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Boa tarde, ministro Bruno Lage, André Diniz, em direto para a BTV. Nas últimas horas, foi divulgado um áudio.
Deixe-me antecipar, já agora, porque esta conferência deve-se exatamente a isso, aquilo que você ia perguntar, eu já percebi qual é a pergunta. Fomos nós que fizemos a conferência. Esta conferência deve-se exatamente a uma conversa, que eu pensava privada, com o conjunto de adeptos que nos estavam à espera na chegada a Lisboa. Primeiro, dizer que eu fui ter com os adeptos, da mesma forma quando ganhamos troféus, mostramos a taça ou os troféus, da mesma forma que num momento menos positivo, fui o primeiro a dizê-lo. Quer na conferência de imprensa, que sentia perfeitamente a desilusão dos adeptos, por darmos um passo em falso no campeonato, assim como à saída, na entrada para o autocarro, fui ter com os adeptos e disse que os entendia perfeitamente a desilusão do resultado de ontem, e depois uma longa conversa, de 30 minutos, com os adeptos que estavam à nossa espera, que eu pensava privada, veio a público e estamos aqui hoje para esclarecer tudo sobre essa conversa. E como tal, aqui estou eu e até começava já pelo colega da CMTV. Passa já a sua pergunta, que é pra gente fazer andamento à conferência de imprensa, porque temos um jogo muito importante para tratar e aquilo que eu quero é que fique tudo muito claro e que se esclareça tudo sobre o assunto de ontem para toda a gente, incluindo eu, os jogadores, minha equipa técnica e os adeptos do Benfica, comecem a pensar no jogo com a Juventus.
Boa tarde, Bruno Lage, Gustavo Lourenço para a CMTV. Queria perguntar, se falou com o Rui Costa.
Não há admissão. Há sim, o objetivo de preparar o próximo jogo. Vamos ouvir as perguntas.
O que lhe disse o presidente e se já agora é um sinal de confiança ter o presidente aqui nesta sala de imprensa? Obrigado.
Falamos e a nossa intenção foi vir aqui esclarecer ao público o significado daquele áudio e a confiança é mútua, quer de um lado, quer do outro.
Boa tarde, Bruno Lage. Cristina Queiroz Alves, em direto pra SIC Notícias. Está a dizer que a confiança é mútua, mas a verdade é que no áudio que ouvimos, ouvimos também Bruno Lage a questionar provavelmente direções da própria direção ou decisões da própria direção, a questionar também o compromisso dos jogadores, a forma como estes se apresentam durante as exibições, que não saltam à bola. Diz que vai trazer jogadores que já queriam voltar para o Benfica, que nenhum outro treinador vai. Deixe-me só terminar, por favor. Que nenhum outro treinador vai conseguir resolver, mas que o treinador Bruno Lage vai conseguir resolver. Pergunto se está a culpar toda a gente, menos assumir a responsabilidade.
Não. Que fique muito claro que a responsabilidade do resultado de ontem e do insucesso é do treinador, sou eu. Agora, a minha exigência para com os jogadores tem que ser máxima. Eu vou me socorrer aqui dos meus apontamentos apenas para referir, porque há uma frase que é solta de um áudio de um minuto e meio, de uma longa conversa de 30 minutos, que é o seguinte: aquilo que eu disse, por exemplo, sobre a situação de não saltar, vem no contexto que eu tinha acabado de dizer na conferência de imprensa. Uma equipa que chega em primeiro lugar, não pode sofrer os gols que temos vindo a sofrer. Desde o momento em que chegamos ao primeiro lugar, até o dia de hoje, não podemos sofrer aqueles gols. Alguns de pênalti e alguns de bola parada, em que não saltamos. Nunca foi de referir que os jogadores não lutam, não correm, não saltam. Foi na situação de bola parada, não saltamos. E mais, e antes de isso ser tornado público, quer na conferência, quer depois na conversa com os adeptos, isto é tudo apontado aos jogadores. É sempre uma análise crítica que nós fazemos, individualmente e coletiva, dos erros que vamos cometendo. E cabe sempre a mim, criar todas as condições para continuar a evoluir a equipa naquilo que eu sinto que não está bem. E tenho dito várias vezes aqui, algumas coisas já conseguimos fazer bem, controlar bem. Há outras que por si só, ainda não fazemos. Temos que continuar a evoluir, temos que continuar a trabalhar e esse é um momento que foi bastante visível nos últimos jogos. A questão dos 20 milhões e dos cinco milhões, vem num contexto em que os adeptos, pela emoção, tiramos estes jogadores do plantel e metemos miúdos. E por uma tentativa de explicar, as coisas do mercado não funcionam assim, os ativos dos clubes não funcionam assim. Não se pode tirar um jogador dos 20 milhões e usado como exemplo, de fora de um plantel que depois, o valor de mercado vale em cinco milhões. E depois como é que um clube, se eventualmente quer vender ou transferir algum jogador, tem condições para receber o valor investido em determinado jogador, para contratar outro. Há uma vontade muito grande, e as outras frases que você diz, de enquanto treinador português e que conhece a casa como ninguém, sentir que, alinhado com as três pessoas que estão aqui à minha frente, temos todas as condições de fazer os ajustes que nós achamos necessário para sermos ainda mais competentes. Aproveito a sua pergunta pra lhe dizer, continuo a acreditar muito no plantel. O plantel tem enorme qualidade, mas, como todos os plantéis, nós sentimos que temos capacidade e competência para as fazer evoluir e crescer. E temos ainda Um espaço de só sensivelmente 15 dias para trabalhar nesse sentido e fazer evoluir este plantel.
