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Este som não engana. Está no ar mais um "You Vençore", que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. E esta terça-feira, além do José Manuel Fernandes, está também conosco o Rui Pedro Antunes. Pedro Nuno Santos demitiu-se, o PS procura novas estratégias depois de um dos piores resultados do partido. Rui Pedro, vou começar por ti. O PS já está na grande reflexão interna que vários dirigentes foram pedindo no domingo à noite.
Vai tendo até uma reflexão externa, porque já vemos vários membros do Partido Socialista a pronunciarem-se sobre o que deve ou não fazer o partido a partir daqui. E aquilo que me parece ser a corrente maioritária é que o Partido Socialista deve, de alguma forma, dar condições, pelo menos iniciais e nos próximos tempos, ao governo da Aliança Democrática para governar. Esta perspectiva de, de alguma forma, ir viabilizando os instrumentos principais de governação, nomeadamente os orçamentos de Estado.
Nomeações para uma série de cargos no Estado, não é?
Sim, programa de estabilidade, quando existir, o próprio programa do governo, que previsivelmente será sempre suscitado ou alguém apresentará uma moção de rejeição, nem que seja o PCP, uma vez que o Bloco de Esquerda já não tem grupo parlamentar para isso, o PAN também não pode fazê-lo, e não sei se os outros estão interessados em fazê-lo, embora também não descarte que de um dia para o outro o Chega lhe apeteça rejeitar o programa de governo, também não seria nada que me surpreendesse. Mas deve ser suscitada essa votação para que haja uma espécie de uma primeira prova de fogo, além obviamente, da eleição do presidente da assembleia, que o ano passado criou uma entropia que começasse o normal funcionamento da Assembleia da República. E, portanto, há aqui um contexto em que o Partido Socialista parece estar disponível para dar algumas condições a Luís Montenegro. Isso também significa que possa influenciar a governação e, mais uma vez, afastar o Chega. Esta perspectiva tem alguns perigos, que é deixar de alguma forma a ideia da liderança da oposição ao Chega, mas há uma realidade muito crua: é que provavelmente a partir da próxima semana, a liderança da oposição é do Chega, com todos os efeitos que isso tem. Só antes de ir à minha nota, nós temos um texto em manchete no Observador que tem a ver com a perspectiva da Presidência da República sobre isto. E de facto, há uma ideia que, entre as várias ponderações em Belém, de que o presidente só para a semana é que vai decidir, depois da ronda de hoje aos partidos, há outra na próxima semana. E de facto, na próxima semana as coisas podem ainda mudar mais, porque vamos imaginar isto: se o André Ventura for o líder da oposição, ele passa a ter esse estatuto.
Ainda há dúvidas. Claro que falta aprovar os votos da imigração.
Mas se o PS tiver a mesma bancada.
Tem mais votos.
Se tivesse o mesmo número de mandatos, tem mais votos, ainda seria o partido à esquerda.
Estão em causa aqui quatro deputados que ainda não foram apurados. E podem desempatar o número.
Há um ano, foram dois para o Chega, desses quatro, um para o PSD, outro para o PS. Certo?
Sim, certo.
Aliás, Augusto Santos Silva não foi eleito à frente.
Não foi.
Eu creio que não deve haver grandes dúvidas.
Até pode ir os quatro para o Chega.
Eu olho para os resultados.
José Manuel.
Não, quatro para o Chega acho que não, mas a minha perspectiva é dois para o Chega, dois para o PSD. Provavelmente, o deputado que o Partido Socialista elegeu na Europa não vai conseguir eleger se o eleitorado europeu se comportar de forma proporcional ao eleitorado continental, digamos assim, ao território nacional.
Aos residentes.
Vamos ver.
