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Ela é mistura de Portugal e Cabo Verde e diz que é sonhadora e competitiva consigo mesma. É atriz, cantora e tem experiência em musicais, telenovelas, programas de televisão, também dobragens. Confessa que sempre esteve ligada às artes e mesmo quando não está a trabalhar, está a cantar. Hoje recebemos a Pequena Sereia portuguesa, Soraia Tavares, em "40 Minutos" na Rádio Observador. Bem-vinda.
Olá, obrigada.
Muito bem-vinda, Soraia. Começamos precisamente por isso que eu acabei de dizer. Tu foste a voz portuguesa da Princesa Ariel, do filme da Disney "A Pequena Sereia", que todos conhecemos. O filme original marcou uma geração.
Verdade.
Mas este remake também o fez, mas por outros motivos. Muitas meninas sentiram-se representadas, sentiram-se vistas. O quão importante é que foi fazer parte deste desafio?
Olha, eu também me senti representada e senti-me vista. Enquanto mulher negra, olho para trás e penso que-
Não eram só as mais novas.
Exatamente. Penso que realmente eu não tinha muitas figuras ou praticamente nenhuma em que eu me pudesse rever. Portanto, sentes-te sempre a desbravar o mato. Quando chegas não há ninguém como tu. Aliás, primeiro não pensas em ti como uma referência, mas queres também alcançar o mesmo que vês outras pessoas. E eu acho que isso era importante, por quê? Isto é uma coisa que eu digo muitas vezes. Eu quando era pequenina, quando eu sonhava, não era só sonhar, imaginar, desenhar uma princesa ou uma protagonista de qualquer coisa, eu pensava sempre numa mulher branca e nunca pensava numa mulher negra.
Mas tu própria desenhavas, por exemplo, as princesas com pele branca?
Sim, no meu imaginário. Eu acho que os mídias, as novelas, os desenhos animados têm o poder também de nos retratar. Têm essencialmente esse poder. E por isso nós depois passamos muitas vezes a imaginar que a pessoa feliz, contente, que vai viver para sempre no conto de fadas, é uma mulher branca. E então, haver mais representatividade é importante para que as, vou dizer minorias, eu odeio essa palavra, mas que as minorias também se sintam representadas e também sintam que podem fazer parte.
Na altura, quando saiu o remake, e mesmo agora, com vários remakes que foram saindo, obviamente que as pessoas gostam logo de apontar as diferenças. "Ah, mas o original era assim, o original era desta forma."
Eu isso acho natural que exista.
Mas como é que reagiste a este facto, no original, que é um desenho animado, a Ariel é branca.
Sim.
Como é que tu reagiste também a essas reações que foram criticando e dizendo que a Ariel se devia manter branca? É assim tão importante ela manter-se?
Eu acho que-
Até porque é uma premissa, uma sereia não existe. Por que que importa?
Acho que as sereias não existem.
Desculpem lá, mas elas não existem, mas elas estão aqui no Observador.
Não, mas eu acho que tenho sempre uma coisa também de me pôr no lugar do outro, de tentar entender o porquê disso. Porque se nós pensarmos noutro tipo de situações, nós temos uma resistência muito grande à mudança. E se no nosso imaginário, a Pequena Sereia é de cabelo vermelho e de pele branca, eu acho que é natural que depois, se vai ser reproduzido, nós queremos ver com a mesma imagem. Até aí está tudo bem. Agora, achar que a história vai ser deturpada, quando na realidade a Pequena Sereia não existe, lá está, a história vai ser contada da mesma forma. Os valores, que isto era o mais importante, os valores que são passados através deste desenho animado vão ser passados. Para quê? É só um bocadinho por aí. Para quê? "Ai, porque agora as ruivas não são representadas." É que eu ouvi isso também. "E a representatividade das ruivas."
2024, um ano complicado para as ruivas.
Agora, eu consigo perceber que exista uma resistência à mudança, porque eu também a tenho em relação a outras coisas. Vou dizer uma coisa estúpida, se calhar. "Ai, vêm os Morangos com Açúcar e eu quero os meus Morangos com Açúcar de há 10 anos", ou se calhar mais, 20, não faço ideia. De há não sei quantos anos atrás. Mas depois: "Mas vamos fazer os mesmos Morangos com Açúcar por quê?" Quando nós estamos em 2024, onde os atores já vêm muito mais preparados, os mídius já têm acesso a tanta coisa que já vêm a saber muito mais. As câmaras já são muito melhores, os argumentistas são melhores. Portanto, por que vamos fazer igual? É um bocado por aí, percebo.
Tu já fazes dobragens há muitos anos. Para além da Pequena Sereia, foste também a voz do Nala no live action do Rei Leão, outro remake, de certa forma. Como é que entraste neste mundo das dobragens? E também perguntar-te qual é que foi a mais difícil até agora que fizeste.
