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O convidado de hoje começou a carreira na música um pouco por acaso e que até então nunca tinha imaginado vir a ser cantor, embora venha de uma família muito ligada à música. Tem uma ligação próxima com os fãs, com quem está sempre a comunicar. Diz que não gosta de envelhecer, diz também que é genético, ninguém na família gosta de envelhecer. Foi expulso do Liceu durante 20 dias. Vamos querer saber mais sobre isto.
Não vamos querer saber sobre isso.
Vai ter uma última dança com os fãs no nome da digressão que começa em maio em Lisboa. David Carreira em 40 minutos na Rádio Observador. David, bem-vindo.
Olá. Desde já, obrigado. Obrigado por me receberem aqui.
Obrigada a nós.
Não vamos falar sobre a expulsão.
Então começamos mesmo por isso.
Vamos falar de coisas boas.
Não, primeiro vamos mesmo começar pela última dança que está marcada para o Altice Arena, 11 de maio. Depois anunciaste uma pausa nas digressões, mas deixaste sempre claro que vais continuar, obviamente, a fazer música. Mas muito se tem falado acerca desta pausa. Há até quem diga que isto é um golpe de marketing.
Não, repara. Eu sei que possa parecer estranho, porque eu vou fazer 13 anos de carreira e até pode parecer que é muito cedo, mas eu acho que não. Eu acho que tudo na vida tem de acontecer quando faz sentido. E pra mim, neste momento, faz sentido. Depois de 13 anos, todos os anos uma digressão. Vou lançar agora o nono álbum de originais. Portanto, é perto de um álbum por ano. E é uma coisa que eu acho que não faz sentido estar a fazer um álbum e ao mesmo tempo estar a fazer uma digressão. E ao mesmo tempo estar a fazer um projeto na televisão, como vou apresentar agora brevemente com a Kelly na TVI. Estar a fazer tanta coisa ao mesmo tempo, tu não consegues fazer tudo bem.
E depois ainda tens a família.
E depois, como é óbvio, ainda tens a família. Portanto, por isso é que eu decidi. Não é uma pausa na carreira, não vou deixar de cantar, não vou deixar de lançar música nova, mas é uma pausa de digressões. Aquilo que mais me faz feliz é cantar ao vivo. Entre estar em estúdio e estar em cima do palco, o que mais me faz feliz é estar em cima do palco. Mas tive que tomar essa decisão de: "Ok, é necessário lançar música nova, porque quem me acompanha gosta de ouvir músicas novas". Então, se calhar, prefiro, depois desta última dança tour, deixar de fazer digressões durante um tempo, não sei, um ano, dois, três, quatro, pra depois ter tempo pra poder preparar música boa e estar em estúdio a fazer música que eu acho que valha a pena lançar e que seja um acrescento na minha carreira e que as pessoas que me acompanham nestes 13 anos possam gostar também. Então é uma decisão. Não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo, pelo menos tentar fazer tudo bem ao mesmo tempo. Então não é um golpe de marketing, é uma decisão. Lá fora faz-se muito. Os artistas têm um período pra estar em estúdio e produzir música e há um período pra estar em digressões. Em Portugal é que costumamos fazer tudo ao mesmo tempo.
Sentes-te cansado por também teres tido estes quase 13 anos sem parar? É também uma forma de recuperares baterias, recarregares um pouco?
Eu não me canso propriamente, porque eu adoro fazer aquilo que eu faço.
Quem corre por gosto não cansa, não é?
É isso, eu divirto-me imenso, mas hoje em dia eu tenho um filho.
Que é diferente, cansa mais, dormes menos.
Não é cansar mais, eu quero aproveitar pra não perder certas coisas. Ele fez agora oito meses, ontem chamou-me papá pela primeira vez.
Muito bom!
É uma escolha, como na vida são escolhas. E a escolha é essa, vou deixar de fazer durante um tempo, não sei quanto tempo, aquilo que mais gosto de fazer, que é estar com o público.
Mas vais estar de outra forma.