Sport TV. Mais uma pergunta agora para Bruno Lage.
Boa tarde, Bruno Lage, Inês Coelho, em direto para a Sport TV.
Boa tarde.
O Benfica ganhou uma Taça da Liga há bem pouco tempo. Como é que explica este clima de instabilidade em tão pouco tempo?
A instabilidade vem dos resultados. Agora, o que é mais importante é que nós estamos juntos. Há um sentimento de união muito grande aqui, porque nós temos consciência do trabalho que temos que fazer. E temos ainda esse espaço para fazer. Eu, na evolução da equipa, há coisas que já fizemos, aproximamo-nos ao primeiro lugar. Depois, não fomos competentes de nos manter em primeiro lugar. Já fizemos alguns jogadores chegar a um patamar de exigência que eu acho que são muito bons. Há outros que ainda temos que continuar a trabalhar para eles chegarem até nós, porque a jogar de três em três dias, os resultados é que vão dando estabilidade. E concluindo, aprimorando ou dando mais um toque à pergunta anterior, um treinador que entende muito bem a casa, que sabe a exigência do Benfica, percebe perfeitamente como tem que ajudar os jogadores a evoluir, para eles perceberem o que é representar o Benfica. Vencer apenas uma Taça da Liga não chega, mas foi, para já, o único troféu que teve um fim e nós conquistamos. Ainda há um longo caminho a percorrer. Repito, demos ontem um passo em falso no campeonato, mas temos já um jogo muito importante na Liga dos Campeões e só dependemos neste momento para passar à fase seguinte. Ainda há muito espaço, porque temos sensivelmente 15 jornadas para realizar do campeonato e tem sido um campeonato muito irregular, onde todas as equipas têm perdido pontos. Quem sabe, pelo novo formato da Liga dos Campeões, ainda estamos também na Taça de Portugal. Por isso, ainda temos um longo caminho a percorrer e aquilo que nós mais queremos e que ainda não conseguimos é a consistência, porque esta equipa já provou que sabe jogar bem e aquilo que nós queremos é consistência.
TVI.
Boa tarde, Henrique Mateus, da TVI, da CNN. Pergunto se teve vontade de dizer o que disse, ou se o que disse foi devido à pressão dos adeptos na zona da garagem. E de que forma é que sente confiança por parte dos adeptos e também de que forma é que o podem ajudar, como pediu?
