Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora a nova edição do YouVencer, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. E Carla, esta sexta-feira está conosco em estúdio, Alexandra Machado.
E esta manhã regressamos a Vale de Judeus. Vamos também andar por Fafe e, naturalmente, pelo Chega, porque, Alexandra, o Chega parece que tem andado em todo lado agora nos últimos tempos, com muitos casos.
Tem andado em demasiados lados. Já andava menos em vários lados. André Ventura quer limpar Portugal, mas tem de começar primeiro por limpar o partido. Ponto prévio, não é possível, obviamente, um líder ou um responsável partidário saber tudo o que os seus deputados ou dirigentes fazem na esfera privada, mas tem de saber escolher as pessoas. E, no limite, a escolha de cada deputado ou de cada dirigente é da responsabilidade de um líder. E não se sabe o que se passa na esfera pessoal de cada um. Mas Ventura atacou anteriormente relações de amizade entre as pessoas. Portanto, se Ventura atacou anteriormente relações de amizade, recordo das críticas de André Ventura a António Costa só porque era amigo de Diogo Lacerda Machado, que era suspeito num dos casos, e de Vitor Escária. Ventura chegou mesmo a dizer que só pela amizade de António Costa com Lacerda Machado, o então primeiro-ministro devia dar explicações ao país, portanto, pela amizade. Agora fica um pouquinho mais estranho ou fica um pouquinho mais grave o papel de André Ventura sobre estes casos que têm tomado conta do partido Chega. E além disso, outro dos pontos que eu critico relativamente a André Ventura é que para o líder do Chega não há nunca a presunção de inocência quando são os outros. André Ventura também nunca toma em boa nota as decisões da Justiça. Isto para falar dos ataques que têm sido feitos de André Ventura ao PS por causa ainda do caso Casa Pia. Usar aqui duas bitolas em relação ao que se passa no Chega e em relação ao que a Justiça decidiu. Enfim, pelos vistos, Ventura faz o seu julgamento próprio sobre o assunto. É verdade que tem aqui um benefício, que é não ficar calado. Muitas vezes nós criticamos aqui dirigentes ou líderes partidários por ficarem calados perante casos internos ou do partido, e Ventura, de facto, não fica calado. Aliás, fala demasiado, se calhar, neste caso, mas é verdade que não fica calado e isso é um ponto a seu favor e se calhar pro seu eleitorado é o que chega.
É o mais importante.
É o que chega. E eu temo que estes casos belisquem. Se o Chega fosse a votos hoje, não sei se beliscaria, se iria assim tão beliscado.
Não, eu creio que esse núcleo mais fiel, mais fervoroso de apoiantes do Chega já encontrou aqui uma tese para lidar com estes casos.
Mas esse núcleo do Chega será a representação parlamentar que o partido tem neste momento?
Provavelmente, não.
Provavelmente, não.
Mas também não será cinco ou seis deputados. Acho que dá pra mais. E, de facto, aderiu aqui a uma tese de que nestes casos, o que interessa mais é a forma como o partido reage aos casos do que propriamente os casos. Essa é a tese a que já aderiram.
É a tese possível.
É a tese possível, sim.
Quando se tem de apoiar, tem que apertar as mãos.
É uma tese que a prova do algodão será só em urna.
Não, eu digo que é a tese de defesa possível.
É possível, mas pode variar o grau de adesão a essa tese.
Sem dúvida. Pode ser mais ou menos eficaz.
O que se tem visto é uma adesão muito fervorosa, muito veemente a esta defesa, quase como se estivesse em causa a liderança de André Ventura. E daí ele também usar depois, mais tarde, esse argumento, ou pôr isso na mesa, essa possibilidade de abandonar a liderança, que ele sabe que é algo que mexe muito com os apoiantes do Chega, que são apoiantes de André Ventura.
Isso é uma tática para sair mais reforçado. É uma tática de André Ventura.
Aconteceu várias vezes com a representação de vários congressos políticos.
E André Ventura sabe perfeitamente que se houver votos, não sei se propriamente o Chega é um partido muito democrático internamente, mas sabe que não sai beliscado dentro do partido e se calhar pra fora também não, e esse é o meu ponto.
Eu acho que as pessoas também percebem que o partido ainda é ele, de alguma maneira, ainda é dependente dele. Se ele sair, o partido...
O partido é só ele e por isso é que tem mais responsabilidades neste caso.