Mas vou estar de outra forma. Lançando música nova, estando nas redes sociais, que eu tenho uma ligação muito próxima com quem me acompanha. É uma escolha. Prefiro lançar música nova. Vou lançar agora um álbum antes do Altice Arena, ainda não está a data escolhida. Lancei o "Men" há duas semanas, vamos lançar música nova agora sexta-feira também, que é a "Última Dança", que é a música que dá o nome da digressão. E eu prefiro fazer isso, que é dar-lhes sempre música nova. Fazer uma tour que seja a última dança, a maior digressão que eu já fiz até agora e que começa no Altice com um concerto em grande e depois ter mais calma nos concertos e continuar a apresentar temas novos.
Ou seja, é uma última dança, mas não é uma última dança.
É, não é uma última dança, não sei.
Olha, eu adoro o nome, pra já. Adoro mesmo o nome da digressão, acho que é mesmo muito catchy e é do gênero um casamento. É a última dança. Ok, é uma dança...
É o que eu queria que transparecesse. Repara, e acho que isso é muito bonito. Há pessoas que me acompanham, que tinham 10 anos e hoje têm 20.
Tu já vais quase pra 13 anos de carreira. 13?
Sim.
13, como é que é possível?
Comecei muito novo. Comecei muito novinho também.
13 anos.
Tu começaste com que idade?
Comecei com 18. 18 nos Morangos, salvo erro, 18, sim.
Mas tu começaste primeiro nos Morangos e só depois veio a música.
No ano logo a seguir, sim. Com 19.
E isso estava nos teus planos ou foi assim meio por acaso?
Não, tudo, zero. Nada do que me aconteceu estava nos meus planos.
Quais é que eram os teus planos?
Os meus planos era futebol.
Opá, não me digas.
Era futebol.
A sério?
Tal como nos Morangos?
Ou estudar, tal como nos Morangos.
Na tua personagem.
Os meus planos era economia, caso não corresse bem no futebol Não sabia muito bem o que fazer em Economia, mas gostava de números e do lado empresarial da coisa. Sempre gostei. Do lado de criar algo. Sempre fui muito fascinado em criar coisas. Em primeiro lugar era o futebol e depois sempre gostei muito de música, mas numa família com dois cantores, o meu irmão já cantava na altura, era quase, para mim, improvável. Então foi: "Não, vou estudar, caso não corra bem". E de repente entro nos Morangos e a minha vida muda completamente. Representação, primeiro álbum, segundo e até à Última Dança agora.
E representação, nunca mais pensaste em voltar?
O último projeto foi, salvo erro, há dois anos.
Mas voltar para te fixares mesmo.
A Rua das Flores. Eu vou fazendo, consoante os projetos. Nomeadamente o facto agora de fazer esta Última Dança e depois, se calhar, vou ter mais tempo, vai me dar a possibilidade de fazer mais projetos na ficção. E uma das coisas que quero fazer, e alguns projetos que já estão em andamento, é projetos de streaming também, em que possa fazer parte da produção também do projeto em si e também com o canal com quem trabalho mais, que é a TVI. E agora vou fazer também um programa com a Kelly Bailey, com quem me dou muito bem e temos uma amizade brutal, que é um programa em que vamos dar dinheiro às pessoas. E então vou acabar por ter mais tempo para poder fazer isso tudo. Agora, se eu tiver que escolher entre música e representação, aquilo que mais me completa é a música, mas adoro representar também.
Mas eu agora fiquei aqui só com um bichinho. Falavas em streaming, falavas em canal. Podemos ver-te nos Morangos com Açúcar algures na Amazon/TVI?
Nesta primeira temporada, não. Nesta primeira não estou.
Estás a vir com um sorriso muito...
Não.
Estou a brincar.
Eu estou com um sorriso que é para não chorar, porque eu gostava de estar. Não, era impossível. A minha agenda tem sido também muito difícil. O facto de ter saído de digressão, acabar o álbum novo que está prestes a sair, não ia sequer conseguir fazer as coisas bem feitas e entrar nos Morangos nesta edição. Mas tenho muita pena, porque os Morangos para mim foi uma fase muito boa da minha vida e espero, penso eu, que vai ter sucesso.
Tu já falaste várias vezes, tu quando te metes nas coisas é para fazer, obviamente, bem feitas. És muito exigente contigo e isto é algo que vem também da educação dos teus pais, da tua família?
Penso que sim.
Quando é para fazer, é para fazer e ser exigente.
