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"O Evento é na Rádio Observador" e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador, com a Raquel Bocasis, o Ricardo Ferreira Reis e o Nuno Gonçalo Poças. Hoje vamos falar sobre a situação em Ceuta. Também vamos olhar para os incêndios e para um diagnóstico da Comissão Técnica sobre os incêndios de 2025, que fala em incapacidade sistémica e insuficiência estratégica. Mas começamos com a ida do Ministro da Educação ao Parlamento para um debate em sede de Comissão Permanente. Raquel, um debate em que não estava previsto o debate, portanto, não era possível fazer perguntas diretamente. O ministro depois acabou por responder algumas no fim. Que avaliação fazes desta ida do ministro em tempo de férias ao Parlamento?
Uma coisa é a prestação do ministro, já lá iremos. Em relação aos intróitos do debate e ao debate que também deveria ter acontecido e não aconteceu, eu acho que é o reflexo do clima de birrinhas em que o Parlamento se transformou nesta legislatura e de uma estratégia, do meu ponto de vista, errada dos partidos que compõem o governo de tentarem evitar o esclarecimento dos ministros com os deputados, no caso o ministro da Administração Interna. Independentemente das tricas que houve naquela conferência de líderes, eu acho que não faz nenhum sentido não deixar que o ministro vá ao Parlamento ser escrutinado pelos deputados. Ele tem essa obrigação e acho que o governo não ganha nada com isso, nem o próprio ministro. No caso do Ministro da Educação, acho que ele fez o que devia, que foi anotando as perguntas e na sua intervenção final respondeu às perguntas que lhe tinham sido dirigidas. Portanto, eu no balanço final, acho que o Ministro da Educação não se desviou daquilo que tem sido a sua atuação e o seu discurso desde o início de todo este processo, garantindo que não se iria embora nunca deixando este problema por resolver. Acho que deixou, na sua frase final da primeira intervenção, claro, pelo menos foi assim que eu interpretei, que fará uma avaliação final daquilo que aconteceu com o critério único de que nenhum aluno seja prejudicado neste processo. Portanto, acho que temos que esperar pelo final do processo pra perceber que balanço é que o ministro faz e, de facto, se verificar que há alunos, mesmo que não sejam em grande volume, prejudicados, eu acho que o ministro tirará consequências, pelo menos é essa a ideia que tenho dele. Espero que isso não aconteça. Pareceu-me que ele estava bastante seguro em relação à questão dos prazos e à questão dos processos pendentes, que há alguns de inconformidades, garantindo que a lei já prevê que esses casos sejam resolvidos e que todos os anos eles existam e sejam resolvidos de forma a não prejudicar os alunos, mas acho que isso é algo que vamos ter que esperar pra ver. Acho que o ministro fez bem, mais uma vez, em assumir as responsabilidades e em pedir desculpa por aquilo que correu mal. Parece-me que agora esta segunda fase está a demonstrar que os principais erros estão corrigidos e, portanto, eu acho que no cômputo final, acho que foi boa esta audição ao ministro Fernando Alexandre.
Ricardo, foi uma boa alternativa para um dia de chuva, o debate no Parlamento?
Não choveu assim tanto quanto isso, pelo menos aqui em Lisboa, onde o ministro estava. Concordo em absoluto que fez falta outra audição parlamentar ao ministro da Administração Interna, até pra benefício do próprio ministro.
Que pairou nesta.
Que pairou nesta, quer dizer, tentaram misturar assuntos. E sobre o ministro Luís Neves, eu acho que tem sido esse o principal problema da situação, é que estão a tentar misturar muitos assuntos no meio de um tema que merecia clarificação e segmentação dos vários problemas. Era o que faltava que agora misturássemos o tanque de Odemira com os exames nacionais. Portanto, que era uma coisa que é completamente descabida nesta altura. Sobre o Ministro da Educação, acho que ele esteve mais uma vez bem em ir ao Parlamento. Eu acho que é a terceira ou quarta vez, se não me engano, é a quarta vez que lá vai prestar esclarecimentos e tem prestado esclarecimentos. Ou seja, apesar de todo aquele ruído em torno do formato da sessão, sobre aquilo que estará a acontecer, eu acho que ainda é cedo e se calhar ainda vamos ter que o ouvir uma quinta vez pra semana, porque é quando verdadeiramente vamos saber, no final desta semana, se as coisas correram bem ou não correram bem. Da outra vez correram melhor do que parecia que estavam a correr.
