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Edição especial do Vence Doré a começar agora na Rádio Observador. O Pedro Benevides e a Eunice Lourenço juntam-se ao Diogo Teixeira Pereira no Parque Tejo para darem notas aos protagonistas da atualidade.
Já que estão ao pé de mim, Eunice, bom dia. Bom dia, Pedro. Bem-vindos à Rádio Observador e bem-vindos a esta edição especial de O Vence Doré. Não prometo que não sejamos interrompidos pela Inês Figueiredo a dar-nos detalhes de um helicóptero da Força Aérea. É possível que isso venha a acontecer, porque ele pode estar quase a aterrar e, portanto, peço antecipadamente-
O Papa vai lá. O Papa eu acho que se justifica.
Peço antecipadamente desculpa, mas podemos começar precisamente pelo Papa, Eunice.
O Papa é sempre essencial nas jornadas. As jornadas fazem-se com o Papa, foram iniciativa de um papa, do Papa João Paulo II, mas ver o Papa, que é aquilo que muita gente pretende, não é o principal de uma jornada, nem escutar o Papa.
Já agora, desculpe interromper, Eunice, já que vamos ser interrompidos, eu vou já começar esta tradição. A Eunice está a dizer isto porque esteve a contar que cobriu duas visitas do Papa e conseguiu não ver o Papa em nenhuma delas.
Não é só por isso, é porque fiz várias jornadas mundiais como peregrina e aquilo que mais marca, a grande marca das jornadas para os jovens é a descoberta desta igreja que é uma multidão alegre e com esperança. Para muitos jovens, que muitas vezes são o único da escola que vai à missa, descobrirem-se nesta multidão é uma enorme riqueza para a própria igreja. Depois o Papa, e em concreto este Papa, o Papa Francisco, tem feito desta jornada, e ainda hoje ouvimos isso em Fátima, uma grande insistência desta igreja como uma casa aberta para todos, uma casa sem portas, uma casa onde todos têm lugar. E esta insistência do Papa acho que vai para além das jornadas. É uma insistência para dentro da própria igreja, que está a viver um processo de sínodo sobre si própria, ou seja, a igreja está a discutir a sua própria organização e isso tem criado tensões, tem agudizado algumas divisões e tenho lido também estas intervenções do Papa de abertura, para além da jornada, nesse sentido maior do processo sinodal, que vai acontecer até ao próximo ano. Porque as intervenções do Papa, eu acho que já escrevi isso, se calhar até mais do que uma vez, nas crónicas que tenho estado a fazer para o Expresso. Quem está a viver a jornada como peregrino, dificilmente toma plena consciência das intervenções que o Papa vai fazendo, daquilo que ele vai dizendo em concreto. Por um lado, porque há vários pontos da agenda do Papa extra jornada. Houve intervenções do Papa enquanto os peregrinos estavam em cadequeses, espalhados pelas três dioceses de acolhimento, estavam na Festa da Juventude. Portanto, há muita intervenção do Papa para lá da jornada e mesmo aquilo que é dito nos grandes eventos da jornada, umas vezes por condições acústicas, outras vezes pela diversidade de línguas, só apreendem melhor no regresso às paróquias, no regresso aos seus grupos. Ainda ontem, pela primeira vez, esta é a quinta jornada que eu vivo presencialmente. É a primeira em que estive na Via Sacra. E era porque ia comentar para a CIC e estava a pensar isso mesmo. Muitos dos jovens que ali estavam só vão perceber verdadeiramente do que foi dito, inclusive das meditações da Via Sacra, se calhar, ou até na próxima Quaresma, quando fizerem essa mesma Via Sacra nas suas paróquias. Portanto, o Papa é importantíssimo. As intervenções do Papa vão muito para além da jornada. Este testemunho de um Papa de 80 e muitos anos, que se desloca sobretudo em cadeira de rodas, que põe os discursos de lado, às vezes por dificuldades de leitura, outras vezes porque se calhar quer dizer outras coisas, é um testemunho importantíssimo, mas o meu 19 para o Papa vai, sobretudo, por esta insistência na igreja de portas abertas E nestas intervenções, por um lado, a nível da Igreja Universal, que vão para além da própria jornada, por outro lado, a intervenção nos Jerónimos muito para dentro da igreja portuguesa, que tem um grande desafio no pós-jornadas e que recebeu ali, por um lado, vários avisos, por outro, vários desafios feitos pelo Papa Francisco.
E por que, Pedro Benovides, é preciso dizer tantas vezes a palavra todos? Há alguém que ainda não ouviu bem?
