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"E o Vencedor É..." na Rádio Observador e em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Com a Judite França, o António Costa e o Alexandre Borges. O congresso do CDS. Sim, o CDS teve um congresso este fim de semana em Alcobaça e Nuno Melo foi reconduzido à liderança. E também temos ânimos exaltados no PS com o governo português sobre o que disse Marco Rubio, o secretário de Estado norte-americano, sobre a utilização da base das Lajes. Francisco Assis, o eurodeputado do PS, já vai dizer que o PS adotou uma retórica infantil e extremista. Ora, temos a sorte de ter alguém conosco que conseguiu, há muitos anos, vestir calças de ganga de uma marca norte-americana, precisamente.

A bom preço.

A bom preço, porque é um terceirense ilustre. Alexandre Borges, o que te ofereces dizer perante tanta polêmica?

É que, de facto, nós somos um país de poetas, realmente, porque a história desta nossa ida à guerra do Irão é a história de uma guerra de palavras. É assim que nós vamos à guerra. Nós já não vamos propriamente à guerra com armas e com "chaemites", sequer. Vamos com palavras, porque andamos há meses nesta guerra, só aqui na conversa. E de facto eu acho que a palavra é a grande questão portuguesa, para melhor e para pior. É o melhor no diálogo, foi o nosso grande capital.

É o melhor que temos.

É o melhor que temos, é isso. Foi o nosso grande trunfo na época áurea do comércio e das trocas comerciais, de facto, era o diálogo. E é o pior quando se trata de parlar pien, quando é o outro lado. Ou o nosso jeitinho para línguas, se quiseres, também é engraçado. Esta também advém daqui, temos jeitinho para as línguas.

Nós falamos tudo.

Falamos tudo. É sabido.

Quanto mais não seja com aquela técnica infalível que é falar um pouco mais alto.

Um pouco mais alto. Uma tosta mista fica perceptível em qualquer língua. Aqui, neste caso, há várias camadas. Nós já tínhamos comentado na altura que Paulo Rangel fez tudo certo, mas pelo menos no discurso, meteu sempre os pés pelas mãos, porque ele começou nesta história por dizer que Portugal não tinha que autorizar nada, recordam-se? Ele dizia: "Não tenho que autorizar nada, está no acordo." Algures, ou percebeu melhor o que estava no acordo, ou de facto não estava bem a dizer a verdade, então passou a dizer: "Não, porque o que está no acordo, como depois ficou claro para toda a gente, é que o que é feito ao abrigo da NATO não requer autorização. O que é feito fora do abrigo da NATO requer um pedido de autorização." E ele depois nessa altura dizia: "Não, pediram, nós demos e impusemos condições." E a guerra já tinha começado e dissemos que era só nesta e naquela situação que podia ser. Não foi para invadir o Irão, foi no fundo, na consequência dos ataques do Irão aos outros países do Golfo. Era nesta lógica defensiva. Agora tens este momento genial, que isto de facto não acontece a todos, que é ter os Estados Unidos, particularmente esta administração, a fazer um louvor público a dizer: "Não, estes tipos são impecáveis. Nem perguntaram. Nós fomos lá, nós dissemos, nem perguntaram para o que era, podem vir." E depois tens o Paulo Rangel a dizer assim: "Não, nós somos mausões, nós não somos assim tão bons rapazes. Não, nós perguntamos e impusemos condições duríssimas." E emite um comunicado com isto. E portanto, eu acho que o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, e Portugal em particular, não fica muito bem neste filme até aqui. Mas depois tens o PS, de facto, esta última camada acrescentada em que vem o PS fazer algo muito parecido, que é também fazer voz grossa, falar nestas coisas.

Uma humilhação.

Uma humilhação à escala galáctica.

Planetária.

Planetária.

Galáctica era melhor.

Mas quem é que disse galáctica? O Bloco. Ou seja, o Fabián Figueiredo falou numa humilhação galáctica do ponto de vista diplomático.

Subiu um degrau em nível do cosmos.

Exatamente, mas estamos na mesma analogia, estamos literalmente no mesmo universo. E qual é o problema disto?

Estamos no mesmo discurso.

