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Um discurso de apelo à unidade, com muitas referências a todos aqueles que não votaram em Macron. Henrique Bourne, o que te pareceu esta intervenção do presidente francês?

Chama-me a atenção exatamente aquilo que acabaste de mencionar, as menções aos que não votaram. Ou seja, eu acho que foi obviamente um discurso de vitória, mas mais do que um discurso de vitória, foi um discurso de alguém a quem foi dada uma nova oportunidade. Portanto, eu acho que se notam três menções: a menção da história da nação ecológica, que é uma maneira de tentar falar aos jovens e aos eleitores mais à esquerda. Depois, a ideia de reparar a divisão e aquele momento em que ele diz: "Eu percebo a decepção dos que votaram em Le Pen", e a multidão começa a aplaudir. Ele diz: "Não, temos que perceber estas pessoas. Eu já não sou o presidente de um campo, não sou candidato de um campo, mas presidente de todos. E portanto, compreendo a raiva e o desacordo dos que votaram no Le Pen, é preciso recuperá-los." Acontece que isto é mais ou menos o que ele disse há cinco anos, quando disse que não podemos voltar aqui daqui a cinco anos e voltámos. No fundo, eu acho que Macron fez um discurso para os que não votaram nele e para os que votaram nele menos convictamente, consciente que são muitos e que esse é o grande problema.