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E o "Vencedor É", na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite de França, a Helena Garrido e o Nuno Gonçalo Poças. Hoje vamos falar sobre o problema que se vive em Almada com o abastecimento de água. Vamos ainda às contas das autarquias feitas pelo Conselho de Finanças Públicas, e falar do código do licenciamento. Mas começamos pela sempre fascinante ligação entre a política e o futebol. Helena Garrido, Hugo Soares justifica a ida do primeiro-ministro à América para ver a bola ontem, exatamente. Deixa-me citar Hugo Soares: "Somos do povo, gostamos de futebol."

Pois, ele no fundo o que nos diz é que nós somos uns queques. Quem critica o primeiro-ministro por ter ido ver o jogo de futebol é queque.

São daqueles queques que acham que o futebol é para o povo.

Exatamente. E como ele é o povo, eles estão identificados com o povo, o primeiro-ministro pode ir à vontade ver o jogo de futebol. Eu ouvi também o sofá do Parlamento e as justificações que o Alexandre Poço deu. Claro que o primeiro-ministro tem de representar o país. Agora, representar o país, aquilo era o quê? Eu não percebo nada de futebol. Não sei o que é de final.

Oitavas de final.

Oitavas de final e há os dezesseis avos.

Era um jogueco, Helena.

Era um jogo de futebol, mais um jogo de futebol. Agora, o que parece mesmo é que o primeiro-ministro alimenta depois quem o acusa e quem acusa este governo de gostar é muito de ser governo, de ser ministro, de ter os carros, de poder ir aos jogos de futebol. Porque, de facto, aquele jogo de futebol não havia necessidade de o primeiro-ministro ir lá, até levando em consideração que o primeiro-ministro ia depois ter de seguir para a cimeira da NATO. E não vale a pena acusar o resto do povo que não gosta de futebol de queques. Eu gosto de futebol, aquilo enerva-me.

E és queque?

Não, não sou queque, eu gosto de futebol, portanto, também sou povo.

Também és do povo.

Também sou do povo. Mas aquilo enerva-me. Ontem, a partir de determinada altura, tive de me ir embora, porque comecei a pensar nos ditados populares.

Tantas vezes o cantar vai... Eu disse isso quando foi o golo, por acaso.

Eu disse isso em casa também, vê lá a coincidência.

Porque és do povo?

Não, porque tantas vezes o cantar vai à fonte que um dia lá fica a asa.

Exatamente, foi isso que aconteceu. A probabilidade era enorme. Começou a subir a probabilidade.

Deixa-me ouvir a única queque neste painel, Judite de França. Tu não és queque, tu és um bolo de arroz. Que é mais do que um queque, porque tem aquela cobertura.

Aquela crocante por cima.

É glacê? Não, não é glacê. Mas aquele açúcar por cima.

Eu sou um bolo de arroz, portanto.

És um bolo de arroz.

Está bem. Eu acho alguma graça que agora a coisa se ponha entre aqueles que são do povo e os que não são do povo, e gosto principalmente da ideia de nós gostamos de futebol, portanto, vamos ao futebol. Parece-me bem.

Mas isso parece-me um bom argumento.

É um bom argumento. Só não é um bom argumento quando o país está em alerta máximo. Acho que é o sinal que se dá. Estamos em alerta máximo, passamos a vida a dar conselhos para que as pessoas não façam isto, não façam aquilo, que tenham atenção a isto, e depois vamos ao futebol. Acho que não bate a cara com a careta. Eu também gosto cada vez mais de futebol, não sei o que se está a passar comigo, imagino que seja da idade.

Gostas mais?

Gosto mais. Não gostava nada de futebol. É verdade?

A Judite era fã de pelota vasca.

E neste-

É um desporto um bocadinho...

Obscuro?

É pelota vasca.

E neste mundial tenho, de facto, gostado mais de ver futebol, talvez por estar a ser muito surpreendente este mundial. E, portanto, também sou do povo. Mas acho que o povo não precisa de ir ao futebol quando tem mais que fazer.

