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Cristiano Ronaldo é a grande ausência na seleção portuguesa e Fernando Santos justificou essa ausência assim, ao microfone da Sport TV.

Fernando Santos, boa tarde. Acho que nunca aconteceu consigo, mas hoje Ronaldo, numa fase final de uma grande competição, começa no banco. É uma opção técnica ou está também ligada àquelas palavras que não gostou de ouvir no jogo com a Coreia?

Não está nada ligado. Eu disse que esse assunto está encerrado, foi esquecido e foi uma opção estratégica. Já vínhamos há uns dias a preparar. É uma opção estratégica para este jogo, ambientes diferentes, momentos diferentes. E foi uma opção estratégica, não mais que isso. Ele é um profissional exemplar e se tiver que ir a jogo, vai de certeza absoluta ajudar muito Portugal.

Já sei que não nos vai revelar muito, mas o que é que pretende com esta troca, num encontro que acredita que possa ser equilibrado e sem margem de erro?

Sim, claro, mas que a equipa tenha uma desenvoltura muito grande, os cinco jogadores da frente com grande desenvoltura, criar espaços para poder jogar, equipa equilibrada, mas com grande desenvoltura.

Ok, obrigado.

Fernando Santos a justificar essa ausência de Cristiano Ronaldo. Augusto Inácio, boa tarde. Vamos olhar aqui para as escolhas de Fernando Santos, estas opções táticas, e começar, claro, por esta decisão. A discussão das últimas 24 horas, depois de Fernando Santos ter ontem dito que não gostou das palavras de Cristiano Ronaldo, hoje confirma-se. Cristiano Ronaldo não joga. O que te parece esta decisão?

É como tu estás a dizer, não gostou daquilo que ouviu, quando viu as imagens. E aqui confunde-se, ou pode-se confundir, o não ter gostado das afirmações ou dos comentários do Cristiano Ronaldo e agora colocá-lo no banco. Diz que é uma opção estratégica. Prontos, vamos acreditar que sim, que é isso mesmo que ele pensa. E claro, o treinador vai ser julgado só no final do jogo, porque Portugal, na minha opinião, se o problema foi ultrapassado, eu achava que o Cristiano Ronaldo podia jogar, porque eu acho que é o melhor ponta de lança que Portugal tem. Mas essa não é a ideia do selecionador.

Portanto, não concordas com a ideia de opção tática?

Não, eu preferia. Mas ele é que sabe, que ele trabalha com eles, ele é que sabe como é que estão os momentos, até psicológicos, que a equipa está a atravessar. Agora, eu estando de fora, tenho o direito de escolher a minha equipa e tendo o direito de escolher a minha equipa, eu colocava o Cristiano Ronaldo a titular.

Sim. Gabriel Alves, o que te parece esta decisão?

Boa noite. Esta decisão vai ser uma decisão muito falada e vai ser uma decisão preto no branco. Se Portugal ganhar, Fernando Santos é elevado ao altar. Se Portugal perder, o Cristiano Ronaldo amanhã está em tudo que é manchete. E é o Cristiano Ronaldo a figura. E já está a ser esta noite na imprensa internacional, porque eu já estou a ver, fala-se muito pouco de Portugal, fala-se é de Cristiano Ronaldo. Esta é que é a grande verdade. Ponto. Segundo, a ida de Gonçalo Ramos-

Tal como aconteceu no Manchester United?

São coisas diferentes, ó Bigode. São coisas diferentes. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Aqui são situações muito diversas. Em relação à ida de Gonçalo Ramos a jogo, obviamente que Fernando Santos vai ter uma estratégia diferente. Penso que com a equipa que está, poderá eventualmente ir a jogar num quatro-quatro-dois em losango. Esta é a minha ideia.

Eu não acredito.

Não acreditas, Mirado?

Não. Eu acho que o João Félix vai continuar a jogar da esquerda para dentro.

Para dentro.

Para estar mais perto do ponta de lança.

Sim.

E o Bruno Fernandes, que eu não gosto, mas o Bruno Fernandes é capaz de jogar da direita para dentro.

Sim.

