Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E o Vencedor É, na Rádio Observador, também em vídeo no YouTube e nas redes sociais da Observador, com Helena Garrido, Ricardo Ferreira Reis e Nuno Gonçalo Boças. Hoje temos um menu muito variado. Temos a história de um moldavo detido em Reguengos de Monsaraz por suspeita de tráfico de seres humanos, isto no resultado de um mandado internacional. Também temos um caso no Seixal relacionado com a CNE e boletins informativos em período eleitoral. E já que estamos no domínio autárquico, depois de uma praga de pulgas, uma praga de baratas na Maia. Já vamos perceber por que a Helena Garrido quer falar sobre estas pragas na Maia. Mas começamos com Ricardo, uma homenagem ao professor Carvalho Guerra, que hoje faleceu e que é um nome incontornável para a Universidade Católica, sobretudo para a Católica do Porto.

Não é a Católica do Porto, é a Católica Portuguesa no Porto. Aliás, isso é um dos méritos do professor Carvalho Guerra.

Exatamente, que faz toda a diferença.

Que faz toda a diferença, exatamente. Só há uma Universidade Católica, que é a portuguesa, mas o professor Carvalho Guerra é uma figura incontornável da academia e da região. Poucas pessoas têm um impacto numa região tão grande, sobretudo nos últimos 50, 60, 70 anos. O senhor faleceu hoje com 93 anos e picos, quase 94. E é uma vida de 20 valores, já que temos que dar nota, começa já por aí. É uma vida de 20 valores que mudou o perfil da cidade, da região, nesta dimensão acadêmica e merece a mais sentida homenagem. Eu falava hoje com a senhora reitora da Universidade Católica e ela dizia que os visionários não morrem. É uma pessoa desse calibre. Queria aqui prestar a minha homenagem neste dia e expressar os meus sentimentos à família, à universidade, de que faço parte também, e a toda a região.

Ficam os 20 valores para o professor Carvalho Guerra. Nuno, tu queres vir aqui a um caso no Seixal relacionado com boletins informativos, aqueles que às vezes aparecem na caixa do correio, enviados pelas câmaras. Ora, o problema é que são boletins informativos em tempo de período eleitoral. Tudo isto foi enviado para a CNE, que agora enviou para o Ministério Público. Queres ajudar-nos aqui a compreender melhor esta história?

Sim. Em termos muito sínteses, é isso. Se calhar, eu tenho uma obrigação, não sei se ética, mas pelo menos moral, de fazer aqui uma declaração de interesse. Além de ter morado no Seixal muitos anos da minha vida, fui autarca lá e este é um boletim que eu conheço. Já não acompanho há muitos anos, mas conheço mais ou menos. E este boletim municipal que o presidente da Câmara, Paulo Silva, que também conheço há muitos anos, já agora, fez questão de dizer que é uma publicação que conta com mais de 800 edições ininterruptas e que remonta ao mês de abril de 1975. Durante muitos anos eu consumi o Boletim Municipal do Seixal, que é uma espécie, não sei se hoje ainda, porque há as queixas que foram feitas pela concelhia do PS à Comissão Nacional de Eleições, falam aqui da questão do pluralismo, etc. A determinada altura, acho que as oposições passaram a ter um lugar. Não é uma coluna, mas um lugar.

Uma página.

Sim, uma coisa.

Espaço.

Sim, tinham direito à sigla aparecer no meio daqueles relatos do que se passava na assembleia municipal. Eu imagino, porque já vivi noutras freguesias, noutros concelhos e sei que as freguesias e os concelhos gostam muito de fazer esse tipo de coisas, que é a chamada publicidade, não sei se é institucional, não sei se é exatamente assim que se chama, mas é no fundo propaganda paga pelo contribuinte. Eu dou do barato que haja aqui uma linha tênue entre o conteúdo informativo aos munícipes e aos fregueses. Aconteceu isto, aconteceu aquilo. Vai para o próximo mês. As obras, isso eu ainda acho que está pra lá um bocadinho da fronteira, mas pra cá pode estar o: vamos abrir agora o coiso para os miúdos irem pra praia e tal, e as inscrições são aqui e ali. Esse tipo de conteúdo, de facto informativo.

O Facebook veio matar um pouco o boletim municipal também.

