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E o Vencedor É, com Helena Garrido hoje, a Raquel Ocassis e o Luís Rosa. E o Vencedor É na Rádio Observador e também em vídeo, no YouTube e nas redes sociais da Rádio Observador. Hoje, em destaque, as críticas do ministro das Finanças ao Banco de Portugal e ao Conselho das Finanças Públicas. Também temos a lei da nacionalidade. Já há um acordo entre o PSD e o Chega, mas vamos arrancar a conversa com a audição do governador do Banco de Portugal no Parlamento. Ficaram algumas dúvidas. Luís Rosa, afinal, qual é a pensão de Mário Centeno?
O governador alegou confidencialidade pra não revelar o valor exato da pensão.
Ficaram aqui algumas dúvidas, se são 72%, se é por inteiro.
O Santos Pereira parece que foi claro em alguns matérias, não revelou o valor, é verdade, alegou confidencialidade. Se o assunto era Mário Centeno, o assunto principal da audição, acho que há outras coisas que vale a pena falar, nomeadamente sobre as críticas ao cartel da banca e também sobre a questão das comissões bancárias, mas em primeiro é Mário Centeno. Eu acho que ele foi equilibrado e respondeu bem praticamente a todas as dúvidas sobre o caso da reforma. As explicações que deu foram que o Centeno saiu com uma pensão que valerá 72% do salário do diretor do Banco de Portugal, que em média tem um salário de 10 mil euros. É importante recordar que Centeno era funcionário do Banco de Portugal há mais de 30 anos e a sua categoria era de diretor. Portanto, não estamos a falar nem de uma pensão de 10 mil euros que foi noticiada pra julgar essas declarações, e nem de uma pensão que tenha alguma ligação com o salário do governador. Esta pensão é paga pelo fundo de pensões do Banco de Portugal e, de facto, Mário Centeno tem esse valor e as regras do fundo de pensões são generosas, foi o adjetivo do Santos Pereira. Parece-me que o Santos Pereira também foi transparente em revelar as conversas que teve com o Mário Centeno. Nós, aliás, temos uma peça do Edgar Quiterne em que estão os diálogos todos citados, entre aspas.
Em discurso direto.
Tendo em conta que os políticos portugueses, os titulares de altos cargos públicos, têm sempre grande medo em revelar as conversas que apelidam de privadas, eu, por acaso, aplaudo a transparência de se revelar uma conversa que não é privada, é uma conversa importante sobre uma decisão que foi tomada no Banco de Portugal. Isso parece-me importante. E o Santos Pereira revelou que ele disse logo a Mário Centeno no primeiro dia que podia continuar ou poderia sair, dependia dele, e Centeno escolheu sair após ter falhado a corrida pra vice-presidência do Banco Central Europeu. Esta é a versão de Álvaro Santos Pereira. Desconfio que Mário Centeno, em breve, dará a sua versão. Vamos ver se será a mesma. Álvaro Santos Pereira também revelou que quer acabar, já se sabia, já tinha sido noticiado, que era acabar com os chamados consultores do Conselho de Administração do Banco de Portugal. É uma espécie de partilha dourada pra ex-governadores, ex-administradores não fazerem praticamente nada e serem pagos de forma principesca. Só pra acabar esta parte de Mário Centeno, eu acho que há aqui um pormenor ridículo desta audição, agora tirando a versão de Pereira da equação, que atesta uma vez mais o estado do Partido Socialista, como um partido que está habituado a ter direitos monárquicos sobre os cargos e as instituições públicas. A dada altura, isto foi isso na peça do Edgar Quiterne, o PS perguntou a Álvaro Santos Pereira se não é má gestão de recursos dispensar alguém com o currículo de Centeno, se não podia ficar a fazer estudos, por exemplo. E Santos Pereira respondeu, acho que realmente uma boa resposta: "Podia ficar a fazer estudos, mas as pessoas que fazem estudos são muitíssimo mais baratas do que o professor Mário Centeno." Acho que realmente foi um momento humor na audição. Para mim, sinceramente, parece-me que a questão da reforma de Mário Centeno é um assunto encerrado, o que não fica encerrada é a herança de Centeno no Banco de Portugal. Há ainda muito por saber sobre a forma cesarista e até autoritária como Centeno governou o Banco de Portugal. E vou só dar aqui um exemplo, na chamada fase de transição, antes de Álvaro Santos Pereira tomar posse, Mário Centeno não permitiu que Álvaro Santos Pereira tivesse reuniões com os colaboradores do Banco de Portugal na sede do Banco Central pra preparar esta transição. O banco era dele, era só ele, não podia permitir outro governador naquele espaço. O que é interessante, tendo em conta que as críticas que têm sido feitas a Álvaro Santos Pereira é que ele não queria ter dois papas dentro do prédio, digamos assim.
