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Começamos por uma notícia que está acontecendo neste momento. Por esta altura, a PSP está a fazer avisos aos manifestantes que se encontram acampados em Lisboa e no Porto, no protesto pela habitação. A polícia volta a apelar às pessoas que se encontram acampadas ilegalmente para que retirem as tendas do local. Vamos, por isso, agora em direto até à Praça do Rossio, em Lisboa, onde está o jornalista Miguel Pinhandrade. Miguel, a PSP já realizou dois avisos. Qual é que está a ser a reação dos manifestantes?
Na cara dos manifestantes vê-se um pouco de receio por aquilo que aconteceu no Porto na semana passada, mas aqui uma frente unida formaram um cordão humano e vão entoando cânticos de protesto. Ouve-se agora o "Povo unido jamais será vencido". Como disseste, esse segundo aviso já foi feito. Entretanto, os manifestantes também pegaram no megafone e disseram que esta é uma manifestação que não é de todo ilegal. Pediram que a polícia usasse uma força proporcional para aquilo que está a ser um protesto que já dura há três dias na Praça do Rossio. Esta praça, que já foi completamente cercada por forças da autoridade, estão aqui muito mais de meia centena de polícias. O corpo da Unidade Especial de Polícia está à frente, duas linhas à frente do Teatro Nacional Dona Maria II. Entretanto, as equipes de intervenção rápida também cercaram as saídas que dão para o resto das artérias que vêm dar aqui à Praça do Rossio. Os manifestantes continuam a formar um cordão humano. A polícia que deu este primeiro aviso por volta das 17h50, um aviso de 10 minutos, por isso poderá estar para qualquer momento esta intervenção das autoridades, nesta que parecia uma noite calma, como todas as outras. A polícia que tinha apenas vigiado esta praça com meia dúzia de agentes, duas viaturas, hoje, a partir das 17h30, depois disso, começou a reforçar o contingente e agora vivem-se aqui momentos de tensão, em que os manifestantes falam agora com a polícia, dizem que não estão a fazer nada de ilegal. A verdade é que os avisos da polícia foram surgindo ao longo dos últimos dias, a dizer que a partir da meia-noite e meia, e agora a polícia vai avançando em direção aos manifestantes, uma primeira linha da Unidade Especial de Polícia, equipados com capacetes e escudos e também bastões, avançam, estão a poucos metros dos manifestantes que continuam num cordão humano e a entoar que o povo unido jamais será vencido. É um movimento de pinça que as autoridades estão a fazer a partir do Teatro Nacional Dona Maria II, encontram-se agora apenas a poucos metros dos manifestantes, mas os manifestantes continuam a formar um cordão humano e a gritar que o povo—
Pacífico.
Pacífico. Estão a dizer pacífico, à semelhança do que aconteceu no Porto, quando a polícia carregou sobre os manifestantes, uma ação que causou muita polêmica, estão a gritar pacífico. A verdade é que este protesto na Praça do Rossio tem sido pacífico nos últimos dias. A polícia tinha avisado e começam agora a posicionar-se em frente aos manifestantes, os polícias. Há ali uns empurrões, mas até agora não há ainda cenas de violência como aquelas que vimos na semana passada. Agora, uns empurrões, a polícia continua a empurrar os manifestantes com os escudos. Os manifestantes continuam num cordão humano a gritar pacífico, mas a verdade é que não há qualquer movimento por parte dos manifestantes. A polícia tenta separar o cordão humano, mas a verdade é que os manifestantes não se mexem, continuam na Praça do Rossio. Há uma tentativa de tirar as tendas. Já vejo duas tendas a serem retiradas por uma segunda equipa de intervenção rápida da polícia. E é o que se ouve agora. Acho que é bastante audível os manifestantes a gritarem pacífico, também com algum receio do que possa ser violência por parte das forças de autoridade. Há