Exatamente. É que este é o discurso que o Bloco pode fazer. Pode mesmo. Não tem responsabilidades governativas, nunca teve, nem enquanto parte da geringonça. Obviamente, não contava para isto. Agora, o PS tem. E portanto, não pode fazer o discurso a este nível do Bloco. E agora tiveste hoje Francisco Assis, que até há um mês era parte integrante da direção de José Luís Carneiro, particularmente com a pasta das Relações Internacionais. Saiu, não sabemos exatamente por quê. Ele diz que não teve a ver com a questão Venezuela, com o diferendo sobre a ida de José Luís Carneiro à Venezuela, mas vem Francisco Assis, no fundo, chamar o partido à razão e dizer que isto é um discurso infantil, este discurso do PS. Extremista e infantil. E Paulo Pedroso também já tinha dito na sexta-feira a mesma coisa, que não há grande diferença entre isto e o que foi sempre feito, que Portugal nunca recusou o uso da Base das Lajes e que o PS no poder faria a mesma coisa. E então, estamos nesta guerra, mas no fundo, eu acho que o que tens, particularmente acerca do PS, é uma espécie de versão free e uma versão premium. O PS quando está no governo, tens a versão paga, tens a versão Pro. Quando não está no poder, é a versão free, que é aquela em que tens que levar com os anúncios ideológicos. E portanto, de vez em quando aparece alguém Pro, que está habituado a ter as responsabilidades quando ocupa de facto uma posição, e a dizer ao PS o que é que o PS tem que ser.

António.

Pois, eu acho que o Francisco Assis teve, eu ia dizer corajoso, também não é caso para tanto.

Também não é.

Mas assumiu um confronto que era fácil evitar. Para dizer o que devia ser óbvio. Vamos lá verEu acho que a verdade, percebendo-se todo o processo, andará mais ou menos a meio. Alguém nos Estados Unidos ligou, vamos utilizar, sim, senhora, venham daí. De uma forma simples, mas foi sempre assim.

Amigo, faz favor.

Faz favor.

A base é sua.

Na verdade, vamos ser pragmáticos e realistas. Nós podíamos seguir o modelo espanhol, é isso que o PS quer?

Não sei, com tantos elogios ao Pedro Sánchez.

A dizer: "Não, ninguém usa a base e não pode usar, e vamos lá ver os contratos, os acordos e os tratados e os acordos de Estado antes de eles utilizarem." É até um pouco confrangedor que estejamos a discutir isto deste ponto de vista. Poderia haver matéria mais relevante e séria.

Substância, adopção.

Estamos a discutir o que é que disse um secretário de Estado. Obviamente, também se percebe que os Estados Unidos seguramente terão sido informados: "Atenção, que vai haver um comunicado, mas vocês não liguem muito a isto, porque isto é pra consumo interno. Não se ponham agora vocês a fazer um comunicado ao nosso comunicado, porque senão só estão a criar problemas para utilizar a Base das Lajes na próxima oportunidade." Isto é política realista. Portugal tem um acordo com os Estados Unidos, tem que os deixar utilizar.

Pode não autorizar.

Não, a não ser que houvesse aqui uma coisa do gênero. Eu creio que houve essa discussão em tempos. Transporte de prisioneiros.

Para Guantánamo.

Estamos a falar de direitos humanos, estamos a falar da utilização da base para outros fins. No contexto do que se sabe e das explicações que têm sido dadas, meramente à porta fechada, porque já houve uma comissão à porta fechada.

Houve esclarecimentos na semana passada.

Acho que o PS está aqui a tentar cavalgar uma coisa que eu acho que o país também não está particularmente interessado nisso.

Sim, essa é uma das perguntas. Obviamente, todos estes assuntos importam, isso é importante num Estado democrático e têm que ser escrutinados, mas quem vai no carro a esta hora?

Quem vai no carro a esta hora provavelmente não está muito preocupado com o facto de o PS internamente estar a criticar.

É uma voz.

São duas, é Paulo Pedroso também.

Sim, Paulo Pedroso também.