Helena.
Em termos globais e em relação a este tema específico, penso que Álvaro Santos Pereira esteve genericamente bem, exatamente porque não embarcou na caça ao Centeno em que o PSD, o CDS e até o próprio ministro das Finanças parecem ter embarcado, sem se perceber muito bem com que objetivo. O Álvaro Santos Pereira tem conseguido resolver as questões de forma desdramatizada. Isso obviamente tem um perfil que contrasta com o perfil de Mário Centeno, que é muito mais conflituoso, assertivo, pra não dizer às vezes até agressivo. Isso também se reflete e está a refletir-se na gestão interna do Banco de Portugal. É muito mais de estar com as equipes do que era Mário Centeno. São perfis diferentes. Mas o que eu sublinhava aqui é sobretudo a capacidade que Álvaro Santos Pereira tem tido de desdramatizar a situação. Havia ali um problema, pela primeira vez na história do Banco de Portugal, um ex-governador estava nos quadros do banco. Independentemente do cargo, na altura consultor, que ocupava, isto nunca tinha acontecido, criava-se ali uma situação que não era fácil de gerir e conseguiu-se encontrar aqui uma saída para esta situação, uma saída pacífica. Eu não me parece que Mário Centeno Vai desmentir. Acho que só lhe ficará mal desmentir Álvaro Santos Pereira. Acho que Mário Centeno, quando for ouvido, vai ser bastante agressivo noutros domínios, nomeadamente no famoso tema das previsões, mas não me parece que vá desmentir. De facto, Mário Centeno queria candidatar-se ao lugar de vice-presidente do Banco Central Europeu. Não conseguiu. Há ainda outros cargos, não sei se ainda tem margem, nomeadamente para economista-chefe do Banco Central Europeu. Obviamente que Mário Centeno tem elevadas qualidades como economista, tem alguns problemas, às vezes, ao nível da sua personalidade e na forma de gerir as pessoas e na forma que tem de fazer política, que é bastante agressiva. Mas o Partido Socialista gosta muito dele. Assim como o PSD e o CDS estão numa onda de ataque e de caça a Centeno, o Partido Socialista está numa onda de grande defesa de Mário Centeno.
Pode ter ali uma arma secreta para jogar.
A não ser a do secretário-geral José Luís Carneiro, até será uma piada isso. Mas o Partido Socialista tem um secretário-geral que não tem propriamente um grande espírito de liderança.
Raquel, estás definitivamente esclarecida sobre a reforma de Mário Centeno?
Eu estou e devo dizer que é sempre bom ouvir explicações, mas estava desde o início. Acho que Álvaro Santos Pereira é um homem simples e pragmático. Ainda nos lembramos daquele episódio e do escândalo que deu no país quando ele chegou a ministro e disse: "Tratem-me por Álvaro" e passou a ser gozado, assim como o exemplo do pastel de nata e da internacionalização do pastel de nata, que são duas coisas.
Eu compreendo muito bem o Álvaro Santos Pereira, é uma pessoa com razão antes do tempo. No fundo é como eu.
Ter razão antes do tempo, às vezes não é bom.