aqui uma breve conversa entre os polícias, também aqui a tentar calcular um pouco. Há aqui uma dispersão, alguns manifestantes a serem puxados para trás, foram mesmo detidos, conto um, dois, três, quatro, meia dúzia de manifestantes que estão a ser detidos pela polícia. Há aqui um manifestante um pouco mais exaltado com três agentes da autoridade, tenta se soltar daquilo que está a ser uma detenção. Está no chão agora com um polícia, está a ser detido. Agora cenas um pouco mais tensas aqui no Rossio. A polícia está, de facto, a conseguir retirar muitas das tendas e a dispersar alguns dos manifestantes. Até agora, aquilo que era um perímetro por parte das tendas, até àquela fonte à frente do Teatro Nacional Dona Maria II, uma fonte entre a estátua de Dom Pedro IV. A polícia já avançou até quase meio do círculo das tendas, os manifestantes agora encaminham-se para aquilo que era o centro da acampada, aquilo que era o quartel-general da acampada. A polícia conseguiu já avançar bastante sobre os manifestantes. As tendas, essas, vão sendo retiradas, com alguns manifestantes a serem detidos. Aqui o cordão da polícia continua a avançar e os manifestantes estão a juntar-se no centro da acampada. A polícia retira as tendas. Posso dizer que ainda não se viram cenas de violência como aquelas que assistimos a semana passada no Porto. A verdade é que os manifestantes, alguns continuam a resistir e não estão a recuar. E a polícia está, por isso, a usar a violência necessária para retirar os manifestantes. É uma linha que vai avançando bastante rápido, os manifestantes recuam, mas aqui a continuar a fazer frente a uma polícia que vai retirando as tendas e também já deteve bastante, poderia dizer mais de uma dezena de manifestantes. Tiveram estes manifestantes numa carga, não sei se se poderá chamar carga, a verdade é que a polícia vai avançando e vai retirando as tendas. Este é um cordão da Unidade Especial de Polícia que avança e retira as tendas para trás. Os manifestantes estão a recuar até à estátua de Dom Pedro IV, que está completamente coberta de cartazes, e os manifestantes, como se pode ouvir, continuam a gritar pacífico. Consigo ver ao fundo, do outro lado da praça Os polícias continuam a avançar. Os manifestantes, apesar de continuarem a resistir num cordão humano bastante forte, os polícias estão a conseguir retirar a maioria das tendas que aqui está. E como disse, alguns dos manifestantes que resistem com mais força estão a ser detidos. E a polícia agora a empurrar com um pouco mais de força. Aqui conseguimos ver claramente que alguns dos manifestantes, com cenas um bocadinho mais violentas, com a polícia a empurrar os manifestantes que estavam a tentar recuperar, se se puder dizer assim, um dos manifestantes que foi detido. E houve aqui, realmente, uma troca de empurrões, um manifestante agora que é completamente empurrado para trás e algumas acusações por parte dos manifestantes de uma violência, se calhar, desproporcional. Os polícias, a verdade é que avançam bastante devagar em relação aos manifestantes. E de notar e destacar aqui estas cenas um pouco mais violentas, com a polícia a empurrar com os escudos, mas de realçar também que não foram usadas, ainda que eu tenha conseguido ver, bastonadas e cenas comparáveis àquelas que foram no Porto. Vejo também agora um K9, dois cães da polícia, numa estratégia mais efetiva para dispersar os manifestantes aqui da Praça do Rossio. Conto agora mais dois manifestantes a serem detidos. E agora, lá está, é como disse, a polícia quando tenta deter alguém, puxar alguém para ser detido, as cenas tornam-se um bocadinho mais violentas.
Miguel, aquilo que eu te ia perguntar também era se, nesta altura, a maioria dos manifestantes está a ceder às ordens da polícia ou se a maioria das pessoas ainda estão a realizar o cordão à volta das tendas.