Eu acho que sim. Primeiro, deixa-me já aqui salientar o facto de termos assistido a um momento de grande arrogância, que a Eunice Lourenço acabou de dar uma nota ao Papa. Eu não sei quem lhes julga que é, mas já que ela abriu.
Não era suposto.
É uma nota alta, ainda por cima uma nota alta.
Hoje estamos a cumprir a doutrina Benovides.
Não é aí que eu queria chegar. Mas já que a Eunice abriu essa porta, eu também vou dar um 19 ao Papa, pronto, já não fui o primeiro. Estava aqui a ouvir a Eunice e estava a perceber.
Mas vocês, enquanto avaliadores, também são muito exigentes. Não dão sequer ao Papa um 20.
Não, porque ele tem caminho ainda a percorrer. Estamos a falar de um homem de 86 anos, de grande fragilidade física, que nós vemos e que temos acompanhado ao longo das semanas também a fragilidade da sua saúde. Apesar de Papa, é um homem e nós sabemos que o fim não estará muito longe, mas ele tem um caminho a percorrer. E eu diria que esta história do lema da jornada de Maria saiu apressadamente. Acho que isso também tem a ver com a missão que este Papa provavelmente quererá deixar, o legado que ele quererá deixar, que passa muito por esta transformação da Igreja. Houve aqui muitas palavras fortes, sendo que Francisco não será o revolucionário que eventualmente algumas pessoas poderão pensar que é, mas quer introduzir algumas mudanças fortes e caminhar no sentido da inclusão da Igreja, que é uma Igreja que, apesar de tudo, ainda é, não é por acaso, que é uma palavra que agora ficou muito na moda nos tempos de hoje, que é o patriarcado. Sobretudo num movimento de, não diria de libertação da mulher, mas de reconhecimento de um papel da mulher ao nível igual ao do homem e, portanto, deixar de haver uma cultura de patriarcado e haver uma igualdade. Francisco, nestes dias em Lisboa, tem falado muito do papel da mulher, do papel feminino. Eu diria que não será tão longe e tão radical como eventualmente alguns setores da própria Igreja gostariam, mas é um homem que quer ser um agente de mudança. E quer ser um agente de mudança nessas áreas, quer ser um agente de mudança, como de resto o fez no próprio Vaticano, na forma como ele inclui a pobreza e os pobres, aquilo que ele ainda ontem falava do ano da pobreza.
Nas mudanças que introduziu, quer no governo da própria Igreja, quer no governo financeiro e na forma de gerir.
No governo financeiro, no governo da própria Igreja, na forma como as pessoas extra, digamos, clero, podem e devem contribuir para o funcionamento da Igreja. Portanto, esta formação da inclusão é muito importante para a Igreja, mas também é importante para toda a gente que está à volta, para os políticos com quem lida frequentemente, porque ele também é um chefe de Estado, e que, por causa disso, têm de ser também eles interlocutores dessa mudança. E portanto, eu acho que o 19 que a Eunice deu, eu teria dado um 20.
Também podes dar.
Não, mas vou dar esse 19, precisamente porque o 19 aponta um caminho ainda por seguir e eu acho que é uma das coisas mais verdadeiramente impressionantes.
E é um caminho que tem riscos.
É um caminho que tem riscos. E ele tem nos sentido também os efeitos desses riscos. Ele não desistiu, ele continua a caminhar. Ele não baixou os braços, como ele também disse, ele próprio disse nestes dias aqui em Lisboa, que a Igreja não pode baixar os braços perante as várias dificuldades. Não podemos dizer: "As pessoas são assim".
Não dá para a Igreja portuguesa ter baixado os braços.
Exatamente. Ele é um exemplo disso mesmo. Eu acho que não podemos dar outra nota que não o 19, porque ainda há um caminho a fazer e eu acho que o Papa também quer fazê-lo. Eu estava a ouvir a Eunice e estava a receber aqui uma mensagem de um amigo meu que disse: "Tu aí ao pé da Eunice não tens estudos". Eu acho que não portei assim tão mal.
Que horror!
Estava aqui a tentar dar o meu melhor.
Bom, vamos avançar agora. Continuamos a falar da Jornada Mundial da Juventude, é incontornável, portanto, vamos falar apenas da Jornada Mundial da Juventude, mas avançamos então para um tema em que os dois têm estudos de sobra, que são os políticos. Como é que eles se têm portado nesta Jornada Mundial da Juventude, Eunice?
