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Nos próximos minutos damos notas aos protagonistas da atualidade. Começa agora mais um "Youven Sorei". Carla, esta quinta-feira estão conosco a Helena Matos e o Miguel Pinheiro. E hoje vamos ao cinema e ao restaurante, mas também ao orçamento. Naturalmente, estamos a poucas horas de ficar a conhecer o documento. Miguel, o que é que há para saber nesta altura, o que é que se pode discutir neste momento?
Eu fiquei um bocadinho surpreendido, porque a principal coisa que o primeiro-ministro escolheu para antecipar um pouquinho o que aí vai, foi dizer que não vai haver aumento de impostos.
Poucas alterações a nível fiscal, não é?
Sim, mas quer dizer, teve a simpatia e a generosidade de não nos aumentar ainda mais os impostos. Nós já temos um nível fiscal brutal e a grande novidade é: "Estejam descansados, não vamos aumentar ainda mais os impostos." Isto mostra que, de facto, estamos num nível em que é difícil ver para onde é que isto vai, porque se um governo que supostamente é a favor da descida de impostos, filosoficamente, que ainda por cima está a apresentar um orçamento a dois dias de umas eleições. Bem sei que são eleições autárquicas, mas apesar de tudo, há uma pressão para dar boas notícias às pessoas. Um governo que não tem um desequilíbrio das contas públicas, que não está, neste momento, numa crise aguda internacional. Com certeza, continuamos a ter uma guerra na Europa, sem dúvida. Em que, apesar de tudo, a crise inflacionista, a pior fase já passou. Se mesmo com estas condições, a alegria é não ter de aumentar os impostos, isto mostra que ainda não é este governo que vai olhar para o Estado e para o país de uma forma diferente. Vamos continuar no mais do mesmo, a achar que o que é normal é termos este nível fiscal sobre as pessoas, sobre as empresas, asfixiar toda a gente. Pronto, é assim, nós vamos viver assim, achamos que devemos viver assim e não há nada a fazer. Acho que é: habituem-se.
Alguns economistas, Paulo, não sei se ias por aí, se calhar é melhor a tua opinião, mas há quem tema uma recessão econômica brevemente e que este orçamento podia contemplar, se calhar, alguma prudência. Será isso que justifica o não alívio de impostos?
Há uma coisa que sabemos: vai haver uma crise econômica. Não sabemos se é daqui a um ano, daqui a dois ou três.
Daqui a 20.
Haverá uma crise econômica.
A crise econômica é como o tempo, não se sabe bem quando.
Eu diria que não é tão longe quanto isso. Os ciclos econômicos costumam ser mais curtos e há uma série de desequilíbrios que se vão percebendo de alguma maneira e, no fundo, isto é um pouquinho como as placas tectônicas. Depois, para que tudo atinja nova estabilidade, é preciso que alguma coisa trema. E as crises econômicas muitas vezes são esse abanar para se encontrar o novo equilíbrio. O que nós temos visto também nos últimos anos, com este governo, também com o anterior, é um aumento da despesa estrutural. Isto é, quando se olha para as carreiras da função pública, e eu não estou a dizer que isso não era necessário, para uma série de carreiras da função pública e que se fazem atualizações salariais, se mudam as regras de promoção e por aí fora, estamos a criar uma despesa para sempre, de alguma maneira. Isto é, paga-se naquele ano, o salto é dado naquele ano, mas depois desse salto vai-se continuar sempre a aumentar essa despesa, até porque depois há aumentos salariais todos os anos.
Adaptações à inflação.
Adaptações à inflação. Por quê? Porque nós também, obviamente, temos aquela regra sacrossanta que da função pública ninguém nunca pode sair a não ser pelo próprio pé. E, portanto, o ajustamento da função pública nunca se faz em termos salariais, a menos que se decida cortar salários no futuro. E, portanto, estamos a criar, de facto, uma rigidez da despesa que torna muito difícil, Miguel, que haja grandes aventuras na redução de impostos.
Claro. Há duas maneiras de tu preparares o Estado para uma crise econômica. Uma é o Estado continuar a ter as mesmas receitas, outra é ter menos despesa.
Ter menos despesa, esquece.