O meu ponto aqui era precisamente que para questões, ainda agora tivemos para a ativação da cláusula para a compra de material de gastas em defesa da União Europeia. O primeiro-ministro tem que falar com o líder da oposição para uma série de matérias. Não está escrito na Constituição que eu tenho que fazer, mas essa figura existe e, portanto, em caso de uma questão extrema de defesa, nem política externa, qualquer posicionamento de Portugal, por norma, o primeiro-ministro tem que ligar ao líder da oposição. Eu acho que Luís Montenegro vai ter que ligar a André Ventura para todas essas matérias, que é a primeira vez que acontece na história da democracia, se assim for. Se o Chega não ficar efetivamente como segunda bancada, pode ser que o PS ainda se consiga manter e pode ser que o Luís Montenegro continue a manter, de alguma forma, essa cordialidade, além de falar com o Chega, falar também com o Partido Socialista e haver agora aqui uma espécie de uma comunicação a três para essas matérias.
E isso vai depender do líder, do próximo líder do PS e das relações que os dois líderes mantiverem.
Como não tem força neste momento para fazer o contrário, deve aproveitar para se mostrar como parceiro fiável do PSD, uma vez que vimos que muitas vezes André Ventura é instável e vai um bocadinho a sabor do vento conforme as várias situações. Se isso acontecer, o José Luís Carneiro, não sendo uma pessoa mobilizadora, entusiasmante, eloquente, que não é, é talvez o líder certo para a fase que o Partido Socialista vai enfrentar. E, portanto, a minha nota ia para ele, porque quem diria, quando ele enfrentou há um ano e meio o Pedro Nuno Santos, que um dia ia ser ele
De se calhar a pessoa certa para aquilo que eram os desafios do Partido Socialista. E neste momento parece-me ser a pessoa certa para aquilo que o Partido Socialista tem, que não é um futuro a curto, médio prazo brilhante. Não é a melhor altura para estar à frente daquilo que é um grande partido da democracia, mas, na verdade, não estou a ver outra pessoa.
Podem surgir mais candidatos ou será só um?
Podem, porque o mais pequeno também significa menos hipótese de intervenção. Uma coisa é um partido estar no poder, etc., menos lugares, menos influência e, portanto, não estou a ver os Pedro Nunistas darem de barato serem assim afastados de um partido que está tão encolhido. E, portanto, pode sempre aparecer uma alternativa, que até pode vir a ser melhor do que José Luís Carneiro interpretar esta nova ideia do partido. Mas neste momento, parece-me que ele surge como o mais forte candidato à sucessão de Pedro Nuno Santos e acho que isso, apesar de o PS estar numa situação difícil, para ele é bom, para José Luís Carneiro.
Que nota vais dar então ao José Luís Carneiro?
Dou um 15.
Sim, um 15. José Manuel, vais falar e já percebemos que será o tema do Contracorrente também, mas não pode escapar também à questão Partido Socialista neste momento.
É verdade, mas não quero falar agora propriamente da sucessão. Falarei isso no Contracorrente melhor. Queria, sobretudo, falar de algo que eu notei ontem. Enfim, posso não ter apanhado tudo, mas aquilo que eu notei dos destaques de hoje, daquilo que já está nos jornais da manhã, no site do Observador também, é que, de repente, o grupo parlamentar do Partido Socialista, que é muito Pedro Nunista e muito radical e como sabes, houve até figuras que tendo aceito o convite para serem candidatos, quando viram aqueles ao lado de quem se iriam sentar, preferiam ficar de fora, estou a lembrar-me, por exemplo, de Sérgio Sousa Pinto. Essas pessoas ficaram caladas. E Fernando Medina também não quis. Mas Fernando Medina falou ontem, o Sérgio Sousa Pinto falou também ontem, enfim, já depois das eleições. Quem eu não vejo a falar de forma mais clara é todo aquele PS muito radicalizado, muito bloquista, digamos assim, culturalmente. Pode ser socialista de filiação, de cartão, de levantar o punho esquerdo em vez do punho direito, mas de coração, de maneira de pensar, de formação na sociedade, é muito bloquista. Esse PS esteve ontem muito calado, mas não desapareceu, ele está lá. A juventude, sobretudo, está cheia dele. Quer dizer, foi nessa cultura que esse PS cresceu e eu gostava de tentar perceber o que é que aconteceu, porque não desaparecerá, seguramente, de um dia para o outro. E nós recordamo-nos, por exemplo, como é que o Partido Socialista reagiu ao realismo e à moderação do autarca de Loures, quando houve aquelas declarações dele a propósito de problemas locais, problemas que foram, percebemos agora, centrais nesta eleição, porque são problemas que preocupam as pessoas. Esse Partido Socialista esteve ontem bastante calado, mas não se foi embora. E, para já, eu vou dar uma nota. Hesito entre dar a nota a esse silêncio por imaginar que ele é apenas desorientação e orfandade ou se devo dar uma nota a pensar mais no que é, pura e simplesmente, tentar criar uma ilusão ou atordoamento. Seja lá como for, para já, vai um seis à espera de ver se vem em jogo ou não.