É engraçado, estamos a falar disso, porque eu há muito pouco tempo pus um vídeo a fazer dobragens no meu Instagram e aquilo explodiu.
Foi do Marshall.
Exatamente. Eu percebi que a personagem mais icônica que eu fiz não foi a Pequena Sereia, mas sim o Marshall da Patrulha Pata. Que eu fiz, não, que eu faço. E essa foi a minha primeira personagem de animação. Mas eu não comecei aí, na realidade. Quando eu digo animação é porque há aquelas de imagem real, tipo Harry Potter, que é dobrado na mesma. E depois há também as de animação, que são os desenhos animados. E eu comecei, portanto, há muitos anos Na realidade, aquilo eram muitos filmes que precisavam ser dobrados para Angola e eles não tinham muitos atores que pudessem fazer sotaque. Eu na altura menti, disse que era angolana para conseguir ter o trabalho.
Revelações antes.
Mas uma coisa importante antes disso: eu, quando acabei a escola, a minha mãe levou-me a todos os estúdios de dobragem que eu já tinha ouvido falar para deixar o meu currículo, porque eu queria deixar registo de voz.
Mas quando saíste da escola?
Da escola de teatro.
Ah, ok.
Exatamente. Portanto, em 2012.
Era muito precoce, não era?
Não, quando saí da escola em 2012, quando eu fiz o 12º ano, eu fui entregar currículos aos estúdios de dobragem, primeiro porque eu gostava muito de fazer, e depois também era atriz, cantava, portanto, havia vários fatores que podiam ser bons para quem fazia dobragem. E os meus professores de interpretação eram diretores de dobragem. Portanto, eu já sabia que estúdios iam de ir. E deixei lá o meu currículo. E depois surgiu esta oportunidade de ir fazer esse casting. E lá está, eu tive que mentir para conseguir entrar. E depois, o diretor de dobragens desse estúdio convidou-me para fazer casting pro Marshall, e eu acabei por ficar, e foi um bocadinho assim que começou. Só que fazer dobragens é muito difícil, não é uma coisa assim tão fácil, porque nós não temos acesso ao material. E por isso nós lemos o texto e vemos a imagem, tudo na hora em que nós estamos lá. Portanto, é preciso ter uma destreza muito grande. E eu acho que tive alguma facilidade, não só por ser atriz, apesar que para ser dobrador, não é preciso. Eu tenho colegas que não são atores. Mas eu sou atriz e eu canto, e eu acho que a coisa do cantar, como nós temos o treino auditivo um bocado mais trabalhado, ajuda sempre a coisa do olhar para a imagem, ver a boca do boneco ou da pessoa e de repente dizer a frase em português e a entoação certa, tem que ser tudo muito rápido. E eu acho que tive essa destreza na altura e por isso fiz aquele, e depois fui para aquele, e depois nananã, nananã, até ter chegado a minha primeira Princesa Disney, que era, na realidade, o que eu mais queria. Vou dizer que foi a Nala primeiro, mas a Pequena Sereia teve um impacto muito grande. E respondendo à tua última pergunta.
É mais desafiadora, não é?
Eu acho mesmo que a Pequena Sereia foi a personagem mais desafiante de todas, principalmente vocalmente. Eu não estava mesmo nada à espera, porque a Halle Bailey canta mesmo muito bem, e apesar de eu até ter uma extensão vocal muito grande, eu quando vou para as notas agudas, a minha voz é muito diferente da dela. E aí houve um choque no início, e então eles não sabiam bem se eu só ia fazer voz falada e depois outra pessoa ia fazer voz cantada, o que me revoltou imenso. Uma pessoa canta e de repente vem outra pessoa fazer. Mas depois acabei por ficar com os dois e fiquei mesmo muito feliz.
Que bom. Olha, Soraia, vamos aqui até à tua infância. Tu dizes que desde pequena que estás ligada às artes, ao desenho, música, dança. De onde é que vem este encanto? É influência da família?
Eu não sei bem explicar.
Simplesmente aconteceu, apareceu na tua vida.
Eu não sei bem explicar. Eu acho que, culturalmente, o africano já tem a coisa de querer cantar, cantamos do nada, dançamos do nada, não é preciso música e estamos a fazer essas coisas. Portanto, logo aí já havia uma predisposição de casa. E depois a minha mãe sempre me pôs em, não sei se ainda se diz, o ATL, e em escolas que estavam muito viradas para as artes. Agora, se eu queria ser artista, eu não sabia se eu queria ser. Eu gostava de fazer aquilo, mas eu depois achava que aquilo não era um emprego, como muita gente acha. E por isso eu tinha que ser muito boa aluna nas outras coisas, porque depois eu ia para jornalismo ou ia para gestão.
Ponderaste jornalismo?
Ponderei.
Podemos ter aqui uma colega da Rádio Zêro.
