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E o Vencedor É, na Rádio Observador. Hoje vamos falar de Orçamento do Estado, do apoio do CDS a Marques Mendes e sobre o que os candidatos à presidência andam a fazer nas televisões e redes sociais para parecerem fixes. E este Vencedor É, além da rádio, também está a ser transmitido em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Portanto, também é possível ver o que se está a passar no estúdio em Alvalade. Às vezes mais valia não verem, mas somos muito transparentes e queremos mostrar tudo.

Eu sei que a tua boa aparência vai distrair os nossos ouvintes da substância do que temos a dizer, mas que seja.

Sabes que eu não consigo evitar, Alexandre. Alexandre Borges, Nuno Gonçalo Poças e astute França estão aqui neste E o Vencedor É. E vamos então olhar para a forma como os candidatos andam por aí nas redes a mostrar um pouco mais de si. Mas para isso vamos fazer aqui uma pequena viagem ao passado. Vamos recuar aos anos 90, a uma entrevista de Margaret Thatcher, a primeira-ministra britânica, que esteve no cargo entre 1979 e 1990. Vamos só ouvir aqui um bocadinho desta entrevista.

"All the people that I interview, I ask them to do something for me. It's a kind of gimmick on my show, and it's to make a jump, just to stand up and make a jump up in the air. I shouldn't dream of doing that. Why should I? I see no significance whatsoever of making a jump up in the air. I made great leaps forward, not little jumps."

Estamos a ouvir, em fundo, uma entrevista em que é solicitada a Margaret Thatcher que dê um pulo, um pequeno salto, mas a Dama de Ferro recusa a ideia, diz que só dá, numa tradução mais literal, saltos em frente, passos em frente. Não compreende o porquê de dar um salto na televisão para mostrar um lado mais descontraído ao pessoal. A conversa vai se mantendo durante algum tempo, a entrevistadora vai insistindo com Margaret Thatcher e Margaret Thatcher vai respondendo que não faz nenhum sentido. As pessoas já sabem o que ela é e o que é que defende. E Nuno Gonçalo Poças, recorres a este caso dos anos 90 e a Margaret Thatcher para dizer o quê?

É uma coisa mais genérica, mas depois posso falar aqui de alguns casos em concreto. Eu acho que há uma tendência, não é de agora, é uma tendência já com algumas décadas talvez, e que se tem vindo a avolumar, de uma certa necessidade dos políticos tentarem mostrar ou parecer mais parecidos com as pessoas normais.

Conosco, não é?

Não é? Como se não fossem pessoas normais.

Exato.

Faço aqui algumas exceções. Estou-me a lembrar assim de repente, em Portugal, do Pedro Santana Lopes, do Alberto João Jardim.

Jerónimo de Sousa.

Jerónimo de Sousa, qualquer comunista em geral, se calhar. Do Boris Johnson, por exemplo, mesmo personagens assim um bocadinho mais fora daquela norma de alguma rigidez mais formal, que as pessoas percebiam que de facto eles eram assim. E o Boris Johnson é despenteado e não há nenhum mal nisso, e está tudo bem. Mas depois há muita gente, e isso é mais generalizado, muita escola de política em que toda a gente percebe que as pessoas são, e também não há mal nenhum nisso, as pessoas são mais cinzentas, são mais formais, mais rígidas, mais outra coisa qualquer. E toda a gente, de repente, parece apreciar muito ser capa de revista com a família, com os filhos, e ser fotografado nas férias, em biquíni e em fato de banho, a dar mergulhos e a estar tronco nu e ter o cabelo molhado e trocar os calções. E agora a nova moda é, porque os políticos acompanham todas estas coisas, e portanto, se as pessoas normais estão no Instagram a fazer coisas, eles agora também estão. E ontem dei conta do Isaltino Morais, que de repente já passou toda aquela fase do guia Michelin versão Oeiras.

Rotundas.

Das rotundas.

Casa de banho, também.

