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Começou a escrever os primeiros temas aos 18 anos. Diz ter tido uma infância muito feliz em França. Desde cedo que lida com a fama. Cantor e compositor, pai da Beatriz e do Gabriel. Diz que a paternidade o mudou em muitos aspectos. Depois de uma pausa para inspiração, está de regresso e com a promessa de um novo álbum para breve. Hoje, Mickael Carreira em 40 minutos aqui na Rádio Observador. Bem-vindo, Mickael.
Muito obrigado pelo convite.
Tudo certo? Certíssimo? A informação certíssima?
Temos bons investigadores.
Por acaso, eu acho que comecei a escrever com 15 anos.
Pronto.
Mas também nem eu tenho bem a certeza, mas foi entre os 15 e os 18 algures.
E os 18 algures. Nós já vamos explorar, mas para já, só para esclarecer, tu estás de regresso, tens novidades, música nova, já tens um álbum previsto. A verdade é que estiveste afastado algum tempo dos palcos para inspiração, porque eu acho que também faz parte. É uma vida muito cansativa e às vezes precisamos de parar. Tu sentiste alguma pressão para voltar?
Senti alguma. Sabes que eu acho que nem é uma máquina. Eu acho que quando tu vens de um ritmo como eu já vim, já são 17 anos de música, e foi uma pausa que eu fiz grande agora nesses últimos anos, porque vinha de um ritmo tão acelerado. Imagina, 28 concertos por mês, The Voice, gravações no México, em Miami, promoção também no México, e entretanto fui pai. Não diria que me cansei, mas eu acho que precisava respirar um bocadinho. Acho que até pra minha música foi importante reencontrar-me musicalmente, reinspirar-me. Eu acho que às vezes é importante parares um pouco e ganhares inspiração. Depois aconteceu aquilo que aconteceu e acho que nessa altura fui muito, muito abaixo. Eu acho que toda a gente tem o seu timing, o seu tempo e acho que me fez bem esse tempo em que eu estive parado.
E a pressão que dizias que sentiste para voltar foi uma pressão de quem? Dos teus fãs, que foram pedir certamente muitas vezes pra tu voltares? Foi uma pressão de ti próprio que querias?
Nós muitas vezes criamos essa pressão, não é?
Sim, essa pressão é nós mesmos, claro, claramente.
Sabes que eu deixar de escrever, nunca deixei de escrever. Eu sempre escrevi, até nesse tempo que eu estive parado, porque é das coisas que eu mais gosto é sentar-me ao piano ou pegar na guitarra e escrever simplesmente.
É terapêutico.
É terapêutico. Eu costumo dizer, mesmo se não fosse cantor, eu acho que iria escrever para outros artistas, que é um processo que eu gosto imenso. Mas sim, havia uma certa pressão por parte de muita gente: editora, dos fãs, da minha produtora. Houve uma fase que eu acho que muita gente achou que eu simplesmente tinha deixado a música. Pensaram: "Olha, ele foi pai e fartou-se disto e já não vai cantar mais". E é engraçado tu falares nisso. Sabes que quando tu estás parado durante tanto tempo, há um certo receio de que será que a malta vai estar presente.
Será que se vão esquecer de ti?
Sim, porque imagina, foram quase seis anos sem ouvir isto originais, são muitos anos. E entretanto apareceram artistas novos, os tempos mudam.
Percebo.
E tu pensas: "Será que ainda tenho espaço?"
Ainda tenho espaço? Isso passou-te pela cabeça? Esse receio.
Passou. Obviamente, passou novamente isso. Eu acho que é importante nunca perderes o teu ADN musical. Eu tentei fazer isso neste disco, evidentemente atualizando a sonoridade ou trabalhar com outros produtores, mas que o público oiça e diga: "Ok, é o Mickael". E eu acho que o single que nós lançamos agora há poucos dias, o "Caladinhas", está a ter um feedback incrível. Ainda há pouco estávamos a falar sobre isso nas tendências do YouTube, está a subir cada vez mais e Spotify e afins.
Sim, no YouTube, números assim em pouquíssimas horas. Portanto, vês? Toda a gente tinha saudades.
É, e reconforta também. Sentires que ok, bom, as coisas estão a encaixar e alinhadas. Mas sim, há sempre um certo receio de como é que vai ser agora.
Achas que hoje em dia acontece tudo muito rápido e se tu não estás no sítio certo, perdeste o barco. É isso?
Eu acho que tudo isso mudou bastante. É engraçado, porque eu estive com o Luan Santana, da última vez que ele esteve cá em Lisboa, e nós depois de assistir ao concerto fomos jantar e falámos sobre isso. Eu acho que o desafio hoje em dia para quem tem um caminho já traçado e longo, como é o meu caso, de se ir atualizando até nas plataformas. Por exemplo, vou dar um exemplo, o TikTok. Eu não danço, eu sou o maior pé de chumbo que tu possas conhecer na tua vida. A perna direita é claro que não mexe, eu tento, mas ela não vai. E portanto, até dentro desta plataforma, eu tenho que fazer conteúdos que façam sentido comigo também. Mas também estar presente ao mesmo tempo. Eu acho que o desafio muitas vezes é atualizares, fazeres coisas que estão na moda, entre aspas.