E o fato de haver já um número de candidaturas que iguala praticamente as candidaturas no total do ano passado, também acho que é um bom indicador.
Raquel, e há um pormenor engraçado nessa questão das candidaturas que demonstra aquilo que tem acontecido. O arranque dessas candidaturas foi fraquíssimo.
Certo.
O que demonstra que as famílias, os alunos, os professores quiseram confirmar e, portanto, passaram por um processo muito mais apurado e isso é bom. E é bom que haja esta transparência, e é bom que tenham triplicado o número de pedidos de revisão de prova, e é bom que aparentemente os números de revisão de prova não se afastem daquilo que é o historial, ou seja, o sistema Tem aqui um conjunto de mecanismos de validação estatístico que mostram que a situação não é muito diferente do que tem sido no passado, apenas se massificou um conjunto de coisas que antigamente eram inacessíveis, porque tecnicamente eram inacessíveis. A questão dos €25 é um não assunto nesse contexto. É uma taxa moderadora, ninguém está a enriquecer à conta do processo, como ouvi alguns deputados algemologicamente introduzirem essa questão. É uma taxa moderadora para que o processo possa ter uma revisão, senão era impossível eles voltarem a rever todos os exames, tem que haver algum tipo de moderação. E chamo a atenção que há um fator de moderação que as famílias e os alunos devem ter em conta, é que a nota quando baixa, baixa. Portanto, não ficam com a melhor das duas notas. Só não baixa abaixo dos 9,5, aparentemente, mas quando baixa, baixa mesmo. Isso deveria funcionar também como um fator de moderação. Acho que o ministro não esteve mal nas explicações que deu, até diria que esteve bastante bem. Acho que a oposição fez o trabalho que tem que fazer nas perguntas que foi colocando, com mais ou menos pimenta, mas também não esteve mal. E acho que isto é um processo que daqui por uns anos vai cair no esquecimento de apenas ser uma transformação do que aconteceu, mediante a tal auditoria que estamos à espera para ver, e então ainda haverá mais uma sexta vez em que o ministro vai ao Parlamento falar disto.
Essa ponte fica para uma segunda ronda. Nuno também. Bem-vindo.
Olá. Dois meses depois, acho que podemos dar este caos como um bocado fraco. Acho que podemos fechar este assunto agora com a intervenção no Parlamento do senhor ministro, com esse rescaldo. Eu já passava bem sem ela, porque como há duas semanas que não há notícias sobre os exames, eu presumi que as coisas estivessem todas a correr bem. Descobri qualquer coisa, alguns jornais e televisões descobriram uma pessoa que não sabia do exame. Portanto, não me pareceu particularmente grave.
Para essa pessoa era, claro.
Pois, para aquela pessoa era, mas qualquer dia temos que ter um ministro da Educação para cada um de nós. E acho que podemos acabar com isto, que foi aquilo que eu acho que disse aqui da primeira vez há dois meses, que com os percalços que houve, acho que se calhar daqui a um ano ou dois vamos dar de barato que este é um modelo muito melhor para os professores, para os alunos, para as famílias, para a previsibilidade, para a justiça, para as condições de igualdade, para a transparência, etc. E provavelmente já ninguém se vai lembrar quem é que implementou a coisa e com que custo e com que prejuízo.
Mas fica arrumada aquela desconfiança em relação ao sistema, a desconfiança em relação à possibilidade de nenhum aluno ser prejudicado.
Fica. Alunos prejudicados houve todos os anos.
Claro, e há mecanismos depois.
Só que agora é mais transparente. Alunos prejudicados houve todos os anos e se calhar nunca souberam.
E alguns beneficiados por causa da tal história dos 9,4.
Certo.
Houve um recorde de exames com 9,4 desta vez que foram corrigidos.
Não tem nada a perder, ao contrário.
Pergunto à pergunta, não houve arredondamento.
Sim. E haverá alguém prejudicado no meio disto tudo no final das contas? Talvez. Não acho que seja significativo. O sistema não é hiperindividualizado e portanto as pessoas passam a ter mecanismos para se defender e para fazer o que têm para fazer. Acho que o cômputo geral disto é positivo. Eu estive cá sempre a dar notas positivas ao ministro, mesmo nalgumas semanas um bocadinho mais baixas, outras maiores. Mas acho que acabando tudo isto, está muito bem. Sim, senhor.
Raquel, o ministro acaba por, vou usar uma expressão um pouco popularucha, safar-se no meio disto tudo.
