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Este é o som do Youven Sorê das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. E Carla, esta quarta-feira estão conosco o José Manuel Fernandes e o Miguel Santos Carrapatoso.

Com vários assuntos em cima da mesa. Luís Marques Mendes e André Ventura estiveram ontem à noite frente a frente. Um debate durinho, Miguel. Quem venceu este frente a frente?

Acho que foi um belíssimo empate entre os dois. Sei que temos que fazer uma versão express do Youven Sorê, portanto, vou ser rápido. E parece que me estou a refugiar num lugar comum, mas acredito convitamente nisto. Acho que um e outro cumpriram exatamente aquilo que pretendiam neste debate. Já temos dito várias vezes que André Ventura está a tentar fidelizar os seus eleitores, e foi isso que se viu, foi André Ventura ao seu melhor nível. Podemos discordar, podemos achar que o estilo é cansativo, podemos até discordar da demagogia que André Ventura usa a doses generosas. Mas a verdade é que esteve, de facto, muito eficaz naquele debate. E Luís Marques Mendes tinha uma missão que era não claudicar perante André Ventura, e conseguiu fazê-lo, sobretudo na primeira metade, no primeiro terço do debate, onde apareceu claramente ao ataque.

Com ideias concretas, como a convocação daquele Conselho de Estado, por exemplo.

Exatamente. E mesmo há quem esteja a criticar Luís Marques Mendes por ter escolhido o tema da corrupção, mas não me parece todo um erro. Seria muito mais difícil para Luís Marques Mendes debater com André Ventura, por exemplo, o tema da imigração, onde André Ventura tem argumentos bastante mais treinados. Na corrupção, Luís Marques Mendes conseguiu, de alguma forma, segurar o ímpeto de André Ventura. Eu, muito rapidamente, trago só uma cábula que nos ajuda a perceber isso, e parte da sondagem da Pitagórica para a TVI e para a CNN. Se nós olharmos para a capacidade de fidelização de André Ventura, neste momento é o candidato que mais consegue unir o seu eleitorado. São 48,6% de eleitores do Chega que mantêm a vontade de votar em André Ventura. Portanto, o caminho é esse. E de resto, se olharmos para os outros partidos, André Ventura mal consegue pescar, seja na AD, seja no PS, seja na IL, como era previsível. Portanto, há muitos indecisos e há uma base sólida para trabalhar. E André Ventura fez isso ontem. Luís Marques Mendes, pelo contrário, consegue convencer quase 40% do eleitorado da AD, mas ainda tem muito por onde crescer, sobretudo no Partido Socialista e na IL. E também junto do eleitorado que está a fugir para Henrique Gouveia e Melo. Portanto, Luís Marques Mendes ontem precisava de mostrar força.

Sentido de Estado, como ele foi frisando.

Sentido de Estado, como ele fez questão de frisar várias vezes. E creio que conseguiu, porque nós tendemos a simplificar isto e falar tudo como uma grande família da direita, mas não é neste caso. Já foi provado várias vezes, seja por estudos feitos depois das eleições, seja por análises mais empíricas, que a grande força do Chega está entre os indecisos, entre os eleitores do Partido Socialista, entre os eleitores mais à esquerda até. Portanto, Luís Marques Mendes não tem grande espaço para crescer entre os eleitores do Chega e, portanto, era importante ontem colocar-se rigorosamente ao centro e dar uma imagem de força, que muitos dizem que Luís Marques Mendes não tem. E tirando um ou outro golpe bem-sucedido de André Ventura, acho que Luís Marques Mendes esteve à altura daquilo que pretendia fazer no debate.

Dás a mesma nota para cada um deles?

Vou dar. Vou dar um empate sólido aos dois. Um 16 para ambos.

Um 16 para ambos. Bruno, foi assim também que viste o debate como um empate?