Mas é uma voz avisada, não é uma voz qualquer. Francisco Assis, quando fala, não fala muito e tem algum peso aquilo que diz. Francisco Assis é uma reserva moral do Partido Socialista, tem peso. Para além desta questão da retórica infantil e extremista, diz uma frase que é: não é aceitável o PS deixar-se contaminar por um radicalismo ideológico que é assente na rejeição das relações transatlânticas. E este é o ponto. O ponto é que parece o Partido Socialista o Bloco de Esquerda, e sabemos que o Bloco de Esquerda está pendurado nesta rejeição das relações transatlânticas e vai sempre dizer o pior que pode dizer. E este ponto de o que é que faria o PS se estivesse no governo é a pergunta que eu acho que Paulo Rangel deve fazer quando for à Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, porque objetivamente, o que é que o PS faria se estivesse no poder? Provavelmente exatamente a mesma coisa, até porque nós temos José Luís Carneiro, quando foi informado na primeira semana de março, a dizer que concordava com os termos em que a autorização tinha sido dada. O líder do PS conhece o dossiê, sabe o que aconteceu e acho que ainda assim deixou que o líder parlamentar fizesse aquelas declarações, que acho que são declarações absolutamente desnecessárias. Acho que a Base das Lajes é um trunfo diplomático que nós temos, é um ativo estratégico com décadas de história, e usá-la como arma de arremesso interno com linguagem de comício, acho que é só oportunismo.

E Alexandre, é uma deriva ideológica por parte do PS que pode ter consequências, não está a dar bons resultados noutros países.

Pois não, eu não tenho a certeza se é uma deriva ideológica, se é uma aderiva ideológica. Eu diria que é mais uma aderiva, o que não é melhor, sobretudo no contraste com a história da viagem de José Luís Carneiro à Venezuela. Essa em si mesma é toda um paradoxo. Mas sobretudo, ir à Venezuela no momento em que José Luís Carneiro foi, foi reconhecer um governo que já não era reconhecido por ninguém antes, ainda era menos depois de ser liderado por alguém que lá foi colocado pela administração Trump. E elogiar o que se estava a passar no país, ou seja, não entendes quer bem. Aí tens um contraste. O que Brandão Dias disse agora da opção do governo, poderia dizer sobre aquele ex-ministro português e líder de um partido histórico e um partido de poder que foi reconhecer um governo que foi tentar reunir com uma chefe lá colocada por Donald Trump, num regime que não respeita os direitos humanos, num mapa que agora é assinalado como 51º Estado dos Estados Unidos. Eu acho que é sobretudo essa aderiva ideológica, e acho que esse é o maior problema do PS neste momento, é que não sabe exatamente que rumo deve tomar.

António, só pra completares a ideia.

Pois, eu dou um 13 a Francisco Assis pelaPor esse desprendimento. Admito que haja mais história para este comentário neste contexto face ao líder do PS atual, mas de facto eu acho que foi a melhor ajuda que Paulo Rangel teve neste contexto.

A tua nota, Alexandre, acabaste por não dar uma nota.

É verdade. Também penso que quer governo, quer PS chumbaram nisto, pelo menos até aqui, mas ficaria também com a nota positiva para Francisco Assis. Um 13 pelo pragmatismo e sentido de Estado que o PS deve ter.

É teu direito.

Eu subo um pontinho. Acho que um 14 para Francisco Assis é justo.

Por ser essa rezagem-

Por ser a voz da consciência.

A voz do PS.

Eu quase ia dar uma nota ali, Alexandre, porque isto é um pensamento ao retardador, mas acho que é importante, que o ponto desta contradição sobre onde é que o PS quer estar nestas discussões, eu acho que é particularmente importante, diz mais sobre o PS, o que obviamente, volto a dizer, não nos obriga o governo a prestar todos os esclarecimentos. Estamos a falar de outro plano.

Ficam dadas as notas nesta primeira parte de "E o Vencedor é". Já vamos regressar para a segunda parte e há mais para discutir, nomeadamente o congresso do CDS, que aconteceu este fim de semana em Alcobaça. Nuno Melo foi reconduzido na liderança. E também temos de olhar, uma vez mais, para a situação nos aeroportos nacionais. Esta tarde, aqui na "Tarde Política", o representante dos hotéis do Algarve defendeu a suspensão do sistema eletrónico, pelo menos até outubro, para ver se tudo isto se resolve. E vamos olhar para o que se está a passar nos aeroportos nacionais. Judite de França, com o governo a admitir a suspensão temporária do sistema de controlo eletrónico de fronteiras e com alguns representantes do turismo, como ouvimos aqui esta tarde, o representante dos hotéis algarvios, a pedir para suspender isto tudo, pelo menos até outubro, para ver se se resolve o problema, que não é exclusivo nacional.