Porque eu gosto muito de falar e eles disseram logo: "Tu a parte da comunicação e não sei o quê, tu devias ir para qualquer coisa que pudesses falar muito". Pronto, e fui para o teatro.
Mas ficando ainda nesta frase que dissemos, desde pequena que estás ligada às artes. Tu ponderaste o jornalismo, mas agora quando interrompemos, disseste também outra coisa.
Gestão. Sabes por quê? Porque eu tinha ótimas notas a matemática, era só por causa disso.
Não gostavas particularmente?
Não, eu tinha o síndrome da melhor aluna, é assim que eu gosto de chamar, é a coisa da melhor aluna. Então eu tinha que ter as melhores notas a tudo. E como toda a gente, em geral, não era muito boa em matemática, e eu estava a ter boas notas, eu assumi que eu tinha que ir para números. Mas na realidade, hoje se me perguntares "7+14", eu não vou dizer.
7+14 não é muito difícil.
Não, mas eu deixei de ter matemática quando fui para a escola de teatro, portanto, hoje nem sei contar.
Ficou perdido pelo caminho aqui a matemática. Tu estudaste então depois na Escola Superior de Teatro e Cinema, mas antes disso, aos 16 anos, participaste num musical amador?
Sim.
Foi esse o teu primeiro contacto com o palco, com o mundo do espetáculo? O que é que sentiste? Ou antes disso já tinhas tido algum contacto?
Eu entrei para a escola de teatro antes, portanto o primeiro contacto foi, claro que é sempre para os pais e para os outros alunos, só que a EPTC, a Escola Profissional de Teatro de Cascais, põe-te uma responsabilidade tão grande na coisa de subir ao palco, que aquele pequeno palco dentro da escola parece maior até do que eu ter subido ao palco do Rock in Rio. Estás a perceber? O nervo é muito maior, porque é construído em ti de que aquilo vai ser o grande momento da tua vida. Portanto, não vou dizer que essa foi a minha primeira vez, mas se calhar foi a primeira vez com pessoas que eu não conhecia de lado nenhum, porque na escola às tantas nós temos uma convivência cá fora e de repente ali não, era mais um contexto de trabalho. E sim, foi o musical Voityla, que é um musical católico, que tinha graça porque na altura quando convidaram eu não sabia que era Voityla.
Sobre o Papa?
Exatamente, sobre o Papa João Paulo II, que era como eu conhecia o Papa João Paulo.
Ou seja, tu aceitaste e não tinhas ideia.
Aceitei e só depois é que percebi. Quando começavas a cantar.
Ah, só depois.
Na final, aquilo E eu pensar: "Está bem, eu sou evangélica, vou cantar para Deus, está-se bem."
Mas não houve nenhuma resistência da tua parte, sendo tu evangélica e estares a cantar para um-
Não, naquela altura não, porque na escola eu já fazia e dizia textos que eram contra um bocado aquilo que eu acreditava do evangelho e da Bíblia, e eu fazia na mesma. Portanto, essa parte de julgar o texto acabou logo ali no meu primeiro ano, portanto aos 15, 16, já tinha percebido que uma coisa é eu estar a trabalhar, outra coisa é aquilo que eu-
Já conseguias separar as coisas.
Exatamente, separar as coisas. Mas hoje em dia, por exemplo, já acho o contrário. Acho que é importante nós dizermos os textos que acreditamos.
Certo. Tu acabaste por tirar depois um curso de teatro musical. Primeiro, o que te fascina no teatro musical? Obviamente, aliando a tua parte de seres cantora e de cantares muito bem. E depois se tens algum musical favorito. Difícil.
Para mim é difícil, porque eu fiz muito teatro musical e esse curso que eu fiz, teatro musical, na realidade separava as três áreas e por isso é que eu fui para esse curso, porque tinha a parte de interpretação, a parte de dança e a parte de canto, como se fossem quase individuais, e não como uma coisa que há uma técnica só que nós fazemos as três ao mesmo tempo. E isso fascinava-me também no curso e é o que eu gosto, no sentido em que eu acho que o teatro musical, não o de hoje em dia, mas se calhar quando eu comecei, tinha aquela coisa meio, tinha uma forma de se fazer, uma forma de falar, uma forma de estar, que eu não me identificava. Eu gosto mais de teatro musical mais contemporâneo, em que é tudo um pouco mais naturalista, em que de repente eu não estou a falar e de repente . Percebem o que eu estou a dizer? Eu não gosto desse corte. Eu gosto quando começa a música e nós nem sequer nos apercebemos. Eu gosto disso. E este curso focava-se muito nisso. E então, como eu fiz depois bastante teatro musical, as pessoas associam muito ao teatro musical e acham que eu tenho um conhecimento muito grande, que eu já vi muita coisa, mas na realidade não. Eu gosto é de ser atriz e gosto de cantar e o teatro musical permite-me fazer os dois ou os três da melhor forma. Juntar tudo. Mas é muito difícil.