O cordão foi completamente desfeito, Miguel, até porque o perímetro dos últimos dias das tendas estava muito bem visível, talvez uma área de mais de 50 metros entre o monumento do Dom Pedro IV e a fonte à frente do Teatro Nacional Dona Maria II. Este perímetro foi completamente desfeito, a polícia avançou e empurrou os manifestantes quase todos junto do monumento de Dom Pedro IV. Ouve-se agora "juntem-se a nós". São momentos de tensão. A polícia agora parou, os manifestantes estão num aglomerado muito grande aqui em frente ao monumento Dom Pedro IV. A polícia vai avançando pouco a pouco. Que eu tenha visto, ainda não foram usados os bastões, mas a verdade é que os manifestantes se recusam a aceder às ordens da polícia e há empurrões com os escudos, também aqui numa tentativa de não usar violência excessiva. A verdade é que os manifestantes e a polícia já tiveram aqui alguns encontros mais agressivos, com empurrões e socos a serem desferidos de parte a parte. A verdade é que a polícia também tem mais meios, com os escudos e com os bastões, mas os manifestantes não arredam pé. Entretanto, mais atrás, depois desta linha da equipa da Unidade Especial de Polícia, que são mais de 50 agentes, os agentes da Polícia Municipal vão limpando o terreno, trazem as tendas para trás e acho que agora ao nível, os cães da polícia. São dois cães pastores alemães ou pastores belgas, agora também não consigo distinguir, mas são dois cães da Unidade Especial de Polícia, numa manifestação que, a partir de agora, já não está no perímetro que nos últimos três dias fazia as tendas. A polícia empurra e agora veem-se aqui alguns objetos a serem atirados contra a polícia, que está a conseguir, de uma forma mais efetiva, dispersar os manifestantes que continuam com uma baia, um cartaz que tem estado aqui nos últimos dias, a tentar fazer uma espécie de escudo, mas a polícia já conseguiu mesmo afastar os manifestantes para as traseiras do monumento de Dom Pedro IV. Por isso, neste momento, todo o perímetro da acampada está sem manifestantes, com os polícias municipais a retirarem as tendas e agora a polícia está a usar um pouco mais de força, a empurrar os manifestantes com os escudos. Os manifestantes que com o megafone dizem e dão ordens, parece-me ser uma pessoa de organização que os últimos dias tem sido muito vocal a dar ordens para os manifestantes virem para trás. Não sei bem qual é que vai ser agora. Estes manifestantes continuam no cordão humano, mas a polícia continua a dispersar. Diria que estão aqui mais de 250 pessoas ainda. Poderíamos dizer que é o núcleo duro aqui da acampada que tem ficado durante as noites. Esta que foi uma operação que já começou há 11 minutos e neste momento a polícia conseguiu afastar todos os manifestantes daquele que era o perímetro da acampada, aquele perímetro que vimos nos últimos dias com uma centena de tendas.
Mas a maioria dos manifestantes ainda se mantém no local, certo, Miguel?
Ainda. Vemos aqui um grupo a ser empurrado pela polícia, que está de braços dados, numa espécie de cordão humano, mas é um cordão humano que se move para trás. E é essa as indicações, não sei se conseguiste ouvir, mas é essa a indicação que é gritada a um megafone. "Para trás, para trás, para trás."
Os manifestantes estão a ser, neste momento, empurrados para fora da praça.
Sim, para as ruas. Ainda estamos a mais ou menos 100 metros, 150 metros daquelas ruas que vão dar depois à Praça do Comércio ou Terreiro do Paço, mas a verdade é que a polícia já conseguiu dispersar a maioria dos manifestantes, que vai num passo lento a andar para trás e que, pronto, já não se pode dizer que é um cordão humano, porque não estão a proteger propriamente as tendas que agora vão sendo retiradas pela Polícia Municipal, mas é um grupo bastante grande ainda de manifestantes que continua a fazer frente ou, pelo menos, a cantar, neste momento, a Grândola Vila Morena e a polícia que acaba de estancar a ação, esta carga que estava a acontecer há mais ou menos 10 minutos, quase um quarto de hora, nesta que é a fonte que dá para as traseiras do monumento Dom Pedro IV. Ouve-se o Grândola Vila Morena numa altura em que a polícia parece ter parado este avanço, esta carga, que teve alguns momentos de mais tensão, com empurrões e até mesmo murros e socos a serem desferidos contra os manifestantes. Alguns desses manifestantes foram mesmo detidos e era nestas alturas em que os confrontos se tornavam mais visíveis. Posicionaram-se à frente da polícia, que faz agora um movimento de pinça em direção à Praça da Figueira. Os manifestantes começam a retirar-se num passo mais apressado. A polícia que também começa a acelerar o passo, numa tentativa clara de dispersar os manifestantes para fora da Praça do Rossio. Este foi um protesto, uma acampada que durou três dias, duas noites, em que não houve praticamente confrontos nenhuns. Na noite passada, houve até uma breve conversa com a polícia, em que foi pedido aos manifestantes para que retirassem as tendas.