E ontem estava numa farmácia com uma bata de farmacêutico, durante três minutos a explicar comprimidos e medicamentos em geral. Esta semana também, depois do debate do António José Seguro com o André Ventura, eu percebi, depois só vi esses vídeos, no fundo também é para aquilo que aquilo serve, do João Cotrim Figueiredo com o Santana Lopes a gingar ao som de uma canção que eu já não me lembro qual é, do Chico da Tina.

Tina.

Do Chico da Tina, exatamente. E eu fiquei a olhar para aquilo e sem desprimor, eu acho que o Santana pode, o João Cotrim não.

Então explica.

Porque há um lastro.

Exato.

Porque há um lastro.

Há um historial.

Há um historial e as pessoas percebem que aquilo no Santana Lopes é uma coisa mais ou menos natural. É o que é. Não é de repente alguém que apareceu na cena política mais ou menos há oito anos ou 10 anos, uma coisa assim, que toda a gente reconhece como um profissional, que tem um histórico de competências, etc., um currículo. A mim constrange-me um bocado, confrange-me, aleija-me, faz-me um bocado de confusão. É como ver o meu pai de repente a tentar ser divertido, ainda por cima na televisão.

O teu pai é divertido. Deixa o teu pai ser divertido. Muito bem. Aguardamos o e-mail do senhor Poças.

Olá, pai.

Quem nos está a ver em vídeo agora está a registar um belo momento.

E não é! Não é suposto. Eu acho que as pessoas têm de começar a meter isso na cabeça. As pessoas não precisam de ser mais ou menos parecidas com aquilo que elas acham que é o português normal, porque também há portugueses normais que não dançam na televisão.

É verdade.

Lá está, o meu pai é um bocadinho mais velho que o João Cotrim Figueiredo, e não dança, e não há mal nenhum nisso. Não tem que ser divertido, não tem que ser jovem e moderno, porque senão parece um sketch.

Alexandre, como diz o povo, na sua infinita sabedoria: "Mais vale..."

"Cair em graça do que ser engraçado."

Isso é imbatível, isso é à prova de bala. Percebo perfeitamente o Nuno. Concordo.

Espera aí, deixa-me lá escrever esta frase.

O quê?

Esta de "mais vale cair em graça do que ser engraçado", eu preciso muito de ler esta frase todos os dias.

Muito bem. É Marco Aurélio, verdadeiramente. Percebo perfeitamente o Nuno. Acho que há políticos que precisam, há políticos que não são pessoas normais. A Margaret Thatcher, de facto, não era. Obviamente, estamos a usar os conceitos no sentido em que os entendemos, de maneira lata.

Mas também não precisava.

O Cavaco Silva também não era.

Também não precisava de mostrar que era uma pessoa normal.

Certo. Fez a sua personagem assim.

Mas era uma pessoa normal. Era uma mulher de classe média inglesa conservadora.

Certo, mas é a Dama de Ferro. Depois torna-se um arquétipo.

Mas o arquétipo surgiu daquilo que ela era.

Eu concordo, acho que tens razão, mas acho que ela criou o arquétipo.

É como achar que o Salazar era um personagem. Ele era aos 70 anos a mesma coisa que era aos 20.

E tu achas que isso é normal?

Já era um velhinho chato, aborrecido. Está tudo bem.

Mas isso não é normal.

É, mas está tudo bem. Eu também sou um bocado velho e aborrecido. Os meus amigos chamam-me senhor qualquer coisa, porque eu pareço um senhor idoso. É verdade. Tenho dores na ciática, essas coisas todas. Desde os 20 anos, não há mal nenhum nisso.

Vítor Gaspar, consta que quando estava no Banco Central Europeu, acho eu, antes de ser ministro das Finanças, reunia os seus colegas para sessões de almoço. Às vezes a malta queria almoçar fora e ele pedia: "Neste dia tragam marmitas, que eu tenho uma surpresa para vocês". E o pessoal trazia a marmita e ele tinha uma espécie de stand-up preparado com piadas sobre dinheiro e cálculos, que nem os companheiros dele conseguiam bem entender. Ou seja, não era essa pessoa, apesar de tudo, muito humana, nesse sentido que nós esperamos.