Pois, acredito. Mas olha, já que estamos aqui a falar de musicais, vamos ter de continuar, porque tu fizeste parte do elenco do Chicago em Portugal, no Teatro da Trindade. Eu fui ver e foi incrível.
Obrigada.
Como é que foi fazer parte desta experiência?
Olha, primeiro, ter ficado no projeto, eu senti-me num filme, porque o que me aconteceu na altura, e é engraçado, porque eu acho que o Diogo Infante olha também para o teatro musical da mesma forma que eu.
Vocês estavam alinhados.
Exatamente. E eu acho que também foi isso que me fez ficar na altura, mas basicamente é mesmo de filme. Eu era aquela pessoa que estava lá atrás e de repente, isto foi-me contado depois. Estão a dizer os números, aquilo parecia mesmo um programa de televisão, tínhamos números ao peito e ele começa a dizer os números que ficaram, eu era o número 34, ele diz os que ficaram, foram o 30 ou 31, 33, 35. Ai! Pronto, eu pensei: "Ok, olha, já fui." E nós só tínhamos feito a parte da dança. Que como é óbvio, que eu não sou bailarina e estavam ali não sei quantos bailarinos, mas eles estavam à procura de ensemble. E depois chamou o meu número à parte e disse: "Olha, eu queria que viesses à tarde para fazer casting para uma das protagonistas."
Uau!
E eu fiquei em choque. Primeiro, porque eu nem sequer abri a boca para cantar. Não disse texto nenhum. E pensei: "Ele deve ter achado que eu era gira."
Carolina.
Mas pronto, ele depois acabou por me chamar e depois eu fui fazendo fase a fase. E fui muito bem recebida por ele e lá está, eu acho que era porque nós víamos a personagem da mesma forma. E isso tem graça, porque nós às vezes achamos que somos melhores ou piores que os outros, porque não ficamos, ou porque ficamos, mas na realidade o que tem a ver é a tua ideia da personagem estar alinhada com a pessoa que a faz. E não é só depois a tua ideia, é a forma como tu te moves, o teu corpo como ele é, o teu cabelo, a tua cara, as tuas expressões, tudo isso. Se estiver dentro do imaginário de quem está a fazer, garantidamente ficas com a personagem. Até podes ser a pior atriz, mas se aquilo se alinha com a pessoa que está a dirigir, é aí que o papel é teu, e isso foi o que aconteceu.
E se tivesses a oportunidade de fazer parte de um elenco de uma peça qualquer do mundo, qual é que escolhias? Tens carta branca. Não tens de ir a casting, é escolheres.
Então eu vou dizer primeiro, o musical que eu mais gostei de ver até hoje chama-se "Miss Saigon". Que eu vi em Londres e eu amei, porque era de uma verdade muito grande dos atores e aquilo era muito intenso e eu chorei-me toda e eu sou muito difícil também em teatro, em me emocionar. E eu esqueci-me que estava no teatro e eu gostei muito dessa sensação. Agora, o espetáculo que eu gostava de fazer. Epá, isso é difícil.
Ainda precisas de escolher a tua segunda parte.
Sim. Se calhar o Hamilton, vou dizer o Hamilton. Pois, eu gostava era de fazer o Hamilton. Quer dizer, gostava de fazer as outras personagens, o Hamilton, sim.
Na segunda parte dás-nos uma resposta mais definitiva.
Exato. Olha, tu não fazes só teatro, também passaste pela televisão. Soraya, qual é que é o maior desafio do teatro e o maior desafio da televisão? Até porque são realidades completamente diferentes, são formas de representar muito diferentes uma da outra.
A forma de representar, as pessoas estarem ali. Eu sinto mais à vontade a fazer teatro, acho que tem mais a ver com a experiência, mais do que o gostar mesmo, mas eu tenho mais experiência de palco e então sinto-me mais à vontade também. A maior dificuldade A maior dificuldade é, não vou dizer as pessoas, porque às vezes não tem a ver com as pessoas. Bem, a maior dificuldade para mim de televisão é relativizar. Ou seja, como nós fazemos muitas cenas, quando não corre bem, ficar a pensar na cena pode-me destruir todas as outras que vamos fazer a seguir. Portanto, para mim, é muito importante saber relativizar, que é: eu vou fazer 300 cenas nesta novela.
Não posso ficar aqui até à meia-noite.
Eu não posso ficar a pensar na cena 19. Pronto, e isso é uma coisa que eu estou a vir a aprender a fazer, que é: "Ok, esta não correu bem, vou fazer para que a outra corra melhor." E a câmera vai apanhar tudo, portanto, estar nervoso não é fixe em televisão. Mas em teatro, às vezes estar nervoso dá-nos ali uma pica que nos põe na energia certa. Só que com câmera já é diferente, porque a câmera vai apanhar tudo. Aquele mínimo tremezinho ali, a câmera vai apanhar. E no teatro, não. Há aquela coisa do estamos a ver o todo e então parece que às vezes o nervo leva-nos para uma zona a nível energético que está acima. E a dificuldade do teatro talvez é chegar a essa energia, que às vezes nós achamos que é uma coisa para fora e às vezes não, é uma coisa muito interior e eu acho que isso é difícil consoante o espetáculo que estamos a fazer.