Nuno Gonçalo Poças, como única pessoa deste painel que tem três nomes.

Tu és verdadeiramente queque.

Mas dois são próprios.

Exato.

Não são dois apelidos.

Tu gostas de bola?

Gosto muito de futebol. Já gostei mais.

Exato.

Eu sou o contrário. É que eu estava surpreendido. Já fui doente por futebol, mas cada vez gosto menos. Aquilo é um negócio de entretenimento e aluguer de espaços. E publicidade. E depois quando andas tudo a limitar à volta daquilo, o jogo em si próprio está...

Está a ficar chato.

Embora este mundial tenha tido jogos muito interessantes. Mais mérito dos underdogs do que outra coisa.

O de ontem foi interessante.

Pois, nós fomos o underdog que falhou, mas relativamente aos outros tem sido mais interessante por causa disso e até tenho voltado a sentir algum gostinho pela bola. Mas redescobri o gosto por outros desportos. Até é uma coisa que me faz imensa confusão, que eu outro dia estava a pensar isso. Quando eu era miúdo

O país parava para ver hóquei em patins, andebol, basquete, ciclismo. A Volta a Portugal era um grande evento nacional.

Vamos ter a nova edição da Volta.

E de repente, parece que ninguém quer saber de nada. O atletismo, o país parava para ver um português a correr nos Jogos Olímpicos, e agora parece que só há bola em todo lado.

Talvez o Cristiano, se calhar, não é? De termos começado a ganhar.

Não consigo perceber porquê. Eu não acho que tenhamos perdido qualidade nas outras modalidades, até pelo contrário.

Pelo contrário.

Eu redescobri algum gosto nas modalidades ditas amadoras, que acho que são muito mais genuínas hoje em dia do que o futebol.

Aconselho-te a ver ginástica, que é a minha modalidade.

Eu nos Jogos Olímpicos vejo tudo.

Eu não quero cortar o vosso barato, mas devíamos estar a falar de política.

Sim. Mas isto para dizer, era aí que eu queria chegar.

Isto é um programa sério.

O Luís Montenegro gosta de futebol. Ainda bem que ele não gosta de outras coisas.

E de vólei.

Porque senão tínhamos que pagar na mesma. Aquilo foi uma boa justificação, parece-me uma boa tradução, acho eu, aquilo que o Hugo Soares disse, que é linguagem para quem acha que os outros são totós. No fundo, aquilo que ele queria dizer era: "O homem quer ir ver a bola da generosidade."

É chato.

Sim. Não sejam chatos. Então depois teve que inventar umas coisas. O povo, a pátria, não sei o quê, aquelas coisas. Prestou-se a uma bela figura, sim senhor.

Faltou um apre.

Ainda veio aquela coisa do amuleto. Se é amuleto, o Luís Montenegro foi, porque ele é um amuleto. Não sei, o número dois do PSD.

Ele tinha dado a pulseira.

O líder parlamentar.

Esgotou-se a bateria do amuleto. Vamos a notas, temos mais coisas.

O Hugo Soares chamou-lhe uma patinha de coelho, não sei se perceberam. Chamou-lhe ferradura. E eu não sei como é que eles não se zangam uns com os outros e toleram isto tudo.

Patinha de coelho. Vamos a notas. Helena, tens alguma nota para isto? Senão, vamos em frente.

Um seis.

Seis. Judite.

Para este tipo de conversa.

Sim, para este tipo de conversa um seis, de facto. 20 ao Hugo Soares, porque não é qualquer tipo que se predispõe a fazer este tipo de coisas.

É que nós temos um assunto muito mais interessante para falar agora, chamado código do licenciamento. Eu estava em pulgas para falar disto, Helena Garrido.

É isso e o subsetor Estado.

Deixa as pessoas encostarem o carro agora que é para ouvirem melhor. Tu queres falar sobre o código do licenciamento?