Veio.

Com pena, estou a dizer isto com pena. Eu também gosto de boletins municipais.

Sim, e na verdade as redes sociais até fazem uma coisa. As redes sociais ajudam a que essa linha tênue fique ainda mais difusa.

Nós preocupamo-nos com coisas estranhas.

Sim, e depois, por exemplo, nas redes sociais há muita coisa que pode ser corrigida a tempo, coisas que podem ser apagadas. Isto, nós estamos a falar de uma publicação em papel, que tem uma circulação de 70 e tal mil exemplares, de forma quinzenal, salvo erro. Pelo menos no meu tempo era e acho que agora, pelo menos pelo clima da notícia, continua a ser.

70 e tal mil exemplares?

Sim, o conselho é grande, tem muita gente.

Sim.

E mesmo assim não chega a todos, isto é só uma freguesia. E o PS local fez uma queixa porque durante o período eleitoral, nas últimas eleições autárquicas em 2025, a Comissão Nacional de Eleições considerou que dois desses boletins municipais, de julho e de agosto Violaram os deveres de neutralidade, imparcialidade e a proibição de publicidade institucional em período eleitoral. Portanto, há essa deliberação e a CNE entendeu ainda que existiam indícios subjectivos da prática de crime e, portanto, despachou o processo para o Ministério Público.

E vai daí?

E vai daí, o Ministério Público fará aquilo que entender. O presidente da Câmara, o meu ilustre colega Paulo Silva.

A quem mandamos um abraço.

A quem mando um abraço. De resto, eu tenho uma relação muito simpática com ele, muito agradável. Já nos rimos muito, embora ele seja um comunista empedernido, e ele ache, como disse uma vez, que eu sou tão democrata como o Jaime Neves.

Isso não era um elogio.

Acho que pra ele não era, mas eu fiquei agradecido. Eu não estava a contar com isso. E, portanto, agora fará o que entender. O presidente da Câmara nega naturalmente isto, diz que é tudo um bocadinho mais do mesmo, que é uma publicação muito antiga, é mensal, aliás, corrijo aquilo que tinha dito há pouco, tendo caráter informativo, de divulgação da atividade municipal ou de interesse municipal, que é promovida pela autarquia e outras entidades públicas locais, que as mensagens são objetivas sobre ações realizadas e não visam nenhuma candidatura concorrente às eleições. O que sucede é que o Seixal é um dos poucos concelhos no país onde o PCP continua a ter, hoje já não maioria absoluta, mas é um dos últimos bastiões do PCP nas autarquias e aqui à volta de Lisboa com particular destaque. E isto é uma situação que me incomoda particularmente, não em concreto, mas em geral, que é de facto o abuso que se faz deste tipo de recursos. Há tempos eu falava com alguém: "Como é que é possível?" Estávamos a falar de outra junta de freguesia qualquer, até de outra cor política, até acho que era do PSD. Como é que os trabalhadores da autarquia não reduzem e há cada vez menos gente disponível pra fazer determinadas coisas, tipo arranjar os passeios, os canteiros, não sei o quê, aquelas coisas. E há cada vez mais funcionários em juntas de freguesia a fazer precisamente este tipo de coisas, a gestão das redes sociais, enfim, não vai lá arranjar os canteiros, depois aquilo trata-se e, portanto, este marketing é muito bonito. E eu estou muito cansado da propaganda paga. A propaganda é normal, é razoável, é até exigível que se faça em democracia ou em ditadura, seja lá o que for, toda a gente precisa. Mas eu volto outra vez a citar o Romário, que é: "Quem precisa de boa imagem são aparelhos de televisão."

Tens uma nota?

Tenho aqui um 1975 pro Boletim Municipal do Seixal.

1975, dado aqui pelo coronel Jaime Neves. Helena, a situação no Seixal e no Boletim suscita-te alguma inquietação?

Aquilo que o Seixal fez não é muito diferente do que outras-

Alegadamente.