Muito bem, Soraia, a conversa está ótima, mas temos que fazer aqui uma pequenina pausa. Vamos atualizar as notícias. Hoje estamos à conversa com Soraia Tavares no "Em 40 Minutos". Até já.
Até já.
Até já.
Segunda parte do "Em 40 Minutos", esta semana com Soraia Tavares. E vamos passar à música, Soraia, em 2021 foi quando lançaste os teus primeiros originais, mas antes disso participaste no Festival da Canção em 2019, com a música "O Meu Sonho", composta pela Lura. Consegues descrever-nos a tua passagem por lá?
Pelo festival?
Sim.
Não foi assim muito feliz, hoje balançando. Não porque alguém me tratou mal ou alguma coisa, não, porque eu acho mesmo que a produção foi incrível. Mas o resultado daquilo deixou-me mesmo muito em baixo na altura. Nós ficámos em último, se não me engano, e também não estava à espera. E depois a Lura também não estava lá e para mim aquilo era a canção dela e não a minha canção. E eu estava lá sozinha a representar a canção. E eu acho que aquilo mexeu um bocadinho comigo, portanto, infelizmente não tenho assim muito boas memórias daquela altura.
Pergunto isto porque nós temos recebido alguns artistas e as opiniões também acabam por se dividir. Há convidados que adoram por terem passado por lá, a experiência foi ótima. Outros dizem que não foi assim tão positiva.
Também é muito em função dos resultados.
Mas é isso, dos resultados, da envolvência.
Eu acho que é isso. E eu gostava que não fosse isso. Eu gostava de ter ficado com o bom tratamento que eu tive da parte da produção, as vezes que eu consegui ensaiar, a mesma equipe e os bailarinos, nós ensaiarmos, a parte criativa foi fixe. Só que confesso que aquilo abalou-me tanto na altura. Se calhar tinha a ver com a idade, tinha a ver com a altura em que eu estava. Eu estava a fazer o casting do Chicago na altura também, e ia ter a resposta no dia a seguir. Não é que eu tenha vergonha de nada que fiz ali, mas parece que a sensação que ficou no corpo não foi boa para mim e acho que teve muito a ver com o resultado. Por outro lado, foi bom também ver as pessoas que estavam à minha volta a acarinharem muito e a acreditar muito naquilo que eu fazia. Portanto, trago também essas boas memórias, mas confesso que se eu puser na balança, foi assim uma experiência que eu não vou dizer que não repetia, porque acho que as coisas levam umas coisas umas às outras, mas se fosse para voltar, já voltaria mesmo com a minha própria canção. E depois havia outra coisa, que eu já tinha sido convidada muitas vezes para fazer o festival, a cantar canções de outras pessoas, e dizia sempre que não, porque não me identificava. E depois quando fui, aconteceu isto e fiquei com aquela sensação de: "estás a ver?"
Afinal tinhas razão.
Tinhas razão. Pronto, e então eu tenho um bocado isso e acho que ainda não fiz bem as pazes com o festival em si.
Tu também em 2021, estávamos a falar na passagem da Eurovisão, mas também a tua estreia em originais. Em 2021 lanças a "Beleza Vai Mudar o Mundo". Acreditas nisto, no título desta primeira canção?
Sim, acredito muito. A frase, na realidade, não é minha. Agora não vou dizer o nome dele porque eu sei que vou dizer o nome errado, portanto, depois procurem. Mas é: "a beleza vai salvar o mundo". Esta é a frase original. E nós trocamos, vai mudar o mundo, por causa também da música. Achei que salvar era muito pesado para pôr na música, na altura, eu achei isto, hoje já nem acho isso. E eu acredito muito nisto, porque eu quando falo do belo, falo do que é verdadeiro, que está dentro de nós. Que parece aquela frase feita.
Sim, porque aqui a beleza não é propriamente a beleza.
Exatamente, não é a beleza exterior, mas aquilo que nós queremos dizer e a forma como nós nos comportamos e o que é verdadeiro. Para mim, ser sincero e verdadeiro é a coisa mais bela de sempre, a mais difícil também. E por isso acredito, e acredito que cada um de nós pode mudar o mundo se começarmos a partir de agora.
Agora, se calhar, é um bocado chato.
Mas se cada um a partir de agora começar a mudar um bocadinho isso, eu tenho a certeza que a beleza vai mudar o mundo. Aliás, eu acho que a beleza já está a mudar o mundo.
