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Está a começar a edição de segunda-feira de "E o Vencedor É". Hoje atribuem notas aos protagonistas da atualidade Pedro Jorge Castro, Ricardo Conceição, Miguel Santos Carrapatozo, Júlio Magalhães e José Manuel Fernandes. A moderação é, como sempre, da Carla Jorge de Carvalho.

E esta semana arranca a pensar na reforma, a olhar para a qualidade das prisões, mas vamos começar por questões relacionadas pela saúde e pelas notícias deste fim de semana. Ricardo Conceição, notícias que dão conta de atrasos no INEM, e é sobre isto que queres falar?

Sim, atrasos na assistência no INEM. O José Manuel também quer falar sobre isso. Eu queria começar por olhar primeiro para o estado da saúde. E o primeiro passo para a cura, costuma dizer-se, é reconhecer que é um problema. Ora, durante este fim de semana tivemos serviços encerrados ou condicionados, condicionados aqui para usar um termo daqueles que se utilizam para mascarar problemas. Tivemos Braga, Santarém, Portimão, Beja, Abrantes, Lisboa, Setúbal. Isto só para citar alguns casos. Na sexta-feira, a Ministra da Saúde usava a palavra contingências para classificar os problemas no Serviço Nacional de Saúde. Mas Marta Temido disse mais, e vou citar o que disse a ministra: "Os sistemas de saúde têm problemas, a vida tem problemas. A questão é como nos posicionamos relativamente aos problemas." Exatamente. Acho que devíamos pensar como nos posicionamos relativamente aos problemas. O Serviço Nacional de Saúde tem problemas e no topo desses problemas está precisamente a equipa que gere o Ministério da Saúde, que eu acho que há muito se revela incapaz para lidar com os problemas que todos sabemos que existem. E há mais, a ministra Marta Temido disse mais: "Não podemos é perder a fé que vamos melhorar as coisas." Faz lembrar uma declaração também de há uns anos, numa situação de seca em que Assunção Cristas também recorreu à fé para ver se chovia. Diz a ministra que a saúde tem ficado melhor aos poucos, temos de ir construindo a bicicleta ao mesmo tempo que vamos montando as rodas. Ora, a imagem não é a melhor, porque se imaginarmos uma bicicleta sem rodas a descer uma encosta, o ciclista pode ter problemas, porque nesse dia e essa hora, a urgência pode estar encerrada, ou melhor, pode estar condicionada devido a contingências e se calhar não é bom. Vamos atalhar caminho, até porque se esse ciclista que utilizar essa bicicleta sem rodas cair, também poderá ficar uma hora e meia à espera de uma ambulância do INEM, se for aqui em Lisboa, e o José Manuel já vai falar nisso. Carla, para avançar, eu dou um 4 à senhora ministra e à equipa do Ministério da Saúde. Estes senhores não estão a conseguir resolver nada e todos os fins de semana temos este cenário de urgências encerradas, condicionadas, que estão abertas durante 12 horas no sábado, mas encerradas no domingo ou vice-versa. A saúde e a doença não escolhe hora, não escolhe dia e as pessoas têm que saber com o que é que contam. E esta forma de lidar com as coisas que se arrasta há muito, acho que já chega. E era um 4 para a senhora ministra e para a equipa.

Um chumbo direto do Ricardo Conceição. José Manuel Fernandes, queres olhar também para estas questões e sobretudo para os atrasos no INEM, porque tivemos notícias preocupantes.

