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E o Vencedor É, na Rádio Observador, com a Judite França e hoje também com o Alexandre Borges, numa versão mais curta, porque há Ajax-Benfica depois das 17h30, e vamos acompanhar o jogo em direto. O Vencedor É na Rádio Observador e agora também está disponível em vídeo, pode ser visto no YouTube e nas redes sociais da Rádio Observador. Vamos, nesta edição, falar do debate de ontem entre Cotrim Figueiredo e Jorge Pinto, do debate de hoje, que será entre Marques Mendes e André Ventura, na SIC, às 21h, mas vamos começar pelo 25 de novembro e pelas cerimónias na Assembleia da República. Judite França, estiveste a acompanhar atentamente a sessão solene desta manhã.
Estive, e devo dizer que com algum esforço, porque a dada altura os discursos eram mais ou menos aquilo que se estava à espera. Eu gosto sempre muito da objetividade da Guia Branco e acho que foi o que teve mais razão quando diz que é estranho falar de Abril em Novembro e Novembro em Abril, que é de facto um pouco estranho. E depois tivemos o PSD com o deputado Pedro Alves a dizer que estavam a discutir a metafísica das datas e de facto estiveram a discutir a metafísica das datas sem nenhum objetivo. E depois, claro, tivemos toda aquela encenação dos cravos, tira cravos, põe cravos, põe rosas brancas, volta a pôr cravos. Absolutamente desnecessário. Eu acho que as pessoas quando assistem a este tipo de teatrinho devem pensar que na Assembleia da República não se faz nada a não ser brincar enquanto o resto do país trabalha. E sinceramente, é um espetáculo que era absolutamente desnecessário. Claro que Ventura aproveitou para fazer o número mais dramático das flores, que foi tirar dali os cravos. É sempre o mais dramático. E também queria aproveitar para deixar de ter nomes em ruas, como por exemplo, a Rua Álvaro Cunhal, queria acabar com a Rua Álvaro Cunhal, que está na altura disso. Se Ventura não aproveitasse aquele momento para fazer um número, é que seria estranho. Está dentro daquilo que era expectável. Deixa-me só dizer mais uma coisa, muito justa é a homenagem ao General Ramalho Eanes, que é um dos grandes vencedores do 25 de Novembro. Para isso foi útil fazer isto.
Queres dar já a tua nota?
Vou dar nota a Ramalho Eanes, vou dar-lhe um 18.
Um 18 para Ramalho Eanes. Alexandre Borges, também estiveste preso à parada militar e depois à sessão no Parlamento?
Mais ou menos. Admito que não tenha acompanhado tudo tão integralmente como a Judite, apenas por impedimento profissional, nenhuma outra razão. E talvez não tenha ficado tão desiludido, digamos, como se sente no tom da Judite, porque quando os debates da Assembleia, as cerimónias da Assembleia, quando acompanhamos tudo, temos uma perceção diferente do que quando só os consumimos através das notícias. De qualquer modo, foi assim que as consumi, foi assim que a maior parte do país o recebeu também e que o vai receber ao longo do dia e também naturalmente é só dessas poucas coisas que acaba por ficar o que fica, admitindo que fica. Há dias, lembro-me que estávamos aqui a semana passada e tu, Ricardo, já não sei exatamente qual era o contexto, mas tu dizias, recuperavas um dito popular e estavas a lhe dar um peso, que era o: "Mais vale cair em graça do que ser engraçado." E eu estava a pensar hoje que é outro igual desses que as nossas mães diziam que se tornavam inofensivos de tão ditos, mas que é o: "O que é de mais é como o que é de menos." E o 25 de Novembro, que há uns anos valentes era uma coisa que ninguém sabia o que era, ninguém falava. E em que, de facto, havia um déficit de atenção, de conhecimento e de discussão em torno do 25 de Novembro. E havia uma espécie de mitificação demasiado simplista do 25 de Abril, em que parecia que de um dia para o outro, o poema do Sophia: "Amanhã, clara, inteira e limpa", de repente tinha acabado a grande noite fascista e tudo tinha ficado extraordinário. Importa falar muito do 25 de Novembro, sobretudo para compreendermos que há pelo menos um ano e meio de grande convulsão em Portugal e que é muito mais complexo do que nós tendemos a vê-lo hoje em dia, com todas as forças. Até parecia que havia só duas forças. Que havia um lado bom e um lado mau, quando tinhas os spinolistas e a esquerda moderada e a esquerda militar, e uma direita moderada e uma direita militar, tinhas todas estas forças.
Tinhas um caldinho.