Enquanto para mim era o Bernardo Silva.

Que devia ficar da direita, exatamente.

Eu acho que o desenho vai ser esse. Agora, a questão do Gonçalo Ramos, eu acho que é uma questão de mobilidade.

Sim. E joga bem também de costas para a baliza.

Sim.

Também tem essa vertente, que é uma vertente. Agora, ele é um jogador que precisa de futebolistas que tenham profundidade. Ele no Benfica tem o Rafa, aqui não há Rafa.

Exatamente.

Pronto. Portanto, isto são articulações.

E não há rapidez no ataque.

E não há rapidez no ataque.

Mas há lá atrás com...

Uma coisa é atrás, ó Miguel, outra coisa é entrar na profundidade.

Sim.

Portanto, isto é uma situação. Mas pronto, há uma estratégia, diz Fernando Santos, que foi trabalhada, foi tratada, obviamente que vamos estar e vamos esperar que resulte em pleno. Eu só queria deixar aqui, em relação ao Cristiano Ronaldo, esta situação. Se é, de facto, e vamos acreditar que sim, uma situação de metodologia e de projeto para este jogo, sim. Agora eu pergunto, sendo Cristiano Ronaldo sempre titular, havendo aquilo que ele fez, que obviamente é reprovável, como é. E que terá, enfim, irritado não só Fernando Santos, como também a própria direção da Federação Portuguesa de Futebol. Mas há aqui um fator, se isto tivesse sido há quatro ou cinco anos, o Cristiano Ronaldo continuava a ir a jogo. Esta é a minha convicção. Tinha dito isto e se calhar pior. Agora há aqui outro fator que eu vou pôr. Esta notícia que está a sair do estrangeiro para o mundo, que ele vai para a Arábia Saudita, 500 milhões de euros, dois anos e meio, não se esqueçam, 500 milhões de euros não é só para ele ir jogar e fomentar o futebol na Arábia Saudita. É para promover a Arábia Saudita para o próximo mundial de 2030, com o Egito e com a Grécia.

Claro.

E isto está a incomodar a UEFA e, muito particularmente, a direção da Federação Portuguesa de Futebol.

Bruno Veira Manuel, o que te parece? Qual é a tua opinião? Temos ainda minuto para depois voltarmos a este tema.

Sim, muito rapidamente. Eu creio que o problema da seleção portuguesa ao nível do ataque não é o Cristiano Ronaldo, nem é um ou outro jogador. O problema é a falta de dinâmicas coletivas e não é a saída do Cristiano Ronaldo e a entrada de outro jogador qualquer que vai resolver esses problemas. Outra questão, o Ronaldo está em má forma? Esteve mal no jogo contra a Coreia? Esteve. E, na minha opinião, se existem alternativas, se um jogador não está em condições, se não está num bom momento de forma, como aconteceu com o Cancelo, sai e dá lugar a outro que esteja melhor. Também acho que esta decisão de Fernando Santos, neste momento, revela uma grande coragem. Não quer dizer que se ele optasse por o Cristiano Ronaldo a titular, isso fosse cobardia. Não, porque ele consideraria que seria a melhor opção jogar com o Cristiano Ronaldo, que eu concordo com o Augusto Inácio, continua a ser, independentemente, se ignorarmos o momento de forma, continua a ser o melhor ponta de lança dos três que estão lá da seleção portuguesa.

Sim.

Só que não está num bom momento de forma. E que Fernando Santos, neste momento, nesta altura específica em que passamos para a fase a eliminar, encostar, este o termo, encostar Cristiano Ronaldo, é preciso coragem e eu acho que é uma decisão que tem que ver, sem dúvida, com as palavras proferidas por Cristiano Ronaldo quando foi substituído.

Já vamos voltar a este tema. Já vamos também analisar esta seleção da Suíça. Estamos em emissão especial para acompanhar o Portugal-Suíça, os oitavos de final. O último lugar, a última vaga para os quartos vai ser discutida daqui a pouco. A bola vai ao centro às 19h. Vamos fazer agora uma curta pausa para atualizar toda a informação na Rádio Observador.