Só queria ainda dizer uma coisa, que é assim: vai ser muito importante perceber que informação é que foi dada ao ministro e que garantia é que foi dada de que o sistema como estava montado ia funcionar e depois não funcionou de todo.
Mas esse será todo o tema que sempre esteve aqui um bocadinho por baixo disto tudo e que na verdade é sempre aquele que morre e que cairá no esquecimento.
Pronto, mas esse é muito importante, não cai no esquecimento.
Que são as responsabilidades para lá da camada do ministro.
Pronto. Sim.
Este ou outro qualquer.
O ministro é responsável político por isso também.
Sim, no limite é ele que perde a cabeça, mas tudo o resto se mantém e manterá.
Sim, ele precisa de apresentar essas questões. Eu acho que o ministro safa-se, como tu dizias, porque ele tinha um bom currículo. Ao contrário de muitos ministros deste governo, este ministro tinha um bom currículo e portanto, muita gente, e eu incluo-me nessas pessoas, dei o benefício da dúvida de que ele seria capaz de resolver esta questão e de que no final das contas é melhor que ele fique do que ele saia. E portanto, eu acho que por causa disso, por causa do seu passado, de tudo o que ele tem estado a fazer à frente do Ministério da Educação, ele acaba por safar-se apesar disto. Agora, eu estava a frisar esta questão porque é um bocadinho assustador aquelas explicações iniciais, que é preciso fazer reformas e portanto, corram bem ou corram mal, a gente tem é que avançar. Isso é muito assustador, porque no Conselho de Ministros só há um Fernando Alexandre, que foi capaz de dar o corpo às balas e de estar ali noites e dias.
Mas Luís Montenegro já disse isso.
Pois, mas isso é muito assustador e por isso é que eu acho que é muito importante perceber Mas por isso é que é muito importante perceber qual é o grau de conflito.
É um pouco como uma seleção, jogue bem ou jogue mal, o que interessa é pontuar, não é?
Sim, mais ou menos. Os resultados nisso são importantes.
Claro.
Sim, mas eu acho que uma questão destas, com qualquer outro ministro, tenho dúvidas que tivesse corrido bem. E portanto, querendo o governo afirmar-se como o governo das grandes reformas, esperemos que a próxima não comece desta maneira, porque isso torna as coisas-
É porque esta não foi uma grande reforma.
Pois não.
Era exatamente o que eu ia dizer.
Deixa-me só a tua nota, Raquel, por favor.
Olha, eu não tenho dado grandes notas ao ministro e acho que até lhe dei uma ou outra negativa ao longo deste processo. Eu hoje dou-lhe um 14.
Um 14. Ricardo.
Eu ia dar a mesma nota. Estamos aqui todos em sintonia, eu ia dizer o que ele ia dizer, ia dar a nota que a Raquel ia dar.
Vou pedir à produção para chamar outra pessoa.
Exatamente. Isto aqui hoje podemos fazer em quórum.
Isto não pode ser assim.
Cito o eco aqui.
É agosto.
Mas para já, uma nota condicionada, porque o processo ainda está em curso e portanto só no final da semana é que nós saberemos exatamente como isto terá corrido, mas claramente até ao momento já justifica uma positiva, e para usar a sua expressão, safou-se neste contexto. Este é o início de uma reforma, ainda. Nós temos aqui um conjunto de outros passos, portanto seria um desperdício, nesta altura, deitar fora o ministro que iniciou o processo para o substituir por outro, que vai demorar pelo menos um ano a retomar o processo e a continuá-lo. Mais ainda se esse novo ministro mudasse todas as equipas, tudo o que está à frente do Educa, do Júri Nacional, e portanto isso seria algo que tomaria tempo até se conseguir fazer alguma coisa e lá se ia o espírito reformista neste contexto. Nós, e apenas interpretem como quiserem, digitalizamos, julgo que foi a deputada do LIVRE que falou que passar coisas para PDF é uma tecnologia de 1993. É verdade, fazê-lo para 300 mil provas em cerca de quatro milhões de páginas, em 93 não se conseguia fazer.
O LIVRE também é um partido de 1993 e anda cá.
Portanto, em 1993, não sei se se lembram, gravar um MP3 era a noite toda.
Eu não fazia isso.
Legitimamente. Gravar legitimamente um MP3. Não era o Napster.
Essa já prescreveu em 93.