Estares presente, mas sem deixares de ser tu próprio.
Façam sentido para ti.
Exatamente. Claro que sim.
Isso neste momento, nesta tua fase da carreira, no início, que dificuldades é que encontraste? Era um mundo totalmente diferente, se calar menos digital, menos tecnológico, com menos essa pressão, mas tiveste também alguns desafios. Por exemplo, o apelido foi um desafio pra ti, na altura, desligares do teu pai?
Foi. Eu acho que o apelido tem coisas maravilhosas, porque quando tu começas, evidentemente que as atenções estão todas viradas pra ti. E tenho muito orgulho no meu pai, no meu apelido, imenso orgulho, e cada vez mais. Mas eu acho que às vezes acaba por ser mais difícil afirmar-se em nome próprio, quando já tens um pai como eu tenho, que tem uma trajetória incrível e costumo dizer que é uma lenda viva. E portanto, tens que se calhar trabalhar a dobrar muitas vezes.
E tu tiveste?
Sim. Trabalhar a dobrar e saber aceitar que é assim. Imagina, um puto de 20 anos começar como foi o meu caso. Ouvir certos comentários às vezes acaba por magoar um pouco, mas hoje com 37, passa-me completamente ao lado. Eu tenho de fazer aquilo que eu mais gosto.
Lembras-te de algum comentário que na altura te tenha marcado?
Se calhar houve tantos. Do gênero: "Não canta nada" e "Se não fosse o pai", e isto e aquilo. Mas faz parte.
Mas de pessoas ligadas à área, de fãs?
Não, coisas que tu vias às vezes. Eu acho que às vezes as redes sociais têm coisas incríveis, mas também há gente que vai para ali simplesmente despejar coisas.
Esse lado negativo.
Tens as redes sociais e também tens a imprensa, não é?
Também.
Mas pronto. Tu estavas a falar também do teu pai e eu comecei logo por falar da infância. Tu lembras-te da tua infância? Tiveste uma infância feliz?
Tive. Felizmente, tive. Passada fora. Eu nasci em França, nos arredores de Paris, em Dourdan, no 21 e vivi lá até aos meus 15 anos.
Estavas lá a gente a fazer as contas. Ok, não é teu, o Miguel tem.
Já disse.
Pois.
Mas está bem conservado.
Obrigado, meu querido. Daqui a pouco eu dou-te um abraço. Mas sim, tenho excelentes recordações e ao fim e ao cabo, a primeira metade da minha vida foi passada ali. O primeiro idioma é o francês, os primeiros amigos, tínhamos a família toda lá na altura, portanto, grandes recordações.
Mas o teu primeiro idioma, ainda falas muito francês, ainda pensas em francês ou agora já...?
Entre nós falamos francês.
A sério? Ainda?
E muitas vezes penso em francês. Mas eu acho que até no português sente-se o "staccato français" ainda hoje.
A sério? Nada.
Nada. Também não noto.
Não, acho que não. Aposto que quando te irritas sai em francês, certo?
Sim, quando te irritas, como é que sai?
Sim, em francês.
É com mais classe, de certa forma.
Sim. Olha, eu também li que no período que tu estavas em França, quando o teu pai saía em digressão, principalmente para Portugal, e ficava fora muito tempo, tu sentias muito a ausência do teu pai. Verdade?
Sentia. Sabes que eu acho que fui o culpado, entre aspas, de nós nos termos mudado aqui para Portugal de vez, porque eu lembro-me, eu sou pai e hoje se calhar os meus filhos daqui uns anos vão me dizer: "Não". Porque eu lembro que na altura fazia-me confusão passar muito pouco tempo com o meu pai, eu não sei dizer ao certo, mas era muito tempo que ele passava cá e nós estávamos lá. E na altura lembro-me de sentir saudades e de estar com ele e consegui convencer os meus pais a mudarmos para aqui de vez. Foi aos meus 15 anos e eu acho que foi das melhores decisões que nós tomámos enquanto família, porque estávamos todos juntos. Acho que foi uma boa decisão.
E foi fácil a adaptação? Lembras-te aqui a Portugal na altura?
Na altura, por um lado, foi fácil, porque fui para o Liceu Francês, portanto o ensino, o método era mais ou menos o mesmo, mas foi uma mudança drástica. Com 15 anos tu já tens muitos amigos, já tens algumas rotinas.
De repente largar tudo e toda uma rotina.
