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A cantora nasceu em Lisboa, participou no Fator X, já lançou vários singles, EPs e um álbum. Esteve também nomeada para um Globo de Ouro e no ano passado cantou para o Papa Francisco. Hoje recebemos Mimi Froes em "40 Minutos" na Rádio Observador. Bem-vinda.
Bem-vinda.
Obrigada.
Preferes Mimi ou Mariana?
Mimi.
Ok, Mimi. Já vamos falar sobre isso.
Ninguém me chama Mariana.
Ok. Só para esclarecer logo aqui no início. Mimi, vamos ter tempo para falar do teu percurso e também da tua infância, mas antes gostava de começar pelo que falei agora mesmo. Tu em 2023 cantaste para o Papa Francisco, na abertura da cerimônia de acolhimento da Jornada Mundial da Juventude. Como é que surgiu esta oportunidade e como é que reagiste a este convite?
Foi o Papa que ligou?
Sim, claro.
Mimi? Então, não. Estás aí.
Isso era todo outro nível. As jornadas funcionavam com voluntariado, ou seja, nós voluntariávamos para fazer qualquer coisa. E eu voluntariei para fazer qualquer coisa. E com o tempo apareceu um projeto que eu não pude agarrar e disse-lhes que não tinha forma de ir. E eles como queriam muito e como estavam muito contentes com a minha autoproposta, disseram: "Olha, gostávamos então era que abrisses estas cerimônias todas. Ainda por cima és uma miúda jovem, representas a juventude, és uma miúda jovem portuguesa católica e és cantora".
Encaixava-se perfeitamente.
Encaixava-se perfeitamente. E eles escolheram esta canção do "Joyful, Joyful", exatamente porque perdemos mais um ano de pandemia, etc. E portanto, por uma questão de que alegria, estamos fora de casa, está tudo tão melhor agora. E eu acho que de alguma forma foi um misto de escolher a jovem, escolher a portuguesa, escolher uma data de coisas que fizessem sentido para o momento. E foi super bem recebido, como é óbvio.
Ainda por cima, como disseste, sendo tu católica também cantar para o Papa Francisco, que é no fundo o símbolo máximo da igreja. Para além de cantares para imensa gente, ainda tinhas o Papa Francisco a ouvir-te. Como é que estava esse coração?
Eu estava meio em piloto automático. Aquela coisa de antes estava muito nervosa, estava quase a chorar. E de repente, quando entro, é piloto automático, porque é defesa. Entrei em defesa do gênero: "Ok, isto agora tem que acontecer". E o meu maior erro foi olhar para o Papa, porque de repente quando olho para o Papa é tipo .
Pânico.
E então aí foi mesmo: "Ok, não, foca-te". E foquei lá ao fundo, ou seja, aquele palco era altíssimo.
Pois, exato, aquilo era enorme.
E então lá ao fundo eu via o rio, foquei os olhos no rio/fechei os olhos, portanto andava sempre entre isso alternando. E aí acalmei.
Mimi, nós estávamos lá. Não sei se tu estavas nessa altura.
Eu não cheguei, fiz a emissão de cá.
Eu estava lá e lembro que na altura aquilo que chamava a atenção éramos pessoas.
Era uma multidão de gente.
Eu nunca tinha visto tanta gente no mesmo espaço. Eu lembro que na altura as estimativas eram 500, 600 mil pessoas.
Era, exatamente.
Como é cantar para isto tudo? Tu sentes tanto esta gente?
Não tens dimensão. Não, claro que não.
Em que momento?
Não sei. Poderia ter sido. Tu deixas de ver pessoas. De repente, era o que eu dizia, que parecia um tapete de cabeças tricotado. Primeiro, havia literalmente tapetes à minha frente nos primeiros, sei lá, eu não sei medir, eu não sei distâncias. Quero dizer quilômetro e acho que vou exagerar.
Não, eu creio que até o primeiro quilômetro era mais ou menos até a zona do Marquês de Pombal.
Metros sem fim de tapetes, eu devia saber o donde. Eram tapetes muito conhecidos, sei que não eram de Arraiolos, sei que eram de lá de cima, mas eram tapetes de flores de um sítio qualquer. E depois é que começavam as cabecinhas todas. E quando já eram cabecinhas, como já vinham não sei quanto tempo depois, era tipo um tapete de cabeças tricotadas. Então não dá para entender que são pessoas. De alguma forma, o que eu via era à minha esquerda o senhor presidente e o senhor primeiro-ministro, e à minha direita estavam os cardeais todos, etc. Só que eu sou estrábica, mas não tanto. Eu não conseguia olhar para um lado e para o outro ao mesmo tempo, então tinha os olhos mais presos lá à frente. Lá está, o meu erro foi só quando olhei para trás para o Papa Francisco que aí me comovi.
E já agora, falando nessa comoção, tu como católica, como jovem, o que achaste da Jornada Mundial da Juventude? Foi um momento marcante para ti também?
Foi. Eu acho que estou numa posição superparcial de ter sido marcante, mas eu acho que houve uma forma muito fluida na minha saída nesse dia. Eu fui-me embora a pé, por entre as pessoas. Não houve um momento artístico de vou-me embora por aqui, por esta porta, etc. Não, foi mesmo: "Ok, eu vou sair pela frente".