Já. Mas portanto, vão ser precisas mais reformas. A dúvida que eu tenho é se muitas das declarações mais ou menos infelizes do ministro em alguns momentos não terão alienado o aparelho do ministério, que já de si estava algo desgastado por algumas das reformas necessárias que o ministro pôs em prática.
Vamos à nota. 14. Nuno, a tua nota, só para fixar. Não podes dizer mais nada.
15 para o senhor ministro.
15. E já voltamos para a segunda parte do "E o Vencedor É". Segunda parte de "E o Vencedor É", hoje com a Raquel Lucas Siso, o Ricardo Ferreira Reis e o Nuno Gonçalo Poças. Já vamos falar sobre os incêndios e o diagnóstico da comissão técnica sobre os incêndios de 2025. Primeiro, começamos com a situação de Ceuta. Raquel?
Olha, eu por acaso quando vinha para cá, ouvi o debate que tiveste aqui na tarde política. E o meu tema tem um pouco a ver com a introdução do Paulo Lopes Marcelo, porque eu ainda não tinha, na análise toda desta questão de Ceuta, não tinha ouvido ainda aquele comentário, aquela avaliação daquilo que se passou. E eu acho que independentemente das questões políticas, a mim fez-me alguma impressão como é que num país como Marrocos, que não vive uma situação de guerra, é uma economia não das piores do mundo, não está nos antípodas da Europa, etc. Como é que há aquele impulso de fuga da juventude marroquina, como se estivessem a fugir desesperadamente de um país onde não têm qualquer hipótese de futuro. E eu acho que isso, independentemente das outras questões, já lá irei, mas acho que isso nos devia fazer pensar. Eu acho que há uma única figura que tem falado disso a propósito das questões da imigração, que era o Papa Francisco e que é agora o Papa Leão XIV, que falam muito de como é que o mundo dito ocidental e desenvolvido deve encarar estes fluxos migratórios, a partir do que é que faz as pessoas quererem sair dos seus países. E que é aí que se deve tentar atuar. E quando eu vejo que num país como Marrocos, um sinal de que há uma possibilidade de poder sair para Espanha provoca aquilo que nós vimos nos últimos dias, eu acho que isso é um sinal de que de facto nós vivemos mesmo num mundo muitíssimo desequilibrado e por mais medidas de segurança que tenhamos para fechar fronteiras, etc.
É preciso atuar na raiz dos problemas.
É preciso dizer mais alguma coisa. É preciso que se perceba que, se em Marrocos é assim, de Marrocos para baixo, é o que a gente já viu, e só vimos uma pequena parte. E esse, de facto, é o cerne do problema. Dito isto, eu acho que não há como escapar. Isto já deve ter sido aqui dito noutros "Vencedores", eu não tenho vindo cá desde que se despoletou esta crise, mas eu acho que não há como escapar ao facto de isto, mesmo com uma falsa mensagem propagada nas redes sociais, ser credível porque há um governo que tem adotado uma política completamente contrária àquilo que até é recomendado pelos países europeus do espaço Schengen. E em cima disso, vir o governo espanhol queixar-se de que a Europa, independentemente, eu acho que Portugal fez bem em não ter alinhado naquela ideia de fechar, suspender o espaço Schengen com Espanha e fechar as fronteiras com Espanha por causa disto, até porque não era bom do ponto de vista econômico para nós nesta altura do ano. Mas não havia e não me parece que haja razão para isso neste momento. Não quer dizer que até estes entre 3000 e 5000 que lá estão, não possam vir parar ao continente europeu, há uma grande possibilidade de que isso possa acontecer, mas é impensável que o primeiro-ministro espanhol, que agiu como agiu nos últimos meses, inclusive com a questão da legalização de mais de 500 mil imigrantes irregulares que tinha em Espanha, com tudo aquilo que tem sido o seu discurso totalmente des solidário com os seus parceiros europeus, venha agora queixar-se da falta de solidariedade dos parceiros europeus.
Tens alguma nota para este...?
Eu para o governo espanhol tenho abaixo de zero.
Ricardo.
Eu ontem dei um sem nota ao Pedro Sánchez, hoje tinha uma nota, por acaso.
Para Vanzela.
Que era o rei de Espanha. Se o Pedro Sánchez se queixa de falta de solidariedade dos governos europeus, imagine-se o que dirá do rei de Espanha, com quem aparentemente terá tido uma conversa bastante má.
Sem registo fotográfico.