Uma coisa é vir para cá de férias, passar umas semanas e depois é viver. Eu lembro-me que na altura senti bastante essa mudança.
E gostavas de Portugal na altura?
Sim, imagino. Se eu convenci os meus pais a vir para cá é porque já amava Portugal. É engraçado falares sobre isso, porque eu já tive, felizmente, o prazer de viajar imenso através da minha profissão, muitos países, mas não me vejo a viver noutro país a não ser Portugal, porque eu amo o nosso país de paixão, gosto da gente, da comida, do tempo. Apesar de hoje não estar muito bom tempo, mas gosto muito.
Tu em 2016, à agora, torceste por quem? Por Portugal ou França, na final?
Não, Portugal. Sabes que ainda ontem falámos sobre isso com o meu irmão. Não, 100% Portugal, sempre. Mas era uma guerra que nós na altura fazíamos sempre contra França.
Pois é.
E nós éramos gozados na escola constantemente. Mas sim, Portugal 100%.
Tu estavas a falar do Liceu Francês, não sei se tu queres falar nisso, mas já disseste isso aí no final. Eu li que quando estavas a estudar, foste convidado a sair da escola.
Fui convidado, sim, senhor. Os meus pais foram convocados e foi do género: "O vosso filho não se está a adaptar muito bem e nós achamos que não é..."
Mas isso lá em França ou já cá em Portugal?
Não, cá no Liceu Francês.
Era no Liceu Francês. Eu não me adaptei muito bem naquela escola.
Vamos ficar por aqui.
Sim, vamos ficar por aqui, acho que é melhor, porque eu tenho que dar um bom exemplo, eu sou pai também.
Pois, era isso que eu ia dizer, depois os teus filhos vão ver esta entrevista.
Exatamente. Portanto, é isso. Estudem muito, portem-se bem.
Foste convidado, mas acabaste depois por sair?
Por sair. Mas foram simpáticos.
Eu gosto desta expressão, ser convidado a sair.
Normalmente é sempre assim, nos colégios a pessoa é convidada a sair.
"Temos aqui uma escola aqui ao lado que é muito boa, nós recomendamos. Ele vai gostar". E foi.
E não há muito a fazer. E depois, entretanto, estudaste música. Já aqui disseste que começaste a escrever aos 15 anos.
Certo.
Tens um pai músico, obviamente que isso também influenciou, mas quando é que sentiste que a música ia ser também a tua vida, tal como foi a do teu pai? Quando é que sentiste mesmo aquele clique de "Não, eu quero fazer isto"?
"Isto é o que quero", exatamente.
Não sei dizer ao certo. Imagina, eu acho que foi por volta dos 15, eventualmente, porque eu lembro-me que na altura acompanhava muito o meu pai nos concertos quando ele estava Duas, três semanas seguidas em concertos sem voltar a casa. Algumas vezes eu ia com ele e já ficava fascinado com tudo isso. O ambiente dos bastidores, ver o público, a malta a cantar e os músicos. Eu acho que foi mais ou menos por volta dos 15 anos.
E os teus pais nunca te tentaram dissuadir? Especialmente o teu pai, que tem essa experiência, do gênero: "Não vás, não sigas". Ou, pelo contrário, disse: "Bora lá, vamos a isto".
Não, meu pai não queria muito.
Claro.
Não queria muito. Aliás, eu acho que nenhum dos dois. Imagina, é uma profissão um pouco incerta. Eu acho que em qualquer profissão, quando tu fazes aquilo que tu gostas, és sempre um sortudo.
Claro.
Quer que seja na música, em rádio, apresentador, eletricista.
Claro que sim. Verdade.
Canalizador, seja aquilo que for. E eu consegui concretizar o meu sonho de menino e de criança, e eu acho que isso é incrível. Mas sim, na altura lembro que os meus pais não estavam assim muito convencidos.
E tu alguma vez tiveste outro plano B para além da música? Ou sempre soubeste que era isto?
Sempre fui muito sonhador. Sabes que eu já quis ser tanta coisa. Já quis ser astronauta. Isso era criança.
Vês? Lá está, as profissões que nós falámos há uns tempos. Isto sim, são as profissões de sonho das crianças, que nós há uns tempos estávamos a falar.
És jogador de futebol, é astronauta.
É! O bombeiro, o polícia, não sei. Pelo menos, acho que era aquilo que em criança, antigamente.
Advogado também. Já me passou, naquela altura, muita coisa. Mas eu acho que a música sempre foi o plano A, B, C e D, porque é aquele que eu mais amo.
Sim. Certamente que também esses planos que tiveste, ainda eras muito pequenino, não é? Depois à medida que foste crescendo. E também essa vivência com o teu pai. Por exemplo, tu quando ias para os concertos do teu pai, o que é que fazias? Ficavas a assistir nos bastidores, ias pra plateia, ficavas o mais perto dele possível?