Alegadamente. Não é muito diferente do que outras autarquias já fizeram, algumas até foram condenadas, já na história da nossa democracia. Aqui, de facto, eu subscrevo tudo aquilo que o Nuno disse. Aquilo a que nós estamos a assistir nas autarquias, depois do sucesso que foram após o 25 de abril, eu não quero generalizar, mas aquilo a que estamos a assistir é a um desperdício de recursos que faz com que aconteçam este tipo de coisas. Há dinheiro pra fazer 70 mil edições de um boletim municipal de utilidade duvidosa e depois não há dinheiro para fazer aquilo que só a autarquia pode fazer. E ainda por cima, como sabemos, agora é muito mais barato fazer propaganda através das redes sociais.

Ricardo.

Era a dúvida da eficácia deste tipo de informação, ou seja, quantas vezes é que vão ter consigo. Já viste o que eu vi aqui no Boletim Municipal?

Acho que nunca.

Nunca. Mas eu sei como é que aquilo funcionava. Agora aparentemente é mensal, mas eu acho que já foi quinzenal, pelo menos. Tenho essa memória. E quinzenalmente nós éramos bombardeados na caixa do correio com 40 páginas ou 30 páginas ou o que fosse.

Com fotografias do presidente da Câmara.

Com o presidente da Câmara em todo lado. O tipo não há de votar nele.

Era isso que eu estava a perguntar.

Sim, e é muito curioso ao mesmo tempo, que o Seixal, por exemplo, seja um concelho onde Cavaco Silva ganhou eleições legislativas duas vezes, ganhou presidenciais duas vezes, onde o PSD e o PS ganham eleições sucessivamente de hábito nacional. E depois, na eleição autárquica, que durante anos era maioria absolutíssima do PCP, da CDU, do PCP, na verdade, porque ali não era CDU, não havia nenhum dos Verdes, um tipo assim um bocadinho mais desbotado. Como é que é possível? E na verdade, isso devia-se muito à propaganda que o PCP fazia com recursos públicos. Não duvido que tivesse algum impacto, mas eu estou a ganhar esta dúvida em relação aos materiais de propaganda tradicionais, ou seja, nomeadamente os cartazes, que eu não entendo como é que muitos daqueles cartazes que estão a fazer, os outdoors, estão ainda a fazer à volta de determinadas zonas, quer dizer, o completo desrespeito que houve pela Rotunda do Marquês e que foi preciso alguma coragem para os tirar de lá, porque legalmente eles tinham direito a estar lá, ainda para mais.

É propaganda política.

É propaganda política. Mas isto sai muito de controle, este direito que a política tem a passar por cima daquilo que prega nos próprios cartazes, que não há planeta B e coisas do gênero, que é uma das ironias maiores em Almada, era um cartaz do Bloco de Esquerda todo esfrangalhado a poluir, a dizer que não há planeta B.

É um pouco anacrônico, não é?

Era. E ficam quase que para nos recordar que estamos numa democracia e que vai haver eleições mais cedo ou mais tarde. Estão lá os cartazes a guardar o seu espaço

Que não é permitido às empresas fazerem esse tipo de publicidade em contínuo, e ainda bem, mas já era hora de nós revermos e disciplinarmos um pouco mais o que é o material de propaganda e, já agora, medir a sua eficácia, o seu impacto verdadeiro, e era aí que eu queria chegar.

Os cartazes do Chega têm impacto.

E os da Iniciativa Liberal também tiveram ou têm, e há dúvidas sobre isso. E depois há aquela dúvida: se nós não pusermos cartazes, seremos ignorados, porque os outros estão a pôr. O tal equilíbrio de Nash do dilema do prisioneiro. Há aqui um conjunto de equilíbrios que fazia sentido serem reponderados em função de uma lei sobre material propagandístico.

O Presidente Marcelo nunca pôs cartazes.

Não. E o Vasco Costa, se não me engano, também não.

Ele próprio era um cartaz, o Marcelo Rebelo de Sousa. Não precisava.

Não vou falar sobre isso.

Não.

Tinha montinho, não precisava de montinho. Quase uma hora.

1975. Helena, tens alguma nota?

Nem sei. Talvez um 10. Esta história fez-me lembrar que talvez pudesse aplicar uma regra que havia no "Diário de Notícias" muito antigamente, que é o repórter parlamentar tinha de escrever o número de laudas. Na altura não era caracteres. Era o espaço ocupado por cada partido, era proporcional ao número dos seus representantes na Assembleia da República, quando o "Diário de Notícias" era um jornal altamente institucional. Ia ser uma regra que podiam aplicar nos boletins municipais.