Esperemos que sim. No ano passado, acabaste por editar teu primeiro disco, "A Culpa é da Lua". Que momentos é que guardas do processo de composição deste álbum?
O que guardo mais é eu às 04h00 a tentar arrancar umas notas da guitarra quando eu não toco nada bem.
Às 04h00?
Às 04h00.
Mas com fones?
Covid. Acho que era Covid temporada um.
E com fones, não é? Porque às 04h00 tocar guitarra.
Não. Na altura dividia a casa e eu acordava de manhã: "Soraia, não posso mais".
Os vizinhos não protestavam?
Mas eu tinha um gato que me apoiava muito. Quando eu agarrava na guitarra, o meu gato ficava à frente.
Fã número um.
Mas os vizinhos nunca te bateram à porta a dizer: "Soraia, peça mais baixo".
Nunca tive vizinhos a reclamar de barulho, a não ser agora que comprei uma casa. E agora que eu não toco guitarra.
Se calhar, na altura gostavam das serenatas que tu fazias.
Se calhar tenho que começar a cantar de novo.
Eram concertos gratuitos.
E guardo essas memórias boas do começar. Porque eu tinha muito medo de escrever, achava que não era capaz de escrever as minhas próprias canções, mas na realidade era mais medo do que os outros poderiam dizer, o medo do julgamento. E eu gosto sempre de entregar coisas que eu acho que são mesmo muito boas. E permiti-me lançar as coisas mesmo que pudessem não ser muito boas, porque eu precisava também de encontrar a minha sonoridade, a minha forma de escrita, e só fazendo é que eu acho que iria encontrar. E esse foi o caminho. Então guardo muito isso, essa sensação de começar a escrever e depois também a sensação de escrever e dizer: "Grande frase!".
Calma, Camões. Mas é isso, às vezes queremos aperfeiçoar tanto, que depois ficamos naquele loop, não saímos dali, não sabemos nada.
É verdade, mas escrever é mesmo, eu acho que foi a Carolina Deslandes que me disse isso, que era prática. E é mesmo prática. Começas a fazer, a escrever. Ler é importante também. Eu acho que foi ela que disse isto e eu: "Ok, então eu vou começar a escrever".
Vai-se treinando.
Sim.
É uma questão de prática. Neste disco, tens alguma música favorita? Tens uma que gostes mais e por quê? E já agora pergunto também que música é que deu mais trabalho a ficar pronta.
A que deu mais trabalho foi a "Culpa é da Lua", porque esteve muitos anos na gaveta. Muitos anos? Calma. Não foi muitos anos, então se eu comecei. Mas esteve muito tempo na gaveta.
Uma que produziste há muitos anos e ficou lá, e de repente as outras chegaram.
Mas esteve muito tempo na gaveta. Eu cheguei a mostrar a um produtor e ele disse: "É muito fixe, mas não sei como pegar". Então foi sempre ficando para trás. E depois é engraçado, porque deu a volta toda e passou a ser o single do álbum. Mas a minha favorita, eu vou dizer a "Dona Joana", porque foi uma canção que eu escrevi pra minha mãe.
Que está na tua camisola.
Que está na minha camisola hoje.
Quem ouve em podcast não consegue ver. Pena que hoje não temos vídeo, mas podem passar pelo Instagram da Soraia e veem, certamente.
Tenho uma camisola com cara da minha mãe, mas é uma grande foto da minha mãe. E depois eu escrevi uma canção que não só representa a minha mãe, mas acho que representa muitas mães imigrantes, que acordam às 05h00. Não sei se já vos aconteceu apanharem um autocarro às 05h00 e de repente um monte de mulheres africanas a irem para os seus trabalhos de limpeza. E eu queria falar um bocadinho sobre isso.
Era o trabalho da tua mãe também?
É, a minha mãe já se reformou, reformou-se o ano passado. Mas sim, foi o trabalho da minha mãe sempre. E depois pensar como é que esta senhora que não sabe ler, só sabe escrever o nome dela, conseguiu ensinar-me, porque pra mim também acaba por ser um bocado em casa. Mas de repente eu que sei ler e sei escrever, e sei cantar e sei dançar, como é que esta pessoa criou-me a mim e aos meus irmãos. E era um bocadinho sobre isso. Por isso é que eu digo: " Bu leban na ragaz, bu prendi letra", em crioulo, que é: "Tu levaste-me ao colo, aprendeste as letras". " Bu leban na ragaz, bu prendi letra", só para me ensinares a dançar, a cantar e a ler, ó minha mãe.
Que bonito. É uma ótima homenagem. Certamente que ela quando ouviu a música.
A minha mãe é fria.
A sério?
Nem chorou? Nem uma lágrima?
Eu achava que ela ia ouvir a música e ficar: "Ai, que lindo".
Não, eu acho que isto é uma coisa cultural africana, temos uma dificuldade muito grande em expressar os sentimentos. Não é só em chorar, é mesmo dizer "eu amo-te muito", essas coisas assim. Portanto, a minha mãe é mais: "Gostei. Sim, está bonito". Pronto, esta é a minha mãe.