O que é certo, Paulo, para já, é que todas as intervenções públicas de socialistas têm sido no sentido de dar oportunidade ao governo AD para fazer isso mesmo.
Praticamente todas. Não estou a ver nenhuma voz que venha.
A excepção é de Pedro Nuno Santos.
A excepção é de Pedro Nuno, que quer sair o mais rapidamente possível do cargo.
Não, e isto mostra de facto.
Sim, mas antes disso tratou de dizer uma série de coisas. Aquela declaração noturna deixou ressoar.
Deixou rasto.
Ele estava quente.
Não sei se de cor de matricialdo, se não.
Não, é aquela coisa de estar quente, talvez. Enfim, eu quero acreditar.
O Sérgio Carneiro ontem disse que não entendia isso dessa parte, não se sentia condicionado por isso.
Obviamente, era o que mais faltava, quer dizer que agora o líder saísse depois do desastre que deixou atrás dele, de deixar o partido em escombros, ainda por cima com uma declaração na noite eleitoral condicionar a ação daquilo que vem a seguir, que nem se sabe quem é, nem quando é, nem por aí fora. Portanto, era o que mais faltava. Eu atribuo essa declaração, das duas uma: ou não aprendeu nada com o resultado das eleições, Pedro Nuno Santos, ou então estava ainda de cabeça quente e aqueles momentos também emocionalmente não são fáceis, mas em frente. Mas eu queria também, no meio deste turbilhão todo, primeiro sublinhar duas coisas. A forma como as coisas em política mudam num dia, em poucas horas. Nós no sábado, na sexta-feira, final de campanha, o PS estava muito PS, estava convencido que a estratégia era certa, Pedro Nuno Santos era o líder carismático, que lhes faltava uma série de tempo, andava a suspirar por ele já ainda durante o tempo de António Costa e, portanto, isto ia correr bem, mesmo que não ganhassem as eleições. O PS estava aí para as curvas.
E sentiu na rua.
Sentiu na rua, tudo aquilo. Sim, era aquele sentir. E perante o resultado das eleições, o que se vê é que, de facto, o discurso já mudou. Pedro Nuno Santos é a história, neste momento, do PS, mas uma história parece longínqua, porque não é só a pessoa, mas tudo aquilo que ela defendeu ao longo e praticou durante este período e que era a marca dela, que é uma espécie de alfamachismo da política. Aquela política aditivada, cheia de força, e vamos a eles, e quem são eles, e nós e eles, e contra eles, e por aí fora. Que já vem detrás da história dos banqueiros que terem as pernas, de uma certa forma, deixar da política com um discurso um pouco belicista. Isso já acabou.
Mas quando ele foi mais genuíno, ficou 0.8 e quando tentou plastificar-
Absolutamente.
Quando alguém quer ser quem não é.