Sim, isto já são coisas importantes, não é?

Claro.

O futebol também é importante. Eu não vou dizer mal do futebol.

Qual é a coisa mais importante se todas as coisas são importantes?

Exatamente.

É verdade.

Dizia o Corréia.

Bom, então o ministro da Economia anunciou que o governo vai preparar o código do licenciamento.

Olha, 2x0 para o Egito. Desculpa, não estávamos a falar de futebol? O Egito está a ganhar de 2x0 à Argentina.

Vai eliminar a Argentina, que horror.

Desculpa, código de licenciamento.

Que horror não, isto é que é interessante neste mundial.

Que horror. Exato, é verdade. Eu já te disse, eu sou fã da Noruega.

Quem nos está a ouvir em podcast não vai perceber este momento. Desculpa, Helena. O código do licenciamento, diz-me tudo sobre o código do licenciamento.

A ideia, diz o ministro, é uma reforma profunda do licenciamento empresarial, licenciamentos mais rápidos, flexíveis, prazos vinculativos, diferimentos tácitos, interoperabilidade entre os sistemas de informação dos diferentes serviços. Isto é uma coisa que nos prometem há muito tempo, o entregue só uma vez o papel, não precisa de entregar muitas vezes. E depois quando nós vamos a descobrir, quando precisamos, vimos a descobrir que nada disso funciona. Isto, de facto, é um tema superimportante. Há um caso que não é propriamente relacionado com o licenciamento, mas que mostra bem como é que isto pode ser prejudicial para a atividade económica e, mais concretamente, para a indústria, porque os governos foram sucessivamente simplificando os licenciamentos. Primeiro, no caso da restauração e das lojas, etc. Depois, já em 2017, no caso dos empreendimentos turísticos, e só agora é que se tende a fazer isto em termos globais. Qual é o setor que acaba por ser altamente prejudicado e em que a simplificação praticamente não existe? É o setor industrial. E se nós queremos que o país aposte mais na indústria, obviamente que temos de avançar rapidamente para a simplificação das regras e um código vai também juntar toda a legislação avulsa que há sobre o tema. Mas eu gostava só de dar um exemplo, que até foi partilhado na Cimeira da Indústria, que foi organizada aqui pelo Observador, se não me engano em Braga, e que foi uma partilha de uma experiência da presidente, da CEO da Têxtil Manuel Gonçalves, Isabel Furtado, e ela contou que em janeiro de 2025 pediu uma licença de laboração contínua para poder trabalhar ao fim de semana na sequência de um aumento da procura. Isso ainda ia dar emprego a mais 80 pessoas. Essa autorização chegou mais de um ano depois, em março de 2026. A rapidez com que o mundo se move não tem contemplações para este tipo de burocracias. E o pedido envolveu 107 páginas de documentação, e ela estava a trabalhar apenas com a Autoridade das Condições de Trabalho E com o Ministério do Trabalho e da Economia. É urgente esta simplificação.

Tens uma nota?

Uma nota para o ministro, 14, por não ser mais depressa, porque isto chegará no outono para discussão pública.

Entretanto, o golo do Egito foi anulado, portanto o Egito vai vencendo por 1 x 0 a Argentina.

Estou a adorar estas transições.

Vasculação.

Do código do licenciamento industrial empresarial para o futebol.

Cabe aqui tudo.

Eu vou acompanhar aqui a nota positiva por várias razões. Enfim, pelos eventuais impactos que possa causar, acho que a iniciativa é boa, mas também, se calhar, por razões de técnica legislativa, se quiserem. Eu sou um grande fã das codificações, ou seja, os códigos são muito úteis, mais do que a legislação avulsa que é produzida. Eu, por vicissitudes profissionais, é a vida, tenho que consultar o Diário da República. Não faço todos os dias, mas faço semanalmente à segunda-feira. Temos esse hábito lá no escritório, toda a gente manda os destaques da semana anterior. É insuportável. Todas as semanas mudam coisas e agora altera-se não sei o quê, e depois altera-se não sei o que mais, e é uma coisa pra aqui, uma coisa pra ali. E até pra quem interpreta e pra quem aplica, a coisa é muito difícil de gerir porque a velocidade a que se produz legislação, para o Estado, que também aplica, ou seja, mas pra administração pública, no caso, de fato também não ajuda muito e não favorece uma coisa que nós já temos muito imbuída, que é que aquilo está feito pra não decidir. E, portanto, quem não decide não corre risco.