Eu tento ser exigente comigo próprio. Ultimamente tenho pensado muito nisso, pelo facto de anunciar a Última Dança, tenho pensado muito nisso. Hoje em dia sinto que só faz sentido fazer algo se eu sentir que estou a fazer a diferença, se eu sentir que estou a apresentar alguma coisa de novo. Não me apetece continuar a fazer música se eu sentir que não estou a acrescentar nada, que estou a repetir o mesmo que eu fiz no álbum anterior.
Fazer por fazer.
Fazer por fazer. E no dia em que eu sentir que isto está a acontecer, prefiro então deixar de cantar definitivamente. E em digressões a mesma coisa. Eu sinto que agora tenho uma energia nesta Última Dança Tour e no concerto do Altice Arena, porque sinto que vou trazer algo que nunca fiz, que vou fazer a maior produção que eu alguma vez fiz em concertos. E a nível de ideias, isso é ótimo. Quando tu acordas de manhã e sentes: "Eu vou fazer algo que toda a gente que estiver lá no concerto vai pensar: isto não é possível o que está a acontecer". E eu estou a pôr a fasquia alta porque eu sei que a minha vontade é trazer algo completamente novo. É uma experiência. Eu sinto que em 2019, no Altice, houve isso. Era um concerto 360, o palco no centro do Altice Arena, a estética do concerto era diferente. Aqui quero tentar fazer melhor.
Claro que sim. Outra coisa, e eu confirmo, fala-se muito no clã Carreira e na vossa união. Tu lês o que escrevem sobre ti, primeiro que tudo?
Zero.
Revistas, digital, nada?
Nunca, porque eu odeio ver-me. Eu não gosto de me ver em entrevistas. Não é por não ter interesse em saber o que escrevem sobre mim, é simplesmente porque eu não gosto de ver as minhas próprias coisas.
Mas sentes que também a vossa família está sempre à frente ou está sempre à procura de qualquer coisa? Sentes isso?
Eu já senti quando lia mais. Como tu não lês, não sabes. Eu só sei que estão a falar de mim ou que está a acontecer, por exemplo, às vezes tu tens coisas, às vezes até pode ser mentira. E eu só sei quando tenho um amigo meu que se aproxima de mim e me diz: "Tu viste o que estão a dizer sobre ti?" E eu: "Não, diz-me lá". E a partir daí é que eu descubro o que está a acontecer, quando já é muito grave, normalmente. Porque senão, simplesmente não sei. Porque não leio, não pesquiso.
Mas é difícil abrigar-se a isso? Porque às vezes são tantas notícias que acredito que seja difícil escapar um pouco. Vês pouca televisão, usas poucas redes sociais, por exemplo
Vou te ser sincero. Eu acabo por não ver, porque simplesmente estou focado em mim. E quando digo em mim, é, por exemplo, no estúdio, ou estou focado em preparar a digressão, acabo por não ver, acabo por não saber. Só mesmo quando se torna verdadeiramente grave é que acabo por ser avisado por alguém do que se está a dizer. Mas eu sinto que a imprensa até connosco tem sido tranquila, acho eu. É óbvio que às vezes algumas coisas saem, mas faz parte.
Mas sim, vocês são uma família que tem muito carinho por parte dos portugueses e eu há pouco estava a dizer, essa vossa união transparece e acaba por ser também o segredo para os momentos mais difíceis. Por exemplo, a separação dos teus pais. Foi um momento difícil? Fez-te até questionar, às vezes, a questão do amor ou nem por isso?
Não. No outro dia eu estava a falar disso, estavam a me perguntar se eu iria casar.
Eu também tenho essa pergunta, porque a Carolina foi de branco nos Globos de Ouro.
Será um sinal?
Não. Então perguntaram-me isso e eu disse: "Eu, por acaso, não tenho o sonho de casar e a Carolina também não. Nós não temos esse sonho e os dois acreditamos que o maior casamento é quando tu tens filhos, porque é algo que fica pra vida". Hoje tu casas, amanhã estás te a divorciar e casas novamente, e assim sucessivamente. Um filho é pra vida, é uma ligação que nunca vai desaparecer. E então, pra mim, o maior casamento é quando tu tens um filho com alguém. Por isso é que não me afetou de todo, porque uma coisa é o amor que eu sinto pelos meus pais, uma coisa é a relação deles. São duas coisas completamente distintas. E com a Carolina é igual, uma coisa é o amor que eu tenho pela Carolina, outra coisa é o amor que eu tenho pelo meu filho e que espero que ele, quando vier a crescer, tenha por mim também. E que já tem, que já me chama papai.