Mas o meu ponto é: se um tipo, sendo político ou outra coisa qualquer, se é um choninhas, vamos assumir que é um choninhas, e está tudo bem. O choninhas não tem que de repente ser divertido por achar que as pessoas lá em casa são mais recetivas eleitoralmente.

Mas acho que isso não é bem verdade sobre o perfil do Cotrim.

Vão aos programas da tarde exatamente para mostrarem que sabem cozinhar.

Sim, para mostrar humanismo.

Ser fixe rende votos, ou não?

Ser fixe rende votos, obviamente.

O Cavaco nunca foi fixe para ter tantas maiorias.

Mas a malta adora o momento em que ele trepou ao coqueiro, ou em que saltou entre os dois carros. Isso funcionou sempre a favor dele, a favor da personagem.

Acredito que sim. E eu acho que há diferença entre ser fixe e fazer coisas que de alguma forma até te constrangem enquanto estás a ver. Porque são despropositadas. Quem é que dança depois de um debate político para uma música e dança um bocadinho? Quer dizer, pode tornar-se usual.

Se for a dança da vitória.

Não sei, mas a mim deixou-me boquiaberta, basicamente, porque não estava à espera. Lá está, estava mais à espera que Santana Lopes fizesse uma coisa deste género.

Mas se for o Obama é fixe.

Boa.

Ou o Trump. Se for o Trump a dançar.

Aquilo tem graça.

Aqueles moves não são... Então, mas o que é que distingue? Não estou a perceber. Conceptualmente, o que é que distingue?

É a autenticidade.

Ok, de acordo.

É isso.

De acordo, muito bem.

O meu ponto é só esse.

Estamos a recentear.

As pessoas não queiram ser uma coisa que não são.

Mas não é igual para todos, era isso que eu queria dizer também.

Alguém imagina se o Cavaco Silva fosse fotografado pelo tal e qual de cuecas no meio do Carnaval? Toda a gente ia achar que aquilo era de propósito.

Isso só funcionava com o Alberto João. Mas lá está, o professor Cavaco, em particular, está cheio de elementos ao longo da sua história a mostrar humanidade. O Pulo do Lobo. "Não, eu não sei nada do que é que o presidente Soares disse. Eu tinha ido a um retiro descobrir um sítio que era o Pulo do Lobo." Está cheio de pequenas coisas. "Eu estava com a minha mulher não sei onde." Está cheio de pequenos elementos para dar essa humanidade que se calhar lhe faltava no resto.

Deixava-se sempre filmar a ir para a praia no Algarve.

Pois, exato.

E a dobrar a roupa muito bem dobradinha.

Mas também é porque correspondia ao arquétipo do português típico.

Sim, claro.

A malta achava que havia aquela coisa de elitismo. "O Cavaco não sei o quê, mas chega de boca aberta, e usa meias brancas", aquelas coisas todas. E nunca ninguém percebeu que o Cavaco tinha tanta popularidade porque ele era autenticamente muito parecido com a maioria do povo português.

Verdade.

Nos anos 80, quantas pessoas não comiam de boca aberta? Nos anos 80?

Vamos a notas. Há notas para isto? Ou só há uma reflexão?

Acho que o Nuno deve ter.

Tenho. Vou dar um oito à capacidade de expor. Vou dar uma nota positiva. Vou fazer uma pedrobenevidização. Vou dar um 15 à ausência de medo do ridículo. Sim, senhor.

Olha, não estava à espera dessa tão positiva.

Alexandre, os ditos. Já queimámos o tempo.

Eu dou três à ginga, porque apesar de tudo, às precisamos da ginga.

Fizemos política com ginga.

Contra a cassete. Prefiro a ginga.

Ginga contra a cassete é um belo slogan.

Pois, eu acho que aquela ginga não foi uma ginga bem gingada e, portanto, vou lhe dar um nove.

Já voltamos para a segunda parte de "E o vencedor é". Ainda vamos dar notas, não à performance artística, mas a outras performances da vida política. Voltamos já. Arranca agora a segunda parte de "E o vencedor é", hoje com a Judite França, o Alexandre Borges e o Nuno Gonçalo Poças. E começamos esta segunda parte pelo apoio do CDS a Marques Mendes, na corrida à Presidência da República. Judite França, o título desta notícia devia ser antes: Paulo Portas não é mesmo assim, tipo imagina, candidato à Presidência da República.

