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Temos a possibilidade de ouvir José Ribeiro e Castro. José Ribeiro e Castro, boa tarde. Obrigado por se juntar à emissão da Rádio Observador. O que recorda de Adriano Moreira?
Recordo a sua amizade, recordo a sua humanidade, recordo a sua inteligência, recordo a sua fidelidade a Portugal, aos seus ideais, à sua capacidade de diálogo. Recordo a sua longevidade, que é uma coisa extraordinária, e a coragem com que enfrentou os últimos dois anos da sua vida, que foram muito duros. Nós raramente festejamos os 100 anos de quem quer que seja. Normalmente, só o fazemos a pedido e tivemos ainda o prazer de o fazer com ele. Portanto, recordo isso. Recordo essa pessoa que atravessou o tempo, e com uma capacidade para o marcar. Ele marcou o tempo. Mesmo quando parecia distante, ele estava presente.
E dos contactos pessoais que o José Ribeiro e Castro teve com Adriano Moreira, o que destaca do perfil mais privado?
Era um homem humano, com capacidade para perdoar. Eu digo isso, eu tive desentendimentos com ele e as coisas compuseram-se bastante bem e ficamos sempre muito amigos. Um intelectual, um homem dos livros, um homem da literatura, que levou esse património à cidade do seu distrito, a Bragança. Tinha muito apreço pelos livros, pelo ensino. Um homem da ideia escrita, da ideia registada, da ideia património. Depois, era um homem muito sereno. Um homem que buscava inspiração. A sua leitura dos papas era de um homem que buscava a inspiração. Um visionário, um homem que tinha uma visão de um mundo em paz, de um mundo fraterno, de um mundo em que as pessoas tinham os seus espaços, mas esses espaços davam-se bem entre si. Era essa a ideia da humanidade que ele tinha. Uma ideia de justiça e verdade. Tenho ouvido muitos dizer que ele era um homem consensual. Ele talvez não fosse sempre consensual com as suas ideias, porque ele era muito claro na afirmação das suas ideias, mas tornou-se consensual por ser uma pessoa admirada. Era uma pessoa que toda a gente admirava, mesmo as pessoas que não estavam de acordo com as suas ideias adquiriam uma grande humanidade, uma grande admiração por este homem extraordinariamente humano e que atingiu a senioridade académica, a senioridade intelectual e a senioridade política, uma veterania extraordinária que merecia o respeito de toda a gente.