Senti que foi uma conversa muito boa e espero que esta conversa seja mesmo nesse sentido. É verdade que eu estou a falar para vocês, vocês estão a fazer o vosso trabalho, os comentadores que estão na televisão vão comentar tudo aquilo que nós aqui estamos a dizer, mas esta tem que ser uma conversa para todos os benfiquistas. Muito seguro daquilo que eu estava a dizer, foi uma conversa de 35 minutos, que vocês só tiveram acesso a um minuto e meio de áudio com coisas fora de contexto. Aquilo que eu quis passar, e sinto que passei, após meia hora de conversa, é que a união é muito importante. Foi aquilo que nós fizemos na primeira fase. Eu vou lhe dar um exemplo, que nós sentimos isso, e ontem tive a oportunidade de dizer aos nossos adeptos o quanto foi importante no primeiro passo, a união dos adeptos no título que eu as dei a conquistar, no 37. E se há dúvidas disso, vejam só as imagens da nossa chegada à Vila do Conde ou a nossa chegada ao último jogo aqui no Santa Clara. O quanto eu sofri e paguei por isso na pandemia, em que não senti esta pressão e não senti o apoio dos adeptos. Para nós termos uma reação, só eu sei, enquanto treinador, e depois é verdade, o treinador seguinte também passou pelo mesmo, de jogar em estádios vazios, em sentirmos a força dos nossos adeptos benfiquistas. Por isso, neste momento, aquilo que eu quis foi, de controlo emocional absoluto da minha parte, quando passei pelos adeptos, primeiro, quer na conferência, depois à saída do estádio e depois ali, eu não podia passar por eles e não ter uma palavra para com eles, porque eu sei o que eles estão a passar, sei o que eles estão a sentir. Eles sabem que nós também sofremos muito, mas também eles sofrem igual ou até muito mais. E aquilo que eu quis passar foi de confiança, continuem nos a apoiar. Nós sabemos o que estamos a fazer, temos um caminho a fazer, vamos fazê-lo e temos muito ainda a ganhar esta época.
RTB. Mais uma questão para Bruno Lage. Continua a defender que ainda há muito trabalho para fazer esta temporada. Estas críticas que vieram hoje a lume, minam a confiança do balneário no treinador. Não tenha a mais pequena dúvida. Eu quero saber é como é que vai ultrapassar isso e se, em algum momento, desde a divulgação do áudio até agora, esta conferência de imprensa, chegou a ponderar pôr o seu lugar à disposição. Obrigado.
Diga-me só o seu nome.
Alexandre Albuquerque.
Alexandre Albuquerque. Eu vou lhe dizer o seguinte: não mina, sabe por quê? Por todas as análises e aquilo que eu disse aos jogadores, aquilo que eu disse, quer no áudio, já o tinha dito anteriormente na conferência, e mais, já tinha falado com os jogadores sobre isso, porque eles sabem disso. Eles também sofrem com isso. E eles têm o conhecimento do trabalho que tiveram que fazer e o fato de nós estarmos a jogar sensivelmente há três meses de forma consecutiva, o quanto custou e o quanto eles deram passar para o primeiro lugar. Eles também fazem uma análise crítica e fizemos todos, porque a forma como uma equipa chega à primeira posição e a forma como nós temos sofrido os gols não é de uma equipa que está em primeiro, não é de uma equipa que quer vencer provas. E a prova disso foi que depois tivemos uma resposta muito boa na Taça da Liga. É aquilo que eu quero novamente com os meus jogadores e eu, enquanto treinador, é essa exigência que eu passo. Por isso, tudo aquilo que foi dito, foi analisado com os atletas e eles percebem perfeitamente aquilo que eu quero e qual é a exigência do clube para com eles.
Boa tarde, Bruno Lage, Afonso Santos para A Bola. Também uma das questões que chama mais a atenção nesse áudio foi o Bruno Lage falar do fato de a equipa ter dificuldades em dar três toques consecutivos na bola, sobretudo no jogo com o Casa Pia. Para comentar essas pisadas, também há um senso de responsabilidade para essa dificuldade.
Claramente, mas muito simples. Uma vez mais, fazer o contexto, ainda bem que você tocou nesse assunto, que é o seguinte. Quem faz os jogos que nós fizemos, pelo menos os últimos quatro jogos que nós fizemos, depois de fazer o mais difícil, ou seja, Braga, Sporting, Famalicão, Barcelona, Farense e depois ainda fazer os primeiros 30 minutos com o Casa Pia, em que marcamos o gol, temos boas jogadas e boas oportunidades de gol, e depois perder o controle do jogo e passar parte desse jogo sem conseguir dar três toques seguidos, a permitir muitas transições ao adversário, como foi o fato de nós termos sofrido o segundo e o terceiro gol. Por isso, são tudo situações que, numa longa conversa, é preciso criar o contexto para isso, porque mau seria o treinador que tem visto esta equipa jogar e já fez bons resultados e já provou que sabe jogar bem e já provou que sabe jogar bem a sua profissão, que viesse publicamente criticar que a equipa não sabia dar três toques seguidos, mas sim, foi em função do contexto e, particularmente, na segunda parte do jogo de ontem.