Ricardo.

Eu dou um cinco à pegada ecológica destes materiais todos e dou um sete, já agora, aproveito toda a escala de negativas, ao impacto que esta informação possa ter na decisão dos eleitores.

E já vamos voltar e vamos continuar no domínio autárquico e das pragas. Segunda parte de "Iuventus Horæ", com Helena Garrido, Ricardo Ferreira Reis e o Nuno Gonçalo Poças. Já que estávamos no final da primeira parte a falar sobre questões autárquicas, Helena, depois de uma praga de pulgas, uma praga de baratas na Maia.

Esperemos que não venha a seguir gafanhotos. Quando só falamos em pragas, só nos lembramos das pragas.

Lembra-se das pragas do Egito, não é?

É, as pragas do Egito.

Por que isto tem a ver com o domínio autárquico?

Totalmente. Mas vamos começar pelo contexto. Há uma reportagem no Observador, que vale muito a pena ler, que descreve tudo. Isto está a acontecer sobretudo na vila de Águas Santas, que é a segunda maior freguesia em população do Conselho da Maia. Primeiro foram as pulgas, agora são as baratas e a descrição que as pessoas fazem é totalmente aterradora. Uma das citações: "Este ano saem por todo lado, é impossível abrir o portão, é impossível dar uma caminhada a pé com os miúdos, é impossível estar no terraço ao fim do dia." E depois, o Observador falou também com o presidente da Associação Nacional de Controle de Pragas Urbanas, que diz que, basicamente, e pra resumir, o que a autarquia faz, em vez de prevenir, é atuar em urgência e em emergência. Fazem concursos, os preços são tão baixos que muitas vezes não concorrem sequer, porque não vale a pena. Isto são trabalhos especializados, hoje em dia até com as regras europeias, bastante especializados, e o resultado é que andam em ambiente de emergência. A Maia é, de facto, uma autarquia que é uma referência em termos de gestão de resíduos. Tem uma empresa que é uma empresa formada por municípios, que é a Lipor, que é, de facto, uma referência, e com um conjunto de boas práticas que devia ser seguida por várias outras empresas. Mas neste caso concreto, não me parece que esteja a funcionar muito bem. Ou seja, assim como os boletins municipais, isto é um reflexo da inversão total de valores que a classe política autárquica começa a ter, fruto, obviamente, do eleitorado. Em última instância, os grandes responsáveis são os eleitores, porque gastam dinheiro em festas e festanças, adoram organizar eventos, são organizadores natos de eventos, não há terra que não tenha festa medieval, como se a época medieval-

São mais festas medievais agora do que na Idade Média.

Sim.

E depois também, qual é o gosto de estar a falar de uma festa ou a fazer uma festa de um tempo horrível como foi o tempo medieval?

Pensei que ias criticar o hidromel.

Olha, eu acho que nunca fui a nenhuma, portanto, acho que o hidromel é um consumo capaz. O que assistimos? Assistimos aos jardins que não são tratados, aos resíduos que não são tratados, às infraestruturas d'água, casos como Almada.

O que não se vê.

Tudo aquilo que não se vê é degradar-se. E aquilo que é importante, as autarquias Não fazem. Enquanto os eleitores não perceberem que as autarquias não servem pra organizar eventos, mas sim pra garantir os serviços básicos da população, nós estamos bastante mal. E eu tenho pena que isso esteja acontecendo em Maia, porque tenho uma grande admiração profissional por aquilo que-

E o nosso abraço pra Maia. Já enviamos um abraço pra Sesimbra

E vamos na sexta-feira pra Maia.

Um abraço pra Maia.

E também conheço a Lipor, que tem sido uma referência nesta área, mas obviamente pro presidente da Câmara de Maia vai um seis, assim como a todos os autarcas que não perceberam ainda qual é o seu papel e se focam no eleitorado apenas.

Eu acho que este tipo de circunstâncias são também o reflexo da urbanização acelerada a que muitas daquelas freguesias estão sujeitas. Ali a zona de Águas Santas, aliás, como o nome indica, é uma zona algo úmida. Se calhar, em vez de festejarem a época medieval, deviam estudá-la um pouco melhor pra perceber onde é que eles urbanizavam.