Porque nós somos um país que, em primeiro lugar, gosta de falar mal das pessoas, porque é a única razão para isso ter acontecido. E agora está no lugar de governador do Banco de Portugal e fez uma coisa que eu acho que qualquer pessoa que esteja à frente de uma instituição faria com diplomacia, como ele explicou. É óbvio que mesmo que Mário Centeno não tivesse o percurso que tem, não tivesse o currículo que tem e não tivesse o histórico dentro do Banco de Portugal no tempo em que foi governador, mas eu refiro aqui também o tempo antes dele sequer ter entrado para a política, porque Mário Centeno nunca chegou a diretor do gabinete de estudos do Banco de Portugal por causa da sua incapacidade e da sua difícil relação com os seus colegas. Foi por isso que ele não chegou a um lugar que achava que tinha por direito. Foi por relações pessoais, com um economista de reputado nome que estava no gabinete de estudos e a quem ele fez coisas do gênero da que tu descreveste quando impediu Álvaro Santos Pereira de ter reuniões no Banco de Portugal. Coisas desse estilo fazem parte das relações interpessoais.
Eu, por acaso, não é discordando da Helena, mas não é questão de caso Centeno ou menos caso Centeno. Eu acho que ainda falta saber muito sobre o que Mário Centeno fez no Banco de Portugal, porque o Banco de Portugal é mesmo uma caixa forte. É muito difícil descobrir o que se passa lá dentro, mas desconfio que se vai descobrir mais coisas.
Só para concluir, eu acho que Álvaro Santos Pereira tomou uma opção de gestão muito pragmática, racional, que em qualquer empresa é compreensível, e que se quis fazer um caso à volta disto. É óbvio que Mário Centeno não estava a fazer nada dentro do Banco de Portugal. Não era só estar numa prateleira dourada. Não estava a fazer nada.
Naqueles papers maravilhosos.
E o que quer que estivesse a fazer não era bom para o Banco de Portugal. Portanto, eu acho completamente natural que se tenha chegado a uma negociação boa para ambas as partes e que ele tenha saído de um lugar de onde foi o principal responsável e onde já não era mais o principal responsável. E mais, no timing em que foi, porque acho que fez sentido este interregno de tempo, enquanto ele achou que poderia vir a ser vice-presidente do Banco Central Europeu, ficando gorada essa expectativa, não havia ali muito mais espaço para ele.
Ele aparentemente é que quis sair.
Exatamente. Portanto, eu acho que ficou esclarecido para toda a gente, embora eu não tivesse grandes dúvidas que tinha sido esta a opção e a decisão.
Raquel, queres começar tu?
Sim, vou dar um 16 a Álvaro Santos Pereira pelo bom senso, pela normalidade e tranquilidade com que geriu esta questão e com que explicou o óbvio, e com a capacidade que teve de explicar o óbvio para toda a gente.
Helena?
16 também, subscrevo o que a Raquel diz. Nós estamos a precisar de pessoas com bom senso. Existe uma grande escassez de bom senso e Álvaro Santos Pereira transmite aqui serenidade. Há aqui problemas, é preciso resolver, vamos resolvê-los sem dramatizações.
Luís.
Eu dou um 15 e vou enfatizar outra questão, além de subscrever o que foi dito, a transparência. Acho que Santos Pereira foi transparente e a transparência é sempre uma ideia-chave em democracia. Além do mais, convidou o Parlamento a legislar sobre duas matérias muito relevantes. Em primeiro lugar, mexer nos prazos de prescrição de processos de contraordenação da Autoridade da Concorrência, nomeadamente, e também do Banco de Portugal. Isto a propósito do cartela branca, estamos a falar de um processo que prescreveu uma multa da Autoridade da Concorrência para 11 bancos de 225 milhões de euros e que prescreveu em setembro de 2025. Eu aqui estou já a avisar os senhores deputados: vão estudar as diretivas europeias e a jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia. Porque sabe o que acontece na Europa?
Depois de uma acusação, os processos contra os nacionais não prescrevem.
Não prescrevem.
Não prescrevem.
A multa é mesmo para pagar.
É mesmo para pagar.
Uma boa ideia.
Mas nós como somos um país rico, podemos dispensar essas coisas.
