Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E para continuar a olhar para o legado de Jorge Nuno Pinto da Costa, contamos neste jornal também com Manuel Pizarro, ex-ministro da Saúde, portista, a quem agradeço ter aceitado o nosso convite. E Manuel Pizarro, antes de mais, a minha primeira pergunta é: quem era Jorge Nuno Pinto da Costa e que legado é que deixa após a notícia da morte?
Jorge Nuno Pinto da Costa era o presidente dos presidentes, alguém que para os portistas tem um significado muito especial, mas tem também significado para todos os que gostam de desporto, em Portugal e no mundo, porque a verdade é que ele é o presidente mais titulado da história do desporto mundial e nada disso pode acontecer por acaso. Ele percebeu o papel do desporto enquanto fator de dinamismo de uma cidade e de uma região e conseguiu galvanizar centenas de milhares de pessoas em torno desse projeto desportivo que ele ajudou a construir no Futebol Clube do Porto.
O Manuel Pizarro chegou a ser agraciado com um Dragão de Ouro. Foi mesmo nomeado por Pinto da Costa num dos seus célebres discursos, sempre sem assistência de papel, sempre quase de memória. Como é que foi esse momento e quais é que são as memórias mais próximas que guarda de Pinto da Costa?
Ele é uma personagem extraordinária, porque o seu encanto ia muito para além da sua capacidade de liderança no Futebol Clube do Porto. Ele era um homem de cultura vastíssima, capaz de recitar decor um vasto conjunto de poemas dos autores portugueses de que ele mais gostava: António Nobre, José Régio, Fernando Pessoa. E era uma pessoa que, de facto, conseguia liderar pela sua capacidade de influenciar os que o rodeavam. Eu lembro-me com muita emoção, muitos momentos que passei próximo dele, momentos bons de celebração de vitórias, momentos difíceis, estes últimos em que ele já estava manifestamente doente. Mas tenho muita alegria de ter vivido esses momentos junto a ele e isso é algo que conservarei na minha memória para toda a minha vida.
Manuel Pizarro, mais de 1300 títulos no total, 69 títulos no futebol, 23 Ligas Portuguesas, 15 Taças de Portugal, 22 Supertaças. Os títulos sucedem-se, são muitos. Ainda assim, acredito que sejam a Taça dos Campeões Europeus em 87 e a Liga dos Campeões em 2004, os grandes marcos da liderança de Pinto da Costa.
Sim, eu era jovem estudante na Faculdade de Medicina do Porto quando o Porto venceu essa Taça dos Clubes Campeões Europeus contra o Bayern de Munique no Estádio Prater de Viena. Esse foi o momento de mudança para o clube e para a cidade. Foi o momento em que nós verdadeiramente transformamos o Futebol Clube do Porto. Talvez seja justo dizer, Pinto da Costa transformou o Futebol Clube do Porto num clube relevante à escala europeia e à escala mundial, coisa que até aí manifestamente não éramos, mas ter tido essa ambição e ter feito o que era necessário para a concretizar, é algo que só está ao alcance de muito poucos. E Pinto da Costa será sempre lembrado como o grande presidente dos presidentes do Futebol Clube do Porto.
E agora de futuro, de que forma é que o Futebol Clube do Porto pode manter a memória de Pinto da Costa viva?
Eu acho que há um legado que ele nos deixa em matéria de ambição, de dimensão do clube, de projeção do clube para além da cidade, da região e até do país, que ficará vivo. E é preciso agora esbater estes conflitos naturais no mundo democrático que aconteceram nos últimos meses, ultrapassar essa página e lembrá-lo como um inspirador do Futebol Clube do Porto, que temos que construir no futuro, um Futebol Clube do Porto de trabalho, de rigor, de ambição e de competência.
Manuel Pizarro, uma última questão antes de terminar a sua participação nesta emissão especial, digamos assim, que é: o Futebol Clube do Porto joga hoje em Faro a partir das 18h. É um encontro com uma carga emotiva extremamente elevada. A minha questão é: há outro cenário que não seja uma vitória em honra de Pinto da Costa que consiga pôr em cima da mesa?
Eu não tenho nenhuma dúvida que a equipa do Futebol Clube do Porto, hoje, como faz sempre, fará tudo o que estiver ao seu alcance para vencer o jogo. Hoje tem um significado especial. Também não posso esquecer que nós temos hoje uma equipa constituída por muitos jogadores jovens, com menos experiência e que seguramente também estejam mais permeáveis à emoção. E é preciso que sejamos capazes de jogar à Porto, independentemente de ser, de facto, um dia muito emocionante, onde eu tenho a certeza que todos querem redobradamente a vitória para oferecer à memória desse grande presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa.
E é o que fará. Não resisto em perguntar-lhe se o fizer, se conseguir uma vitória nas próximas autárquicas.
Vamos lá ver. O atual presidente da Câmara do Porto, o Rui Moreira, já teve ocasião de lembrar ontem que com ele, a presidente da Câmara do Porto e comigo, a vereador, entregamos a Medalha de Honra da Cidade ao Jorge Nuno Pinto da Costa, celebrando aquilo que é o seu papel na afirmação da cidade do Porto e o que acho que a cidade terá que fazer no presente e no futuro, é continuar a lembrar este grande portuense, porque Pinto da Costa era, sem dúvida, um portista ilustre, mas tornou-se portista por amor à cidade do Porto, como ele sempre afirmou, um amor que lhe foi, aliás, transmitido pela família. Ele destacava em especial o papel da avó e o papel da mãe na transmissão de um amor incondicional pelo Porto. Isso é uma coisa que eu partilho com o presidente Pinto da Costa, um amor incondicional pelo Porto.