Nesta altura, o corpo de intervenção está a retirar as tendas do local.
Sim, não é o corpo de intervenção, é a Polícia Municipal e os serviços da Câmara. Agora a polícia formou um cordão à frente do sítio da acampada e por isso não me é permitido passar, mas posso dizer, neste momento, que a polícia conseguiu dispersar todos os manifestantes da Praça do Rossio. Os manifestantes encaminham-se agora para a Praça da Figueira a entoarem alguns cânticos.
Não fiquem sozinhos aí atrás!
Miguel, os manifestantes estão a levar as tendas atrás ou a maioria está a deixar os pertences para trás?
Deixaram tudo porque, como disse, este foi uma carga da polícia que foi bastante efetiva. Os manifestantes iam sendo empurrados e a partir do momento em que a polícia conseguia chegar a uma tenda, puxava-a para trás e a retirava. E os manifestantes encontram-se agora na Praça da Figueira, foram completamente dispersados pela polícia e os membros organizadores, digamos assim, desta acampada, com os megafones e com o cara tapada, com máscaras que fazem lembrar o tempo do Covid, vão gritando e também preocupados com aquilo que possa ser uma intervenção mais bruta da polícia, a dizer para ninguém ficar para trás. A polícia que, neste momento, também começa a andar mais rápido, a fechar a entrada que dá da Praça da Figueira para a Praça do Rossio. E estes momentos de tensão culminam com mais de duas centenas de manifestantes a cantar e a protestar na Praça da Figueira. Não sei, neste momento, se a polícia vai ou não intervir, com alguns manifestantes aqui, umas certas provocações para a polícia, uma troca de bocas? Não, apenas da parte dos manifestantes, mas aqui a fazer referência também àquilo que foi a intervenção da polícia na semana passada no Porto. E ouve-se agora a multidão dispersa, junta-se na Praça da Figueira.
O povo unido jamais será vencido!
Um manifestante a gritar: "O povo unido jamais será vencido!" Mas, Miguel, é como te digo, estes momentos de tensão parecem ter passado, com a polícia a conseguir isolar por completo a Praça do Rossio, com os manifestantes, quase todos, aqueles que foram dispersados aqui para a Praça da Figueira, a serem controlados por três elementos da Polícia de Trânsito, foram completamente dispersados para a Praça da Figueira, com a Praça do Rossio a ser limpa neste momento pelas autoridades.
E Miguel, conseguiste perceber quantas pessoas é que foram detidas pelas autoridades? Nós estamos a acompanhar através da emissão televisiva. Vimos algumas pessoas a serem detidas. Conseguiste perceber quantas?
Diria que foram, pelo menos, mais de uma dezena. Não te consigo precisar o número. Acho que, pelo que eu consegui ver, estas pessoas que foram detidas resistiram, se calhar, de uma forma à margem da lei e por isso acabaram por ser detidas. E também, como já fui dizendo, estes momentos de mais tensão foram provocados exatamente pelos manifestantes que tentavam impedir a detenção de quem estava a ser puxada pela polícia. António, estamos em direto para a Rádio Observador. Sabem quantas pessoas é que foram detidas pela polícia?
Não sabemos. Mais uma vez, o Estado português mostra a sua verdadeira cara. Como nós temos mostrado, temos acampado de forma pacífica, temos acampado, inclusive, para dar uma outra cara a esta cidade que nos é excluída. E mais uma vez, o Estado português mostra a sua verdadeira cara, repressão.
O objetivo agora é ficar aqui na Praça da Figueira até quando?
O nosso objetivo vai ser demonstrar de uma vez por todas que com esta forma repressiva e esta forma violenta de agir, não se resolve o problema da habitação.
