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Começa agora mais um Ivan Soré das manhãs 360, que também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais ou pelo site do Observador. E no rescaldo das eleições, hoje juntam-se a nós para pontuar os protagonistas da corrida a Belém, o José Manuel Fernandes e também o Miguel Pinheiro. Carla.
E não se fala de outra coisa das eleições presidenciais e daquela que foi a primeira volta de ontem. Bruno, tens muitos vencedores esta manhã?
Começo pelos derrotados. É olharmos para os votos que cada candidato conseguiu. São todos derrotados, menos Seguro e Ventura. O maior derrotado parece-me ser Luís Marques Mendes. Não há derrotas para mim, não há derrotas humilhantes em democracia, mas isto é o mais perto de uma derrota humilhante que se pode chegar, sobretudo tendo em conta o ponto de partida para estas eleições presidenciais. Marques Mendes tinha expectativas de passar à segunda volta, fosse em primeiro, fosse em segundo, e isso tudo mudou e o resultado que obtém está mesmo ali à beira de ser humilhante. Continuo a dizer, para mim não existem derrotas humilhantes em democracia. Quem se apresenta a votos tem essa coragem e tem esse mérito. Não falo em humilhações, mas é um resultado catastrófico para Luís Marques Mendes. Gouveia e Melo ontem enterrou a sua brevíssima carreira política. Agora pode estar a pensar, eventualmente, num movimento político, mas eu acho que acabou ontem. Em 2011, Fernando Nobre teve quase 600 mil votos. Manuel Alegre nessas eleições também teve 800 e tal mil votos. Para onde é que foram esses votos? Os votos nas presidenciais deixam de existir no dia seguinte às eleições. Portanto, a carreira política de Gouveia e Melo acabou. Cotrim também é um dos derrotados, Cotrim Figueiredo. Acabou por ficar mais perto de Gouveia e Melo e de Marques Mendes do que de André Ventura e de António José Seguro. Podemos dizer que em relação às primeiras expectativas, ao início da campanha, ficou acima daquilo que se antecipava.
Ficou acima do resultado da Iniciativa Liberal.
Claro, mas a certa altura era óbvio que ia ficar bastante acima, mais do que triplica os votos na Iniciativa Liberal, mas em função do que foi não só os debates, mas depois também a campanha até certo momento, havia a expectativa de que Cotrim Figueiredo conseguisse aproximar-se dos dois principais candidatos, Ventura e Seguro, e não conseguiu. E eu acho que houve muitos votos, aliás, creio que isso até foi mencionado ontem num dos canais de televisão, de última hora que foram de Cotrim para António José Seguro. Nenhuma sondagem dava 30% a António José Seguro. E António José Seguro conseguiu não só captar o voto dos indecisos, mas também daqueles que estavam a pensar votar em Cotrim e na última semana ou nos últimos dias optaram por votar em António José Seguro.
Aliás, Bruno, desculpa interromper-te. Os estudos à boca da urna mostram que Seguro, de facto, teve 17% do eleitorado da AD, o que só vem confirmar isso. E deixa-me só acrescentar sobre Cotrim, porque no começo da noite havia duas projeções que davam ainda um empate técnico entre Cotrim e Ventura. E só para não ficarem dúvidas e não se criarem lendas para o futuro, Cotrim está muito longe da segunda volta, como tu dizias com toda a razão. Não está lá perto.
Ficou mais perto de Gouveia e Melo do que de André Ventura.
Precisamente. Só para agora, de repente, não se começar a criar já um mito político de que foi por muito pouco, isto foi pouquíssimo, isto esteve quase lá. Não, não esteve quase lá.
E depois esteve mal também, quanto a mim, Cotrim Figueiredo ao responsabilizar Luís Montenegro. Já havia uma candidatura de centro-direita, que era a de Marques Mendes. Goste-se ou não da personagem e agora olhando retrospectivamente, dizer que foi um erro a aposta em Marques Mendes, a verdade é que essa candidatura existia, a de Cotrim Figueiredo aparece depois. E quando ele faz o apelo na semana passada com a carta a Luís Montenegro, eu disse na altura que era um apelo aos eleitores da AD. Pelos vistos, Cotrim Figueiredo estava mesmo a apelar ou estava na expectativa de que Luís Montenegro, no último dia de campanha, fosse tirar o tapete a Marques Mendes e endossar o seu apoio a Cotrim de Figueiredo. Ora, isso nunca ia acontecer, como é óbvio, nem fazia sentido que acontecesse.
