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Está no ar uma nova edição do "Jovens Soré" da Rádio Observador. Luís, hoje juntam-se a nós e ao José Manuel Fernandes, a Helena Matos, o Ricardo Conceição, que já aqui está conosco, e também o Miguel Santos Carrapatoso.
E as atenções viradas naturalmente pra cerimônia de tomada de posse do novo governo, marcada por ausências, avisos e desafios. Ricardo, sentiste falta de alguém?
Senti. E olha, vou já começar a distribuir notas. Um sete pra Pedro Nuno Santos, um sete para o PCP, um sete para o Bloco de Esquerda e um 12 pra Gonçalo da Câmara Pereira. Vamos por partes.
Vamos por partes.
Pedro Nuno Santos não esteve na ajuda, não foi à tomada de posse do governo, o PCP não foi de todo, o Bloco de Esquerda também não e o Livre fez-se representar pela número dois do partido. No ano em que celebramos 50 anos do 25 de Abril, já era tempo de acabarem com esta fantochada. Isto é uma fantochada, é um desrespeito pela democracia, é um desrespeito pelos eleitores. Estas pessoas têm de perceber que em democracia todos têm o seu valor. Portanto, todos têm de estar presentes nestes momentos, que são momentos solenes, são momentos institucionais. Ir à tomada de posse de um governo não é dizer amém a esse governo. E esta ausência tão notada é triste, sobretudo quando estamos nos 50 anos do 25 de Abril. E é também triste que o PSD e que a AD não tenham convidado o Gonçalo da Câmara Pereira, que segundo disse à Renascença, não foi sequer convidado pra ir à tomada de posse, o que demonstra que era completamente dispensável e terá sido uma jogada tática ou jurídica esta coisa de incluir o PPM pra manter o nome da AD, que também deu maus resultados com a ADN, como sabemos. E o Gonçalo da Câmara Pereira não foi porque não foi convidado. Aos casamentos e batizados já lá foram convidados. Portanto, um 12 pro Gonçalo da Câmara Pereira por ter revelado. Acho que fez bem ter dito que não foi convidado. Acho que faltou chá a esta gente toda.
José Manuel Fernandes, também notas a ausência, nomeadamente de Pedro Nuno Santos nesta cerimônia?
Eu noto, sobretudo, a ausência de Pedro Nuno Santos. Vamos lá ver. O Miguel Pinheiro falou há pouco da ausência do PCP.
O meu maior vilão.
O meu maior vilão, precisamente quando disse que o PCP não vai às tomadas de posse, porque aparentemente não gosta do resultado de eleições democráticas. Independentemente disso, a verdade é que isso é uma tradição. Mas também é uma tradição os líderes do maior partido da oposição, pelo menos aquele que se reivindica como maior partido da oposição, estarem nas tomadas de posse dos primeiros-ministros pra quem perderam eleições, seja em que circunstância for. E eu recordo que, por exemplo, Manuela Ferreira Leite esteve presente na tomada de posse do José Sócrates. Não se amavam um ao outro. Aliás, na altura, foi a única líder presente, porque os partidos à esquerda já tinham este hábito. Na altura, à tomada de posse, não foi nem Jerónimo de Sousa, nem Francisco Louçã. Enfim, há muitas tomadas de posse em que os líderes do maior partido da oposição eram ainda primeiros-ministros. Quando José Sócrates chegou ao poder, era Santana Lopes, quando Pedro Passos Coelho chegou ao poder, era José Sócrates ainda, e aí há quase que uma obrigação do primeiro-ministro cessante estar presente. Eu recordo, por exemplo, houve até uma tomada de posse famosa em que o primeiro-ministro cessante desmaiou. É Pina Cavaco Silva na tomada de posse de António Guterres. Agora, isto que Pedro Nuno Santos decidiu fazer é uma novidade. É uma novidade e eu não sei como é que é de interpretar, porque a essa novidade seguiu-se outra, que foi o silêncio do Partido Socialista, que não reagiu aos discursos. Quer dizer, houve alguns dirigentes soltos que disseram mais ou menos umas coisas.
Em programas de comentário.