Ficamos aqui com o relato de António Tonga, um dos organizadores da acampada, que tem sido uma das vozes mais vocais. Aliás, foi ele que também falou na noite passada com a polícia e que disse que este objetivo de ficar na Praça da Figueira era decidido, da Praça da Figueira, não, peço perdão, da Praça do Rossio, era decidido em assembleia popular e a verdade é que foi sempre decidido para que os manifestantes permanecessem na Praça do Rossio. A polícia, neste momento, faz um cordão à frente das entradas que dão da Praça da Figueira para a Praça do Rossio e os manifestantes organizam-se agora aqui na Praça da Figueira, com o caminhão dos bombeiros agora a dirigir-se para a Praça do Rossio, não sei se para limpar. Devo dizer que não consegui ver se há algum foco de incêndio ou algo que motiva a presença dos bombeiros. A verdade é que está aqui um caminhão dos sapadores de Lisboa, com alguns dos manifestantes a sentarem-se no chão, com os momentos de maior tensão a terem passado, a destacar alguns confrontos com a polícia, uma troca de empurrões e talvez aqui momentos mais violentos em que foram desferidos empurrões mais fortes e alguns socos também. De notar também que não se viu uma carga policial da forma como ocorreu a semana passada no Porto. Os manifestantes sentam-se neste momento com algumas ordens a serem proferidas nos megafones por parte dos organizadores, numa manhã que parecia calma, mas que, entretanto, acabou e culminou com a retirada e a desmobilização dos manifestantes da acampada que há três dias permanecia no Rossio.
E vais continuar por aí, Miguel Pina Andrade, a acompanhar esta ação da PSP, que retirou os manifestantes da Praça do Rossio, que estão agora reunidos na Rua da Bentesca, numa das ruas laterais a esta Praça do Rossio. O jornalista Luís Soares está agora conosco também em estúdio para nos ajudar a perceber o que está a acontecer no Porto. Luís, no Porto, são menos as pessoas que estavam reunidas na Praça Dom João I, mas a PSP realizou uma ação parecida àquela que aconteceu no Rossio.
Sim, mas ainda assim com menos dimensão. Foi bastante diferente, apesar de que no Porto ainda se vê um cordão humano com algumas das pessoas que se manifestavam na Praça Dom João I, que alguns deles continuam a desmontar tendas, estão também a retirar algumas faixas, mas sobretudo vão também mantendo algum cordão humano para tentar proteger a zona do protesto da ação da polícia, que é muito menos visível do que em Lisboa, pelo menos por aquilo que é possível perceber pelas imagens televisivas nesta altura. Há um cordão humano que vai tentando proteger algumas tendas, enquanto que outras pessoas noutras zonas da praça vão também retirando algum material e algumas tendas que estavam montadas já há vários dias. O certo é que também no Porto houve avisos por parte da PSP para que os manifestantes se retirassem do local, para que desmontassem as tendas e se retirassem. E, de facto, pelas imagens que é possível ver pela televisão, isso está a acontecer e sem grande intervenção por parte da polícia, pelo menos de forma muito diferente daquilo que tem acontecido em Lisboa. A polícia está apenas a vigiar e a observar esse movimento de limpeza da praça. Os manifestantes estão a retirar os pertences da praça, ainda que mantenham algum cordão humano numa outra zona da Praça Dom João I, precisamente para tentar proteger também algumas tendas e algum material. Mas não há, ao contrário de Lisboa, no Porto, não há ou não tem havido, pelo menos nos últimos minutos, momentos de tanta tensão entre os manifestantes e a polícia. Os manifestantes estão de um lado, a polícia está do outro, relativamente afastados. Não tem havido sequer algum contacto físico entre as duas partes, ao contrário do que aconteceu em Lisboa. E, portanto, a situação no Porto é um pouco diferente em relação àquilo que se tem passado em Lisboa, depois de vários avisos também do lado da PSP, que continua no local. É possível ver que a polícia continua no local, na Praça Dom João I, mas sem um contacto propriamente físico com os manifestantes que têm estado no Porto. Ainda assim, o corpo de intervenção da PSP está vastamente posicionado numa das zonas. Na outra zona continuam os manifestantes num cordão humano, mas no caso do Porto não tem havido qualquer tipo de contacto físico, não tem havido propriamente nenhuma pressão por parte da polícia para que os manifestantes se retirem, retirem as tendas. O facto é que daquilo que é possível ver pelas imagens televisivas neste momento, já não se veem tendas propriamente dentro da praça. Os manifestantes que estão em cordão humano aparentam estar numa zona já mais lateral da praça, sendo que acabam por também de alguma forma abandonar a Praça Dom João I, que aparenta estar muito mais limpa agora do que estava há 20 minutos, digamos assim, porque os manifestantes foram retirando as tendas, foram retirando os pertences, ainda que estejam aqui numa zona mais lateral, foram abandonando o centro da praça e a situação no Porto é claramente muito diferente daquela que se tem vivido nos últimos minutos em Lisboa, Miguel.