Eu não sei se Maia tem pestes de Egito.

Pulgas já tem.

E apesar de santas, não conseguiram livrar-se da praga.

Da praga, exatamente. Foi mais pelas águas e menos pelas santas. Eu acho que mereceria uma reflexão sobre o que estamos a fazer em termos de urbanização, o que estamos a fazer em termos de quando se põe o cimento em cima de zonas de impermeabilização dos solos, que tem consequências que a natureza de alguma forma vai resistir, como pode e sabe, infestando as partes mais urbanizadas. Não estou a tirar culpa à autarquia, de maneira nenhuma. Não estou a dizer que a culpa é das pessoas que estão ali, de maneira nenhuma. As pessoas estão ali porque as deixam estar ali, porque lhes deram licenças pra estar ali.

As responsabilidades autárquicas em matéria urbana demitiram-se completamente do planeamento urbano.

Era exatamente aí que eu queria chegar. Estamos a ver agora, na prática, o resultado, nestes casos, de decisões que se calhar não foi o atual presidente da junta, nem o atual presidente da Câmara que tomaram, mas que foram tomadas sem este tipo de cuidado e que exigem uma reação que vai pra além das festas medievais, de fato. Exigem uma reação que a população, no artigo que muito bem descreveu, vai impedir para que os libertem das várias sucessivas pragas, já agora não relacionadas entre si. Não há baratas porque houve pulgas. A relação parece ser espúria. Ou seja, conduzida por um fator qualquer comum, porque, por exemplo, também se queixam de mosquitos.

Bicharada variada.

Bicharada variada.

Que transforma a nossa vida num inferno.

Completamente.

Sim, e com tendência a piorar à medida que vamos impermeabilizando zonas cada vez maiores.

O problema é que isto em Maia atingiu estes níveis dramáticos, mas não é exceção, não é caso único. Não é caso único, porque deixou de se fazer tratamentos.

E em Lisboa também temos muita bicharada dessa.

Muita rato, muita barata e muito mosquito também.

Onde?

Aqui.

Mas os mosquitos ainda há os panfletos.

Temos o botinho municipal.

O botinho municipal podemos dar-lhe com eles.

E da barata também.

Não vou acrescentar muito mais, é isso.

Mas não queres dar uma nota à praga?

À praga? À praga é 20. Tá muito bem, tem feito o seu trabalho.

Vais fazer muitos amigos na Maia. O Ricardo ainda quer falar sobre a história de um cidadão moldavo detido em Reguengos de Monsaraz, na sequência de um mandado internacional.

Pois, porque à semelhança das baratas, eles andem aí. Desculpem a piada, mas a questão é que redes de tráfico humano de caráter internacional é o que nós mais temos tido em todo o continente e em toda a União Europeia, de forma mais ou menos organizada. De fato, isto não é o tipo de problema que se resolve em Reguengos de Monsaraz ou em Setúbal. E dou alguma razão a quem se queixa de que isto é um assunto europeu. É um assunto europeu. Nós precisamos de uma regulamentação de imigração que nos diga quem é que pode e como pode entrar, e precisamos de dignificar a jornada do migrante desde o ponto de partida até ao ponto de regresso no final de uma vida ou de permanência no país de destino. Isto pode ser feito de uma forma mais regulada e mais regulamentada, com uma atuação e uma operação mais efetiva das autoridades, por exemplo, consulares a nível europeu. Dou um exemplo: nós não temos embaixada nem consulado no Nepal. Não obstante, temos muitos nepaleses.

É uma das principais comunidades estrangeiras em Portugal. A segunda ou terceira.

E agora eu pergunto-me como é que eles chegaram aqui com toda a certificação legal que lhes permitiu vir para Portugal. Tiveram que ir à embaixada ou ao consulado em Nova Déli e tratar do assunto.

Não precisaram de nada. No tempo do António Costa, não precisaram de nada.

