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Em dia de eleições presidenciais, também temos a edição de "Iuventus Domi", alargada ao longo desta hora das 10, com o Anselmo Crespo, diretor de novos conteúdos da TVI e CNN Portugal, e também o Nuno Gonçalo Poças, advogado e colunista do Observador. A condução deste "Iuventus Domi" é contigo, Carla Jorge Carvalho.

É uma versão alargada, sendo que tem várias limitações. Em primeiro lugar, o fato de estarmos ainda a falar de eleições com urnas abertas e, portanto, há muitas limitações na análise, mas também pelo fato de esperarmos que vários candidatos interrompam a vossa análise porque acabaram de votar. É o caso de António José Seguro, não faltará muito para o fazer. Fica já este aviso. Bem-vindos, Nuno e Anselmo. Anselmo, deixa eu começar por ti, para tentar perceber o quão diferente estas eleições e esta campanha terá sido em relação a outras. Estamos a passar um momento muito inédito?

Bom dia. Eu acho que sim, eu acho que é uma campanha e uma eleição muito diferente em várias dimensões, não apenas porque termina um ciclo de 10 anos e, portanto, objetivamente, não há uma reeleição. Desde logo, isso tornaria esta campanha diferente, mas há outros fatores que fazem com que ela seja diferente. Há um grande número de candidatos, o que também é normal, tendo em conta que não há um incumbente. Só que esse grande número de candidatos caracterizou-se por, numa primeira fase, não serem os candidatos aparentemente naturais, pelo menos aqueles que vêm das grandes famílias políticas, não eram os candidatos naturais para concorrer a este cargo, o que abriu espaço para candidatos de uma segunda linha, se quisermos dizer assim. Mas abriu espaço também para candidaturas que, em princípio, não teriam grande tração ou não teriam grande capacidade de agregação, poderem ter essa capacidade de agregação, porque se os candidatos vindos das grandes famílias políticas, PS, PSD, não são os candidatos naturais, isso depois abriu caminho para que candidaturas vindas de partidos com menos expressão eleitoral, vamos dizer assim, pudessem ganhar terreno e também pudessem aparecer os outliers, neste caso, Gouveia Melo, que objetivamente também beneficiou desse ecossistema e desse contexto. E depois a campanha em si foi uma campanha diferente pela negativa, eu já o disse várias vezes ao longo dos últimos 15 dias. Não consigo dizer se foi a pior de todas, a pior no sentido de campanha suja. Não é pelos ataques, porque os ataques fazem parte da política e fazem parte das campanhas eleitorais. Tem a ver com a natureza dos ataques, tem a ver com a forma como eles foram instrumentalizados para tentar criar percepções junto do eleitorado. E, portanto, essa é uma das curiosidades que eu acho que esta eleição vai ter, é perceber até que ponto é que o eleitorado se deixou influenciar ou não. Não é uma coisa exclusiva desta campanha presidencial. Nós temos vindo a assistir a isso nas legislativas também, nas últimas, não apenas nas do ano passado. Mas eu temo que isto seja uma forma de fazer política que veio para ficar, até porque eu acho que depois há todo um ecossistema social e cultural de redes sociais, do mundo em que vivemos, que é propício a que isto continue a ser alimentado.

Deixa-me trazer aqui também a questão das sondagens, porque há também muita gente a dizer que elas condicionaram muito, não só as campanhas, mas até o ânimo dos candidatos e a discussão à volta das ideias dos candidatos.

E é verdade que condicionaram. Agora, eu não sei qual é exatamente a alternativa a isso, a não ser discutir se queremos proibir as sondagens em altura de campanha eleitoral. Há países onde isso acontece. Eu sou daqueles que acha que é melhor as pessoas terem mais informação do que ter menos informação. Agora, é inegável que as campanhas, e sobretudo a tracking poll, que foi acompanhando os 15 dias da campanha, influenciou. Eu não sei se influenciou o eleitor. Que influenciou os candidatos, influenciou seguramente. E percebeu-se isso até mesmo antes da tracking poll. Durante os debates, houve mudanças de discurso ou adaptações de discurso de alguns candidatos, em função daquilo que diziam as sondagens. Não tanto quem é que estava à frente e quem é que estava atrás, mas quando os eleitores diziam: "Quer um presidente mais interventivo ou menos interventivo?" Bom, os eleitores diziam: "Queremos um presidente mais interventivo". E de repente tu vias no debate seguinte os candidatos a dizerem: "Mas eu sou mais interventivo do que tu". E aquilo já era uma consequência, já era uma resposta às sondagens, não apenas aquelas que são públicas, é importante dizer, as candidaturas têm sondagens próprias. Às vezes não são exatamente sondagens quantitativas, são qualitativas, fazem imensos focos grupo pra perceber como é que o eleitorado os percepciona comparativamente com os seus adversários, e isso naturalmente influencia. Agora, vamos dizer assim, vamos proibir as sondagens em altura de campanha eleitoral. Tá bem, mas os candidatos vão continuar a ser influenciados por aquelas sondagens que eles próprios vão encomendar pra eles. E, portanto, eu acho que nós já tivemos todo o tipo de experiências numa eleição como esta, em que o apelo ao voto útil desta vez surgiu muito mais cedo do que normalmente surge. Isso também aconteceu por causa daquilo que as sondagens iam apontando. E isso, objetivamente, condiciona de alguma forma o comportamento eleitoral.