E por isso vamos voltar agora a Lisboa, à Praça da Figueira, onde neste momento estão os manifestantes. De novo ao contacto com Miguel Pina Andrade. E Miguel, neste momento os manifestantes estão a fazer contas àqueles que foram os manifestantes detidos nesta operação da PSP e também já há hora para novo protesto, é isso?
Sim, precisamente, Miguel. A hora foi aqui dita num dos megafones por alguém da organização, um novo protesto para às 18h de hoje. Uma mensagem que foi recebida com muitas palmas e com alguns gritos. E como disseste também, estes manifestantes, esta pessoa que nos últimos dias, como disse também há pouco no outro direto, tem assumido um papel mais ativo e também a tentar organizar aquilo que eram mais as questões de segurança, a fazer algumas contas para tentar perceber se havia ou não, ou quantas pessoas, aliás, tinham desaparecido. Isto de uma forma em que os manifestantes juntaram-se aquilo que eles chamaram de grupos de afinidade para saber. Eram grupos com pessoas de confiança para também se saber ou não quantas pessoas é que tinham desaparecido. A contagem que fizeram foi de 15 detidos, a parte dos feridos não consegui perceber muito bem, aqui também há alguma confusão, é também momentos de muita tensão. Os manifestantes estão nervosos, acordaram ao meio da noite, pensavam que seria mais uma noite normal e a polícia conseguiu dispersar completamente os manifestantes. Alguns estão sentados, outros em pé aqui num círculo à volta da Praça da Figueira, numa altura em que um dos responsáveis, António Tonga, com quem falávamos há pouco, se aproximou aqui de um polícia, não sei se para tentar perceber quantas pessoas foram detidas.
Onde é que estão os nossos companheiros? A polícia tem que informar quantas pessoas é que feriu. A polícia não vai passar impune por mais este abuso.
Aqui um pedido por parte da organização da acampada para saber quantas pessoas é que foram detidas aqui. Pedem declarações da polícia, explicações. Também destacar que a polícia, desde o início, tem um elemento a filmar tudo com uma máquina de filmagem.
Nós queremos falar com o responsável sobre esta informação.
A polícia não quer falar com os manifestantes e os manifestantes aproximaram-se dos policiais, que acabaram por virar costas a este grupo de, mais ou menos, uma dúzia de manifestantes que veio pedir explicações, quantos manifestantes tinham sido detidos, quantos ficaram feridos. A polícia, a verdade é que se recusou a responder e, neste momento, vigia apenas estas ruas que dão acesso à Praça do Rossio, com um contingente policial muito grande, aquele que realizou esta operação no Rossio. Os manifestantes continuam a pedir esclarecimentos à polícia, que, por agora, não os vai dar.
Miguel, deixa-me fazer-te uma pergunta. Estavas a falar em cerca de meia dúzia de manifestantes que se encontram do teu lado, neste momento, a pedir explicações à polícia, mas os restantes já desmobilizaram completamente?