Olha, de forma diferente. Alguns de uma forma diferente pela positiva, outros de uma forma não tão diferente daquilo que os políticos geralmente são, e portanto, esses pela negativa. Comecemos pelo topo, pelo presidente, que estrafougou o Papa assim que ele aterrou em Portugal. Aquele aperto de mãos e braços que Marcelo fez ao Papa não se faz a uma pessoa daquela idade e daquela posição.
Não se faz em geral. Àquela pessoa em particular, com aquele estado de fragilidade, ainda menos.
Depois, a aposta em colar-se continuamente ao Papa, em fazer conferências de imprensa sobre tudo e incluindo o estado do tempo nos vários eventos. É Marcelo tal como ele é, mas é um Marcelo que não sabe cumprir devidamente a sua posição de Estado. Percebo o entusiasmo do católico. Acho que não tem de ser tão exuberante e tão presente.
Eunice, vamos ter que, por esta altura, te interromper, porque, de facto, o Papa Francisco está a chegar a Lisboa. Inês André Figueiredo, estas viagens estão a ser mais curtas do que nós esperávamos.
Era exactamente uma das duas notas que eu tinha para vocês. Primeiro, os helicópteros que estão a chegar à base militar de Figo Maduro são dois e não três. Acabaram de chegar, por isso não tenho informação sobre a razão para serem dois. Foram três para Fátima, agora só estão a voltar dois. E ao contrário do que aconteceu há bocado, se bem se recordam, eu tive de dar uma corrida para chegar aqui à pista de onde eles partiram, vão aterrar mais longe do que nós estamos, na única zona onde é possível estar público a assistir, que é de onde saem normalmente os aviões e por isso é que está aqui muita gente, às vezes até a fotografar. Hoje aproveitaram para vir ver os helicópteros do Papa. Foi-me agora mesmo dada a informação de que não deveriam aterrar nesta pista. Ainda assim, mantenho-me aqui e estou a ver que eles foram dar uma volta lá ao fundo, mais na zona onde estão muitos dos aviões do aeroporto de Lisboa e que agora estão a vir para aqui, mais próximo da zona onde me encontro e que talvez o polícia não me tenha dado a informação toda ou ele próprio não saiba, como sabemos, durante esta Jornada Mundial da Juventude, muitas vezes houve aqui alterações de última hora. Aliás, mesmo na chegada a Fátima, vimos que o Papa saiu directamente para um Papamóvel e não para o veículo fechado, como estava previsto. Neste momento, não sei se vocês têm ou não acesso às imagens, mas os helicópteros EH 101 da Força Aérea já se começam a aproximar da pista, estão praticamente a aterrar.
As imagens que nós tínhamos visto eram, de facto, os dois helicópteros a aproximar-se. Creio que a imagem que vemos agora é de um ponto no ar que está muito distante. Talvez seja o terceiro helicóptero que ficou para trás e que demorou mais tempo a fazer esta viagem.
Eu não vejo esse helicóptero a que vocês se estão a referir, pelo menos aqui na zona. Agora sim, lá ao fundo, exactamente do mesmo local onde vieram os outros dois helicópteros, que volto a dizer que não sabemos a razão pela qual estão mais separados desta vez.
Os dois primeiros já estão a pousar.
Exatamente. Acabaram de aterrar, eu estou a ver, foi exactamente do mesmo sítio onde saíram há pouco quando fizeram a viagem oposta de Lisboa para Fátima. Resta agora perceber, porque há pouco foram vocês que me deram a informação aí do estúdio da rádio, para onde é que eles vão e de qual é que o Papa Francisco vai sair, em primeiro lugar, e depois onde é que ele vai sair. Deve ser a mesma zona, uma zona que, como sabemos, e falámos muito durante a manhã, foi impedida de ter jornalistas hoje, ao contrário do que aconteceu quando o Papa Francisco chegou a Lisboa na quarta-feira. Estes helicópteros, os dois que acabaram de aterrar, já estão a ir para trás, para essa zona onde será possível fazer o desembarque do Papa Francisco e de toda a comitiva. O outro ainda vem bem lá no alto. Vamos ter de aguardar mais um pouco para perceber qual deles traz o Papa Francisco. Isso já vai ser aí convosco, porque eu daqui não vou ter acesso a essas imagens. Como digo, vou estar atrás. E já agora, vou voltar ali para a zona da entrada onde a comitiva do Papa Francisco vai sair.
Vamos ficar atentos para assinalarmos esse momento em directo na Rádio Observador. Por agora, há apenas algumas movimentações na pista do aeroporto de Lisboa. Eunice, estavas a falar do Presidente da República muito presente na jornada, não sei se agora ias falar para o Governo.