Nuno Gonçalo Poças, por tudo isto, será que o dia de reflexão até ficou útil desta vez? As sondagens dizem que há um número de indecisos ainda enorme.

Imagino que sim. Ontem não vi notícias nenhumas, mas muitas pessoas com quem falei, todas elas estavam indecisas. Entre Cotrim de Figueiredo e Seguro, entre Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes, entre Cotrim de Figueiredo e Manuel João Vieira. Acho que por aí.

E há muita escolha.

Sim, também é verdade que há muita escolha, eu tenho quase o dia de reflexão como o dia mais estúpido da democracia portuguesa. Isso sobretudo neste contexto em que há voto antecipado, em que em muitos consulados se vota no próprio dia de reflexão. Houve muita gente que votou ontem fora do país. E este absurdo, até de nós aqui estarmos, sob pena da ameaça estatal de multas e contraordenações e coisas do gênero, porque não podemos arriscar qualquer coisa. Quando o país está espalhado de outdoor por todo lado.

Quando as pessoas estão nas redes sociais a debater política.

Exatamente. E as coisas estão lá publicadas. Hoje em dia já não faz mesmo sentido. E este ato eleitoral em concreto, com toda uma articulação de timings impostos pela lei, que não foram revistos, que não foram adaptados às novas realidades, com um boletim eleitoral com três candidatos que não o são. Parece-me tudo assim já um bocadinho datado ou fora da realidade. E essa é uma nota importante.

Vamos às outras notas daqui a pouco, Nuno, porque António José Seguro está prestes a falar depois de ter votado. O candidato votou nas Caldas da Rainha, onde vive, e neste momento está a falar e é com a ajuda da Sic Notícias que vamos ouvir essas declarações do candidato que se prepara para falar ao lado da mulher. Vamos a ver.

E como calculam, eu hoje votei com muita emoção e votei com muita esperança no futuro de Portugal. É isso que neste momento está a acontecer. Cada portuguesa e cada português estão a decidir o futuro do nosso país e eu acredito no bom senso dos portugueses.

Na secção de voto onde o senhor votou, a adesão ainda estava bastante baixa. Em 2021 também tivemos uma taxa de participação muito baixa, uma das piores de sempre, mas estávamos em contexto de pandemia. Receia que possa acontecer o mesmo?

Não, eu acredito que os portugueses se vão mobilizar e vão votar, porque cada um vai querer decidir e contribuir para o futuro do nosso país. E portanto, eu acredito no bom senso dos portugueses e também acredito que os portugueses não vão desperdiçar esta oportunidade para decidir, do seu ponto de vista, qual é o futuro do nosso país. Estou muito confiante que os portugueses vão participar.

Foi uma campanha esclarecedora?

Isso não vamos falar hoje. Eu acredito muito no bom senso dos portugueses e que eles saberão escolher o melhor futuro para todos.

Como é que será passado o seu dia? Onde é que vai acompanhar a noite eleitoral?

Neste momento quero ir ver o mar um bocadinho. Depois teremos um almoço em família, como sempre acontece, e depois preparar-me para a noite eleitoral, para aguardar os resultados com muita serenidade, com muita tranquilidade e com muita confiança. Aqui nas Caldas, exatamente. Portanto, vai ser um dia tranquilo e aproveitar este sol que está.

As pessoas não temem uma elevada abstenção?

Não. Quer dizer, eu espero que os portugueses vão votar. Esta é uma oportunidade para que cada português possa decidir o futuro do nosso país. É o futuro do nosso país que está a ser decidido. Eu tenho confiança, mas vamos esperar pelo resultado. Eu espero e faço esse apelo para que os portugueses venham votar e se mobilizem para que não deixem ser outros a escolher por eles próprios. Portanto, o voto de cada português conta. Estamos a decidir o futuro do nosso país, mas eu estou muito confiante na participação. Está bem? Muito obrigado pela vossa presença. E um bom domingo.

António José Seguro a falar muito confiante, rouco também e com a indicação de que agora vai ver o mar. Não haverá aqui nenhuma referência sub-reptícia a ninguém e depois vai ficar com a família. Ora, Nuno, temos um dia de reflexão que consideras anacrônico e temos também outra particularidade hoje, que são boletins de voto com nomes de não candidatos. Isso também não deixa de ser muito estranho.