Exatamente, em programas de comentário nas televisões, mas não houve uma posição oficial, até porque alguns desses dirigentes, como é o caso, por exemplo, do anterior secretário de Estado adjunto, não têm um cargo importante no Partido Socialista. Enfim, João Torres já é secretário-geral adjunto, portanto, já tem alguma responsabilidade, mas Alexandra Leitão, que representou Pedro Nuno Santos, pra já passou por uma coisa que não deixa de ser significativa. Os líderes partidários tinham, de acordo com o protocolo, um lugar mais destacado naquela sala do que os deputados, e Alexandra Leitão só lá podia estar na condição de deputada. Ela não é líder de nenhum partido e, portanto, ficou um pouco pra trás. E eu acho que esta atitude de Pedro Nuno Santos, eu repito, não sei bem como interpretá-la, se é uma atitude defensiva, no sentido de não ter que comentar o que ali fosse dito, se é um sinal de que de alguma forma não quer ter nada a ver com aquele governo, quer distanciar-se o mais possível e quer fazer coro com o resto das esquerdas. Não sei interpretar, mas acho que é um péssimo sinal, porque a democracia tem regras e tem praxes. E uma das praxes é quem perde as eleições, no caso concreto, pra todos os efeitos, o Partido Socialista perdeu as eleições, não deixa de estar presente no ato de posse de quem as ganha. E, portanto, isso foi isso que não aconteceu ontem e eu vou ser mais severo do que o Paulo, que deu apenas um sete. O Ricardo, perdão, que deu um sete. Eu vou descer pra um cinco à espera de explicações, porque se eu tivesse as explicações, se calhar ia diretamente pro quatro, mas assim vou pra um cinco.
Vamos agora aguardar por essas explicações. E Ricardo, houve esse também momento do discurso do Luís Montenegro em que Deixou avisos ao PS também, apesar do PS não estar presente, aproveitou para deixar esses avisos ao Partido Socialista.
E se calhar está ligado a esta ausência de Pedro Nuno Santos, que é, no fundo, o que Luís Montenegro veio dizer é que uma coisa é fazer uma oposição democrática, outra coisa é um bloqueio, que ele também chamou democrático. Ora, esta posição parece-me muito sensata. Acho que a única via é procurar um equilíbrio entre as duas grandes forças, PS e PSD, ou então o Governo vai mesmo cair. E há aqui uma diferença substancial entre o que é a oposição democrática e aquilo que é o bloqueio. O PS não tem de dar a mão ao PSD sempre, em tudo, não tem que dizer amém ao PSD sempre. Tem de ter uma posição responsável, tem de obviamente defender as suas ideias, os seus caminhos, dizer o que se acha bem, se acha mal, opor-se ou viabilizar quando acha que isso é benéfico para o país. O problema aqui é que esquecemo-nos daquilo que é o grande objetivo da política, que é apresentar propostas para melhorar a vida das pessoas, sejam as minhas, sejam as tuas, seja de quem for, para o bem comum. E eu acho que isso está a ser posto de lado e continua a ganhar palco e terreno, um encostar ao radicalismo, ao clubismo, ao meu clube contra o teu, e isso só beneficia o radicalismo, não beneficia o país nem beneficia os cidadãos. Por isso, eu dou um 14 a Luís Montenegro por esta mensagem, que eu acho que é importante, e vamos ver o que o Partido Socialista fará perante isto. Não é suposto o Partido Socialista votar tudo do PSD. Acho que não é isso que se está a dizer quando se pede uma oposição democrática, mas não queremos um bloqueio democrático, não queremos enquanto país, enquanto nação. Acho que isso seria um mau caminho e vai conduzir-nos a eleições.
Miguel Santos Carrapato, este é o principal desafio de Luís Montenegro, desta gestão?
