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Domingos Paciência, muito obrigado por ter aceitado o convite para estar aqui conosco. Foram 12 anos de Futebol Clube do Porto, desde 1986 até 2001. Todos esses 12 anos foram com Pinto da Costa como presidente. É o presidente da sua vida, podemos assim dizer, da sua carreira como jogador de futebol?
Sim, pode-se dizer. Não 12 anos, mas 20, porque ainda tive mais quatro de treinador da equipe B, mais quatro de formação. Portanto, são cerca de 20 anos no Futebol Clube do Porto. Sim, mas é o presidente da minha carreira e é acima de tudo um amigo que partiu hoje. Eu diria que é o dia mais triste da história do Futebol Clube do Porto, porque sabemos o quanto Pinto da Costa representava o Futebol Clube do Porto e fez pelo Futebol Clube do Porto. E se realmente hoje o Futebol Clube do Porto tem a dimensão que tem, é porque Pinto da Costa um dia resolveu fazer deste clube campeão do mundo e campeão europeu. Aí vê-se realmente o quanto foi importante na história do Futebol Clube do Porto.
Dizia aqui, Domingos Paciência, que Jorge Nuno Pinto da Costa decidiu um dia tornar o Futebol Clube do Porto neste gigante que é do futebol mundial. De que forma é que foi feita essa decisão? Ou seja, esse caminho que Jorge Nuno Pinto da Costa conseguiu trilhar, de que forma é que foi feito? Quais foram, para si, os pilares do sucesso de Jorge Nuno Pinto da Costa?
A forma como procurou fazer com que o Futebol Clube do Porto crescesse, sempre procurando apoios, sempre procurando as pessoas numa fase inicial da sua presidência, ter pessoas ao lado dele que o pudessem ajudar. E depois, não haja dúvida que o critério de escolha sempre. Sempre soube escolher, sempre escolheu bem, quer treinadores, quer jogadores. E por isso é que o Futebol Clube do Porto ganhou mais vezes e teve a hegemonia do futebol durante anos, porque soube escolher. E o mérito também está aí. Depois também soube liderar, porque se há muita gente que o conhece muito por aquilo que foi a sua exposição pública, aqueles que privaram com ele dentro de um balneário sabem perfeitamente que era um Pinto da Costa diferente. Líder, mas amigo dos jogadores e saber fazer a gestão de vários, centenas de jogadores que passaram pelo Futebol Clube do Porto era grande mérito.
Domingos Paciência, há pouco falava nessa ligação e mesmo nas idas ao balneário de Jorge Nuno Pinto da Costa. Como é que vocês, jogadores, na altura, se sentiam quando viam um presidente tão marcante, tão lendário, entrar balneário dentro, falar convosco? Qual era o impacto que ele também tinha psicologicamente em vocês, jogadores? Ver um líder dessa dimensão estar tão ligado aos jogadores do Futebol Clube do Porto.
Por isso é que eu lhe dizia que no balneário, quem o conhecesse por aquilo que ele dizia e fazia fora, não tinha nada a ver aquilo que ele dizia e fazia dentro do balneário. Não era um presidente agressivo. A sua postura, a sua cara, a comunicação, como ele o fazia, era de uma exigência tão forte que não era preciso andar aos gritos. Nunca foi um presidente que gritou com os jogadores, nem em balneários, mas a sua presença significava muito e os jogadores sabiam ler perfeitamente o estado de espírito que ele se encontrava. Por isso é que eu digo, não há nenhum, eu diria que muito poucos jogadores nunca disseram mal de Pinto da Costa por isso mesmo, porque nunca foi aquele presidente tão mau e tão agressivo que muitas pessoas lhe diziam.
Domingos Paciência, foi jogador do Futebol Clube do Porto em equipe principal durante 12 anos, marcou gols e gols. Foi um dos jogadores mais lendários da história do clube. Durante toda essa época, tem alguma história particular com Jorge Nuno Pinto da Costa, obviamente, que nos possa contar e que guarde com especial carinho neste momento difícil também?
Muitas histórias. As decisões que ele tomava. Lembro-me no Feyenoord, de madrugada, dizerem que o hotel, ele contou isso, que o hotel tinha uma bomba para acordar a equipe toda e ele com a coragem dele de não acordar ninguém, de tomar essa decisão. Muitas coisas que ele fez e que depois à pressa nos contavas. Muitas histórias há para contar, porque realmente foram muitos anos.
Domingos Paciência, para terminar a nossa conversa, gostava de lhe perguntar de que forma é que gostava, até porque, por exemplo, representou o Sporting como treinador, um dos rivais do Futebol Clube do Porto. De que forma é que gostava também que os rivais, neste momento de despedida, homenageassem Jorge Nuno Pinto da Costa? Porque sabemos que a relação nunca foi propriamente unânime entre os rivais e também o antigo presidente do Futebol Clube do Porto. Neste momento de despedida, gostava que o futebol português se unisse em torno de Jorge Nuno Pinto da Costa?
O futebol português tem que se unir em torno de todos os dirigentes que começaram a fazer do futebol português um futebol que tem muito talento, tem os melhores jogadores do mundo e também se deve a estes dirigentes, porque fizeram por isso. Tudo existiu um começo e se hoje o futebol português está como está, com os erros que se possam cometer, mas não haja dúvida que o futebol português cresceu com estes dirigentes e não haja dúvida que o Pinto da Costa será sempre uma referência para todos os dirigentes por aquilo que ganhou, por aquilo que conquistou e a forma como esteve no futebol.