Sim, é verdade, tivemos notícias preocupantes. A mais preocupante de todas foi, sem dúvida, a notícia de que na passada sexta-feira, em Lisboa, não foi assim num sítio remoto, houve uma senhora já idosa, de 83 anos, que caiu na rua. Pelas notícias, parece que eventualmente terá batido com a cabeça e ficou a sangrar. O que é facto é que a ambulância, o socorro, não é só o problema da ambulância, o socorro do INEM tardou uma hora e meia a chegar e quando a senhora foi levada para o hospital já não sobreviveu. Portanto, agora há um inquérito aberto, os tradicionais inquéritos abertos, a ver se a coisa passa, se esquece. Houve mais casos já este ano em que também foram abertos inquéritos por causa de atrasos. Um bebê que morreu em Portalegre por causa também de um atraso, por exemplo, no mês de janeiro. Mas aquilo que é mais inquietante é que há na emergência médica algumas normas que devem ser cumpridas, nomeadamente tempos de resposta. No caso das áreas urbanas, numa área como Lisboa, o tempo de resposta deve idealmente ser inferior a 15 minutos. Ora, o que nós olhamos vendo as estatísticas do próprio INEM é que o cumprimento do tempo mínimo ao máximo de socorro tem vindo a degradar-se. Nos últimos anos, era 77% o cumprimento em 2017. Este ano vamos apenas com 71%. É o pior resultado dos últimos anos. É uma grande degradação, por exemplo, relativamente ao ano passado, em que voltou a ser de 77%. Mas há mais, o pior resultado para situações em que o tempo de espera poderia ir até 30 minutos, também está a degradar-se e até junho, no INEM, era de 89%, quando os piores resultados anteriormente eram de 90%. Parece haver claramente uma degradação dos tempos de resposta, e isto coincide com queixas muito variadas Se leu a imprensa este fim de semana, viu que as associações de bombeiros, a Associação dos Técnicos de Emergência Médica, todos eles vieram criticar o INEM. Nalguns casos, é uma notícia de hoje do "Correio da Manhã", vieram indicar que faltam muitos técnicos de emergência, que os concursos ficam sistematicamente vazios. Clássico do nosso Serviço Nacional de Saúde, os concursos ficarem vazios, as vagas serem abertas e não serem preenchidas, que é um sinal de que as condições que estão a ser oferecidas não são minimamente satisfatórias. Este é mais um sintoma, mais um problema desta área. Não sei se o problema se resolve, como alguns sugerem, com a substituição da equipa diretiva do INEM, se o problema é mais fundo, se há outras questões, mas são sinais que se vêm acumulando uns em cima dos outros relativamente àquela expressão, que eu acho verdadeiramente fantástica, da nossa ministra, de que o SNS tem problemas, a vida tem problemas. Isso é uma daquelas expressões que pode ser dita sobre tudo e, portanto, seguir em frente. Não acho que seja aceitável face a este tipo de problemas e quando os problemas se traduzem em morte de pessoas, como é o caso do INEM. E houve outros casos recentes. Houve um incêndio que destruiu viaturas e que alguém já disse que também está uma inquérito a decorrer para saber o que aconteceu. Há muitos inquéritos a decorrer sempre e ficamos sempre muito perplexos com esta forma de olhar para o problema. Enfim, estamos a trabalhar. Os problemas do SNS não são problemas, são contingências. É a expressão que a ministra gosta muito: há contingências. Urgências fechadas são contingências. Nós ouvimos que tinha sido nomeada aquela comissão para resolver o problema das urgências. Nunca mais ouvimos falar dela, o que é facto é que elas continuam fechadas. Aparentemente, a comissão o que conseguiu fazer foi criar um site de função na internet para nós sabermos qual é a urgência pediátrica ou obstétrica, para onde nos devemos dirigir em caso de necessidade, mas quanto ao resto, as coisas não acontecem. Portanto, olha, eu acompanho o Ricardo no quatro para a equipa do Ministério da Saúde.

E o que é que dizias, Ricardo? Sim.

Há mais um dado nesta história do INEM, que vem descrito na notícia do Jornal de Notícias. É que, segundo a Associação de Emergência Médica, segundo o INEM, foi tentado acionar uma ambulância junto de 29 entidades na área metropolitana de Lisboa. 29 entidades. E não houve uma ambulância para socorrer esta senhora. Alguma coisa não está a correr bem. Isto não faz sentido.

Diz disso.

Isto não faz sentido. Há aqui qualquer coisa que não está certa.

O mecanismo de funcionamento do INEM, quer dizer, o INEM tem os CODU.

Tem o CODU, tem o serviço de centralização.