Ia passar para o Governo, que tem sido bem mais discreto, ainda que estrategicamente se queira colar ao sucesso desta jornada, que tem sido até agora um sucesso. Falta este fim de semana final, que tem várias questões problemáticas, mas que parecem estar acauteladas. O Governo e em concreto o primeiro-ministro, sendo coerente com aquilo que é a sua posição religiosa, não tem ido aos eventos puramente religiosos. Esteve no CCB como boa parte do Governo, porque era ali de facto o sítio do encontro do Papa com políticos, com as entidades diplomáticas, com as entidades da sociedade civil, inclusive. E, portanto, daria uma nota positiva a essa posição mais discreta do Governo. E depois Carlos Moedas, que anda por aí saltitante de contentamento e de aproveitamento político, que tem aparecido em todo o lado e que, em concreto, no caso da visita do Papa à Serafina e ao Bairro da Liberdade, que são duas realidades diferentes, mas indissociáveis, quis claramente fazer um aproveitamento político, que me soou muito descarado, daquela visita. E, portanto, olhando para as três instituições políticas ligadas à organização desta jornada, presidente, governo e câmara, em que também há quase que uma disputa de protagonismos Estou aqui indecisa entre dar uma nota a todos ou dar notas separadas. Posso fazer uma espécie de média e dar um 11.
E assim consegues dar uma positiva. Pedro?
Sinto que estás a fugir da doutrina Benevides, que é dar uma nota para todos os vencedores.
Mas tu vais ser capaz de dar grandes notas?
Não, eu que não tenho estudos, vou fazer aqui uma referência bíblica, coisa que a Eunice podia ter feito e não fez, e eu vou fazê-la agora, porque eu queria dar uma nota coletiva também a todos os que, tal como Pedro, negaram Jesus várias vezes. Negaram a Jornada Mundial da Juventude, sobretudo quando a coisa começou a ferver e tornou-se polêmica, nomeadamente pelos custos. Já antes até da notícia do palco-altar, junto ao qual nós estamos, já havia uma disputa sobre quem é que pagava o quê, quem é que pagava, presidente da Câmara de Lisboa a dizer que não pagava não sei o quê, o governo a dizer que pagava não sei o quê, e houve um momento em que depois da grande festa do presidente Marcelo, de repente começou a chegar a fatura e ninguém queria pagá-la e foi um momento que não foi brilhante para ninguém. Andaram todos ali a negar a jornada e depois, agora que a jornada está a ser um sucesso e está a correr bem, tal como Pedro, eles consideram-se uma pedra fundamental deste êxito.
Depois da negação, Jesus pergunta a Pedro: "Pedro, tu amas-me?" E o Pedro, por três vezes, responde: "Sim, senhor, tu sabes que eu sou teu amigo."
Pronto, a Eunice sentiu aqui aquela questão dos estudos e pensou: "Não, eu tenho que mostrar aqui toda uma elevação".
E mesmo com as fragilidades de Pedro, Jesus diz: "Apascenta as minhas ovelhas".
Como vemos, não é uma comparação feliz nem bem feita. Obrigada, Eunice, por destruíres todo o meu trabalho nos últimos dois dias, andei à procura de referências bíblicas. Eu vou mantê-las.
A direção está bem aplicada.
Mas efetivamente, sim, foi um espetáculo, diria, degradante, sobretudo quando se começou a discutir a história do palco-altar, que pareciam todos umas formigas. Eu acho que, apesar de tudo, Carlos Moedas esteve bem, porque no meio daquele passa-culpas e daquela vergonha por um processo que não foi, de facto, bem conduzido, em que obviamente um evento destes, e acho que os portugueses hoje olham para as imagens que estão diariamente a todas as horas, em todas as televisões, nas rádios, nos jornais, em todo lado, percebem que isto é um evento de uma dimensão impressionante e que obviamente tem de haver uma estrutura logística para acomodar tudo isto que acontece, desde o ponto de vista do bem-estar de cada uma destas pessoas, e são milhares e milhares que aqui vêm, até à própria parte cênica, que tem sido bastante simples, mas obviamente tudo isto tem custos e precisa de ser feito com dignidade e não vamos imaginar que o mundo é feito de coisas de borla, porque não há almoços de graça e obviamente que tudo isto tem custos. Agora, a questão é saber se esses custos eram ou não eram um investimento produtivo e eu penso que hoje em dia as pessoas não têm muitas dúvidas sobre a quantidade de gente que aqui está envolvida na cidade, não só aqui em Lisboa, mas por todo lado, eu diria quase, do país. E o que faltou na altura foi uma grande coragem por parte dos políticos de assumirem exatamente a responsabilidade que tinham pedido, porque Lisboa candidatou-se, não foi escolhida pelo Papa e agora amanha-se. Acho que depois desse momento triste, acho que agora temos este momento, também já era expectável, em que todos eles se colam ao sucesso da Jornada Mundial da Juventude, com mais patetice, com menos patetice, com mais aproveitamento político, menos aproveitamento político. Eu queria dar aos nossos políticos, aos crentes e aos não crentes que quiseram seguir, de forma muito simplista, o exemplo de Pedro, vou lhes dar um 17.