Não.
Não te apanhou assim nenhuma história de bastidores?
Tu queres histórias.
Estamos cá pra isso.
Não, eu ficava ali a admirar todo aquele ambiente. É isso. Aquilo já me fascinava, estar nos bastidores e ver a entrada em palco, a ansiedade que tu tens antes de entrar em palco. Imagina quando tu tocas, até pode ser pra 1000, 10 mil, 20 mil pessoas, mas aquela ansiedade, aquele nervosismo.
Sim, que não interessa tanto o número. Tu sentes sempre o mesmo, a adrenalina e aquele estresse.
Sabes que é engraçado que eu fico mais nervoso em concertos pequenos do que, imagina, vou dar um exemplo. Já tive a sorte de tocar no Altice Arena, um concerto meu, mas já tive convívios com fãs pra 500 pessoas, onde eu ficava mais intimidado, porque é o meu contacto.
É mais íntimo, é mais perto.
Estás mais próximo.
Tu vês o olhar, as pessoas estão mesmo à tua frente, enquanto, por exemplo, no Altice Arena.
É um mar de gente.
Um mar de gente, é imponente.
Claro.
Mas eu acho que é diferente.
Esse foi o concerto mais especial até o dia de hoje? Se tivesses que mencionar um.
Foi um dos. É engraçado que ainda há pouco tempo falávamos sobre isso. Eu adoro tocar em romarias no nosso país, porque o ambiente é tão genuíno, é Portugal real. Eu adoro. Já tive concertos incríveis em terras que quase não aparecem no mapa e onde eu me diverti muito e passei momentos incríveis. Portanto, não consigo escolher um concerto. Se tu me falares dos grandes, eu acho que o Altice, sim, é o concerto.
É a maior sala de espetáculos do país.
Sim, e depois o Coliseu dos Reitores também foi incrível. Não dá pra escolher um concerto. Pelo menos pra mim, não consigo. Um concerto, não consigo.
Então imagina, tu agora já concretizaste Coliseu, check. Altice, check.
Check, eu gosto do check.
Check. E agora, o que te falta aí fazer um check?
Falta-me o Campo Pequeno. Nunca toquei no Campo Pequeno. Super Bock Arena, no Porto, também nunca. Portanto, eu acho que há sempre coisas pra fazer.
E lá fora?
Lá fora...
Há alguma sala em que ainda não tenhas tocado e que fosse um espanto?
Sim, o Olympia, por exemplo.
Pois eu ia perguntar.
Era uma cena incrível.
Por acaso, sempre que fazemos esta pergunta, normalmente a resposta é a mesma: Olympia, sempre.
Neste caso, e o teu pai já lá tocou tantas vezes, no Olympia.
Muitas. Aliás, já lá toquei com ele. Na altura, tinha sei lá, 17 anos, fui lá tocar guitarra com ele, foi muito giro.
A sério? Vocês têm esse registo, imagina?
Menos hoje em dia. Sabes que nós acabamos por estar tão ocupados nas nossas carreiras e acaba por sobrar muito pouco tempo pra estarmos juntos, às vezes. E às vezes, se calhar, até gostávamos de tocar mais vezes juntos. Eu, por acaso, acho que um dia gostava de fazer um projeto em família, os três. Não sei o quê, já conversamos sobre isso, sempre ficou no ar, mas eu acho que era giro.
E a sala? Seria o Olympia?
Todas as salas.
Nem sei se seria uma sala. Eu acho que era giro um dia fazermos um projeto os três.
Uma coisa mais intimista.
Sim.
Quase.
Já tivemos aqui o David.
Tinha aqui?
Já tivemos aqui o David há pouco tempo, portanto juntávamos nós os quatro.
Sim, e tinha que ser um especial "Rádio Observador".
Exato.
E uma conversa. Acho muito bem, um 40 Minutos especial. Vamos a isso. Está registrado. Olha, tu estavas a falar, por exemplo, obviamente, dos teus pais. Isto é uma coisa que nós todos sentimos, que é a vossa proximidade, a vossa ligação. Tu estavas a dizer, e é natural, cada um tem a sua vida. Mas imagina, tu falas todos os dias com os teus pais?
Sim, todos os dias. Aliás, eu trabalho com a minha mãe, a minha mãe é a chefe. Está lá no escritório, está lá comigo diariamente, com o David também, porque partilhamos os mesmos escritórios e estúdios. E com o meu pai, o meu pai tem o escritório dele a 100 metros do nosso, portanto, estamos juntos todos os dias.
Isso não coloca pressão?
Não, zero. Sabes que é giro, porque agora nesta fase que eu estou a voltar a lançar coisas O David também está a lançar umas coisas, nós acabamos sempre por trocar impressões e opiniões. É impossível nós não falarmos de música entre nós, porque estamos juntos todos os dias. Eu estou em estúdio, eu estou no escritório, portanto, estamos sempre juntos.