Tem a emergência médica. Digamos, boa parte das ambulâncias que o INEM utiliza são ambulâncias que estão em associações humanitárias de bombeiros, por exemplo, não é um parque próprio do INEM. Estão na Cruz Vermelha, estão por aí adiante. E é necessário ver quem é que tem ambulâncias disponíveis. O que está a acontecer é que está a haver mais casos de emergência médica. Até que ponto é que todos eles correspondem a verdadeiras emergências médicas ou são um sinal de duas coisas que estão a correr mal em Portugal e que, portanto, acaba nos vários locais, as pessoas pedem uma ambulância para situações em que não é necessária a ambulância. Essas duas coisas que estão a correr mal em Portugal, é bom ter isso presente. Nós continuamos com excesso de mortalidade. Já não estamos tão acima das médias de julho como estivemos a meio do mês, mas continuamos. Eu acabei de ver a base de dados dos certificados de óbito e continuamos com números acima do normal. Estamos assim desde março e, portanto, desde março que estamos sempre acima do normal em termos de excesso de mortalidade. Isso provavelmente tem reflexo no número de chamadas para o INEM. E depois, há o velho problema de nós termos as urgências hospitalares como porta de saída, por exemplo, para a inexistência de médicos de família. E isso é particularmente gravoso em áreas urbanas como as de Lisboa. Portanto, e provavelmente há muitas pessoas que dizem: "Não tenho médico de família, não sei a quem recorrer, tenho que ir a uma urgência." E às vezes para ir a uma urgência, quem não tem dinheiro para o táxi, por exemplo, e há muitas pessoas que infelizmente vivem mal, acabam às vezes por pedir uma ambulância. Nem sempre nas condições mais corretas, digamos assim, mas a situação que leva a esta incorreção é a falha de resposta do sistema a montante, onde as pessoas deviam ser apoiadas e não são. Ter as urgências como sistema de responder às dificuldades das pessoas como primeiro recurso, também cria esse tipo de problemas.

E por isso um chumbo direto para a ministra da Saúde, a equipa que rodeia Marta Temido, mas também para os atrasos no INEM. Pedro Jorge Castro, queres mudar de assunto e escolhes Carlos Carreiras como vencedor ou perdedor?

Como perdedor. Nos jornais do fim de semana demos com esta espécie de anúncio de emprego: presidente de câmara à beira da reforma, com vasta experiência em meter oposição no bolso e em gestão de obras públicas, turismo e propaganda, procura emprego com remuneração compatível no setor privado. Respostas e ofertas devem ser enviadas à Câmara de Cascais, diretamente ao cuidado do presidente, disponível para entrada imediata, dependente da proposta. Mais a sério, isto começou por ser noticiado pelo Cascais24, com base em declarações de Carlos Carreiras ao plenário e da concelhia do PSD de Cascais, e foi depois confirmado pelo próprio autarca a vários jornais, incluindo aqui ao Observador. Carlos Carreiras está a fazer contas à vida, quando acabar o mandato terá 64 anos e diz que terá de voltar ao setor privado para garantir rendimentos até à idade da reforma. O presidente da Câmara diz que não é para já, mas ao mesmo tempo também admite que se surgir alguma oportunidade entretanto, terá de ponderar. Isto é quase uma espécie de jobs for the boys ao contrário, não é no Estado onde se paga mal e não é para boys, é para uma geração de idade mais avançada. Tudo isto é humano, mas tudo isto é também um pouco triste. Ainda não passou um ano desde que Carlos Carreiras foi pedir o voto nas eleições autárquicas para quatro anos e não houve nenhuma alteração nas regras da reforma. Não há nada de novo que justifique agora este anúncio de disponibilidade para uma saída que acaba por violar o compromisso com quem o elegeu. Uma coisa até era eventualmente deixar o mandato para se candidatar a outro cargo de serviço público, outra é esta necessidade de garantir rendimentos, que já sabia que se iria verificar quando andou em campanha. Carlos Carreiras nem sequer precisa de atualizar o currículo, nem de procurar endereços de correio eletrónico dos recursos humanos das empresas para enviar e-mails. O seu anúncio de emprego deveria ser, de facto, o seu desempenho como autarca e esse desempenho até foi avaliado de forma positiva pelo eleitorado, que lhe deu três vitórias seguidas nas autarquias. Mas esta circunstância de vermos aqui um presidente da Câmara a colocar-se a si próprio no mercado, além de inusitada, abre a porta a uma série de situações pouco claras e abordagens tentadoras, sem que seja essa a intenção de Carlos Carreiras. Carlos Carreiras mexe com grandes investimentos no dia a dia, lida com muita gente influente e a partir deste momento, mesmo que não queira, pode ver-se em situações de conflito de interesses, em reuniões que começam para tratar da coisa pública em Cascais e acabam a discutir um futuro emprego que convença o presidente a deixar o cargo. Esperemos que não aconteça, mas isto era só desnecessário, sai daqui um nove para Carlos Carreiras.