Não, é por princípio. Também não vamos ter indicação desses dados, porque qualquer voto que seja colocado no nome daquelas candidaturas será considerado um voto nulo. Portanto, não vamos saber quantos deles é que foram nulos, porque foram nulos ou porque foram erradamente colocados. Mas também tenho aqui uma visão um bocadinho otimista. Eu acho que a maioria das pessoas que vai votar sabe que aquelas pessoas não são candidatas e, portanto, à partida, não será uma coisa esmagadora. Estou-me a lembrar daqueles resultados das legislativas em que houve aquela votação massiva no ADN. E acho que ficou mais ou menos claro que muita gente se tinha enganado. Acho que desta vez, ainda por cima, é uma coisa muito pessoal, estão lá as fotografias das pessoas, mesmo que as pessoas não saibam, por exemplo, que há um candidato que é conhecido pelo segundo nome, mas afinal o primeiro. Eu só descobri hoje, vi alguém com uma fotografia do boletim de voto e descobri que o Jorge Pinto se chama Eduardo Jorge Pinto. Mas acho que as pessoas sabem, é quase generalizado que as pessoas têm mais ou menos ideia do que é que vão fazer e não haverá um problema. Mas como princípio, eu acho errado. E não acho aceitável que as instituições e que os órgãos administrativos não tenham este mínimo de cuidado. Ou seja, que o próprio sistema não esteja montado de forma a acautelar esse tipo de problema. Todas estas coisas têm que ser revistas.

Porque nunca aconteceu. A estranheza é porque nunca aconteceu.

Pois, mas as coisas acontecem. O legislador serve para isso. As pessoas que são candidatas hoje, muitas delas já foram.

Aconteceu nas autárquicas, no Porto

Houve boletins de voto no Porto das autárquicas que foram com candidaturas que não tinham sido acertadas.

Sim, tens razão. Não me recordava.

Também já não me lembrava.

O que significa que nós somos ótimos a aprender lições e a corrigir.

A aprender com as lições. Tens razão, não me recordava. É verdade que aconteceu.

Só uma nota. Eu também acho que, em princípio, está lá a fotografia.

O Manuel Gilvan está sem chapéu.

Há uma coisa que nós não podemos ignorar, que é: há uma parte do país que não está dentro da bolha como nós estamos e que não consome informação como nós consumimos. Temos todo o tipo de eleitores, todas as idades. O que eu achei: tudo aquilo que possa retirar entropias do processo democrático, tudo aquilo que possa facilitar, simplificar. Nós estamos sempre a queixar-nos da subida da abstenção, do desinteresse. E depois se o próprio Estado, que cria mais uma entropia, pequena ou grande que seja, ainda por cima com uma coisa logística. É que é logístico. Nós começamos a discutir isto há um mês. Não dá para mandar fazer novos boletins. Ontem lá percebi que, afinal, numa segunda volta, em princípio, já conseguimos ter um boletim só com dois nomes.

Para os emigrantes, porque se colocou em dúvida.

Talvez, porque em alguns consulados, se não chegar lá a tempo, ainda podem ter que usar os boletins anteriores. Se isto é o estado das vacas voadoras, dos simplex, andamos há 20, 25, 30 anos a falar de simplex e de como temos que dar o salto, todos os governos, este governo em concreto, nem sequer estou a dizer que isto é responsabilidade deste governo, mas este governo também tem ministro para a reforma administrativa, para a reforma do Estado, não conseguem imprimir boletins de voto?

Nós estamos a votar como nas eleições de 86, que foi há 40 anos.

Uma pessoa vai ao telemóvel, faz uma encomenda, tem a encomenda no dia seguinte e o Estado não consegue meter boletins de voto nos consulados? Não faz sentido.

Há aqui uma barreira muito grande da abstenção, com níveis históricos em 2021, na reeleição, portanto há cinco anos, na reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. É líquido para vocês que desta vez a abstenção não vai ter estes níveis?

Líquido, para mim já nada é líquido. Em princípio, a abstenção devia cair.

Se me perguntarem tudo amanhã...

Saberás responder com toda a segurança.

Não tenho aquele grau de preocupação. As mesmas reações relativamente à abstenção já foram mais ou menos para todos os gostos. Durante muito tempo toda a gente se queixava do aumento da abstenção. Normalmente, é aquele discurso que se faz entre as 18h e as 19h, ou entre as 19h e as 20h. Até saírem os primeiros resultados.

Não podemos dizer mais nada.

Sim, depois também já houve eleições em que a abstenção descia, mas depois os resultados não correspondiam particularmente àquilo que mais se desejava e, portanto, afinal a diminuição da abstenção também não era grande coisa e afinal as pessoas até podiam deixá-la estar. A abstenção é o que é.

É um sinal também.

Sim, pode ser um indicador. Acho que há aqui muita expectativa de perceber se boa parte desta indecisão que se vai sentindo, que é certa, que as sondagens também refletiam, se se vai traduzir numa escolha eleitoral e se essa escolha eleitoral até não passará pela própria abstenção ou pelo aumento dos votos nulos, ou dos votos brancos, ou qualquer coisa assim.

É difícil. As últimas eleições presidenciais tiveram uma taxa de abstenção de 60,8. É difícil.

O contexto foi muito próprio também.

O contexto era muito próprio. Era uma reeleição, era a pandemia. Era a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo Rebelo de Sousa ainda estava com taxas de aprovação altíssimas na altura e, portanto, era uma eleição sem história, vamos dizer assim. Seria inimaginável pensar que a taxa de abstenção nestas presidenciais seria igual ou superior à das últimas presidenciais. Portanto, eu diria que ela vai cair. Aliás, se olharmos para a evolução desde 75 ou 76, é sempre isso que acontece, que na primeira votação, quando não há um incumbente, a abstenção diminui, depois sobe outra vez, depois diminui, depois sobe. Mas agora a tendência ao longo dos anos, historicamente, durante os anos de democracia, é de que ela foi sempre subindo. Mesmo nos anos em que cai, ela foi sempre subindo. O que eu acho é que aqui, numa eleição com tantos candidatos, uma elevada taxa de abstenção necessariamente vai beneficiar algumas candidaturas e uma baixa taxa de abstenção vai prejudicar outras.