É, e ficou evidente isso mesmo no discurso de tomada de posse. Acho que Luís Montenegro tem bem consciência de que tem dois muros, um muro à sua direita chamado Chega e um muro à sua esquerda chamado Partido Socialista. Ontem decidiu ir contra o muro, o muro chamado Partido Socialista, e tentar condicionar desde logo o início da legislatura, tentando amarrar Pedro Nuno Santos à aprovação do próximo orçamento de Estado. Quando Luís Montenegro diz que a aprovação, nem que seja a abstenção no programa do Governo, que vai ser apresentado dia 10, por parte de Pedro Nuno Santos significa desde logo o acordo tácito para que o PSD possa governar logo, para que possa aprovar o orçamento de Estado. Parece-me uma jogada inteligente. Acho que Luís Montenegro recuperou a iniciativa. Era a única coisa, ou é a única coisa que pode fazer neste momento. Recordo que Luís Montenegro esteve em silêncio desde que foi indigitado como primeiro-ministro, e mesmo nessa altura falou muito pouco. E portanto, ontem recuperou a iniciativa e tentou, desde logo, condicionar o Partido Socialista e obrigá-lo a tomar uma decisão. É a única hipótese que tem pela frente. Atendendo ao comportamento errático do Chega, parece-me que André Ventura não é um parceiro confiável, logo, não será um parceiro a ter em conta, pelo menos de forma séria, nas negociações de um eventual orçamento ou do futuro orçamento do Estado, melhor dizendo. E portanto, Luís Montenegro, bem, de forma inteligente, tentou condicionar Pedro Nuno Santos e o Partido Socialista. Há pouco, o Ricardo Conceição falava de ser uma decisão sensata a de Luís Montenegro. Não diria sensata, parece-me que é a única solução que Luís Montenegro tem, dramatizar desde já, para depois, eventualmente, fazer ou pôr-se no papel de vítima das tais forças de bloqueio que não o deixam governar. Acho que toda a gente já percebeu pelas declarações repetidas de Pedro Nuno Santos que o Partido Socialista não vai viabilizar o próximo orçamento de Estado. Enfim, até lá muita coisa pode mudar. Vai haver eleições europeias que são um importante barómetro. Na altura existirão sondagens que indicarão a saúde do Partido Socialista ou Partido Social-Democrata, melhor dizendo. Portanto, até lá muita coisa vai mudar, mas atendendo ao que são as declarações públicas de Pedro Nuno Santos, parece-me que foi Luís Montenegro já a preparar o discurso de campanha eleitoral. E outra nota, só mesmo para terminar, porque também é importante contextualizar o que pedimos a um e a outro partido. O Ricardo Conceição sugeria que o Partido Socialista está, de alguma forma, obrigado a negociar em nome do bem comum. Eu recordo que Luís Montenegro, ainda antes da campanha eleitoral, numa entrevista à CNN, conduzida pelo jornalista Anselmo Crespo, sugeriu que se o Partido Socialista ficasse em primeiro, o Partido Social-Democrata apresentaria uma moção de rejeição ao programa de Governo. Portanto, a ideia de que os jogos entre os dois partidos terminaram, bom, é do interesse de Luís Montenegro que tenham terminado, mas não se pode exigir uma coisa a um e não exigir outra coisa ao outro.
Temos que exigir a todos.
Temos que exigir a todos. Luís Montenegro, antes da campanha eleitoral, tinha uma opinião muito clara sobre o que fazia se ficasse em segundo. Depois é verdade que a omitiu durante toda a campanha eleitoral. E agora esperar que o Partido Socialista ceda por completo ao programa de governo de Luís Montenegro parece-me um ato de fé.
Mas acho que não é isso, Miguel, não é ceder por completo agora, é não colocar pontos que não lhe permitam recuo. Eu acho que estamos a avançar pra uma dose tal de radicalismo que depois o recuo se torna muito complicado. Já percebemos que em política tudo é possível. Mas é isso. Eu posso ser naïf
Mas eu preocupo-me com o bem comum.
Eu compreendo. Agora Luís Montenegro ao dizer que aprovar ou permitir que o programa de governo passe é o mesmo que tacitamente viabilizar um governo durante uma legislatura, sem um esforço de negociação aparente, parece-me uma dramatização tal que não vai deixar o ponto de recuo a Pedro Nuno Santos.
E que nota queres dar, Miguel?
Eu vou dar um 10, porque creio que Luís Montenegro foi inteligente ao recuperar a iniciativa, conseguiu condicionar Pedro Nuno Santos, que terá de dar uma resposta rapidamente. Mas é uma jogada arriscada, porque não deixou grande margem a Pedro Nuno Santos para salvar a face, porque o Partido Socialista também, como é normal em tudo, tem de ter ganhos de causa e ser confrontado com a decisão de aprovando ou permitindo que o programa de governo passe significa um salvo conduto para o resto da legislatura, parece-me que Luís Montenegro elevou demasiado a fasquia e que Pedro Nuno Santos não terá, se quiser sobreviver como líder do PS, naturalmente, não terá grande margem de manobra a não ser manter a decisão de chumbar o próximo orçamento de Estado.
