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Nasceu em Gondomar e, segundo a própria, desabafar coisas negativas num rancho no ukulele é a melhor cura. Licenciou-se em Artes Plásticas, mas com a música sempre presente. Escreveu a primeira canção com 14 anos e hoje, com 30, conta com dois álbuns de estúdio, várias colaborações e muitos concertos dados pelo país fora. Hoje recebemos Cláudia Pascoal em "40 Minutos" na Rádio Observador.

Bem-vinda, Cláudia.

Olá, Cláudia. Bem-vinda.

Como estás?

Estou bem.

Eu estava a ver a cara da Cláudia muito desconfiada com esta introdução.

Fico sempre com medo do que vocês vão dizer. E depois é sempre engraçado, porque escolhem sempre factos absolutamente random. Dizes licenciatura e mestrado?

Achas que eu não tenho isto aqui para falarmos?

Estou a gozar.

De facto, uma mestre. Mestre Cláudia.

Mestre Cláudia.

Nunca usei esse mestrado, esse título. Infelizmente, não usei.

Normalmente acho que é o que acontece. Não sei, eu não tenho.

Em arte eu acho que é muito comum. Ninguém utiliza.

Cláudia, já vamos falar de música, claro. Mas queria falar de um curso que tiraste. Tu estudaste Produção Artística com especialização em ourivesaria no Porto, não foi? Que idade é que tinhas quando tiraste esse curso? Por que quiseste tirar esse curso?

Outro curso inútil.

Mais um.

Mais um para a lista. Não é inútil. Eu adoro todas as coisas que eu aprendi. Sou fã da academia em geral. Eu fui no secundário. Que idade se tem no secundário?

Entre os 14, 15, 16.

14, 15 e 16. Deve ser isso.

Tu entras na faculdade com 18.

Não, eu entrei com 17.

Entraste com 17?

Superdotada.

Não. Porque os meus pais decidiram despachar-me logo e meterem-me na escola muito cedo. Eu acho que é por causa disso.

Mas por quê este curso?

Este curso, porque como tu muito bem disseste, cresci em Gondomar, e Gondomar é a terra da filigrana. E eu sempre admirei isso. Aliás, foi a primeira profissão do meu pai, fazer ourivesaria e encher na filigrana. Eu sempre tive curiosidade e quis muito aprender isso. E na verdade, num curso e numa escola artística, ou tu passas muitas horas no PC a fazer design, ou pões as mãos à obra num curso qualquer, de tipo cerâmica, ourivesaria.

Uma coisa mais prática.

Uma coisa mais prática. E o meu nível de nerd não estava tão exótico como está hoje. Decidi aventurar-me nos metais e cortar-me todos os dias nas mãos.

Ai, credo.

Isso acontecia frequentemente?

Frequentemente. Muitas vezes.

Estás a ficar as mostras das assassinadas.

Dei cabo das minhas sobrancelhas com o maçarico, que é meio assim, vrum. Fi minha franja, que é ré, no Porto. Fi minha ré e as minhas sobrancelhas assim, vrum. Pronto, é tudo a sério.

Ainda tens algumas coisas que tenhas feito nessa altura? Brincos, anéis?

Tenho, sim senhora.

E usas ainda?

Não utilizo.

Guardas como recordação.

Não, porque na altura eu já era: "Ai, eu quero fazer peças que não são usáveis, que são desconfortáveis, porque o espectador e a comunicação". Já tinha todo o conceito.

Uma coisa mais conceptual.

Exatamente. Não dá muito para usar, são muito desconfortáveis de usar.

Pronto, não dá para usar, mas continuas a guardá-los com muito carinho.

Com muito carinho. Acho que efetivamente cheguei a receber, eu não, foi a escola, recebeu uns prémios que acho que és à pala das minhas peças. E ficaram com elas, algumas delas. Olha, mas para quem está a ouvir, é um curso muito interessante e ainda existe, só às rochas no Porto. Melhor experiência académica.

Só ter que ter cuidado com as sobrancelhas e com a franja.

Só ter cuidado com isso, mas melhor experiência académica de sempre que eu tive em toda a minha vida.

Que bom. Olha, Cláudia, também na biografia do teu site tu dizes que escreveste a tua primeira música com 14 anos.

Estupidas.

Parte da letra dessa música é, e passo a citar: "Não vás tão longe, sofro de miopia sem ti".

Sim.

Sobre o que se escreve com 14 anos? Porque isto...

Isto é profundo, atenção.

Será que é?

Será que é? Será que eu sabia o que era miopia, sequer? Será que eu só gostei da palavra e disse: "Olha, é meu lixo".

Então vamos lá, as contas que estamos a fazer há bocado, 14 anos é ali no final do básico, talvez? Nono ano?

Sim, é possível.

Oitavo ano, não, décimo ano, no teu caso.

Décimo ano, no meu caso. Eu lembro perfeitamente, tinha aprendido a afinar a guitarra em ré. Decidi: "Uau, tem que ser uma cena bué introspectiva, não pode ser sobre amor, tem que ser uma cena sobre doenças oculares".