Os políticos portugueses e o povo também gostam de pensar na Europa para sacar dinheiro, mas se calhar devíamos pensar na Europa também para termos boas ideias para melhorar o nosso ordenamento jurídico. Das comissões bancárias, que já representam cerca de 20% do total da receita da banca, Santos Pereira também deixou o convite aos deputados para refletirem. E eu acho que isso são dois assuntos que reforçam a minha nota de 15, que é uma nota muito positiva para a audição do Santos Pereira.
Muito bem. E Helena, vamos às críticas, podemos chamar críticas ao desconforto do Ministério das Finanças com as previsões do Banco de Portugal, Conselho das Finanças Públicas.
Críticas às previsões do Ministro das Finanças, do PSD, do CDS.
Isto parece aquelas coisas em que tudo acaba na esquadra, vai tudo acabar no Parlamento, não é?
Tudo.
Mostram os portugueses.
Exato, vai tudo para a esquadra.
Com a banda atrás para a esquadra.
Vai tudo para o Parlamento prestar esclarecimentos.
Exatamente. É uma altura espetacular.
Sobre modelos de previsão.
Exatamente.
Eu adorava que eles levassem os modelos. É o teu subsetor Estado.
É um tema que me fascina, os modelos de previsão.
subsetor Estado.
Sim, sou menino para ficar três dias a olhar para isto.
Exatamente.
Como é que chega a este valor do PIB?
Que o Mário Centeno e Nazaré Costa Cabral cheguem lá com os modelos, ou com um PowerPoint, com os modelos mesmos, os modelos matemáticos de previsão, porque aparentemente é isso que o PSD quer, que expliquem os modelos de previsão.
A casa dos segredos que se cuide, porque o Canal Parlamento vai explodir. Não há triângulo amoroso que vença isto. Desculpa.
Mas indo ao tema, eu começava pelo ministro das Finanças, que é economista e sabe perfeitamente o que são exercícios de previsão. Projeta-se a realidade a partir daquele momento em que estamos e as políticas públicas podem alterar essa realidade. Nada melhor do que uma pessoa prever. De repente, está em perspectiva uma recessão e as políticas públicas podem tomar medidas, e o ministro das Finanças sabe isso. Ele é economista.
Olha, Helena, deixa-me só explicar isso também para quem nos está a ouvir. No fundo, conseguimos um superávit de 0,7.
É verdade, no contexto.
E que ninguém apontava para este valor. Daí a irritação.
Exatamente. Então, na realidade, Ricardo, ninguém acertou, porque o governo não acertou. É 0,7%, o governo previa zero. Estamos numa onda de que isto é como acertar no Totobola, não são previsões, ninguém acertou. O governo previa 0,3, o Banco de Portugal foi o mais pessimista, é verdade, 0,1% de déficit. O Conselho de Finanças Públicas previa um saldo zero. A Comissão Europeia previa também um saldo zero em novembro, que já é muito próximo do fim do ano, e o FMI foi o que mais se aproximou do governo com os 0,2%. Resumindo, ninguém acertou.
Parece aquelas sondagens que erram sempre na véspera das eleições.
Claro, mas são previsões. São previsões exatamente para se tentar antecipar a realidade e eventualmente atuar sobre ela. Eu diria, como o Paulo Futre disse hoje de manhã, eu não sei se os deputados não querem chamar também a diretora-geral do FMI e a presidente da Comissão Europeia para explicar por que se enganaram nas previsões. Depois, o ministro das Finanças diz outra coisa extraordinária, que é: nenhum banco central faz previsões orçamentais. E depois escolheu a dedo o que é a Reserva Federal e o Banco Central Europeu. Bastava ele ter ido a Espanha. Eu voltei a verificar, ontem fui ver, hoje voltei a verificar. O Banco de Espanha faz previsões para orçamento. E o Banco de Portugal sempre fez previsões, não as divulgava. Houve uma altura que divulgava. Eu sou jornalista há muitos anos. Eu lembro-me da crise de 1993, que eu estava no "Diário de Notícias", vê lá as memórias que eu tenho. Estava no "Diário de Notícias" a ler o boletim do Banco de Portugal e foi o Banco de Portugal o primeiro que alertou para o risco de déficit público naquela altura da crise de 1993. O que aconteceu? Por causa destes politiquices, o Banco de Portugal, eu penso que foi António de Sousa, deixou de publicar as previsões para as contas públicas. Fazia e o número ficava internamente. O que se entendeu e decidiu? Publicar essa previsão, voltar a publicar. Já se viu que não evoluímos nada, voltou a mesma tensão. Depois, deixa-me só dizer que o ministro tem que quebrar também algumas regras, uma vez que começou, de alguma forma, a divulgar o saldo das contas públicas antes de o INE o ter divulgado. Eu sei que os tempos já não estão muito exigentes para sigilos. Vimos nos Estados Unidos como é que se aproveitaram de vender petróleo antes da invasão, antes do ataque ao Irão. Deixa-me só ainda acrescentar o seguinte. Agora perdi-me.