Nós vimos há bocadinho.
Ficou gravado.
Privilégio.
Acho que é das coisas mais bonitas, é quando tu tens um filho com uma pessoa.
Sentiste que mudou a tua vida?
Sinto que muda todos os dias. Até na perspectiva de como abordar a música também. Hoje em dia tenho muito mais cuidado quando estou a fazer música, porque penso que um dia ele vai ouvir este tema e quero que ele tenha orgulho nesta música também. Portanto, acho que é um grande motivador.
E podemos esperar algumas diferenças na tua música a partir de agora?
É bem diferente. Imagina, já o "Menta", que foi o single que lançamos agora há duas semanas, já se nota um bocado uma diferença musical em relação aos temas anteriores. O "Última Dança", que sai agora sexta, também se vai notar. E acho que este álbum é bem diferente musicalmente, a nível de letra também. A nível de estética, já começa a ser bem diferente dos álbuns anteriores.
David, falamos há pouco das notícias, se via as notícias sobre ti. Os nossos ouvintes de certeza que estão ansiosos pra saber notícias, mas sobre o mundo em geral, porque vamos ter de fazer aqui uma pausa.
Vamos fazer agora aqui a pequena pausa. Já voltamos com mais notícias sobre o David.
Também quero saber o que se passa no mundo.
Vamos a isso então. Hoje, David Carreira, em 40 minutos aqui na Rádio Observador. Voltamos já, a seguir. Estamos de regresso e eu já à conversa com o David Carreira em 40 minutos na Rádio Observador. Já falámos no "Última Dança", mas vamos voltar ao "Última Dança". Também tens aí um programa na TV que nós vamos querer explorar. Pra já, começámos aqui a falar um bocadinho mais do teu lado pessoal. Também já falámos da Carolina, do Lucas. Falámos também desta união, que eu acho que é característica da vossa família. E aqui entramos só num tema mais sensível, que tem a ver com como é que tu segues a tua vida depois de um golpe tão grande?
Repara, eu acredito, e no outro dia estava a falar disso com um amigo meu. Eu acho que há duas formas de ver a vida quando te acontece algo muito difícil, pessoalmente. Ou tu decides lutar, ou decides desistir. É assim que eu vejo. E lutando, há várias formas. Podes precisar de ajuda, a ajuda pode ser familiar, pode ser médicos e psicólogos, mas eu decidi lutar todos os dias e tenho razões pra isso. Tenho um filho lindíssimo, tenho uma família linda, sou feliz naquilo que eu faço, tenho a sorte de poder viver daquilo que eu faço, tenho a sorte de poder ter algum sucesso nos meus projetos. Portanto, é seguir em frente. Às vezes é É tentar ser feliz.
E tens conseguido?
Tenho. Na maior parte das vezes, tenho. Todos nós passamos por isso alguma vez na vida. Alguns mais tarde, outros mais cedo. Eu sempre tentei ver a vida pelo lado positivo, é o que eu tento fazer sempre. E acho que pra quem passa por situações difíceis na vida cedo, pode ser algo que te ajuda a estar mais preparado pra vida e pros golpes que a vida te vai dar, porque dá sempre. Porque é assim. Ainda noutro dia eu estava a gravar um videoclipe de uma música que vai sair neste álbum, que é uma música dedicada ao meu filho, ao Lucas. Eu ando a falar muito do meu filho, porque ele disse papá ontem. Portanto, ainda estou nesta fase.
E deixa-me adivinhar, neste momento, mais de 70% das fotografias são do teu filho.
É, por isso é que eu ponho o telemóvel pra baixo, porque o fundo da ecrã é a cara dele. E ainda não quero mostrar. Estávamos a dizer o quê?
Estavas a dizer de música.
É que eu estou que está tanto na conversa que eu já me perco.
Não, mas isso é bom. Estavas a dizer que estavas a gravar uma-
Sim, um videoclipe.