Como o melhor do povo.
E esse momento para mim foi importante. Eu estava a andar e via os comboios das pessoas todas de mão dada: "Andiamo, andiamo", não sei o quê. E depois do outro lado: "Vamos, vamos, por amor de Deus, vamos de uma vez por todas". Tu vês línguas e línguas e pessoas diferentes e não sei o quê, e de repente, de alguma forma, tu sentes ali uma alegria, estás numa aura de alegria, estás numa bolha de alegria sem fim. E eu ia a pé, demorei para ir, devia demorar 15 minutos a chegar a casa, deve ter demorado uns bons 45 minutos.
Só assimilar tudo.
Não dá para descer ainda, estão muitas pessoas a descer, uma colina que eu desço todas as semanas. Não é nada de especial, mas de alguma forma aquilo transbordava tanta alegria, que eu saí de lá e cheguei à casa de peito cheio, ou seja, de coração cheio. E por acaso, nesse sentido, acho que foi a minha melhor experiência das jornadas, fora claro, a atuação. Foi mesmo esse caminhar e caminhar com a juventude e ver por onde a juventude ia Eu não estava inscrita como voluntária. Voluntária sim, mas como peregrina. Não estava inscrita como peregrina, mas peregrinei aqueles segundos e soube mesmo bem. E depois, em casa, eu não sei se fui só eu, mas quando a Carminho cantou na Via Sacra eu estava de joelhos em casa. Eu fui de joelhos ao chão, do gênero: isto é uau, isto é mesmo tudo. A forma como ela se comoveu, a forma como ela se entregou. E aquilo foi super especial. E depois, isto aliado às tantas coisas bonitas que o Papa Francisco disse, eu considerei-me uma sortuda de fazer parte destas jornadas, que acho que foram um ponto, não digo um ponto de viragem, porque é sempre difícil dizer quando é que a Igreja tem um ponto de viragem ou não, mas foi um ponto importante. Foi um ponto de relevância, principalmente para os jovens, principalmente para os que não são da Igreja e principalmente eu acho que foi um abraço gigante. Estas jornadas foram um abraço muito grande dentro da Igreja e eu acho que nesse sentido fui uma sortuda em participar.
Claro. Tu dizias que obviamente ficaste nervosa antes de entrar no palco da JMJ. Costumas ficar nervosa antes de entrar em qualquer palco?
Sim. Eu tinha uma canção, que era sempre a primeira. Eu primeiro entrava à capela, no início dos meus concertos, sempre. É uma grande estupidez.
É mesmo. É preciso ter muita coragem para entrar à capela.
Mas eu não sabia. Aquela coisa que tu pensas e dizes: "Isto é uau".
Ótima ideia, mas depois a fazer...
Como é óbvio, te arrependes. E então eu entrava à capela e era uma canção que eu ia cantar e eu dizia a dada altura que ia cantar "Entrego todo o meu amor". E sei lá, eu sou uma pessoa muito gestual e levava as mãos ao coração e era esse momento que eu sentia e eu: "Ok, estou muito nervosa".
E nunca falhava.
Não falhava. Depois eu também trabalhava muito para ter a certeza. A minha psicóloga é que dizia muitas vezes, eu tenho uma psicóloga que é formada mesmo em performance, ou seja, ela foi psicóloga em alguns clubes desportivos, exatamente por ser uma questão de performance, porque não é muito distante a carreira de um desportista e a carreira de um músico, no sentido em que nós trabalhamos muito tempo e de repente há ali uma hora e meia, no caso deles, normalmente, o meu pode ser uma hora, uma hora e vinte, depende, que toda a pressão e todos os resultados têm que ser apresentados. E isso é um momento de alta pressão. E então eu fui ter com esta psicóloga de performance e ela dizia de facto esta questão. Já não me lembro onde é que eu ia dar. Alguém se lembra?
Estamos a falar de estares nervosa no palco.
Estares nervosa e controlares esse nervosismo.
Mas não era isso. Que estupidez. Não me lembro.
Pronto, fica para mais daqui a bocadinho se tu te quiseres lembrar.
Mas dou. Está ótimo. Não me lembro mesmo. Eu estava a dar a voltinha.
Entravas à capela, que é um salto de coragem. Punhas as mãos ao peito e aí é que te apercebias que efetivamente estavas nervosa.
Exatamente.
E lembras-te da primeira vez que entraste em palco?
Lembro. É injusta essa pergunta por um motivo, que é: eu era uma criança demasiado...
Jovem?
Sim, também. Era uma criança que gostava de atenção e era muito extrovertida e, portanto, eu lembro-me que havia um palco que eu subi porque sim.
Que idade tinhas?
Sei lá, sete, seis, talvez cinco.
Mas para cantar já? Ou invadir o palco?
Não, para cantar. Para dançar, já não sei. Eu sei que era umas festas de uma aldeia.
Uma festinha da escola.
Não, da aldeia.
Ok, é mais exigente, um bocadinho mais exigente.