E quem lhe dera que fosse só ele.
Não, mas o ponto é que o fato do Chega ser André Ventura, e André Ventura ser o Chega, põe mais responsabilidades em cima de André Ventura pelas escolhas que faz dos deputados.
Claro.
Ele tem que explicar as escolhas que faz e ele tem que saber não o que eles fazem na vida privada, mas depois tem que saber fazer o escrutínio, tem que responder a todos os níveis.
É uma responsabilidade política que ele não pode fugir, e por muito que tente inverter aqui as coisas, é uma responsabilidade de André Ventura.
Claro. E Nuno Afonso, o fundador do Chega e que é um dissidente, disse, aliás, antes deste caso de Nuno Pardal, já tinha dito ao Observador que André Ventura fingia que não sabia de nada em alguns outros casos. E sobre esta questão e sobre as acusações de Nuno Afonso, André Ventura também ainda não se justificou. O caso Nuno Pardal é grave, e ainda para mais em alegadas batalhas do Chega, prostituição de menores, abuso sexual de menores. Vai mesmo ao cerne do pulmão, do coração do Chega. André Ventura diz...
Aliás, o Chega começou muito por aí, com a proposta para castração química de pedófilos.
Das franjas ainda mais radicais do Chega, esta é a bandeira deles.
Esta é a bandeira, sim. E agora vai começar a falar mais, com certeza, da corrupção. Sempre falou muito da corrupção, mas o Chega só não tem casos de corrupção, felizmente, porque não está no poder.
Não está no poder.
Portanto, se um dia chegue lá, os esqueletos do armário vão sair, e é bom que André Ventura vá fazer na sua casa o que exige aos outros que façam: escrutínio interno sobre as suas companhias. Quanto ao escrutínio externo, ficará a justiça cá para fazer, e espero que os eleitores também o façam. Mas André Ventura tem aqui um grande problema para resolver e não pode dizer apenas que batalha, que desmete e que fará tudo internamente para que o partido não seja beliscado. Já saiu beliscado.
É a tua nota para André Ventura, sendo André Ventura e o Chega quase a mesma coisa.
A minha nota é menos 50.
Bruno, a tua nota também é para André Ventura?
Não. A minha nota era para Marques Mendes.
Desculpa, tens razão. O Paulo é que vai ao Chega, peço desculpa.
Posso dar a nota também.
Não, guarda para Marques Mendes.
Tens uma nota de 20.
Acompanhando aquilo que a Alexandra disse, antes de mais, eu acho que são sempre bons momentos para a saúde do regime democrático, quando há populistas moralistas que provam do próprio veneno. E é isso que está a acontecer ao Chega e a André Ventura. Durante cinco anos, ele disse que o Chega era um partido diferente dos outros, por várias razões. E uma delas é, de facto, por ser moralmente superior, por querer, como disse a Alexandra, vinha para limpar Portugal. E afinal, nós percebemos agora por estes casos que o Chega é tão sujo quanto os outros, se quisermos. Nem sei se não será mais em termos proporcionais. E André Ventura, percebe-se perfeitamente, desde o caso Miguel Arruda, que ele anda um pouco de cabeça perdida. Não é que a cabeça dele fosse encontrada ou achada durante muito tempo, mas nota-se pelo tipo de reação, a reação que ele teve no Parlamento em relação aos jornalistas do caso Miguel Arruda não é normal. No fundo, a sugerir, ele queria que tivessem sido os jornalistas a ir denunciar à polícia que havia malas no gabinete do Miguel Arruda, no Parlamento, e portanto aquilo é uma reação absolutamente cabeça perdida. E ontem voltou-se a ver isso. Ele já está naquela fase em que os factos o incomodam tanto e é tão difícil encontrar saídas. Há essa saída do nós reagimos de outra maneira. Mas é a única saída, é a única escapatória. E o caso de ontem do Nuno Pardal Monteiro.
Ribeiro.
Nuno Pardal Ribeiro.
Nuno Pardal, chamam-se Nuno Pardal.
Estou sempre a ir buscar a outra conjugação destes apelidos. Nuno Pardal Ribeiro, de facto, é o dedo naquela ferida, que é impensável. E mais uma vez, ontem ficámos a saber também que André Ventura, nestes casos, não acredita no Estado de direito, porque foi buscar casos, não vou recordá-los aqui para não estar a prolongar a infâmia, foi buscar casos do passado, que de uma forma ou de outra estavam resolvidos na justiça. E nós acreditamos no sistema de justiça. Ou acreditamos, ou não acreditamos.