Um videoclipe, em que no videoclipe sou eu e a Carola a envelhecermos até termos 90 anos. E então ele também a envelhecer até ser ele a tratar de nós com 90 anos. Nós começamos por tratar dele agora e no fim acaba ele a tratar de nós. E a vida é isso mesmo. A partir do momento em que tu entendes que a vida é assim, que às vezes vais ter golpes e vais ter vários momentos também felizes, tens que aprender a viver pra esses momentos felizes e pelo menos é o que eu tento fazer. É o que faz sentido. E os portugueses sempre foram muito carinhosos comigo. Até hoje em dia na rua, ainda várias pessoas se cruzam comigo e dão apoio. Isso é muito bom.
Sentes que, no geral, respeitaram o vosso luto e a vossa privacidade?
Sim. E dão apoio. Os portugueses na rua sempre. Eu não sei por quê. Às vezes há coisas que não têm explicação, como é que são tão simpáticos. Ainda agora, a entrar, dois senhores de uma marca que não posso dizer, mas que trabalham aqui ao vosso lado.
Ao lado. Já sabemos.
Que entregam coisas.
E começa por você e termina em ti, não é?
É isso. Que vieram logo e tão simpático. É isso. Por isso é que eu não percebo os artistas que não tiram fotografias, os artistas que não fazem sessões de autógrafos, que é algo que eu nunca entendi. Eu no Altice Arena, se eu tiver que ficar até às 7h da manhã, como já fiquei no anterior, pra dar sessão de autógrafos, eu fico, porque é a maneira de agradeceres quem te dá a possibilidade também de seres aquilo que tu és e de fazeres aquilo que tu gostas. Sempre me fez confusão as pessoas que não dão. Às vezes apanhas nas redes sociais. Aquele recusou uma foto a um fã na rua. Às vezes não custa nada. Por mais que tenhas um dia mau, uma foto, claro, bora.
E aquele segundinho pode ser crucial na vida da pessoa.
Sim, e não te custa nada fazer isso. Às vezes pode ser pessoas que são rudes e tal, ok, aí entendo, mas na maior parte das vezes não é o caso.
Olha, e nestes anos de carreira, o momento mais feliz. Consegues identificar um?
Profissional?
Sim.
Bem. O momento mais feliz é difícil.
Então momentos assim mais marcantes.
Ok. O Rock in Rio, há um ano atrás, acho eu.
Sim.
Há um ano atrás.
Exatamente.
Rock in Rio foi um momento muito marcante pra mim porque é um dos maiores palcos em Portugal. É um palco que nem o meu pai, nem o meu irmão, nenhum deles ainda tinha pisado. E eu senti que eu acabava ali por representar também o meu pai e o meu irmão. E sobretudo também o meu pai, que após tantos anos nunca pisou aquele palco. E então eu senti que eu estava ali em meu nome, mas em nome dele também. E acho que é ótimo quando isso acontece, quando tu olhas para o teu pai e que ele é em backstage. Ele tinha concerto nesse dia, mas foi ver o soundcheck. Quando ele é em backstage, olha pra ti e tem aquele olhar de: "Bem, parabéns". E isso é uma coisa que acho que qualquer filho, podes ter 30, 40, 50, 20, vais sempre gostar desse olhar. E então foi um momento que a mim me marcou muito. Depois, Altice Arena, em 2019. O primeiro Altice marcou-me bastante, porque era um objetivo. Sei lá, são tantos momentos, é difícil.
Falavas do teu pai, desse olhar do teu pai. O que significa o teu pai pra ti e se é difícil ser filho do Tony Carreira?
Difícil em que sentido?
No sentido da pressão que tens em cima de ti. O título de De saberes que o meu pai é o Tony Carreira e, por outro lado, também o que significa, como disseste aqui, essa importância de teres o teu pai ao longo da tua carreira, pensares no teu pai quando vais fazer o concerto, o que significa? Eram duas perguntas. Os jornalistas são uma raça.
Só explicar isto aqui, que hoje foi uma noite tramada, porque o David e o Lucas esta noite não foi fácil.