Muito bem, uma nota alta do Pedro Benevides, numa altura em que as pás do helicóptero que transporta o Papa Francisco, acreditamos nós que é esse o helicóptero, porque eles são três e estamos a receber imagens apenas de um deles. Essas pás pararam de girar e a porta traseira do helicóptero acaba de se abrir e é por lá que o Papa Francisco sairá, se estiver, de facto, neste helicóptero. Estamos numa edição especial de Juventude. Já voltamos às notas do Pedro Benevides e da Eunice Lourenço. Para já, Inês André Figueiredo, já há algum sinal do Papa aí no sítio onde tu estás?
Sinal do Papa, ainda não. Sinal de que o Papa estará aqui dentro de momentos, há muitos. Para começar, como bem nos lembramos, eram 08h quando o Papa saiu daqui, o que afastou os populares de tentarem vir aqui cumprimentar o chefe da Igreja Católica. Havia aqui 20, 30 pessoas, não mais. O Papa acabou por parar para abençoar um bebê muito pequeno que estava aqui de manhã com a família. Agora há muito mais pessoas, estão aqui entre 100 a 150 pessoas. Por outro lado, o dispositivo policial é mais pequeno do que era de manhã, pelo menos aqui à vista. Acaba de chegar aqui uma carrinha da Unidade Especial de Polícia. Ainda assim, há muita gente, há muitas pessoas que vão tentar ver o mais próximo possível o Papa Francisco. Deixar aqui uma nota. Como sabemos e como temos visto, o Papa circula num carro branco fechado, vai sempre do lado direito do carro, aquilo a que costumamos chamar o lado do pendura, e neste momento, quando sair deste aeroporto, vai virar à direita e por isso as pessoas estão do lado oposto, onde o Papa terá a janela aberta, o que pode aqui complicar um bocadinho Ou a situação da segurança, as pessoas tentarem aproximar-se mais do carro e mais do papa e ser necessário a polícia intervir, ou o papa ter de parar para cumprimentar estas pessoas. Mais uma vez, estão aqui bebês. A população tem-se apercebido que, de facto, o Papa Francisco faz questão de parar quando há bebês e toda a gente traz o seu bebê para ser abençoado. Já agora, também há aqui, como tem havido, cães-polícia para tratar da questão dos explosivos, para ver se está tudo em condições para receber o chefe da Igreja Católica. Portanto, aqui estamos. Uma coisa que não tem acontecido nos outros locais e que acontece aqui: esta estrada não está cortada. Ou seja, há várias pessoas a passar, há uma estrada pequena perpendicular à entrada do aeroporto que está, de facto, fechada com um carro da polícia, mas esta estrada não está, até porque há muitos trabalhadores do aeroporto que entram por trás desta base militar de Figo Maduro, exatamente ao lado da pista onde os helicópteros aterraram e portanto, é difícil também manter esta estrada fechada neste momento. Dispositivo policial, cães-polícia, bebês, pessoas a querer assistir. Neste momento, o cenário é este.
Já aí voltamos, Inês, no momento em que o Papa Francisco sair desse helicóptero, até porque eu há pouco estava a dar a indicação de que um dos helicópteros tinha parado os motores, mas acho que estava a falar do helicóptero errado, porque o helicóptero onde está o Papa Francisco, que é aquele que estamos a ver agora nas imagens, creio que ainda está com as pás em rotação e, portanto, ainda mais longe, não muito, mas ainda mais longe de estar completamente imobilizado e ainda mais longe de abrir a porta para que o Papa possa sair. Continuamos na nossa edição de "E o Vencedor é..." Estamos com a Eunice Lourenço e o Pedro Benevides. Estávamos a falar há pouco de bebês. Há uma imagem curiosa também, que é de pessoas no Parque Eduardo VII a entregarem bebês ao presidente da Câmara de Lisboa e ao Presidente da República para que eles próprios pudessem levar esses bebês juntos do Papa. Essa imagem é curiosa também.