É a maneira dela expressar. Está válido.
Não, mas eu sei que ela gosta muito, principalmente quando ela vai a um concerto e eu falo dela. Aí as pessoas ficam: "'Dona Joana'". Eu estou sempre a dizer: "Vocês não conhecem a minha mãe. Sabem lá vocês".
Olha, este disco reflete aqui um processo de aceitação das tuas raízes portuguesas, cabo-verdianas. Junta pop, kizomba, cantas em português, crioulo. O quão importante pra ti é ter esta fusão de estilos?
Inicialmente, eu não queria cantar em crioulo. Isto foi um projeto que eu estive a fazer há uns dois anos, que me conectou um bocado mais ao crioulo. E porque também eu já andava nas redes sociais a fazer uma coisa que era a professora de crioulo, e ensinava umas coisas, umas frases, umas palavras, e as pessoas adoravam aquilo. E então começou-me a surgir assim umas palavras em crioulo quando eu escrevi a "Culpa é da Lua". E depois eu pensei: "Se calhar, eu devia mesmo cantar mais em crioulo", porque consigo me expressar de outra forma, a sonoridade fica totalmente diferente, é super eu Ao mesmo tempo, e se calhar faz todo sentido que as minhas canções tenham esta fusão. E depois também é diferente nós irmos para a terra dos nossos pais, que nós achamos que é a terra dos nossos pais, porque nós só vamos lá uma vez por ano e depois estamos sempre em casa da tia. É diferente de tu ires já crescido, sozinho, e estares mesmo a conhecer as pessoas, vais onde queres e conheces os sítios. Porque eu fui durante anos a Cabo Verde e não conhecia Cabo Verde. Eu conhecia a casa dos meus avós. E depois quando fui sozinha, de repente conheci muitas coisas, sítios, fui a praias lindas, fui sair à noite. Coisas assim tão simples, que eu não sabia até aos meus 25, que já é bastante tarde. E foi diferente. E fui sozinha para São Vicente, completamente sozinha. Tive que fazer novas amizades, conhecer pessoas.
Mas é costume viajares sozinha?
Não. Aconteceu nessa viagem. Não sei, de alguma forma conectou-me de forma diferente com a terra que para mim era dos meus pais e passou a ser a minha também. Mas é engraçado, porque cá eu sinto que sou um bocado mais de lá e lá eu sinto que sou um bocado mais de cá. Parece que não sou de lado nenhum. É uma sensação estranha, mas que tenho vindo a abraçar.
Soraya, olhando para o presente, há uns tempos lançaste o single "Acelera", e agora mais recentemente música nova, "Tu Não Mentes". Com tanta coisa a sair cá para fora, significa que vem um segundo disco?
Talvez possa estar a surgir um segundo disco e eu é que não sei bem.
Ok.
Mas eu estou a continuar a fazer música.
Mas não com esse objetivo, de lançar?
Não.
Pôr coisas cá fora.
Isso, quero pôr coisas cá fora, eu quero que as pessoas oiçam as minhas canções. E cada vez me divirto mais a ir para estúdio. Estou cada vez mais confiante também nisto de escrever e ter as minhas melodias e saber o que quero dizer. Também estou mais confiante no meu gênero musical, porque eu andava um bocado à procura e agora já percebi: "Não, eu sou mesmo mais do R&B, mais do Afrobeat, é por aqui que eu tenho que seguir, pelo menos para já". E essa confiança também nos dá um bocadinho mais vontade de fazer. Se isso vai desencadear num álbum ou num EP, talvez, mas para já, não estou a pensar nisso.
Olha, e este "Tu Não Mentes" conta a história de duas pessoas que se apaixonam, e que apesar de terem histórias, culturas, hábitos diferentes, acabam por se fundir. Acreditas que os opostos se atraem?
Agora sim.
Agora acreditas mesmo.
Agora sim, é o Rui Veloso que diz: "Quem não ouve a mesma canção não se ama alguém". Eu acreditava nisso, achava que era isso. Se o Rui Veloso diz, está escrito, é porque é. E agora não, agora já acho que realmente o que é mesmo mais importante é a forma de estar na vida, os valores, e acho que é isso que nos conecta ao outro. Depois, automaticamente, nós já começamos a ouvir, se calhar, a música que o outro já ouve. Portanto, se calhar ele tem razão no final, que é depois as pessoas conectam-se e acabam por ouvir a mesma canção. Mas a ideia disso, para já, surgiu de uma experiência pessoal. E acho que isso faz com que as pessoas se conectem muito mais também com a história, e acho que toda a gente já passou por isto. Culturalmente, às vezes há choques, mas também é fixe a coisa do conhecer. Ou seja, eu estar com a família dele e ele estar na minha família, é mesmo muito diferente. Um almoço em minha casa e um almoço em casa dele. E eu acho que isto aqui devia ser materializado numa canção que demorou séculos para eu conseguir escrever.