Vamos continuar a falar de música na segunda parte, porque agora vamos ter de fazer uma pausa para as notícias.
Vamos a isso. Muito bem, hoje com o Mickael Carreira em 40 minutos aqui na Rádio Observador. Já voltamos. Estamos de regresso e hoje à conversa com o Mickael Carreira em 40 minutos aqui na Rádio Observador. Já falámos, obviamente, da tua infância, da música. Passados estes anos, tu ainda sentes a mesma pica ou, neste caso, energia em palco?
No dia de hoje, sinto mais do que nunca. Parece que eu estou com 20 anos. Eu acho que esse tempo em que eu estive parado também deu-me, eu precisei desse tempo. E hoje em dia apetece-me fazer 150 concertos por ano, portanto, vamos a isso. Estou com muita vontade.
Isto é o Alvaro Fasquia.
Mas nunca perdi a pica. O palco é o que eu mais gosto, sem dúvida alguma. Gosto muito de estar em estúdio, também gosto muito de escrever, mas o palco pra mim, eu acho que depois de escrever, em que uma canção é tão tua, é um processo tão teu, de repente estar em frente a um mar de gente a cantar as tuas músicas é a maior recompensa que qualquer compositor pode ter. É aquilo que eu mais gosto, estar em cima do palco.
Daqui a 10 anos já vais estar quase nos 50, não é? Pelas contas que disseste.
Quase.
O Mickael piu.
Sim, percebi. Estou só a fazer uma prática.
Quase.
Quase.
Bengala.
Mas daqui a 10 anos ainda te imaginas também fazer essa vida de estrada, de carro em todo lado?
Eu acho que essa vida de estrada até é aguentar, basicamente. Sim.
Há artistas que fazem essa planificação da carreira logo a longo prazo e quero estar a fazer isto e aquilo.
Tu és muito go with the flow?
Sim.
Logo se vê. Tu fazes planos?
Faço, até me faliu a voz, mas faço vários planos e até no trabalho eu acho que hoje em dia tens que ser muito metódico e gosto de saber traçar objetivos. Agora eu acho que nessa parte de cantar, eu vejo-me a cantar até não aguentar mais. Tu vês, por exemplo, o Charles Aznavour cantou com até aos, sei lá, não me lembro, mas o senhor já tinha alguns anos.
Sim, perto dos 100.
Vês o Júlio Iglesias, o Roberto Carlos, são artistas que eu admiro imenso, portanto, que continuam até hoje.
O que te tira do sério?
O que me tira do sério? Eu acho que falsidade. Pessoas falsas.
Tens encontrado muitas durante a carreira?
Tenho encontrado algumas. Faz parte.
Tens lidado bem com isso?
Sim.
Aprende-se a lidar, não é?
Aprende-se.
Sim, até porque é uma carreira em que há muita gente à volta.
Eu acho que em tudo, em qualquer profissão. Mas nesta profissão, sim, se calhar há um pouquinho mais.
Porque é um país pequeno, não há assim tanto, não sei.
Sim.
Acredito que o mundo da música seja mais difícil. Já falámos há pouco aqui da imprensa e tu nunca tiveste receio do fato de, por exemplo, assumires um compromisso pudesse prejudicar a tua relação com os fãs? Isto mais no início, obviamente, da tua carreira.
É uma pergunta muito interessante. Acho que nunca me fizeram essa pergunta.
Vamos.
Sim, no início, sim, tenho que ser honesto. No início, se calhar achei que, imagino, com 20 anos, onde felizmente havia bastante público feminino e com 20 anos em que as coisas estão a começar.
E aquelas imagens, vamos assumir, faz parte.
Alguns artistas que tu viste que não assumiram, etc. Tu tentas seguir alguns padrões. E eu tive algumas relações, não tive muitas. No início, com 20 anos, com uma pessoa também bastante conhecida, onde estávamos os dois no início das nossas carreiras e na altura não assumimos. Mas eu acho que hoje em dia é uma coisa perfeitamente normal. Eu com a Laura, por acaso, nós assumimos logo à primeira, acho eu, logo de início. E eu acho que é bonito, quando tu amas realmente alguém, poderes assumir, acho que é tão bonito.
E achas que agora, passados estes vários anos de carreira que tens, foste obviamente uma das pessoas mais escrutinadas pela imprensa cor-de-rosa, pelos meios sociais. Notas que agora com o passar destes anos, também com o aumento das redes sociais, com tudo isso, achas que é mais agressivo ser famoso? A fama tem esse lado mais agressivo agora? Achas que esse cerco aperta-se mais sobre vocês?
Não. Acho que não.
Tu achas que está igual nesse sentido?