Exatamente. E isso é importante para não cairmos em maniqueísmos. Agora, nos últimos anos, o 25 de Novembro, de facto, foi recuperado, mas parece servir também para ser novo palco de exercício de sinalização de virtude, em que cada um tenta fazer parecer ou mais de esquerda que o outro, ou mais de direita do que o outro, ou mais moderado do que o outro. Dito isso tudo, apesar de tudo, antes podermos discuti-lo do que não se falar nele de todo, porque creio que ajuda a colocar em evidência algumas coisas. Coisas essas como: eu gostava de perceber, afinal, André Ventura gosta do 25 de Novembro ou isto são 50 anos de corrupção? Que eu ainda não percebi. Se o 25 de Novembro é a data que, por exemplo, pessoas como André Ventura querem festejar, e eu acho bem, enquanto data fundamental para a criação do regime que temos pluripartidário, de democracia representativa, de feição ocidental Então como é que ele pode estar sempre a queixar dos 50 anos de corrupção em que isto foi tudo igual e pedir três Salazares? É porque as duas coisas não podem jogar na mesma equipe, e importava clarificar isto. Já que o Chega também gosta de desfilar no 25 de Abril, é ainda mais uma pra equação. Querer passar como estando no bom senso do eixo do que é um pacto comum, um patrimônio comum do que temos em Portugal, e dizer que esse regime todo não presta pra nada ou que é uma bandalheira, é uma contradição nos termos. Por outro lado, pegando nas flores, e porque às vezes tudo isto pode parecer muito superficial, mas depois a verdade é que os símbolos é que ficam. E os símbolos têm uma importância evidente. E no caso do 25 de Abril, é evidente que o cravo significa uma quantidade de coisas que não é de todo despicienda, pelo contrário, porque é muito difícil explicar às pessoas, particularmente aos miúdos, o que é o 25 de Abril verdadeiramente. Mas o cravo simboliza uma quantidade de coisas relevantes.
Mas agora o 25 de Novembro tem que ter uma flor?
Exatamente. Concordo contigo, é isso mesmo. Ou seja, isso aí, nesse sentido, a tentativa de repente encontrar aqui um outro símbolo pra 25 de Novembro, põe a nu, pra mim, tudo o que está errado do ponto de vista de quem quer comemorar justificadamente a data. Isto é, importa celebrar o 25 de Novembro? Sim. Apô-lo ao 25 de Abril como se fossem uma espécie de duas datas gêmeas, não faz sentido nenhum, porque o 25 de Novembro é efetivamente parte do 25 de Abril.
Vamos à tua nota, Alexandre.
Muito bem, a minha nota. Apesar de tudo, eu diria positiva, genericamente, a toda a gente que esteve na Assembleia a celebrar esta data e que fez, personificando nas duas mais altas figuras da nação, Aguiar Branco e Marcelo Rebelo de Sousa, que fizeram particularmente o elogio da moderação, que de fato é aquilo que prevalece no 25 de Novembro e é aquilo que deve prevalecer hoje em dia, e daria negativa redonda ao Chega, um cinco, porque acima de todos os outros que tentam instrumentalizar esta data, a eles na frente da batalha, nesta contradição dos termos que aqui gostaria de assinalar. Defender o 25 de Novembro e defender que o país precisa de três Salazares é absurdo, pra dizer o mínimo. E gostava de dar um zero ao PCP, que não compareceu na data, como aliás não compareceu no 25 de Novembro original.
Justiça França, vamos saber como foi o teu serão de ontem.
Já viram como foi a minha manhã, não é? Agora como é que foi o meu serão.
Portanto, tua manhã foi parlamento e o teu serão foi Jorge Pinto contra Cotrim Figueiredo.
É verdade, foi sim, senhores.
Rica vida com que tu andas.
É isso.
Glamorosa.
Vida de aventura e viagens.
Ainda por cima, eu fui a única pessoa que achei no planeta que o Jorge Pinto esteve bem no debate.
É possível.
É possível que tenha sido a única pessoa.
Por isso queremos muito ouvir-te. E o Jorge Pinto quer ouvir-te.