Não é exclusivo nacional, mas a parte que nos preocupa é essa. E sim, está a ser pior em Portugal do que noutros países.

Estamos no topo.

Somos sempre os melhores. E portanto, eu percebo que as associações de turismo, não é a única, também a associação, agora já não sei quem. Se é uma confederação de turismo.

Eu agora pensei que ias cantar.

O Dai Dai.

O Dai Dai.

A Confederação de Turismo também pediu uma audiência ao ministro da Administração Interna, todos a pedir exatamente a mesma coisa, que haja uma suspensão durante alguns meses. Sim, a Confederação de Turismo, para que haja a possibilidade de não termos aquelas imagens que nós vimos há pouco, imagens do aeroporto que são imagens do inferno. Pensar que alguém chega numa viagem e tem que enfrentar aquilo, é de facto a imagem do inferno.

Ou sair.

Ou sair.

É que as últimas imagens deste domingo foram de saída.

Não é exclusivo da entrada, é também na saída.

E isso depois tem implicações em voos de ligação. E tem implicações noutras coisas interessantes que não tinha pensado. Há pouco falava-nos o Hélder Martins da questão dos transferes. As pessoas que estão à espera que chegue a uma determinada hora um determinado avião e ele chega, de facto, mas as pessoas ficam lá dentro e o transfer não funciona. E vai atrasar outro transfer que tem para fazer. Isto tem implicações em muitos outros negócios e tem implicações na imagem do país. Portanto, eu entendo este pedido das associações, não sei como é que isto se compatibiliza com a segurança. Esse é um problema.

António.

Isto não é uma falha técnica, isto é incompetência e impreparação. Não há outra forma de o dizer, porque, na verdade, nós já sabíamos há muito tempo que este sistema tinha que entrar em vigor, tinha que entrar em funcionamento. Entrou parcialmente. É verdade que a Ryanair nem sempre tem os métodos mais ortodoxos para se pronunciar, mas a verdade é que já tinha avisado há muito tempo.

Isto dura há meses.

Há meses, mas há mais de dois anos que o sistema, tal como estava a ser montado, ia dar problemas. Nós temos, obviamente, um problema que agrava este problema, que é o tema da dimensão do aeroporto face ao número de passageiros que tem, de facto, torna isto tudo ainda mais problemático, mas isto tinha a obrigação de ter sido resolvido em tempo útil, ter sido preparado, que não foi. Eu recordo-me que era interessante ouvir José Luís Carneiro sobre isto, porque José Luís Carneiro foi o ministro da Administração Interna que tratou da contratação e dos concursos públicos que levaram à contratação destas empresas que estão hoje a prestar este serviço ao Estado. Eu recordo-me, à data, eu acho que o próprio, enfim, foi considerada excessiva a forma como António Leitão Amaro disse publicamente que o país corria o risco de ser suspenso do espaço Schengen por causa disto, porque não tinha nada feito quando entrou em função há dois anos, portanto, no primeiro governo. Entretanto, recuperou-se, mas obviamente que umas coisas foram feitas em cima de joelho, com os contratos já feitos e concursos públicos já atribuídos. Está-se a fazer mal. Isto é grave pela reputação, é grave pela situação das pessoas, é grave porque obviamente o turismo vale 10 a 12% do PIB nacional, são as maiores exportações que o país tem. Eu gostava muito de podermos exportar tecnologia, já exportamos alguma em serviços, nomeadamenteGostava de ter aqui empresas de alta tecnologia que fossem mobilizadoras do crescimento econômico do país.

Que soubessem pôr estes sistemas a funcionar.

Exato. Mas a verdade é que o turismo fez o seu trabalho. Nós podemos nos queixar de muita coisa, mas o turismo, nomeadamente depois da crise de 2011, fez o seu trabalho. E hoje o país vive do turismo. O que nós queremos? Temos, provavelmente, turismo a mais, em número, e gostávamos ter turismo com mais valor. Não com mais volume, mas com mais valor. Turistas com capacidade financeira, nomeadamente os americanos, que são hoje um dos grandes mercados de emissão de turistas para Portugal.