Mas aqui também já há a presunção de inocência, que é coisa que ele também não...
Exato, aqui há a presunção de inocência. Claro que há, ele está acusado só, não foi julgado ainda, portanto, vamos ver o que este caso dá, como todos os outros casos que André Ventura comenta e que exige demissões.
Ventura aqui já acredita na presunção de inocência.
E depois tivemos aquilo, isto agora já é anedótico, aquele deputado regional apanhado com 2,25 de alcoolemia. Acho que encontraram vestígios de sangue nas veias. Que isto é daquelas coisas que eu acho que acontece, é banal, infelizmente é banal, e não é isto que faz uma pessoa...
E já aconteceu a deputados.
De outras bancadas.
Há pouco tempo houve a notícia de um deputado que atropelou.
Um atropelamento.
E isso pode acontecer.
Claro que acontece. Não são santos nem super-homens ou super-mulheres os políticos.
A questão é o que são, é o discurso moralista que são. O mesmo acontece com o Bloco de Esquerda a propósito de outros temas.
Absolutamente.
Estamos à tua nota, Paulo.
Eu dou um 2,25 aqui a André Ventura e ao Chega. Ainda tem aqui uma margem para cair mais. Porque eu acho que isto continuando assim, a cabeça perdida vai acentuar esse seu estado.
Pode continuar. E agora, de forma completamente surpreendente, o Bruno vai dar uma nota a Marques Mendes, que ontem anunciou a candidatura.
É um cidadão de Fafe, é verdade. Com Fafe ninguém fanfa, não é?
É isso.
Eu uma vez já acho que aqui falei de uma metáfora que gosto muito da Susan Sontag, que é aplicada aos escritores, que ela dividia consoante as características entre maridos e amantes. E se aplicarmos esta metáfora aos políticos, Marques Mendes ontem posicionou-se claramente do lado dos maridos. Ele promete as delícias da conjugalidade, da estabilidade, da experiência. E basicamente o que ele disse foi: "Comigo já sabem como é, what you see is what you get." E vai querer colar o almirante, e tentou desde ontem já, e antes disso já tinha tentado, colar o almirante ao aventureirismo, a um mergulho no desconhecido, à falta de experiência política.
Ao amante, portanto.
É o amante. E aqui, neste último aspecto, da falta de experiência política, ele tem razão, não há nada a fazer. Gouveia e Melo não tem experiência política no sentido rigoroso da expressão, mas tem uma carreira nas Forças Armadas, tem uma vida de dedicação À pátria. E de alguma forma isso também demonstra escrutínio e ética, porque apesar de não ter essa carreira política, essa vida política para apresentar, Gouveia e Melo tem um lado de estabilidade que tem a ver com a sua carreira nas Forças Armadas, tem a ver com a ética republicana de comportamento cívico. A vantagem de Marques Mendes é que tem essa experiência aplicada à política. Em comparação, de facto, não é uma aventura, não é experimentalismo, nem é um tiro no escuro. Ele não disse tiro na água, podia ter usado a expressão, mas não.
Ou tiro no porta-aviões.
Ou tiro no porta-aviões.
No submarino.
Afundou o submarino. Mas ele disse que este não é o momento de aventura, de aventureirismo, nem de experimentalismo, é um tiro no escuro. Nunca é, se nós pensarmos bem, quando é que é a altura de apostarmos no desconhecido. E ele vai apostar nesta ideia de que é o candidato da estabilidade com um problema que pode ser grave para ele com o tempo. É que a estabilidade, e já vimos isso também com o Marcelo em várias ocasiões, a estabilidade não pode ser um fim em si. A estabilidade tem de servir para alguma coisa. E um presidente da República é um agente, sim, toma decisões, mas é também um intérprete da realidade política e age de acordo com essa interpretação. E por vezes a interpretação que tem de fazer é que é preciso agitar as águas, para mais uma metáfora náutica. E ele sabe disso.
Esta campanha promete.
Promete ter muita água. Por isso, e apesar destas dúvidas que ainda se põem sobre a candidatura de Marques Mendes e de como é que ele vai conduzir a sua campanha, se será sempre ao ataque à Gouveia e Melo ou se, por outro lado, vai optar por reforçar e sublinhar as suas próprias qualidades, eu vou dar uma nota positiva, um 14 a Marques Mendes.