Mas foi a partir daí que tiveste a ideia?
Sim. Imagina, eu tinha três ou quatro notas diferentes, que era só sobre: "Tu és vinagre, eu sou azeite, tu és não sei o quê". Era tudo assim, e eu não conseguia pôr aquilo de forma que eu achasse: "Ok, isto está bonito, não posso ter medo de ser um bocado pirosa, mas verdadeiro". E cool também, isso para mim é importante. E não me surgiu. Eu acho que tenho três demos que acho que nunca vão sair, a não ser que venha o Rui Veloso e rescreve.
Dê uma volta naquilo.
Dê uma volta naquilo. Ou a Carolina Deslandes venha e dê uma volta naquilo. Ou a Mara Andrade.
A lista podia ficar aí.
Não, eu estou aqui a dizer os nomes, que é para ver se eles ouvirem isto.
Pisco o oito.
Por favor, cheguem-se à frente.
Que não deram em nada e depois começou a surgir esta naturalmente, e eu fui tocando com a minha professora. Dizer isto é estranho, porque ela é super nova e não se vai identificar desta forma, mas com a minha professora de guitarra, que eu ainda tentei ali umas aulas. E depois levei para produzir num sítio, acabei por escrever com outro produtor e depois juntei dois produtores e depois: "Aqui uma canção que é um single". Foi um bocado assim.
Que maravilha. Soraya, há uns tempos disseste numa entrevista que às vezes és um pouquinho insegura. Essa insegurança tem vindo também a diminuir à medida que também te tens afirmado cada vez mais no panorama musical?
Sim, acho que o artista é sempre inseguro, acho que é muito difícil nós não o sermos, mas acho que é isso também que nos faz ao mesmo tempo artistas. Acho que é assim uma conjugação entre a insegurança e o ego. Um artista para ser artista tem que ter um ego. Tem que ter um ego bem definido.
Em detalhes.
Acho que sim, eu acho que sim, que sou um bocado egocêntrica, por isso é que subo ao palco e faço coisas.
Tens aí esse bom equilíbrio entre uma coisa e outra.
Não sei se tenho, mas depois vem o outro lado do medo, do receio também, que nos faz contrabalançar. Eu acho que qualquer pessoa que escreve, tenho a certeza que o Shakespeare escreveu o que escreveu e ainda assim tinha dúvidas se pudesse ser bom.
Vamos fechar aqui com uma frase que disseste numa entrevista: "Faz aquilo que gostas e nunca terás de trabalhar. É a minha vida." Nunca a frase clichê fez tanto sentido. É isso. Olhando para o teu percurso, o que é que sentes? Que balanço é que fazes?
Agora, nesta fase onde eu estou e que estou a trabalhar muito, porque estou a fazer novela, e depois vou começar a fazer um espetáculo, e estou a fazer os concertos, e estou a ir para estúdio. Fico sempre muito assoberbada de coisas e já me habituei um bocado a isto, a estar em três sítios no mesmo dia. Andava sempre muito frustrada com a parte do cansaço, mas depois quando não fazia estas três coisas ao mesmo tempo, também me sentia muito triste. E depois eu comecei a perceber que eu só tinha que gerir um bocadinho melhor, conseguir descansar e perceber que eu sou mesmo muito feliz a fazer estas coisas todas. Eu estou numa fase em que eu sim, estou cansada, estou a trabalhar muito, mas eu estou muito feliz por poder fazer as coisas que eu sempre sonhei. E fico sempre muito orgulhosa do meu percurso, porque acho que foi passo a passo. Acho que ainda não cheguei, se calhar, nem vou dizer ao sítio que eu me imagino hoje, mas ao sítio que eu me imaginava quando tinha 15 anos, porque eu sempre sonhei muito em grande, acho que ainda não alcancei isso. Mas alcancei muito que aos olhos de muita gente seria inesperado. Então para uma miúda que veio de onde veio, do bairro social, e a mãe lá está, a mãe não sabe ler, o pai foi estando presente numa situação familiar estranha, que acho que toda a gente tem, então os artistas têm todos. Se calhar não era suposto eu estar onde estou. E por isso eu sou mesmo muito grata a todos os meus passos, porque eu acredito mais nesta coisa do aos bocadinhos, porque depois quando chegar a coisa muito grande, eu acho que vou estar preparada para agarrar, porque eu estive só no nível abaixo antes e não passei do zero ao 80. E às vezes quando isso acontece, depois é muito difícil continuar no 80.
Que boa maneira de fechar esta conversa. Soraia, muito obrigada por teres estado aqui conosco.
Obrigada eu.
Soraia Tavares no "Em 40 Minutos". Para a semana há novo episódio. Obrigada, Soraia.
Obrigada