E aquela canção do Sérgio Godinho começa a fazer ouvir-se. Miguel Santos Carrapatooso, queres ir a uma notícia de hoje, do Público, sobre celas perigosas?

É verdade. Antes de mais, só um comentário ao que o Pedro Jorge Castro disse. É evidente que este pré-anúncio de Carlos Carreiras e os motivos por ele alegados para eventualmente deixar a Câmara Municipal de Cascais são uma desculpa de mau pagador. Há muito que se discute que Carlos Carreiras vai sair e deixar que Miguel Pinto Luz lhe suceda sem ir a votos. Isso é o segredo mais mal guardado do PSD, sobretudo do PSD de Cascais. É a repetição da história. Carlos Carreiras também sucedeu assim a António Capucho e a história vai se repetir. Não é certamente por falta de rendimentos que Carlos Carreiras vai deixar a Câmara, é sim porque quer entregar o seu mandato a Miguel Pinto Luz, que depois fará o seu caminho tranquilamente e terá então a oportunidade de ir a votos quando tiver vontade de o fazer.

Mas mais valia assumir só isso, não é? Não precisava de justificar mais nada.

Acho que ficaria pior. Não sei qual é pior, se assumir que vai embora porque se quer fazer um pé de meia ou porque quer entregar o poder ao seu número dois.

Mas não é ao mesmo tempo interessante que Carreiras chame a atenção para os rendimentos dos titulares de cargos públicos?

É um argumento perfeitamente válido, é uma discussão muito meritória, mas não é esse o motivo pelo qual Carlos Carreiras deixa a Câmara Municipal de Cascais. Este sim, a vontade de ter Miguel Pinto Luz a suceder-lhe é sim, de facto, o verdadeiro motivo, é há muito tempo que se discute isso, não é grande surpresa.

Onde é que já vimos isso? Onde é que já vimos esse tipo de prática?

Sim, aliás, dizia eu que Carlos Carreiras sucedeu assim a António Capucho, nem sequer era uma grande novidade que isso acontecesse na Câmara de Cascais.

Mas repara já agora, Miguel, sem te querer atropelar, mas atropelando. Até parece que Miguel Pinto Luz precisa disso. Isso normalmente até acontece em autarquias onde o número dois não tem visibilidade. Aqui nem sequer é o caso. Miguel Pinto Luz já é vice-presidente do PSD, não tem propriamente um déficit de visibilidade e não é quase um atestado de incapacidade de ganhar eleições sozinho, o que não me parece de todo ser o caso. Mas enfim, continue.