Desculpem, mas eu estou a lembrar-me de um livro que acabei de ler na semana passada, em que às tantas é organizada uma grande festa em Paris, em honra de um miúdo, na alta sociedade parisiense pós-Segunda Guerra Mundial, e para ir a essa festa, as pessoas tinham que ter ou filhos ou sobrinhos e foi uma grande azáfama na sociedade parisiense para arranjar crianças, tendo mesmo alguns levado os filhos de empregados. Desculpem lá, isto é muito profano.
Estás a imaginar este sozinho numa avenida a levá-los todos.
Mas cada vez que me falam dos-
Dos bebês que estão a ser entregues ao Papa
...dos bebês que estão a ser entregues e do bebê é quase como passaporte para chegar ao Papa, eu lembro do livro "A Bênção" de Natalie Beaubien.
Eu nunca me lembro de ter ouvido, pelo menos, jornalistas tão entusiasmados quando viam bebês, porque cada vez que há um jornalista que está em direto, seja em que meio for, e vê um bebê, diz: "Ei, há um novo bebê, há um bebê!" E pega o bebê.
E com frequência, esse bebê chega, de facto, às mãos do Papa Francisco. Por esta altura, também uma nota para a abertura da porta do helicóptero e o Papa deve estar quase a sair do helicóptero que o trouxe de Fátima de regresso a Lisboa. Vamos aproveitar este entretanto, Eunice, para falar da organização da Jornada Mundial da Juventude.
Sim, e aqui a organização também tem vários vetores, porque a jornada é uma organização conjunta da Igreja, das Câmaras de Lisboa e de Loures e do Estado português. Vou falar primeiro da organização do Estado, nomeadamente no que diz respeito à segurança e ao encaminhamento de peregrinos, que me parece funcionar bastante bem, sendo que daquilo que fui vivendo e também ouvindo nas conferências de imprensa de segurança no centro de imprensa Eu acho que houve um susto inicial com a missa de abertura. As autoridades não estavam à espera de tanta gente logo na missa de abertura.
Sem papa.
Sem papa. E isso fez eles perceberem que isto ia ser em crescendo, e num crescendo superior ao dispositivo que estava montado para o primeiro evento. Portanto, o dispositivo foi redesenhado e reorganizado de uma forma que me pareceu bastante eficiente. Eu acho que temos tido uma segurança segura, no sentido em que nos transmite segurança, mas muito prestável também, por outro lado.
E não está desadequadamente presente em toxificar um evento, como tu dizes, é um evento de alegria, não é?
No metro, por exemplo.
O Papa está a sair agora, Eunice, deixa-me só dar nota deste momento. Está a sair em cadeira de rodas do helicóptero da Força Aérea que o trouxe de Fátima e agora a indicação que temos é de que fará a viagem num carro fechado. Aliás, o carro já ali está. Já ali está o carro branco que tem transportado o Papa Francisco nas deslocações que tem feito em Portugal, um carro branco onde o Papa costuma andar no banco da frente, de vidro aberto, a acenar também aos vários peregrinos. E é provavelmente esse o carro que vai usar agora também, até porque ele já está ali posicionado. Há muita gente ali à volta do Papa Francisco, serão alguns membros da comitiva que viajaram com o Papa neste helicóptero. Tínhamos indicação de que cada um destes EH 101 poderia transportar até 30 pessoas nesta configuração VIP, com poltronas, de acordo com o que apurei, inclusivamente reclináveis, portanto, mais confortáveis do que os bancos habituais de um helicóptero militar que faz transporte de militares e faz busca e salvamento.
E quanto tem bancos.
E quanto tem bancos, sim, pode ser também.
Teria cadeiras reclináveis bem mais confortável.
E este helicóptero em particular tem também macas, que não são certamente o sítio mais agradável para se estar e foram naturalmente adaptados para esta viagem do Papa, para que pudessem servir este propósito de transportar o Papa e a comitiva entre Lisboa e Fátima. O Papa, creio que vai cumprimentando algumas pessoas que estão na placa do aeroporto de Lisboa. Creio que já na zona da base de Figo Maduro. Entretanto, estará prestes a entrar no carro branco que o vai levar para a nunciatura, onde vai chegar antes do evento que mais logo tem marcado aqui no Parque Tejo, por volta das 20h45. O Papa é esperado aqui para participar na vigília com os peregrinos que têm estado ao longo dos últimos dias a participar na Jornada Mundial da Juventude. O Papa estará por esta altura a entrar no carro branco que o tem transportado por Lisboa. Confesso que não consigo perceber se já entrou ou não, mas creio que sim. Este carro vai fazer o transporte do Papa para a nunciatura, a casa do Papa em Lisboa, e creio que nesta altura ele já está dentro do carro e deve, a qualquer momento, partir este automóvel e deve cruzar os portões da base aérea de Figo Maduro. Agora o carro está em movimento. A qualquer momento, Inês André Figueiredo, o Papa Francisco deve estar a cruzar-se contigo.
