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Gilberto Madail, obrigado por se ter juntado a nós, por ter retirado algum do seu tempo nesta noite. Bem-vindo a esta emissão especial da Rádio Observador. Privou também durante vários anos com Jorge Nuno Pinto da Costa. Que memória é que lhe fica guardada na mente de todo este trajeto e este legado do antigo presidente do Futebol Clube do Porto?
A memória que, para além da profunda saudade humana que nós temos, mas a memória que eu tenho do Jorge Nuno Pinto da Costa é que foi ele que me incentivou a candidatar-me a presidente da Federação no meu primeiro mandato. Portanto, foi ele que me impulsionou e pelo qual eu tenho que estar naturalmente agradecido.
De que forma é que foi feito esse impulso? Ou seja, a ideia partiu do antigo presidente do Futebol Clube do Porto, por exemplo?
Exatamente. Havia vários presidentes de associações. Havia, na altura, também um presidente da associação muito conhecido, que era o Adriano Pinto, e o Pinto da Costa um dia disse-me: "Ó doutor Gilberto", chamava-me doutor Gilberto Madail, "você tem que se candidatar à Federação e tem que ser presidente da Federação". E foi a partir daí que eu comecei a formar a minha ideia e desenvolvi o meu projeto.
Gilberto Madail, gostava de lhe perguntar, dos muitos momentos, obviamente guardando para si esses momentos mais privados, mas dos vários momentos que esteve ao lado de Jorge Nuno Pinto da Costa, qual é o momento, uma história que guarde com especial carinho, com especial recordação, para além dessa que nos contou agora?
Quando ele me disse que tinha uma doença complicada, que não me disse o que era.
Gilberto Madail, gostava de lhe perguntar também, neste momento já não é presidente da Federação Portuguesa de Futebol, mas foi durante largos anos. Antecedeu precisamente Fernando Gomes. Foi também uma altura muito marcada por muitos títulos do Futebol Clube do Porto, mas também por vários momentos difíceis para Pinto da Costa como dirigente. Já falámos aqui do apitourado, claro.
Muito complicados.
Claro. De que forma é que Jorge Nuno Pinto da Costa conseguiu lidar com todo esse sucesso e também com esses momentos mais difíceis?
Eu penso que Jorge Nuno Pinto da Costa era um homem de convicções, mas também era um homem que acreditava nas pessoas que estavam ao lado dele. E eu penso que todas estas questões surgiram também um pouco, não digo que seja totalmente, pelo excesso de confiança que ele teve naqueles que o rodeavam.
Gilberto Madail, gostava de lhe perguntar ainda, tendo em conta que neste momento esperamos que sejam feitas várias homenagens a Jorge Nuno Pinto da Costa. Já lemos aqui algumas, por exemplo, a Liga Portugal já confirmou que vai ser feito um minuto de silêncio. Já temos também algumas informações sobre as cerimônias fúnebres. De que forma é que gostava que fosse relembrado Jorge Nuno Pinto da Costa, não só pelos adeptos do Futebol Clube do Porto, porque certamente que esses o relembrarão com muito carinho, mas por todo o futebol português. De que forma é que gostava que Pinto da Costa fosse relembrado pelos rivais, pelos adeptos que se calhar são mais desligados do futebol? O que é que devia ser feito neste momento para celebrar Jorge Nuno Pinto da Costa?
Acho que devia ser relembrado como um homem inconformado, que nunca aceitou aquilo que eram alguns disparates que havia no futebol português, relativamente, inclusivamente, ao Futebol Clube do Porto. Portanto, foi um homem inconformado e que ultrapassou tudo isso. Acho que é a melhor lembrança que nós podemos ter dele.