Não diria completamente. A verdade é que ainda se encontram bastantes manifestantes. Diria, como disse há pouco, o núcleo duro daquilo que foi esta acampada nos últimos três dias no Rossio, aquele núcleo mais vocal nos protestos, que dormiu e que passou a noite aqui no Rossio. Neste momento, muitos dos manifestantes estão sentados, outros estão em pé, a tentar também perceber e inteirar-se daquilo que foi esta última meia hora, que culminou nesta passagem do Rossio para a Praça da Figueira. Os manifestantes continuam aqui a falar, às vezes, com a comunicação social, a dizer que é uma vergonha aquilo que se passou, este impedimento do direito à manifestação. Falámos há pouco com o António Tonga e era isso precisamente que ele nos dizia, que os manifestantes não fizeram nada de mal.
Miguel, deixa-me só dar nota disto, porque tu estás noutro ponto dessa zona. Estás na Praça da Figueira, mas na Praça do Rossio, onde tudo isto começou, é possível ver, através das imagens televisivas, um grupo de 15, 20 pessoas, mais ou menos, Miguel, que estão sentadas no chão, que são detidos, estão também com cordão policial à volta. Serão detidos pela PSP, estão sentados com as mãos atadas atrás das costas, na Praça do Rossio. Serão, possivelmente, alguns dos detidos que aconteceram ao longo desta operação que decorreu na última meia hora. E, ao mesmo tempo, também que é realizado algum trabalho para retirar as tendas. Mas isto para dizer que os manifestantes em si, Miguel, estão todos na Praça da Figueira. A Praça do Rossio está interdita à passagem. Pelo menos, estão a impedir que haja pessoas dentro da Praça do Rossio.
Sim, e entrou agora um caminhão dos bombeiros. Outro, pela minha contagem, já são dois que se devem preparar para lavar a praça, porque nos últimos três dias os manifestantes viveram na Praça do Rossio com quase uma centena de tendas. E como disseste, Luís, contaste mais ou menos duas dezenas de manifestantes. Também foi aqui a conta feita pela organização, por braços no ar, quantas pessoas é que foram detidas. E agora mais um grupo de cinco pessoas, cinco manifestantes, vejo aqui António Tonga, que foi um dos organizadores que falou com a polícia na noite de ontem. Aproximam-se agora dos polícias que estão a cercar a Praça do Rossio para tentar fazer este ponto de situação. Quantas pessoas foram detidas e se há feridos a registrar. É o momento em que a polícia se mantém em pé, a olhar para os manifestantes dispersados na Praça da Figueira.
Estamos à espera de falar com o responsável por esta operação. Temos informação de detidos e feridos indeterminados. Vocês devem-nos esta informação. Queremos falar com o responsável.
Aqui as reivindicações de António Tonga, que pede, como disse, à polícia, ou melhor, ao responsável por esta operação, um ponto de situação. Quantas pessoas é que foram detidas continua a ser a maior preocupação dos manifestantes que, entretanto, foram dispersados para a Praça da Figueira e encontram-se reunidos. Eu diria que mais de uma centena. Não é a totalidade daqueles que aqui nos últimos dias têm estado no Rossio, nesta acampada, mas ainda é um número considerável de pessoas que, alguns sentados, outros em pé, tentam perceber mais ou menos o que é que se passou, ver quem é que está ferido, quem foi detido, e esta que continua a ser a maior preocupação, agora, da organização.
Muito obrigado, Miguel Pina Andrade. Vais continuar aí na Praça do Rossio ou nas imediações da Praça do Rossio. Vamos agora em direto até ao Porto, onde está o jornalista Miguel Pinheiro Correia. Miguel, aí a operação da PSP também já foi realizada. Peço-te um ponto de situação, tendo em conta que os manifestantes aí na Praça Dom João I eram bem menos do que aqueles que se encontravam na Praça do Rossio.