Sem registo fotográfico. Aparentemente, o rei de Espanha não pode fazer declarações nem emitir comunicados que não sejam aprovados pelo governo de Pedro Sánchez, neste caso, que é o primeiro-ministro de turno. Pedro Sánchez não aprovou a declaração que o rei acabou por fazer. A reunião que tiveram os dois aparentemente terá corrido bastante mal. O Pedro Sánchez a seguir encavacou-se todo a falar de incêndios, enganou-se, foi preciso ir lá o senhor da Moncloa corrigi-lo. Aquilo está a correr-lhe bastante mal, não é só com os parceiros europeus, é com o chefe de Estado espanhol, que terá aparentemente dito uma coisa que me parece mais ou menos óbvia neste contexto, que é: a soberania não é delegável, não se pode delegar a soberania e ainda para mais o senhor é rei, portanto, terá a obrigação de exercer a sua re fator, para usar a expressão deles naquele contexto. O rei esteve bem, não esteve perfeito, porque a situação é de tal maneira caótica que é impossível estar bem, mas merece uma positiva ali. Também estive a ver quem é que eram os cinco países que ficaram de fora da assinatura. Não sei se tiveram a curiosidade de ver quem é que eram os cinco países, além de Portugal, obviamente a Espanha, como não podia deixar de ser, como é evidente.
Luxemburgo.
A França, o Luxemburgo e a Irlanda. A Irlanda não podia assinar a carta porque a carta era dirigida à Irlanda, portanto a Dinamarca e a Itália escrevem uma carta à presidência rotativa, que neste momento é exercida pela Irlanda. Só fica mesmo Portugal e França, por motivos óbvios, fronteiriços com Espanha, o Luxemburgo a defender que não se toque em Schengen nem por nada, como sempre têm feito. Isto é algo preocupante para a política europeia e revelador da situação em que a situação está no que diz respeito ao exercício de Schengen.
Nuno, ainda vamos aos teus incêndios, ainda queres dizer algo sobre Ceuta?
Mas agora dou 15 também ao rei de Espanha.
15.
Pois, eu acho que a última vez que tinha falado aqui sobre o Sanchismo e Pedro Sánchez, tinha decidido que era zero, era sempre zero.
Sim.
E acho que agora é mais uma vez zero. Eu não sei, acho que podemos ser cautelosamente otimistas, mas Espanha vai passar um bocadinho cabo dos trabalhos para sobreviver a isto, enquanto Estado uno, soberano, como nós o conhecemos. E que para nós isso também não são particularmente boas notícias. Além de ter feito uma playlist interessante musical nestes dias.
Queres explicar para eles?
Sim. Foi agora no meio disto, o Pedro Sánchez apareceu num vídeo no sábado de manhã com uma playlist, e por cima medonha, de um gosto musical horrível Eu acho que só mesmo a fotografia que safa, porque ele de facto tem aquele bom aspeto, é giro.
Mas estava bem disposto.
Estava, claro.
Vai propor uma playlist de verão, é isso?
Sim, mas mazinha.
Tinha Azúcar Moreno ou não?
Não. Tinha aquelas coisas que os espanhóis ouvem. Eles também não são perfeitos.
Calma, amigos espanhóis.
Não, eu adoro. Aliás, eu tenho essa teoria: eu não sei porque é que no 1 de dezembro somos nós que festejamos.
Para sobrarmos de não termos aquelas playlists.
Deve ser por aí, mas hoje em dia pode-se ouvir aquilo que se quiser. De facto, a coisa não está maravilhosa. É quase encantador hoje em dia ouvir Pedro Sánchez dizer que Espanha está a ser alvo de um ataque à sua integridade.
Soberania.
É preciso uma lata.
Há quantos anos Espanha está a ser alvo de um ataque à sua integridade, a partir do próprio presidente do Conselho, que por acaso é ele. Enfim, tudo isto acho que já entrou no reino da fantasia, portanto não há grande história.
Então vamos à análise feita pela comissão técnica dos incêndios de 2025.