Mas qualquer coisa desse género. Mas depois oficialmente, lembro-me que eu fazia ginástica acrobática e havia o sarau final de ginástica e eu fui cantar uma canção, porque descobriram que eu cantava, e então fui cantar o "Memories", da Barbra Streisand. E foi a minha grande subida. Eu lembro-me de ter dito à minha professora de ginástica, disse assim: "Precisava que fechassem as luzes do público", porque as luzes estavam mais abertas, porque era a edição da tarde, que era para as crianças não se assustarem. Só que eu é que ia ficar muito assustada se visse muita gente no público, então pedi para baixarem as luzes.
E baixaram as luzes?
Baixaram.
Ainda bem. Mimi, no início perguntei-te se preferias que te tratassem por Mimi ou Mariana. Como é que surgiu Mimi?
E Mimi Froes.
Surgiu, Froes é apelido.
Exato.
Mas a junção.
Vale.
Desde que te lembras.
Não, eu acho que fui Mimi antes de ser Mariana. Nunca percebi bem porquê. Sempre que eu pergunto à minha mãe, porque depois perguntam-me isto em entrevistas e eu tenho que responder.
Claro, são muito curiosos.
"Mãe, perguntaram-me outra vez". E a minha mãe diz sempre: "Não sei, tinhas cara de Mimi". E eu: "Não sei o que isso significa, espero que seja um elogio. Obrigada, mãe". E pronto, de alguma forma, eu sempre fui Mimi. Sou Mariana porque a minha irmã escolheu, porque a melhor amiga da altura da vida dela chamava-se Mariana. E então eu fico Mariana, mas passou a Mimi muito rápido. Eu não sei, eu digo sempre, eu acho que fui Mimi antes de ser Mariana. Mas não faço ideia, para ser sincera.
E foi fácil escolheres o teu nome artístico, ou seja, já te chamavam Mimi, Froes é o apelido, como disseste. Foi fácil ou ainda ficaste um bocadinho aí: "Agora como é que me vão chamar?"
Ou nunca pensaste em assumir um alter ego.
Foi por partes. O meu primeiro disco eu lancei em nome de Mimi, só. Só que depois, não sei, qualquer pessoa com dois dedos de testa sabe que se pesquisar Mimi no Spotify não vai encontrar a Mimi que eu quero. Conclusão, ao longo do tempo fez sentido adicionar o Froes, ainda por cima, para mim era um nome que caía bem, Mimi Froes. Não é um nome que demore muito tempo a ser dito ou que tenha algumas vogais que não conjuguem. Não sei explicar isto, é só uma cena natural.
Não, mas faz sentido.
É isso. E então da forma como caía, fez-me sentido e no segundo disco já assumi Mimi Froes.
Mimi, vamos então andar aqui um bocadinho ainda mais atrás. Temos já disseste a primeira-
Mais ainda? Antes de me chamarem Mimi?
Não, essa parte não. Essa parte acho que não. Mas disseste que a primeira memória que tens no palco foi no tal sarau. Mas quando é que percebeste que a música ia mesmo fazer parte da tua vida? Nós sabemos também que tiveste aulas de guitarra aos 12 anos.
Sim.
Foi mais ou menos aí?
Saber que ia fazer parte é muito difícil dizer-te, porque acho que foi muito oscilante ao longo da minha vida considerar quando. Ou seja, agora faz sentido, mas agora não faz sentido. Agora faz sentido e agora não faz sentido. Posso dizer-te que a primeira vez que eu disse: "Eu quero estar ali", foi num concerto do Bruno Mars, que foi o primeiro concerto que eu fui ver na minha vida, que comprei bilhete, porque lá em casa não tínhamos muita tradição e não temos muita tradição de ir ver concertos. Hoje em dia já temos mais. Tem que, não é?
Claro que tem.
Mas na altura não tínhamos muito essa tradição e foi o primeiro bilhete que eu comprei, tinha 16 anos e fui ao concerto do Bruno Mars e foi tão "uau", que eu disse: "É ali que eu quero estar". Mas hoje em dia até tenho medo desses palcos assim tão grandes, porque eu não sei onde é que aquilo foi. Deve ter sido, sei lá, no Campo Pequeno, uma coisa assim. Não me lembro, não sei se não foi no Coliseu.
Já cantaste na JMJ para tanta gente.
Também é verdade. Agora já está tudo.
Já vale tudo.
Mas foi um momento grande.
Claro. Olha, Mimi, se não tivesses seguido com a música, o que é que estarias a fazer agora? Porque houve uma altura na tua vida que chegaste a frequentar Direito, não foi?
Sim.
Mas depois também fizeste uma licenciatura em Jazz e Música Moderna.
Exatamente.
Não sei o que o Direito tem, mas eu sinto que já tivemos aqui muitos artistas que começaram a tirar Direito.
É verdade.
É verdade.
De certeza que a maioria deles pelo menos pensou em ir para Direito. Eu não sei qual é a compatibilidade.
Mas realmente estão muito ligados.
Sim, de alguma forma. Mas eu digo sinceramente, eu não sei porque é que fui parar a Direito. Ou melhor, sei, porque foi aquela coisa dos testes psicotécnicos, aquela coisa também de eu gosto de puxar pelo intelecto e sabia que Direito era mais intelectual. Hoje em dia, digo que se não fosse música, nem sequer era Direito. Eu era professora de Português ou uma coisa desse gênero, ou de Filosofia, ou destas coisas que me agradam um bocadinho mais e eu adoro pedagogia, portanto, era uma coisa que me fazia sentido. Portanto, eu não sei como é que fui parar a Direito.