Deixa-me só acrescentar a isso, e citando o grande pensador político António Filipe, com certeza, se todos desistissem, António Filipe era presidente da República. Com certeza. Cotrim chegaria à segunda volta se o outro candidato da direita tradicional, se Marques Mendes desistisse, claro, com certeza, se Marques Mendes desistisse.
E todos os votos de Marques Mendes fossem para Cotrim.
Fossem para Cotrim. Se Luís Montenegro se atirasse aos braços de Cotrim, se Passos Coelho apostasse o voto em Cotrim, se Jesus Cristo descesse à Terra, Cotrim passava à segunda volta. Com certeza que sim, claro.
E há outro facto que diz que esse apelo ao voto, ele fez um apelo a Montenegro, mas como eu disse aqui, o apelo era aos eleitores, e os eleitores da AD Responderam a esse apelo. Na sua maioria, votaram em Cotrim.
A maior fatia, segundo esses estudos, foi para Cotrim.
Foi para Cotrim, depois Marques Mendes.
Os votos serão votados em futuro também.
Mas a verdade é que isso surtiu efeito nessa perspectiva. Olhando para os vencedores, André Ventura já começou com a narrativa do socialismo e anti-socialismo, porque ele sabe que tem pouquíssimas hipóteses de ganhar as eleições, portanto, quer capitalizar politicamente, quer aproveitar o que puder pra sua luta política e começou a falar pra bolha política, a dizer: "Então o PSD e a IL o que é que fazem agora?" Ele não tem de falar para os partidos, fala para os portugueses.
Mas o PSD não era o pior do mundo com o PS há uma semana atrás?
Os votos estão aí, convença os portugueses. Ele passou o final da campanha a dizer que queria falar para os portugueses. Ele disse mesmo que se lixe Montenegro. Então fale para os portugueses. Os votos estão aí à espera de serem recolhidos. Não aponte baterias para PSD e IL. Aponte para os portugueses, convença os portugueses que é um candidato melhor do que António José Seguro. Obviamente que André Ventura não vai fazer isso. E da parte de António José Seguro, eu acho que ele só tem que continuar a fazer aquilo que fez. Não se deve identificar como o candidato do socialismo, nem da esquerda. Ele tem que apelar a um voto pela positiva. E quanto mais apelar a um voto pela positiva, mais votos vai ter do eleitorado que não teria grande motivação para votar nele. Quanto mais for associado a guerras, a guerra contra o extremismo, a guerra contra o fascismo, pior vai ser para Seguro, que tem praticamente a vitória assegurada na segunda volta. Portanto, eu acho que António José Seguro só tem que continuar a fazer aquilo que fez. Dispensa não só o apoio de socialistas que agora descobriram Seguro, mas também da esquerda. Ouvir António Filipe dizer que é um mal menor, que é um voto contra Ventura, isso é o pior serviço que se faz a António José Seguro. Ele não precisa disso, ele não precisa dos votos, que foram pouquíssimos, em António Filipe pra ganhar uma segunda volta. Basta continuar a fazer aquilo que fez e também dispensa o apoio, quer dos outros candidatos de centro-direita, quer dos partidos. Ele não precisa deste apoio.
Acha que está bem assim com esta estratégia? Notas para Ventura e Seguro?
As notas para Ventura e Seguro, ao Seguro dou um 18, a Ventura dou um 15.
Muito bem, vencedores mesmo. Miguel, estranhas o fato dos candidatos perdedores, Marques Mendes, Cotrim, Gouveia e Melo, não terem ontem dado nenhuma indicação de voto? Era expectável que o fizessem?
Eu diria que quem está numa posição de força não tem medo que os seus eleitores não o ouçam. E a mim dá-me a ideia que aqui existe esse medo, especialmente com Cotrim Figueiredo. Em relação a Cotrim de Figueiredo, a primeira conclusão é de que afinal ele sabia muito bem onde estava com a cabeça. Quando ele fez declarações a dizer que teria que pensar muito bem entre Ventura e Seguro, não sabia quem apoiar, quem não apoiar, e depois veio dizer que afinal pede imensa desculpa ter dito isto, eu não sabia onde é que estava com a cabeça. Sabia. Sabia que o que ele pensa realmente é isto. Portanto, mais uma vez, alguém da Iniciativa Liberal, no dia a seguir ao voto, vem com esta surpresa. Porque isto é a inversão completa daquilo que a Iniciativa Liberal sempre disse. Com Cotrim, sem Cotrim, mas com Cotrim, a Iniciativa Liberal sempre traçou mais linhas vermelhas do que o PSD. Sempre. Aliás, ainda nas eleições autárquicas, a Iniciativa Liberal foi muito dura com eleitos da IL que admitiam fazer acordos que incluíssem o Chega. Alguma coisa mudou. A mim não me surpreende muito, porque houve muitas pessoas da Iniciativa Liberal furibundas, porque no fotómetro do Observador queriam que Cotrim fosse mais progressista, aparecesse como mais progressista. Como é que é possível Cotrim, no eixo do fotómetro do Observador, não ser mais progressista? Pois não, não é mais progressista, como se vê. E portanto, Cotrim Figueiredo não diz nada, não tem nada a dizer aos eleitores que votaram nele em relação à segunda volta.