Pois, e o ponto é esse. Mas tiveram facilitadores. Como esse senhor moldavo, que provavelmente facilitou a vida a muita gente e que lhes proporcionou uma jornada mais acelerada a chegar aqui a troco de um sustento qualquer e de uma renda qualquer. É este tipo de ação Que nós temos que acabar. E isto não se acaba em Reguengos de Monsaraz, malgrado o excelente trabalho que as autoridades terão feito neste caso em concreto, dando seguimento a um mandado de captura internacional, penso que é o que tem emitido pela própria Moldávia, que é um ponto importante neste assunto. Ou seja, isto é um assunto que começa, como eu dizia, lá na origem dos migrantes. Nós precisamos de migrantes, sim, mas precisamos deles para trabalhar e precisamos deles para acrescentarem valor e para lhes acrescentar valor à sua própria vida. Ora, isto exige algo que seja transparente, bem feito, coordenado. E de facto, a União Europeia tem uma obrigação maior e devíamos exigir mais à União Europeia para fazer este trabalho.

E é uma nota por isso, Ricardo?

É a nota que se dá a quem se quer motivar, tipo 11 ou 12, para ver se melhoram. Isto passa por uma intensificação do diálogo e, sobretudo, passa por uma coordenação quer destas políticas, quer para acabar com os paratos depois de reação às entradas, quer chamamentos absolutamente despropositados como o que Pedro Sánchez terá feito no passado.

Pois, eu acho, mais uma vez, que isto nos obriga, e vou concordar aqui e dar uma nota muito positiva às autoridades, de facto, isto tem sido um flagelo dos últimos anos e que curiosamente não cessou, bem pelo contrário, com a desregulação ou com a manifestação de interesses, que normalmente era um argumento. Toda esta conversa da imigração, que é de facto um debate europeu, e é bom que seja de facto um debate europeu, os países estão a fazê-lo. Mas eu acho que nós temos que começar a pôr muitas coisas em cima da mesa para falar sobre isto, que é, em primeiro lugar, talvez a Europa tenha de começar a perceber, e eu acho que os povos europeus estão a perceber isso de alguma maneira, que independentemente das questões do humanismo, da nossa capacidade, da necessidade, há um debate importante que é para fazer nos países de origem da imigração, que é porque é que as pessoas estão a sair de lá.

Porque é que querem sair.

Porque é que querem sair. O segundo é até que ponto é que nós estamos confortáveis com as fronteiras que temos quando andamos a financiar países vizinhos nos quais não confiamos plenamente para susterem enxurradas de imigração, sendo certo que ficamos, acho eu, à mercê das suas vontades e das suas chantagens que podem fazer com a Europa, porque nós não queremos cair esse tipo de problemas e vamos funcionando de outra maneira. E depois ainda há outra coisa, que talvez seja a terceira, que é o tipo de modelo económico que nós queremos e o que é que de facto os europeus querem fazer com as suas próprias vidas, porque se é de facto um sistema que assenta em muita gente que vem de fora com salários baixos, se é outra coisa qualquer.

Helena, ainda temos aqui um minutinho para falares de Ceuta.

Bom, Ceuta relaciona-se diretamente com o tema que nós acabámos de referir agora. O "El País" tem uma reportagem sobre a perseguição de imigrantes em Ceuta, referindo nomeadamente que há grupos organizados por WhatsApp e a expressão é deles na caça ao imigrante, bairros com policiamento dos vizinhos para os imigrantes não entrarem aí. E eu diria que Ceuta começa a ser um case study. Foi um case study a mostrar a fragilidade europeia em termos de segurança, é um case study a mostrar o que acontece quando o Estado se demite nas suas funções nucleares de segurança e de defesa. Começam a existir tentações de justiça pelas próprias mãos. Em Espanha isto já tinha acontecido em Múrcia, em 2025, quando houve um idoso que foi agredido, alegadamente por um imigrante.

Não, mas acho que foi mesmo.

Foi.

Havia imagens, sim.

E andaram a perseguir imigrantes. Espanha tem outros exemplos em que as pessoas começaram a fazer justiça com as suas próprias mãos, a ocupação, por exemplo, de casas. Eu penso que a Europa tem de acordar rapidamente, porque estamos a construir um barril de pólvora que ameaça o Estado de direito e as democracias europeias.

Obrigado, Helena. E amanhã há mais "You Vence Doré", nas manhãs 360. A Ana São Lê junta-se ao Jamel Fernandes, ao Paulo Ferreira e ao Bruno Vieira Amaral.