Não erra.

Não erra, não há problema nenhum e, portanto, todas estas coisas de: "Poxa, demorou um ano à espera de uma licença não sei o que mais." Ninguém é responsável por isso, ninguém vai sofrer nenhuma agrura por causa disso. A empresa não sei o quê, foi pra não sei pra onde, porque aqui as coisas nunca mais andavam. Acho que é um sinal positivo.

Lita, também queres dar uma nota positiva?

Quero dar uma nota positiva e acho, sobretudo, que é interessante esta questão de, a partir de agora, apenas a intenção de iniciar atividade empresarial é suficiente, desde que seja assinado por um técnico responsável. E eu acho que isso é interessante porque é um modelo de licenciamento que implica que haja uma vistoria a posteriori. A posteriori, se houver uma vistoria, então aí é um procedimento extraordinário ou um procedimento excepcional, já não sei como é que estava escrito, que significa que se não estiver conforme, então esse técnico será responsabilizado. E eu acho que isso é um bom método.

Ou seja, quase que uma inversão daquilo que estamos habituados.

Na habitação também se tentou fazer isso.

Primeiro faz-se e depois se fiscaliza. Eu não disse que o código de licenciamento era um tema fascinante. Vamos falar do problema que se está a viver em Almada com o abastecimento de água. Foi tema também aqui na tarde política do Explicador. Falamos com o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, que é também presidente da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal. E aqui, Helena, tu consegues identificar vencedores e vencidos nesta história?

Consigo identificar vencidos, que são alguns autarcas que se desresponsabilizam daquilo que são as suas responsabilidades. O investimento, eu fui confirmar isso, não fosse estar enganada, cabe às autarquias a distribuição e saneamento em baixa, gestão e investimento nas redes locais. Ao governo cabe a distribuição em alta, captação e transporte. Isto é uma guerra antiga. Eu lembro-me, nomeadamente, de Macário Correia.

Ainda em Tavira?

Em Faro e Tavira. Foi um dos primeiros secretários de Estado do Ambiente que mereceu esse nome, era no tempo de Cavaco Silva. Eu, como já sou jornalista há muitos anos, lembro-me das batalhas dele já nessa altura, e de ele chamar a atenção nos últimos tempos para a falta de investimento que as autarquias estavam a fazer nas infraestruturas. Ele fê-las. Qual é que é o problema que ele também identifica? É que não se vê, e que o presidente da Câmara do Barreiro também reconheceu. É um investimento que não se vê. E então as câmaras, as autarquias preferem andar a investir em festas e festanças. Têm de ter consciência que é preciso investir em infraestruturas que têm 30 anos, quase tanto como o 25 de Abril, porque boa parte destas infraestruturas são investimentos do pós 25 de Abril. Me lembro bem de alguns daqueles desenhos murais a mostrar a quantidade de infraestruturas que se tinham feito na altura. Penso que podem até regressar aos murais para explicar às pessoas que esses investimentos são necessários. No caso da Câmara de Almada, a presidente da Câmara de Almada, Inês Medeiros, sabe bem os problemas que tem.

Temos feito vários convites para falar com a presidente da Câmara de Almada, até agora não tivemos resposta.

E sabe bem. Primeiro, aqueles bairros clandestinos, está identificado, aquilo é um problema para acontecer, é um drama que um dia vai acontecer. Aqueles bairros clandestinos fazem captações de água ilegais que podem contaminar a própria água da rede Esse é o tal rub que o comunicado referiu.