Foi do petróleo.
O do petróleo. O ministro, o PSD e o CDS, deixa-me só dizer-te isto. O que é mais impressionante nisto é que nós parecemos estar a recuar no tempo, ou seja, estou a fazer exatamente a mesma coisa que o PS fazia, de ataque às instituições António Costa atacou violentamente o Conselho de Finanças Públicas quando Teodora Cardoso era presidente. António Costa e Mário Centeno atacaram violentamente o Banco de Portugal quando Carlos Costa era governador. Estamos fazendo a mesma coisa, só que os protagonistas são outros. Estamos a repetir exatamente as mesmas coisas sem ter noção de que estamos a atacar as instituições. Nenhum país se desenvolveu com um ataque às instituições. E valia a pena perceber que as críticas são muito importantes. Ter informação é mais importante do que não ter. E os governos têm de aprender que têm de ser escrutinados.
E isso, Luís Rosa, há aqui algum-
Não, queria só dizer. Vamos lá ver.
O PS está a viver mal com a oposição
Compreendo a crítica da Helena. Vamos lá ver. João Miranda Sarmento, acho que essa é a primeira vez que ele criticou, fez uma crítica mais assertiva, comparado com Mário Centeno e António Costa, que pura e simplesmente tentaram remover Carlos Costa do Banco de Portugal. Quer dizer, é uma diferença da noite ao dia. Não vou tão longe quanto a Helena, eu acho que Miranda Sarmento tem razões pra estar satisfeito. Ele teve um bom resultado com o centro orçamental e, aliás, teria um resultado superior a 1% do PIB se não fossem as medidas de caráter extraordinário. Agora, concordo, e aí eu acompanho a Helena, mas numa versão mais moderada, eu concordo que o Miranda Sarmento não precisa atacar a independência técnica do Banco de Portugal e do Conselho de Finanças Públicas. O que eu acho mesmo é que as críticas do Miranda Sarmento visavam essencialmente Mário Centeno e o passado do Banco de Portugal. É por isso que o PS chama Mário Centeno ao Parlamento. Agora, seja como for, Mário Centeno realmente politizou o cargo do governador do Banco de Portugal. Não é só por ter passado de ministro das Finanças pro governador. O seu próprio exercício do mandato foi uma politização daquele cargo. E, portanto, eu compreendo que o Miranda Sarmento o critique. Agora, estender essas críticas aos técnicos do Banco de Portugal e aos técnicos do Conselho de Finanças Públicas, isso aí eu já acho errado e acho um exagero. O regime de checks and balances é fundamental, e aqui eu acompanho a Helena, para uma democracia de pessoa.
Helena, queres dar uma nota?
Mas deixa-me só dizer isso que é importante. Nós precisamos de entidades independentes, nomeadamente o Conselho de Finanças Públicas, que é um órgão relativamente recente, e o Banco de Portugal, que já não é tão recente, obviamente. Essas entidades devem ser respeitadas, desde que se façam respeitar. E eu aqui volto a Mário Centeno. Mário Centeno não se fez propriamente respeitar muito como governador do Banco de Portugal, e por isso é que ele é chamado ao Parlamento.
Helena, queres dar tua nota?