Portanto, Direito foi um calço.
Não, eu adoro Direito e adorei estudar. Eu só não me via a exercer, mesmo, de forma alguma.
E chegaste a terminar o curso?
Não, fiz dois anos. Fiz dois anos todos terminadinhos, mas não. Depois tirei.
Depois foste então tirar a outra licenciatura, não foi? Em Jazz e Música Moderna.
Exatamente.
Como é que correu essa fase?
Correu bem, foi muito natural. Não sei explicar, de alguma forma houve um encaixe. Houve um encaixe duro, de alguma forma também, que basicamente a maioria das pessoas que vai tirar um curso superior de música, teve muitos anos a estudar música. Eu não tive muitos anos a estudar música. Ou seja, eu tive aulas de canto desde os 12, tive aulas de guitarra também por essa idade ou um bocadinho mais tarde, mas ninguém me ensinava assim muito particularmente. Ainda aprendi qualquer coisa de leitura com a professora de canto. O jazz é mesmo um idioma muito específico, tem uma linguagem muito própria, tem um estilo muito próprio. E de alguma forma, eu caí de paraquedas num sítio onde toda a gente estava uns bons e largos passos à minha frente. Só que Mimi Frois sendo Mimi Frois, é nerd como o raio e depois tem esta coisa de eu gosto de, por exemplo, um exemplo rápido, lá está, agora espero conseguir fazer o círculo. Que eu agora entrei num curso de espanhol e estavam a dizer-me: "Olha, ficas entre este ou este". E eu escolho sempre o de cima, que é eu prefiro estar atrás e correr e dar tudo atrás daquelas pessoas, mas ser a melhor, no final, ser a melhor da turma. Nem sequer a melhor, mas no final ser a melhor. Claro que isso não aconteceu no curso, porque lá está, muita gente talentosa, mas o meu objetivo foi logo esse, foi: "Ok, eu vou atrás desta gente toda e isso vai fazer de mim ainda melhor".
Motivo para fazer melhor.
Exatamente. E então, de alguma forma, há coisas que não encaixavam super bem, porque eu não estava ligada à linguagem do jazz, mas ao mesmo tempo houve imensa coisa que eu recolhi do jazz, que recebi de braços abertos para o meu projeto, que recebi de braços abertos para a minha forma de pensar a música, e isso foi a coisa mais positiva do curso.
Em 2014 participaste no Fator X, na televisão.
É verdade.
Foste tu que te inscreveste?
Sim, com amigos. Aquela coisa, lembro-me perfeitamente, estava na piscina. Bora lá!
Não se tomam todas as decisões na piscina.
Vamos comprar um barco.
Mas eu acho que nunca ninguém tem noção da decisão grande que é ir para um concurso de televisão. Mas é que eu acho que não se tem mesmo consciência. Ou seja, é aquela coisa de: "Bora lá, inscrevo-te aí". E de repente aquilo é duro. Aquilo é duro, aquilo é intenso, aquilo é exposição, aquilo mexe com muita coisa e do nada a tua vida pode mudar. Há edições que, por exemplo, têm mais pessoas, edições que têm menos pessoas, digo audiências, e de repente tens pessoas que saem com, sei lá, vamos falar em Instagram, mas com 40 mil seguidores e há pessoas que saem com seis. Depende um bocado das edições, depende um bocado se é kids, se não é kids, se é não sei o quê.
Tu notaste essa diferença?
Não, em 2014 o Instagram estava muito no início ainda.
Mas, por exemplo, na rua, na forma como...
Sim, mas durante. Só. Ou seja, depois as pessoas esquecem-se. É importante lembrar toda a gente que se vai inscrever num concurso de televisão e que acha que vai mudar a vida, que a maioria das pessoas que vêm são aqueles que eu chamo fãs de sofá. Ou seja, que são fãs que em princípio não se vão mover aos concertos, etc. Que estão na expectativa de ouvir aquelas versões que ouviram no programa, ou seja, não estão obrigatoriamente à espera daquilo que vem depois num álbum de originais. E isto é muito difícil de diagnosticar quando as pessoas se inscrevem, mas eu acho que é uma das coisas mais importantes a ter em consideração. Ou seja, não tomem estas decisões na piscina.
De forma inconsciente, mas no geral, gostaste de fazer parte do programa?
Sim, no geral, sim.
Foi bom?
Sim, claro.
Olha, Mimi, se calhar, não sei se temos tempo para mais uma perguntinha. Não temos, fica para a segunda parte.
30 segundinhos de tempo de compensação.
Queres lançar a pergunta à Maia?
Sim, porque tu fizeste um curso, já falámos aqui o curso de guitarra, o curso de canto, não é? Ainda fizeste um curso de escrita de canções com a Luísa Sobral.
Exatamente.
Como é que correu esse curso também? Sentes que ganhaste ferramentas também, tal como nos outros? Eu sinto que vais buscar muita coisa a muitos sítios, o que é bom, é muito positivo.
Sem dúvida.
Também ajudou muito essa experiência com a Luísa?