E além de Luís Montenegro, também discursou Marcelo Rebelo de Sousa. Paulo, que notas é que ficam do discurso do presidente?
Olha, eu acho que o Marcelo foi a pessoa mais sensata, também só discursaram duas. De todos que tomaram a palavra ali naquela sala ontem, sensata neste sentido e sublinhando também aquilo que o Ricardo e o Miguel acabam de dizer de Luís Montenegro, houve ali um esticado de corda talvez demasiado forte, que pode ser tático, mas eu acho que Marcelo esteve no ponto certo, fez os alertas que devia ter feito, dramatizou onde devia dramatizar, porque a conjuntura que nós temos, nomeadamente internacional, não é a mais favorável. Ao virar da esquina pode haver mais um surto inflacionista, pode haver mais um abano na economia que não se está a prever, portanto o mundo está novamente perigoso. E Marcelo Rebelo de Sousa não só alertou para isso, isto é, para esta ideia que de repente se criou que como há um excedente orçamental, o país agora não tem restrição e portanto vamos gastar à tripa forra e há dinheiro pra toda a gente. Não é verdade. O excedente é de um ano só. No dia 1 de janeiro zeram-se contadores e não se sabe o que vai acontecer este ano, se continuamos em excedente ou se vamos voltar ao déficit. Portanto, isto é como o mês para as pessoas que ganham salários mensais. Cada mês zera-se contas, há despesas novas pra pagar e há receitas que chegam. E portanto fez muito bem o presidente em dizer que não há aqui varinhas mágicas e depois fez um alerta político sobre as condições em que este governo vai exercer a sua função, que é uma maioria escassíssima, isto é, não é absoluta, e portanto o número de deputados da coligação são mais oito, se não me engano, do que o PS, da coligação. Há aqui uma situação de quase empate no Parlamento. Há três blocos decisivos, o da AD, o do PS e o do Chega. E Marcelo Rebelo de Sousa quase um manual e deu aqui algumas dicas sobre como lidar com isto e portanto não vamos arranjar problemas, disse ele antes de mais, onde eles não existem. Questões de regime são pra entendimentos entre os dois partidos e depois o governo tem que ir, basicamente a sugestão dele é partindo os problemas grandes em problemas pequenos, isto é, os elefantes comem-se às postas, basicamente. É essa a ideia e há que dialogar e negociar. E há aqui um apelo muito grande do presidente para que o próprio governo consiga em sede parlamentar encontrar base de diálogo, base de apoio. Mas também deixou basicamente um recado. Ele disse que os eleitores escolheram em cada um dos hemisférios as posições moderadas e não radicais. Ou seja, basicamente tirar o Chega da equação, que é aquilo que está em causa neste momento. Noutra altura, no ciclo passado, era o Bloco de Esquerda e o PCP os radicais do hemisfério. E portanto eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa esteve bem, não disse apenas palavras de circunstância, como muitas vezes acontece neste tipo de cerimónias. Teve conteúdo, deixou os avisos necessários e depois obviamente que ele tinha que deixar aqui uma porta aberta. Quando ele pergunta: "Será uma missão impossível? Não creio." Porque o presidente da República não pode chegar ali e dizer quando dá a posse a um governo que vai ser uma missão impossível que este governo chegue ao fim. E portanto eu acho que Marcelo Rebelo de Sousa esteve bem, depois de muito momento em silêncio, não fosse aqueles off de fonte da presidência ao Expresso na véspera das eleições. E eu acho que este período eleitoral teria sido bem passado por Marcelo Rebelo de Sousa. Enfim, apesar disso, cá está um bom discurso com aquilo que devia ser dito.
Com que nota?
Eu acho que o Marcelo merece mais do que o 14 que Luís Montenegro recebeu aqui. Foi 14, Ricardo, correcto?
Foi.
Eu dou-lhe um 16 com este discurso, o que em direito é uma coisa simplesmente, um 20 quase.
Exatamente. Esta cerimónia decorreu, como é habitual, no Palácio Nacional da Ajuda. Helena Matos, o que nos queres falar sobre esse palácio?
Olha, a primeira coisa que eu quero falar é que aquele palácio começou por se chamar a Real Barraca. Porque após o tremor de terra de 1755, o nosso rei de então ganhou um pavor a viver em edifícios de pedra.