Não, mas é uma pergunta interessante. Repara, eu nunca pensei nisso. Eu sinto que no meu percurso o que me ajudou muito foi não pensar demasiado, às vezes, as coisas. Foi ir pelo instinto e arriscar. Repara, eu acho que o facto de não pensar nisso nunca me trouxe pressão acrescentada. Nunca me trouxe uma pressão que eu pudesse pensar no peso da responsabilidade ou o peso do apelido. Agora, é óbvio que abre portas, porque as portas que te abre é a curiosidade. Vamos dar um exemplo, o filho do The Rock. Acho que tem um filho, não é? Ou uma filha. No dia, se quiser ser atriz ou ator, toda a gente vai ficar com curiosidade. Deixa ver o filho do The Rock, como é que ele se sai. A partir daí, se for bom, OK. Se não for bom, ninguém vê um filme se não gosta do filme, ninguém ouve uma música se não gosta da música. E então acho que aí há portas que se abrem, é curiosidade, mas depois tens que provar. No final do dia, tens que mostrar o teu projeto e as pessoas têm que gostar daquilo que tu fazes. Por isso, quem manda verdadeiramente é o público. E acho isso muito bom, porque não há intervenientes. Quem manda é o público. Se gostarem, há vários filhos de cantores que nunca conseguiram ser cantor. E isso mostra que no final de contas é o público que manda. Portanto, por isso é que eu nunca quis pensar ou acabei por nunca pensar na responsabilidade do apelido. E acho que acabou por ser mais saudável para mim. Acho que sim.
E o teu pai dá-te conselhos?
Mais conselhos de vida do que conselhos profissionais, mas muitos conselhos de vida. E eu sempre gostei de conselhos como: aproveita agora. No caso de um filho, aproveita agora que eles crescem rapidamente. Portanto, vários conselhos de vida, sim. Conselhos na música. Eu sempre fui muito independente nas minhas coisas. Repara, eu antes de lançar o primeiro álbum, eu só avisei a minha família e amigos uma semana antes de o lançar. Antes de anunciar a Última Dança Tour e esta pausa, só anunciei aos meus amigos e familiares uma semana antes de anunciar.
E por quê?
Porque eu nunca fui apologista de pedir demasiadas opiniões, porque ao pedir opiniões acabas por influenciar o teu feeling. Como é que se diz?
Ficas um bocadinho condicionado, não é?
Não, eu sempre segui o meu instinto. Acho que agora faz sentido fazer isto. Acho que agora faz sentido lançar um primeiro álbum, vamos ver como é que corre. Acho que agora faz sentido fazer um concerto no Altice. E então nunca quis pedir demasiadas opiniões que não viessem influenciar o que eu possa sentir que seja a altura certa. E sempre foi mais ou menos assim.
E a tua família sempre aceitou essa tua maneira de ser?
Sim, acho que acabam por ter de aceitar. E pelo menos sabem que eu guardo sempre grandes surpresas.
Olha, com esta história toda, acabaste por não dizer por que foste expulso do liceu.
É verdade.
Eu não vou dizer por quê, mas o que eu posso dizer é tudo simples. Estudem, trabalhem. Estudar é muito importante. Se eu pudesse, teria estudado mais. Eu acabei só o 12º e acabei por não ir para a faculdade porque entrei nos Morangos. Sempre tive muita pena.
Economia, não era?
Economia. Na Nova, inicialmente, era para entrar na Nova, mas acabei por não ir porque entrei logo nos Morangos com Açúcar.
Pronto, por isso é o melhor conselho que podes dar.
E não deixem de estudar, é muito importante.
Fica aquilo em preto. Pronto, assim fica já respondido. Olha, força André.
Eu ia perguntar, e estavas a falar sobre essa questão de seguires muito o teu instinto. Não estares também sempre muito à boleia das opiniões. Tu sentes que tens sido posto à prova durante a tua carreira? Como disseste, sentiste agora uma necessidade de reinventares, de certa forma. Vais fazer esta pausa. Tu tens sentido também essa pressão do público? Porque já falámos da pressão, do facto que disseste que não sentes, da questão do apelido, mas e da parte do público, tu sentes essa pressão e essa sensação de que estás sempre a estar posto à prova?
Eu sinto que não é da parte do público, eu sinto que é da minha parte também, possivelmente. Porque repare, eu comecei a cantar em 2011 Não tinha agente, ninguém me queria agenciar, na prática. Sim. Então eu tive que ser o meu próprio agente.