Claro. Ou seja, eu já escrevia qualquer coisa, mas aquilo ajudou A encaminhar, ajudou a perceber que era aquilo que eu gostava, que eu sabia fazer aquilo, como é que eu poderia melhorar a minha capacidade de escrita de canções. E a Luísa, acima de tudo, é uma pedagoga. Isto é um bocado injusto, eu não sei se ela se considera pedagoga, mas é uma mentora. É uma mentora mesmo excecional. As pessoas perguntavam: "Mas ela não te pôs a cantar ao estilo de Luísa?" E eu: "Não, não pôs mesmo". E eu tinha uma colega minha, que é a Bocó, que também é uma artista que anda aí, e que tinha muito o género dela própria e nunca saiu dali e a Luísa adorava e potenciava aquilo. Eu acho que quando um pedagogo é bom e quando um mentor é verdadeiramente um mentor e um exemplo, simplesmente ajuda-nos a subir de nível, não nos encarrila. Encarrila? Encarrilha. Não sei.
Agora ficou aqui o questionamento.
Não nos leva de forma completamente afunilada para aquilo que aquela pessoa faz especificamente. Aliás, porque a Luísa também é uma pessoa que faz muita coisa.
Muito bem. Mimi, vamos ter de fazer uma pausa para atualizar toda a informação. Já voltamos à conversa. Hoje recebemos Mimi Fróes em "40 Minutos". Na segunda parte, vamos falar de álbuns, inspirações e ambições. Até já. Hoje recebemos Mimi Fróes em "40 Minutos", na Rádio Observador. Na primeira parte falámos da origem da paixão pela música, também da tua passagem pela JMJ e pelo "Fator X". Agora gostava de falar do teu trabalho. Contas atualmente com dois EPs. É isto? Dois EPs, vários singles e um álbum de estúdio. Como é que encontras inspiração para criares música nova?
Eu acho que isto é o clichê. É no cotidiano, nas coisas simples da vida.
Não há esse segredo. Não vale a pena complicar.
Acho que sim, é isso. Neste último caso, neste disco, foi uma junção à terapia. Eu disse que tinha estado com a minha psicóloga de performance. E foi uma questão muito importante de aprender a desprender-me do controle. E portanto, todo este último álbum é muito à volta dessa ideia de não controlamos tudo, há coisas que nós não vamos conseguir domar de alguma forma. E portanto, este último álbum foi uma questão muito mais reflexiva e muito mais introspectiva do que os outros dois EPs. Os outros dois EPs são muito mais de observação do cotidiano ou de coisas que aconteciam, etc. E é uma coisa que eu gosto e não quero perder. Este álbum simplesmente vinha numa fase em que eu, em primeiro lugar, queria descobrir mais sobre mim a nível lírico, descobrir sobre mim, como é óbvio, que não precisamos de fazer música para descobrir, mas ajudou a desmistificar muita coisa. Coisas mais positivas, coisas menos positivas, mas acima de tudo, ajudou a estabelecer esta fase, que era uma fase de despojar-me do pânico, de perder o controlo e de aceitar, de forma muito mais tranquila, feliz e alegre, que as coisas não estarem no seu controle trazem um erro que é humano e que é uma sensibilidade boa de se manter.
Claro.
É complicado. Nesta altura, nós abrimos o Spotify, temos artistas de todos os feitios, todos os gêneros e mais alguns, muito parecidos às vezes uns com os outros. É um desafio ainda maior agora em 2024, nesta altura, criar novas sonoridades, ser diferente, fazer com que o público goste de nos ouvir. Achas que também há esse desafio cada vez mais agora de tentar fazer coisas novas?
Eu acho que o grande problema de se calhar haver muitos artistas novos não é tanto fazer coisas novas, é mais o espaço. Nós falamos muito sobre isto, estamos muito todos nesta discussão de os agentes culturais abrirem um bocadinho mais o panorama para darem mais espaço a vários artistas portugueses. Estamos nesta luta de valorizar cada vez mais a música portuguesa. Eu acho que isto são lutas que fazem todo o sentido e que vão ajudar a atenuar esta falta de espaço que muitas vezes os artistas sentem por serem muitos. Quanto a fazer coisas novas, acho que o problema é muito mais dos últimos 2 mil anos, como quem diz. O que é que há de novo?
Já existe tanta coisa, como é que se cria uma nova sonoridade?
Mas a verdade é que até tu a compores uma canção. Eu sempre quis fazer uma tese de mestrado, um dia que faça um mestrado, sobre isto, que é: uma canção é uma mera composição de peças que tu encaixaste de coisas que tu já ouviste. Às vezes eu ouço estas coisas de pessoas e nunca sei se estão muito bem comprovadas, mas ouvi uma vez alguém a dizer que houve umas pessoas que fizeram no algoritmo todas as canções possíveis e escreveram aquilo para os artistas serem livres e não haver aquelas coisas de plágio e das pessoas através de um algoritmo conseguirem. Eu lembro-me desta história, não consigo verificar, não verifiquei ainda e estou para aqui a falar e se calhar nem é verdade. Mas no fundo, hoje em dia, é possível fazer tudo, ou seja, já ter sido tudo feito.
Já te aconteceu, por exemplo, estares a compor uma música, estares a gostar, mas depois a certa altura dizeres: "Não, isto é demasiado parecido com este grupo aqui".