Precisamente, nós temos um governo de direita e vemos a despesa do Estado aumentar continuamente.
Claro.
O que quer dizer que este governo, que até criou um Ministério da Reforma do Estado, não vai reformar Estado nenhum, pelo menos no sentido de ter um Estado mais barato.
Não, isso seguramente que não. É melhor perdermos as ilusões em relação a isso.
O objetivo do Ministério da Reforma do Estado até pode fazer com que o Estado seja um pouquinho mais eficaz nalgumas coisas.
Em vez de cinco papéis, passas a precisar dois ou três para um procedimento.
Certo. Noutras áreas mais eficazes a vir buscar o dinheiro das pessoas, seguramente, que já é muito, mas não há aqui um objetivo. O governo olha para isto e acha que é assim que o país deve ser. Pronto, está tudo bem, não tem problema, é só para não haver ilusões. O Luís Montenegro acha que o país como está Está tudo bem. Um pouco mais para a esquerda, um pouco mais para a direita, mas a visão dele para o país é isto.
Ou ainda que não o ache, ele acha, provavelmente, que não tem capacidade para fazer diferente.
Não tem maioria.
Não tem maioria.
A minha dúvida é: se ele tivesse maioria absoluta, ele faria diferente? Tenho dúvidas. Mas com a maioria que tem, não. Com a não maioria que tem, ele não conseguirá fazer nada. Aliás, também não tem interlocutores. O PS não o pode acompanhar nessas reformas, porque senão é divide-se.
Às vezes, porque não concorda com elas.
E também porque não concorda com elas e mesmo que concorde com algumas delas, não pode dizer que concorda. O Chega nunca acompanhará, a Iniciativa Liberal, que seria o parceiro ideal, não cresceu o suficiente.
E então governa como o PS.
À bolina.
Ele tem um grande plano para o país.
Que é governar em linha de costa. Sabe aquelas pessoas que navegam assim a olhar para a costa?
O teu ponto é: Luís Montenegro tem um grande plano para reformar o país, mas não nos diz qual é. Está só ali na cabecinha dele. Ele tem uma aspiração e uma ambição enorme. Não nos diz qual é.
Mas o problema é que eu acho que também não tem aspiração.
E como não tem votos, governa como o PS. Pronto.
Se tu me perguntas, eu acho que ele não tem essa aspiração, mas além de não ter essa aspiração, neste momento não tem condições.
É isso.
Mas há um homem que anda a aparecer aí numas ações de campanha ali para Sintra e Amadora, que acha que se podia fazer diferente, mas nota: não passa de Sintra e da Amadora para cá.
Mas como esse homem está na vida dele e também não vai pedir votos.
Mas nota o que lhe aconteceu.
Pode ser ótimo para a filosofia política, mas para as pessoas não serve de muito.
Não lhe aconteceu assim grande desgraça em termos políticos, Pedro Passos Coelho. Ganhou umas eleições.
Antes pelo contrário, muito se fala sobre ele.
Pois, e depois de ter feito o que fez com as medidas dele.
Mas nota que uma das raras reformas que se tinha feito em Portugal, que era a fusão de freguesias.
Até aí se recuaram.
Até aí se recuaram.
Mas isso com os cumprimentos do PS e do PSD, todos juntos.
Portanto, acho que não há aspiração nenhuma.
Miguel, mas isso, se a tua ideia era teres aqui um outro país, esquece.
Para quê, Paulo? Este está a funcionar tão bem.
Como se prova. Está a funcionar bem, para que mudar?
Então que nota vais dar, Miguel?
Vou dar um nove, porque é uma apagada e vil tristeza.
Mas há uma esperança.
Então não há, Helena.
Ainda pode existir.
Então não há uma esperança.