Sim. Eu acho que hoje em dia tens de ter algum cuidado com aquilo que tu dizes, medir muito bem aquilo que tu dizes, porque às vezes pode ter, principalmente na imprensa, pode ter várias leituras.
Tu fazes isso? Pensas muito bem no que vais dizer precisamente já com algum receio de repercussões?
Quando tenho uma opinião, acho que também não podemos partilhar tudo. Todos os dias ir para as redes sociais e falar sobre tudo, não sou esse tipo de pessoa. Mas quando tenho algo a dizer, digo. Acho que tens que o dizer. Quando tenho, digo. Quando me apetece.
Claro.
Mas sim, eu acho que Portugal, mesmo assim, comparado com outros países, eu tive experiências também fora, por exemplo, no México, onde eu lancei alguns temas em espanhol, são mercados mais agressivos. Eu acho que mesmo assim Portugal é um país relativamente tranquilo nesse aspecto.
Não sentes muito?
Não, acho que a pressão é muito menor do que aquela que tu tens lá fora noutros mercados, noutros países, como França, por exemplo, como América Latina, onde tive algumas experiências com artistas com os quais eu trabalhei, como o Enrique Iglesias, o Sebastián Yatra, e fiz muitas coisas também naquele mercado. Portanto, sim, Portugal mesmo assim é tranquilo.
É mais tranquilo.
Sim.
Nós aqui já recebemos desde jogadores de futebol, cantores, atores, atrizes, e a ideia que às vezes também passa é que vocês têm mesmo de ter esse filtro, porque há um medo, acho que é a mesma palavra. Há um certo medo de não poderem dizer tudo o que pensam ou o que querem, porque haverá sempre essa pressão, sendo figuras públicas, não poderem, se calhar, falar sobre todos os temas que gostavam. Não sei.
Sim, quando me apetece falar sobre um tema, eu falo sobre ele. Mas lá está também, há tanta coisa que acontece no teu dia a dia.
Claro.
E quando tem algo, eu não vou logo para as redes falar, porque sim, também tens que fazer essa gestão. Portanto, sim, quando me apetece falar sobre o assunto, eu falo, sem problema.
Olha, há uns anos, qual era a tua banda de eleição ou a tua inspiração? Não sei se ainda é a mesma ou não.
Boa pergunta. Eu tive várias. Xutos, sempre gostei muito dos Xutos. E acho que são, sem dúvida alguma, na música portuguesa, uma grande referência para qualquer artista. Coldplay, gostei imenso. Sim, por aí. Queen também adorava na altura.
Sim, do Tom Chaplin.
Já foi há uns anitos. Mas sim, Coldplay. Gostava imenso de Coldplay.
Foste vê-los a Coimbra?
Não, com muita pena minha. Sabes que eu ouvi dizer que foi uma produção incrível. E com muita pena minha, não consegui ir, mas deve ser uma experiência top.
Olha, e o melhor concerto que já viste? Agora que estavas a falar dos Coldplay.
O melhor concerto que eu já vi foi do Bruno Mars, talvez.
Rock in Rio?
No Altice.
Altice. A última vez que ele cá esteve, acho que foi no Rock in Rio, mas ele já tinha estado no Altice.
Por exemplo, Madonna é um concerto incrível, mas Bruno Mars, o que eu senti, eu acho que desde a produção, à performance dele em cima do palco, à maneira como ele puxa pelo público.
Porque também tem muito a ver com a tua maneira de ser e de estar em palco.
Sim. Quem viu concertos meus sabe disso. Eu tenho que comunicar com o público, senão fico doente. Fico mesmo. Se eu sinto que o público não está a gostar e não está a participar, se não sentes esse retorno, a mim é algo que me frustra bastante e começo a bater mal.
E como é que tu dás a volta? Porque isso certamente já deve ter acontecido, aqueles dias em que o público não está assim tão participativo.
Não, eu acho que tem muito a ver também com a comunicação que tu tens em cima do palco. Eu gosto que as pessoas sintam que fazem parte também do concerto. Eu acho que isso é uma coisa, apesar de estar num registo mais romântico, mas temos também temas mais mexidos.
Sim.
E eu gosto que as pessoas sintam que estão em casa e que estão ali a passar um bom momento. E depois na parte da produção, sempre fui bastante cuidadoso neste aspecto. Eu acho que quando tu vais ver um concerto na estrada, tem que ser uma experiência para as pessoas, porque uma coisa é ouvires o disco em casa, as músicas, mas quando tu vais para a estrada ou a um concerto numa sala, é as pessoas dizerem: "Realmente valeu a pena ter pago, ter gastado dinheiro para ver".
Ou seja, as pessoas não querem ouvir o CD, querem o espetáculo, não é? Senão, para isso já têm o CD.
Claro, exatamente. Quando vou ver um concerto, é aquilo que eu gosto, é sentir realmente que houve uma experiência ali, que a produção estava incrível e o som estava bom. Eu tenho sempre esse cuidado em todos os concertos.