Claro. A última música que eu escrevi dizia assim: "Hoje chega o dia em que vai". E é muito parecido com: "Hold me close and hold me fast".
Pois.
Mas depende do universo em que tu fazes. Se tu te prenderes muito a essa questão, vais dar em maluquinho, não dá. Tens que saber ganhar alguma distância e saber quando aquilo está próximo o suficiente para teres que alterar verdadeiramente, porque às vezes é só a primeira frase, que era o meu caso. A primeira frase era parecida, mas o resto já não tinha nada a ver. E portanto, vou fixar-me só por causa de uma pequena frase. Olha, que bonito, inspirei-me numa canção que eu amo de coração.
É uma grande música.
E olha, é a minha homenagem, é tipo, gosto disto de tal forma que isto é uma peça do meu puzzle que é a minha nova canção. E eu acho que tem que haver alguma tolerância nesse sentido. As pessoas são muito intolerantes com plágios e as pessoas têm que ser muito mais tolerantes com plágios, porque é cada vez mais difícil não cairmos numa coisa que exista. E tem mesmo que haver esse tipo de tolerância para os artistas poderem ser livres.
Uma coisa é copiar uma música inteira, outra é quando tu dizes uma primeira frase.
É isso, é exatamente isso. Tivemos alguns escândalos e algumas histórias em Portugal. Há uns plágios assumidos, há uns não assumidos. E tivemos alguns não assumidos que quase boicotaram o artista e eu acho que é importantíssimo ganhar alguma distância. É uma cadência tão natural a nível musical que qualquer pessoa poderia ter caído aqui e é normal. E a Carolina Deslandes passa a vida a dizer que liga 300 pessoas quando ouve uma melodia minha que lhe parece já comum, para ter a certeza que não é plágio. E vale, e ainda bem que ela o faz e nós temos que o fazer. Agora, também não podemos estar sempre a cair em cima dos artistas quando isso acontece. Enfim, isso não me aconteceu, mas é uma coisa que eu assisto nos meus colegas.
E tens medo que te aconteça?
Tenho algum, mas eu trabalho com acordes tão diferentes e eu misturo tanta coisa que eu acho que acabo por ficar um bocadinho mais salvaguardada desse problema, porque trabalho com harmonias um bocadinho mais atrevidas, digamos assim.
E se quiseres responder nas próximas perguntas também a cantar.
Por nós, ótimo. Olha, Mimi, como é que é o ambiente em estúdio? É do género, chegas já com uma ideia na cabeça e concretizas ou ficas imensas horas até chegar a alguma coisa?
Olha, o meu estúdio é de forma orgânica, ou seja, nós vamos com tudo pronto. Nós gravamos todos ao mesmo tempo, é à antiga, live takes. Ou seja, está a banda toda num espaço, eu estou noutro espaço e de repente alguém carrega no rec e estamos todos a gravar ao mesmo tempo. Portanto, tem que ir tudo muito definido. Eu produzi este disco com o Tomás Marques. O Tomás foi meu produtor e o meu braço direito e o meu diretor musical e o meu grande amigo. E nesse sentido, dirigimos muito concretamente. No fundo, preparas um concerto, só que vais gravar esse concerto. É tão simples quanto isto. A banda tem que estar a soar como soa verdadeiramente em conjunto, porque depois é isso que vai acontecer em estúdio, no meu caso. Agora, por exemplo, começo a fazer alguns projetos diferentes e a história já é diferente. Fora de Mimi Froes, porque eu acho que uma coisa que nós temos muito lá fora e que temos pouco cá é artistas que façam várias coisas e que se proponham a vários projetos.
Sejam mais colaborativos.
Sim, tu tens tipo, o Tim Bernardes vem do Stern e é Stern e é Tim Bernardes. O Tomás Wallenstein é Tomás Wallenstein e é Capitão Fausto. Eu acho que isso é uma coisa que deve ser valorizada. Manel Cruz.
Talvez seja o supremo.
Temos alguns, mas no pop, mais assumido, temos menos. Não é tão costume, é mais costume abandonar um projeto para começar outro. E isso é uma das coisas que eu agora quero para este ano e para os próximos anos, é abrir mais projetos. E este novo projeto, principalmente por esta razão, porque é tão diferente, ou seja, eu vou para estúdio e é um processo de: "Olha, gravei uns teclados, fiz isso". "E tu, anda cá fazer as vozes". "Ok, mas deixa-me gravar a voz, porque hoje estou não sei o quê, e para a semana estou menos constipada". Isso não acontece num processo de estúdio do meu projeto Mimi Froes. Eu acho que isso acaba por ser o desafio bom de ter mais do que um projeto e do estúdio ser uma experiência. Eu quero sair daqui com a experiência full on da minha carreira. Portanto, eu quero ver aquele tipo de estúdio, aquele tipo de projeto, e é só isso que me move neste momento.
Tu há bocado dizias que no fundo a tua experiência de estúdio é como se fosses gravar um concerto.
Sim.
Tu és uma artista de concertos, gostas de dar concertos ou gostas mais de estar aqui a gravar?