Mas é sempre mais fácil. Sobre a notícia que vos queria trazer, que é uma notícia do Público, pequena em termos de destaque, mas que para mim é reveladora, é assim titulada: "É oficial, há esquadras que têm células perigosas." Resulta de um relatório que foi feito pelos inspetores da administração interna, o IGAI, neste caso. Não é um relato de um sindicato, é um instituto, um organismo próprio do Estado a reconhecer que há graves problemas nas polícias. Fala-se em carros-patrulha altamente desgastados, computadores obsoletos e celas sem cumprir as condições legais. Aliás, das 50 unidades que foram visitadas, apenas nove tinham condições consideradas boas. Não falando sequer do assunto mais grave, que é as condições em que muitos dos detidos se encontram, eu queria falar das condições que as polícias enfrentam no seu dia a dia. É um tema que há muito tempo é discutido. Não parece haver vontade de melhorar o que quer que seja. Continuam a chegar esse tipo de relatos de polícias com condições muito precárias para exercerem o seu trabalho, que é um trabalho fundamental, como se sabe, e o que me leva a refletir mais uma vez, e é um tema que eu tenho trazido aqui já algumas vezes, é que espanta-me sempre quando algumas forças políticas, sobretudo à esquerda, rasgam as vestes dizendo que as polícias estão a ser, de alguma forma Contaminadas por movimentos de extrema-direita, que esses movimentos estão a tomar as polícias por dentro, sobretudo as forças sindicais. E depois vemos que o dia a dia das polícias há muito tempo que é feito destas histórias de condições absolutamente precárias, de falta de meios, quer de recursos materiais, quer recursos humanos, e que não há, aparentemente, vontade de melhorar o que quer que seja e de dar resposta a isto. E, sobretudo, não há vontade de quem devia ter ainda mais vontade de resolver estes problemas, que é o bloco central PS e PSD, as duas forças moderadas. Só os dois partidos é que conseguem trazer respostas sensatas e equilibradas para este tipo de problemas, para precisamente não deixar que, mais uma vez, esta insatisfação permanente continue a aumentar no seio das polícias. Não há vontade, há muito tempo, e isto também se podia alongar às polícias de investigação criminal. Há muito tempo que se discute que há dificuldades no combate à corrupção. Sabendo que as polícias não têm sequer os meios para fazer face a muitos dos casos mais complexos, não deixa de ser um bocadinho irrisório que se continue a trabalhar em leis no Parlamento quando não se dão os meios mais básicos às polícias. Portanto, aqui eu queria dar uma nota ao bloco central como um todo. É evidente que o PS, por ter governado 20 dos últimos 27 anos, tem mais responsabilidades, mas também uma nota negativa ao PSD, porque sendo o partido de centro-direita, tem mais responsabilidades, deixou de falar da questão da segurança por não ser um tema sexy, por fazer lembrar outros partidos e outros discursos, e deixou simplesmente de falar sobre estes temas. Acho que é um erro, acho que o PSD devia agarrar rapidamente a questão da segurança, a questão dos meios para as polícias, a questão das condições em que muitos agentes trabalham, as questões também que se aplicam aos detidos e aos nossos presos. Enfim, acho que deve começar a arrepiar caminho, sob pena de ver outro partido à sua direita, e falo do Chega, captar de vez este tema e esta bandeira. Portanto, dou um sete ao bloco central. Acho que os dois partidos têm muitas responsabilidades pela forma como as nossas polícias hoje trabalham.

E nem de propósito, Júlio Magalhães, queres trazer um destes casos, a esquadra do Infante, que fechou por falta de pessoal.

É verdade. Posso já acompanhar na mesma nota.

Também ao bloco central.

Tem a ver com isso, claro, porque fechou a maior esquadra do Porto, de tudo o que estava a ser dito. Fechou este fim de semana, fechou temporariamente, como se diz, ou melhor, encerra o atendimento ao público entre as 08h e as 16h ao fim de semana, e mais à frente, na Rua do Ouris, uma terceira esquadra também fecha o atendimento das 16h até à meia-noite. Ou seja, isto que dizem eles que é transversal, está a ser um problema para todas as esquadras. Não há agentes, não há gente que chegue e por isso vai ser uma prática ter que fechar temporariamente o atendimento às pessoas. A maior esquadra do Porto está no centro do Porto, numa altura em que estão milhares de turistas, em que a segurança é muito mais necessária. A maior esquadra fecha numa altura destas e, como se diz aqui, outras poderão seguir o mesmo caminho, porque não há agentes que cheguem, os profissionais não têm condições, estão sobrecarregados de trabalho e quem vai sofrer é a população, os cidadãos e a segurança no centro da cidade, pelo menos. Isto é um caso quase semelhante ao das urgências de obstetrícia, que qualquer dia temos aqui uma bola de neve que vamos parar ao mesmo sítio. E por isso fica aqui também esta nota: não faz sentido a maior esquadra do Porto fechar numa altura destas do ano. Não faz em nenhuma altura do ano, mas numa destas, então, muito menos. O ministro da Administração Interna diz que vem hoje ao Porto tentar resolver a situação e vamos resolvendo assim as situações. Acontece caso, resolve-se e hão de acontecer outros.

Ricardo.