Era e ainda estão aqui, Miguel, dezenas por esta altura, mas já não estão na praça. Alguns vão formando aqui um cordão, mas não estão a formar um cordão a proteger as tendas, porque essas foram retiradas. E essa indicação que nos deram é que a polícia avisou primeiro, antes das 18h, mais do que uma vez, no megafone, a pedir a retirada das tendas. Fê-lo duas vezes. Deu 10 minutos em cada uma dessas duas vezes para que os manifestantes retirassem as tendas, o que acabou por não acontecer. Os manifestantes não se mexeram num primeiro momento, mas depois acabaram por concordar todos com essa retirada ou acabaram por perceber que seria a única forma de evitar nova carga policial. Acabaram por concordar, como dizia, saíram da parte central da praça, saíram dessa zona onde costumam ter as tendas montadas. Alguns estão agora a formar um cordão, outros estão aqui a arrumar as coisas, a tentar organizar os pertences, porque aqui nesta zona da praça têm as coisas espalhadas, têm os mantimentos espalhados precisamente em frente ao Revoli. Estão a tentar transportar colchões Ainda há pouco, ouvíamos novo diálogo entre manifestantes e PSP, sendo dada essa indicação dos manifestantes de que tencionam voltar e disseram aos polícias, os polícias ouviram isso mesmo, disseram que tencionavam voltar ainda hoje e tencionavam continuar a manifestar os seus direitos pacificamente. Ora, é este o retrato possível que se faz neste momento. Continuamos a ver muitas pessoas a retirar todos os pertences. Vemos aqui os mantimentos que têm usado ao longo destes últimos dias, alguns cartazes também, garrafões de água, que preenchiam até há pouco a Praça Dom João I, mas que agora estão retirados, estão nesta zona mais afastada, atrás das escadas, onde, e nessas escadas mesmo em frente ao Rivoli, continuam a fazer esse cordão humano. Vemos algumas pessoas de capacete. Aliás, foi um cenário que foi visto da última vez em que estes manifestantes suspeitaram que poderia haver uma carga, equiparam-se com capacetes para então tentar aguentar melhor a carga policial. A indicação que nos deram é que essa carga policial hoje não aconteceu. A polícia apelou uma vez, apelou duas vezes. Os manifestantes acabaram por aceder a esse pedido, ainda que primeiro não o tivessem feito, algo contrariados, tentaram manter-se aqui na Praça Dom João I e agora, e é essa a indicação que também nos têm dado, estão a arrumar as coisas. Disseram também à polícia que iam para já para a Avenida dos Aliados, iam reorganizar-se lá, não iam acampar lá. Deram essa indicação também. Agora é isso que vamos tentando perceber aqui com os manifestantes. Bom dia, em direto para a Rádio Observador. Está aqui uns manifestantes que estão ainda a reorganizar-se, não querem falar à Rádio Observador, estão a tentar arrumar as coisas e vão desmontando as tendas. É esse o cenário aqui. Mantém-se muita polícia perto da Praça Dom João I, estão só a olhar para os polícias. Os polícias não chegaram propriamente a esta carga policial, este cordão de polícias, são muitos polícias que vemos aqui, além da PSP, também Polícia Municipal, não chegaram a entrar na Praça Dom João I, estão a assistir a tudo. São muitas carrinhas da polícia, são dezenas de carrinhas da polícia, também há alguns carros que não chegaram, como dizia, a entrar na Praça Dom João I. Estava a tentar ouvir agora, há aqui alguns protestos, mas são pessoas que estão só a passear na Praça Dom João I.
Miguel, voltamos aí daqui a sensivelmente meia hora no noticiário das 19h para uma nova atualização. Estivemos nesta última meia hora a acompanhar a ação da PSP, tanto na Praça do Rossio como também na Praça Dom João I. Na Praça do Rossio, em Lisboa, eram cerca de 250 as pessoas que estavam acampadas nesta ação em manifestação contra a crise na habitação. E, de facto, pelo que pudemos testemunhar através do testemunho do Miguel Pina Andrade, houve dezenas de detidos, também alguns feridos, que não conseguimos contabilizar. Também por aquilo que nos chega da televisão, conseguimos perceber que neste momento na Praça do Rossio estão detidas dezenas de pessoas, entre 15 a 20 pessoas que estão no chão acompanhadas pela polícia. O resto dos manifestantes acabou por desmobilizar e é uma situação, naturalmente, que vamos continuar a acompanhar aqui na antena da Rádio Observador. Aconteceu o mesmo no Porto, mas com menos pessoas, eram algumas dezenas as que ainda resistiam acampadas ao fim de mais de 10 dias na Praça Dom João I. Voltamos a atualizar a informação já com o início do "As Manhãs 360", com a edição do Luís Soares, às 19h.