É bem possível, até porque os polícias já se estão aqui a aproximar cada vez mais da multidão que está à espera desse momento, à espera que o Papa Francisco saia aqui pelos portões do terminal da base aérea militar do Aeroporto Lisboa, aqui em Fig Maduro. Como vos dizia há pouco, as pessoas continuam a chegar. Está muito mais gente do que esteve de manhã, até é normal, por uma questão de horas. O dispositivo policial está apertado e também por outra questão, que é ao contrário do que aconteceu quando o Papa entrou em Fig Maduro, há aqui muitas motas da comunicação social, que são aquelas que seguem a comitiva do Papa, que estão aqui entre a polícia, a população e mesmo a saída aqui do terminal. Por isso há aqui alguma confusão, muitos telemóveis, toda a gente quer a melhor fotografia, o melhor vídeo, estar o mais próximo possível do Papa Francisco. Tal como vos dizia há pouco, mantêm-se. Olha, ao fundo já estamos aqui a ver o início da comitiva, os primeiros batedores de motas, o carro da polícia que vai sempre à frente dos primeiros carros pretos, também um jipe aqui a sair. Podem ouvir aqui ao nosso lado, são aquelas motas de que vos estava a falar, que estão preparadas para acompanhar esta comitiva do Papa Francisco. Já vejo, ao fundo, o carro onde segue o chefe da Igreja Católica, mais umas motas a passar aqui o portão principal, o tal carro da polícia de que vos falava há pouco e agora sim, vai começar aqui a aproximar-se o carro do Papa Francisco. Estamos aqui um pouco hesitantes a tentar perceber se ele vai ou não parar. Deixa-me só aproximar aqui um pouco mais. Estão aqui muitas câmaras, muitos repórteres que não estavam aqui de manhã
Aí vem ele, já está a acenar, tem a mão de fora. Eu vou me colocar aqui no meio da multidão. Estou aqui e tal como eu vos dizia há pouco, como o Papa Francisco vai no local do pendura, está do lado direito, tem um carro a protegê-lo nesse lado, tem a parede deste terminal da base militar e não consegue chegar aqui a ninguém. Ou seja, vocês estavam há pouco a rir-se aí com a conversa dos bebês. Desta vez, nenhum bebê foi cumprimentado, por isso o Papa Francisco não cumpriu esta missão aqui à saída do terminal. Mais uma vez, estavam aqui muitas crianças, muitos jovens. E agora sim, aquilo que vocês conseguem ouvir, com certeza, são as últimas motas da comitiva do Papa Francisco. Atrás, como é costume, várias carrinhas pretas, o resto da comitiva que o acompanhou até Fátima nesses helicópteros EH-101, uma das carrinhas cinzentas onde costuma até circular a comitiva de jornalistas que acompanha o Papa Francisco e que desta vez não foi com o Papa Francisco. Deixar esta ressalva, a comitiva desta vez era mais pequena, houve pessoas que foram de carro, só foram três helicópteros da Força Aérea. E agora sim, tudo a ficar mais calmo. Algumas pessoas aqui com uma cara mais triste por não terem conseguido aproximar-se do Papa Francisco, outras muito felizes por terem conseguido vê-lo. É visível a emoção das pessoas neste momento, como tem sido habitual sempre que o Papa Francisco passa junto da população. E já agora, também dizer-vos, há aqui muitos escoteiros, há aqui peregrinos, mas ao contrário do que tem acontecido noutras zonas da cidade, aqui há principalmente cidadãos normais e que não estão nesta Jornada Mundial da Juventude, até porque isto é uma zona periférica, digamos assim, é no centro de Lisboa, mas é afastada, não é como na Nunciatura, onde toda a gente se consegue aproximar. Aqui as pessoas fizeram questão de se deslocar, porque sabiam que o Papa Francisco estava a sair a esta hora.
Fica a reportagem em direto da Inês Andrea Figueiredo. O Papa Francisco segue agora para a Nunciatura. Lá haveremos de estar para acompanhar essa chegada e mais uma oportunidade para uma bênção a um bebê na chegada à Nunciatura. Eunice, vamos terminar a ideia relacionada com a organização da Jornada.