Eu ia lembrar as declarações do diretor nacional da PSP, Salvo Vero, ainda do mês passado, a dizer que não são as esquadras que respondem às ocorrências, mas sim os carros-patrulha. Para lembrar que também é preciso racionalidade na forma como as esquadras estão nos territórios, quer em Lisboa, quer no Porto. E o diretor da PSP dá um exemplo interessante que é: em Espanha, em Madrid, para uma população de cerca de seis milhões de pessoas, há 36 edifícios policiais, dos quais 31 são comissariados operacionais, portanto, 31 edifícios operacionais para uma população de seis milhões. Em Lisboa, para uma população de 1.760.000 pessoas, há 109 edifícios policiais, dos quais 66 são esquadras. Ora, se em cada esquadra tivermos que ter dois agentes, pelo menos, não há pessoas que cheguem para fazer patrulha.

E portanto vai acontecer mais vezes isto.

Temos que ter alguma racionalidade na forma como isto funciona. Só que depois também ninguém quer que a esquadra do seu bairro encerre. É como a história da maternidade. Também ninguém quer que a Maternidade Alfredo da Costa encerre para concentrar tudo numa grande maternidade em Lisboa. Mas nós vamos ter que tomar opções racionais, porque com o coração não vamos lá.

Mas haja fé.

Sem dúvida.

Dás um sete também, Júlio, como fez o Ricardo.

Isto tem que ser resolvido pelo governo e os partidos da oposição.

Estamos no verão. Pedro Jorge Castro, ainda querias fazer essa referência. Os líderes políticos, os partidos estão também a ficar mornos, mas Luís Montenegro esteve na Madeira.

Pois foi. Eu vi as imagens do Luís Montenegro no Chã da Lagoa a beber poncha ao lado de Miguel Albuquerque e fiquei espantado com a banda sonora do comício. Então não é que adaptaram um dos cânticos do Benfica? Eu nunca tinha dado por isto. Trocaram glorioso SLB por glorioso PSD. Eu percebo que dê jeito.

Mas com direitos de autor o Luís Piçarra?

Não sei. Eu percebo que dê jeito.

Eu vi, Pedro.

É uma letra fácil de adaptar. De facto, dava mais trabalho inventarem versos para o "Mundo sabe quem" do Sporting e o Luís Montenegro até é adepto do Porto. Mas a verdade é que estão até é de princípio. Por muito que o Luís Montenegro gostasse de paralelismos com o entusiasmo que está para o ficar Roger Schmidt neste arranque da época no Benfica, eu acho que são de evitar estas colagens simbólicas de partidos políticos nas músicas voluntárias.

A poncha estava fresca, estava um dia muito quente.

Sim, até isto. A poncha até podia ajudar. Mas de um partido político espera-se um pouco mais de criatividade, incluindo nos cânticos de apoio.

Mas Pedro, é o caminho certo para primeiro-ministro. Já a regionalização agradou a Lisboa e agora é preciso agradar também aos milhões de adeptos que também estão em Lisboa e no país todo, do clube que tem mais adeptos em Portugal.

Então se calhar está a explicação. Pedro, fica só esse teu ponto de exclamação ou até expressou para dar uma nota ao hino do Benfica adaptado.

Ao hino do Benfica, não vou dar nota nenhuma, todo o respeito aos adeptos de todos os clubes, mas à adaptação pelo PSD do hino do Benfica, dou uma nota pobrezinha, tipo um três. Acho que conseguiriam fazer um bocadinho melhor.

É possível ser melhor do que isto. Fica o três ao hino do Benfica. Júlio, queres ajudar-nos a lembrar o que vai ser o explicador de hoje? É já daqui a pouco.

É isso, vamos falar da seca extrema, das medidas que o governo está a tentar impor. Vamos ter um verão difícil no que diz respeito à seca, ao consumo de água e àquilo que vai ser o impacto disto na economia e nas várias atividades. E por isso vamos ter aqui o autarca de Mação, Vasco Estrela, e também o autarca Pedro Ribeiro, de Almeirim. Vamos tentar perceber, em zonas onde a agricultura também é fundamental, a atividade económica, turista, etc, que impactos é que isto tem.