Ainda mais perguntas para Bruno Lage. Continuamos a ouvir a conferência de imprensa.
Boa tarde, Rafael.
Permita-me voltar aos jogadores de 20 milhões. Há dois jogadores que custaram 20 ou mais milhões de euros ao Benfica, falo do Arthur Cabral e do Kokçu. Eu pergunto-lhe diretamente se está insatisfeito com o rendimento destes dois jogadores e se alguma vez se sentiu obrigado a colocar jogadores em campo pelo preço que custaram para valorizar. E não sei se me permite uma segunda pergunta.
Depois a gente dá a volta. Rafael, volto a repetir. A questão dos 20 milhões, a conversa vem de trás. Um dos adeptos disse que temos um plantel que a maioria dos jogadores custou 20 milhões, e usa isso como essa frase. E a intenção, normalmente, quando os adeptos estão aborrecidos, qual é a intenção? É tirar este e jogar com os miúdos. E eu quis lhe dizer que, pelo menos para eles entenderem um bocadinho do que é o funcionamento do clube, tu não podes tirar, e usem os 20 como exemplo, porque ser 20, ser 10 ou ser 5, o preço de mercado tem que se ter em consideração. Qualquer jogador que esteja aqui, imagine. Nós temos o jogador, independentemente do preço, e por alguma razão, uma chatice, um problema, passa a treinar na equipe B. Valorizamos ou desvalorizamos o jogador? Desvalorizamos. Foi esse sentido que eu quis passar aos adeptos, que as coisas não são feitas assim. Aqui, e o presidente está aqui à minha frente, presidente e não Rui Costa, e você já sabe que a gente já ultrapassou esse assunto, o presidente está aqui à minha frente. Nunca me pediu para jogar A, B ou C. Nem enquanto diretor desportivo, nem enquanto presidente. Tenho total liberdade e sou eu o responsável, escolher o 11, escolher a estratégia e sou eu o máximo responsável no insucesso.
Marco Soares do jornal Jogo. Falou dos jogos em que a equipa esteve bem e apontou o lado menos negativo e fala de uma equipa que não quer vencer provas, com estes defeitos que apontou. Como é que se explica isso? De muito bom para alguém que não mostra capacidade e vontade para vencer.
Não, não é vontade. Quem está numa posição de primeiro lugar e para vencer, não pode sofrer este tipo de gols. Nós sofremos gols de bola parada e gols de penalti, quando estávamos em primeiro lugar. Você recorda dessa final, mesmo a final, primeira parte, em que sinto que fomos melhores que o nosso adversário e damos a oportunidade ao nosso adversário de chegar à igualdade através de um penalti. Não é de vontade, é apenas sim, estamos numa posição em que não podemos, além do mérito do adversário, mas não podemos sofrer gols desta maneira.
BTV não teve a oportunidade de fazer a primeira pergunta.
Ainda mais uma questão.
Boa tarde, presidente Bruno Lage, André Diniz, em direto para a BTV. Feito o esclarecimento, que mensagem é que quer deixar aos benfiquistas? Obrigado.
Olhe, não com as palavras que usei no final do jogo, quando me dirigi aos adeptos antes de ir para o autocarro, nem ontem, mas é recordar e perceber que com o apoio deles nós somos, e precisamos do apoio deles para ser o Benfica. Há um longo trabalho a fazer. É verdade que as pessoas, perante um mau resultado, é claro que a confiança dos adeptos em nós fica menor, mas nós estamos convictos em voltar a fazer boas exibições, a fazer resultado. Temos a obrigação de fazer já amanhã uma boa exibição para que os adeptos continuem a acreditar em nós e a apoiar-nos, porque o apoio deles é fundamental. A presença deles é fundamental. Eu repito, o quanto foram importantes na conquista de títulos e o quanto são importantes na conquista de títulos e nos empurrarem pra frente, assim como também na altura da crítica, a ausência deles também foi péssima para nós. Por isso, a presença dos adeptos é muito importante e nós sabemos o que estamos a fazer. Há questões que estão completamente identificadas e vamos tentar resolver o mais rapidamente possível. E uma delas já é aquilo que nós estamos a trabalhar. Antes do jogo, hoje de manhã, já estivemos a preparar as situações em que nós temos tido alguma dificuldade nos últimos momentos, que são situações de bola parada e de transição após esse momento de bola parada.
Obrigado, presidente.