Eu por acaso acho que ontem o Marques Mendes tentou captar o público do PS.
E já conseguiu, acho que o autarca de Fafe é do PS.
Sim, é do PS. Esse já tinha conseguido só pelo fato de ter ido a Fafe apresentar a candidatura. Marques Mendes olhou muito para aquele centro.
Embora não goste de dissoluções e de eleições antecipadas, e o PS talvez as deseje.
Não sei. O PS foi contra as eleições antecipadas.
Se calhar o voto é de protesto.
Nunca é quando são do governo.
Até o verde, aquele verde da imagem da candidatura é muito parecido com o verde que Pedro Nuno Santos apresentou.
Que o PS utiliza, é verdade.
Que o PS utiliza e repescou, pareceu-me a mim, o logotipo do anterior governo, da bandeira.
Será que um dia vamos ver Pedro Nuno Santos e Marques Mendes debaixo do mesmo guarda-chuva?
Possivelmente. José Manuel, muitos temas aqui para o Contracorrente, em que vamos falar da candidatura do anúncio de ontem de Marques Mendes e é por isso que vais sair aqui da linha política e destacar a recaptura dos dois fugitivos que faltavam de Vale de Judeus, que ontem foram encontrados.
É verdade, queria ir por aí, até por uma razão, porque me parece que não é muito frequente. Quando eles fugiram não havia ninguém que acreditasse que algum dia eles iam ser recapturados. Recapturados, apesar de tudo, com esta, quase que diria facilidade. Passaram seis meses.
Cinco meses.
Cinco meses e temos os cinco recapturados. Eu nunca acreditei que fosse possível. Achei que talvez um, dois, os primeiros, aqueles que eram portugueses, seria relativamente manejável.
Até porque o fato de serem estrangeiros levava para outras paragens rapidamente.
Supereiamente que eles iam para outras paragens, mas eles foram apanhados noutras paragens. Os últimos agora em Almeria, Espanha, aqui ao lado, num Porsche, não deixa de ser uma coisa, os dois juntos. É sexta-feira, a sexta-feira é pra dar notas positivas, sempre que possível, vamos neste fim de semana. Está a chover, mas amanhã vem sol. Portanto, eu gostava de dar os parabéns à Polícia Judiciária.
José Manuel, está quase um otimista irritante.
Estou quase um otimista irritante. Dar os parabéns à Polícia Judiciária, dar os parabéns à coordenação internacional, à Interpol, a quem quer que colaborou nisto tudo. O que é facto é que os apanhámos. E pelo caminho, essa parte ainda não está completamente fechada, percebemos o grau de degradação das prisões portuguesas e já foram tomadas algumas medidas. É quase dizer que conseguimos as duas coisas boas. O sistema foi posto à prova, viu-se que não funcionava e depois, como acontece naqueles ensaios gerais, tudo volta ao princípio, estão todos presos outra vez. Acabou o mau, do mau resultar, apesar de tudo, um bem, que foi a percepção de que alguma coisa tem que ser feita. Agora vamos ver o que é que vai ser feito. Já se percebeu que há coisas que estão a ser feitas. E a Ministra da Justiça neste domínio também tem atuado, mas neste caso concreto, a minha nota positiva vai sobretudo pra Polícia Judiciária. Eu já tenho criticado às vezes a Polícia Judiciária pela forma como realizou algumas operações. Neste caso concreto, é preciso dar os parabéns. E portanto, vai claramente um 15 pra Polícia Judiciária neste final de semana. A ver se nos animam um bocadinho.
Quanto dá, José Manuel?
Dou 15.
Pois, eu precisei da certeza.
Depois de todos estes casos, eu nem quis estar a falar do CHEGA, nem quis estar a falar de outros temas que nos têm ocupado ao longo da semana. Acho que uma boa nota de vez em quando pra animar as hostes.
Estou a imaginar neste momento o José Manuel sequestrado em casa.
E um arco-íris ao lado.
Uma obrigatoriedade de estar a dizer estas coisas.
Fechamos então este último "E o vencedor é..." da versão de semana. Já sabemos que a partir das 10h30 de sábado e de domingo há sempre também a análise dos vencedores. Bom fim de semana, até segunda-feira.