Quase sólido. Sim, quase um empate e creio que ficou visível que na primeira parte do debate Marques Mendes esteve melhor. Entrou ao ataque, não teve medo de atacar André Ventura logo de início, dizendo que ele tinha soldados do antigo regime, que não gostava do 25 de abril. Entrar desta forma contra André Ventura normalmente não é a estratégia seguida pelos oponentes. Preferem esperar para ver e reagir. E Marques Mendes teve esse mérito. Teve aquela saída do Xerife da República, que resultou muito bem. Provavelmente já a levava preparada, mas soou natural na fluidez do discurso e mostrou esse sentido de Estado, mas sem parecer mergulhado em formol, porque uma das acusações que se faz, e que André Ventura usa muito, é que sentido de Estado equivale à falta de coluna vertebral e de dizer as coisas, de ser assertivo nas suas opiniões. E Marques Mendes mostrou o contrário, que é possível ter sentido de Estado, mostrar sentido de Estado pós-presidencial e mesmo assim ter opiniões fortes. E creio que isso ficou demonstrado, sobretudo na primeira parte do debate. Quando falaram sobre a questão da justiça e ainda a propósito do Xerife da República, a resposta de André Ventura é: "É preciso agarrá-los a todos." A certa altura, André Ventura pareceu-me perdido e aqui tinha uma grande oportunidade, porque Marques Mendes, de todos os candidatos, é aquele que representa mais o sistema. André Ventura tinha o adversário ideal para atacar o sistema, para brilhar mais e creio que não conseguiu funcionar tão bem como noutras ocasiões. A dada altura pareceu mesmo perdido, agarrado ali a certos chavões. Certa altura ele respondeu, parecia um gerador automático de De André Venturismos. Eu não sou o velho do Restelo, eu não sou o candidato mi-mi-mi-mi. Só faltam aquelas coisas do "aceita que dói menos" e "calado és um poeta", que se lê muito nas redes sociais. E só recupera, de facto, e recupera com força no final, desferindo três golpes, o de Passos Coelho, terminando depois com o do BES e referindo-se também à opinião de Marques Mendes sobre os incêndios, a diferença de opiniões consoante o governo. Mas o golpe do BES foi aquele que doeu mais, foi o último, deixou Marques Mendes muito incomodado, sem tempo ainda por cima para responder e para esclarecer. E nós podemos perguntar: mas é um tema tão fundamental para um presidente da República, não se compreende que tenha tido aquela opinião naquele momento? A verdade é que Marques Mendes na altura, e poderá ter muitas justificações para o ter feito, mas isto cola o como André Ventura queria colar ao sistema, às elites, e isso resultou muito bem, até por ter sido o último golpe. E por isso eu estava a olhar para as notas que foram dadas no Observador e acabou creio que 13 para Marques Mendes e 12,75 para André Ventura. Eu vou por aí, dou 13 a Marques Mendes e 12,75 a André Ventura.

Manténs, portanto, esta tendência.

Inauguramos as décimas, preparem-se.

É o que está no Observador, que está a média.

José Manuel, debate e também discursos ontem de manhã na Assembleia da República.

Sim, eu queria referir duas coisas, porque parece-me que o que se passou na Assembleia ontem foi relevante. Foi uma sessão que podia ter sido uma sessão importante e não foi. Eu diria que teve um bom discurso, o discurso do presidente da Assembleia da República, que foi um bom discurso, e depois teve discursos entre o mediano, o medíocre e o mau. De tal forma que acabamos a discutir as flores, em vez de referir o importante. Houve uma boa declaração do presidente da República, mas infelizmente feita logo de manhã, de passagem, quando foi o desfile militar, e que foi porventura a declaração mais importante e aquilo que devia ter sido sublinhado, que é: sem o 25 de Novembro, nós não teríamos a Constituição de 76. Que é uma coisa que a maior parte das pessoas não faz nem ideia. A Assembleia Constituinte, que estava a trabalhar até ao 25 de Novembro, estava condicionada por um pacto MFA-partidos, que entre outras coisas impedia a eleição direta do Presidente da República e colocava o regime sob tutela militar absoluta e não apenas parcial. Isso mudou com o segundo pacto, que só foi possível depois do 25 de Novembro. E isto seria muito importante recordar, porque as pessoas às vezes acham que aquilo foi só apenas uma festa e uns desvarios no período sobretudo entre 11 de março e o 25 de novembro. Mas foi muito mais do que isso. E essa pedagogia podia ter sido feita pelo presidente, talvez a pessoa mais bem posicionada para o fazer. Foi feita em parte por José Pedro Aguiar-Branco. E desse ponto de vista, o que se passou quer em algumas intervenções... olha, curiosamente, de todos os partidos aquela que eu gostei mais foi a do JWPP, para minha surpresa. Foi a melhor de todas. Mas depois tivemos uma intervenção revolucionária de Mariana Mortágua e uma intervenção à André Ventura com o número dos cravos, mas que foi uma passadeira que lhe foi estendida por Mariana Mortágua e também pelo deputado do LIVRE, e por aí adiante. E portanto, foi uma intervenção que ficou muito aquém das necessidades. Eu devo dizer que fiquei com muito má impressão da forma como André Ventura geriu aquele momento e por isso entrei de muito pé atrás no debate. Ele também esteve mal no início do debate, mas saiu-se bem ao fim. Como de resto, todas as análises têm aqui coincidido nesse ponto. Por isso, não vou dar notas ao debate. Eu acho que no debate aquilo se aproximou bastante do empate, mas a minha dúvida sobre isso é que a impressão final é muitas vezes a impressão que fica, e essa impressão final foi favorável, para todos os efeitos, a André Ventura, sobretudo se pensarmos nos eleitorados para quem eles estão a falar. Portanto, desse ponto de vista, eu prefiro dar notas ao que se passou na Assembleia da República.

