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Substitui-se o vermelho e verde pelo vermelho e azul da Coreia do Sul. É lá a próxima Jornada Mundial da Juventude marcada para 2027, porque em 2025 há Jubileu e o Papa quer os jovens em Roma numa espécie de Jornada Mundial da Juventude intermédia antes da próxima. José Manuel Fernandes, já estávamos à espera deste anúncio. Qual é a relevância? Mais uma vez, o Papa começou por dizer que ia ser num continente diferente. É sempre importante na Jornada Mundial da Juventude ser em continentes diferentes.

Há esta preocupação de levar as jornadas a vários continentes. Já esteve na Ásia, nomeadamente a maior jornada de sempre, com mais participação, foi em Manila, já há muitos anos. A anterior tinha sido no Panamá, na América Latina. Portanto, há esta tradição e eu acho que é uma tradição muito relevante. A ida para a Coreia do Sul também é muito importante. A Coreia do Sul foi um país que viveu, já depois da Segunda Guerra Mundial, uma grande guerra, uma guerra civil. Logo no início dos anos 50. E a partir do fim dessa guerra civil, quase não havia cristãos na Coreia do Sul, seriam 8% da população antes da guerra. E depois da guerra, muito por ação das associações que foram ajudar a reconstruir a Coreia, o cristianismo cresceu muito. Atualmente representará cerca de 30% da população, passou de 8% pra 30%, já ultrapassou o budismo. Há mais protestantes do que católicos, mas continuam a crescer. Em 20 anos, o número de católicos aumentou 50%. É muito raro isto acontecer noutros países e tudo indica que é uma fé muito vivida e muito intensa. Por exemplo, dos que vêm a Portugal como turistas, os sul-coreanos, virão 120 mil por ano, um terço vai a Fátima. O que dá bem um sinal da importância disso.

É um sinal curioso.

É um sinal curioso. Eu que já fui várias vezes a Santiago Compostela, quando vou a Santiago Compostela, uma das perguntas que se faz quem lá vai é: "Há uma excursão de coreanos?" Porque havendo uma excursão de coreanos, vai haver o botafumeiro na catedral, porque eles pagam. Porque eles pagam, exceto no dia em que há, que é uma vez por semana, nas outras vezes é necessário alguém pagar. É uma fé vivida, uma fé intensa, e que não é antiga, como por exemplo, nas Filipinas é uma fé antiga. Vem do tempo da evangelização, há muitos anos. Foi um país que esteve sob domínio espanhol até ao final do século 19. É diferente. As Filipinas é o país católico, a Indonésia é o país muçulmano. Estes países, o Japão, a China, a Coreia do Sul, têm uma cultura diferente, mas o catolicismo e o cristianismo nunca teve lá a importância que teve noutras regiões. Desse ponto de vista, quer pela parte da população que já professa esta religião. Estamos a falar, em relação ao cristianismo, de quase um terço da população, quase um em cada três. Quer pelo fato de estar a crescer, eu acho que é muito significativo que esta festa, isto é uma enorme festa, vá para a Coreia, porque diz o sul-coreano que nos falou. Ele quer fazer ainda mais alegre e mais divertido do que foi aqui em Lisboa. Eu acho que aqui em Lisboa isto foi esmagador.

Já vamos fazer esse balanço também, José Manuel Fernandes. E já vou perguntar também ao padre João Basto o que significa esta ida da jornada para a Coreia do Sul. Estamos em que fase neste momento? Já estamos no Ângelus?

Estamos já depois do Ângelus, que foi aquele discurso que antecedeu o anúncio da jornada em Seul. E neste momento são os ritos finais com a bênção e a despedida. A bênção já foi dada pelo Papa Francisco e neste momento também preparamo-nos para a procissão de saída para o final da celebração.

E portanto, está praticamente terminada esta missa de envio. O que significa a Jornada Mundial da Juventude na Coreia do Sul?

Nós vínhamos a falar já há algum tempo que o Papa fez aqui muitas vezes uma grande catequese sobre a Europa. E é curioso que a Europa, principalmente Portugal e Espanha, estão muito ligados à evangelização da Coreia. Muitos dos mártires da Coreia, os primeiros padres que tentaram evangelizar territórios quer da Coreia, quer do Japão, quer da China, que acabaram por falecer, foram formados nos seminários de Portugal e de Espanha, nomeadamente até em Braga. Houve até uma grande presença de jesuítas. E é também um sinal, como estava a dizer José Manuel Fernandes, face à instabilidade política e social que a Coreia viveu na primeira metade do século XX, na segunda metade, no início, que até culminou com uma consagração da Coreia como um país que já tinha superado este tipo de conflitos em 88, quando os Jogos Olímpicos são realizados em Seul e a Rosa Mota até ganha a medalha de ouro. Nós temos aqui todos os motivos para haver uma ligação entre Portugal e a Coreia, não só até pela arte que temos no Museu Nacional de Arte Antiga, só os biombos Naama são o retrato dessa ligação forte entre Portugal e a Europa e a Ásia.

Portugal e a Coreia não são nada países distantes. Agora sim, José Manuel Fernandes, temos oportunidade para fazer um balanço final desta Jornada Mundial da Juventude. É positivo?

Olha, é muito positivo.

Já sabemos que o vencedor é, não sei se queres dar uma nota à Jornada Mundial da Juventude.

Não vou dar uma nota, mas se desse uma nota seria seguramente muito alta. Eu acho que é positivo em vários domínios. É positivo porque foi uma enorme demonstração da capacidade de organização. Isto correu muito bem. Foi uma enorme demonstração de civismo e empenhamento, a forma como estas centenas de milhares de jovens se portaram, acho que foi um exemplo pra todos. Quem os viu, quem conversou com eles, quem partilhou o que quer que fosse com eles, percebeu que havia aqui algo muito relevante. E depois, julgo que as mensagens que o Papa Francisco nos deixou vão brotar e ecoar, e vão chegar em Portugal, em particular, bem pra além das fronteiras da Igreja Católica.

Balanço positivo também, padre João Basto?

Sim, faço um balanço positivo. O grupo que contactei, toda a jornada, não sendo eu, como disse ao início das emissões, um adepto de grandes eventos, eventos em massa, creio que é claro que se pensarmos que neste recinto estiveram hoje aproximadamente um milhão e meio de pessoas, que é mais de 10% da população portuguesa, e que tudo correu com normalidade dentro daquilo que são os problemas logísticos sempre de um grande evento, creio que isso é sinal mais eficiente do bem que correram as jornadas.

Padre João Basto, obrigado também José Manuel Fernandes. Estamos na reta final também da nossa emissão especial na Rádio Observador