São os consumos ilícitos.

Exatamente, os tais consumos ilícitos. Eu penso que a própria presidente da Câmara uma vez já falou disso, nomeadamente quando surgiram problemas com esses bairros ilegais. E depois, não houve ou não terá havido investimentos. Nós vemos que a zona de Almada tem tido vários problemas, teve nas tempestades, tem agora na água e tem com os bairros clandestinos. Há muitos problemas para resolver.

Mas sendo uma questão de estrutura e com o aumento da população, nomeadamente na margem sul, estará perto de 1 milhão de pessoas, não devia haver também aqui mão do Estado central? Pelo que percebemos, não há dinheiro previsto.

Noutra vida, eu também já fui autarca, curiosamente na margem sul. E sempre me chateou muito essa conversa, porque o poder local faz muito essa conversa. Sempre que há problemas, a responsabilidade nunca é nossa, é sempre do poder central. E o poder central diz sempre que as autarquias é que têm de resolver aquilo e nunca ninguém se entende e os problemas vão se arrastando. Nalguns casos, depois alguns municípios acabam por resolver o problema, resolvem fazer os investimentos, neste ou noutra área qualquer. Noutros não fazem. Depois as coisas notam-se. E Almada tem esse problema, porque Almada não começou a ter problemas nas ruturas de fornecimento na semana passada. Isto é uma conversa que já tem bastante tempo. E muita gente tem se queixado ao longo desse período. Tal como também tem nalguns bairros problemas com eletricidade.

Exatamente. Essas puxadas.

Noutros segmentos, e também de responsabilidade, mas também há bairros inteiros em Almada onde pessoas que compraram as suas casas estão neste momento a viver sem luz, não conseguem ligar o frigorífico, não conseguem ter uma sopa no frigorífico para comer no dia a seguir porque não têm luz, porque há puxadas ilegais e bairros a viver com luz ilegalmente. Portanto, há problemas de vária ordem, há problemas sociais, naturalmente. Há problemas da autoridade do Estado, seja ele central ou local, e há problemas logísticos por causa das ruturas, das canalizações, dessas coisas todas. Depois aquilo que nós fomos ouvindo aqui nos últimos dias: "Isto é porque vem muita gente, é praia, não sei o quê".

Todos os anos isso não acontece.

E fosse imprevisível.

Daqui a bocado a água do mar também vinha das condutas. Depois, afinal já não era daquilo, eram umas ruturas pontuais por causa da canalização. Não bastando existir o problema, ainda temos que levar com coisas que objetivamente são mentira, porque não pode ser tudo ao mesmo tempo. Eu acho que é muito triste vivermos. Noutro país, Almada seria Lisboa, seria parte da capital. À distância a que isto está, aquilo era Lisboa. E acho que é muito triste que a esta distância, por uma das maiores Câmaras da Área Metropolitana de Lisboa, talvez uma das maiores que o PS tenha a seu cargo neste momento, Amadora, Loures, Almada, Barreiro. Aqui à porta, as pessoas não têm água na torneira, é terceiro-mundismo.

Pois, eu concordo. É verdade que aparentemente houve uma rutura que agravou os problemas e terá agravado a situação.

Os problemas começaram antes da rutura.

Sim, mas o problema já existe per se. E isto devia ser um conselho preparado para fazer face a esta situação. Esta resposta de que se está a viver um período de grande exigência de consumo de água. É o verão, isso normalmente acontece no verão, e normalmente acontece no verão em Almada, onde de facto é um local de veraneio. Portanto, é normal que tenha mais gente durante o verão. E depois estamos a falar de situações de corte sem previsão de reposição de abastecimento. Imagino as pessoas a viverem neste aperto. Não sabem quando é que vai voltar a ter água na torneira. E depois há momentos em que a pressão é muito baixa. O facto de as pessoas não saberem implica que não possam precaver-se com baldes, com garrafões cheios d'água, com o que puderem. Há um especial da Marina Ferreira, da nossa jornalista do Observador, sobre este assunto, que vale a pena ler, porque de facto faz ali o desenho do que está a acontecer. E já tinha havido interrupções de fornecimento de água em 2025. Portanto, isto não é um problema novo. Já as ocorrências do ano passado tinham a ver com ruturas, portanto isto volta a haver ruturas na rede adutora e isto está relacionado sobretudo com a zona da Costa da Caparica.