E não deixa de ser um mau sinal, nesse sentido, que com tanta oferta não ser capaz de escolher um.

E muita oferta à direita e à esquerda, independentemente do espaço ideológico em que nos posicionamos.

E ao centro.

E ao centro. Ao centro, então, está sobrepovoado.

De acordo com os mais recentes estudos de mercado. Ainda tentando perceber o nível de interesse que estas eleições suscitaram, podemos ter alguns sinais que passam pelo número de debates que tivemos, que passam pelas horas de discussão nas televisões, nas rádios, já agora, e pela repetição de atos eleitorais. No ano passado tivemos vários. Pode haver uma fadiga eleitoral ou estas eleições são de facto diferentes para os eleitores, que mobilizam e há uma relação diferente com os candidatos do que há com partidos?

Eu acho que houve duas coisas: uma fadiga eleitoral, porque estas presidenciais começaram um ano antes. Eu comecei a comentar e, sobretudo, a fazer programas de política sobre presidenciais em dezembro do ano passado.

Com cenários de candidatos.

Com cenários de candidatos e até com os próprios partidos a terem que reagir a cenários de candidatos. Vai apoiar este, vai apoiar aquele.

E a palavras mais ou menos enigmáticas de potenciais candidatos.

De potenciais candidatos e, portanto, houve aqui uma dança que começou demasiado cedo, mas depois há um outro fator que eu acho interessante destas presidenciais, que é Nós tivemos muitas candidaturas, estamos a debater isto há mais de um ano. Dir-se-ia que as pessoas têm informação que chegue para escolher, mas todos os sinais que nós temos é que as pessoas, um ano depois, estão mais confusas do que nunca relativamente à escolha que querem fazer para estas presidenciais. Pelo menos foi isso que as sondagens nos foram mostrando. As sondagens foram evoluindo, de alguma maneira, mas houve sempre uma divisão muito grande entre quem é que podia estar mais bem posicionado, não é sequer para ser presidente da República, é para ir à segunda volta. Não só o facto de estarmos a discutir uma segunda volta é sintomático de que o país está muito dividido sobre as candidaturas que tem à frente, como mesmo a discussão de quem vai à segunda volta é uma discussão muito dividida entre o eleitorado. E eu acho que isso também diz muito dos candidatos e da campanha que fizeram.

Por isso é que o resultado destas eleições é importante, para além de quem ganhe e até para além de quem passa à segunda volta, embora isso conte. Mas esse alinhamento final, a tabela classificativa vai ser importante até posteriormente. A partir de logo à noite, nós vamos começar a discutir toda uma série de coisas, mais do que quem será o próximo presidente da República. Há aqui todo um realinhamento das grandes placas tectônicas à esquerda e à direita, porque há uma grande disputa nesse sentido, perceber quem é que será o líder factual da direita daqui em diante. E há bastantes interessados nisso.

Nuno, já vamos continuar e desenvolver essa ideia, mas António Filipe já está a falar aos jornalistas. Vamos ao encontro do Martim, que está com o candidato.

Depois, mais tarde, vou começar a acompanhar a evolução do processo eleitoral e aguardar pelos resultados para depois me pronunciar.

Portanto, tranquilo, parece-me.

Completamente tranquilo. Tanto como estava ontem e como estarei amanhã.

Que apelo é que se pode fazer neste dia de eleições aos portugueses?

Neste dia não se deve fazer apelo ao voto, mas deve-se desejar, naturalmente, que os portugueses participem e honrem este direito. Votar em liberdade foi um direito que custou muito a conquistar, muitas gerações lutaram por isso, para que possamos ter o direito de escolha e, portanto, votar em consciência, convicção, em liberdade. E eu acho que todos devemos honrar esse direito.

Obrigada. Muito obrigada.

Carla aqui, António Filipe, a deixar aqui este apelo de que não se deve apelar ao voto, mas desejar que toda a gente cumpra este direito democrático, que é votar nestas eleições presidenciais, também como votar noutras eleições quaisquer, mas especificamente nestas eleições presidenciais. António Filipe aqui a deixar este apelo, a dizer que é um direito que foi conquistado há 50 anos e que é merecido, e que por ter conquistado esse direito há tanto tempo, acha que as pessoas devem mesmo vir cá votar e também não deixa qualquer prospecção do que pode acontecer nestas eleições, apenas a deixar este apelo de que as pessoas devem vir votar, independentemente de alguma preferência.

