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E retomamos aqui esta emissão especial dedicada ao Portugal-Suíça. Temos condições, nesta altura, de viajar até ao Estádio Lusail, onde está o enviado especial do Observador, editor de desporto do Observador, Bruno Roseiro. Bruno, boa tarde. Queria te perguntar, para começar, qual o ambiente e se houve algum tipo de decepção dentro do estádio quando se percebeu que o Cristiano Ronaldo não ia jogar?

Não, foi sobretudo aplaudir de uma maneira menos intensa, digamos assim, quando o nome de Ronaldo foi anunciado como suplente. Claramente o nome que mais aplausos levantou. Não está ainda muita gente no Lusail. A informação que eu tinha é que ainda estavam vários bilhetes à venda. Portanto, também há essa curiosidade para perceber qual será a estatística oficial do número de espectadores que a FIFA vai apresentar esta noite. Mas deixa-me também resumir aquilo que foi o aquecimento de Ronaldo. Parece-me que as imagens televisivas, que nós só temos acesso a algumas, têm mostrado que não está propriamente com a cara mais feliz do mundo, mas olhando para Ronaldo, mais parecia que ele hoje era um treinador, sobretudo na altura em que os 10 titulares de campo estão divididos em duas equipes para fazer circulação de bola num espaço de terreno mais reduzido. E Ronaldo, ao contrário de todos os outros suplentes que iam trocando a bola entre si, estava ao lado de Ilídio Vale, a olhar, tal e qual como se fosse um treinador. Inclusivamente, na altura da parte final do aquecimento, que tem os remates à baliza, já com o Rui Patrício e José Sá, o próprio Ronaldo estava no meio dos titulares. Percebe-se claramente que é alguém que não sabe lidar com a situação que lhe é hoje atribuída e não consegue disfarçar no próprio período de aquecimento.

Estávamos agora a ver imagens de Cristiano Ronaldo sorridente a entrar no balneário. É óbvio que quando o víamos no aquecimento também não o víamos com esse sorriso, mas agora sim, a caminho do balneário, com sorriso, a tirar fotos também com algumas pessoas que estavam nesse acesso aos balneários. Bruno Roseiro, o que te parece que pode dar este Portugal-Suíça? Que Suíça é que vamos ter aqui e quais são os perigos desta seleção, que tu tens acompanhado de perto nesta competição?

Esta Suíça é uma equipe que nós já estamos habituados a ver e a conhecer, porque no passado recente fizemos vários jogos. Agora, seja pela imprensa suíça, seja pela própria imprensa estrangeira, tu percebes que a Suíça deu um salto qualitativo. O melhor exemplo eu acho que é Embolo. Quando nós pensamos aquilo que era Embolo enquanto avançado, enquanto jogador há dois anos e aquilo que é hoje, percebemos também o salto que a Suíça deu. E depois há aqui um contraponto fundamental que é Shaqiri, Xhaka, Akanji, chegam no momento ideal da carreira e depois acabam por beneficiar aqui de uma conjugação de resultados que, por exemplo, em condições normais, uma vitória frente a Portugal vale à Suíça, ou pode valer à Suíça, uma presença nas meias-finais, até porque já se sabe que o próximo jogo será com Marrocos. E este é talvez um dos jogos mais importantes das últimas décadas para a Suíça. Uma Suíça bem mais evoluída, uma Suíça, sobretudo, que mostrou que conhece muito melhor os momentos do jogo e essa foi a diferença que valeu, por exemplo, a vitória contra a Sérvia. E Portugal, eu diria que apresenta a equipe que entronca exatamente nisso mesmo. A única maneira que existe de marcar gols à Suíça é conseguir colocar os elementos mais móveis do meio-campo pra frente, à procura do espaço e a ganhar as costas. Não há outra maneira, porque jogando num estilo à espanhola, por exemplo, como nós vimos agora contra Marrocos, diria que é complicado marcar gols a esta Suíça, que defensivamente é uma equipe bem organizada, até no seu todo e na maneira como reage à perda. E Portugal terá de apostar obrigatoriamente na mobilidade. E com uma curiosidade, eu aqui recordo um pouco aquilo que o Van Gerw disse numa reflexão há dois, três dias sobre aquilo que foi a fase de grupos deste Campeonato do Mundo. A maioria das equipes estão a bloquear da melhor forma o meio-campo, a zona do meio-campo, a zona central. E as melhores equipes e aquelas que vão conseguir ir mais longe são aquelas que jogam melhor pelas laterais e conseguem ser móveis, tendo elementos a desequilibrar. Os exemplos que são atribuídos é o Brasil, não só por Neymar, mas por todos os jogadores da frente que ontem voltaram a dar espetáculo contra a Coreia do Sul, e também a Argentina, porque tem Messi como fator diferenciador. Mas é o jogo pelos corredores laterais que está a fazer a diferença neste Campeonato do Mundo e acredito que Fernando Santos também vai apostar e muito por aí, como uma chave pra ganhar à Suíça.

Muito bem, vamos então ver o que dará esse encontro. Ficamos aqui com algumas notas, também para análise aqui em estúdio. Obrigado a Bruno Roseiro, que vai estar no Estádio Lusail também a acompanhar este Portugal-Suíça para o Observador.