E ouvimos há pouco que há agora pelo menos um voo direto diário entre os Estados Unidos e Faro.

E são turistas com capacidade de consumo, com capacidade de investimento, com valor, que gastam dinheiro. Estes são os que ficam menos disponíveis para aturar temas destes, porque se é para gastar dinheiro, podem. Têm dezenas de sítios para gastar dinheiro, não é preciso ir para Lisboa nem para Portugal. Eu acho que o primeiro-ministro acordou tarde para o problema. É a primeira vez que o ouço falar do assunto. O governo criou, há uns dois ou três meses, uma comissão interna de trabalho. Não foi daquelas para estudar nada, foi: "Vamos lá, isto não se resolve entre o novo sistema, a PSP e o controle de fronteiras, a própria ANA, as companhias aéreas", porque nós temos aqui um problema também, que não é de somenos, é que temos um aeroporto em que em alguns dias da semana estão concentrados voos, nomeadamente fora do espaço Schengen, entre as 5h00, 6h00 da manhã e as 22h00, 23h00.

Há um horário de pico.

De pico, que cria um problema de entrada.

Basta ver voos do Brasil, Estados Unidos e Londres, só Reino Unido.

Sim. Agora, descobrimos que há três, quatro ou cinco meses era a entrada. Discutia-se a entrada. O que se viu este fim de semana, e já se tinha visto nas semanas mais recentes, mas este fim de semana foi particularmente grave, foi a saída. É que as pessoas já não conseguem sair do país sem estarem horas, três horas, quatro horas, em condições obviamente péssimas.

O que pode implicar perder o avião.

Sim, pode implicar perder o avião, condições até de saúde, para pessoas mais velhas, difíceis.

Sim, não há prioridade.

O primeiro-ministro, é um desafio que deixo a Luís Montenegro: quando a ministra da Administração Interna decidiu apresentar a demissão no meio daquela catástrofe da região Centro, ficou ele ministro da Administração Interna, assumiu e foi para o terreno. Eu acho que isto é tão grave, felizmente não de vidas humanas, como infelizmente foi o tema das tempestades da região Centro, mas é tão grave do ponto de vista da economia do país, da reputação, que o primeiro-ministro devia assumir isto como uma prioridade absoluta nesta altura.

Alexandre, citando aqui Maria Lucía Amaral, o sistema pifou.

Outra vez.

Continua pifado.

É isso. Deixa eu me só acrescentar: no dia 23 vão mudar umas quantas máquinas desse sistema, supostamente a partir do dia 24 deverá haver mais máquinas, provavelmente a funcionar melhor, deverá haver condições diferentes, mas percebe-se que são soluções um bocado atamancadas, veremos.

Muito atamancadas, é isso. Não me ocorre senão falar do contraste do nosso primeiro tema com o segundo. Talvez Paulo Rangel nesta pasta consiga facilitar a entrada e a saída dos aeroportos nacionais. Querem dar uma nota, Judite?

Eu para esta questão dou um seis.

Seis.

Pois, eu dou um seis mesmo ao governo, porque o governo já deveria ter olhado para isto de uma forma consistente com o grau e a urgência que este tema merece.

E vamos ainda ao congresso do CDS, que para os mais distraídos aconteceu este fim de semana.

É verdade, aconteceu este fim de semana e não foi muito entusiasmante. Nuno Melo foi eleito com uma daquelas votações à Coreia do Norte, mas foi interessante para se perceber que pelo menos a direção do CDS não quer iniciar uma discussão de estratégia a longo prazo porque está muito confortável onde está e tudo o resto é um salto no escuro. Ficaram questões por responder, nomeadamente uma questão que é: quanto é que vale o CDS sozinho? Isso só testando para saber. Mas há uma outra importante que é: até que ponto o CDS consegue afirmar-se e ter autonomia política sem se diluir na coligação com o PSD? Eu acho que não é uma posição fácil, é uma posição bastante difícil, a de Nuno Melo e da direção, afirmar-se no seio da AD, por um lado, a pressão do Chega e do IL no espaço da direita, e tem que afirmar novos rostos, novos quadros e tem que pôr temas na agenda. Isso é obrigação do CDS enquanto partido, que tem que descolar da AD sempre que puder. Eu acho que o Manuel Monteiro deixou a fórmula interessante para resolver este problema, que é: enquanto está junto é leal, mas nunca deixe de ter as chaves do seu próprio carro no seu próprio bolso para, se necessário, superar a estrada e caminhar sozinho.