Miguel, deixa-me só acrescentar um ponto. Cotrim, mesmo assim, de todos os candidatos, claro, fora Ventura, é aquele que consegue ir buscar mais votos ao eleitorado do Chega. O eleitorado Chega é muito fiel, é muito fixo, 82% de quem votou no Chega votou agora em André Ventura. Cotrim é o que consegue o melhor resultado junto desse eleitorado, por alguma razão será e ele também percebeu isso. Portanto, tinha a cabeça no lugar quando fez aquelas declarações.
Com certeza que tinha. Gouveia e Melo começa esta sua nova fase política, porque ele diz que admite lançar um movimento, admite eventualmente até lançar um partido, e ontem disse que ia andar por aí, por outras palavras, disse que ia andar por aí, e começa esta nova fase da sua vida política como acabou a sua anterior fase da sua vida política, com indefinição. Ele diz que vai falar, mas não falou. Quer dizer, tem que pensar. Ainda tem que pensar no que vai fazer na segunda volta. E portanto, termos aqui líderes ou candidatos a líderes políticos que têm medo de liderar É uma coisa que me mete alguma impressão. Eu percebo, se calhar eles já entenderam que vão dizer às pessoas pra irem pra um lado e os seus eleitores, uma parte substancial, vão pro outro. Eu percebo esse receio de tornarem evidente que não lideram ninguém. Mas enfim, quem quer ser líder tem de correr riscos. Gostam tanto de citar Sá Carneiro, então que apliquem. E finalmente Marques Mendes. Marques Mendes vai reformar-se politicamente e ao não dar uma indicação de voto, está simplesmente a pagar o favor do apoio de Montenegro. Ele não quer criar uma situação difícil a Luís Montenegro, parece-me a mim.
Também já não é a guerra dele.
Sim.
Sim, mas depois das críticas que fez a Cotrim de Figueiredo na semana passada, a dizer que era preciso-
Sim, é verdade
...um posicionamento claro ontem. Eu percebo, mas que não estivesse com cabeça pra isso.
Claro. Mas acho que a grande diferença é: Marques Mendes não quer liderar ninguém, Gouveia e Melo e Cotrim querem. Marques Mendes não quer fazer nada amanhã, Cotrim e Gouveia e Melo querem. Só uma última nota, que não tem nada a ver com isto, mas já agora, pra ficar registrado: parece que as sondagens não estavam assim tão erradas.
Exatamente.
Pronto, só pra depois não virmos sempre com a mesma conversa.
Não, Miguel, vai haver pessoas que diriam: "Não, as sondagens é que fizeram o resultado."
Pronto, só pra não virmos com a conversa.
Já há pessoas a dizer isso.
Claro. A profecia autossatisfeita.
Já ouvi pessoas a dizer isso ontem.
Só temos é que nos decidir. E só mais um ponto sobre indicações de voto. O contraponto perfeito a Cotrim, Gouveia e Melo, Mendes está em outro campeonato, é o de Jorge Pinto. Porque na cabeça de Jorge Pinto não está em causa ele decidir quem apoia na segunda volta. Na cabeça de Jorge Pinto, só foi à segunda volta Seguro por causa dele, Jorge Pinto. Porque ontem Jorge Pinto, no discurso delirante, absolutamente delirante, que fez quando foram conhecidos os resultados, disse qualquer coisa do estilo: no debate a 11 tinha dito que Seguro não será presidente por ele, e ontem disse: "Será por mim que ele será presidente da República." Portanto, Jorge Pinto está mesmo convencido de que foi ele quem fez o candidato António José Seguro ir pra presidência da República.
É a formiga em cima do elefante.
Eu não paro de me surpreender com estes delírios.
Vamos às tuas notas, Miguel?