Para o ano é que vai ser. Helena, entretanto, tu queres dar nota à exibição de um documentário no âmbito do Doc Lisboa. A exibição de todos os documentários parecem-me ser excecionais. Eu fiz documentários, gosto de documentários e portanto, de modo algum contestarei a exibição de um documentário, seja ele de que natureza for. Agora, nós temos de entender que há alguma informação que tem de ser dada quando uma pessoa faz um documentário e, sobretudo, não pode é querer fazer passar uma coisa por aquilo que ela não é. Trocando por miúdos: nós estamos aqui no Cinema São Jorge, vai ser exibido um documentário, as Brigadas Revolucionárias na luta contra a ditadura, cuja sinopse é: a partir de 1970 e ao longo de dois anos e meio, as Brigadas Revolucionárias dedicaram-se à luta armada contra o regime ditatorial português, enquadrada na luta contra o capitalismo, colonialismo e o imperialismo. Realizaram dezenas de ações, a maioria das quais relacionadas com a guerra colonial, e eram a única organização de luta armada ainda ativa no 25 de Abril. Ora, este documentário é para maiores de 12 anos e acho que deveria haver mais alguma informação, porque eu sei que ele vai cautelosamente até 1974, mas as Brigadas Revolucionárias, mesmo neste período até 74, vão causar vítimas. Além daquilo que aqui é designado genericamente como ações, estamos a falar de atividades ou de atentados que passavam por usar explosivos, por fazer sabotagens, destruição, usar petardos, e dessas ações resultaram vítimas. Resultaram pessoas mutiladas, morreram outras, e depois a atividade das brigadas não se esgotou quando a ditadura acabou. As brigadas continuaram na sua luta contra aquilo que consideravam ser a democracia burguesa. Aliás, em termos de atentados, nós temos talvez o ano com mais atentados, que terá sido, grosso modo, o ano de 1976. Portanto, o pessoal que está aí, Mário Soares, Piza, tudo isso já não estava cá. Angola, Moçambique, Guiné já estavam independentes. Portanto, também já não havia a guerra colonial. E depois vamos ter o ano de 1977 também com vários. Talvez, sim, o ano que teve mais atividade deve ter sido o ano de 77. Portanto, há aqui uma parte, um pouco, que falta contar e referir nesta história, além do seu próprio autor, Goberno Lopes, que é alguém que depois vamos encontrar mais tarde, além de ter estado nas brigadas, porque é muito diferente quando nós temos um documentário que é feito por alguém. E estes fenómenos do terrorismo em Portugal merecem sem dúvida estudo. Por exemplo, também o terrorismo de extrema-direita, mas temos de entender que uma coisa é ser feito por alguém que esteve lá, outra coisa é ser feito por outra pessoa. Não quer dizer que seja melhor ou pior tecnicamente falando, mas quer dizer que é uma informação que faz falta, até porque Goberne Lopes é alguém que vamos encontrar posteriormente nas FP 25 e foi julgado e condenado. Não é um dizer que era simpatizante, camarada de ruta, essas coisas. Não, esteve lá, foi julgado e condenado. Portanto, acho que alguma informação mais, além desta coisa poética da luta contra o capitalismo, colonialismo e imperialismo, faria falta. Fazia falta. Fazia um bocadinho de falta, sim. A nota, por isso, é qual? A nota, para quem fez a sinopse, é um poeta. Quem fez a sinopse e pôs a coisa assim, nesta forma tão edulcorante, eu sei que a seguir vamos falar de rótulos. Olha, é uma coisa de rótulos também, é uma coisa edulcorante. Portanto, para quem fez isto, eu dou um oito, porque é um poeta. E falta a informação técnica. Falta a informação técnica. É como as bulas dos medicamentos. Paulo, e então o que é que se come?
O que é que se come? Olha, podes comer o que quiseres, mas não lhe podes chamar o que quiseres. Às vezes tropeçamos naquelas notícias que parecem mentira, mas são verdade. O Parlamento Europeu aprovou ontem, por uma maioria ainda simpática, a proibição de se usar termos como hambúrguer, salsicha ou almôndegas em produtos que são vegetarianos, vegan, isto é, que não têm carne de alguma maneira. Porque isto foi uma proposta do PPE, do grupo do Partido Popular Europeu, onde estão o PSD e o CDS, apoiada pelo PSD e pelo CDS. O governo português também aprova esta medida. Ouvi ontem o ministro da Agricultura. Eu sei que é uma pretensão antiga da indústria da carne, que quer a utilização exclusiva destes produtos, ainda que no rótulo esteja "hambúrguer vegetariano" ou "salsicha vegan", ou outra coisa qualquer, eles acham que o termo hambúrguer, salsicha e por aí fora, de facto, não pode ser utilizado. Há pouco falávamos da irreformabilidade de Portugal, isto é um daqueles sinais da irreformabilidade da Europa.