É a revisão constitucional, é o carro.Do Nuno Melo?

É isso. O fato de ter dito que ia sozinho para uma revisão constitucional, independentemente da vontade do PSD, que sabemos que é nenhuma neste caso, é de facto esta prova de vida a dizer que o CDS tem ali uma centelha ainda pequenina de esperança. Deixa-me só dar aqui uma nota à Juventude Popular, porque foram tão intervenientes, foram tão interventivos, que a dada altura houve um congressista que perguntou se estava no congresso do CDS ou da JP. De tal forma subiram ao palanque para falar.

Mas se diz bem da JP, não diz assim tão bem do CDS.

Tal e qual.

Eram 86 delegados.

Tal e qual. Eu acho que o que diz aqui muito é do CDS, que não percebeu que o futuro está ali e, portanto, que é bom alimentar esta JP, que ao contrário de outras lideranças de juventudes partidárias, tem mais força até do que seria aparentemente normal, tendo em conta que estamos a falar do CDS.

Já havia um líder e tudo.

É verdade.

Alexandre?

Isso aí não foi grande memória.

Mas foi o que foi.

Sim, é isso que costumo dizer. Há uma série de casos em que se diz que o primeiro passo para se curar um problema é admitir que se tem.

Exatamente. Primeiro passo para a cura.

Ora bem, e acho que o CDS precisa de começar por aí, de fazer esse exercício. Não convence ninguém fazer o discurso que nós recuperamos e ressuscitamos, porque voltámos ao Parlamento, porque sabemos que voltou ao Parlamento, porque tinha uma coligação pré-eleitoral, apenas por isso. É verdade que fez uma figura digna nas autárquicas, porque não perdeu nenhuma câmara, segurou as suas três câmaras, sobretudo comparado com o resultado do Chega, que ia preparado para conquistar uma data delas e ganhou três. Portanto, isso ok, tudo bem, mas daí até acreditar que essa é uma ressurreição, são coisas muito pequeninas. E é ver o discurso do Nuno Melo, que é um discurso muito do não é. Ele diz o que é que o CDS não é, isto não acabou, isto não está morto, isto não se dilui. Como é que ele disse depois a outra? Não se extingue, não se funde. Mas ok, isto é tudo o que não é. E o que é que é? O que é que é o CDS hoje? E o CDS não pode ser aquilo que, por exemplo, quanto a mim, conselho de amigo, aquilo que Paulo Núncio tem querido dizer que o CDS é. Dizer que o CDS é o Chega original é muito mau.

Um Chega educado.

Um Chega educado. É pior, é quereres passar por novo. És aquela coisa antiga que está a querer passar por nova.

E não vai resultar.

E que não vai resultar, porque apesar de tudo, aquela coisa antiga que tu eras ainda tinha um determinado nível que não é aquele.

Uma última nota. Nuno Melo tem, apesar de tudo, aqui uma oportunidade estreita, que é a defesa. Porque a defesa está no centro do debate político. E eu creio que Nuno Melo não tem aproveitado tão bem quanto poderia, ou deveria, ou poderia. Admito que por restrições políticas do governo, nós temos um programa de compras militares no âmbito do SEIF, o programa de apoio, que é uma espécie de PRR, só que para a defesa.

Temos que ir às notas.

São oportunidades que o CDS e Nuno Melo em particular pode afirmar.

Queres dar alguma nota?

Um 12 ao Nuno Melo.

Ao Nuno Melo. Alexandre? Eu ia dar aquele 10.

Eu também ia dar um 10.

A Nuno Melo ou ao CDS?

A Nuno Melo.

Notas para Nuno Melo a fechar este "E o Vencedor É?". Amanhã de manhã há mais, depois das 08h30 da manhã, com o Paulo Ferreira, a Helena Matos, o Bruno Vieira Amaral e a Alexandra Machado.