Devia ser, sobretudo muito tipo imagina, porque de facto estiveram nove meses à espera de Paulo Portas.

Quem nunca?

Nove meses é muito tempo.

Tirando ele na sacudidura Cabral.

Exato. E portanto, agora sem Paulo Portas, o CDS ficou um bocadinho, desculpem a expressão, à nora, sem saber o que fazer e portanto demorou bastante a chegar à única conclusão que podia chegar, que é se não tem candidato, apoia o candidato do partido com quem está coligado no governo.

Parece o PS.

Parece o PS?

Porque se não tem outra-

Sim, no sentido de apoiar António José Seguro. Sim, é mais ou menos isso. Agora não está PS, mas está coligado com o tal.

Com o almirante. Tens de estar atento, Judite.

Mexe muito. Eu acho que foi preciso muito tempo para chegarem a uma conclusão, que era a única conclusão e a única solução possível, porque nós temos Marques Mendes a dizer há nove meses que ia ser candidato e, portanto, ter um candidato firmado como este, que é do mesmo espectro partidário, político, seria muito estranho agora o CDS, que não tem candidato, dizer que não apoia ninguém. Era muito estranho para o seu partido parceiro de coligação. E portanto, acho que o CDS fez, a tarde herdou más horas, mas fez aquilo que lhe competia fazer. Acho curioso o pormenor de a Juventude Popular ter dado liberdade de voto aos seus militantes. Ou seja, não é possível convencer os jovens do CDS em votar em Marques Mendes, o que também se entende.

Nuno.

Essas coisas são sempre um statement, não é? Porque no fundo, haverá alguém no mundo que dependa da direção de uma juventude partidária de um partido para perceber que têm liberdade de voto? Por amor de Deus.

Claro que não. Mas é um statement.

Mas é um statement, claro, e faz parte. Confesso que tenho alguma pena que o CDS já produziu, aliás, a grande disputa presidencial da democracia teve como principal protagonista um histórico dirigente do CDS e foi candidato por todo o espaço da AD naquela altura.

Freitas do Amaral.

Sim. Foi o CDS que apresentou uma candidatura contra a hegemonia de Soares em 91, depois de um vai, não vai de Francisco Caspirs na altura. E apesar de tudo, nas últimas eleições, eu ouvi há bocado o Alexandre Poço a falar sobre isso, que o CDS também apoiou Cavaco Silva duas vezes, apoiou Marcelo Rebelo de Sousa duas vezes, etc. E na altura, a sensação que havia era que esse apoio contava para alguma coisa. E agora é um bocado indiferente saber quem é que o CDS apoia. Na verdade, até o próprio peso e a relevância que o CDS tem na própria coligação. O PSD lançou Marques Mendes, ou Marques Mendes lançou-se com o acordo do PSD e o Nuno Plácido, sem ninguém ter perguntado ao CDS: "Olha lá, achas bem? Este nome parece-te bem ou tens alguma alternativa?" E se calhar o nome de Paulo Portas podia ser uma coisa mais interessante do que o nome de Marques Mendes, não sei, é uma coisa que nunca ninguém saberá, mas podia ser um nome bem mais interessante. Se calhar João Cotrim de Figueiredo, por exemplo, não seria candidato, não sei.

Esse aqui é o que não dançava.

Não dançava, portanto não era candidato e não precisava dançar. Ou então fá-lo-ia nos devidos lugares.

Nas danceterias.

Exatamente, nas boates modernistas. Eu tenho alguma pena que o CDS esteja nesta posição, mas acho que isso soa tudo um bocadinho a: "Olha, que remédio, conta para alguma coisa." Não. E então, portanto, cada um fará aquilo que bem entender. Manuel Monteiro, curiosamente, confessou ontem na SIC Notícias que foi abordado.

É verdade, foi sondado.

