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Antes de mais, muito obrigado, Fernando Santos, pela disponibilidade. Vamos falar de Pinto da Costa. Faleceu ontem, aos 87 anos. Que legado deixa o ex-presidente do Futebol Clube do Porto, que esteve no comando dos Dragões durante mais de quatro décadas?
Enquanto presidente do Futebol Clube do Porto e até no panorama nacional e internacional, deixa o clube um legado de conquistas que dificilmente pode ser ultrapassado, não só no nosso país. Ao futebol, de uma forma diferente de gestão, completamente diferente, altamente profissionalizada. Basta atentarmos que a primeira SAD é no Futebol Clube do Porto, em 1997, penso eu. Eu fui em 98 e a SAD tinha sido constituída nessa altura e é uma forma completamente de pensar o futebol. Dedicação 24 horas por dia, toda a gente altamente profissional, portanto, uma forma diferente. Deixa muito legado nessas áreas.
O Fernando Santos acaba por ficar para sempre ligado à conquista do penta, os últimos dois anos que valeram essa alcunha de Engenheiro do Penta. O que significou esse momento para Pinto da Costa?
É verdade que ficaremos para sempre ligados a essa conquista. Todos sentíamos que esse era o seu desejo, o seu objetivo, apesar de não falar muito no assunto, mas todos percebíamos que isso era muito profundo nele, esse receio, essa expressão não era essa, essa vontade, esse querer muito alcançar um feito que era inédito em Portugal e percebíamos claramente que essa era uma grande ambição que ele tinha, apesar de, como volto a referir, ele não nos forçar, não estar sempre a falar sobre esta questão. Deixou-nos trabalhar. Eu lembro-me bem dos episódios que aconteceram até no CN, até porque ele não teve receio nenhum, porque arriscou tudo, apostou tudo num treinador, que era eu, que vinha da segunda amadora. Lembro-me perfeitamente daquele jogo da Taça de Portugal, em que a equipa foi eliminada por Torriense e ele sempre esteve conosco, com absoluta confiança. Acho que nós tínhamos esse sentimento os dois, que íamos ganhar. O campeonato ia ser nosso e o penta ia ser alcançado, que era uma coisa que ele desejava muito.
De que forma é que Pinto da Costa, Fernando Santos, fica marcado na história, não só do Futebol Clube do Porto, como também da cidade do Porto?
Pinto da Costa vai ser marcado. Eu acho que as manifestações que estamos a assistir e que eu, infelizmente, não podendo estar aí, porque estou em Baku e ter acordado com uma notícia dessas foi, para mim, acho que ainda não consegui perceber muito bem o que aconteceu, apesar de saber que as coisas não estavam bem, que era quando conversava com ele, mas quando conversava com alguns dos nossos amigos comuns, sabia que as coisas não estavam bem e com a família também, a Joana, principalmente. Mas de qualquer maneira, é um choque e acordar longe e sem a possibilidade de poder estar e participar nessa última homenagem é algo que marcou este meu dia e vai marcar para sempre este meu dia. Mas de qualquer maneira, eu acho que as manifestações de carinho, de respeito e admiração que estão a acontecer por todo o país e também nos jornais, nos clubes, todos os clubes internacionais, este respeito, este carinho, esta admiração, eu acho que falam por si próprio. O legado de Pinto da Costa à cidade e ao Porto é isto. Eu acho que uma imagem vale mais que mil palavras, neste caso, estas imagens, que são muitas, valem muito mais que mil palavras. Para mim, o que guardo e esse é o legado que me deixa a mim, é uma grande amizade e como costumávamos dizer quando falávamos, e falávamos felizmente muitas vezes, amigos para sempre.