Mas diz-me só uma coisa, tu foste bater algumas portas e disseram que não?
Sim.
Mas nem deram resposta?
Porque não acreditavam no projeto e isso é legítimo. Repara, ninguém é preso por não acreditar num projeto, ou num artista, ou na visão de um artista. E então eu acabei por ser o meu agente.
O que é que isso significa? O que é que tu fazias, no fundo? Eras tu que contactavas as salas de espetáculo?
Não, imagina, por exemplo, quando eu fiz o meu primeiro álbum, eu ainda estava nos Morangos com Açúcar. Convenci um compositor, que era o Paulo Martins, na altura, e disse: "Eu gostava de experimentar cantar". Lá fizemos um álbum. Só que eu não tinha agente, que é quem vai fazer acordos com editoras.
Sim. Depois as ligações com as rádios, com a imprensa.
Marcar imprensa. Não tinha nada disso. Então fui eu que fui falar com o editor, com a Farol Música na altura, com 19 anos, a dizer: "Olá, venho aqui com o meu álbum". E então como não tinha agente, eu acabei por criar a minha própria estrutura muito cedo, logo no início e aprendendo com os erros. E agora o novo passo que eu dei neste álbum é: deixei de ter editora e tenho a minha própria editora. Eu acho que é algo que foi muito benéfico no meu caminho, o facto de ter de fazer as coisas sozinho e arranjar pessoas que entrassem comigo nesta aventura. Pessoas que estivessem na minha agência e agora na minha editora também. E acho que os desafios sempre foram esses. O público, sinto que sempre tive a sorte, e no dia em que isso não acontecer, prefiro deixar de cantar, que o público ache que já não estou a acrescentar nada. E aí prefiro então deixar de cantar, porque não faz sentido eu estar a continuar algo. Que as pessoas façam para mim, grave músicas para mim, para ouvir, para mostrar aos amigos, mas não faz sentido lançar. Então esse caminho foi feito e essas peripécias foram acontecendo por resultado da vida e acho que só me fortaleceu, penso eu, porque acabei por aprender coisas. Tu tens muitos artistas que não são agentes da sua própria carreira. E não quer dizer que seja mau, porque encontraram alguém em quem confiam e que pudesse fazer isso por eles. No meu caso, não aconteceu assim.
Por exemplo, quando tu começaste, eu fiquei surpreendida de não conseguires ir a editora. Tu quando foste à procura, achavas que ias levar com esse não? Foste também apanhado de surpresa? E já percebi que tem muito a ver com a tua postura, tu aceitas e siga caminho. O caminho é pra frente, eu já percebi que tu és assim. Não ficas muito preso. Ou seja, tu encontras a solução, não agarras o problema.
Porque acho que toda a gente tem a legitimidade de não acreditar numa pessoa ou num projeto.
Mas foste apanhado de surpresa?
Algumas vezes. Agora, algumas vezes correu bem também. Tive uma muito boa relação com a Farol Música, a minha primeira editora, com a Sony Music, que foi a seguir, que era a Paula Homem, que era quem estava a dirigir a Sony Music. A partir do momento em que a Paula saiu, eu também passado um ano e meio decidi sair também da Sony. E então acho que onde eu sempre fui muito feliz, e a Farol ajudou muito também neste caminho inicial, a Sony Music também. E é óbvio que há momentos em que algumas pessoas não vão acreditar no projeto e se calhar passado três anos vão dizer: "Olha, afinal tinhas razão e agora estou interessado em trabalhar contigo".
Já recebeste mensagens a dizer tipo: "Olha, afinal resultou, peço desculpa."
"Estou arrependido por não ter dito sim."
Eu já também fiz isso. Eu acho que é legítimo. No outro dia estavam a perguntar: "Já algum artista te deu uma nega para entrar numa música contigo?" Eu disse: "Já, como eu já dei negas." Mas faz parte. Às vezes uma nega não é por achar que não faz sentido fazer a música contigo. Pode ser não gosto da música, temos que trabalhar outra música, acho que não faz sentido pra mim. Pode ser, já tenho vários lançamentos, eu agora no próximo ano não posso fazer duetos com outros artistas. E é legítimo. Eu acho que é mau é quando tu levas isso a peito e de uma forma pessoal e não entendes que aquela pessoa tem os planos dela e a vida dela profissional também. E que às vezes pode não encaixar ou não.