Não, 100% concerto. Eu se pudesse tinha 10 pessoas à frente enquanto estava a gravar, porque muda a tua interpretação, porque estás a tentar falar, comunicar com as pessoas. Há uma espécie de uma barreira, quase literal. Quatro paredes e um microfone que tem normalmente aqueles pop filters, portanto, não vês nada à frente. Estás ali, estás mesmo ali e estás com os fones, e portanto estás ali e ponto final. Num concerto, tu sais dali. Tu tens que sair, tu estás a comunicar com o público. Tu dizes tu e apontas para aquela pessoa e aquela pessoa fica inquieta e isso move.
Ver a reação das pessoas é diferente.
Claro. O meu antigo manager dizia: "Olha nos olhos das pessoas". E eu adorava isso, ele tinha toda a razão, que era, eu olhava nos olhos das pessoas e as pessoas ora sorriam, ora ficavam um bocadinho importunadas e tu moves aquilo. Não te sei explicar, a música já comunica. Claro que sim, a música fala com as pessoas, mas quando és tu, que és o meio de transporte da música.
Da mesma maneira se calhar quando foi o Bruno Mars e se fosse ele apontar pra ti quando estavas no público com 16 anos.
Eu morria, isso é outra história. Aí eu desmaiava.
Também vias ficar-
É isso, é completamente isso. Eu acho que quando os músicos gostam muito de palco E gostam que não haja um obstáculo, que é o meu caso, há um momento, vivemos todos de mãos dadas, quase aquela coisa superespiritual de vivemos de mãos dadas este momento, este foi nosso. E para mim, o plural é uma das coisas mais importantes na música.
Boa. Já vamos falar do teu primeiro disco, porque já falaste brevemente. Mas antes vamos falar de "Declarações de Meia-Noite". Esta música faz parte do teu segundo EP, não é?
Exato.
"Ia Cantar", foi editado em 2021, e esta música esteve nomeada para um Globo de Ouro na categoria de melhor música. Como é que soubeste que estavas nomeada?
Ligaram ao meu pai, a irmã do meu pai ligou ao meu pai a dizer: "A Mimi foi nomeada". E o meu pai veio contar.
Passou mensagem.
Sim, e o meu pai veio contar-me. Estávamos nas férias de família, que a minha mãe só tem uma irmã e então somos muito próximos e passamos férias juntos. E estavam os meus primos todos à mesa, os meus irmãos, os meus tios e de repente: "Mimi, foste nomeada para um Globo de Ouro". E eu desato a chorar. Não é nada. E na altura, ainda estava no meu processo terapêutico, portanto aquela síndrome do impostor também, ouve um bocadinho de tudo. Houve muita alegria de estamos no caminho certo. Uau, tenho uma garantia que estamos no caminho certo. E depois houve o outro lado de: "Mas eu não sou ninguém, porque é que eu fui nomeada? O que é isto? Perderam a cabeça? Quem é que me nomeou? Perderam a cabeça? O que eu vou fazer à minha vida? Não tenho roupa, não tenho maquiagem". Mas depois foi uma coisa tão, não sei, hoje em dia, eu acho que já olhei para isto, já olhei para toda a minha vida de várias formas, é assim que é crescer, mas eu estou numa fase muito boa e muito tranquila agora e olho para isso com uma certeza, foi mesmo, disseram-me assim: "Olha, Mimi, está tudo certo".
E continua. Boa.
E bolas, e todos os artistas têm que receber essa mensagem das vezes que quiserem.
Estavas mesmo a precisar dessa notícia naquela altura.
Estava. Sem dúvida.
E como é que foi depois nos Globos? Como é que foi estar ali no meio de, se calhar, muitos artistas que admiravas?
Sim, sem dúvida. Foi muito especial. A Carolina Gilandes foi impecável, deu-me a mão porque ela percebeu o meu pânico e chamou, disse-me para eu ir ter com ela para me arranjar com ela. Então ficou tudo resolvido no que era da área da maquiagem e do cabelo. Mas digo-te uma coisa, estive a tentar com a minha mãe a tentar fazer a roupa, correu mal.
Fazeriam as duas a roupa?
Sim, estávamos a tentar desenhar e o que é que queríamos e não sei o quê, e era um macaco aproveitado, um macacão aproveitado, não sei o quê. Correu mal. Não quisemos. Então está a minha mãe e eu de véspera no El Corte Inglés a comprar uma peça à última da hora, mas por acaso correu bem.
Deu certo, pronto, correu tudo bem.
Deu certo.
Mimi, estamos aqui a caminhar para o final do nosso programa. Temos quatro minutinhos, mas ainda temos tempo para falar do teu trabalho mais recente, o primeiro álbum de estúdio, o "Contornos". Quando é que decidiste que fazia sentido começar a gravar este álbum?
Na altura em que fomos nomeados. Para mim foi uma garantia de que estávamos a fazer as coisas bem, que havia caminho. E então foi tipo ok, então é agora que vai fazer sentido apresentar um álbum. Já começo a ganhar alguns xins. A vida de um artista é um não durante muito tempo. E quando comecei a ganhar alguns xins foi então agora, se calhar, já abraços abertos para receber um álbum inteiro. E eu se calhar já estou capaz, é muito importante entender que a escrita de canções, ninguém nasce a escrever canções e as primeiras 50 deveriam, às vezes não vão, mas deveriam ir para o lixo, entre aspas, claro que nunca é lixo. Mas há muita porcaria antes de começarem a sair coisas boas. E também, por outro lado, associado a isto, é um músculo e portanto só quando o músculo já está completamente elasticado e já estamos prontos para escrever com mais regularidade, é que começamos a conseguir ter um conceito, pensar em 12 músicas. Porque numa fase inicial, 12 músicas é muito trabalho.