Como dizem os economistas, não foi ceteris paribus, isto é, não foi só isso que mudou, mudou muita coisa à volta, e isso também mudou. E queria agora olhar para duas coisas. Primeiro, aqueles que já mudaram. Eu, por exemplo, ontem espantei-me ao ouvir o discurso de Miguel Prata Roque nas cinco notícias. Parece que Miguel Prata Roque sempre esteve do outro lado, agora, portanto, ele próprio diz que pensava que Pedro Nuno Santos no início ia fazer assim e assado e afinal enganou-se, mas esteve até o fim alinhado. E, portanto, começa uma série de gente que estava ao lado de Pedro Nuno Santos a fazer o adiornamento do discurso, porque vem aí outro tempo As coisas já mudaram no PS e obviamente não querem perder a corrente, mas queria, por contraponto, tirar o chapéu a figuras como Sérgio Sousa Pinto, nunca vacilou, sempre soube em que sítio é que estava, mas também, por exemplo, Fernando Medina e José Luís Carneiro, não podem ser acusados de incoerência e de estarem hoje a defender uma coisa que não defenderam há um, dois, três meses, um ano, só porque entretanto os tempos mudaram.
E verdade seja dita, não andaram a semear obstáculos no caminho de Pedro Nuno Santos.
Não andaram. Aparentemente, por aquilo que sabemos, foram leais com a liderança.
Sim, o que sabemos, obviamente.
Claro, leais, mas também não houve notícias dessas coisas, saber se houvesse guerrinhas internas.
Era coisa a um renenzinho aqui e ali.
Isso é normal. Foram coerentes com aquilo que pensam, sem ser desleais ao líder Pedro Nuno Santos, e agora estão basicamente só a ser coerentes com aquilo que sempre foram.
Até deixa-me dizer uma coisa, Paulo, quando eles o pressionaram a tomar determinadas medidas, isso foi bom pra ele. O orçamento, etc. Porque se isso tivesse continuado por aí fora, ele provavelmente hoje ainda era líder.
Provavelmente.
Se não tivesse existido a questão da moção de confiança, ele não podia ter votado a moção de confiança. Tinha que ir para uma comissão parlamentar de inquérito, desgastar o Montenegro até ao ponto de que a alternativa podia ser ele. Ou o André Ventura, porque isto mudou tudo.
Mas queria sublinhar, de facto, isso. José Luís Carneiro, disponível mais uma vez, está a ser coerente. Ele sempre defendeu que a linha devia ser esta, a de viabilizar há um ano. Mas uma viabilização, obviamente, exigente. Ninguém espera que o PS vá assinar de cruz o que quer que seja em relação ao governo da AD, mas no fundo tem que fazer aquilo que o PSD em muitas ocasiões fez perante o governo dos minoritários do PS, nomeadamente na era Guterres. E Fernando Medina a mesma coisa. Ele sempre defendeu que o PS devia permitir que a AD governasse. Teve o bom senso e a lealdade também de não entrar nas listas de deputados, dizer: "Eu não quero entrar nesta bancada." Saltou fora e agora está aí. E portanto, isto em política às vezes também não é assim tão comum este tipo de atitudes leais, transparentes, honestas, entendíveis. E tiveram razão antes do tempo e agora o tempo, em tão curto espaço de tempo, foi lhes dar essa razão, Fernando Medina e José Luís Carneiro. Há vários, atenção, mas eu acho que estas são as figuras do PS que merecem a nota.
Quanto?
Olha, eu dou um 16 a ambos. Não é oito pra cada um. Seis pra cada um.
É 16 para cada. O que é certo é que há, Bruno, um Partido Socialista neste momento que é residual em alguns grupos, entre uma parte do eleitorado, queres destacar o eleitorado jovem.
