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Ainda estava cheio de força. Naquela altura, ainda não se tinha apresentado sequer como candidato, embora todos soubéssemos que ele ia ser candidato às eleições. Foi no início do ano de 24, portanto a 31 de janeiro de 24, e ele estava pujante ainda, com muita vontade de continuar, com projetos, com a cabeça cheia de coisas. Foi uma entrevista que eu lhe pedi durante muito tempo. Aliás, eu o entrevistei durante décadas, para dizer a verdade. Como vocês sabem, eu comecei a minha carreira no Porto, depois fui para Lisboa em 94 e a partir daí, várias vezes, durante aquelas décadas de glória do Futebol do Porto, eu sempre o entrevistei por várias vezes naquelas entrevistas a seguir ao "Telejornal". Depois também fiz um grande prós e contras com ele, daqueles que eram debates maratona de cerca de três horas, em que ele foi o convidado, o grande protagonista, e algumas entrevistas no Estádio do Dragão, com o viado das taças, todas as taças, houve um ano que ele conquistou tudo. Eram trabalhos muito difíceis para mim, porque eu não sou especialista em desporto, nem em futebol. Então eu pedia sempre ajudas aos meus colegas que eram especializados naquela área e obviamente que as minhas entrevistas puxavam muito para o lado humano e social do homem, do líder que era Pinto da Costa.

Fátima Campos Ferreira, conseguiu entender quem era Pinto da Costa, além do clube?

Era um grande líder, era um líder muito marcado pela região onde nasceu, pela cidade e pela região, e portanto, tinha essa noção que tinha que impor a região e fazer mais pela regionalização, porque acabou por fazer do que algum político alguma vez sonhou sequer fazer, porque ele impôs o Porto e a região junto do poder central e na capital, e internacionalizou a região. O Porto hoje é o que é e também o deve muitíssimo a Pinto da Costa. Depois era um homem que para fazer este processo, esta caminhada, necessitou de amigos e de inimigos. Eu acho que ele escolhia a dedo os amigos e eram muitos e bons. Ele tem muito bons amigos. Acho que se eu falar de um, pelo menos eu disse tudo. Fernando Povos é talvez o amigo mais profundo que ele teve durante toda a vida, porque é um homem bom, intrinsecamente bom, mas também os inimigos, eu acho que ele os escolhia a dedo. Repare que ele nunca teve nenhum problema com o Fernando Martins, o mítico presidente do Benfica, ou até com alguns líderes do Sporting. Ele escolhia aqueles com quem queria criar inimizades e, portanto, eram esses que o tornavam também grande nesse confronto. A comunicação social foi, a partir de determinada altura, também um grande problema. Ele enfrentou a comunicação social e confrontou-se nessa ânsia de fazer vencer a imagem do Futebol Clube do Porto, mas também da região. E não há dúvida que essa forma de estar, essa forma de pelear, ele pelejou pelo Porto. Pelejou não só pelo Futebol Clube do Porto, mas pelejou pela região. E isso é uma coisa que o marca para sempre e que o deixa para a eternidade.