E esses artistas que falaste, quais deles é que foram as tuas maiores referências no início da tua carreira e durante a tua carreira? Havia alguém que tu almejasses ser também?
Sabes que eu sempre ouvi de tudo, mas eu sempre tive uma grande ligação com cantores românticos, por exemplo, Cristian Castro, vocês não devem conhecer, que é um cantor mexicano, o Luis Miguel, Roberto Carlos.
Também um bocado a imagem do teu pai, se calhar?
Sim, porque o meu pai também ouvia estes artistas. Eu inevitavelmente também cresci a ouvir e continuei a ouvir e são artistas incríveis. Sei lá, Enrique Iglesias, por exemplo, eu gostava muito do Enrique quando tinha 15 anos e de repente ter o privilégio de trabalhar com ele, lembro que na altura foi tipo: "Isto não está acontecendo, estou a gravar com ele". E já tocamos ao vivo também algumas vezes, tanto cá como fora do país também. Mas houve muitos artistas. Bryan Adams, por exemplo, que eu adoro. Michael Bolton.
Mas sempre o estilo mais romântico, não é?
Sempre não, sabes que mais? Eu ouço de tudo. Rock, pop, fado. Eu acho que quando a música é feita com bom gosto, tudo aquilo que é bom, que se sabe bem ouvir, eu ouço tudo.
Mas tu agora com a música nova, também voltaste a um registo mais romântico.
Mais romântico. Também na minha idade tem que ser mais romântico.
O que é isso da tua idade?
Não, mas é sem dúvida alguma aquele que me sai mais naturalmente. Portugal conheceu-me com 20 anos, eu na altura escrevia, não escrevia tanto. Porque muita coisa ia para o lixo. Acho que não tinha Não podia entrar no disco e na altura trabalhava muito com o Ricardo Landú, que fez muitos êxitos da música portuguesa e que trabalhou comigo durante muitos anos. Mas evidentemente que hoje em dia a vivência que eu tenho, estou com 37, estou muito mais à vontade para escrever sobre certos assuntos, de coisas que me aconteceram.
Não tinhas a maturidade para falar sobre isso.
Não tinha maturidade. Coisas que me aconteceram, coisas que aconteceram a pessoas que me são próximas, os meus amigos, familiares, inspiro-me sobre tudo isso. É sem dúvida alguma o registo que eu mais gosto e acho que até o meu público identifica-se muito mais nesse registo, a ouvir-me a cantar nesse registo.
No registo romântico. Ao longo deste percurso que tens, porque é inevitável, eu lembro-me sempre disto. Por exemplo, o Elton John antes de fazer a sua despedida dos palcos, há uns tempos tinha dito que havia uma música que ia deixar de tocar, que era o "Crocodile Rock", que pura e simplesmente para ele já não fazia sentido.
Grande pena minha.
Mesmo, é uma das minhas favoritas. Mas ele disse que não fazia sentido. Tu também tens algumas músicas que hoje em dia já não-
Tenho, que já não ponho no alinhamento. Sim. Ainda aconteceu este ano nos concertos. Eu tenho aqui uma música que os músicos estavam mortinhos para tocar, que é um tema musicalmente muito interessante. Eu disse: "Malta, não, não faz sentido eu estar a tocar este tema, porque vamos passar de um tema e para este e o público vai achar: 'O que é que aconteceu aqui em palco? Nem mudaram de cantor'".
Qual é que é?
Não vou dizer. Mas eu acho que às vezes quando tu constróis o alinhamento, e eu perco muito tempo a fazer isso antes das turnês, que é sentar-me e contar uma história dentro do alinhamento. Tu começas do primeiro até ao último e é aquele ir crescendo, não perderem energia, às vezes vai um pouco abaixo, mas depois tem que crescer novamente e que faça sentido. Há músicas que eu gravei ao longo da minha vida, que se calhar hoje em dia já não voltaria a gravar.
Mas aí disseste que não ias colocar no alinhamento porque não fazia muito sentido no discurso, no alinhamento, na história.
Certo.
Mas por exemplo, já houve músicas que deixaste de tocar porque estavas mesmo farto? "Já estou farto de ouvir esta música, de tocar esta música, de cantar".
Não, vou explicar porquê. Porque se eu toco uma música muitas vezes é que ela teve muito sucesso.
Certo.
E acho que quem vai ver um concerto teu, vou dar um exemplo, como o "Porque Ainda Te Amo", já toquei esta música 40 mil vezes. Eu tenho que tocar esta música, por mais que eu esteja farto de tocar esta música.
Mas podes te fartar, não é?
Posso me fartar.
Não digas se te fartaste, mas nunca.