Sim, que é muito interessante. Há aqui dois ou três pontos que eu acho muito curiosos, alguns deles engraçados. Isto foi um relatório que já veio com algum atraso, de uma comissão técnica independente, que foi criada pela Assembleia da República para avaliar os incêndios de 2025. Na prática, é aquilo que diz a notícia hoje que está no site do Observador, da Filomena Martins, diz que oito anos depois de Pedrógão Grande, os peritos concluem que Portugal mudou leis, criou novas instituições e reformou profundamente o sistema de gestão dos fogos rurais. O problema é que uma parte importante dessa transformação continua sem chegar ao território. Desde a maior reforma da floresta, desde o tempo de D. Dinis, que tinha sido feita, já não sei, por um ministro qualquer do tempo de António Costa, basicamente estamos na mesma. E depois tem uma série de coisas que eu acho sempre fabulosas. Desde 2017, desde o ano de Pedrógão, junho, julho e depois outubro, foram aprovadas uma série de novas leis. Foi criada uma agência para a gestão integrada de fogos rurais, foi implementado o sistema de gestão integrada de fogos rurais, foi aprovado o Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais e aparentemente nenhum deles funciona. Há aqui mais uma série de gente que está a viver à volta destas coisas que não funcionam. Depois, o relatório tem dois pontos, um deles é o facto do Estado, em relação aos incêndios ou outra coisa qualquer, normalmente o que acontece é: a coisa surge mediaticamente, gera um grande sururu, as pessoas comovem-se imenso, emocionam-se, querem respostas, os governos, este ou aquele, lançam uma série de coisas, alteram-se uma série de leis, criam-se organismos, mais um instituto, mais uma agência, mais não sei o quê, e depois, se aparecer uma comissão técnica independente para avaliar, normalmente depois diz que não está grande coisa. Outra delas, relativamente só à questão dos incêndios, é algo que eu tenho falado aqui, não vou dizer bastante, mas mais ou menos, e que muita gente que sabe muito mais do que isto tem falado ainda mais do que eu, que é no fundo dizer que os incêndios de 2025, como quase outros todos, a comissão não conclui que os incêndios do ano passado tenham crescido por inexistência de recursos, pelo contrário, em várias operações existiam meios muito significativos mobilizados. Em muitos casos, esses recursos não conseguiram ser posicionados no local certo e no momento certo, ao mesmo tempo que se diz que, por causa da causa dos incêndios, se remete naturalmente para as altas temperaturas, as condições naturais que promoveram a área ardida, etc. E depois há outra coisa maravilhosa, que é no fundo dizer que nós não estamos a fazer uma gestão de combustíveis, que é uma chatice, que no fundo é sempre disto que nós estamos a falar quando se fala de incêndios, que é mato.
Mato para arder.
É mato para arder. E normalmente, quando nos comovemos com estas coisas e com os incêndios na televisão ali quase 24 sobre 24, em muitos casos, enfim, está umas árvores que estão lá a arder pelo meio. Mas muitas vezes não estamos a ver mato, estamos só a ver mato arder.
Acho que é uma boa oportunidade para voltares à exploração económica.
É, porque é isto que está aqui em causa. Para explicar as coisas muito devagarinho. Antigamente, as pessoas usavam o campo e o mato, e o mato servia para imensa coisa, para acender as lareiras, para fazer vassourinhas, para fazer cama para os burros, para o gado e para não sei quê.
Gostas sempre de voltar a esse passado.
Adoro isto.
À essa infância.
É, porque é verdade, é também a minha infância, portanto, eu também uso isto para fazer psicoterapia.
Estamos cá para ajudar.
Exatamente. Só que essas coisas deixaram de existir. Nós agora temos aqui duas soluções em cima da mesa, e eu gostava imenso que algum responsável político de um partido qualquer tivesse a coragem de a pôr assim, que é: nós não temos economia rural, florestal. O que é preciso para a fazer? Nós queremos continuar a gastar imenso dinheiro em bombeiros, em proteção, em agências, em sistemas, os Canadair e os Kamov e os não sei que mais, e cortar fitas a carros de bombeiros, ou queremos canalizar esses dinheiros públicos para a gestão dos combustíveis, que é como quem diz, do mato.
Roçar mato.
Roçar mato. No fundo, é isso que está em cima da mesa. Porque não é viável nós continuarmos a ter um Estado que diz às pessoas: "Se não limparem aquilo que é vosso, multa". Para fazer uma coisa que, no fundo, não é rentável, obriga as pessoas a gastar dinheiro, da qual não têm qualquer tipo de retorno. Muitas vezes as pessoas nem sequer sabem onde é que são os terrenos, a propósito de quê?
E o Estado é o primeiro a não limpar o seu próprio mato.
O Estado é o primeiro, é verdade. Vou dar um 14 ao relatório e um 7 à "mismisse".
E amanhã há mais "E o vencedor é", nas manhãs 360, depois das 08h30, juntam-se ao Joel Fernandes e ao Paulo Ferreira, Alexandra Machado. Até amanhã.