Claro, muito cuidado com as palavras nesta altura por parte de António Filipe, como é normal. O Martim Madeira acompanhou o momento da votação do candidato, que votou em Loures, numa altura em que as imagens das televisões já nos mostram o primeiro-ministro Luís Montenegro na fila também para votar nestas presidenciais. Luís Montenegro a votar em Espinho, terra natal, local onde tem a residência. Retomamos a conversa com os nossos vencedores desta manhã, com o Nuno Gonçalves Passos, que estava a falar das várias leituras que se vão fazer mais logo à noite ou amanhã de manhã, nesta perspectiva de que estas eleições, como um candidato chegou a dizer, são uma espécie de segunda volta das legislativas. Vamos ter muita leitura político-partidária, naturalmente.

Isso acho que é inevitável, mas eu discordo dessa ideia da segunda volta das legislativas. Acho que estas presidenciais são uma primeira volta das próximas legislativas. É mais isso.

Já passamos a fase das últimas legislativas.

Podem ser, podem não ser. Vai depender muito desse resultado. Mas eu acho que aquilo que mais ou menos se vislumbra no horizonte, sob pena de podermos estar aqui todos errados, essa disputa é muito grande e o governo também tem aqui um dia que pode ser um dia feliz, mas também pode ser um dia bastante complicado, em função do resultado que tiver Luís Marques Mendes. E do resultado que André Ventura tiver. Ou seja, aquilo que nós estamos aqui a discutir não é propriamente a lógica dos candidatos, é o líder de um partido com assento parlamentar, que é neste momento o segundo maior partido com representação. Estas eleições servem quase como uma espécie de novo xeque. Xeque com X, do xadrez. E essa disputa é uma disputa interessante porque também está, de facto, em causa aqui nestas eleições. E há muita leitura que se pode tirar por um lado ou por outro, em função depois dos resultados que vierem a ser obtidos.

Até porque o candidato é um líder partidário e faz logo a diferença.

Isso faz muita diferença na análise.

Vamos ouvir Catarina Martins, também candidata, a única mulher candidata à Presidência da República, que também já votou.

Fala agora aos jornalistas.

Está a falar, é isso mesmo. Vamos acompanhar pelas televisões.

...que as mulheres conquistaram o direito ao voto universal. Este é um dia muito importante. A primeira mulher que se candidatou à Presidência da República foi em 1985

Muitas dificuldades aqui nesta ligação. Catarina Martins, que começou precisamente por destacar o fato de ser ela a única mulher candidata nestas eleições. Sabemos também que na história do país nunca houve uma presidente da República mulher. Ela tenta entrar na história também neste sentido. Vamos tentar ouvi-la, se houver as condições técnicas para isso. Parece que sim, agora.

Que faria hoje anos, aliás, é um dia em que a assinalamos. É um dia que é muito importante ir votar. E sim, é um dia que deve ser de celebração, de celebração dos direitos de toda a gente, dos direitos de toda a gente a participar da democracia e a escolher como é que quer que seja o futuro de Portugal.

Os números das últimas presidenciais, em termos de abstenção, foram grandes, mais de 60%. Foi também um ano de pandemia. Acredita que esta tendência pode ser invertida nesta votação de hoje?

Espero que hoje as pessoas venham votar. É mesmo muito importante podermos escolher, escolhermos com convicção, votarmos naquilo em que acreditamos, pensarmos como é que queremos que seja o país, darmos força a um Portugal que seja melhor, que possa ter um futuro melhor para toda a gente.

Obrigada. Catarina Martins votou. Agora vai naturalmente descansar e aguardar pelos resultados destas eleições presidenciais. Anselmo Crespo, estamos aqui a falar das leituras políticas que estas eleições têm sempre, às vezes com algum... Se calhar eu não te vou fazer nenhuma pergunta, porque Luís Montenegro também já está a postos para falar aos jornalistas, depois de ter estado na fila em Espinho. Agora vai conversando ainda com algumas pessoas que estão já no exterior da escola. Vai sendo acompanhado pelo batalhão habitual de jornalistas que o acompanha, e agora o que faz é sair daquela zona mais próxima do local de voto, onde estão os eleitores, para que possa falar mais livremente, desimpedindo também a entrada desta escola e dando espaço ao normal funcionamento deste dia de votação. Luís Montenegro, primeiro-ministro, presidente do PSD, aguardando que todos os jornalistas estejam a postos para entrar em direto. Está acompanhado pela mulher e já se fazem perguntas. É através da CNN que vamos ouvir as declarações do primeiro-ministro e presidente do PSD.

Tenho uma expectativa positiva acerca disso. Creio que esta é uma eleição altamente disputada, com muitos candidatos e com um interesse, eu diria, acrescido face às anteriores relativamente aos resultados e à imprevisibilidade desses mesmos resultados. Portanto, é natural que possa haver também maior atrativo para que haja uma grande participação. E é importante que haja, porque esta é uma decisão soberana dos portugueses, que não devem delegar essa possibilidade de escolherem o mais alto magistrado da nação, aquele que é, no nosso sistema político, um elemento-chave do equilíbrio dos poderes, da coesão social, nacional, para enfrentarmos, neste caso, cinco anos, que serão seguramente muito desafiantes, quer do ponto de vista interno, prosseguindo um caminho de afirmação do país, de recuperação e de consolidação da sua situação econômica e financeira, que possa propiciar melhores condições de vida, melhores salários às pessoas, mas também no plano externo, no contexto europeu e internacional, onde a palavra de Portugal é cada vez mais importante e relevante, visto que o mundo vive muitos conflitos, muitas tensões. E Portugal é um país com quase nove séculos de história, com muitos pergaminhos no que diz respeito à aproximação de povos, de culturas. E portanto, temos também aí um papel importante. E o nosso mais alto magistrado da nação, não sendo nesse contexto detentor da condução da política externa, ainda é sim um elemento preponderante da nossa identidade, da nossa afirmação no mundo. Tem sido assim ao longo dos anos e espera-se que seja também um dos pilares do exercício da função nos próximos anos.