Pode não ser o timing.
Sim, às vezes não é o timing.
Olha, já vamos voltar outra vez à "A Última Dança", mas de resto também já falámos aqui da tua carreira, agora do Lucas, do pai, da Carol, também já falaste do casamento, mas quero também explorar o teu novo programa com a Kelly. Conta lá.
Pois é.
Isso é que nós queremos saber. Vais andar a distribuir dinheiros.
Sim, a pergunta é: onde é que está o dinheiro?
Onde é que está o dinheiro? Neste momento, o dinheiro poderia estar, se tivéssemos aqui, poderia estar dentro dos computadores.
A sério?
Então vamos já a isso.
Podia estar, vocês têm ali umas alcatifas, não é? Podia estar dentro das alcatifas.
É para isolar o som. Mas isso é melhor já não.
Podia estar no escadapeis. As colunas acho que era muito caro para pôr nas colunas, é melhor não.
Mas é isso que podemos esperar no programa, não é? Sítios criativos.
É, criativos. Basicamente, eu vou tentar ajudar as pessoas a encontrar o dinheiro. A Kelly também vai tentar. Nós não podemos dar as pistas, como é óbvio, mas o dinheiro vai estar escondido nas casas dos portugueses e não sei ao certo quantas famílias, mas são várias famílias e que vão ter algum tempo dentro das suas casas pra encontrar esse dinheiro.
Nas próprias casas.
E o que encontrarem é o dinheiro que levam depois. Portanto, é muito giro.
Estás ansioso? Estão borboletas?
Acho que é um projeto engraçado, ainda por cima o facto de poder dar dinheiro e o facto de poder ser também com a Kelly, com quem me dou muito bem, tanto com a Kelly como com o Lourenço. Acho que vai ser um projeto engraçado e que não vai parecer que é trabalho. Vai ser divertido. E em breve estamos a gravar isso. Sei que as famílias já foram selecionadas e em breve estamos a gravar.
David, mesmo para fechar, o que nos podes prometer numa frase? Só temos um minutinho para a última dança.
O que eu posso prometer? Vai ser a maior produção que eu já fiz até agora. Mais de 1100 máquinas de iluminação presentes em cima do palco, mais de 30 bailarinos em cima do palco. Músicas novas, o novo álbum vai ser tocado pela primeira vez lá no Altice Arena. Vários convidados que fizeram parte dos temas mais conhecidos ao longo da minha carreira. E é o último Altice Arena antes desta pausa, portanto, quem quiser vir, tem de se apressar. As pré-vendas já estão disponíveis nas minhas redes. Segue platinum, gold tickets, silvers quase esgotados também. Já há várias cenas esgotadas e não se abriu a bilheteira, que só abre sexta-feira e eu estou mega ansioso. Basicamente, o que eu posso dizer é, se eu estou a falar dessa forma, a dizer que vai ser o maior concerto que eu já dei, é porque eu quero que seja e quero oferecer estes concertos assim especiais para mim é para oferecer algo aos fãs. É oferecer uma experiência de duas horas, uma hora e meia, que tu sintas que não é um concerto igual a todos os concertos que tu costumas ver ao longo do ano. Portanto, apareçam.
Era o que tu estavas a dizer, acrescentar sempre alguma coisa, certo?
Certo.
Olha, e há pouco estavas também a dizer que não sabes o porquê do carinho dos portugueses. Eu atrevo-me a dizer que eu sei porquê, porque vocês são muito genuínos, são muito educados, são muito corretos, todos, toda a vossa família. Por isso, muito obrigada, David.
Para quem está a ouvir na rádio, o David está a corar.
Estou um bocado. Eu acho que é provável, é verdade.
Não, é sincero.
Obrigadinho.
É mesmo sincero. Eu daqui a bocadinho também já começo a emocionar-me, portanto, não. Vamos encerrar o "40 Minutos". Fica aqui o convite para a última dança na Altice Arena, para toda a digressão, mas especificamente também para a Altice Arena. David, mais uma vez, muito obrigada.
Obrigadíssimo.
David Carreira hoje em "40 Minutos", nós estamos de regresso para a semana, não é, André?
Até para a semana.
Até para a semana.