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Paulo Santo, já há um novo objetivo para Marine Le Pen.

Sim, Marine Le Pen já falou em 43%, portanto ela deve estar a jogar com outros números. Em todo caso, ela veio falar muito depressa, anunciou uma vitória, a seguir falou numa derrota e finalmente disse que a vitória vai ser em junho. E portanto, fê-lo de uma forma muito clara, disse que vai continuar em cena e aquela promessa já desmentiu, mas isso é normal, essas coisas nós estamos aqui para isso.

Mas ela terá dito para as presidenciais, não é?

Sim, para as presidenciais.

E portanto, as outras batalhas eleitorais.

É verdadeiramente importante. A França não tem há algum tempo a chamada coabitação. Se houver uma coabitação, não se percebe bem com quem é que pode ser. Ela fez aqui um ataque direto a Mélenchon e, portanto, no fundo, à esquerda. O que é curioso, porque de facto o que estamos aqui a assistir mais uma vez, as velhas ideologias, as ideologias de antigamente, aquelas que nós aprendemos, que foram criadas ao longo de tantas décadas, até séculos, neste momento quase que não têm importância neste jogo. O que está aqui em causa é verdadeiramente esta ideia de uma política para a França, como eu disse, nacionalista, que defende só os interesses franceses, etc. Um bocadinho aquilo que Trump veio fazer nos Estados Unidos, contra uma ideia liberal.

Onde Mélenchon se poderá tocar de alguma forma, os apoiantes de Mélenchon?

Onde se tocam. Exatamente. Repare, foi muito isso a primeira volta. A primeira volta foi muito Mélenchon, Le Pen, contra o incumbente, contra as políticas liberais, contra as políticas a favor dos ricos, contra isso tudo, contra o aumento da idade da reforma, contra os impostos, enfim, todas as questões que quer a esquerda de Mélenchon, quer a direita de Marine Le Pen censuram a este poder, a este regime. Aquilo que Marine Le Pen veio aqui dizer é que é preciso transformar o regime, é preciso mudar tudo. Portanto, no fundo, ela apela a um cataclismo e usa este resultado como a alavanca para o conseguir. Repito, na minha opinião, ela não cumpriu as expectativas, ela sabe que não cumpriu as expectativas e por essa razão veio tão cedo falar, na minha opinião também. Porque ela, de facto, veio marcar. Antes que as outras pessoas começassem a dizer coisas, disse ela primeiro.

E já chutou para junho.

É, junho e junho vai ser decisivo. Demos o primeiro passo. Enfim, este é o primeiro degrau, o segundo degrau é aquele que conta. Foi isso que ela fez, na minha opinião.