Mas literalmente?

Não, não era literal. Obviamente que aquilo era uma analogia.

Eu já estou por tudo.

Não, era alguma analogia de perda. Agora, se me lembro? Não, já não me lembro dessa música, mas foi a minha primeira. E tenho muito carinho.

E demoraste muito tempo a escrever essa música?

Não, eu nunca demoro muito tempo a escrever canções. Demoro tempo é sentar-me para as escrever. É mais isso.

Ficas a procrastinar?

Eu sou um bocadinho ainda daquelas que fica à espera de divindade. Mas aparece. De vez em quando eu sento-me e sai uma música nessa tarde, não fico a guardar maquetes, não é uma cena que eu faço. E portanto, essa saiu em cinco minutos, provavelmente, também como todas as outras.

Ainda tocas frequentemente esta música que escreveste?

Não faço a mínima ideia como é que é essa música.

Já não te lembras mesmo, apagaste isso.

Lembro-me dessa frase.

Mais nada.

Mas não me lembro absolutamente de mais nada.

Olha, tu também, se calhar, não te lembras de mais nada porque já fizeste tanta coisa. Desde Artes Plásticas, que foi a tua licenciatura, certo? Mestrado em Produção e Realização de Audiovisual. Ainda fizeste o tal curso em Produção Artística, aqui um bocadinho de tudo. Também tiveste sempre essa curiosidade para tentar um bocadinho todos os setores da arte, vamos assim dizer?

Eu acho que ainda tenho isso, na verdade. Quando as pessoas me perguntam: "Música é a tua verdadeira paixão?" Eu digo: "Não". A minha verdadeira paixão é aprender imensas coisas na vertente artística. Gosto mesmo de tudo o que seja para comunicar alguma coisa.

Então o que é que falta? Escultura?

Também fiz. O que é que me falta? Falta-me fazer, de uma forma mais profissional e mais vincada, essas áreas. Este ano estou a virar muito para o teatro, a envolver-me de facto para o teatro e a ver o que é que sai mais. Mas sempre gostei muito de aprender várias coisas, mas saio sempre muito frustrada delas. Fico muito irritada. Por exemplo, artes plásticas. Acabei a licenciatura, acabei em bom, mas acabei tipo: "Nunca mais pinto". Fiquei mesmo frustrada. Porque eu acho que quando nós insistimos em alguma área, em alguma coisa, até em algum jogo, alguma atividade específica, eu aborreço-me. É por isso que eu acho também que se deve muito a minha forma de mudar muitas vezes de estilo, que tudo o que é repetitivo aborrece-me. Acho que é um bocadinho isso.

Percebo, consigo entender isso. E que parte desta licenciatura e também do mestrado que tiraste é que está presente na tua imagem enquanto artista hoje em dia?

Muita coisa. Eu por acaso sinto-me muito sortuda nesse aspecto, que é eu gosto de estar envolvida e faço grande parte de todas as vertentes do que é isto de ser artista de música, e cada vez mais. Gosto de fazer o design das coisas, a maneira de vestir, a minha makeup, o meu cabelo.

Esta faz isso nos teus álbuns?

Eu tento fazer e tenho normalmente as ideias. Obviamente que eu não vou ser tola o suficiente para dizer: "Pronto, então vou tirar aqui um ano de retiro para aprender a fazer design e a fazer Photoshop". Não, contrato pessoas que me ajudam a chegar a essa ideia.

Mas o dedinho Cláudia Pascoal está sempre presente.

Sim, tem mesmo que estar, porque senão eu acho que nem tinha interesse, honestamente, fazer isto da minha vida, se não tivesse este todo. Porque esta área, qual é a palavra? Qual é o adjetivo sem ofender ninguém? Esta área é difícil. Vamos ser simpáticos. Isto é ser simpática, esta área é difícil. Se eu não tivesse a usufruir o máximo dos máximos a fazer o que eu faço, estava a fazer outra coisa qualquer.

E falando mais especificamente da música, e há bocado tu estavas a dizer que quando perguntam o que é a música e o que significa para ti a música, tu normalmente dizes que olhas para isto de uma lente um bocadinho mais aberta. Tu na biografia do teu site dizes que no início a música era algo divertido, mas era apenas uma forma, como estavas a dizer agora, de comunicares com as pessoas, de falares com elas. O que a música significa também para ti nesse sentido? Meio comunicação, de forma de tu falares com os outros.

É engraçado, há quase um ano dizia que já não tinha quase intimidade nenhuma com o que eu estava a fazer, que estava cada vez mais distante da minha área, por causa das várias coisas que envolve ser uma artista de música, das entrevistas e não sei o quê. Mas na verdade agora-

Os percassos por aqui.