Que equilibrado, que equilíbrio espera do próximo chefe de Estado?

Eu não vou estar a criar aqui um conceito de presidente que possa estar a ser interpretado como uma posição de preferência face às candidaturas que estão hoje em julgamento na escolha soberana dos portugueses. O que digo, e é, creio eu, muito consensual na sociedade portuguesa, é que a Presidência da República e o Presidente da República são elemento-chave do equilíbrio social do país, do equilíbrio político, da capacidade de entendimento, de criação de consensos, e são também um elemento-chave da participação de Portugal no mundo, da aproximação de Portugal às suas comunidades espalhadas por todo o mundo, da aproximação de Portugal aos outros povos, aos outros países, num tempo onde os conflitos de natureza política, de natureza econômica, são muito impactantes e, portanto, é uma escolha que diz muito àquilo que podem ser os próximos anos de Portugal, de afirmação das condições de vida dos portugueses e, portanto, os portugueses farão o seu julgamento, o seu juízo e escolherão aquele que, na sua perspectiva, pode precisamente assegurar o reforço da coesão social e econômica do país e o reforço da sua capacidade de intervenção no plano interno e externo.

Mas acha que a campanha foi esclarecedora para os portugueses?

Quando chegamos ao fim de uma campanha eleitoral, há sempre uma sensação de que se podia esclarecer mais isto, mais aquilo. A verdade é que a campanha foi longa. Não foi por falta de oportunidades que os candidatos não conseguiram afirmar as suas ideias e a forma como tencionam exercer esta função e as competências que a Constituição atribui ao Presidente da República. Eu diria que os portugueses têm todos os elementos para decidir e, desse ponto de vista, a democracia portuguesa é uma democracia muito saudável. Não é perfeita, como nenhuma é, não é isenta de problemas, mas é uma democracia que funciona. É uma democracia que, apesar dessas imperfeições, consegue ser esclarecedora nas campanhas, consegue ser tranquila, como espero que seja o dia de hoje, na tomada de decisão, e consegue também ser tolerante no respeito entre candidatos e no respeito do povo perante as escolhas, porque nem todos vão escolher o mesmo, mas nós sabemos que os portugueses são respeitadores da decisão majoritária, que é aquela que no fim vai prevalecer.

Até porque a escolha de hoje pode não ser definitiva.

É verdade, se atendermos àquilo que são as perspectivas que estudos de opinião nos foram dizendo ao longo do tempo e também à quantidade de candidatos, e à qualidade dos candidatos, e por aí fora, não vale a pena estar a ignorar. Isso já é uma consideração que eu acho que posso fazer sem ferir nenhum tipo de apreciação daquilo que está hoje em causa na tranquilidade da escolha dos portugueses, mas provavelmente vamos encontrar-nos, mais ou menos por esta altura, daqui a três semanas, numa segunda volta, mas isso só logo à noite é que vamos saber.

Já agora, deixe-me perguntar onde é que vai estar. Pergunto-lhe, o próximo Presidente da República é uma pessoa muito importante naquilo que é o futuro de Portugal, uma pessoa com quem pensa que vai poder dialogar?

Com certeza. Como disse, olhamos para a Presidência da República e para o seu protagonista como alguém capaz de construir elementos de coesão, elementos de aproximação, elementos de motivação do país, do ponto de vista social, do ponto de vista territorial, do ponto de vista político e económico. E, portanto, obviamente que esta não é uma escolha indiferente ao futuro do país, também não é uma escolha indiferente ao funcionamento dos outros órgãos de soberania. No meu caso particular, exercendo eu também uma função soberana, aquilo que é expectável é que as coisas funcionem como funcionaram até aqui, com uma coexistência, coabitação de poderes, que é a consagração do espírito constitucional e também de um equilíbrio e de uma interdependência que também estão presentes nas nossas regras constitucionais. E, portanto, isso é tranquilo.

Sobre o cenário internacional, Portugal tem uma posição definida em relação a esta ameaça de mais tarifas em relação à Europa?

Nós temos acompanhado esse tema de forma permanente, mas eu agora não falarei mais nada para não desfocar a atenção hoje dos portugueses naquilo que é a sua decisão soberana de escolher o próximo presidente da República.

Deixe-me perguntar onde é que vai estar durante o dia de hoje, onde é que vai acompanhar depois a noite eleitoral?

Vou estar por cá e ao final do dia estarei em Lisboa. Obrigado.

