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Para já, lembrar que o evento Debater para Avançar, organizado pelo Observador, acontece já na próxima segunda-feira, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, e é dedicado à principal causa de morte em Portugal: os AVCs e enfartes. Os ouvintes podem participar, podem inscrever-se, a entrada é livre, em observador.pt. Em jeito de antecipação do evento, a jornalista Cláudia Pinto tem falado com alguns dos oradores, como é o caso de Sónia Dias, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. Também professora catedrática, destacou o papel da investigação em saúde para a diminuição de desigualdades entre as pessoas e a promoção de maiores ganhos em saúde.

Na sua opinião, o que precisamos no que respeita à investigação para diminuir o flagelo que as doenças cerebro e cardiovasculares representam em Portugal?

A ciência tem nos mostrado muitos caminhos e soluções e uma das áreas que eu gostaria de destacar, e que pra mim continua a ser um grande desafio, é conseguir transformar esse conhecimento científico em práticas reais, ou seja, em intervenções que façam a diferença no terreno, quer seja nos cuidados de saúde ou na vida das pessoas. Estou a falar da ciência da implementação. Basicamente, é uma área que procura encurtar o tempo entre a descoberta científica e depois a sua aplicação prática. Ou seja, queremos garantir que a investigação que funciona, seja um novo medicamento, uma tecnologia, um programa de prevenção, chegue mais rapidamente às pessoas, mas de forma eficaz e ajustada à realidade de cada contexto. E esse tem sido o nosso foco no Centro de Conhecimento e na Rede Portuguesa em Ciência da Implementação, que coordenamos na Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova. Porque, na prática, o que vemos é que apesar de todos os avanços científicos e tecnológicos, muitas das inovações acabam por não chegar ou não serem plenamente utilizadas, quer seja por falta de recursos ou por resistência à mudança, ou na própria cultura organizacional, ou simplesmente falta de formação, de tempo ou de motivação dos profissionais. E é precisamente isto que procuramos fazer, tentando perceber e ultrapassando estas barreiras e, ao mesmo tempo, encontrar estratégias que promovam o que funciona, chegue às pessoas certas com a rapidez, qualidade e impacto que queremos. Por outro lado, há também outras áreas que me são próximas e que não posso deixar de mencionar, e uma delas é a investigação na área da prevenção. Precisamos, de fato, de investir mais em ciência que nos ajude a identificar os fatores de risco, que hoje sabemos claramente que são modificáveis, na grande maioria das vezes, e a promover intervenções que são eficazes a reduzir esse risco desde cedo, na verdade, ao longo de todo o ciclo de vida. Outra área essencial é a investigação colaborativa e centrada nas pessoas. Hoje sabemos claramente que precisamos de ciência que junta múltiplas disciplinas, mas também precisamos trazer pra mesa vários parceiros, desde os profissionais de saúde, cidadãos ou gestores de saúde, para se criar soluções adaptadas aos contextos reais das pessoas e das suas vidas. No fundo, esta é uma investigação que aproxima claramente a ciência da comunidade. E por último, continuarmos claramente a investigar pra perceber quais são as estratégias eficazes para reduzir as desigualdades em saúde, que apesar dos esforços, continuam a persistir, quer seja no acesso à saúde, na reorganização dos serviços ou até em diagnósticos mais precoces.

Acabamos de ouvir Sónia Dias, professora catedrática e diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa. É uma das oradoras do grande evento Observador dedicado às doenças cerebro e cardiovasculares. Acontece na próxima segunda-feira, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. A entrada é livre. Se quiser assistir, inscreva-se em observador.pt.