Ia falar dos transportes, que acho que na noite de terça-feira também, eu, por exemplo, estive uma hora entre entrar na estação de Saldanha e entrar numa carruagem de metro. No fundo, a terça-feira serviu para as várias entidades se aperceberem do que era preciso realocar esta jornada e do que era preciso adaptar às multidões. Depois houve também o lado da organização da Igreja e essa, no fundo, começou há mais tempo, há quatro anos. E nessa organização houve falhas, houve muitas falhas. Houve gente que trabalhou discretamente para esta jornada durante quatro anos, muitos jovens que tentaram dinamizar as suas paróquias, as suas comunidades, os seus grupos, por exemplo, para o acolhimento de peregrinos e depois não foram alocados peregrinos a esses locais.
Não só isso, Eunice, só para falar disso também, não só isso, como eu acho que falhou também a mobilização na angariação de famílias de acolhimento, porque acho que também talvez a mensagem não tenha sido bem preparada e não tenha sido bem pensada. Um país que gosta de pensar-se como hospitaleiro, eu acho que falhou aqui.
A ideia que eu tenho é que a adesão das famílias foi completamente diferente entre cidade e área metropolitana arredores da cidade. Portanto, a diocese urbana resistiu mais a ser família de acolhimento. No oeste e no resto da diocese, havia muito mais famílias de acolhimento comparativamente em termos populacionais, mas depois algumas dessas famílias não receberam. E não só poderia ser importante para os peregrinos viverem essa experiência de acolhimento em família, mas os peregrinos entre dormir no chão de um pavilhão e dormir numa família, é melhor, mas adaptam-se ao que tiver de ser, vêm dispostos a isso. Agora, teria sido muito importante para essas comunidades, para essas paróquias, que muitas vezes se sentem esquecidas, que a jornada lhes chegasse. Isso foi possível nos dias das dioceses, em muitas das dioceses portuguesas. Infelizmente, não foi possível, por critérios de alocação nem sempre claros, que foram adotados pela organização. É pena. E dou uma nota de 18 à organização, mas de 20 a todos aqueles que trabalharam discretamente e que, apesar das desilusões, permanecem. E permanecem na Igreja, certos de que esta alegria e esta esperança, de alguma forma, há de ser encaminhada para um certo renascimento, para um certo recomeço da Igreja em Portugal e sobretudo da Igreja em Lisboa, que está a precisar desta alegria e desta esperança.
Já não temos muito tempo, Pedro Benevides, mas podemos olhar privilegiadamente para o altar-palco. E queres dar uma nota a quem redesenhou este altar-palco?
Quero dar um 20 à Eunice, que fez aqui uma homenagem muito justa e, portanto, acho lindamente. Eu queria dizer, agora que já estamos aqui na varanda da Rádio Observador e do Jornal Observador, queria dar-vos um 19 a vocês pelo redesenho deste palco, porque temos que dar a autoria a quem merece. Foi o Observador com a notícia sobre os custos do palco, que fez com que este palco fosse mais pequeno, fosse mais baixinho, se calhar vão ter peregrinos a queixar-se que não veem o Papa agora, mas este é o poder da comunicação social, está aqui à vista. Portanto, através daquela notícia, e temos aqui o João Francisco Gomes, um homem que sabe dos assuntos da Igreja, podemos dizer que é o arquiteto deste novo palco. E portanto, eu acho que há que dar aqui os parabéns e mostra que de facto a comunicação social, apesar de tudo, continua com um papel, tem influência, é importante para revelar aquilo que às vezes não se quer revelar e portanto, através deste exemplo, eu acho que, não querendo dar aqui uma palmadinha nas costas a nós todos, que somos todos jornalistas, mas acho que também foi importante ver isso quando às vezes os políticos ou os organizadores não quiseram revelar coisas que deviam ter revelado e explicado claramente às pessoas.
E assumido.
E assumido e explicado. É isto, porque isto, mas não quiseram fazê-lo. Saiu uma notícia e ficaram todos com medo e agora temos este palco.
Justamente, posso dizer uma coisa que já escrevi no Expresso. A Jornada de Roma foi a jornada da minha vida e eu não vi o palco. Nem me lembrava, tive de ir recordar.
E quem estiver ali para lá do trancão também não vai ver coisa nenhuma, mesmo que o palco tivesse mais 10 m de altura.
Mas ele depois fica cá mesmo depois da jornada terminar. Pedro Benevides, Eunice Lourenço, muito obrigado por terem vindo a esta edição especial de "E o Vencedor É". Terminamos por aqui. Já ouvimos, de resto, até o sinal horário, já passa do meio-dia. Terminamos esta edição por aqui, mas estamos de regresso amanhã.