente. Como disse no início, fizemos também um convite à candidatura de Cristóvão Carvalho para estar presente, que não foi aceito meramente porque o candidato Cristóvão Carvalho não tinha agenda para estar aqui, mas disponibilizou-se a enviar-nos um áudio com precisamente um pequeno balanço, um curtíssimo balanço daquilo que achou a época desportiva e que vamos ouvir agora.

Caros benfiquistas e ouvintes da Rádio Observador. Vou procurar fazer um balanço honesto de uma época que infelizmente ficou marcada por falhas graves na gestão e nos resultados desportivos de toda a nossa estrutura. Como candidato à presidência, não posso deixar de reconhecer as dificuldades enfrentadas, tanto na equipe de futebol como nas modalidades. Na equipe de futebol masculina, assistimos a uma temporada de promessas não cumpridas, de oportunidades desperdiçadas e de uma incapacidade de manter uma dinâmica de vitória e de sucesso. Os erros de planeamento, as mudanças de treinador, tantas hesitações em despedir Roger Schmidt e a falta de uma estratégia clara refletiram-se no campo, levando-nos a uma campanha abaixo das expectativas e ao afastamento dos objetivos que todos já vamos alcançar. Tínhamos condições para ganhar tudo e no final perdemos quase tudo numa semana, perante o mesmo adversário. E por quê? Temos os melhores jogadores e esta administração gastou centenas de milhões de euros e o resultado é o que está à vista. É uma enorme frustração para todos os que, como eu, amam o Benfica. Também nas modalidades a situação não foi diferente. A nossa massa associativa merece mais, exige mais. Houve falhas na gestão dos recursos, o Benfica Clube investe muito mais do que todos os seus rivais e no final os resultados ficaram muito aquém do que é esperado a um clube com a dimensão do Sport Lisboa e Benfica. Daí que o orçamento tenha sido chumbado na Assembleia Geral. Eu penso que foi uma clara mensagem de descontentamento dos sócios com a gestão do presidente Rui Costa.

Cristóvão Carvalho no áudio enviado à Rádio Observador, também elegeu como figura da época os adeptos do Benfica. É isso que vos peço agora aos três, mesmo em tempo recorde, 20 segundos para cada. Começo por si, muito rapidamente, Henrique Nogueira Nunes, quem é que foi para si a figura desta época do Benfica?

A figura da época do Benfica foram os sócios. De facto, mais uma vez, estoicamente resistiram a uma época falhada, uma época de frustração que se vai acumulando e que continuam semana após semana a encher a catedral, a estar lá aos milhares, a deslocarem-se aos estádios dos nossos rivais e encherem os estádios dos nossos rivais e continuam a acreditar até ao fim. É a força do Benfica, é o maior clube português, é uma marca brutal e merece de facto ser melhor gerido.

Mauro Xavier, muito rapidamente, figura do ano.

Infelizmente, a arbitragem continua a inclinar o campo como não se tem visto, continua sem ser reformulada, mudam os presidentes da federação, mudam os presidentes da arbitragem, continua a mesma vergonha. Espero que Tiago Moedas Martins não comece a próxima época em nenhum quadro do VAR, que deixe de apitar futebol e que permita mais transparência nesta liga.

Vamos ao Guilherme Fontes. Guilherme, quem que foi a figura da época do Benfica? Para fecharmos.

Para fechar, para mim, como para o Henrique, os sócios, e destaco dois momentos. O primeiro, a aprovação dos novos estatutos. Acho que é um momento de libertação para os benfiquistas, um momento em que os benfiquistas recuperam o seu clube, o momento em que garantem que a tradição democrática vai prevalecer no clube e, portanto, acho que é a única grande vitória da época e é fruto do trabalho dos benfiquistas e seus sócios. E depois um segundo momento que guardo com alguma saudade, que é o de chegar o autocarro no jogo com o Sporting. Acho que se sentiu o Benfica naquela imagem que o Henrique passava, do acreditar até ao último segundo, o apoiar, até que a voz nos falhe, portanto, destaco esses dois momentos.

Meus caros, Henrique Nogueira Nunes, Mauro Xavier, Guilherme Fontes, muito obrigado por terem aceitado o nosso convite para estar aqui nesta edição especial de "O Campeão É" de balanço da época do Benfica. Amanhã vamos fazer o mesmo, mas no caso do futebol Clube do Porto. Obrigado e até a próxima.