Pois é, isso é que um EP, pronto, ainda se faz, são só quatro, cinco musiquinhas.
É isso, e são as primeiras e sei lá o que for. O meu primeiro disco eram cinco músicas para aí de 50. Não, de 50 não, mas sei de 40, de certeza. O meu segundo disco era já de menos ou 30 ou lá o que era. E de repente este disco era de várias canções também, houve muitas canções que não entraram e podem ir para outros projetos, etc. Mas foi assim uma certeza de eu tenho uma ideia, tenho um conceito, está a acontecer uma coisa na minha vida e quero fazer isto desta forma. E só aí é que eu estava capaz de escrever tantas canções.
Claro. E este "Contornos" é sobre o que tu há pouco falaste-nos que olhaste mais para dentro, não foi? Achas que foi um processo de autodescoberta com este "Contornos"?
Acho que não, só porque eu já me conhecia muito bem. Acho que foi um processo de reformulação da minha forma de olhar para o erro, acima de tudo. Vinha com muita vontade, claro que ainda não está tudo resolvido, e eu acho que vem aqui uma dicotomia gira, que é aceitar que tu és assim. Ok, eu sou controladora, vou aceitar, já está, aceitei. E agora o que eu tenho que aceitar para além disto? Tenho que aceitar que quando as coisas saem do meu controle, está tudo bem. E portanto, não é uma questão de tentar deixar de ser controladora. Não é mesmo essa a questão, porque não vais conseguir, há coisas que são naturais em nós que não há volta a dar. E este é o caso. Eu não consigo deixar de ser controladora, de querer saber tudo, de não façam surpresas, etc. Mas eu quero, consigo, se tudo correr bem, aprender a lidar com o erro, aprender a lidar quando as coisas não foram como deveriam. Como? Através da perspectiva. Era o que eu te dizia. Aquela coisa de crescer e olhar para trás e já tenho outra visão, já tenho outra perspectiva. E eu acho que isso era a coisa mais importante deste disco.
Mimi, estamos quase a fechar. Temos apenas duas perguntinhas a mais.
Força.
Gostávamos de saber quem é a tua grande inspiração ou as grandes inspirações em termos nacionais e internacionais.
Tanta gente. Não, é mesmo muita gente.
Dá para fazer um top três.
Três?
Cinco, pronto.
Ok, cinco se calhar dá.
Juntando nacional e internacional.
Composição, a Luísa, sem dúvida. O Miguel Araújo, o Samuel Úria. Interpretação, Salvador Sobral, Terzinha Landeiro.
Foi rápido.
Exato.
Foi muito eficaz.
A reação de pânico, mas depois foi ótima.
Soma. Isto não há top cinco, soma das duas partes. Maro, sem dúvida. Ou seja, interpretação e a composição. E eu tinha alguém, agora esqueci-me.
Mas é gente muito nova, no sentido de o Miguel Araújo é talvez o mais velho que disseste.
Mas porque eu tenho esta tendência de ir em busca dos vivos ou dos que eu posso acompanhar de forma mais direta.
E internacionalmente, quem é que são os nomes que ouves desde mais jovem?
O desde mais jovem é mais difícil, mas internacionais, indo muito ao Brasil, o Tim Bernardes. Tenho sempre uma dúvida entre o Tom Jobim e o Edu Lobo. Depois, Silvia Pérez Cruz, agora mais do que nunca.
Só bons nomes.
E depois há uma mistura entre, ali no pop, Stevie Wonder sempre, a Adele e o Bruno Mars de outra forma. Joni Mitchell na sua forma desprendida de ser.
É complicado escolher.
É que às vezes há coisas que te inspiram, tipo o Manel Cruz. O que te inspira no Manel Cruz? A forma livre como ele faz as coisas, a forma como ele não está preso a nada.
Desprendido.
É isso. Por isso eu acho que há muitas coisas que inspiram diferentes pessoas, diferentes artistas.
Mas mesmo assim ainda conseguiste fazer uma boa lista. E para fechar, o que é que podemos esperar de Mimi Froes para 2024? Há concertos, há uma digressão de apresentação de Contornos? Outros projetos em paralelo.
Estamos a preparar a tour deste ano do Contornos. O Contornos vai ter que andar aí pelos palcos, chatear. E por outro lado, eu acho que é o ano do Contornos. Saiu em setembro, portanto é o ano do Contornos.
É o ano para o Contornos brilhar.
É isso, é o ano de vida do Contornos é o 2024 e não 2023, exatamente, porque como dizíamos há bocado, eu só vivo nos palcos.
Excelente maneira de terminar isto. Mimi, muito obrigada mais uma vez por teres estado conosco. Infelizmente, não temos mais tempo. Hoje estivemos à conversa com Mimi Froes. Podes sempre ouvir-nos em podcast e também em observador.pt. Mimi, obrigada.
Obrigado, Mimi. Até para a semana.
Muito obrigada.