Mas nunca aconteceu nestes temas, porque acho mesmo bonito temas meus que tiveram tanto sucesso. Sou mesmo grato em relação a isso. O que eu faço? Aí vou te responder à tua pergunta. Imagina o arranjo, eu tenho sempre que mudar um pouco os arranjos para ir apimentando um pouco, até eu próprio-
Continuar a ser desafiante, não é?
...me agarre a cantar essas músicas, porque já canto o "Porque Ainda Te Amo" há 10 anos, acho eu, 10, 12, não sei ao certo. E em cada ano tento sempre, até para quem vai ver o concerto e para mim próprio, sentir que ele está diferente. É o "Porque Ainda Te Amo", mas está com um toque diferente.
Como é que tu dás a volta aos momentos mais exigentes, barra, difíceis?
Como é que eu dou a volta aos momentos mais-
Como é que superas? Como qualquer outra pessoa, há dias ou há momentos mais complicados. Como é que uma pessoa com a tua exposição, agora falando, consegue?
Que tipo de momentos?
Os momentos mais tristes.
Não, eu acho que os momentos mais tristes, eu acho que é estares junto dos teus. Sei lá, acho que é estares junto dos teus.
Mas não sentes que é mais difícil, tendo em conta lá estás. Isso é o que acredito que eu e a Catarina também façamos, mas o facto de teres essa exposição maior é mais difícil para ti ou não? Consegues na mesma ter esse resguardo?
Eu acho que com o passar dos anos aprendes a defenderes-te, a ti próprio. Eu acho que isso vem com os anos. A experiência que eu tenho hoje em dia não é a mesma do que eu tinha com 20 anos. Sim, eu acho que o meu refúgio sempre foi a casa, sempre foi a família. Sempre.
E é o melhor refúgio que há.
Vamos olhar para o futuro. 2025 é quando podemos ouvir o teu álbum ou podemos esperar um bocadinho mais cedo?
Não, 2024.
É o próximo ano.
Seguramente, sem dúvida. Não sei quantas canções é que terá o novo disco, porque ainda estou neste processo de escrever os temas e finalizar as produções, mas posso dizer que é um disco... Lá está, uma pessoa dizer: "Vai ser o meu melhor disco", é sempre suspeito. Mas eu acho mesmo que vai ser o meu melhor disco.
Por quê?
Porque acho que vai ser o disco... Eu tive tempo de escolher as canções neste disco, que é uma coisa que eu não tinha no passado. Eu gravava, imagina um disco de ano a ano ou de dois em dois anos, e havia sempre aquela pressão no meio da estrada, no meio de viagens, de ter que fazer música, e às vezes não é fácil. Nesse aspecto, tive todo o tempo para trabalhar neste disco.
Aquilo de que não gostaste, pudeste fazer de novo, fazer melhor.
Ou então dizer simplesmente: "Isto não vai entrar no disco, porque não estou ao nível daquela música".
Certo.
E temos algumas colaborações também muito interessantes neste disco, de artistas que eu admiro imenso e que são muito queridos também pelo público português.
Que não podes revelar agora.
Que eu não posso revelar agora.
Faz parte.
Faz parte. Mas depois imagina, eu acho que os feats neste disco aconteceram de uma forma que eu acho que é a forma correta. Imagina, eu escrevia as canções e depois eu dizia: "Se calhar convidava esta pessoa para entrar nesta canção". Não fiz as canções a pensar naquele artista. Daí eu achar que este disco realmente sou eu a 100%, a 200%. E depois alguns fizeram-me o favor de aceitar e gostaram imenso das músicas e olha, acho que é um disco muito especial para mim.
Muito bem.
Uma alcunha. Tu tens alguma alcunha?
Tenho, tenho o Mica.
É?
O Mic. Mimi.
A sério?
É, Mimi. Minha mãe chamava-me Mimi, eu odiava.
Ainda chama quando estou a trabalhar?
Não. Eu odiava à altura, mas até acho fofo hoje em dia.
Então não é? Eu também acho. Mickael, foi um prazer.
O prazer foi todo meu.
Muito obrigada. Diz só uma coisa, tu vais ter o álbum e depois obviamente vamos ter concertos.
Novo disco e concertos. Um concerto totalmente renovado, tanto a nível de cenário, a nível de som, a nível de alinhamento. Quem viu o concerto deste ano vai sentir grandes diferenças.
Pronto, muito bem, era só isso que eu queria para terminar. Agora sim. Muito obrigada.
Obrigado.
Foi um prazer.
Obrigado.
Volta sempre.
Espero voltar em breve.
Rádio Observador.
Obrigado.
E não te esqueças daquele projeto com o pai.
Sim.
Os três.
Temos que falar sobre isso.
Temos que falar?
Temos que falar.
Vamos falar já já a seguir. Muito bem. Hoje Mickael Carreira em "40 Minutos" aqui na Rádio Observador. André e nós estamos de regresso para a semana com mais "40 Minutos". Até para a semana.