D. José I.
E portanto, percebeu adequado, obrigada, Ricardo. Percebeu adequado passar a viver em edifícios de madeira ou de tecido, e daí a Real Barraca. A questão é que o edifício de madeira ardeu. Passado alguns anos, não sei porque é que o nosso rei tinha mais medo de viver em edifícios de pedra do que em edifícios de madeira, que ele sabia certamente que ardiam. Mas a verdade é que o edifício teve uma vida muitíssimo atribulada. Foram vários séculos até chegarmos a esta forma. Depois, claro, resolveu construir-se o Palácio da Ajuda. Foi toda uma história de vários séculos e eu lembrei-me disso Da história atribulada deste palácio, ao vê-lo agora magnífico e ver como os nossos governantes e ex-governantes e figuras notáveis do país há toda aquela cerimónia, uma coisa que eu nunca consegui perceber e juro que me forcei muito por perceber. Até perguntei a quem esteve lá se António Costa tinha cumprimentado Lucília Gago, ninguém me soube responder, mas a verdade é que aquilo estava bem e estava composto. E portanto, também ao ler que o nosso ex-ministro da Saúde, Manuel Pizarro, anunciou que entre as coisas que tem para fazer agora, uma delas será tratar do passe, eu sugeria que ele visitasse aquilo que nós hoje podemos definir, não tanto como Real Barraca, mas como a proletária barraca, que é o terminal rodoviário de Lisboa, em Sete Rios. São umas instalações absolutamente deprimentes, onde se aglomeram todos à entrada e à saída, em primeira, segunda e terceira fila, porque é praticamente impossível em horas de maior afluxo entrar e sair desse terminal rodoviário de Sete Rios, porque é claro que dar um nome pomposo à Praça do Marechal Humberto Delgado foi fácil, mais difícil é tratá-la adequadamente. Mas creio que, e aí darei um conselho a Manuel Pizarro, nosso ex-ministro da Saúde, para que ao tratar do passe, ele perceberá, por exemplo, que se for à estação da Alameda, onde se pode fazer o passe na hora, das duas máquinas onde tal é possível, só funciona invariavelmente uma e com fortes cliques e sobressaltos. As filas costumam também ser grandes, porque depois a máquina reinicia, depois não se consegue. E há todo aqui todo um lado de vida real que escapa muitas vezes a quem esteve no poder. Acho muito meritório que o Manuel Pizarro vá tratar do seu passe. Use os transportes públicos, como sabem, é uma causa minha e portanto, por isso dou-lhe uma nota alta, dou-lhe 15. Daria mesmo 20 se ele conseguir tratar rapidamente do passe numa das tais máquinas raras que existem em algumas estações. Perceberá o ministro que para tratar do passe na máquina que está na estação da Alameda, tem de comprar bilhete, porque sem bilhete não chega à máquina, porque a máquina está dentro da estação.
Fascionante.
O que eu quero dizer com tudo isto é que em Portugal as coisas fazem-se-
Ainda dizem que este não é um país divertido.
As coisas fazem-se, mas se vão fazendo devagarinho. Mas apesar de tudo, temos que ter fé, porque ontem ao ver aquilo em que a Real Barraca se transformou, podemos dizer que 226 anos foi mais ou menos tempo para passarmos da Real Barraca a um estupendo palácio. Pode ser que estes sítios da barraca por onde andam-
Finalmente terminou a obra, também, Helena.
Sim, e nesse aspecto, como tudo-
Eu pensava que ias sugerir uma visita ao Tesouro Real.
Também, mas quer dizer, o Tesouro Real, acho tudo muito bem e vou dar-te um minuto ou dois para que possas tu sugerir.
Não, temos 30 segundos para duas notas, uma do Ricardo e outra do Miguel. Ricardo, não? Rapidamente.
É muito rápido. Eu não quero desiludir a Helena, mas eu estive lá no Palácio da Ajuda. Um, alagou, chovia lá dentro. A máquina de raio-X, presumo que fosse muito importante, não estava a funcionar e as casas de banho eram muito pouco frequentáveis, portanto, o Palácio da Ajuda se calhar ainda está-
Na Real Barraca.
Ainda é uma Real Barraca.
Sim.
E é com esta descrição que terminamos este "E o Vencedor é...". Estamos de regresso amanhã.