Graça, o Luís Montenegro não quis falar sobre esta ameaça, por parte de Donald Trump, de tarifas para países europeus, a dizer que a democracia em Portugal funciona, os portugueses estão esclarecidos, e a chamar a atenção também para a importância do papel do Presidente da República, um elemento-chave no equilíbrio dos poderes e que terá cinco anos muito desafiantes. Anselmo Crespo, era nesse sentido até que te queria ouvir. O próximo presidente vai ter, de facto, tarefas muito complicadas ou vai viver um ambiente excepcionalmente difícil. Esta questão agora que Trump suscitou este fim de semana é mais um desafio para a União Europeia.

Sim, e só para concluir aqui uma coisa que o Nuno estava a dizer, eu acho que na verdade estas eleições, de facto, podem ser uma espécie de primeira de três voltas. E, portanto, não é nada irrelevante os resultados, as percentagens, as distâncias, independentemente de depois quem for eleito Presidente da República. E quem for eleito Presidente da República, claro, nós não vamos fazer futurologia, mas há aqui uma série de indicadores que nós temos, desde logo Donald Trump na Casa Branca e tudo aquilo que tem acontecido nos últimos tempos, a fragilidade da Europa e da União Europeia em concreto, em lidar não apenas com Donald Trump, mas em sequer chegar a um consenso sobre qualquer coisa. E em cima disso tudo, a economia é mesmo assim, mas há objetivamente uma ameaça de que o ciclo económico se possa inverter algures durante os próximos anos. Quer dizer, não estou a dizer que é em 2026, 2027, mas tendo em conta a euforia.

O Montenegro falou muito agora nas questões económicas.

Tendo em conta a euforia que houve, a festa que foi estes últimos anos, não apenas em Portugal, mas sobretudo em Portugal, que teve de facto um comportamento económico até acima da média da União Europeia. Quer dizer, nós sabemos que a economia é cíclica e sabemos também que há aqui fatores externos que nos tornam vulneráveis. Felizmente, nós estamos hoje numa posição melhor do que estávamos, por exemplo, em 2009, 2010, 2011 Do ponto de vista de contas públicas, mas não passamos a ser uma economia supercompetitiva. Portanto, há aqui um conjunto de desafios que seriam difíceis de enfrentar em qualquer circunstância, mais ainda quando politicamente nós somos um país cada vez mais fragmentado, cada vez mais dividido, cada vez mais polarizado, com uma indefinição cada vez maior. Portanto, o papel do próximo presidente da República, dentro daquilo que a Constituição lhe atribui, ganha uma relevância acrescida, porque se o próximo presidente da República não conseguir dar-se ao respeito e ser respeitado, então nenhum dos poderes que ele tem lhe servirá de grande coisa, porque objetivamente a tão famosa magistratura de influência, que é um dos grandes poderes do Presidente da República, não servirá de nada se os outros atores políticos e o resto das instituições democráticas não o levarem a sério. Isso era um pouquinho o problema que Marcelo tinha, sobretudo na segunda metade do mandato, que era já ninguém levava propriamente muito a sério o que Marcelo Rebelo de Sousa dizia, nem o governo. Eu acho que nesta fase final, já nem as pessoas, e isso é muito relevante que o próximo presidente da República possa ter, que seja alguém que seja respeitado e que todas as instituições tenham consciência de que quando ele fala, ele é ouvido. E eu não tenho a certeza que isso vá acontecer, mas gostava que acontecesse, seja quem for que saia desta eleição.

Essa questão da credibilidade e dos poderes do Presidente da República tem agora uma espécie de reset, Nuno, a partir do momento em que muda, até pelo desgaste que Marcelo Rebelo de Sousa esteve envolvido, sobretudo nos últimos anos. Parece evidente o mal-estar nas relações com o governo e com o primeiro-ministro. Pode haver aqui uma tela em branco que começa a partir do dia nove de março.

Isso é inevitável, até porque são personalidades obrigatoriamente diferentes.

Será necessariamente algo diferente. Aliás, todos fizeram questão de dizer que não serão como Marcelo Rebelo de Sousa.

Parece um trunfo. Sim, sobretudo o Marcelo da segunda fase do mandato, de fato, teve já muitas clivagens e eu concordo com essa ideia. Quando chegamos ao final do mandato e de fato já nem os portugueses têm propriamente paciência para o presidente da República, pra aquele em concreto. E na primeira fase do mandato, ou seja, no primeiro, também não era necessário ter, porque também havia um alinhamento tão grande que não havia propriamente ali uma relevância muito grande e era quase indiferente haver essa magistratura de influência ou não, porque no fundo foi literalmente um guarda-chuva.

Mas desculpa, se pensarmos no primeiro mandato, nos incêndios de 2017, Marcelo faz a célebre intervenção que leva à demissão de Constança Urbano de Sousa. No segundo mandato, com o que acontece em torno de João Galamba, António Costa, o mesmo primeiro-ministro, num caso demitiu a ministra, no segundo caso virou as costas ao presidente.

Mas eu acho que aí também muda muito a própria circunstância, mais do António Costa do que o próprio Marcelo Rebelo de Sousa.

É possível.

Havia uma necessidade muito grande de não falhar na primeira parte. Depois houve alguma soberba e isso também fez alguma diferença. Não retirando algum processo de descredibilização do presidente.

No segundo caso, havia maioria absoluta, no primeiro, não.