Olha lá, e as línguas de veado? E as bolas de Berlim?
E o bife de atum?
Pois, também tens. Olha bem aí.
Ou as reinvenções. Há toda uma área da restauração que faz a desconstrução. Então isso também é possível. Quando pedes uma francesinha e te aparece um pedaço de queijo ao lado de um ovo e ter ao lado uma salsicha.
E mais uma seringa para injetar.
Certo, e é uma francesinha desconstruída. Podem chamar-lhe francesinha.
Eu pensei que tu estavas no primeiro grau de desilusão, que é pedir uma francesinha e aparecer-te uma coisa assim coberta com molho e pão e mais não sei o quê.
É, é uma francesinha mesmo.
Pronto, enfim.
Não. Ainda não estou nesse.
Não duvides que a seguir são as ementas dos restaurantes.
Claro!
É o que se vai chegar. Porque se numa ementa de restaurante está "hambúrguer vegetariano", também não me podem apresentar isso. A minha cabeça, como somos todos burros, basicamente, as pessoas não sabem ler, e uma pessoa que vai ao supermercado e encontra uma embalagem que diz "hambúrguer vegetariano", está convencidíssima que se vai levar uma perna de borrego para casa. E chega lá, não é que encontra um produto de base vegetal.
De soja e tofu.
É que uma coisa é a proteção dos consumidores. Tu apresentares um produto dizendo que tem zero açúcar.
E ter açúcar.
Tem açúcar. Muito bem. Estás a enganar.
Mas isso já é dolo, quase.
Certo. O que eu estou a dizer é: isto é uma coisa. Outra coisa é ir a este nível de controle. E depois acho que entramos num outro ponto, que é: no Parlamento Europeu? Uma coisa ainda seria, apesar de tudo, mesmo assim já seria uma grande audácia o Parlamento português decidir que em Portugal, por razões de defesa do consumidor, contestáveis, não era possível apresentar produtos assim. O Parlamento Europeu?
Mas o Parlamento Europeu tem toda uma tradição nesta área.
Claro, eu bem sei que muitas das coisas que nós temos nos nossos supermercados nem sequer estão em português. Portanto, vêm de outros países, tudo é feito noutro país e portanto, nalguns casos, serviria de pouco em Portugal. Eu sei isso tudo, mas apesar de saber isso, não me parece um argumento suficientemente forte para este atropelar, apesar de toda a soberania. Eu sou do tempo em que na União Europeia, um dos grandes princípios era o da subsidiariedade, em que o centro só tomava as decisões mesmo que era preciso tomar, tudo o resto era deixado às outras escalas de decisão. Nós depois admiramo-nos que haja países onde há forças políticas que querem sair da União Europeia.
E admiramo-nos que a Europa, que já está milhas atrás dos Estados Unidos, nomeadamente em termos de competitividade, fique ainda mais para trás. Porque enquanto os outros países, muitos países estão apostados e ocupados A inventar produtos alimentares que se dirijam àquilo que as pessoas querem ou a criar necessidades novas que não há e que nós de repente descobrimos produtos novos que até gostamos. E no fundo, a adaptar setores tradicionais a exigências ambientais, e por aí fora. Há outras economias que se preocupam com isso. Aqui a Europa preocupa-se em banir a indicação do rótulo de produtos de designações que nos ajudam a perceber a nós que tipo de produto é que encontramos. Se me dizem hambúrguer vegetariano, eu percebo perfeitamente que aquilo são vegetais tratados como se fosse um hambúrguer, isto é, são picados.
E que podem ser cozinhados da mesma forma.
Que podem ser cozinhados da mesma forma, que substituem, se quisermos, o hambúrguer. Que são picados, têm uma forma de um disco redondo e por aí fora. Se me dizem almôndegas de soja, eu sei que aquilo são umas bolinhas picadas e por aí fora. Portanto, esta informação, o hambúrguer é uma questão de formato.
Sim.
Porque carne há várias zonas. Tudo isto é tão ridículo, mas como é que há 355 eurodeputados que acham que isto é uma boa ideia e que votam a favor desta medida?