Charneca, Lazarim.

Lazarim, Charneca. Eu acho que isso é tudo zona da Costa da Caparica. Não?

Charneca não é costa, desculpa. Lazarim não é costa.

Certo.

Charneca da Caparica não é costa de Caparica, de Caparica.

Da Caparica. E não é Lazarim. Mas é tudo muito perto dali. Eu já morei ali ao pé, portanto sei que é tudo muito perto.

Vamos a notas?

Eu vou dar sobretudo uma nota ao fato de não haver uma rede a pensar. Há pouco ouvimos a ministra do Ambiente dizer que eram 35% de perda. Isso já não é de agora, e continua a funcionar.

Desculpe só interromper. A ministra do Ambiente também disse que não tinha nenhuma indicação, até para responder à questão colocada pelo Ricardo, de que precisassem de investimentos que fossem da responsabilidade do Estado central, nomeadamente relacionados com a captação.

Que como explicaste, cabe aos municípios.

Sim.

A captação não.

A captação cabe ao Estado.

Vamos dar uma nota rapidamente.

Três e meio.

Três e meio. Nuno?

Três e meio.

Três e meio? Ou 35%.

Três polegadas?

Por causa dos 35.

35%.

35.

Pensei que estavas a falar em tubos de três polegadas.

Não. Eu posso acompanhar pela tristeza que isto é.

Helena?

Três e meio, sim, sobretudo para a Câmara de Almada, que tem de começar a resolver problemas, senão isto começa mesmo a implodir.

Mesmo que eles estejam debaixo da terra e não se vejam.

Ainda temos aqui três minutos e meio para falar sobre as contas das autarquias. Helena?

As contas das autarquias, o Conselho de Finanças Públicas.

É por si um sinal de que há dinheiro. Há dinheiro, afinal.

Há muito dinheiro, mas também há aqui um alerta que me preocupou especialmente. Eu, no caso das contas das autarquias, vou dar sobretudo uma nota ao Conselho de Finanças Públicas, que se tem afirmado como instituição serenamente, primeiro com Teodora Cardoso, que entretanto faleceu, e depois agora com Nazareno Costa Cabral, que vai sair. O que se diz? Diz-se que as receitas, há um excedente orçamental em termos globais, ou seja, as autarquias até estão melhor do que o próprio Estado, que está em déficit, como nós sabemos, só temos as contas equilibradas graças à Segurança Social. Mas este excedente orçamental tem aqui algumas nuances. Primeiro, é explicado fundamentalmente por transferências do Estado para cobrir as transferências de competências, o IMT e a taxa turística. O alerta que me deixou um bocadinho preocupada é: há financiamentos que não estão considerados no cálculo da dívida. A dívida das autarquias tem vindo a aumentar. Em termos de racio não é preocupante, mas há aqui um aspeto que o Conselho de Finanças Públicas refere que pode ser preocupante, até porque nós já vimos esta história de dívida não contabilizada, que é nomeadamente empréstimos para investir no parque público de habitação e nos programas de renda acessível. Isto não está contabilizado na dívida. Valia a pena que se aproveitasse agora alterações que vão ser feitas na lei para acabar com estas exceções, para nós termos um retrato correto financeiro das autarquias.

E amanhã mais vencedor nas manhãs 360, o Luís Rosa junta-se ao João Manuel Fernandes, ao Paulo Ferreira e ao Bruno Viera Amaral.