O Mário Centeno também fez alertas no tempo do Fernando Medina. Ele tratava toda mundo por igual. Eu não estou a dizer que ele era um santo, claro que não era muito assertivo. A minha nota vai para o ministro das Finanças e o PSD e o CDS, a quem dou um seis por esta irresponsabilidade.
Raquel, e o PSD e o Chega conseguiram desembrulhar a questão da lei da nacionalidade?
Lá casaram, quer dizer.
Sim? Ficou o assunto arrumado? Ainda estará agora a ser votado.
Está interrompida a sessão, parece, pra fazerem a votação. Não sei se é pra chamar os deputados, se é por algum incidente de percurso. Mas em todo caso, já a meio desta tarde, o líder parlamentar do PSD veio anunciar que se tinha entendido com o Chega nesta matéria e que a lei da nacionalidade iria ser finalmente votada e aprovada. Em princípio, garante o líder parlamentar do PSD, que expurgado o diploma das inconstitucionalidades que tinham sido detetadas pelo Tribunal Constitucional. O que eu acho que vale a pena aqui falar é, mais uma vez, uma incapacidade do Partido Socialista de saber, pra além de fazer de Calimero e dizer sempre que a culpa é do PSD, que já não tem linhas vermelhas, deixar de se fazer de Calimero e passar a ser mais pragmático na política. E o que nós percebemos no final deste percurso é que o Partido Socialista não saiu da sua posição inicial pra tentar encontrar um acordo que eu acho que seria muito importante pro país, porque tornaria esta lei menos demagógica, e seria muito importante pro Partido Socialista conseguir, depois do congresso do último fim de semana e todos os comentários que têm sido feitos sobre ninguém perceber bem o que é que é o PS e pra onde é que o PS vai, eu acho que teria dado uma boa prova de vida se tivesse caminhado um pouco para chegar a um entendimento com o PSD na lei da nacionalidade e evitado que esta lei fosse aprovada com o Chega, com todos os sublinhados e comunicados e conferências de imprensa que o André Ventura já fez, desde que há duas horas foi anunciado este entendimento, reclamando e enfatizando os lados em que conseguiu chegar a acordo com o PSD, que não vão tão longe como o Chega sempre quis, mas encontrou-se ali um meio caminho. E nisso André Ventura, de fato, dá cartas, porque acaba por ceder muito mais do que ele diz que cedeu, mas consegue chegar a acordo e o Partido Socialista mais uma vez ficou à varanda agarrado a princípios. E esta questão da nacionalidade é uma questão Que é difícil para o Partido Socialista se reabilitar aos olhos dos portugueses, porque a questão da imigração, das entradas descontroladas nos últimos anos.
E tivemos uma ótima notícia sobre isso hoje, que foi um ano depois havia verde para contratar imigrantes, por exemplo. É um balanço positivo dos empregadores. Já foram atribuídos mais de 3328 vistos. Ou seja, uma política que o PS critica duramente, de forma cedente, às tais linhas vermelhas, que é o controlo de imigração.
Mas devia ter feito a reflexão. Pedro Nuno Santos até fez essa reflexão, mas depois não foi capaz de gerir essa agenda. Mas passado este tempo todo, não se compreende como é que o Partido Socialista não faz uma reflexão e não começa aqui a fazer caminho, porque esse é também o caminho para poder se repensar. Tendo de reconhecer erros em pessoas como António Costa e Ana Catarina Mendes. Pois, exatamente. O que significa que este PS continua agarrado ao costismo, esse tempo, essas políticas que aplicou e, portanto, não vai conseguir sair da cepa torta. Amanhã será entregue a famosa lista dos juízes para o Tribunal Constitucional. Eu quero-me parecer pelas declarações ou pelas não declarações que têm sido feitas por parte do PSD, que o PSD está a querer encontrar aqui uma solução que não seja completamente aquilo que o Partido Socialista quer, mas que também possa ser lida como alguma cedência ao Partido Socialista. Eu imagino que seja encontrar ali um segundo nome de consenso entre os dois partidos. Não sei se é isso, mas é a leitura que eu faço do que se possa estar a passar. E se o PS mais uma vez sai fora para querer dizer ao país que há aqui uma incoerência horrorosa do governo e que acabaram as linhas vermelhas, eu acho que o PSD pode não ganhar muito com isso, mas o PS não ganha de certeza.