Sim, o eleitorado jovem. A esquerda em geral deixou de conseguir atrair os jovens. Claro que há jovens que continuam a votar à esquerda, nos partidos à esquerda, mas de facto houve uma diminuição desse voto jovem à esquerda e aqueles partidos que eram tradicionalmente fortes junto do eleitorado jovem, como o Bloco de Esquerda quando apareceu, perderam essa força. Há várias explicações, eu não me queria deter tanto nas questões mais políticas, mais minuciosamente políticas, mas olhar quase mais pro ar do tempo. Por um lado, alguma esquerda desistiu de falar para os jovens. O PS, por exemplo, tem apostado claramente nos últimos anos, nos mais velhos, nos pensionistas, porque sobretudo depois da zanga entre pensionistas e a direita, o PSD, o PS percebeu que tinha ali um filão aparentemente inesgotável, um filão eleitoral, agora já não foi suficiente. Depois, a esquerda também tem alguma dificuldade, por exemplo, em comparação com o Chega, em dominar os meios através dos quais os jovens consomem informação. E eu finalmente queria deter-me na questão identitária. Não é só a falta de um horizonte econômico pra juventude, é também a falta de um horizonte e de um chão identitário. E em vez de nós termos um discurso agregador, que junta as pessoas, que anula as diferenças, temos à esquerda um discurso que exacerba essas diferenças. E o discurso dominante socialmente é de que, por exemplo, os rapazes, que são quem vota mais à direita, entre rapazes e raparigas, são eles que votam mais na direita e na extrema-direita, o discurso dominante é que os jovens têm de se aguentar. Estamos perante mudanças muito assinaláveis, muito significativas. Por exemplo, ao nível das qualificações, esta geração, as mulheres vão ter mais qualificações que os homens. Isto é uma mudança assinalável e o discurso que é tido normalmente é que os rapazes têm de se aguentar. Com isso, é a nova realidade. Ou seja, muitas vezes eles ficam pra trás e ainda lhes dizem que a culpa é deles e é lidar com isso. E o discurso ainda vai mais longe. É que por eles serem o que são, na sua identidade de rapazes, na sua identidade masculina, não prestam. Que o pior crime que existe é o da violência doméstica, é um crime como, por exemplo, o do homicídio, que é cometido majoritariamente por homens, que os homens são os culpados de todos os males do mundo. E quando se passa isso pra o nível nacional, o discurso é o mesmo. O povo português não tem qualidades. Vemos na questão da discussão cultural sobre se existe uma cultura portuguesa ou não. Existe quando é pro mal, quando não presta. O povo português não tem qualidades, é só culpa. Nós crescemos com a ideia, mesmo quem cresceu depois do 25 de abril, que os descobrimentos foram uma epopeia maravilhosa, que demos novos mundos ao mundo, essas coisas todas. Hoje, os miúdos que entram no YouTube pra ver youtubers brasileiros, crescem com a ideia de que os portugueses roubaram o ouro, que os portugueses escravizaram, que somos o pior que a humanidade tem pra dar. E depois, ainda em cima disso tudo, têm de ouvir dizer que temos de saber integrar, que as outras culturas devem ser respeitadas. Claro, isto cria um caldo cultural que depois resulta no que vimos no passado domingo. Uma coisa que eu nunca julguei ver, que era um partido, na noite das eleições Entoar um cântico de "Portugal é nosso". Esse é o resultado deste discurso, que não oferece uma alternativa, uma visão coletiva de identidade coletiva. Tudo o que é coletivo, tudo o que tem que ver com o país, com a nossa identidade, é criticado, é espezinhado. O resultado está aí. Depois tivemos, em alternativa, a líder de um partido que outrora foi um partido muito forte entre os jovens, aparecer na noite eleitoral com um lenço palestiniano. Com que país é que esta liderança está a tentar dialogar? Eu posso dizer qual é esse país. É o país da Universidade Nova, dos cursos de Ciências Sociais da Universidade Nova. Não é o resto do país, não é o país onde vivem muitos jovens, no interior do país, que são jovens que não têm qualificações, é verdade, que nem sequer vão à universidade. Muitos nem sequer chegam a concluir o secundário. Esse país está esquecido e os partidos à esquerda deixaram de conseguir comunicar e dialogar com esse país. E o resultado está aí. Quando não se oferece uma identidade, uma coesão que suplanta as diferenças, quando se insiste em cavar as diferenças, em falar para minorias e em exacerbar as diferenças, em vez de procurar esta identidade coletiva, o resultado é o que vimos na noite eleitoral de domingo.
Vais dar nota a quê?
Vou dar uma nota a esta incapacidade da esquerda de falar para estes jovens, deixando-os completamente à mercê de um discurso que pelo menos tem uma vantagem, é que oferece uma autoimagem positiva e é uma nota negativa para a esquerda, um 3.
Um 3. E o vencedor é... Regressa mais logo aqui na "Tarde Política" da Rádio Observador.