Os percassos aqui, está bem. Não, mas na verdade tenho-me apercebido que é exatamente o oposto. Eu cada vez tenho-me dado a conhecer mais e dado mais a minha parte pessoal ao público através exatamente da minha música. Portanto, a música para mim, para além de ser exatamente isso, uma forma imediata de comunicar com alguém, eu acho que é mesmo mostrar o meu mais negro e o meu mais chato. As pessoas que me dizem, muitas vezes, e recebo isto diversas vezes, as pessoas estão enganadíssimas, que é: " És a pessoa mais feliz do mundo". E eu: "Não ouviste meu álbum. Tu claramente não ouviste meu álbum". Que tem uma música que é: "Já não sei quem sou". A Rutina. Portanto, a partir desse momento, tu não me ouviste, é impossível. Ou seja, gosto de mostrar as minhas várias partes do que eu sou com a minha arte.

Mas já agora que falas nisso, e também não és o primeiro artista que está aqui, e aqui artista num plano mais geral, sem ser apenas músico, nos fala um bocadinho desse lado que é, ok, isto é giro, nós gostamos de ser artistas, mas tem um lado um bocado negro que as pessoas não conhecem. Tu achas que também o teu público, os teus fãs conseguem perceber isso? Que há aqui um lado, isto não é só rosas.

Isto não é só rosas. Eu acho que há uma imagem muito fantasiosa do que é ser artista de música, que é tudo muito giro e muito fácil, e que existe essa parte também, muito gira, de ir para o palco e os aplausos e tudo mais, mas atrás disso existe uma profissão que eu acho, como é que é possível eu nunca ter chegado lá antes de a praticar, que é artista de música é ser nerd. Ponto. 100% nerd. Eu passo muitas horas à frente do PC a tentar tipo: "How to reverb the second part of the stem of FL Studio 21". Estás a ver? E estou lá a ver um vídeo de 20 minutos só para ver como é que se faz aquele truquezinho.

Normalmente com um brasileiro: "Aí, galera, vou vos ensinar".

Exatamente. Tudo isto. Há uma parte muito aborrecida e muito chata de ser artista de música, quando de facto produzes e fazes as próprias canções. As pessoas que não têm esse caráter na vida delas, deduzo que seja assim mais divertidinho, mas mesmo assim é cansativo, fazer uma tour é bem cansativo. O ano passado fiz Lisboa, Chaves, Porto, Algarve, Faro. Foi uma porrada, fiquei sem voz e disse: "Bem, eu isto não quero mais".

Para mim deu, malta.

É uma vez por semana, está bem? Mais do que isso eu não quero. Obrigada.

É uma tareia, realmente. Cláudia, vamos agora também recuar um bocadinho à tua infância. Vamos até Gondomar, de onde tu és, aliás. Consegues descrever a tua infância em três palavras?

Em três palavras. Epá, que chatice.

Devíamos ter enviado isto antes.

Cláudia, atenção, faz aqui uma. Só tem de ser em três palavras.

Não, sem três palavras. Eu vou pôr o desafiozinho. Deixa-me só contextualizar a minha infância, para mim é mais Arco de Baúlhe do que Gondomar.

Arco de?

Arco de Baúlhe, que é em Braga, que é a terra da minha família.

Daí dizeres que és minhota.

Daí eu dizer que tenho essa raiz, porque é daí que eu retirei todas as minhas memórias boas. Eu fui feliz em Gondomar, por amor a Deus, mas sim, eu acho que as coisas que ficaram mais enraizadas foi mesmo em Arco de Baúlhe. Portanto, diria galo

Ok.

Mas por estar perto de Barcelos?

Também gosto muito de Barcelos. Não, porque de facto em Arco de Baúlhe acorda com galos.

Ok.

Era o meu despertador matinal.

Eu deixaria-a só dizer e depois eu vinha perguntar.

Sim.

Por favor, porquê galos?

Galo. Lareira. Há um cheiro constante a lareira, mesmo no verão. Lareira sempre. E duas palavras que é pés descalços, que andava sempre descalça.

A sério?

Que é muito agradável, que é algo que eu agora tenho muitas saudades, andar descalça.

Andar descalça?

Ya.

Mesmo na rua?

Na rua, sempre descalça.

Incrível.

Agora em Arco de Baúlhe já nem dá, porque eles alcantraram. Já não é tão divertido.

E como é que é para alguém que vem de Arco de Baúlhe e que vem de um meio mais rural, vamos assim dizer, e de repente, superestrela.

Superestrela?

Uau!

Não estamos a exagerar?

Vá, superestrela nacional, para reduzir.

Como tudo se faz, como é que se chega de um meio rural como engenheiro e para médio, é estudar e esforçar e trabalhar muito. Trabalhar mesmo muito. Eu às vezes sinto falta só mesmo de férias. Férias que descansas, não é aquelas férias que tu vais e estás a pensar no álbum, porque é isso que acontece. Não.

É difícil para ti desligar.