Foi sondado por gente próxima do André Ventura para ser candidato. Depois acho que ele disse que não aceitaria ser o candidato do Chega, não recusaria o apoio, se lhe fosse dado, e poderia estar disponível para conversar sobre isso. E depois essa conversa nunca aconteceu.

E esta manhã também Carmona Rodrigues, que esteve aqui na emissão de inquérito da Rádio Observador, não disse por quem, mas também disse que foi Sondado.

Ui, foi abordado?

Boa.

Só não fui sondado eu.

Algum de vocês foi, algum de vocês foi sondado? Eu também não.

Eu já tenho idade.

És um senhor? És um senhor.

Eu se fui, não dei por isso, mas isso pode me acontecer. Não seria a primeira vez. Eu confesso que já não estava tão empolgado. É o que podes esperar da minha parte. Eu já não estava tão expectante para saber a decisão do apoio de um partido desde há alguns 10 dias, desde o Livre, e desde o suspense em que o Livre nos deixou. E tem graça que aparentemente são os partidos mais pequenos que demoram mais a decidir. Eu acho que os grandes decidem isto lá, dentro da sua lógica hierárquica. Os pequenos devem combinar uma espécie de reunião de condomínio e é muito mais difícil, porque tu queres mesmo ouvir toda a gente. São cinco ou são 10.

O PS não foi particularmente rápido.

É verdade, o PS é um caso à parte, mas também chamar aquilo de apoio talvez seja esticar o conceito. Mas o Livre, que tinha sido o último, e agora o nosso CDS aqui em análise, foi mais: "Está a reunião de condomínio, vocês sabem que é difícil marcar reuniões de condomínio, porque há sempre alguém que tem uma consulta, há outro que tem que ir buscar os filhos, o outro tem que vir lá."

As reuniões mais difíceis de todas.

É muito difícil até conseguires um dia em que toda a gente realmente pode. E nós, neste momento, sabemos basicamente do CDS em quem é que toda a gente vai votar. Porque sabemos que o Diogo Feio vai votar Marques Mendes, sabemos que Pedro Mota Soares vai votar Marques Mendes, Nuno Melo, em princípio, imagino eu, vai votar no Almirante com quem tinha ido de backups antes disso tudo começar. Sabemos que Chicão vai votar no Almirante. Portanto, eu acho que estas eleições, aliás, não só no CDS, mas de um modo geral, a gente quase podia já fazer isto. Não precisávamos de esperar para o dia 8 de janeiro. A quantidade de pessoas que já anunciou publicamente o seu apoio a alguém já vai dando para ir fazendo grande parte da conta. Registei também o uso da expressão aqui do Nuno, histórico, no caso Freitas do Amaral, claro que se aplica, mas reparei que o nosso Miguel Santos Carrapato também usou no texto do observador, chamando a Cruz Vilaça e Cavaleiro Brandão, eu confesso que não os conhecia, mas históricos do CDS já declararam apoio a João Cotrim Figueiredo. Está mais ou menos aqui, talvez falte o apoio de Francisco Mendes de Silva para ter o CDS todo.

São nomes do grupo de Ofir.

Mas históricos, eu pensava que era só na CDU. Acho que está a acontecer a mesma coisa ao CDS que à CDU, que não tem bem militantes, tem históricos. É uma espécie de processo de musealização em curso.

Foi usada a expressão grupo de Ofir neste "E o Vencedor É", que é importante.

Não é o passado Ofir.

Não.

Para continuar no tema das boates.

Isso é outras noites. Bom, vamos avançar.

O pessoal anda aqui a escrever livros e vocês não leem.

E temos que dizer que o filme também não é mau. Não, mas o livro é muito interessante. Vamos lá. Temos que falar ainda também da central fotovoltaica Sofia, Alexandre.

Antes de mais, repara como os nomes de escritores dão para tudo. É bom, aeroporto de Camões, noticiamos satélites, aviões, vamos ter Agustina. Eu lembro-me sempre desta história da Agustina, dela contar uma vez numa entrevista, Agustina Bessa Luís, claro, que uma vez estava num sítio qualquer, foi abordada por umas pessoas na rua, foi às compras ao mercado, e há uma senhora que a agarra e diz: "Sra. Agustina, eu gosto tanto de si que eu qualquer dia leio um livro seu." E acho que é um bocadinho isto que tu tens com os escritores. A maior parte das pessoas que dão nomes de escritores às coisas, nunca verdadeiramente os leu.