Até porque não tinhas dado ontem.

Vou dar uma nota positiva a José Pedro Aguiar-Branco. Poucas vezes é referido. Ontem mereceu e, portanto, leva um 15 pela intervenção que fez. Deixo as outras notas para outras ocasiões.

Muito bem, fica esse 15 atribuído à intervenção de ontem do presidente da Assembleia da República. Paulo, trazes aqui um outro protagonista num assunto que está à margem agora da corrida eleitoral, o juiz Carlos Alexandre.

Sim, que foi convidado e aceitou liderar uma nova entidade criada pelo governo, a Comissão de Combate à Fraude no Serviço Nacional de Saúde. Bom, antes de mais, a necessidade de combater a fraude no SNS está por demais evidente. Basta olhar até para as duas ou três últimas semanas para vários casos. É uma coincidência, obviamente, mas vários casos que têm aparecido em fase de investigação ou com divulgação de informações importantes nos media. Portanto, isso é óbvio a vários níveis. E ter um juiz como Carlos Alexandre, com a visibilidade que ele tem, é uma boa maneira de pôr logo esta entidade no mapa de alguma maneira. Portanto, aí pontos positivos. Pelo menos é como ter um gato logo para espantar os ratos. O Carlos Alexandre, pela participação, sobretudo no caso Marquês.

Faz lembrar um bocadinho Paulo Macedo quando foi para a Autoridade Tributária.

Que vinha com aquela aura também, é alguém que vai pôr ordem na casa de alguma maneira. E aqui também, a outro nível e noutra área, mas vem pôr ordem na casa e a imagem pública de Carlos Alexandre pode logo à partida desincentivar algumas práticas. Portanto, isto é a parte positiva. A parte negativa, que é um bocadinho anterior a isto, é que eu não sei se o governo depois vai criar outras. A saúde não é a única área onde há fraude e ilegalidades. Vai haver uma para a Justiça, outra para a Educação, começar a desdobrar entidades, sobretudo a este nível de investigação policial, se quisermos. Obviamente que isto não tem o poder da PJ nem do Ministério Público. Atenção, Carlos Alexandre não vai ter na sua mão os instrumentos de escutas, buscas, chamar para interrogatório, que tinha no Ministério Público.

Ainda assim, há uma diferença em relação ao investimento que é feito na área da saúde e depois de todas as ligações e contratos que existem com entidades privadas.

A todos os níveis.

Que, por exemplo, em relação à educação é diferente.

Não existirá, ou na Justiça. Gasta-se muito dinheiro na saúde, é isso. Gastar dinheiro no sentido de muitas compras, isso é evidente, e portanto o apelo à ilegalidade também é maior.

Mas ainda assim, Paulo, é muito conveniente que agora o problema no Serviço Nacional de Saúde seja a corrupção e que se crie agora um órgão para resolver a casa.

Sem dúvida. Obviamente, desvia as atenções do funcionamento do serviço todo dia. Isso é evidente. Portanto, eu tenho reservas em relação à criação de entidades autónomas, neste caso, que ficam ali só no ministério, ainda por cima sem os poderes que tem o Ministério Público e a PJ, naturalmente, isto não é um órgão judicial, e que a nova estrutura vai ter que articular com, tomem nota, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, a PJ, o Ministério Público e outras entidades, além de emitir recomendações legislativas. E aqui nós percebemos no Estado, perdoem-me a expressão popular, é que a porca torce o rabo. Isto é, a articulação entre entidades do Estado, por regra, não corre bem, não é rápida, não é célere. Portanto, vamos ver expectativas positivas e mais acima agora com o convite aceite por Carlos Alexandre, mas estes modelos por regra levam-nos a um mau caminho.

A nota?

Vai aqui um sólido 10, como diria o Miguel, um sólido 10. Portanto, expectativa em alta, mas enfim, o modelo vamos ver.

E o Venceré regressa solidamente mais logo na tarde política.

Numa versão alargada, começa a seguir ao jornal das 18h. Esta quarta-feira dão notas a Judite França, a Helena Garrido e o Alexandre Borges.