É muito difícil desligar, mas é um contraste, de facto, gigante, mas eu faço um esforço. Aliás, eu ainda hoje vou para Arco de Baúlhe, portanto o meu esforço é de voltar sempre onde eu-

Teu lugar seguro

...meu lugar seguro e perceber e pôr as coisas em perspectiva. Eu acho que a palavra número um nesta profissão de ser artista de música é perspectiva, para a coisa ficar balançada.

Certo. Olha, o gosto pela música foi passado por alguém da tua família? Já havia alguém que, não vou dizer músico, mas que gostasse de ouvir música regularmente, que passasse essa referência, esse bichinho?

Não há músicos de profissão na minha família. Porém, contudo, todas as pessoas, todos os meus tios e tias cantam muito bem. É uma cena inacreditável. E o meu tio Aldino tocava guitarra, então havia sempre aquela cena das desgarradas, minhotas e esses contextos familiar em festas de família, era o que existia. E eu sempre olhava para aquilo de o poder de, de repente, este é o momento em que vamos unificar e vamos cantar todos a mesma coisa e vamos nos rir em conjunto, sempre me cativou imenso, portanto sempre acho que tive esse bichinho na cabeça, meio fantasioso, que é tipo, eu nunca vou chegar lá, mas essa ideia de ter um momento unificado com várias pessoas presentes é algo que me constrói e que eu adoro.

Que bom. Ainda no tópico da família, sabemos que há uma tradição na tua família que todos os anos o teu irmão pega-te ao colo para pores a estrela na árvore de Natal.

A cara de medo dela quando tu disseste: "Há uma tradição".

Que stalker é que está aqui?

Não, mas está no teu Instagram.

Está no meu Instagram, quando eu disse mal, estou descansada.

Exato. Como é que é essa ligação com a tua família?

É muito próxima. Eu sou uma felizarda gigante. Somos mesmo muito próximos. Ainda por cima o meu irmão, estavas a falar de meu irmão, vou dizer, meu irmão agora foi pai.

Parabéns, tia.

Parabéns, mano.

Tia, estou felizíssima, estou espetacular. E de facto, nós fomos criando essa tradição muito parva. Aliás, não era parva, era querida e tornou-se parva quando nós somos os dois muito adultos e um tem 35 e o outro tem 30. E de facto continuamos. Agora que ele foi pai, nós já agora estamos a conversar que é como é que será o próximo Natal. Será que ele pega em mim e eu pego na filha dele e fazemos tipo-

Tipo o Rei Leão

...um twist na tradição.

Será que dá? Será que é possível?

Só experimentando.

Só experimentando.

Portanto, o Natal 2024.

Wait and see.

Wait and see.

E gostavas de voltar para lá?

Voltar para casa. Eu às vezes penso muito nisso. Eu acho que nesta profissão é mesmo muito difícil. Eu mudei-me para Lisboa exatamente para fazer isto de vida.

Claro.

Portanto, eu acho que se calhar regressar é retroceder e voltar um bocadinho atrás no meu avanço profissional. Portanto, por agora não está nos planos, mas quem sabe.

E quando fores velhinha?

Eu imagino-me reformada no campo, com galo, lareira e pés descalços.

Ora aí está.

Olha, Cláudia, vamos agora fazer uma pausa para atualizar as notícias. Já voltamos à conversa. Até já.

Até já.

Estamos na segunda parte do "Em 40 Minutos", hoje estamos à conversa com Cláudia Pascoal. Bem-vinda mais uma vez, dona Cláudia. Na primeira parte falámos da tua infância, dos teus estudos também. Tu tens o rancho e a música popular portuguesa muito presente nos teus temas, nos temas que compões. O que é que mais gostas nesse tipo de música, neste género de música?

O que eu gosto é o sentimento que me provoca, que é saudade, que é a cena de casa. Aliás, nem esteve muito presente e eu acho que toda a gente que cresce com rancho até ganha uma certa aversão, que é tipo: "Argh, lá vem".

Lá vem isto outra vez.

Lá vem. Ou seja, não é uma ligação muito próxima. O que aconteceu é que com a minha vinda para Lisboa e a entrada da pandemia e minha distância afirmada e forçada com a minha ligação minhota, eu acho que tornou-se quase desesperada. Eu lembro-me de estar fechada em casa, ouvir rancho nos meus fones e chorar.

Meu Deus!

Portanto a partir daí perceber que é tipo, ok, é mesmo isto que eu quero. Afinal, é quase verbalizar a minha descoberta com a ligação que eu tenho com a minha identidade, que eu nem sabia que era tão afirmada assim.

Quanto tempo é que estiveste no rancho?

Eu nunca fiz parte do rancho. Eu estava na rua.

Eu achava que tinhas feito mesmo.

Não, nunca fiz parte.

Então isso fez mesmo uma influência. Ou seja, eu pensei que a tua influência era tal de teres pertencido ao rancho.

Não, infelizmente não.

Foi a saudade.

Mas gostavas de ter pertencido?