Eu dou um oito aos líderes políticos que não sabem liderar, fosse pra um lado ou pro outro. Eles agora poderiam dizer o que quisessem. Mas digam qualquer coisa. Não tem que ser de esquerda ou de direita, digam qualquer coisa.
Paulo, e ficam eleitores órfãos por causa disto?
Ainda por aí o eleitorado da AD à solta. É verdade, olhamos aqui para o que os estudos nos dizem, e a AD não se partiu em quatro de uma forma muito rigorosa, muito geométrica, mas tem aqui quatro boas fatias do eleitorado que se dividiram por quatro candidaturas. E curiosamente, Marques Mendes nem ficou com a maior. Marques Mendes não ficou com a maior fatia, foi João Cotrim de Figueiredo que levou a maior parte do eleitorado da AD. Talvez porque o próprio Marques Mendes não galvanizou o eleitorado do PSD, sobretudo o PSD. É possível. Mas também a questão da liderança reflete um pouco isso, de facto. Isto tem uma coisa boa, que os votos não são dos partidos, são de cada um dos eleitores. Isso em si é um princípio positivo, mas também acaba por revelar a insuficiência das lideranças partidárias, neste caso, da liderança à direita, da liderança da AD. Por isso é que André Ventura, que tem um faro pra isto muito apurado, já veio dizer que aí ele é o novo líder da direita. É evidente.
Mas Paulo, deixa-me só acrescentar: as quatro candidaturas em que se dividiu o eleitorado da AD foram Cotrim, Mendes, Seguro, Gouveia e Melo.
André Ventura e os sete residual.
Certo.
Não vês aí André Ventura?
Não vejo André Ventura. O que é curioso também, é uma lição que a própria liderança da direita, da AD deve tirar. Mais ainda, André Ventura vai buscar a mesma fatia de eleitorado AD que vai buscar ao PS. Que também há aí muita gente a dizer: "A AD atirou-se para o colo de Ventura e do Chega." Se se atirou a AD, também se atirou o PS. Lamento, são 7% que estão aqui da fatia de cada eleitorado, que votaram AD ou PS nas legislativas, que agora votaram Ventura. Depois, outro eleitorado que está desaparecido, e esse talvez de forma irreversível, é o da extrema-esquerda, e é preciso falar disso. Catarina Martins teve, ela por ela, os votos que o Bloco de Esquerda teve em maio, nas legislativas, mas nós sabemos que essa votação do Bloco já foi uma desgraça. O deputado único do Bloco vem dessa desgraça. E portanto, Catarina Martins não consegue ir além disso. António Filipe, dos mais midiáticos do PCP da CDU, teve metade da votação da CDU em maio. E Jorge Pinto é melhor não falarmos.
Ficou atrás de Manuel João Vieira.
Manuel João Vieira, mas bem atrás. Manuel João Vieira teve mais 50% dos votos que Jorge Pinto, 60 contra menos de 40.
Fazíamos contas ali na redação, os eleitores de Manuel João Vieira enchem o Estádio da Luz.
É isso mesmo, são 60 mil.
O Paulo sabia.
Estou aqui a olhar pros votos. Jorge Pinto enche um estádio mais pequeno, são 38 mil e poucos votos. O que significa que nas lideranças partidárias há muito trabalho a fazer, de facto, para orientar, se quisermos, ou para tentar ir buscar e cativar o eleitorado que está aí à solta. Eu, em relação ao da AD e da direita, não sei o que é que vai acontecer, se vai cair pra um lado ou pro outro. Acredito que a maior parte vá, na segunda volta, para Seguro. Aliás, vamos vendo alguns dirigentes e figuras do PSD a subir esse voto, e acredito que seja a opção da maioria.
Há algum tempo havia um não é não, não é?
Claro.
A tua nota, Paulo?
A minha nota vai a um seis para, neste caso, a liderança de Montenegro mesmo, porque não tem sabido, não está a saber, no fundo
Merecer aquilo que os eleitores lhe deram em maio.
José Manuel, o tema presidenciais vai estar no Contracorrente daqui a pouco. Que nota queres atribuir agora, aqui neste espaço?
Queria atribuir uma nota, sobretudo, a quem ontem resolveu culpar as sondagens ou dar sugestões sobre as sondagens. Estou a falar de António Filipe, que achou que o PCP é sempre vítima das sondagens, e Gouveia e Melo, também não gostou.
Sugeriu até que não fossem publicadas sondagens durante a campanha.
Exatamente. Sugeriu até que não fossem publicadas as sondagens na noite das eleições.