Não, nunca se esqueçam da diretiva da tampinha, que por acaso até foi transposta para Portugal em 2021, que era a diretiva, eu sinto-me tão culta a dizer isto, o Google tem coisas maravilhosas. 2019/904, que era a tal que obrigava àquela questão da tampinha.
Obrigava e obriga.
Neste momento.
Já mudaram?
Poderá estar, sim, em regressão.
A sério? Perceberam que era uma má ideia? Vão voltar atrás? É aquela que não permite soltar a tampa de uma garrafa de plástico ou uma embalagem.
Sim, porque ficamos todos encharcados ou não conseguimos abrir a tampinha e aquelas coisas todas. Portanto, acho que há muito este lado. Não fossem as diretivas, não fosse aquilo tudo tão grande e ter tanto para criar.
Mas Helena, isso custou milhões.
E tem de ser traduzido nas várias línguas.
Centenas de empresas a mexer nas linhas de produção, porque o plástico não é a mesma coisa, fazer uma tampa que desenrosca e outra que fica presa. E portanto, agora vão recuar.
Provavelmente, pelo menos estou a dizer-te.
És contra, Paulo.
Eu vi a intervenção.
Olha, eu já nem sei o que é que sou contra.
Eu vi a intervenção do Mariano Rajoy no Fórum La Toja, vi online, e estou a dizer-te o que vi. O Mariano Rajoy, que foi líder do PP, o partido que agora apresentou estas coisas aqui para os hambúrgueres e essas coisas, quando confrontado com aquelas coisas, estar na União Europeia, e ele, que é um galego com uma capacidade de resposta realmente notável e sem nunca se desmanchar, tinha na mão uma garrafa e diz: "Mas apesar de tudo, há inteligência, porque eu estive aqui o ano passado e esta tampa não se separava da garrafa e agora a tampa já se separa da garrafa." Ele dava isto como uma prova de que-
De uma reforma estrutural na Europa
...de que existe inteligência na Europa. Mas eu estou aqui a tentar elencar de cabeça tudo aquilo que na culinária portuguesa vai ter de mudar.
Eu era miúdo, lembro-me. E vamos ter que dar mais tarde sopa do dia. O que é isto nas ementas estar apenas sopa do dia?
E o bacalhau à Margarida da Praça, onde é que está a Margarida da Praça?
Doce da casa.
Doce da casa.
Cada casa tem um doce diferente.
Doce da avó. Eu que sou avó. Vocês podem me explicar por que é que só há doce da avó, não há doce do avô. E depois, o que é isso do doce da avó? O que pretendem dizer com isso?
Isso, de facto, é o heteropatriarcado.
É o heteropatriarcado, claro.
E língua de sogra.
E língua de sogra.
Isso é todo um programa.
É todo um programa, nós podemos ir já por aí.
Nós começámos esta manhã a falar de pizza com ananás e com banana, portanto ainda bem que hoje estamos muito divididos.
Olha, mas iam proibir isso.
Ananás, não é?
Proíbe o ananás nas pizzas. Podemos estar descansados que há centenas de eurodeputados que estão sempre atentos a isso.
E não são só os portugueses.
Não nos deixa levar para casa uma beringela a pensar que estamos a levar uma costeleta de novilho, por engano.
É que é uma coisa que por acaso até se confunde. Uma pessoa olha e fica confundidinha. Então quando prova, vocês nem queiram saber. Eu comer um tofu e uma bela de uma costeleta de porco, uma pessoa sabe: "Isto será porco? Não sei, talvez seja tofu."
Se calhar é frango.
Paulo, dá uma nota que não seja dó.
Que não seja dó, ré mínimo. Não, por dó vou dar um quatro a esta gente toda que acha que isto são tudo boas ideias e assim é que a Europa vai para a frente. Vamos controlar os rótulos todos para os incautos dos consumidores não irem ao engano.
E a seguir vamos tomar o pequeno-almoço e o vencedor regressa mais logo na tarde política.
Que agora tem uma versão alargada, começa a seguir já o jornal das 18h. Esta quinta-feira dão notas a Judite França, a Helena Garrido, o Anselmo Crespo e o Gonçalo Sousa.