Eu gostava Gostava mesmo muito. O que aconteceu foi, eu acho que é essa cena que eu tinha falado há bocado, que é tipo, quando és pequena tens uma certa aversão: rancho. Eu acho que com a distância e com a cena de seres adulta é que começas a criar essa ligação mais forte. E essas memórias tão vincadas que eu tinha, exatamente, todas as minhas tias, todas dançamos rancho nas festas de família.

E achas que isto é, de certa maneira, uma forma de honrares essas tuas raízes na tua música?

É a minha forma de honrar, mais do que a nossa tradição, acho que nunca foi sobre isso. É honrar a minha família da maneira como eu sei fazer melhor, que é com essas memórias que eu tenho com elas. E como essas foram as partilhas que nós tivemos, é a forma que eu tenho de apresentar a minha família com as minhas canções.

Certo.

Está ótimo.

E é fácil para ti? Ou seja, tu tens um género, apesar de ires mudando, e já falámos disso, e acho que é fácil ver também dos dois álbuns as diferenças. Mas é fácil tu pegares num género que é tão reconhecido em Portugal, a música popular. Eu lembro-me talvez dos Diabo na Cruz fazerem isso muito bem.

Muito bem.

Eu adoro, adorava, neste caso. Adorava Diabo na Cruz. É fácil pegar num género tão tradicional como esse e dar-lhe essa roupagem nova?

Honestamente, está cada vez a tornar-se mais difícil e eu acho que vou-me distanciar mesmo por causa disso. Eu acho que já disse o que tinha a dizer, mas, por exemplo, no meu primeiro álbum tenho uma música que é quase dança, que eu pego no rancho literal e gravo. Aliás, vou a Arco de Baúlhe gravar com as pessoas, com os habitantes de lá, ou seja, uma coisa literal e um bilhete de identidade. E no segundo álbum realmente queria reconstruir essa ideia do que é rancho, o que é tradição, não ser uma coisa in your face. E isso foi um desafio muito grande e é por isso que eu estive um ano e meio dentro de um estúdio com o David Fonseca, que é perceber como é que se desconstrói rancho, que é uma coisa tão bruta. Os instrumentos tradicionais estão tão na tua cara que é muito difícil distanciar disso. Mas honestamente, estou muito orgulhosa do resultado que nós os dois tivemos, porque de facto acho que traduz muito bem o que é nosso. Acho que soa a português, com aspas, mas também soa como uma coisa nova, uma coisa fresca.

Olha, Cláudia, tu participaste em vários programas, concursos de televisão, "Factor X", o "Idolos", "The Voice".

Coitadinha dela.

Coitadinha, ela tentou tanto.

Mas era sobre essas várias tentativas que eu queria perguntar, que é o que te fez sempre não desistir, porque vais uma primeira vez, não resulta, se calhar a segunda já vais um bocadinho a medo, uma terceira também.

Ainda assim vai à terceira.

Exato.

Eu acho que o meu grande segredo, eu estou a fazer aspas para quem só está a ouvir.

Exato.

Que é, eu nunca me levei mesmo a sério. Eu tinha muita curiosidade é perceber como é que as coisas funcionavam.

A perspetiva?

Exatamente. Eu ia um bocadinho com esse intuito, que é tipo, deixa ver como é que funciona um programa de televisão. E eu não ficava honestamente muito a conviver com os concorrentes, eu ficava a conviver com os técnicos. E fazia tipo: "E o que vocês fazem? Como é que vocês vieram aqui ter? Porque eu também quero fazer isto". É um bocadinho esse o meu interesse. E na verdade, eu fui-me metendo e acho que até resultou, porque acabei por dar um pezinho depois à ciclo radical, ou seja, consegui entrar mesmo nesse mundo. O mundo do entretenimento em geral, que é como é que uma pessoa pode entreter e segurar uma pessoa para estar em silêncio e escutar-te, interessa-me muito. Eu acho que isso é que é o maior valor de qualquer tipo artístico, que é teres esse poder sobre a pessoa de vamos partilhar alguma coisa e vamos estar os dois sobre isto. Adoro. Sou muito fã.

Olha, e tal como nos programas de televisão, também participaste mais do que uma vez no Festival da Canção.

Isso era uma estupidez, deixa-me já só dizer.

Já adoro aquilo que disseste.

Cláudia, a primeira ou a segunda?

Não sei.

Fica.

Completa aí a pergunta.

Não, a primeira vez foi em 2018. Participaste com o tema "O Jardim" com a Isaura.

Exatamente.

E venceste essa edição. O que sentiste?

Eu senti mesmo um feeling-

Já me arrependi de ter feito esta pergunta. Uma reação da Cláudia.

Não, está tudo bem. Não, de facto foi muito importante para a minha carreira, no sentido de depois disso veio uma agência que disse: "Ok, nós levamos-te a sério como artista e queremos te ouvir". Isso para mim foi muito importante. Mas até lá, o vencer o Festival da Canção era só uma estupidez que estava a acontecer na minha vida, porque eu nem queria seguir música, eu nem estava para aí. Eu continuava com um objetivo de eu quero ser apresentadora de televisão, eu quero comunicar diretamente. Ou seja, e de repente tenho este universo.