Exato. E a maioria que existia no primeiro momento era uma maioria inovadora, frágil, ninguém sabia muito bem no que aquilo ia dar, etc. Mas isso será necessariamente diferente, seja ele quem for, será obrigatoriamente uma personalidade diferente. Embora também, este seja um daqueles casos em que o cargo também oferece sempre alguma dose de respeitabilidade e prestígio, aquelas coisas todas, grávidas e não sei o quê, a quem o exerce. Portanto, de alguma maneira, eu acho que as coisas podem ficar mais ou menos equilibradas por aí. Mas vamos ver, eu acho que vai depender muito até do próprio comportamento, depois ao nível dos partidos, do primeiro-ministro, o que vai acontecer a seguir. Sendo que eu tenho esta, e ontem, pra aproveitar o meu dia de reflexão, estive a refletir nisto.

Afinal ele serve pra alguma coisa.

Sim, hoje vou aproveitar também pra pensar um pouquinho mais sobre isso e amanhã também. Que é, eu não sei se nós não podemos estar na iminência de termos, pela primeira vez, um presidente da República que só faz um mandato.

É mais forte essa possibilidade neste eleições.

Desta vez, é um mandato de cinco anos, muita coisa vai acontecer, não estou a dar isto como barato.

Mas por rejeição dos eleitores ou porque o próximo presidente pode ter também outras ambições que não passem pela continuação na presidência da República?

Acho que pode ser isso e acho que tem muito que ver também com aquilo que eu estava a falar há pouco, o realinhamento partidário, com a forma como tudo isto, de repente, se pode realinhar, alinhar ou desalinhar daqui pra frente e em que sentido. Mas em 50 anos, se eu tivesse que arriscar, o presidente que sendo eleito à primeira, não dá a reeleição daqui a cinco anos como garantida, o que aconteceu com praticamente todos, tirando com Ramalho Eanes em 1980, que houve uma disputa muito grande, mas já estamos muito lá pra trás, talvez seja o início deste mandato, mas não sei, vamos ver. É um feeling.

É um feeling que faz algum sentido, Anselmo, até pela divisão que se espera hoje, que tudo indica. Não estamos aqui a fazer futurologias, se acreditarmos que haverá uma segunda volta. Teremos um candidato Que será um mal menor para a maioria de quem o eleger, quem quer que seja.

Sim, eu ia dizer exatamente isso. Eu acho que faz sentido esse raciocínio. Não tenho a certeza que é isso que vai acontecer, mas acho que o Nuno também não tem. Acho que o Nuno dizia uma coisa interessante, que é o próprio cargo dá alguma grávida, e isso é verdade, o poder não é só afrodisíaco, o poder depois também nos torna a todos muito mais luminosos. Mas isso é uma coisa que desaparece rapidamente, dependendo da forma como nós o usamos e da forma como nós o trabalhamos. E nessa dimensão, eu admito que sim, que se o próximo presidente da República, não sendo eleito de uma forma tão óbvia como foi, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa ou como foi Jorge Sampaio, ou como foi Cavaco Silva.

Mas ele pode ser eleito como Soares à primeira, ou seja, ali com uma diferença ligeiramente curta, mas o tempo é muito diferente.

Mas o tempo é diferente. Nada disto agora é muito óbvio para ninguém, e portanto eu admito que se não tiver unhas para tocar aquela viola, as coisas possam não correr bem numa tentativa de reeleição. Agora, depende muito da forma como as coisas evoluírem. Eu acho que, por exemplo, uma das minhas teorias e das minhas reflexões é que dependendo de quem for o próximo presidente da República, nós podemos ter mais dissoluções ou menos dissoluções nos próximos tempos. Esta legislatura pode acabar mais cedo ou pode acabar mais tarde. E não tem só a ver com a escolha do presidente, tem a ver com aquilo que o Nuno dizia há bocadinho, tem a ver com o score final, como é que isto vai ficar e o que é que cada protagonista, não é cada, nem todos são relevantes nisto. Alguns dos protagonistas vão fazer com o score que tiverem nesta eleição.

Porque há uma relação muito direta entre quase todos, entre um partido e o candidato.

Como é que vão usar isso? E isso também é relevante para quem for objetivamente eleito presidente da República, com que score é que é eleito. Legitimidade tem sempre, não é? Mas essa legitimidade pode ser mais reforçada ou menos reforçada. E portanto, isso dará um poder perante as restantes instituições, nomeadamente junto do governo, diferente. Isso para Marcelo Rebelo de Sousa era muito evidente quando é eleito com 60 e tal por cento dos votos. Não é a mesma coisa ser com 60 e tal por cento ou ser com 51. Não é igual.

E também acho que vai depender muito até do próprio tom em que correr a campanha para a segunda volta, em função de quem lá estiver. Porque vamos imaginar que alguém passa à segunda volta que não tem tanta vontade de ser presidente da República, mas tem outros objetivos. E isso pode condicionar o tom.

As conversas serão muito interessantes amanhã, seguramente, quando tivermos mais algumas certezas. Nuno Gonçalo Passos, Anselmo Crespo, muito obrigada por terem estado neste "Vencedor É". Bom dia.