Não, queria só dizer uma coisa, me parece que o José Luís Carneiro está capturado pela ala esquerda do Partido Socialista, que é uma coisa que eu não consigo compreender. Eu conheço José Luís Carneiro. José Luís Carneiro está nos antípodas do pensamento de Pedro Delgado Alves, de Isabel Moreira, de todos os outros membros da ala esquerda. Mas quando nós olhamos para o Partido Socialista no Parlamento, quando olhamos para estas matérias de liberdade e garantias, são estes dois deputados que nós vemos representar o Partido Socialista. Eu até, por acaso, desafiava Isabel Moreira, que apoiou Catarina Martins nas presidenciais, ou Pedro Delgado Alves para se candidatar à liderança do PS e vão votos no país para ver quanto é que valem.
Já foram, no tempo de Pedro Nuno Santos, já foram. Já se percebeu o que isso vale no Partido Socialista.
A Raquel tem toda a razão. O Partido Socialista tem que se recentrar, tem que se reconstruir aos olhos do eleitorado, tem que voltar a ganhar credibilidade junto da classe média, junto dos jovens, junto até dos pensionistas que também fugiram um bocadinho do PS. Portanto, tem que voltar a ganhar credibilidade. E não é agarrado ao passado, agarrado a políticas que não resultaram, que o Partido Socialista se vai reconstruir. Isso é um grande dilema do PS neste momento.
Basicamente, há aqui alguns temas que obviamente sou sensível e que me causo dentro da pouca profundidade que dediquei ao tema, que é o facto de passar a existir uma sanção acessória na lei da nacionalidade, mas o Luís até perceberá melhor disso do que eu, porque as pessoas são condenadas no quadro do código penal e depois são condenadas também porque perdem nacionalidade. Isso não me parece muito bem.
São condenadas pela prática de um crime e, se a lei entrar em vigor, podem perder uma pena acessória, podem perder a nacionalidade.
Exatamente. É isso que me parece um aspeto que, pelo menos a mim, no quadro dos princípios, me preocupa mais. Agora, concordo inteiramente que o PS tem de se repensar, mesmo o que resultou deste encontro no fim de semana e mesmo o discurso. Confesso que o próprio discurso do líder do Partido Socialista parecia o discurso da Miss Mundo. Quer dizer, todos nós queremos mais habitação, mais educação, mais saúde, todos nós queremos salários mais altos. O problema é como é que se faz. E as saídas, as receitas que o Partido Socialista tem e que aplicou no passado, como se viu, não deram bons resultados. E no caso da imigração, obviamente que o PS é o grande responsável pelos problemas que nós tivemos e acordou-se tarde demais para essa questão, porque qualquer pessoa que falasse do tema era acusado de xenófobo e de racista, quando não se aperceberam da pressão que já estava a existir em algumas comunidades. E o PS fazia bem, mas o PS não fez isso nunca na sua história, em reconhecer que cometeu ali um erro muito grave e que pode ter ele próprio, também através desta via, alimentado discursos nacionalistas e xenófobos.
A imigração muito provavelmente é a principal razão, se calhar, estou a especular, pela qual o PS ficou em terceiro lugar e o PS não consegue enfrentar isso. É uma coisa terrível.
Obrigado, Luís Rosa, obrigado à Helena Garrido e à Raquel Abrucassisa.
Boa maneira de nos calar.
Foi.
Foi de elegante. Mas simpática.
O PS devia dizer boa Páscoa.
Boa Páscoa.
Boa Páscoa também, feliz Páscoa para todos. Amanhã há mais Vencedora, é depois das 08:30 da manhã, nas Manhãs 360 e amanhã com este elenco de luxo: Ana Sanches, José Manuel Fernandes, Paulo Ferreira e Bruno Vieira Amaral.