Isto está mesmo a acontecer.

As pessoas acham mesmo que eu canto bem, isto está a acontecer, ok.

Mas não percebeste só aí, ou só aí é que percebeste?

Aí é que eu percebi.

Caíu-te a ficha?

Aí que uma ficha de tipo, se calhar tem alguma coisa. Aliás, demorou-me anos. Eu acho que só no segundo álbum, quando eu lancei o segundo álbum, é que eu percebi, ok, se calhar sou uma artista de música.

Foi preciso lançar o segundo álbum.

Uau!

Sim, porque é um processo tão longo. Eu tenho este, se calhar é uma forma muito parva de ver as coisas, mas se eu estudo, eu sou competente para o fazer. Se eu não estudei nunca música, eu nunca vou ser competente para o fazer. Eu acho que é um bocado isso. Então passaram-se estes anos todos e eu fui estudando, e só agora é que me sinto capaz. Ok, eu sou artista de música porque eu sei produzir, porque eu sei fazer isto. Pronto, e agora sim, posso dizer que o sou, mas foi muito difícil acreditar nisso.

Foi um processo complicado, então.

Foi, foi longo.

E como é que foi? Portanto, já percebemos conforme olhas para o Festival da Canção, mas como é que foi ganhar o Festival da Canção e depois atuar na Eurovisão em Portugal? Porque uma coisa é certa, tu até agora na história, podes dizer que foste a única representante portuguesa da Eurovisão em Portugal.

E acho que honestamente vamos falecer com essa experiência.

Quem é que é capaz?

Foi assim um milagre divino.

A metade da Iolanda. Boa sorte, Iolanda.

Não, Iolanda, vamos com tudo.

Rainha.

Rainha disto. Foi de facto muito estranho, mas eu senti que estava noutro, olha, estou a descer. O que é que se está a passar?

Põe o pé na cadeira.

Estás a dar com o pé na parte desta cadeira. Para quem está a ouvir, a Cláudia acabou de ficar um bocadinho mais baixa.

Já corrigi, está tudo bem. Eu tirei o doutoramento de cadeiras, está tudo fixe. Eu senti na mesma que estava a ir para outro país, porque eu estava na mesma a viver em Gondomar e de repente tenho que me mudar para Lisboa e não conheço ninguém em Lisboa. Mentira, tinha uma amiga aqui, mas que estava a trabalhar imenso, portanto também nunca a via.

Mas mudaste-te só na altura da Eurovisão?

Foi na Eurovisão que eu estive a viver em hotéis. Na verdade, toda a minha experiência não foi incrível, não foi feliz, era muito solitária. Era na base do vai para ali e dá uma entrevista aqui, e dá uma entrevista aqui, depois não fazia muito mais nada. Na verdade, a experiência da Eurovisão foi só meramente cansativa. E como foi tão intensa, se fosse hoje, teria aproveitado, obviamente, de uma maneira completamente diferente. Eu acho que estava um bocadinho em piloto automático e a tentar perceber, de repente, como é que se fazia aquilo. Eu acho que de cantar na rua, no metrô, fui para Beyoncé. Então foi muito estranho esse contraste e não fazia a mínima ideia do que estava a fazer.

Eu posso dizer? Eu estava na Altice Arena, agora já me dou o nome, no Pavilhão Atlântico quando foi a final e o público ficou maluco com a tua atuação. Ficou completamente maluco.

Uau!

Tu sentias isso?

Correu bem.

Sentias que estavas a jogar em casa, pelo menos?

Mais ou menos, vou ser honesta. Eram muito poucos portugueses que eu conversava. Eu acho que não é descritível. Eu sei que houve um humano atrás de mim 24 horas a filmar-me. Eu nunca vi imagens sobre isso, mas adorava ver para perceber o quão em piloto automático eu estava. "É para o quê? Para cantar? Ok".

É para ir aonde?

E lá ias tu. Pronto, não fazia a mínima ideia do que eu estava a fazer, mas não foi traumatizante de todo. Mas sinto que se fosse hoje, tinha sido completamente diferente, claro.

Olha, anos mais tarde, agora em 2023, o ano passado, participaste novamente com o "Nasci Maria". Que diferenças é que sentiste da primeira para a segunda participação, tendo em conta que já tinhas também essa experiência?

Eu acho que foi uma maneira de eu limpar aqui o chakra do Festival da Canção, no sentido que eu ainda, felizmente, sou muito reconhecida exatamente por ter ganhado o Festival da Canção 2018 com o "Jardim". Mas essa música nunca me pertenceu, nunca foi minha. Então eu sentia muita necessidade de, cá está, agora que eu me sinto finalmente artista de música, eu quero me apresentar com o "Metálica", que as pessoas me conheçam verdadeiramente. Então foi sempre com esse objetivo. Eu sempre disse à minha equipa: "Deus me livre se eu ganho isto outra vez. Não quero, que isto é muito cansativo, são meses e meses de trabalho não remunerado", que é bem massivo, que eu acho que é fixe dizer.