Estás a rir-te por alguma razão mais especial do que o usual.

Isto é muito bom. É tão humano.

Já te aconteceu?

E acho que é isto. Os nomes de escritores são dados a muito mais coisas do que verdadeiramente tens de leitores que realmente os leram e depois os querem homenagear. Mas bom, adiante. Central fotovoltaica Sofia é um projeto da LightSource BP em três concelhos da Beira Baixa, Fundão, Penamacor e Danha Nova. Sítios respetivamente conhecidos pela Cereja, António José Seguro e pelo Festival Boom. Vou já lá.

Esta está impossível.

Conta com a oposição. É um projeto gigantesco, 1700 hectares para produzir energia. Enfim, são muitos megawatts, não vale a pena tentar, são mais de 800 megawatts. É claro que nenhum de nós sabe exatamente o que isto é, mas supostamente dá para fornecer 370 mil habitações. Vai criar, ao ver, não sei quantos postos de trabalho. Já tem uma série de compromissos ambientais, compensações envolvidos. No entanto, conta com a oposição destes três municípios e da comunidade intermunicipal da Beira Interior. E enfim, é a mesma coisa que Portugal tem. Eu não sei se as pessoas têm consciência disto. Portugal tem as maiores reservas de lítio da Europa. Nós andámos anos com a anedota do petróleo no Beato e sempre com o queixume: "Não temos petróleo e temos que nos acertar." Pois, agora temos petróleo, que é o lítio. Alguém deu por isso na economia portuguesa. Os projetos que há de exploração de lítio, apesar de terem o aval da Agência Portuguesa do Ambiente, apesar de terem os estudos de impacto ambiental positivos, apesar de terem não sei quantas compensações, não conseguem avançar porque há sempre alguém a opor-se. No caso, é Covas do Barroso que se opõe a um dos grandes projetos de exploração do lítio. Aqui temos este. A mesma coisa que aconteceu durante anos e anos com o Alqueva, agora que toda a gente celebra como aquilo que salvou o interior do Alentejo. E é a mesma razão pela qual estamos há 50 anos à espera de um novo aeroporto de Lisboa, porque depois, no fundo, ninguém o quer ali. O país e as comunidades em particular precisam decidir o que é que querem, porque o interior ou bem que está desertificado, ou bem que se faz lá alguma coisa. Se os portugueses não querem lá morar, se também não querem lá imigrantes, se também não querem cuidar da floresta, querem o quê? Também não querem centrais fotovoltaicas, que ainda por cima é a história do not in my backyard. Tu és não quero energias alternativas e energia limpa e sustentabilidade ambiental. Se forem outros, que alguém queira fazê-lo. Notem bem, isto é para fazer uma central fotovoltaica, não é para fazer uma central nuclear, que é uma coisa que devíamos andar a discutir.

Pois.

Mas não consegues fazer isto em lado nenhum. E portanto, andamos aqui paralisados, de facto, para depois no próximo verão voltares a ter incêndios por aí fora, por exemplo, porque de facto se diz: "A floresta." A floresta é o desordenamento que a gente conhece. E este projeto em particular tem um item de substituição de eucaliptos por azinheiras e sobreiros, entre outras coisas.

Vamos à nota, Alexandre, já não temos tempo para ir ao orçamento. Vamos amanhã.

Muito bem. Teremos ocasião e propósito. A nota é um quatro, que é o Canto Lusíadas em que aparece o Velho do Restelo.

Uau!

Muito bem.

Muito bom.

Fantástica.

Muito bom.

Isto é que foi uma nota artística.

Isto é uma verdadeira nota artística. Obrigado a todos. Amanhã há mais, "E o Vencedor É?" pela manhã, depois das 08h30 da manhã, nas manhãs 360. De manhã não é tão divertido, mas também é bom. Não, esta agora é dispensável. Voltamos amanhã.