Eu vou me justificar, porque eu acho que é evidente que nós podemos dizer que as expectativas de Jorge Pinto são nenhumas, porque eu nunca tinha visto Jorge Pinto nesta posição. Portanto, as expectativas são nenhumas. Isso é verdade. E fiquei por isso bem impressionada com o fato de ter uma série de respostas já prontas, ter sido fluido nas respostas, ter sido dinâmico. Não estou a olhar pro conteúdo, acho que o conteúdo é o que é, é do livro e, portanto, não está longe daquilo que seria de esperar, mas achei que estava ali com alguma garra, o que o Jorge Pinto não aparenta ser muito aguerrido e ali estava, de fato, com alguma garra perante Cotrim Figueiredo, que, pelo contrário, achei que esteve menos bem em relação àquilo que tem estado. E essa comparação também é importante, porque acho que esteve algo relaxado. Achava que ia pra um debate fácil, portanto não estava propriamente, como se costuma dizer, na sua performance mais futebolística. Não estava como é habitual, não se preparou tanto e às vezes chegou a ser paternalista com Jorge Pinto, o que lhe fica bastante mal, porque dizer a Jorge Pinto: "Estamos entendidos", é uma frase que não fica bem a um debatente e não fica bem a Cotrim Figueiredo, e acho que lhe saiu, porque de fato Jorge Pinto é novo e Cotrim Figueiredo, enfim, saiu-lhe. Acho que lhe saiu aquela expressão.
Eu não acho que Jorge Pinto tenha estado mal. Também me surpreendeu. Provavelmente, admito, no meu caso, por desconhecimento ainda, não era uma figura que tivesse palco suficiente até agora. Portanto, acho que foi uma figura interessante, enérgica, positiva, fresca. Nesse sentido, digamos, um pouco exterior, se olharmos só o boneco, digamos assim, acho que ele esteve bem. O problema, de fato, é o conteúdo, e acho que ele levou com a força com que deu. E acho que foi isso que Cotrim Figueiredo fez com ele, porque atirou-se Jorge Pinto com muita força, com muito entusiasmo. Não pela negativa, isso foi uma questão muito interessante. Às vezes os partidos de esquerda, pra lá do PS, atira-se à direita com muita raiva, com muita força, às canelas. E Jorge Pinto não fez nada disso, isso foi muito positivo, até porque vale a pena lembrar que eles parecendo muito diferentes, há uma parte do eleitorado que podem disputar entre eles. Mas Jorge Pinto atirou-se com muito entusiasmo e acho que bastou o Cotrim fazer como nalgumas artes marciais, particularmente numas que eu não domino, tipo o judô, mas em que eu ouço dizer que é isto que eles fazem. Atiram com o corpo dos outros com a força com que eles vêm. Porque os temas se o sistema era: a saúde, a saúde foi a conquista mais extraordinária do 25 de Abril.
Está bem, mas depois disso, disse o que é que estava mal na saúde.
Está bem, mas foi assim todos.
Achas que o Cotrim venceu por ippon?
Acho que devia ser. Aqui está.
Não, é judo.
É ippon. A gente no fim não vai dar notas, vai ser só ippon, KO, TKO.
Não sei mais, só sei ippon. Nem sei o que isso quer dizer, mas sei que ficava aqui.
Ficou lindíssimo.
Isso é do judo.
Ficou lindíssimo. Mas foi em todos os temas, Judite. Foi depois no clima, foi depois no pacote laboral.
Eu aprendi imenso sobre baterias de íon de sal.
Isso foi um aspecto interessante.
Muito interessante. Trazer alguma coisa de novo a um debate.
Foi interessante a história de Jorge Pinto, ele tinha sido voluntário nas ambulâncias. Foi interessante, trouxe alguns aspectos interessantes, mas de facto foi com a força com que veio, porque no fim acabava arrumado por um argumento racional de Cotrim Figueiredo. Particularmente, por exemplo, a questão do criar empregos por decreto, como é que você faz isto sem empresas, ou revelando conhecimento, e não acho que ele tenha sido paternalista, revelando que tinha estudado a figura de Jorge Pinto, quando fala no pós-produtivista e quando diz aquela coisa maravilhosa sobre o Ricardo, que é quando diz: "Você, um homem de Amarante, de Agustina e de Amadeu, imaginava-o mais honesto", porque Jorge Pinto, bem ou mal, estava a confundir uma coisa que foi dita por Rui Rocha com uma que foi dita por Cotrim. Tenho notas? Tenho. Apesar de tudo, dou positiva aos dois. Acho que Jorge Pinto falou bem para um conjunto de eleitorado. Dou-lhe um 12, a Cotrim 14.
E o nosso abraço para Amarante. Judite.
Dou um 12 a Jorge Pinto e a Cotrim Figueira dou 11.
Estão dadas as notas, está feito o "E o Vencedor é" de hoje, que é mais curto, porque hoje há futebol, há Ajax-Benfica e há mais "Vencedor é" amanhã, às 08:30, nas manhãs 360.