Vocês não ganham nada?

Trabalhamos com a verdade.

Trabalhamos com a verdade e não se ganha nada.

Mas mesmo quem ganha o festival não recebe nada por isso.

Portanto, é muito complicado gerires depois meses de trabalho e ainda por cima de artista de música, recibos verdes, onde tens que prescindir o teu trabalho para estar ali. E eu, o ano passado, felizmente, tinha em maio o Maria Matos, o Art Club, um álbum para lançar. Eu não me empatem nisto, que isto está tudo orientado.

Eu vou lá, faço a minha coisa.

Exatamente. Portanto, foi uma experiência mesmo muito positiva, porque eu fiz aquilo tudo que eu queria, que eu acho que é representar o meu trabalho, que estava a fazer e que estou a fazer. Acho que correu muito bem. Orgulho mesmo de ver aquela atuação mesmo no YouTube, é daquelas que eu fico tipo: "Ok".

Olha que...

Estava com cardio em dia.

Afinal sou cantor.

Estava com o cabelo on fleek, estava tudo certo. E estava rodeada de pessoas que eu amo, uma equipa mesmo de família. Portanto, foi uma experiência mesmo muito positiva e acho que cumpri o meu objetivo, que era mostrar o meu trabalho.

Entre uma participação e outra, editaste o teu primeiro álbum, um disco que conta com várias participações, algumas delas improváveis. Temos Samuel Úria, mas também temos Nuno Markl. Queres falar-nos um bocadinho sobre estas colaborações?

Como dizer isto?

Principalmente a do Markl.

A do Markl. É que eu fui ver. Na altura, quando o álbum saiu, também já tinha ficado curiosa com esta coisa do Nuno Markl, mas por quê?

Que tem uma interpretação incrível.

Uma interpretação ótima.

Principalmente com esta música, só tem um acorde.

É ele a tocar piano de cauda.

Incrível.

Bem, como dizer isto? Olha, primeiro de tudo, dizer que eu não sou burra nenhuma. Eu não sou burra nenhuma, porque quando uma grande agência, que é a Universal Music, me propõe: "Queremos um álbum teu, faz o que quiseres". E eu vou olhar para as pessoas que sempre gostei, que sempre admirei, e vou aprender o máximo com essas pessoas, porque não foi exatamente isso que eu fiz, mesmo não sendo envolvidas com música, que é o caso do Nuno Markl. Eu sempre achei o Nuno Markl o melhor entertainer português. Ele sabe agarrar uma pessoa e sabe estar com uma pessoa e sempre tive curiosidade de como é que este mano faz isto. Vou conhecê-lo melhor. E de facto, numa abordagem só de ser amigo, percebi que podíamos fazer uma colaboração. E aconteceu. Acho que a música de vez em quando, não sempre, mas tendenciosamente é levada demasiado a sério. Tudo é levado muito a sério, não é preciso levar as coisas tão a sério. Porque a música, reparem, é só música. Portanto, é um bocadinho brincar também com esse contexto, de só estou aqui a tentar fazer umas musiquinhas e vamos nos rir em conjunto, pondo o Nuno Markl a cantar comigo e a tentar à força entrar numa canção.

Isso nota-se depois também no segundo, tiveste a Joana Marques, num jeito mais, vamos dizer, musical. Tiveste também a Manuela Azevedo, o Maranto, Rosa Teixeira, mas tens sempre também esse toque quase humorístico nas músicas, mas isso é fixe.

Eu gosto de começar e acabar um álbum a rir. Eu acho que é assim que Eu começo sempre os concertos assim: junto a minha equipe toda e fazemos um riso forçado, olhamos uns nos outros, que é coisa muito constrangedora, mas funciona. Eu acho que quando começamos a rir, a fazer seja o que for, mesmo que vá ser uma cena meia triste ou cansativa, ou entediante, eu acho que é importante estar com um uplifting de: "Ok, estou aberta para isto", abrir-me para a experiência. Portanto, acho que vai ser uma coisa que eu vou sempre manter nas minhas obras, é começar e acabar a rir.

Portanto, podemos dizer que dado o historial de colaborações improváveis, se eventualmente sair um terceiro disco, podemos contar com mais nomes fora da caixa?

Quem sabe o Marcelo Rebelo de Sousa fazer um solo de acordeão.

Marcelo, cinco minutos de stand-up são teus. Vai. Imagina.

Ou outro humorista, mas já pensaste nisso?

Não, já pensei em pessoas. Obviamente, eu tenho mentalmente pessoas que eu admiro e que um dia vamos fazer qualquer coisa de certeza absoluta. E eu vou continuar sempre com essa premissa. Só assim é que me faz sentido continuar a trabalhar. É trabalhar com pessoas que eu adore e que me vão acrescentar alguma coisa. Portanto, não sei, eu ainda não estou a pensar no terceiro álbum, estou a pensar em canções soltas, portanto, logo se vê.