Mas eu até diria mais: se eu fosse Gouveia e Melo, não deviam ser publicadas sondagens, nem entrevistas, nem notícias. Nada. Ou seja, os candidatos não apareciam, ficavam calados, fazia-se uma estátua para cada um, e assim talvez Gouveia e Melo de fato tivesse conseguido ganhar. Mas só um ponto, Zé.
E camuflado. No caso da estátua dele, preferencialmente camuflado.
Podia-se fazer debates, mas só seriam transmitidos aqueles que lhe corressem bem.
Não, ou depois das eleições. Mas houve mais uma pessoa que se queixou das sondagens, eu até pus a box para trás, como se costuma dizer, que foi André Ventura, que falou na manipulação das sondagens. Eu fiquei: "O quê? Como assim? De onde é que isto veio?"
Sei, pai, eu estou atento ao que falou mais. Nem reparei nessa parte.
Não, foi logo a primeira. Disse obrigado, e depois disse: "Manipulação das sondagens". Eu fiquei: "Meu Deus, ele não pode estar a falar a sério."
As dele é que são boas.
Está bem. Quer dizer, no André Ventura percebe-se o que ele quer dizer. Todas as sondagens para a segunda volta não lhe dão qualquer chance.
Claro.
Portanto, ele quer já criar a ideia.
Mas Zé Manuel, há limites. As sondagens da primeira volta deram-no quase todas esse lugar.
Basicamente.
E em primeiro. Foram muitas que o puseram primeiro.
Se fizemos a média das sondagens, se fizéssemos a nossa média das sondagens, Ventura foi o que ficou mais ou menos no meio. Os outros não ficaram bem lá. Todos ficaram um bocado diferentes.
Ainda Seguro é que se podia queixar das sondagens, que nenhuma lhe deu 30 e tal por cento, 34%.
Não sei se se podia queixar das sondagens, porque se ele tivesse as sondagens com 30%, se calhar não tinha 30%. Porque havia uma porcentagem de pessoas que não foram votar.
Naquele sentido, nenhuma sondagem apontava para 30%.
Sim, mas não havia nenhuma sondagem também que apontasse que a passagem à segunda volta estivesse em risco.
Claro.
Portanto, as sondagens são um elemento importante e sobretudo aqueles que acharam que foram as sondagens as culpadas dos seus resultados, estiveram muito mal nos discursos que fizeram. E eu, para já, acho que devemos até pedir para termos mais informação, porque tudo quanto é sondagens ajuda as pessoas a decidir. E ontem, pelo resultado que tivemos, vimos que muitas pessoas decidiram em função daquilo que perceberam que era a utilidade do seu voto. Nós já não estamos no tempo em que somos como os adeptos de futebol. Vestimos uma vez uma camisolinha, aquela camisolinha que às vezes algumas famílias vestem aos filhos, mal eles nascem, vão inscrevê-los num clube e assim estão até o fim da vida. Não é assim, e ainda bem que não é assim. E não é assim só em Portugal, é assim em todo lado. Isto foi muito assim durante boa parte do século XX. Começou a deixar de ser assim há aqui umas décadas noutros países e agora também claramente já não é assim em Portugal. Há muito para descascar nestes resultados. O Bruno disse há pouco uma coisa que é rigorosamente verdade: a votação numa presidencial desfaz-se no dia seguinte. Muita gente que teve votações em presidenciais que não trouxe depois em nada. Ana Gomes não foi formar nenhum partido. Manel Alegre, como tu recordaste, desapareceu. Os candidatos independentes, Sampaio da Nova. O que é feito? Aquilo não tem valor particular.
São o momento.
Há algo de um pouco diferente nestas votações, que tem que ter leitura, mas é uma leitura um pouco mais complexa, que é a enorme volatilidade de voto, enorme transferência de voto nos meios urbanos entre a Iniciativa Liberal e a AD. Portanto, são eleitorados que praticamente é-lhes indiferente votar num ou votar noutro.
José Manuel, desenvolves isso no Contracorrente, essa ideia? Dá a tua nota só agora, estamos em cima da hora.
Tens razão.
Que nota dás?
Vou dar nota aos críticos das sondagens. Vou dar um quatro. Ninguém teve quatro nesta eleição.
Vai o teu som direto.
Vai um quatro para aqueles que acham que o povo deve estar desinformado.
E vamos ter uma nova edição de "E o Vencedor É?" ainda esta manhã.
Logo a seguir às notícias das 9:30. Vamos continuar a olhar para o resultado das eleições que colocam numa segunda volta António José Seguro e André Ventura. Conosco vão estar o António Costa e o Anselmo Crespo.