Depois lá mais para frente.

Passaste também pelo teatro, já tinhas dito há bocado. Fizeste teatro no gelo.

Que estupidez!

Mais uma para a lista.

Com o Aladin no gelo. Fazer teatro, eu acredito que já seja difícil. Fazer teatro no gelo para quem não está habituado, nem a fazer teatro, nem no gelo.

Então vamos pôr aqui o ponto assente. Eu rachei o cóccix e contorci a coluna. Não foi fácil, mas se eu repetia tudo, repetia. Foi uma experiência inacreditável.

Que horror!

Foi aprender o máximo de coisas. Aprendi imensa coisa em tempo limite, em tempo recorde. Eu acho isso incrível, adoro aprender coisas novas. E patinar foi mesmo aquela coisa de, sabes, os pais têm a técnica de atirar os bebês para a água, dizer: "Agora nada".

Aqui foi mesmo mas gelo.

"Mete os patins e vai". E eu pronto, lá fui.

Rachar o cóccix.

Mas rachaste o cóccix nos ensaios?

Foi nos ensaios, mas foi no ensaio geral.

ainda por cima.

E eu fui ao hospital e disseram-me: "Olha, vais estar em repouso duas semanas", e eu: "Não".

Licença que eu já venho.

E não estiveste.

Não estive, nunca fiz a recuperação e agora dói-me bastante.

Até conseguias atuar, tendo o cóccix rachado?

Estava medicada. Tinha que ser.

Então tu rachaste o cóccix e o que é que fizeste mais?

A coluna.

Contorci a coluna no centro. Não foi fácil.

E continuaste?

"The show must go on", como é que era?

Uma miota.

A minha cara estava em todo lado. De repente, aparecia outra mana, não sei.

Depois diziam: "Não era a senhora que estava lá no panfleto".

Pois não. Eu fui com tudo.

Apesar das quedas todas e das mazelas todas, fazias outra vez.

Fazia tudo outra vez e eu tive uma felicidade tão gigante. Ou seja, os que eles chamam os VIPs, que eu acho terrível este nome, mas pronto, que são as personagens principais, era eu, o André Leitão e o João Paulo Sousa. Com o João Paulo Sousa já tinha trabalhado, inclusive é grande amigo meu, portanto espetacular, 10/10. O André Leitão foi uma descoberta inacreditável e damo-nos tão bem e aprendi a maior parte das cenas de como fazer teatro, foi com ele. Ele foi mesmo meu braço direito em todo o processo e foi mesmo altamente. Repetia, convidem-me outra vez, eu faço outra vez.

No teu Instagram também tens um destaque que é o "Tou sim vida".

Que estupidez!

Eu fui fazer a minha pesquisa em todas as plataformas. Foi Wikipedia, foi o teu site, foi Instagram. Pronto, em que basicamente neste Tou sim vida, finges que atendes um telefone, não é? E depois dizes como é que te sentes nessa altura.

Exatamente.

Pergunto, se estivesses a atender agora um Tou sim vida, nesta altura da tua vida, o que é que respondias?

Tou sim vida? Estou muita bem. Estou mesmo muito bem. Estou numa boa fase.

Isso é ótimo. Isso é muito bom.

Estou muito feliz, estou descansada, estou em paz com a minha vida, com a minha profissão, por acaso estou numa excelente fase.

Que bom, ainda bem.

Para fechar, porque já estamos a acabar.

Não acredito.

Juro?

Os 40 minutos passam muito depressa.

Vocês conduziram muito bem isto.

Nada, ora essa. Para fechar, futuro. O que é que podemos esperar da Cláudia Pascoal?

Somos uns cuscos e queremos muito saber.

Em 2024.

Com certeza. Mês de abril, posso dizer que dia 24 de abril vou dar um concerto com a Marisa Liz e com a Garatunão em Setúbal. A entrada gratuita com fogo de artifício à meia-noite. Vai ser inacreditável o festejo do nosso grande 25 de abril. Depois temos dia 27 de abril, Ilha Terceira, a minha estreia absoluta nas ilhas, Ilha Terceira, bilhetes à venda. Estou muito entusiasmada mesmo com este concerto. E felizmente, mais datas que eu não posso anunciar, mas finalmente estão a chegar e vou anunciar agora no mês de abril. A minha participação na peça Teatro Popular, que vai estrear em junho, se não me engano. E portanto, é continuar a fazer músicas, mais músicas virão.

Vai ser um bom 2024 para a Cláudia Pascoal.

Vamos estar atentos.

Bom 2024. Olha, Cláudia, não temos mais tempo. Ficamos por aqui.

Espera, parecia que estávamos em janeiro, vai ser um bom 2024 para vocês. Um bom ano.

Já está a ser bom ano.

Bom ano, Cláudia.

Foi o "40 Minutos" de hoje com Cláudia Pascoal. Cláudia, obrigada mais uma vez por teres estado connosco.

Obrigado, Cláudia. Até para a semana.